31 de outubro de 2015

Trinta e um

Caímos para frente, com as mãos juntas quando aterrissamos na terra fazendo um ruído surdo. Levo um momento para olhar tudo, quando digo:
— Oh meu Deus isto é…
— Amsterdã. — Ele assente com a cabeça, seus olhos se estreitam à medida que se ajustam à névoa. — Só que não é a Amsterdã real, é a versão de Summerland. Eu a levaria na verdadeira, mas pensei que esta viagem seria mais curta.
Olho ao redor, os canais, as pontes, os moinhos de vento, os campos de tulipas vermelhos, me perguntando se ele criou a última parte para mim, então, recordei que a Holanda é famosa por suas flores, especialmente suas tulipas.
— Você não a reconhece, não é? — Ele pergunta, me estudando cuidadosamente enquanto nego com a cabeça. — Se dê algum tempo, e a reconhecerá. Eu a recriei, como me lembro dela no século XIX, quando você e eu estivemos aqui pela última vez. É uma cópia muito boa.
Ele me leva ao outro lado da rua, fazendo uma pausa para permitir uma carruagem vazia passar, antes de seguir para uma pequena vitrine, sua porta totalmente aberta, enquanto uma multidão de gente sem rosto se reunia animada no interior. Me olha com cuidado, ansioso para ver se teria me provocado uma lembrança, mas me afasto, querendo sentir uma sensação por conta própria, tentando me imaginar neste lugar, antigamente ruiva, olhos verdes, caminhando entre estas paredes brancas, pisos de madeira sob meus pés, olhando a linha de pintura que salpicava no perímetro, sabendo que Damen é responsável por manter tudo aqui, depois de ter manifestado sua própria existência.
Caminho pelas das paredes, em uma recreação da galeria onde nos conhecemos pela primeira vez, embora esteja decepcionada ao ver que não era familiar. Percebo como todos os quadros estão desfigurados e descoloridos, quase que completamente imperceptíveis, exceto um que estava de frente para mim, o único que estava intacto.
Inclino-me para frente, entrecerrando os olhos perante uma garota com o cabelo abundante numa mistura de vermelho glamoroso e marrom fazendo um bom contraste com sua suave e pálida pele, pintada de uma forma tangível, tão suave, tão atrativa.
Meu olhar percorre toda ela, vendo que ela está nua, embora estrategicamente coberta. Os extremos de seu o cabelo estavam úmidos, caíam sobre seus ombros e penduravam além da cintura, enquanto que as mãos descansavam, em cima de uma rosada coxa que estava ligeiramente descoberta. Embora os olhos, de um profundo verde sustentassem um olhar tão fixo, aberto, como se estivesse olhando para um amante, não havia a mais mínima vergonha de ter sido apanhada neste estado.
Senti espasmos em meu estômago, enquanto meu coração começava a pulsar, e embora esteja consciente de que Damen está ali ao meu lado, não posso olhá-lo. Não posso olhá-lo.
Algo se arrastava sobre mim, o nascimento de uma ideia que me empurra, exigindo que eu reconheça. E antes de inclusive piscar, eu vejo. Tão segura como vejo o marco dourado que rodeia o tecido, sei que a mulher sou eu! A antiga eu.
A Holandesa sou eu.
A musa do artista sou eu, o autor é Damen na noite em que nos encontramos nesta galeria. Mas o que me preocupa, o que me mantém quieta e congelada, é que compreendi subitamente que o amante invisível não é Damen. É outra pessoa. Alguém invisível.
— Então você a reconheceu. — A voz de Damen é suave, não menos surpreso que eu. — É os olhos, certo? — Me olha com seu rosto muito perto de mim, quando acrescenta: — A cor pode mudar, mas sua essência permanece a mesma. — Olho atentamente seus grossos e escuros cílios, o desejo de incitação em seu olhar fixo em mim, trouxe-me de novo rapidamente.
― Quantos anos tinha? — Sem confiar em meu tom de voz por como soavam minhas palavras. O rosto parecia de uma jovem, embora a confiança fosse a de uma mulher, não de uma menina.
— Dezoito. — Ele assente, enquanto continuava me estudando querendo que eu seja a primeira a dizer, implorando para que eu apenas fale assim poderia poupá-lo esta tarefa. Depois de olhar fixamente a pintura, acrescenta. — Você era linda. Verdadeiramente. Bem assim. Ele te capturou tão perfeitamente.
O tom e volume de sua de sua voz revelavam tudo o que suas palavras só insinuavam. Ele conhecia a identidade do artista. Sabia que não foi diante dele, que eu me despi.
Engulo seco, os olhos se estreitando enquanto tento entender o rabisco preto e angular no canto inferior direito. Decifrando uma série de consoantes e vogais, uma combinação de letras que não significam nada para mim.
— Bastiaan do Kool. — Damen, diz, me olhando fixamente.
Voltei-me, meus olhos se encontram com os seus, incapazes de falar.
— Bastiaan do Kool é o artista que pintou isso, pintou você. — Ele se vira para o retrato, seus olhos vagam sobre o retrato de novo, antes de retornar para mim.
Sacudo a cabeça, sentindo-me leve, tola - tudo o que eu pensava que sabia sobre mim... sobre nós... todo o fundamento de nossa vida de repente ficou tênue e fraco.
Damen assente com a cabeça, não havia necessidade de insistir. Ambos reconhecíamos a verdade aparecendo justo diante de nós.
— Caso você esteja se perguntando, acabou antes que a tinta secasse. Ou pelo menos foi o que eu me convenci... — Ele balança a cabeça. — Mas agora... bem, eu não tenho mais certeza.
Eu fico de olhos arregalados, sem compreender. O que essa pintura... essa versão de mim em outro século... poderia ter a ver conosco hoje?
— Você gostaria de conhecê-lo? — Pergunta, seu olhar escurecido, distante, difícil de ler.
— Bastiaan? — O nome que eu, estranhamente, gostava em meus lábios.

