30 de outubro de 2015

Trinta e um

O Grande desapontamento que eu senti quando eu encostei no ombro da mulher com os cabelos castanhos, só para descobrir que não era Ava, me vez perceber o quanto eu preciso falar com ela. Então sai de Summerland, de volta para o meu carro, caindo no banco do motorista parando bem na frente do estacionamento do Trader Joes no Crystal Cove Promenade , encarando impressionada quando uma cliente deixa cair suas duas bolsas, derrubando inúmeras latas de café e sopa em uma linha inteira de carros. E agora eu prometo a mim mesma que minhas entradas e saídas serão mais discretas. Quando eu cheguei à casa de Ava, ela está no meio de uma leitura, então eu esperei em sua brilhante cozinha enquanto ela terminava. E mesmo sabendo que isso não é da minha conta, eu sei que não deveria estar espiando. Eu vou para o quantum remote e acesso sua seção, impressionada pela quantidade de detalhes que Ava dá.
— Impressionante — eu digo, depois que sua cliente se foi, e ela vem para o cozinha junto comigo. — Muito impressionante, sério eu não tinha ideia — eu sorri , a vendo fazer o seu ritual de colocar o chá para ferver, então colocando alguns biscoitos em um prato, e colocando na minha frente.
— Isso é muito bom vindo de você — ela sorriu, sentando na cadeira a minha frente. — De qualquer modo se eu me lembro bem, eu lhe dei uma leitura bastante precisa uma vez.
Eu peguei um biscoito, sabendo que era o esperado. E quando eu senti o açúcar nos meus lábios, eu não pude não ficar triste em perceber que não tem mais a alegria que costumava.
— Você lembra da leitura? Na noite de Halloween? — Ela me olhou de perto.
Eu balancei a cabeça. Eu lembro disso muito bem. Foi a noite em que eu descobri que ela podia ver Riley. Até ali eu tinha certeza que era a única que podia ver e se comunicar com a minha morta irmã mais nova, e eu não estava tão feliz em saber que não era mais o caso.
— Você falou para a sua cliente que ela está namorando um perdedor? — Eu quebrei o biscoito ao meio. — Que ele está traindo ela, com alguém que ela acha é apenas uma amiga e que ela deveria chutar os dois? — Eu perguntei, tirando algumas migalhas do meu colo.
— Em tantas palavras — ela disse, levantando para tirar o chá no momento em que ele começou a ferver. — Eu só posso esperar que você perceba as mensagens suaves, se você decidir acreditar.
Eu parei, impressionada pelo o quão triste eu fiquei quando percebi quanto tempo faz desde que eu pensei sobre o meu futuro, o que eu quero ser quando crescer. Eu pensei em tantas coisas – querendo ser um Power ranger, uma professora, astronauta, modelo, pop star – a lista não tinha fim. Mas agora que eu sou imortal, agora que eu tenho a possibilidade de tentar todas essas coisas, ao longo de milhões de anos – eu não me sinto mais ambiciosa.
Além do mais, tudo o que eu tenho pensado esses dias é de como trazer Damen de volta. E agora, depois dessa minha última visita a Summerland, tudo o que eu tenho pensado é de como trazer a velha eu de volta. Quero dizer, ter todo o mundo aos meus pés, não é tão legal quando não se tem alguém para dividir isso comigo.
— Eu – eu ainda não tenho certeza do que eu quero fazer. Eu não pensei realmente sobre isso.
Eu menti, imaginando se seria fácil para mim voltar a minha antiga vida – se eu decidir voltar, quero dizer. E se tudo que eu vou querer é ser uma pop star como eu costumava querer, ou se as experiências que eu tive vão me seguir até lá.
Mas quando eu olho para Ava, vendo seus lábios na beira da caneca, soprando duas vezes o chá antes de tomar, eu me lembro que eu não vim aqui discutir meu futuro. Eu vim aqui discutir o meu passado. Decidi me abrir para ela, dividir alguns dos meus mais profundos segredos. Convencida de que eu não posso somente confiar nela, mais que ela também será capaz de me ajudar.
Porque a verdade é, eu preciso de alguém que eu possa contar. Não tem jeito de eu passar por isso sozinha. E não é sobre me ajudar a decidir se eu devo ficar ou devo ir, porque eu comecei a perceber que eu não tenho muita escolha. Quero dizer a ideia de deixar Damen – a ideia de nunca vê-lo novamente – é mais dolorosa do que eu possa aguentar. Mais quando eu penso sobre a minha família, e como eles sacrificaram as suas vidas por mim – por causa de um estúpido suéter azul que eu convenci o meu pai voltar para pegar o que acabou causando o acidente que matou todo mundo – ou porque Drina fez o cervo pular em frente ao carro, então ela poderia se livrar de mim e ficar com Damen para si mesma – eu senti que eu tenho que fazer alguma coisa para fazer tudo ficar certo.
Porque de qualquer modo que você olha, isso volta para mim. É minha culpa eles não estarem mais vivendo suas vidas, é minha culpa o futuro brilhante deles ter terminado tão cedo. Se eu não tivesse me metido no caminho, nada disso teria acontecido. E mesmo que Riley tenha insistido que tudo aconteceu do jeito que deveria, o fato de eu ter a chance só prova que eu preciso sacrificar o meu futuro com Damen, para que eles possam ter o deles. É a coisa certa a fazer. É a única coisa a fazer. E do jeito que as coisas estão indo, minha supervida social na escola, Ava é a minha única amiga. O que significa que eu vou ter de deixar ela para arrumar a bagunça que eu vou deixar.
Eu trouxe a minha xícara de chá para os meus lábios, então ou coloquei de volta sem beber. Traçando meus dedos pela alça da xícara, respiro fundo e digo.
— Eu acho que alguém envenenou Damen — eu vejo como os seus olhos se arregalaram e ela ficou pasma. — Eu acho que alguém está envenenando a sua — elixir — bebida preferida. E isso está fazendo ele agir — mortal — normal, mais não de um jeito bom — eu pressionei meus lábios juntos, e me encostei no sofá, quase dando a ela uma chance de recuperar o fôlego quando eu digo. — E desde que eu fui banida de entrar pelo portão, você vai me ajudar a invadir.

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