29 de outubro de 2015

Trinta e um

De início ela apenas me encara com os olhos verdes arregalados, incrédula, mas depois ergue o queixo e escancara a boca, revelando seus dentes. Antes que possa entrar em ação, porém, arremeto contra ela, determinada a dar o primeiro golpe, a derrubá-la enquanto é tempo. Antes de alcançá-la, no entanto, vejo a poucos metros de distância um círculo de luz dourada, uma espécie de véu cintilante que acena para mim, como em meus sonhos. Mesmo sabendo que foi Drina quem fabricou esses sonhos, e que decerto estou diante de uma armadilha, não consigo me conter: ando em direção à luz.
Saio tropeçando através da neblina reluzente, banhada por uma claridade tão amável, morna e aconchegante que logo me vejo livre de todos os receios e temores, ficando tomada de paz. Até que pouso num campo de relva muito verde, a queda amortecida pela grama.
Olhando ao redor, vejo flores com pétalas que parecem iluminadas por dentro, cercada de árvores tão altas que chegam a roçar o céu, os galhos cedendo ao peso de frutos maduros e apetitosos. E enquanto admiro a paisagem, deitada em silêncio, lentamente digerindo cada detalhe, tenho a estranha sensação de que já estive aqui antes.
— Ever.
De um pulo fico de pé e preparo-me para lutar. E quando vejo que estou diante de Damen, dou um passo atrás, desconfiada, sem saber ao certo de que lado ele está: do meu ou do de Drina.
— Ever, fique tranquila. Está tudo bem — ele diz sorrindo, oferecendo sua mão.
Mas fico onde estou, imóvel, nem um pouco disposta a morder a isca. Olho ao redor à procura de Drina, dando outro passo para trás.
— Ela não está aqui — ele afirma, encarando-me. — Você está segura. Somos só nós dois, você e eu.
Hesito um instante, sem saber se devo acreditar nele ou não, achando difícil estar segura ao lado de alguém como Damen. Encarando-o de volta, avalio minhas opções (que na verdade não são muitas), até que finalmente pergunto:
— Onde estamos? — Mas, no fundo, o que quero saber é: Estou morta?
— Você não está morta, isso eu posso garantir — ele responde rindo, depois de ler meus pensamentos. — Está em Summerland. — E percebendo a interrogação em meu olhar, explica: — É um tipo de lugar intermediário. Como se fosse uma sala de espera. Uma dimensão entre as dimensões, se assim preferir.
— Dimensões? — Aperto os olhos sem entender, a palavra soa estranha, enigmática, pelo menos do modo como foi usada. E quando Damen estende o braço para pegar minha mão, recuo rapidamente, pois sei que não consigo ver nada com clareza quando ele me toca.
Resignado, ele dá de ombros e acena para que eu o siga através de uma campina onde todas as flores, árvores e filetes de grama balançam suavemente, oscilando para um lado e para o outro como se estivessem em uma dança infinita.
— Feche os olhos — ele sussurra. E diante da minha recusa, insiste: — Por favor.
Então, concordo, mas não sem deixar uma pequenina fresta entre as pálpebras.
— Confie em mim, Ever. Pelo menos desta vez.
Por fim faço o que ele pede e fecho os olhos por completo.
— E agora? — pergunto.
— Agora imagine algo.
— Como assim? — No entanto, mesmo sem entender, imagino a figura de um elefante.
— Imagine outra coisa, rápido!
Assustada, abro os olhos e dou de cara com um elefante de proporções titânicas vindo em nossa direção. E fico maravilhada quando, também por obra de minha imaginação, ele se transforma em uma borboleta, uma linda e inofensiva borboleta-monarca, que pousa na pontinha de meu dedo.
— Como foi que... — Olho confusa para Damen, e depois para a borboleta de antenas pretas e irrequietas.
Ele ri.
— Quer tentar de novo?
Franzo os lábios e olho para ele, não resistindo à tentação e procurando pensar em algo melhor que um elefante ou uma borboleta.
— Vá, é muito divertido! — encoraja Damen. — Nunca me canso desta brincadeira!
Então fecho os olhos e imagino a borboleta transformar-se num pássaro e segundos depois, ao reabri-los, vejo uma linda arara de múltiplas cores empoleirada em meu dedo.
Mas quando ela deixa um nojento fiapo de titica branca em meu antebraço, Damen oferece uma toalha e diz:
— Que tal algum animal... mais limpinho?
Então coloco o bicho na grama e, assim que ele alça voo, aperto os olhos uma terceira vez, séria, compenetrada, firmando o pensamento. Quando abro os olhos de novo, Orlando Bloom está bem na minha frente.
Damen rosna alguma frase e balança a cabeça, desconsolado.
— Ele é de verdade? — pergunto baixinho, boquiaberta ao ver Orlando Bloom sorrindo e piscando para mim.
Damen faz que não com a cabeça.
— Você não pode materializar pessoas reais, apenas a imagem delas. Felizmente o galã aí vai sumir daqui a pouco.
E quando ele de fato some não posso deixar de ficar um pouquinho triste.
— O que está acontecendo, afinal? — pergunto, olhando para Damen. — Onde estamos? E como tudo isso é possível?
Damen sorri e faz surgir um belo cavalo branco. Depois me ajuda a montar na sela e fabrica outro cavalo para si, um preto, igualmente lindo.
— Vamos dar um passeio — diz, e me conduz por uma trilha.
