30 de outubro de 2015

Trinta e seis

Passo através da escola. Concluído o trabalho ao me sujeitar a invariável exposição de tortura a cada dia. Quero dizer. Qual é o ponto de ir quando não consigo nada com Damen, com Roman me chateando e sendo chamada atenção pelos professores e pensando – bem intencionados ex-amigos? Além do mais, se as coisas saírem como eu espero, então logo estarei de volta a minha velha escola em Oregon, vivendo minha vida como se isso nunca tivesse existido. Então não há nenhuma razão para passar outra vez por isso.
Dirijo-me a Broadway, ziguezagueando em meu caminho através do tráfego dirigindo-me até o cânion, esperando ir a algum lugar tranquilo onde pudesse fazer aparecer o portal sem assustar a nenhum comprador inesperado. Sem recordar até que estaciono no mesmo lugar onde ocorreu a minha primeira confrontação com Drina – um confronto que resultou em minha primeira visita a Summerland quando Damen criou o caminho.
Afundo-me no assento, imaginando aquele véu dourado de luz aproximando-se de mim, e aterrissando em frente ao Grande Salão de Conhecimento. Mal me dando tempo para notar a magnitude da fachada antes de entrar na grande sala de mármore com meus pensamentos focados em duas coisas:
Existe algum antídoto para salvar Damen? e E como localizo a erva secreta, o ingrediente final necessário para preparar o elixir?
Repetindo as perguntas de novo e de novo enquanto espero que a porta de entrada para os registros Akashic apareça.
Sem obter nada.
Nenhum globo, nenhuma bola de cristal, nenhum quarto branco circular ou TVs híbridas.
Nada. Nada. Nien.
Só uma voz suave atrás de mim dizendo.
— Está muito tarde.
Dou a volta esperando ver a Romy, mas me encontro com Rayne em seu lugar. Seguindo-me atrás enquanto eu reviro meus olhos e me dirijo para a porta, ansiosa por colocar distância entre nós enquanto ela repete essas mesmas palavras outra vez.
Não tenho tempo para isso. Não tenho tempo para decifrar um monte de baboseiras das gêmeas mais estranhas do mundo. Porque embora eu saiba que não existe o conceito do tempo em Summerland, onde tudo acontece no estado constante do agora, e sei que este tempo gasto aqui será seriamente notado ao retorno para casa. No qual significa continuar, me manter em movimento, avançando pela rua tão rápido quanto posso até que sua voz se torne um sussurro. Sabendo que devo salvar Damen antes de voltar no tempo e ir pra casa. E se as respostas não estão aqui então buscarei em algum outro lugar.
Começo a correr. Dou a volta em uma rua justo quando sou assaltada por uma insuportável e repentina dor, me desmorono no piso. Meus dedos pressionados firmemente em minhas têmporas, minha cabeça doendo como se estivesse sendo apunhalada em todas as direções, quando um turbilhão de imagens se revela em minha mente. Uma série de esboços, uma atrás da outra como as páginas de um livro, seguidos por uma descrição detalhada do que está incluso. E quando vou para a terceira página percebo que estas são as instruções para fazer o antídoto para salvar a vida de Damen, incluindo ervas plantadas durante a lua nova, cristais raros e minerais dos quais nunca escutei, bolsas de seda bordadas por monges Tibetanos.
Tudo isso precisa ser juntado cuidadosamente em uma série de passos muito precisos antes de absorver a energia da próxima lua cheia.
E justo depois de me mostrar a erva necessária para completar o elixir imortal, minha cabeça se limpa como se nunca tivesse acontecido. Então alcanço minha bolsa tentando encontrar um pedaço de papel e uma caneta, escrevendo o ingrediente final quando Ava aparece.
— Fiz o portal — ela diz, seu rosto radiante quando seus olhos se encontram com os meus. — Não pensei que pudesse, mas está manhã quando me sentei para a meditação habitual, pensei: “Que dano causaria se tentasse?” E a próxima coisa que sabia...
— Tem estado aqui desde manhã? — digo, vendo-a em um lindo vestido, sapato de estilista, bracelete de ouro, e joias adornadas em seus dedos.
— Não existe o tempo em Summerland — ela me responde.
— Talvez, mas em casa já passa do meio dia. — Lhe digo, observando-a enquanto nega com a cabeça, afastando-se das tediosas regras do plano da terra.
— A quem importa? O que eu poderia está perdendo? Uma longa fila de clientes esperando que lhes diga que se converteram em milionários, e famosos embora a evidência diga o contrário? — Ela fecha seus olhos e suspira. — Estou cansada disso, Ever. Cansada da rotina. Mas aqui tudo é maravilhoso, estou pensando que eu poderia ficar.
— Não pode — digo, rapidamente, automaticamente, pensando que talvez não esteja certa de que isso seja verdade.
— Por que não? — Ela dá de ombros, levantando os braços para o céu e girando e girando. — Por que não posso ficar aqui? Me dê uma boa razão?
— Por que... — começo, desejando poder deixar assim, mas como ela não é uma criança estou forçada a fazer algo melhor. — Porque isso não é certo — eu termino, esperando que ela me escute. — Você tem trabalho a fazer. Todos temos trabalho a fazer. E nos escondermos aqui é como – trapacear.
— Quem lhe disse? — ela pisca. — Está me dizendo que todas estas pessoas estão mortas?
Olho fixamente ao meu redor, observando as mesas cheias, a longa fila para o cinema, e os bares de karaokê, percebendo que não tenho ideia de como responder. Quero dizer, quantos deles são como Ava – cansados, fartos, almas desiludidas que encontraram o caminho até aqui e decidiram abandonar o plano da terra e nunca voltar? E quantos deles estão mortos e se negaram a cruzar o outro lado como Riley fez uma vez? Olho para Ava, sabendo que não tenho direito de lhe dizer o que fazer com sua vida, especialmente quando recordo o que escolhi fazer com a minha vida.
Então alcanço sua mão e sorrio quando digo:
— Bem, neste momento, preciso de você. Conte-me tudo o que você sabe sobre astrologia.

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