31 de outubro de 2015

Trinta e dois

No momento em que viro a esquina, corro, movendo os pés tão rapidamente, que é como se pudesse ultrapassar Damen, a galeria, tudo, e tudo. Correndo por Summerland, decidida a manifestar um lugar próprio – aonde Damen não possa ir.
Fazendo meu caminho de volta ao topo dos degraus de madeira de minha velha escola, frente ao marcador que diz “VAMOS URSOS” e querendo chegar ao assento da direita, onde provei meu primeiro (e último) cigarro, e onde beijei meu ex-namorado Brandon pela primeira vez, e aonde minha melhor amiga Rachel e eu reinamos uma vez, rindo estupidamente e paquerando em nossos trajes de animadoras de torcida, totalmente inconscientes de quão complicada pode ser a vida.
Coloco meus pés sobre o banco em frente a mim e trago minha cabeça a meus joelhos, afogando grandes soluços, apartando-os de meu ombro com esforço quando tento ter sentido de que aconteceu. Choramingando em um molho de Kleenex manifestados enquanto olho fixamente, com o olhar impreciso o campo de futebol cheio sem rostos, sem nomes de jogadores correndo em sua prática de treinamento enquanto suas namoradas sacodem seus cabelos e paqueram ao lado. Esperava que fosse tão familiar, um cenário normal que de algum jeito proporcionasse a comodidade que necessito, logo desvanecendo-se quando só me sinto pior.
Esta já não é minha vida. Não é mais meu destino.
Damen é meu futuro. Não há dúvida disso em minha mente.
Embora fique assustada e nervosa sempre que Jude se aproxima, embora haja um inegável clima quando nos encontramos – não significa nada. Não significa que ele é o único. É simplesmente o efeito de nossa familiaridade passada, um reconhecimento subconsciente, não mais.
Só porque tem tido um papel em minha história não significa que tenha um papel em meu futuro que não seja outro que ser meu chefe em um trabalho do verão o qual nunca teria ido procurar se Sabine não me tivesse obrigado. Assim como posso ser a culpada? Como pode ser isto alguma outra estranha coincidência, uma parte oculta de meu passado que, sem minha culpa, se nega a morrer? Quero dizer, não é como se tivesse ido procurar isto, não é verdade?
Mas embora meu coração saiba a verdade, não posso deixar de me perguntar o que uma vez quisemos nos dizer. Realmente surgi de um lago sem me importar que ele me visse nua? Ou era um retrato tomado diretamente de sua imaginação hiperativa?
O que só me leva a mais perguntas, uma das quais preferiria ignorar, como: realmente não fui uma virgem durante os últimos quatrocentos anos como pensei? Realmente dormi com o Jude e não com Damen? E se for assim, e se for o porquê de que me sentir tão tímida e estranha perto dele agora?
Olho o campo vazio diante mim, convertendo-o no Coliseu Romano, as pirâmides do Egito, o Acrópoles de Atenas, o grande Bazar no Estambul, Ópera do Sydney, a Praça de São Marcos em Veneza, a cidade da Medina no Marrakech – olhando a paisagem dando voltas e mudando, convertendo-se em todos os lugares que espero visitar algum dia, sabendo só uma coisa com segurança:
Tenho três meses.
Três meses sem Damen.
Três meses sabendo que ele está aí fora, em alguma parte, mas incapaz de tocá-lo, de me aproximar dele, de estar com ele.
Três meses para aprender o suficiente de magia para resolver todos nossos problemas e recuperá-lo para sempre.
Conhecer mais do que alguma vez soube – que ele é meu futuro, meu destino, sem importar o que veio antes. Concentro-me de novo na paisagem, o Grande Canhão transformando-se em Machu Picchu, que se converte na Grande Muralha da China, sabendo que há tempo suficiente para isto depois, porque agora, tenho que voltar.
Voltar para plano da terra. Voltar para a loja.
Esperando encontrar Jude antes que feche a loja, necessitando dele para que me ensine, de uma vez por todas, como ler esse livro.

4 comentários:

  1. Aff! Agora que ela vai ficar mais próxima de Jude!

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  2. Mas espera ai..no prologo diz q o Jude ajuda os dois...entao pode nao ser exatamente como o Damen acredita..pelo menos nao dessa vez.

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