Cavalgando lado a lado, atravessamos um vale salpicado de flores e árvores, à margem de um riacho de águas cristalinas, que refletem as cores do arco-íris. E quando vejo minha arara pousada ao lado de um gato, vou em direção a ela, pronta para gritar “Xô!”, mas Damen puxa as rédeas de meu cavalo e me traz de volta à trilha, dizendo:
— Não se preocupe. Aqui não há inimigos. Só paz.
Continuamos cavalgando em silêncio, sem pressa alguma, apenas admirando a extraordinária paisagem à nossa volta. Mas as perguntas não demoram a fervilhar em minha cabeça. Nem sei por onde começar.
— Aquele véu de luz que você viu? — pergunta Damen. — Fui eu quem o colocou ali.
— No cânion?
— Sim. E em seu sonho também.
— Mas a Drina disse que era ela quem produzia aqueles sonhos... — Olhando para o Damen, não posso deixar de notar a segurança com que ele cavalga, a postura elegante na sela. Mas depois me lembro da pintura que vi em sua casa, aquela em que ele aparece montando um cavalo branco com uma espada na cintura. Agora está explicado: ele teve tempo de sobra para aprender a montar.
— Drina mostrava o cânion, mas era eu quem mostrava a saída.
— Saída? — digo, o coração retumbando outra vez.
Damen ri e balança a cabeça.
— Não esse tipo de saída. Já disse, você não está morta. Na verdade, está mais viva que nunca. E agora é capaz de materializar coisas, o que bem entender. A última palavra em gratificação instantânea! — Ele ri novamente. — Mas eu vou logo avisando: não venha aqui muitas vezes, porque é viciante!
— Quer dizer então que você e Drina criavam juntos os meus sonhos? — pergunto, olhando de esguelha para ele, tentando compreender melhor os eventos bizarros que se sucederam nos últimos tempos. — Assim... em parceria?
Ele faz que sim com a cabeça.
— Poxa, não tenho controle nem sobre meus próprios sonhos? — pergunto, minha voz ficando aguda, e eu sem gostar nada do som resultante.
— Sobre esse em particular, não.
Olho para ele chocada, balançando a cabeça em reprovação.
— E você não acha isso um pouco invasivo demais? Caramba! E por que você não fez nada pra evitar que esse sonho horrível se transformasse em realidade?
Damen vira-se para mim e, com os olhos cansados e tristes, diz:
— Eu não sabia que era a Drina. Eu apenas observava seus sonhos e, vendo o pavor que você sentia com eles, resolvi indicar o caminho para este lugar.
— E por que a Drina não me seguiu até aqui? — pergunto, e novamente olho ao redor para ver se ela não está por perto.
Damen estica o braço e toma minha mão, pressionando meus dedos.
— Porque ela não podia ver a luz, só você podia.
Olho desconfiada para ele. Tudo isso é muito estranho. Nada faz sentido.
— Não se preocupe, com o tempo você entenderá. Por enquanto, tente apenas aproveitar um pouquinho.
— E por que tenho essa impressão de que já estive aqui antes?
— Porque foi aqui que a encontrei.
Olho para ele, perplexa.
— Na verdade, encontrei seu corpo ao lado do carro, mas sua alma já tinha vindo para cá, estava perambulando por aí. — Ele para os dois cavalos, me ajuda a descer e me conduz até um gramado quentinho, banhado pela luz dourada do vale, tão cintilante que aparentemente não emana de nenhum lugar específico. E segundos depois materializa um sofá de almofadas grandes e macias, com apoios para nossos pés. — Quer acrescentar algo? — pergunta.
Fecho os olhos e imagino uma mesinha de centro, algumas luminárias, um belo tapete persa e diversos objetos de decoração; e quando abro os olhos novamente estamos no centro de uma sala a céu aberto, perfeitamente mobiliada.
— Mas... e se chover? — pergunto.
— Não diga iss...
Tarde demais, a essa altura já estamos completamente ensopados.
— Os pensamentos têm poder — explica Damen, produzindo um enorme guarda-chuva, o aguaceiro resvalando para o tapete. — Na Terra também é assim, só que demora um pouco mais. Mas aqui em Summerland é instantâneo.
— Isso me faz lembrar uma frase que mamãe sempre dizia: Cuidado com seus desejos, porque eles podem se realizar! — Começo a rir.
Ele concorda com a cabeça.
— Pois é. Agora você sabe de onde isso vem. Mas... que tal mandarmos essa chuva embora para que a gente possa se secar? — diz Damen, sacudindo a cabeleira molhada em minha direção.
— Mas como é que...
— Basta pensar num lugar ensolarado — ele responde sorrindo.
E dali a pouco estamos no meio de uma linda praia de areia rosada.
— Excelente. Mas vamos parar por aí, certo? — Damen ri quando fabrico uma felpuda toalha azul e um mar turquesa para combinar.
E tão logo me recosto na toalha, fechando os olhos contra o calor, ele confirma o que já vinha se insinuando em minha cabeça, mas que até então eu não havia escutado com todos os efes e erres.
— Ever... você já sabe que sou um imortal. E você também é.
Não é todo dia que alguém escuta uma notícia dessas.
— Então é isso... nós dois somos imortais — digo abrindo um dos olhos para vê-lo, ao mesmo tempo espantada com a naturalidade de meu tom de voz diante de uma conversa tão bizarra quanto esta. Por outro lado, estou em Summerland. O que pode haver de mais bizarro do que isto? — Mas foi você que me fez uma imortal naquele dia do acidente?
Damen faz que sim com a cabeça.
— Como? Tem alguma relação com aquela bebida vermelha?
Ele respira fundo, depois responde:
— Tem.