Damen balança a cabeça, disposto a manifestá-lo se eu apenas concordar. Mas assim como eu estou prestes a recusar, ele coloca a mão dele no meu braço e diz:
— Eu acho você que deveria. Só me parece justo.
Suspiro, concentrando-me no calor de sua mão, enquanto ele fecha os olhos em uma profunda concentração, convocando um homem alto, magro, ligeiramente desalinhado em um espaço que antes estava vazio. Solta meu braço, quando se afasta, me dando espaço suficiente para estudá-lo.
Observo-o, antes que se acabe o tempo e desapareça.
Avanço para ele lentamente, dando passos em torno deste espaço em branco, oco estranho, vazio, sem alma, irreal. Sua altura o faz parecer inclusive mais magro, seus músculos preenchiam seus ossos, a roupa era limpa e de qualidade decente, pendurada ligeiramente de forma desbaratada, caótica. A pele era tão pálida e tão perfeita que quase coincidia com a minha, enquanto que seu cabelo era escuro, ondulado e penteado para um lado, uma boa parte caía pesadamente sobre um par de olhos.
Eu ofego, forçando o ar em meus pulmões e quando ele se desvanece, Damen me olha.
— Quer que o manifeste de novo? — Obviamente, odiava fazê-lo, mas estava disposto se quisesse.
Mas somente fiquei parada, olhando fixamente um redemoinho de vibrações e pixels que logo se desvanecem completamente, sabendo que não precisamos reviver, sabíamos quem é ele.
Jude.
O cara que estava diante de mim, o artista holandês com o nome do Bastiaan do Kool no século XIX reencarnou neste século como Jude.
Procuro algo para me estabilizar, sentindo-me trêmula, vazia, fora de equilíbrio. Percebendo muito tarde que não há nada para me pegar, até Damen rapidamente se corre para o meu lado.
— Ever! — Ele grita, com uma voz tão forte que ressona em meu coração, com os braços apertados ao meu redor, me protegendo de uma maneira que me sinto em casa. Manifestando um sofá felpudo onde me guia para que me sente, seu olhar se pousa sobre mim, ansioso, nervoso, pois não tinha a intenção de me perturbar com isto.
Eu me viro, segurando minha respiração enquanto meus olhos se encontram com os dele, com medo de encontrar algo diferente, algo mudado, agora que está tudo exposto. Agora que nós dois sabemos que nem sempre foi só ele. Que uma vez, houve alguém mais. E hoje o conheci.
― Eu não… — Eu sacudo minha cabeça, uma sensação de vergonha, culpabilidade, como se de algum jeito o tivesse traído inconscientemente. — Não estou certa do que dizer, eu…
Damen sacode a cabeça, sua mão em minha bochecha.
— Não pense nisso. — ele diz. — Nada disto é sua culpa. Ouviu? Nada disso. É só o carma. — Faz uma pausa e sustenta seu olhar no meu. — É só um assunto pendente por assim dizer.
— Mas poderia terminar? — Eu pergunto, tendo uma noção de uma ideia de onde isso está indo e se recusando a participar nessa jornada. — Isso foi mais de cem anos atrás! E como você havia dito, já tinha terminado antes que a pintura secasse.
Mas antes que possa terminar, ele está sacudindo sua cabeça, a mão sobre minha bochecha, meu ombro e o joelho, quando ele diz:
— Já não estou tão certo disso.
Eu olho para ele, lutando contra o desejo de me afastar. Desejando que ele parasse. Querendo ir embora. Não gosto mais daqui.
— Parece que eu tenho interferido. — Ele diz, seu rosto duro, julgamento, embora seja um julgamento reservado apenas para ele. — Parece que tenho o costume de me intrometer em sua vida, intervindo nas decisões que deveriam ter sido suas, te empurrando um destino que… — Ele se detém, aperta sua mandíbula, o olhar fixo, embora seus lábios tremam de uma maneira que revela o preço de tudo isto. — Que nunca foi destinado a ser seu.
— Do que está falando? — Digo, em voz alta, com urgência, sentindo a energia em torno de suas palavras, e sabendo que está a ponto de piorar.
— Não é óbvio? — Me olha, a luz em seus olhos fraturados em milhões de fragmentos como um caleidoscópio na escuridão que pode nunca ser consertado.
