30 de outubro de 2015

Trinta e dois

— Certo, aqui estamos nós. Só pareça legal. — Eu disse me abaixando na parte de trás, quando Ava se aproxima do portão. — Só acene com a cabeça, sorria e diga o nome que eu lhe disse.
Eu puxei minhas pernas, tentando me fazer parecer menor, menos obstrutiva, uma tarefa que seria muito mais fácil duas semanas atrás, antes de eu enfrentar esse ridículo surto de crescimento. Abaixando-me ainda mais e puxando o cobertor para cima de mim quando Ava abriu a janela e sorriu para Sheila, dando o nome de Stacia Miller (minha substituta na lista de convidados de Damen) que eu espero que ainda não tenha vindo o suficiente para Sheila reconhecê-la. E no momento em que o portão se abriu e estamos indo em direção a casa de Damen, eu joguei a manta para o lado e voltei para o banco. Vendo Ava olhar para a vizinhança com uma inveja evidente, balançando a cabeça e murmurando:
— Orgulhoso.
Eu dou de ombros e olho ao redor também, nunca tinha dado tanta importância para isso antes. Eu sempre via essa lugar como um borrão de falsas casas da fazenda de Toscana e até espanhol com a escala de fazendas bem arrumadas, alguns metros da garagens subterrâneas que temos que passar para chegar até o falso castelo francês de Damen.
— Eu não tenho ideia de como ele sustenta isso, mais com certeza é legal — ela disse, olhando para mim.
— Ele aposta nos cavalos — eu murmurei, me concentrando na porta da garagem, quando ela estaciona na sua garagem. Percebendo os mínimos detalhes, antes de fechar os olhos e desejando que o portão se abra. Vendo-o levantar e abrir na minha mente, então abro os meus olhos a tempo de o ver tremer e levantar um pouco, antes de voltar e bater com um baque muito alto. E percebendo que eu ainda tenho muito que aprender sobre psicocinese de materialização – ou a arte de mexer algo um pouco mais pesado que uma bolsa Prada.
— Hum, eu acho que nós deveríamos dar uma olhada em volta, como eu costumo fazer — eu digo, me sentindo embaraçada por ter falhado, tão miserável. Mas Ava não me ouviu, agarrou minha bolsa e foi para a porta da frente, e mesmo quando eu pulo para trás, dizendo que isso não vai adiantar, que está trancada e é impossível entrar desse jeito, ela só continua andando, alegando que nós só temos que destrancá-la.
— Não é tão fácil quanto você pensa — eu digo a ela. — Acredite em mim, eu já tentei isso antes e não funcionou. — Olhando a porta extra que eu acidentalmente manifestei da última vez que eu estive aqui – aquela que continua encostada na parede, exatamente como eu a deixei, e desde que Damen está muito ocupado agindo legal e flertando com Stacia, não tomou tempo para tirar isso daqui. Mais no momento em que eu pensei nisso, eu desejo que eu pudesse apagar.
O pensamento me deixou triste, vazia e me sentindo mais desesperada do que eu possa admitir.
— Bem, essa é a hora que você tem para me ajudar — ela sorriu. — E eu acho que nós já provamos que podemos trabalhar juntas — e do jeito que ela me olhou, com tanta antecipação, tão otimista, eu não posso recusar pelo menos tentar.
Então eu fecho os meus olhos, juntando as mãos, imaginando a porta abrindo diante nós. E no momento em que eu abro os olhos, vejo a porta se abrindo nos convidando a entrar.
— Depois de você — Ava balançou a cabeça, e olhou o relógio, quando enruga a testa e diz: — Me diga, quanto tempo exatamente temos aqui?
Eu olho para o meu pulso, vendo o bracelete com a ferradura de cavalo que Damen me deu aquele dia, aquele que faz meu coração se acelerar toda vez que eu o vejo. Eu me recusei a tirá-lo, eu quero dizer, eu não posso. É a minha única lembrança do que foi uma vez.
— Hey? Você está bem? — Ela perguntou, o rosto enrugado de preocupação.
Eu respirei fundo e acenei.
— Nós devemos estar ok no tempo, mais eu pensei que eu deve-se avisá-la, Damen tem o mau hábito de matar aula e vir para casa cedo.
— Então é melhor começarmos — Ava sorriu, entrando no lobby e olhando em volta, seus olhos passando pelo enorme lustre na entrada, até o elaborado corrimão de ferro. Ela vira para mim, os olhos brilhando quando ela diz:
— Esse cara tem 17?
Eu fui para a cozinha, sem me preocupar em responder a pergunta, já que ela já sabe que ele tem. Além disso, eu tenho coisas muito maiores que a implausível casa de um cara de 17 anos, que parece mais com a casa de um astro do pop, ou um apresentador de TV.
— Hey, espere um pouco — ela disse, segurando o meu braço e me parando. — O que tem lá em cima?
— Nada. — E no momento em que eu digo isso, eu percebo que eu estraguei tudo, respondendo muito rápido para ela acreditar. E, a última coisa que eu preciso é de Ava andando lá por cima, e achando o seu quarto “especial.”