— Mas e eu? Por que não tenho de tomar aquilo toda hora, como você faz?
— Vai chegar um momento em que vai precisar também — ele responde, os olhos voltados para o mar.
Ainda confusa com toda essa história, sento na toalha e, enroscando um fiapinho solto do pano, lembro que num passado não muito distante eu considerava minha mediunidade uma maldição, um fardo difícil de carregar. Imagina agora que sou uma imortal.
— Não é tão ruim quanto parece — diz Damen, pousando a mão sobre a minha. — Olhe só para este lugar...Tem coisa melhor do que isto?
— Mas por quê? Quer dizer, por acaso não passou pela sua cabeça que talvez eu não quisesse ser uma imortal? Que talvez você não devesse interferir, apenas deixar que eu seguisse meu caminho?
Damen encolhe-se, baixa o rosto, mas quando o ergue novamente não olha para mim: olha para o mar, para a paisagem ao redor, menos para mim.
— Em primeiro lugar — diz —, você está coberta de razão. Fui egoísta. Para ser sincero, estava pensando muito mais em mim do que em você quando decidi salvá-la. Não suportaria perdê-la outra vez, não depois de... — Ele para de repente e balança a cabeça. — De qualquer modo, não tinha certeza de que havia funcionado. Quer dizer, sabia que tinha trazido você de volta, mas não quanto tempo isso duraria. Só tive certeza de que você era mesmo imortal agora há pouco, naquele cânion.
— Você estava me observando no cânion? — olho fixamente para ele, mal acreditando no que acabei de ouvir.
Ele assente com a cabeça.
— Quer dizer que você estava lá?
— Não exatamente. Estava observando você... a distância. — Ele coça o queixo e diz:— São tantas explicações...
— Deixa eu ver se entendi direito: você estava me observando...”a distância”, tudo bem, mas ainda assim podia ver tudo o que estava acontecendo. E não tentou me salvar? — A essa altura já estou tão furiosa que mal consigo respirar, falando em alto e bom som.
— Só quando você mesma quis ser salva. Foi aí que produzi o véu de luz e fiz você se sentir atraída por ele.
— Quer dizer então que ia me deixar morrer? — Me afasto dele, buscando colocar o máximo de distância entre nós.
Damen olha para mim completamente sério ao dizer:
— Se era isso que você queria, sim. — Ele balança a cabeça. — Ever, da última vez que nos falamos, lá no estacionamento da escola, você disse que estava com ódio de mim por causa do que fiz: porque fui egoísta, porque separei você de sua família, porque trouxe você de volta. Não gostei do que ouvi, claro, mas, pensando melhor, vi que você estava certa. Eu não tinha nada que interferir em sua vida. E então, no cânion, quando você se deixou levar por todo aquele amor... bem, foi esse amor que a salvou, que restaurou seu corpo, e foi então que eu soube.
Mas, e no hospital? Por que não pude me restaurar lá? Por que tive de passar por todo aquele sofrimento de fraturas e contusões, de braços e pernas engessados? Por que não pude... regenerar, como fiz lá no cânion?, penso, braços cruzados diante do peito, sem engolir os argumentos de Damen.
— Só o amor pode curar. A raiva, a culpa e o medo apenas destroem, apenas nos afastam de nossas potencialidades reais. — Damen me olha fixamente.
— Tem mais um detalhe — digo, fulminando-o com o olhar. — Você pode ler meus pensamentos, mas eu não posso ler os seus. Isso não é justo.
Ele ri.
— Você quer realmente ler meus pensamentos? Achei que meu ar de mistério fosse uma das características que você gostava a meu respeito.
Baixo os olhos para os joelhos, as bochechas ardendo em chamas quando me lembro de alguns dos pensamentos aos quais ele teve acesso.
— Há maneiras de se proteger... Talvez você devesse procurar a Ava.
— Você conhece a Ava? — disparo, subitamente me sentindo vítima de uma conspiração.
Damen faz que não com a cabeça.
— Eu a conheço apenas indiretamente — explica. — Só por meio de seus pensamentos.
Virando o rosto, vejo uma família de coelhinhos saltitando pela areia. Depois, novamente olhando para Damen, digo:
— E o hipódromo? O que foi aquilo?
— Premonição. O mesmo que aconteceu com você.
— Mas... e aquele páreo que você perdeu?
Ele ri.
— Às vezes preciso perder, senão as pessoas ficam desconfiadas. Mas depois recuperei o prejuízo, foi ou não foi?
— E as tulipas?
Ele sorri.
— Poder da mente. Materializo as tulipas do mesmo modo que você materializou aquele elefante e esta praia. Uma simples questão de física quântica. A consciência produz matéria onde antes só havia energia. Não é tão difícil quanto as pessoas acham.
Olho desconfiada para ele, ainda sem entender direito, por mais simples que ele ache que seja.
— Nós criamos nossa própria realidade. E, sim, você pode fazer isso em casa — ele diz já se antecipando à pergunta seguinte, a que acabou de se formar em minha cabeça. — Na verdade, você já fazia tudo isso, só não tinha consciência, pois os resultados levavam mais tempo para acontecer.
— Com você eles não demoram nada.
Damen ri.
— É que minha estrada já é longa. Tive tempo suficiente para aprender uns truques.
— Quanto tempo? — encaro Damen e pergunto, lembrando-me dos quadros e objetos que vi em sua casa, querendo saber exatamente quem é essa pessoa com quem estou lidando.
Ele suspira e desvia o olhar.
— Muito tempo.