Ele se levanta do sofá em um movimento rápido e sinuoso até que ele está preenchendo o espaço diante de mim. Mas antes que possa falar, antes de fazer as coisas piorarem, adianto-me para dizer:
— Isto é ridículo! Tudo isso! Tudo! Foi o destino que nos trouxe de novo e de novo. Somos companheiros de alma! Você mesmo o disse! E pelo que eu aprendi, é exatamente assim que funciona, as almas gêmeas se encontram sempre, embora pareça impossível, custe o que custar! — Alcanço sua mão, mas ele desliza fora de meu alcance, evitando meu contato.
— O destino? — Sacode a cabeça, sua voz soa rouca, o olhar cruel, mas tudo isso é dirigido para si próprio. — Foi o destino, quando vagamente andei pela terra em busca de você, todas as vezes sem poder descansar até te encontrar de novo? — Ele se detém, seus olhos se encontram com os meus. — Me diga Ever, isso te soa como se fosse o destino? Ou algo em que te foi obrigada?
Começo a falar, meus lábios se separam, embora as palavras não saiam, vendo como ele se volta para a parede e olha fixamente a garota. Essa moça orgulhosa e bela cujo olhar se move justamente para ele e para ninguém mais.
— De alguma maneira, pude ignorar tudo isto, deixá-la de lado durante os últimos quatrocentos anos. Me convenci mesmo que era nosso destino, que você e eu estávamos destinados a estar juntos. Mas outro dia, quando chegou do trabalho, senti algo diferente, uma mudança em sua energia. E ontem à noite, na loja... eu soube.
Olho fixamente suas costas, seus sólidos ombros, sua forma magra e musculosa, recordando como agiu de maneira tão estranha, tão formal e pensei agora tudo tinha sentido.
— No momento em que vi seus olhos, eu soube. — le se vira, seu olhar se encontra com o meu. — Então me diga, Ever, me diga a verdade, você não sentiu?
Engulo seco, querendo olhar para o outro lado, mas sabendo que não posso. Ele vai interpretar mal, assumirá que me estou contendo. Recordando o momento em que Jude me surpreendeu sozinha em sua loja, a forma como meu coração se acelerou, minhas bochechas avermelhadas, junto com a estranha e nervosa dança em meu estômago. Em um momento, eu estava bem e no outro era um desastre. E tudo porque os profundos olhos verde mar do Jude se encontraram com os meus...
Não pode ser, não podia ser possível, ou sim?
Levanto-me do sofá, movendo-me em direção a ele até nossos corpos estarem a poucos centímetros de distância. Querendo me assegurar de encontrar uma maneira de lhe demonstrar que isso não significa nada.
Mas isto é Summerland. E os pensamentos são energia. E temo que acabe de presenciar os meus.
— Não é sua culpa. — diz, com a voz rouca e áspera. — Por favor, não se sinta mal.
Coloco minhas mãos nos bolsos, as empurrando tão profundamente, decidida a não perder o equilíbrio em um mundo que já não é estável.
— Eu quero que você saiba o quanto estou triste. E ainda… — Sacode a cabeça. — Lamentá-lo simplesmente não o apaga. É absolutamente inadequado, e você merece algo melhor que isso. Receio que a única coisa que eu possa fazer agora, a única coisa certa, é…
Sua voz se detém, o que me fez levantar meu rosto até que se enfrentasse o seu. De maneira permanente, ambos tão perto que o menor movimento poderia facilmente fechar a brecha.
Mas justo quando estou a ponto de dar um passo, ele retrocede, seu olhar é estável, como se estivesse disposto a fazer-se ouvir quando diz:
—... Me afastar. É a única coisa que posso fazer neste momento. A partir deste momento, eu não vou interferir em seu destino.
Minha visão fica embaçada, garganta quente e apertada. Certamente ele não pode significar o que eu penso. Ou pode?
Olhando para ele frente a mim, minha perfeita alma gêmea, o amor de minha vida, a pessoa que eu estava certa de que era meu refúgio agora me deixando lado.
