31 de outubro de 2015

Trinta e sete

Corro para a porta e me dirijo para a praia, meu coração palpitando loucamente, minha mente girando, me esquecendo de diminuir a uma velocidade normal até que já estou ali. Dirijo-me nas pontas dos pés para a água. Uma nuvem de areia e de gente perplexa abandonada em meu velório. Cada um deles entrecerrando os olhos e movendo a cabeça, dizendo a si mesmos o que tinham imaginado, que não podia ser. Ninguém pode correr tão rápido.
Ninguém que parecesse ser tão normal como eu.
Abandono meus tênis e entro mais na água, em um primeiro momento me detendo a arregaçar a barra de meu jeans, logo decidindo que não me importa quando uma onda vier e me molhar até os joelhos. Só quero sentir algo, algo tangível, físico. É um problema com uma solução óbvia. A diferença com o que estive lutando.
E embora eu não seja nenhuma estranha para a solidão, nunca tinha me sentido tão só como agora. Sempre tive alguém a quem ir. Sabine, Riley, Damen, meus amigos. Porém agora que toda minha família se foi, Sabine ocupada com Muñoz, meu namorado em outro lugar, e amigos nos quais não posso confiar qual é a vantagem?
Qual é a vantagem de ter estes poderes, a capacidade de manipular a energia e de manifestar coisas, se não posso manifestar a única coisa que realmente quero?
Qual é a vantagem de ver fantasmas quando não posso ver os que realmente significam algo para mim?
Qual é a vantagem de viver para sempre se me vejo forçada a fazê-lo desta forma? Me adentro ainda mais, até que a água me chega na metade da coxa, nunca me havendo sentido tão só em uma praia tão extraordinaria, tão impotente em um dia tão luminoso e ensolarado. Me negando a me mover quando alguém vem por trás, agarrando meu ombro e tratando de me afastar das ondas. Desfrutando do embate da água salgada quando molha minha pele, o impulso incessante de me atirar, me atraindo.
― Hey. ― Seus olhos entrecerrados pelo sol quando me estuda de perto, negando-se a soltar sua presa até que esteja seguro de que estou bem. ― O que me diz se retornarmos? ― Sua voz calma, preocupada, como se eu fosse frágil, delicada, capaz de fazer algo.
Engulo em seco e mantenho minha firmeza, meu olhar fixo no horizonte quando digo:
― Se estava brincando, se de algum modo só estava jogando comigo. ― Sacudo a cabeça, incapaz de terminar, mas a ameaça esta implícita.
― Nunca. ― Me aperta com mais força, me sustentando firmemente, atirando de mim para cima e sobre uma pequena onda que se aproxima. ― Você me leu Ever. Isso mesmo no primeiro dia. Sabe o que posso fazer, o que posso ver. ― Pausa profunda, a ponto de falar quando acrescenta: ― E para que saiba, ela esteve contigo em várias ocasiões após. Não sempre, mas a maioria das vezes. Embora esta seja a primeira vez que ela te fala.
― E por que isso? ― Giro-me, encontrando seu olhar. Não tendo nenhuma razão para não acreditar, mas precisando estar tão segura como me é possível.
― Suponho que queria gerar um pouco de confiança. ― Encolhe os ombros. ― Não muito diferente de você.
Olho-o, contemplando seus olhos verdes da cor do mar, a verdade descoberta, nua a minha vista. Não está mentindo, nem de nenhuma forma jogando, certamente tampouco inventando-o. Ele realmente vê Riley, e seu único propósito é ajudar.
― Acredito que é por isso que nos encontramos um ao outro. ― Ele assente com a cabeça, baixando a voz até convertê-la quase em um sussurro. ― Pergunto-me se Riley organizou isto.
Riley ou algo mais, algo maior que nós? Contemplo o oceano, me perguntando se me reconhece como eu o reconheço. Se sentir borboletas no estômago, o comichão da pele, aquela estranha mas ainda familiar sensação, as mesmas coisas que eu sinto. E se for assim, o que significa? Realmente temos assuntos pendentes – carma que devem ser definidos?
Existe realmente tal coisa, como a coincidência?
― Posso te ensinar ― diz, seu olhar como uma promessa que quer cumprir. ― Não há nenhuma garantia, porém posso tentá-lo.
Me Liberto de seus braços e caminho entrando, mas sem me importar se minha metade inferior está molhada, enquanto que o resto de meu corpo segue seco.
― Todo mundo tem a capacidade. Todos somos psíquicos, ao menos, intuitivos. É só uma questão de que tão aberto se é, de quão dispostos estamos a deixar-nos aprender. Mas com seus dons não há razão pela qual não possa aprender a vê-la também.
Olho-o, mas só brevemente, algo me chama a atenção, algo que...
― O truque é elevar suas vibrações, fazendo-as chegar a um nível em que...
Não vemos a onda até que esta rompe, não nos deixando tempo para fugir. O único que me mantém a salvo da queda são os reflexos incrivelmente rápidos de Jude e a força de seus braços.
― Está bem? ― Pergunta, seu olhar fixo no meu.
Mas minha atenção está em outra parte, enfocada na cálida e bela sensação de ser arrastada, aquela amada essência familiar, que só pode pertencer a uma pessoa, a Damen. Vejo como Damen rompia através da água, sua prancha sob seu braço, o corpo esculpido de bronze, Rembrandt teria chorado. A água dividindo-se a seu passo como uma faca quente na manteiga, um corte limpo, fluido, como se cortasse o oceano.
Meus lábios se separaram, desesperada por falar, por gritar seu nome e trazê-lo de volta a mim. Mas justo quando estou a ponto de fazê-lo, meus olhos se cruzam com os dele e vejo o que vê: a mim, com o cabelo revolto e minha roupa molhada e retorcida, pulando no mar em um dia caloroso e ensolarado, com os fortes e curtidos braços de Jude ainda envoltos ao redor de mim.
Me libero de seus braços, mas é muito tarde. Damen já me viu. Já seguiu adiante. Me deixando vazia, sem fôlego, enquanto o vejo retirar-se.
Nenhuma tulipa, nenhuma mensagem telepática, só um triste e vazio espaço em seu lugar.

5 comentários:

  1. Meu Deus! O Damen e um verdadeiro Deus grego!
    Ass: Bina.

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  2. Jesus coroado, me socorre! <3 ♡♡♡♡ Damen, seu lindo, como não consegue enxergar que ela quer vc?!

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    1. Se ele não a vê pelo menos que me visse amo de mais

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  3. Vê Se Ñ Éh Assim Msm...A Mãe Manda Nóiixs Ir No Mercado Ou Na Padoka A 30 Segundos Longe D Casa...Nóiixs Demora Meia Hora Pra Se Arrumar...Ficamos Lindas...Ñ Aparece Nenhum Infeliz Ns Rua...Nem Cachorro Tem...Chega o Outro Dia A Mãe Manda Nóiixs Ir Denovo...Nóiixs Nm Perd Tempo Se Arrumando...Vai Toda Descabelada,descalço...Aííh Pello Mero Acaso Até O Brad Pitt Passa Por Nóiixs...
    Igual Aconteceu Com A Ever...Nas Horas Que Agent Menos Espera...Nas Horas Mais Indesejáveis...Acontece O Q Outrohora Queríamos Tanto...kkkkkkkkkkk...
    "Qnd Pensamos Q Sabemos Todas As Respostas...Vem A Vida E Muda Todas As Perguntas..."

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  4. Ele joga ela pra cima do jude e depois fica magoado por ver ela com jude apesar dela não ter nada com ele... Não entendo essas coisas

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