— E agora eu também vou viver pra sempre?
— Isso é com você. — Ele dá de ombros. — Se não quiser, não precisa fazer nada disso. Basta tirar isso da cabeça e tocar a vida para frente. E soltar as amarras quando for a hora certa. Apenas dei a você uma capacidade, uma opção, mas a escolha ainda é sua.
Olhando para o mar, para as águas que parecem faiscar de tão brilhantes, acho difícil acreditar que tudo isso seja obra apenas de minha vontade. E embora seja muito divertido brincar com esses poderes mágicos, meus pensamentos logo se voltam para questões mais sombrias.
— Preciso saber o que aconteceu com Haven. Naquele dia que peguei você... — Sinto um arrepio só ao lembrar. — E Drina? Ela também é imortal, não é? Foi você que a imortalizou? E como foi que tudo isso começou? Como foi que você se tornou imortal? Aliás, como é que alguém se torna imortal? Você sabia que ela matou Evangeline e quase matou Haven também? E aquele quarto sinistro em sua casa, o que é aquilo?
— Pode repetir a pergunta, por favor? — ele ri.
— Ah, mais uma. Que diabos Drina quis dizer quando falou que já me matou não sei quantas vezes?
— Ela disse isso? — Damen arregala os olhos, lívido.
— Disse. — Ainda me lembro da presunção e da arrogância no olhar dela quando fez a revelação. — E com a maior empáfia. “Ih, lá vamos nós outra vez, sua mortal estúpida, você sempre cai nesta armadilha, blá-blá-blá.” Achei que você estivesse vendo tudo, que tivesse ouvido a cena toda.
Ele faz que não com a cabeça.
— Não vi nem ouvi a cena toda, cheguei lá tarde demais — ele resmunga. — Meu Deus, Ever, a culpa é toda minha, só minha. Eu devia saber, jamais podia ter envolvido você nesta história, não podia tê-la deixado sozinha...
— Ela também disse que viu você em Nova York. Ou pelo menos falou pra Haven que viu.
— Ela mentiu — resmunga. — Não fui para Nova York. — E quando Damen olha para mim, vejo tanta dor em sua expressão que estico o braço para tomar sua mão entre as minhas, comovida com tanta tristeza, com tanta vulnerabilidade, querendo apenas ajudá-lo de alguma forma a esquecer isso. Então beijo os lábios que já esperam pelos meus, muito inclinada a perdoá-lo seja lá do que for.
— O beijo fica mais doce a cada encarnação — ele brinca. Depois exala um suspiro, recua um pouco e afasta os cabelos de meu rosto. — Mas nunca passamos do beijo. E só agora sei por quê. — Ele encosta a testa na minha, preenchendo-me de uma alegria sem precedentes, de um amor que me consome por inteiro, depois lê meus pensamentos, suspira novamente e se afasta para dizer: — Ah, sim, suas perguntas. Por qual começar?
— Que tal pelo começo?
Damen assente com a cabeça e olha para longe, talvez para o fio de sua própria meada, e eu cruzo as pernas, preparando-me para o que está por vir.
— Meu pai era um sonhador — ele diz afinal. — Um artista, um diletante das ciências e da alquimia, o que era muito comum numa época em que...
— Que época? — pergunto, ávida por nomes, datas, lugares... qualquer informação concreta que possa ser pesquisada depois, não apenas uma ladainha filosófica de ideias abstratas.
— Muito tempo atrás. — Ele ri. — Sou um pouquinho mais velho que você.
— Sim, mas quantos anos você tem exatamente? Quer dizer, com que diferença de idade estou lidando aqui? — pergunto, e mal acredito quando ele sacode a cabeça, recusando-se a responder.
— Tudo de que você precisa saber é que meu pai, assim como os amigos alquimistas dele, acreditava que tudo podia ser reduzido a um único elemento, e que se você conseguisse isolar esse elemento depois poderia criar o que quisesse com ele. Meu pai se dedicou a essa teoria durante anos, criando fórmulas, abandonando fórmulas, e mais tarde, quando ele e minha mãe... morreram, dei continuidade a essa pesquisa, até que finalmente consegui aperfeiçoá-la.
— E quantos anos você tinha? — insisto.
— Era muito jovem.
Ele ri.
— Então você ainda pode envelhecer?
— Sim. Envelheci até certo ponto, depois parei. Sei que você prefere a teoria dos “congelados no tempo”, dos vampiros, mas isso é fantasia, Ever, não é a vida real.
— Tudo bem, e então... — falo, ansiosa por mais.
— Então, meus pais morreram, fiquei órfão. Como você sabe, na Itália, de onde venho, os sobrenomes muitas vezes indicam a origem ou a profissão das pessoas. “Esposito” significa “exposto”, ou “órfão”. Esse nome me foi dado, mas deixei de usá-lo faz mais de um século, já que não se aplica mais.
— E por que você não usou seu sobrenome verdadeiro?
— É complicado. Papai era... perseguido. Então achei melhor me distanciar.
— E Drina? — pergunto, sentindo a garganta apertar só de mencionar esse nome.
— “Poverina”, ou “pobrezinha”. Ela e eu éramos tutelados pela Igreja, foi assim que nos conhecemos. Mais tarde, quando ela ficou doente, achei que não fosse suportar perdê-la, então fiz com que ela tomasse minha bebida também.
— Ela disse que vocês eram casados. — Franzo os lábios, minha garganta quente e obstruída, sabendo que ela não disse exatamente isso, mas sugeriu quando deu seu nome completo, um nome de casada.
Damen mais uma vez desvia o olhar, balança a cabeça e resmunga algo entre os dentes.
— Então é verdade? — pergunto, o estômago embrulhado, o coração palpitando.