— Eu não tenho o direito de irromper em sua vida na forma em que eu o faço. Nunca lhe dei a oportunidade de escolher por si mesma. E sabe o que é o pior? — Me olha cheio de auto aversão que estou tão pressionada a desviar o olhar. — Eu nem sequer fui o suficientemente nobre, nem sequer fui o suficientemente homem, para jogar limpo. — Sacode a cabeça. — Eu usei cada truque do livro, todos os poderes a minha disposição para aniquilar a concorrência. E embora não tenha maneira de trocar os últimos quatrocentos anos, nem a imortalidade que impus a você, estou esperando agora dar um passo que te permita alguma liberdade para escolher.
— Entre você e Jude? — Eu abro minha boca, levantando a voz até o ponto da histeria, querendo que ele dissesse. Apenas diga. Pare de dançar em torno dele e chegar ao ponto.
Mas ele apenas fica parado, o olhar cansado do mundo focado no meu.
— Bom, não há outra opção! Nenhuma opção absolutamente! Jude é meu chefe, e não tenho o menor interesse nele ou ele em mim!
― Então você não consegue ver o que eu vejo. — Damen, diz, como se fosse um fato grande, um objeto sólido diante de mim.
— Isso é porque não há nada que ver. Não entende? Tudo o que eu vejo é você!
Eu olho para ele, a visão embaçada, as mãos trêmulas, sentindo tão terrível e vazia como se cada respiração pudesse ser a minha última. Mas assim que eu falo, Damen destaca a pintura de novo. A faz brilhar de uma maneira que não pode ser ignorada. Entretanto, embora ele pense que é importante, essa garota é uma estranha para mim. Minha alma uma vez ocupou seu corpo, mas já não é sua casa.
Começo a falar, com vontade de lhe explicar, mas as palavras não vêm. Só um doloroso e comprido gemido que passa da minha mente à sua. Um som que quer dizer, por favor, não faça, um som sem fim.
— Eu não vou a lugar nenhum. — Ele diz, imune a minha súplica. — Eu sempre estarei por perto, em algum lugar. Capaz de te sentir e de te manter a salvo. Mas, para o resto... — Sacode a cabeça, com sua voz derrotada, triste, mas determinado a ser ouvido. — Temo que já não possa fazê-lo, acho que terei que…
Mas não o deixo terminar, não posso deixá-lo terminar, detenho-o quando grito:
— Já tentei ter uma vida sem você, quando retornei no tempo, e adivinha? O destino me enviou de volta! — Meu olhar embaçado pelas lágrimas, mas não voltarei atrás. Quero que veja. Quero que veja o que está me custando e quão equivocado está.
— Mas, Ever, isso não significa que está destinada a estar comigo. Talvez tenha sido enviada de volta para encontrar com o Jude, e agora…
— Tudo bem. — Eu digo, me negando a deixá-lo terminar, quando não tenho mais prova para apresentar. ― Então, o que acontece com as vezes que passou segurando minha mão, te concentrando em nosso calor e formigamento, alegando que é exatamente o que sentem as almas gêmeas? O que acontece com isso? Não falava sério?
— Ever… — Sacode a cabeça e se esfrega os olhos. — Ever, eu…
— Você não entendeu? — Sacudo a cabeça, sentindo sua energia, sabendo que não fará a mais mínima diferença, mas vou continuar de todos os modos. — Você não vê que o único que quero é você?
Leva sua mão a minha bochecha, seus dedos são tão suaves e carinhosos, um cruel aviso de que não o terei, seus pensamentos viajam na distância de sua cabeça, me suplicando que o compreendesse e que lhe desse um pouco de tempo.
― Por favor, não pense que isto é fácil para mim. Não tem nem ideia do quão doloroso é agir sem o menor indício de interesse, talvez por isso não tentei antes? — Ele sorri, tentando parecer um pouco frívolo, mas me nego a aceitá-lo. Desejando que ele se sinta tão horrível e vazio como eu. ― Eu roubei o seu direito de ver sua família de novo, pus sua alma em risco. — Seu olhar se estreita no meu. ― Mas, Ever, você tem que escutar, deve entender, é o momento para que escolha e continue sua vida sem que eu interfira!
