31 de outubro de 2015

Vinte e seis

No momento em que encontro Haven, todos estão reunidos, olhando para fora da janela, onde ela encontrou pela primeira vez sua gata, dizendo umas palavras em memória de Charm, enquanto abraça uma pequena urna contra seu peito.
— Ouça — sussurro-lhe, me deslizando ao lado de Damen e olhando as gêmeas. — O que perdi?
Ele sorri e me olha enquanto pensa: “Alguns derramaram lágrimas, leram-se alguns poemas…” - Ela encolhe os ombros. – “Estou certo de que vai perdoar seu atraso, com o tempo.”
Concordo com a cabeça, decidida a mostrar a Damen a razão de meu atraso, representando a derrota de tudo, como um filme tecnicolor. Vendo como Haven orvalha cinzas de Charm sobre o chão, com as imagens de apenas uns momentos antes que nos comunicássemos mentalmente.
Desliza seu braço ao redor de mim, me consola na maneira correta, colocando brevemente um buquê cheio de tulipas vermelhas em minhas mãos, cuidando de fazê-lo aparecer e desaparecer antes que o vejam.
“É realmente tão mau?”
Damen me olha enquanto Haven coloca a urna nas mãos de seu irmão pequeno Austin, para limpar seu nariz.
“Pior”
Movo a cabeça, ainda me perguntando por que de todas as pessoas, escolhi confiar no Muñoz.
Aproximo-me mais, com a cabeça apoiada em seu ombro. Quando posso acrescento: “E as gêmeas? O que estão fazendo aqui? Pensei que tinham medo de sair.”
Estão de pé junto a Haven, com suas caras idênticas, com os olhos escuros e solenes e sua franja recortada, mas as semelhanças terminam ali, depois de ter trocado seus habituais uniformes de escola privada pelos seus próprios modelos. Romy luta pela salubridade de todos os americanos com um modelo de catálogo do J. Crew, enquanto que Rayne provém diretamente dos corredores candentes com seu mini vestido negro, malhas negras um pouco rasgadas, e muito altos sapatos de plataforma da Mary Jane. Embora duvide que realmente fizeram compras nas lojas. Não quando Damen só tem que pensar neles para manifestá-los.
Sacode a cabeça, apertando seu braço ao meu redor, respondendo a meus pensamentos.
“Não, aí é onde se equivoca. Elas compraram. Estavam ansiosas por explorar o mundo fora da televisão, revistas, e minha comunidade do Crystal Cove.” Ele sorri. “Criados ou não, escolheram os trajes delas mesmas. Inclusive pagaram por eles também. Usando o dinheiro que lhes dei, é óbvio.” Ele me olha. “Basta pensar, que ontem foi o centro comercial, hoje o funeral de um gato, e amanhã quem sabe?” Ele volta-se e sorri de uma maneira que ilumina seu rosto, enquanto Haven, dá um adeus definitivo ao gato.
— Não deveríamos ter trazido algo? — Pergunto. — Você sabe, flores ou algo assim?
— Nós trouxemos. — Damen assente com a cabeça, pressionando seus lábios em minha orelha, quando acrescenta: — Não só trouxemos as flores, — aponta para um ramo gigante de flores coloridas, — mas também fizemos uma generosa, embora anônima doação, a SOCIEDADE AMERICANA PROTETORA DOS ANIMAIS em memória de Charm. Pensei que ela apreciaria.
— Ajudar as pessoas de forma anônima? — Olho-o, a inclinação de seu rosto, a curva de seus lábios e o desejo para que os pressione contra os meus. — Pensei que estava contra tudo isso.
Me olha, obviamente interpretando mal as palavras que eu tinha concebido como uma brincadeira. Mas justo quando estou a ponto de lhe explicar, Josh nos interrompe. Se fixa em Haven, assegurando-se de que não pode ouvir, antes de retornar conosco, dizendo:
— Ouça, preciso de sua ajuda. Meti os pés pelas mãos.
— Como? — Eu me mostro confundida, embora a resposta acabe de aparecer em minha cabeça. Abarrota-se as mãos nos bolsos, o cabelo tingido de negro cai em seus olhos quando diz: — Trouxe-lhe uma gatinha. Um rapaz da minha banda, bom, a gata de sua namorada acaba de ter uma ninhada e pensei que poderia ajudá-la a sair dessa. Então peguei uma pretinha, mas agora ela nem sequer quer falar comigo. Diz que não entendo. Não a entendo. Está louca, sério.