Ele faz que não com a cabeça.
— Não do jeito que você pensa. Poxa, faz tanto tempo que tudo isso aconteceu... Esse casamento já não tem a menor importância.
— Já que é assim, por que vocês não se divorciaram? Digo, já que não teve importância. — Minhas bochechas ficam quentes, os olhos, marejados.
— Você queria o quê? Que eu procurasse um juiz com uma certidão de casamento nas mãos, uma certidão de vários séculos atrás, e pedisse divórcio?
Crispo os lábios e olho em volta, sabendo que ele tem razão. Mas ainda assim...
— Ever, por favor. Você precisa entender. Você está por aqui faz apenas dezessete anos, pelo menos nesta encarnação, mas eu... eu já estou na estrada há séculos! Tempo mais que suficiente para cometer alguns enganos. E embora possa ser crucificado por muitas escolhas, minha história com Drina seguramente não é uma delas. As coisas eram diferentes naquele tempo. Eu era diferente. Era vaidoso, superficial e extremamente materialista. Só pensava em mim mesmo, só queria me dar bem. Mas assim que conheci você tudo mudou, e quando a perdi, bem... não sabia que uma dor tão grande fosse possível. Mas depois, quando você reapareceu... — Ele para de repente e olha ao longe. — Reencontrei você, mas logo em seguida a perdi novamente. Uma vez, duas vezes, três vezes... Um eterno ciclo de amor e perda... pelo menos até agora.
— Quer dizer então que a gente... reencarna? — digo, estranhando a palavra assim que ela sai da minha boca.
— Você, sim. Eu, não. — Ele dá de ombros. — Estou sempre aqui, sempre o mesmo.
— E quem fui eu? — pergunto. Mesmo sem saber se acredito mesmo nisso tudo, acho fascinante o conceito da reencarnação. — E por que não me lembro de nada?
Damen sorri, aliviado com a mudança de assunto.
— A viagem de volta para o mundo dos vivos passa pelo rio do Esquecimento. Não é para as pessoas se lembrarem de nada, estão aqui para aprender, para evoluir, para quitar as dívidas cármicas. Sempre recomeçando do zero até encontrar o próprio caminho. Porque a vida, Ever, não é uma prova com consulta a vidas passadas.
— Então você não está quebrando as regras, permanecendo aqui, lembrando de tudo?
— Alguns diriam que sim.
— E como você sabe de tudo isso, se nunca passou pela experiência da reencarnação?
— Tive anos de sobra para estudar alguns dos grandes mistérios da vida. E ao longo do caminho tive a sorte de encontrar os mais fantásticos professores. Quanto às suas vidas passadas, tudo de que você precisa saber é que sempre foi mulher. — Ele sorri e coloca meus cabelos para trás. — Sempre muito linda. E sempre muito importante para mim.
Volto os olhos para o mar e produzo algumas ondas só pelo prazer de produzi-las, mas depois desfaço tudo. Onda, mar, praia... tudo. E trago de volta a sala a céu aberto em que estávamos antes.
— Mudança de cenário? — pergunta Damen, rindo.
— Sim. Mudei o cenário, mas o assunto continua o mesmo.
Ele suspira.
— Então, depois de anos à sua procura, finalmente consigo reencontrá-la... e o restante você já sabe.
Respiro fundo e olho para o abajur a meu lado, acendendo-o e apagando-o várias vezes, tentando digerir essa avalanche de informações.
— Faz muitos anos que me afastei de Drina, mas ela tem o péssimo hábito de reaparecer. Naquela noite... no hotel, lembra? Quando você nos viu juntos! Eu estava tentando convencê-la a seguir seu caminho e me deixar em paz de uma vez por todas. Não consegui, óbvio. E, sim, sei que ela matou Evangeline, porque aquele dia na praia, quando você acordou sozinha na caverna...
Eu sabia! Sabia que ele não estava surfando!, penso, os olhos apertados.
— Eu tinha acabado de encontrar o corpo dela, mas era tarde demais para agir. Também sabia a respeito de Haven, mas, no caso dela, felizmente pude ajudar.
— Então era lá que você estava naquela noite... em que disse que tinha descido pra beber água, não foi?
Damen faz que sim com a cabeça.
— E sobre o que mais você mentiu pra mim? — pergunto, os braços cruzados diante do peito. — Naquela noite da festa, por exemplo, pra onde você foi depois que saiu lá de casa?
— Voltei para casa — ele responde, os olhos intencionalmente fixos nos meus. — Assim que vi o jeito que Drina olhou pra você, bom, achei prudente me afastar. Só que não consegui. Por mais que tentasse, não podia ficar longe de você. — Ele balança a cabeça. — Bom, agora você já sabe de tudo. Agora entende o motivo de meus sumiços naquele período.
Não digo nada. Apenas dou de ombros e desvio o olhar. Não pretendo dar o braço a torcer assim tão fácil, mesmo que ele esteja dizendo a verdade.
— Ah, e quanto ao meu quarto “sinistro”, é assim que você chama, né? Acontece que aquele quarto é o meu lugar feliz. Mais ou menos como as lembranças que você tem daqueles derradeiros momentos de felicidade ao lado de sua família. — E quando ele olha para mim, desvio o olhar, envergonhada por ter dito o que disse. — Mas devo confessar: ri muito quando percebi que você pensou que eu fosse um vampiro!
— Ah, mas você há de convir: se tem imortais circulando por aí, por que não haveria de ter lobisomens, duendes, magos e fadinhas também? Poxa, Damen, você fala como se tudo isso fosse absolutamente normal!