— Eu já escolhi. — digo, em uma forma, cansada, muito cansada para lutar. — Eu escolhi você e você não pode voltar atrás. — Eu o olho, sabendo que minhas palavras são inúteis, que está decidido a seguir seu plano. — Damen, sério, conheci-o faz centenas de anos em um país que não visitei depois. Grande coisa! E você e eu nos conhecemos toda uma vida de quantos anos?
Me olha por um momento, e logo fecha os olhos, sua voz era apenas um sussurro quando ele diz:
— Não foi em uma só vida, Ever. — Desaparece a galeria mantendo os moinhos de vento e as tulipas quando ele manifesta um mundo inteiro frente a mim, de fato vários mundos. Paris, Londres, Nova Inglaterra, todos alinhados em uma fila, situados justo no centro de Amsterdã, onde ambos estamos de pé.
Mundos que permaneciam fies a seu tempo, a arquitetura, a roupa, todo indício de seu período, entretanto, ainda desprovidos de seus cidadãos, povoados apenas por três.
Eu em todas as minhas vidas, uma humilde empregada parisiense, uma mimada da sociedade londrina, filha de um puritano, com Jude sempre ao meu lado. Um menino de estábulo francês, um conde inglês, um paroquiano, cada um de nós diferente, embora os olhos sejam os mesmos.
E olho, concentrada um a um de uma vez, cena a cena bem montada diante de mim. Meu interesse em Jude sempre diminuindo no momento em que Damen aparece na cena, tão mágico e fascinante como hoje em dia, utilizando todos seus truques para me roubar e me levar para longe.
Eu fico, sem fôlego, não sabia o que dizer. Tudo o que sei é que quero que desapareça. Encaro ele, compreendendo como se sente, mas sabendo que não faz a mínima diferença. Não em mim. Não ao que se refere a meu coração.
— Você tomou uma decisão. Estupendo. Eu não gosto disso, mas tudo bem. O que eu realmente preciso saber é de quanto tempo estamos falando aqui? Dois dias, uma semana? — Sacudo a cabeça. — De quanto tempo você necessita para aceitar o fato de que não importa o que acontecer, não importa o que pense ou diga, não importa o injusto que esta luta possa parecer, escolho você. Sempre escolhi você. Para mim só existe você!
— Isto não é algo que se possa datar. É hora de te libertar de mim, o momento de você seguir…
— Só porque decidiu fazer isto, só porque quer fazer as coisas apesar do que eu diga, só porque inventou o jogo não significa que faça todas as regras. Porque se você tiver verdadeiramente a intenção de me deixar escolher, então eu escolho até a noite de hoje.
Ele balança a cabeça, os olhos parecendo um pouco mais claros, e se não estou enganada, tingido com um toque de alívio. E nesse momento, eu sei, um raio de esperança faz com que meu coração acelere.
Ele odiava isto tanto quanto eu. Eu não sou a única aqui com a necessidade de ter uma data final.
— Até o fim de ano. — Ele diz, com a mandíbula apertada de uma maneira que me diz que está tentando ser nobre, tão ridiculamente galante. — Isso deve te permitir bastante de tempo.
Eu balanço a cabeça, mal lhe permitindo a chance de terminar quando eu digo:
— Eu finalizo amanhã. Eu estou certa de que vou ter minha decisão até então.
Mas ele não o aceita, inclusive se nega a negociar, dizendo:
— Ever por favor, teremos toda nossa vida pela frente se você me escolher. Confie em mim, não há pressa.
— Até o fim de semana que vem.
Aceno com a cabeça, endurecendo a voz, me perguntando como vou fazer, possivelmente, até então.
— Ao finalizar o verão. — Ele diz, e estas são palavras finais seu olhar se encontra com o meu.
Estou de pé diante dele, incapaz de falar. Pensando em como estive esperando o verão desde em que estamos juntos, imaginando três meses de festa e diversão sob o sol de Laguna Beach.
Sabendo que não há mais que dizer, afasto-me. Ignorando o alcance de sua mão ao querer fazer a viagem de volta juntos. Se está tão determinado que eu escolha meu próprio caminho, então devo fazê-lo a partir de agora. Abandonando a galeria e me dirigindo à rua fazendo meu caminho por Amsterdã, Paris, Londres, e Nova Inglaterra, sem olhar nem uma vez para trás.