— Estou certa de que ela o entenderá, só lhe dê um pouco de tempo, e ela…
Mas ele já está sacudindo a cabeça.
— Está brincando? Ouviu-a em algum momento? A forma em que falava a respeito de como Charm foi única em sua raça, como nunca poderá ser substituída. — Sacode a cabeça e olha para o outro lado. — Isso foi para mim, não tenho dúvidas.
— Todo mundo se sente dessa maneira depois de perder um bichinho de estimação. Estou segura de que se você… — detenho-me, olhando em seus olhos a derrota, sei que não estou ajudando.
— De maneira nenhuma. — Levanta os ombros, com o olhar perdido em seu rosto. — Ela falava sério. Ela está triste por Charm, zangada comigo, e agora tenho esta gatinha no assento traseiro de meu automóvel e não sei o que fazer com ela. Não posso levá-la para casa, mamãe vai me matar, e Miles não pode ficar com ela por causa de toda essa coisa da Itália, assim pensei que talvez vocês poderiam querê-la.
Inspirei fundo e olhei para as gêmeas, sabendo que adorariam um mascote próprio, especialmente depois da forma em que reagiram a Charm. Mas, o que será dele uma vez que sua magia esteja restaurada e se dirijam de volta a Summerland? É possível levar a gata com elas? Ou será nossa responsabilidade?
Mas quando vi, as duas me olhavam, a cara do Romy levantada em um sorriso, enquanto que Rayne mantinha um cenho franzido. Sei que preciso de toda a ajuda que pode chegar aonde nos concerne, e uma pequena gatinha linda poderia ser um bom começo.
Olho para Damen, sabendo no momento em que nossos olhos se encontram que estamos na mesma página. Dirigimo-nos ao carro do Josh quando ele diz:
— Vamos dar uma olhada.
— Oh meu Deus! Sério? Ela é mesmo nossa? De verdade? — Romy embala a gatinha negra e nos olha.
— É toda sua. — Damen assente. — Mas deve agradecer a Ever, não a mim. Foi ideia dela.
Romy me olha com um sorriso amplo formando-se em sua cara, enquanto Rayne torce a boca para um lado, franzindo os lábios de uma forma que deixa claro, que também quer rir.
— Que nome lhe daremos? — Romy olha para nós antes de centrar-se unicamente em Rayne. — Eu digo Jinx, Segunda Jinx, ou algo assim, porque está gatinha merece seu próprio nome. — Abraça a gatinha apertando-a contra seu peito, lhe dando um beijo na parte superior da sua pequena cabeça negra. — Ela também merece um destino muito melhor que a outra Jinx.
Eu as olho, a ponto de perguntar o que passou quando Rayne diz:
— Isso é passado. Mas neste caso Romy, precisamos encontrar o nome perfeito. Algo forte e místico – verdadeiramente digno de uma gatinha como esta.
Sentamo-nos, os quatro nas cadeiras e sofás de Damen.
Damen e eu compartilhamos uma almofada, entrelaçados em nossas mentes tratando de encontrar um nome nas enormes listas de nomes adequados até que posso elevar minha voz e dizer:
— Que tal Luna? — Olho entre eles, com a esperança de que gostarão tanto quanto eu. — Vocês sabem, como a palavra latina para a lua.
— Por favor. — Rayne roda os olhos. — Sabemos o que significa Luna. De fato, estou bastante segura de que sabemos de forma mais americana que você.
Aceno com a cabeça, lutando por manter a voz calma e serena, me negando a cair em sua armadilha, quando adiciono:
— Bom, eu estava pensando que, já que dizem que os gatos estão conectados à Lua e tudo — detenho-me, para dar uma olhada em sua cara, sabendo que não tem sentido, que está totalmente contra mim.
— Vocês sabem, dizia-se que os gatos eram os filhos da lua — diz Damen, determinado não só a me apoiar, mas também a demonstrar, uma vez por todas, por que eu sou digna de seu respeito. — Porque como a lua, ambos vêm à vida na noite.
— Então talvez devêssemos chamá-la Pequena Luna — diz Rayne. Assentindo com a cabeça quando acrescenta: — Sim, isso é tudo, Pequena Luna. É muito melhor que Luna.