Ele fecha os olhos e respira fundo. Quando os abre novamente, diz:
— Para mim é normal. Esta é a minha vida. E a sua também, se você optar por ela. Não é tão ruim quanto você acha Ever, juro que não é.
Damen me encara por um bom tempo e, embora parte de mim ainda queira odiá-lo por tudo o que ele me fez, simplesmente não consigo. E quando sinto aquele calorzinho aconchegante, aquele delicioso formigamento na pele, olho para a mão que ele está segurando e digo:
— Para com isso.
— Com o quê? — Ele olha para mim com uma expressão de cansaço, um semblante pálido.
— Esse calorzinho, esse formigamento, você sabe. Pode ir parando com isso! — digo, o coração oscilando entre o amor e o ódio.
— Não estou fazendo nada disso, Ever. — Ele continua olhando para mim.
— Claro que está! Você faz isso acontecer através dos seus... deixe pra lá. — Cruzo os braços e reviro os olhos, sem saber em que tudo isso pode dar.
— Não sou eu quem está produzindo isto. Juro. Nunca recorri a nenhum truque para seduzi-la.
— Ah, não? E as tulipas? Ele sorri.
— Você não faz a menor ideia do que elas significam, faz?
Viro o rosto sem dizer nada.
— As flores têm significados. Não há nada sem propósito.
Respiro fundo e uso a imaginação para reorganizar a mesa à minha frente, uma vez que, infelizmente, não posso reorganizar minha própria cabeça.
— Tenho tantas coisas para lhe ensinar... — continua Damen. — Mas a vida de um imortal não se resume a diversões e jogos. É preciso tomar cuidado, prosseguir com cautela. — Ele se cala um instante e me olha, para ter certeza de que estou ouvindo. — É preciso resistir à tentação de fazer mau uso de seus poderes. Veja o que aconteceu com Drina, por exemplo. Você também precisa ser discreta. O que significa que não pode dividir o que sabe com ninguém, absolutamente ninguém, entendeu?
Dou de ombros e penso: Dane-se. Sei que Damen leu meus pensamentos quando se aproxima para dizer:
— É sério, Ever. Você não pode contar nada a ninguém. Promete para mim?
Olho para ele.
Damen ergue as sobrancelhas e sacode minhas mãos junto com as dele, ansioso.
— Palavra de escoteiro — resmungo, e viro o rosto novamente.
Respirando aliviado, ele solta minha mão, recosta-se nas almofadas e diz:
— Mas já que estamos abrindo o verbo, você precisa saber que a escolha é sua. Ainda pode fazer a travessia, se quiser. Aliás, poderia ter morrido naquele cânion, mas optou por ficar.
— Mas eu já estava prontinha pra morrer! Na verdade, queria morrer!
— Você se reabilitou com suas lembranças, com o amor que sente por sua família. Como eu disse antes, os pensamentos criam. E em seu caso eles criaram a cura e a força. Se quisesse mesmo morrer, você teria simplesmente desistido. Num nível mais profundo de consciência, você decerto já sabia que queria continuar viva.
E antes que eu possa perguntar por que ele se infiltrava em meu quarto enquanto eu estava dormindo, Damen diz:
— Não é o que você está pensando.
— Então o que é? — pergunto, mesmo sem ter certeza de que realmente quero saber.
— Eu ia lá apenas para... observar. Aliás, nem sei como você podia me ver, já que eu estava... transmutado, digamos assim.
Abraço os joelhos e os aperto contra o peito. Embora não faça a menor ideia do que seja “transmutado”, sei que tenho bons motivos para ficar devidamente apavorada. Ele dá de ombros.
— Ever, eu me sinto responsável por você, e...
— E queria dar uma conferida na mercadoria, não é? — Olho pra ele, minhas sobrancelhas arqueadas.
Mas Damen apenas ri e diz:
— Devo confessar, adoro aqueles seus pijaminhas de flanela.
Reviro os olhos.
— Você disse que se sente responsável por mim, como... como um pai? — Não posso deixar de rir diante da cara de espanto que ele faz.
— Claro que não, Ever! Mas... só estive em seu quarto uma única vez naquela noite em que nos vimos no hotel. Se alguém esteve lá outras vezes...
— Drina! — Sinto um frio na espinha quando imagino a criatura rondando meu quarto, espiando minha vida. — Você tem certeza de que ela não pode dar as caras por aqui? — Mais uma vez olho à volta.
Damen toma minha mão para me tranquilizar e reafirma:
— Drina nem sabe que este lugar existe. Muito menos como chegar aqui. Para ela, você apenas sumiu no ar.
— Mas como foi que você chegou aqui? Já morreu alguma vez, como eu?
Ele faz que não com a cabeça.
— Há dois tipos de alquimia: a física, que conheci por intermédio de meu pai, e a espiritual, que descobri por conta própria depois de intuir que havia algo maior que o mundo da matéria. Algo mais... grandioso, sabe? Para chegar aqui, tive de estudar muito e praticar mais ainda. Cheguei a estudar M.T. — E vendo minha cara de pateta, ele explica sorrindo: — Meditação Transcendental. Com Maharishi Mahesh Yogi.
— Hmm, se você está tentando me impressionar, não está funcionando, porque não tenho a menor ideia do que isso significa.
Ele dá de ombros.
— Digamos que levei centenas de anos para traduzir a alquimia do físico para o mental. Mas você... desde que chegou a este campo, recebeu uma espécie de “passe para os bastidores”. Suas visões e sua telepatia são subprodutos disso.