— Ah, vamos lá — ela disse, sorrindo como uma adolescente rebelde que recebeu a notícia que os pais vão ficar fora o fim de semana. — A escola termina que horas? 14h50min?
Eu balanço a cabeça, mais isso é o bastante para encorajá-la.
— E então leva o que? 10 minutos da escola até aqui?
— Mais pra 2 — Eu balancei a cabeça — Não, menos que isso. Mais pra 30 segundos. Você não tem ideia do quão rápido Damen dirige.
Ela olhou o relógio de novo, e então olhou para mim. Um sorriso brincando no canto da sua boca quando ela disse:
— Bem, isso ainda nos deixa tempo para dar uma olhada ao redor, trocar as bebidas, e ir pelo nosso caminho. — E quando eu olho para ela, tudo o que eu posso ouvir é uma voz gritando na minha cabeça: Diga não! Diga não! Só. Diga. Não! Uma voz que eu deveria ouvir.
Uma voz que é imediatamente cancelada quando ela diz:
— Vamos lá Ever, não é todo dia que eu posso dar um tour em uma casa como essa. Além disso, nós podemos achar alguma coisa útil, você já considerou isso? — Eu pressionei meus lábios juntos, e aceno, como se isso me doesse. Relutantemente eu a sigo quando ela corre como uma adolescente excitada em ver sua sala na escola, quando a verdade é, que ela é uma década mais velha que eu. Indo direto a primeira porta que ela vê, o que aconteceu de ser só o seu quarto, e eu a segui para dentro, não tendo certeza de estar surpresa ou aliviada de estar do jeito em que eu o deixei. Bagunça. Só bagunça.
E eu me recuso em pensar como isso aconteceu. Os mesmos lençóis, os mesmos móveis, até a tinta na parede – nada disso – eu estou feliz em informar – mudou. São as mesmas coisas que eu o ajudei a escolher semana passada, quando eu me recusei a passar outro minuto com o seu mausoléu assustador, que acredite ou não, ele costumava dormir. Quero dizer, todas aquelas memórias antigas, estão começando a realmente a me apavorar.
Nunca esquecendo o fato que, tecnicamente, eu sou uma dessas memórias antigas também. Mas mesmo depois dos móveis novos, eu ainda prefiro a minha casa. Eu acho que eu só me sinto – eu não sei – segura? Como se saber que Sabine chegará em casa a qualquer minuto me impeça de fazer alguma coisa que eu não tinha certeza, que eu estava pronta para fazer.
Que agora, com tudo isso acontecendo, parece mais que ridículo.
— WOW! De uma olhada nesse banheiro! — Ava disse, vendo o chuveiro romano, com o mosaico e desenhado para caber 20 pessoas. — Eu poderia me acostumar a viver assim. — Ela se empoleirou na borda da jacuzzi e começou a brincar com as torneiras. — Eu sempre quis uma dessas! Você já usou isso?
Eu desviei o olhar, mais não antes de ela me ver corar. Quero dizer, não é porque eu dividi alguns segredos com ela e permiti que ela subisse aqui, não significa que ela tem acesso livre para a minha vida privada.
— Eu tenho uma em casa — eu disse finalmente, esperando que isso seja suficiente para terminarmos com o tour aqui, para que eu possa voltar lá para baixo e trocar o elixir de Damen com o meu. E se ela ficar sozinha aqui em cima, tenho medo que ela nunca saia.
Eu apontei para o relógio, só para ela lembrar de quem está no comando aqui.
— Tudo bem — ela disse, arrastando os seus pés do banheiro para o corredor. Só para parar algumas portas depois e dizer: — Sério, o que tem aqui?
E antes que eu possa pará-la, ela entrou no quarto – o espaço secreto de Damen. O seu santuário privado. Seu museu assustador.
Só que está mudado.
Quero dizer, drasticamente e dramaticamente mudado. Todas as lembranças do velho Damen foram completamente apagadas – sem Picasso, Van Gogh, sem veludo ou canapé a vista. Tudo trocado por uma mesa de bilhar com feltro vermelho, o bem estocado bar de mármore preto, esculturas cromadas, e uma longa fileira de bancos em frente a uma enorme TV de plasma. E eu não posso parar de pensar no que aconteceu com as suas coisas velhas – aqueles velhos artefatos que me davam nos nervos, mais que agora que foram substituídos por designs modernos, parecem um símbolo de tempos melhores. Eu sinto falta do velho Damen. Eu sinto falta do meu brilhante, lindo e cavalheiro namorado que dava tanta importância ao seu passado Renascentista.
Esse elegante novo-milênio Damen é estranho para mim. E quando eu olho ao redor desse quarto mais uma vez, eu me pergunto se é tarde demais para salvá-lo.
— O que está errado? — Ava me olhou. — Sua cara está branca.
Eu agarrei o seu braço e a puxei lá para baixo.
— Eu preciso me apressar. — Eu disse. — Antes que seja muito tarde!

3 comentários:

  1. Essa mulher ta me irritando já. Não gosto dela (Ava,sla o nome dela)

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  2. Meu deus a ava é mais crianca q a eve

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