31 de outubro de 2015

Trinta e oito

Jude me segue fora da água e até a metade da areia, me chamando, tentando manter o meu ritmo, rendendo-se finalmente quando cruzo a rua e me dirijo para a loja onde Haven trabalha.
Preciso falar com alguém, confiar em um amigo. Colocar tudo para fora e me desabafar, sem importar o custo.
Imune ao peso de meus jeans sem nem sequer pensar em manifestar algo seco para usar até chegar a porta e encontrar Roman lá.
― Sinto muito, sem sapatos, sem camisa, não há serviço. ― Ele sorri. ― Embora deva dizer, estou desfrutando da vista.
Sigo seu olhar por todo o caminho até meus seios, me cobrindo com os braços ao notar como meu Top ficou transparente.
― Preciso falar com Haven. ― Começo a tentar passar por ele e sou bloqueada mais uma vez.
― Ever, por favor. Este é um estabelecimento elegante. Talvez devesse voltar quando estiver um pouco mais arrumada.
Eu olho por sobre seu ombro, tendo um vislumbre de um espaço bastante grande e opulento, tão cheio de coisas, é como o interior da lâmpada de gênio. Abajures de cristal pendurados das vigas do teto, spots de ferro e pinturas a óleo emolduradas sobre as paredes, enquanto que os pisos estão cobertos de coloridos tapetes sobrepostos, e móveis antigos acima das malhas uso vintage, com vitrines de vidro cheias de bagatelas e joalheria.
― Só me diga se ela está aqui. ― Eu fito-o, minha paciência prestes a acabar enquanto ele me olha e sorri. Tento me sintonizar com sua energia, e suponho está bloqueado quando não consigo chegar muito longe.
― Talvez sim, talvez não. Quem pode dizer? ― Coloca a mão em seu bolso e pega o seu pacote de cigarros, me oferece um. Mas só reviro meus olhos e faço uma careta, vendo-o franzir o cenho enquanto aproxima a chama à ponta, inalando profundamente e logo exalando enquanto diz: ― Deus, Ever! Viva a vida um pouco! A imortalidade é um desperdício em você!
Franzo o cenho, fazendo um espetáculo e agitando a fumaça fora de meu rosto quando digo:
― A quem pertence este lugar? ― Me dando conta de que nunca o notei antes e me perguntando qual sua relação com ele.
Faz uma longa pausa, os olhos entreabertos, como um gato, enquanto me olha desde minha cabeça até os pés.
― Você acha que eu estou brincando, mas eu não sou. Um imortal que se preze nunca seria visto parecido com isso. ― Move um dedo em minha direção. ― E, contudo, sinta-se livre para deixar o topo sozinho, assegurando-se de mudar todos os demais. ― Ele diz, sorrindo para mim da maneira mais predatória.
― De quem é este lugar? ― Repito, olhando para dentro outra vez, uma ideia começando a formar-se. Este não era qualquer antigo armazém vintage. Estes eram os bens pessoais de Roman. Os bens que tinha acumulado através dos últimos seiscentos anos, repartindo-os com diligência, vendendo-os no momento justo, um comerciante de antiguidades.
Me olha, exalando uma série de anéis de fumaça, enquanto me diz:
― Um amigo é o dono. Mas não é da tua conta.
Entrecerro meus olhos, sabendo a verdade. Esta loja é sua. Ele é o chefe de Haven, que assina seus cheques. Mas não querendo deixar de dizer, simplesmente respondo:
― Então você fez um amigo. Eu tenho pena dele.
― Oh, fiz um monte. ― Ele sorri, dando outra tragada antes de lançar a bituca e pisá-la. ― Diferente de você, eu não afasto as pessoas. Eu não jogo meus dons fora por assim dizer. Sou popular, Ever. Dou às pessoas o que querem.
― E o que é isso? ― Pergunto, uma parte de mim perguntando-se por que ainda estou aqui, gotejando água sobre a calçada, tremendo em minhas calças molhadas e participando desta conversa inútil, que não levará a nenhuma parte, enquanto que a outra parte fica presa, incapaz de mover-se.
Ele sorri, seus profundos olhos azuis cravados nos meus, enquanto diz:
― Bom, eles querem o que querem agora, não? ― Sua risada gutural, profunda, quase como um grunhido, envia calafrios por minha pele. ― Não é muito difícil de decifrar. Talvez você gostasse de aventurar uma hipótese?
Eu olho por sobre seu ombro, com certeza eu vi algo se mover esperando que seja Haven, mas encontrando a mesma garota que eu vi em sua casa naquela noite, a noite que fui tão tola para visitá-lo. Seus olhos se encontram com os meus enquanto ela faz seu caminho do balcão e se aproxima da porta onde estamos. O cabelo de cor negra, olhos de carvão negro, pele escura e suave, sendo uma beleza tão exótica que me tira o fôlego.
― Apesar de ser agradável falar contigo, Ever, creio que seja hora de seguir o seu caminho. Não se ofenda, querida, mas está um pouco descuidada. É ruim para os negócios que te vejam rondando por aqui. Pode afastar todos os clientes, entende? Embora se precisar de um trocado para ônibus... ― Ele detém-se procurando em seu bolso, conseguindo um punhado de moedas dispostas em sua palma. ― Não tenho nem ideia de quanto custam estas coisas. Não tive que tomar um desde...
― Há seiscentos anos... ― Eu digo, meu olhar estreitando-se. Observando a menina parar e virar o segundo Roman balança seus dedos, um sinal para ela se afastar. Um gesto que alguém poderia ter perdido, mas não eu. Vendo ela parar e caminhar    para um quarto de trás que eu não posso ver.
Eu me viro, sabendo que não tenho nada que fazer aqui. A voz de Roman me chamando atrás enquanto faço meu caminho pela rua, gritando:
― Não havia ônibus há seiscentos anos atrás! Saberia disso se tivesse assistido às suas aulas de história!
Mas simplesmente continuei, me negando a parar, quase chegando à esquina quando ele me segura com sua mente.
“Hey, Ever, o que querem as pessoas? Você poderia ponderar isso, poderia ser a pista para leva-la ao antídoto. ”
Tropeço, minhas mãos procuram a parede, lutando para não perder o equilíbrio com o som da voz de Roman enchendo minha cabeça. Ele assente cantando:
“Nós não somos tão diferentes. Somos muito iguais. E não vai demorar muito, querida, até você ter a chance de provar isso. Não vai demorar muito até que você finalmente pague o preço. ”
Continua rindo às gargalhadas enquanto libera e sai do meu caminho.

5 comentários:

  1. Que preço e esse que Roman tanto fala?!
    Ass: Bina.

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    Respostas
    1. Ninguém sabe até ler todo o livro

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    2. Bom eu acho que é ir para cama com ele😌

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  2. É mais pelo que Ever quis dizer tem a aver com ela e seu corpo

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  3. Pensa bem
    Talvez o roman nunca amou drina , talvez ele smp teve raiva do damen por ele negar o elixir aos outros , e vendo que damen tinha fraqueza que é Ever , usou ela pra atingir ele por 600 anos , porque nao ? Ele mesmo pode ter posto jude esse seculos todos na vida dela so pra damen pensar que um dia nunca teria chance que sempre atrapalhou ela , nao acham ? Damen esta equivocado pq sempre quando ela via ele esquecia de jude e é isso que ele nao enxerga , acha que tudo e carma , minha opiniao e meio louca mais vai saber ne kkkkk

    Assis : Tessa

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Boa leitura, E SEM SPOILER!