— Agora está explicado por que você tanto detesta aquela escola — digo, procurando desviar o assunto para algo concreto, algo que eu realmente consiga entender. — Quer dizer, você deve ter se formado... tipo assim, um bilhão, um trilhão de anos atrás, certo? — E vendo ele recuar, percebo que coloquei o dedo em uma ferida aberta: sua idade real. O que é engraçado, já que foi ele mesmo quem optou pela eternidade. — Quer dizer, pra que passar por tudo aquilo de novo? Por que você se deu o trabalho de se matricular?
— É aí que você entra — ele diz, sorrindo.
— Ah, então é isto: você vê uma garota de jeans largões e capuz na cabeça e gosta tanto que decide entrar na escola de novo só pra ficar ao lado dela?
— Mais ou menos isso — ele ri.
— Você não podia ter arrumado outro jeito de se aproximar de mim? Isso não faz sentido algum. — Balanço a cabeça e reviro os olhos, novamente aflita com as dúvidas e perguntas, mas só até Damen, passeando o indicador por minha bochecha, olhar fundo em meus olhos e dizer:
— O amor nunca faz sentido.
Ouço isso e fico ao mesmo tempo tímida, eufórica e insegura. Então, limpo a garganta e digo:
— Mas você não disse que mandava mal demais no amor? — direciono meu olhar para ele, as pálpebras apertadas, meu estômago duro e gelado feito uma bolinha de gude.
E me perguntando: por que não consigo apenas ser feliz quando o garoto mais lindo do planeta se declara para mim? Por que insisto tanto nessa negatividade?
— Minha esperança era que desta vez fosse diferente — ele sussurra.
Desvio o olhar e, com a respiração embaralhada por pequenos espasmos, quase arfando, digo:
— Não sei se estou pronta para enfrentar tudo isso. Ainda não sei o que vou fazer.
Damen puxa-me firmemente contra seu peito, envolve-me em seus braços e diz:
— Não precisa decidir nada agora.
E quando recuo vejo uma expressão perdida e distante nos olhos dele.
— Que foi? — pergunto. — Por que está me olhando desse jeito?
— Porque sou péssimo com despedidas — ele responde, forçando um sorriso que nunca passou por seu rosto. — Está vendo? Agora são duas áreas em que mando mal à beça: o amor e as despedidas.
— Talvez tenham a ver uma com a outra. — Aperto os lábios, evitando chorar. — Pra onde você está indo, afinal? — digo, fazendo o máximo para manter a calma e a neutralidade na voz, apesar dessa estranha sensação de que estou morrendo por dentro, com o coração se recusando a bater, os pulmões implorando por ar.
Damen dá de ombros e desvia o olhar, mas não responde.
— Vai voltar um dia?
— Depende de você. — Em seguida, ele ergue o rosto para dizer: — Ever, você ainda me odeia?
Faço que não com a cabeça, mas mantendo nosso olhar.
— Você me ama?
Começo a olhar em volta. Mesmo sabendo que sim, que amo este garoto até o último fio de cabelo, com todas as células do corpo e todas as gotas de sangue, que estou fervendo de tanto amor, que o coração só falta explodir, mesmo sabendo de tudo isso não consigo trazer as palavras à boca. Por outro lado, se ele realmente pode ler meus pensamentos, eu nada preciso dizer. Ele já devia saber.
— Mas é sempre bom ouvir — ele diz, afastando meus cabelos para trás da orelha, roçando os lábios contra minha face. — Assim que se decidir, sobre mim, sobre a imortalidade, basta estalar os dedos que eu volto na mesma hora. Tenho toda a eternidade a meu dispor; você verá que sou bastante paciente. — Ele sorri e leva a mão ao bolso, de onde tira a pulseirinha que me deu de presente no hipódromo; a que eu arremessei contra ele no estacionamento da escola. — Posso? — Ele gesticula.
Com a garganta apertada demais para dizer o que quer que seja, faço que sim com a cabeça, e Damen coloca a pulseira em meu pulso. Em seguida, aperta meu rosto entre as mãos, afasta a franja para o lado e beija a cicatriz na testa, inundando-me com todo o amor e todo o perdão que decididamente não mereço. E quando tento me afastar ele me segura com mais força, daquele jeito, e diz:
— Ever, você precisa perdoar a si mesma. Nada do que aconteceu é culpa sua.
— Você não sabe de nada. — Mordo um dos lábios.
— Sei que você se responsabiliza por alguma coisa que não foi culpa sua. Sei que ama sua irmã mais que tudo na vida, e que todo dia se pergunta se está agindo certo ao encorajar as visitas dela. Conheço você, Ever. Sei tudo a seu respeito.
Viro o rosto, as bochechas ensopadas com as lágrimas que não quero mostrar.
— Nada disso é verdade — digo. — Você entendeu tudo errado. Sou uma aberração, e coisas ruins acontecem com todo mundo que se aproxima de mim, mesmo que seja eu o alvo da vez. — E balanço a cabeça, sabendo que não mereço ser feliz, que não mereço esse tipo de amor.
Damen me abraça novamente, com seu toque calmo e eficiente, mas não apaga a verdade dos fatos.
— Agora preciso ir — ele diz baixinho. — Mas, Ever... se você realmente quiser meu amor, se quiser mesmo ficar comigo, terá de aceitar quem somos. Vou entender se não puder.
Então me aproximo para beijá-lo, ávida pelos lábios dele, pelo delicioso aconchego de seu amor, e a emoção vai se expandindo em meu peito até que transborda pelos poros, preenchendo cada fresta, cada sulco, cada centímetro cúbico do espaço à minha volta.
E quando abro os olhos outra vez, estou de volta a meu quarto, sozinha.