— Não, não é. — Romy olha para a gatinha que dorme em seu colo, acariciando o estreito espaço entre suas orelhas. — Pequena Luna, não é correto, é comprido. Muito comprido. O nome deve ser só uma palavra. E esta gatinha é claramente a Luna para mim. Luna. Assim a chamaremos então.
Dá uma olhada para nós, contando três cabeças assentindo, e uma que se nega a ceder só para me chatear.
— Sinto muito, Rayne. — Damen fecha minha mão, com uma lasca de energia que é a única coisa que separa sua palma da minha. — A maioria ganha, de acordo com as normas neste caso. — Ele assente com a cabeça, fechando os olhos para manifestar um colar de delicioso veludo da mais profunda cor púrpura, que aparece imediatamente no pescoço de Luna. Romy e Rayne ofegam, com os olhos brilhantes de alegria quando se manifesta uma cama de veludo. — Talvez devessem colocá-la ali agora — diz.
— Mas queríamos dormir com ela — Romy se queixa, não querendo separar-se de seu animal doméstico.
— Sim, mas também temos que praticar para obtê-lo, não?
As gêmeas se olham a uma à outra, depois se levantam ao mesmo tempo, colocando com cuidado Luna em sua nova cama, assegurando-se de que está dormindo comodamente, antes de voltar-se para Damen, prontas para começar. Tomando os assentos justamente em frente dele, com os tornozelos cruzados, as mãos cruzadas no colo, mais obedientes do que jamais as vi. Preparadas para tudo o que Damen tem previsto.
— Magia. — Ele assente com a cabeça, as olhando. — É necessária a prática diária, para que seus poderes possam retornar.
— Como se pode praticar? — Eu entrecerro os olhos, lhe perguntando se for algo como o planejamento das classes de Judô para ensinar. — Quero dizer, há exercícios e ensaios, como na escola?
Damen encolhe os ombros.
— É mais uma série de meditações e visualizações, embora muito mais intensa e de uma duração muito mais longa que as que pus através de nossa primeira viagem a Summerland, mas então, não te exigi tanto. Apesar de que as gêmeas provêm de uma grande linha de bruxas com muito talento. Temo que tal como estão agora, voltaram para a primeira etapa. Embora espere que com a prática habitual, vão recuperar suas habilidades em um tempo razoável.
— Quanto tempo é razoável? — Perguntam, quando o que realmente querem dizer é: Quando teremos nossa vida de volta?
Damen encolhe os ombros.
— Poucos meses. Talvez mais.
— O Livro das Sombras ajudaria? — E me dou conta justamente depois do que disse, que não deveria havê-lo dito.
A expressão do Damen não é feliz, embora as gêmeas estejam agora em seus assentos.
— Tem o Livro das Sombras? — Rayne diz, enquanto Romy se senta e abre a boca. Olho Damen, já que não está muito contente, mas dado que o livro poderia ajudar tanto como espero que me possa ajudar, eu digo:
— Bom, não exatamente o tenho, mas tenho acesso a ele.
— É igual ao real? Como um verdadeiro livro das sombras? — Rayne diz suas palavras como uma pergunta, embora seu olhar me diz que está segura de que é uma falsificação.
— Não sei. — Digo encolhendo os ombros. — Há mais de um?
Olho Romy, meneando a cabeça e pondo os olhos, antes de que Damen possa dizer:
— Não o vi, mas de acordo com a descrição, estou seguro de que é real. E bastante potente também. Muito capitalista para vocês neste momento. Mas talvez mais tarde, depois que tenhamos progredido através de nossa meditação poderemos…
Mas Romy e Rayne já não o escutam, sua atenção se centrou exclusivamente em mim, enquanto se levantam de seus assentos e dizem:
— Levem-nos até ele. Por favor. Temos que vê-lo.

3 comentários:

  1. Ever virou baba de duas garotas adolescentes! kkkkkkkk
    Ass>Bina.

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  2. Por quê a Ever foi falar do Livro das Sombras ?? Burra!

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