12 comentários:

  1. Tudo estava bom de mais para ser verdade!
    ass: Bina.

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  2. NÃAAOOOO! Eu não sei se acho lindos esses autossacrifícios ou se odeio!

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    1. eu odeio esses mimi deles essa incistencia dele de mante-la longe

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  3. muito semelhante a " Diários do vampiro", mas até que estou gostando dessa mistura.

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  4. Gsuis... para tudo que eu quero descer! Até eu estou na dúvida: não sei se amo ou se odeio.

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  5. Mais que raiva, pq ela não foi pra estrada e se atirou na frente de carro ( só que antes de fazer isso ela deveria falar " se é pra viver em um mundo sem VC então vou me matar e já que eu faço minhas próprias escolhas a partir de agora VC não vai me enpedir de me matar " ).
    Acho que ela deveria falar isso pra ele, pra ver se ele ia correr atrás ou ele ia deixar ela se matar.
    BOM É CLARO QUE SE ELE SE EMPORTASSE ELE NÃO IA DEIXAR ISSO ACONTECER.
    E SE ELE DEIXASSE ISSO ACONTECER, ELE VIVERIA COM O PESO NA CONSCIÊNCIA OU MORRERIA TBM JÁ QUE ELA NÃO IRIA REENCARNAR DE NOVO.

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  6. Mas q m*&%@ Damen !! Pior é q nao foi so uma vida esse trio amoroso...e agora ?? :O

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  7. Aarrrrggg que bosta , sério! Tava mt bom pra ser verdade

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  8. AH NÃO,NÃO ACEITO
    Sério isso Damen?Muito nobre e idiota fazer isso

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  9. Aí Meu Deus! Que capítulo foi esse?! 😢😢 Bem que eu tava desconfiando desse Jude!
    Ass: Juuh

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  10. Tudo bem o damen ser a alma gêmea dela mas parece que o destino sempre fez com que Jude e ela se encontrem affs que Raiva do damen entregar ela de bandeja pro tal de Jude sem nem lutar

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  11. Achei essa historia bem semelhante com o Diario de um Vampiro,
    Ever e Elena: Ambas são duplicatas de vidas antecessoras
    Damen e Damon: Ambos se apaixonaram pelas duplicatas
    Jude e Stefan: Ambos são duplicatas que o destino escolheu a ficar com as outras duplicatas Ever e Elena.
    Quem assiste ou assitiu a serie de The Vampire Diaries deve ter notado a semelhança tbm nas historias

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Comentários de volta!
Passamos algumas horas sem essa opção, mas estamos à ativa novamente :)

Boa leitura! E SEM SPOILER!