19 comentários:

  1. Pelo anjo! Isso já virou Fallen!
    Ass: Bina.

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    1. pois e Bina e uma mistureba de livros que so

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    2. Pensei que fosse a única que achava parecido com Fallen! *-*

      - Eryka

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    3. Pois é pensei q era só eu q achava issu sfagafsdg

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  2. Concordo com.vocês... qta originalidade! Por isso gosto de GOT... tem peitinhos demais, mas tbm tem um monte de gente se matando e frio e sangue e tals... kkkk

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  3. Estou gostando, mas é uma mistura de Fallen, Crepusculo e Hush Hush

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    1. Ainda não li Fallen, mas concordo quanto aos outros dois.

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    2. Se estas a gostar deste livro, aconselhote a ler fallene parcida a esta historia.

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  4. Adorei quando ele disse que não aguentava mais perder ela.... Sdds de Daniel (Fallen) e de Patche/Jeb(Hush Hush)

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  5. alem desses , tem uma pontinha de Mediadora ai não???? esse negosso todo de fantasma e tals

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  6. Quando comecei a ler a parte dos Fantasmas,tabém achei parecido com A Mediadora,e os outros aqui citados rs..
    Ass:Cris

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  7. É so vc fazer assim ( estralo de dedos) q eu vouto, to chorando rios aq, idai sou muito sentimental ME JUGUEM :)

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  8. Uma mistura de fallen com os instrumentos mortais

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  9. me lembrei do fallen... Sdd de luce e daniel, porém esse é só estalar os dedos que volto, me lembra Luan Santana...kkkkkkkkk

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  10. mistura de Crepusculo com Academia De Vampiros, kk mt linda a história

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  11. Isso tah mt Luan Santana caraí kkkkk " É só vc fazer assim ( estralar de dedos) q eu volto ! Kkkkkkkkk mds vei
    Raih

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  12. que mistura de fallen com hush hush

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  13. é só vc fazer assim(estalo de dedos) que eu volto. que eu voltoooooo.tam tam tam atam

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  14. O nome dela é "Ever" e é uma imortal....hahahaha, que criatividade impressionante ¬¬

    p.s: ever-> sempre (tradução)

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