30 de outubro de 2015

Sete

Damen dirige rápido. Insanamente rápido. Quero dizer, só porque temos um radar psíquico avançado, que é bem prático para detectar policiais na área, desviar de tráfico, pedestres, animais soltos, e tudo mais que poderia aparecer em nosso caminho, isso não significa que deveríamos abusar.
Mas Damen pensa o contrário. É por isso que ele já está esperando na minha varanda antes que eu possa estacionar e descer do carro.
— Pensei que não chegaria nunca. — Ele ri, seguindo-me para o meu quarto, aonde se atira na cama, puxando-me com ele, se aproxima para me dar um ligeiro beijo... Um beijo que, se fosse por mim, não terminaria nunca. Felizmente passarei o resto da eternidade envolvida em seus braços. Basta saber que temos um número infinito de dias para passar um ao lado do outro que me dá mais felicidade que eu posso suportar.
Entretanto, não me sentia sempre assim. Estava bastante chateada quando descobri a verdade. Tão chateada que passei um tempo longe dele até que pude clarear minha cabeça. Quero dizer, não é todo o dia que alguém te diz: Ah, a propósito, eu sou um imortal, e te fiz imortal também.
E embora eu estivesse muito relutante em acreditar no começo, depois que ele me levou através dos pensamentos, lembrando-me como eu tinha morrido em um acidente, como tinha olhado justamente em seus olhos no momento em que voltei a vida, e como tinha reconhecido esses mesmos olhos no primeiro dia que veio a escola, bem, não tinha como negar que fosse verdade.
Embora isso não significasse dizer que eu estivesse disposta a aceitá-lo. Era ruim o suficientemente ter que lutar com a enxurrada de habilidades psíquicas impostas através de EQM (Experiência de Quase Morte... Eles insistem em chamada de quase, mesmo quando eu realmente morri), e quando comecei a escutar os pensamentos de outras pessoas, conhecer a história de suas vidas ao tocá-las, falar como os mortos, e tudo mais. Sem mencionar que ser imortal, por mais legal eu possa parecer, também significa que nunca vou poder cruzar a ponte.
Nunca vou chegar ao outro lado para ver a minha família novamente. E quando você pensa isso, não é uma grande negociação.
Me afasto, meus lábios relutantes em deixar os seus enquanto olho em seus olhos... Os mesmos que vejo por 400 anos. Não importa quanto tente, não consigo recordar nosso passado. Só Damen, quem tem permanecido igual por 600 anos... Sem morrer, nem reencarnar... Tem essa chave.
— Em que está pensando? — Ele pergunta, seus dedos acariciando a curva do meu pescoço, deixando um rastro quente ao passar.
Respiro fundo, sabendo como ele está comprometido em permanecer no presente, mas determinada a saber mais de minha história... Nossa história.
— Estou pensando em quando nos conhecemos pela primeira vez — digo, vendo como ele levanta as sobrancelhas e balança a cabeça.
— Onde? O que você exatamente lembra daquele tempo?
— Nada. — Dou de ombros. — Absolutamente nada. E é por isso que esperava que você me dissesse. Não precisa me dizer tudo... Quero dizer, sei que você odeia olhar para trás. Só estou realmente curiosa de como tudo começou... Como nos conhecemos.
Ele se afasta e gira sobre seu quadril, seu corpo quieto, seus lábios sem movimento, e temo que essa seja a única resposta que vou receber.
— Por favor? — Murmuro, aproximando-me dele e curvando meu corpo com o seu. — Não é justo que você tenha todos os detalhes enquanto eu fico no escuro. Só me dê algo com o que seguir. Onde vivíamos? Como me viu? Como nos conhecemos? Foi amor à primeira vista?
Ele se move levemente, depois rola para o lado, enterrando sua mão em meu cabelo enquanto diz:
— Foi na França, em 1608.
E engulo em seco, inalando rapidamente enquanto espero escutar mais.
— Paris, na verdade.
Paris! Imediatamente me imagino vestindo vestidos elaborados, beijos roubados na Ponte Neuf, fofocando como Maria Antonieta...
— Eu participei de um jantar na casa de um amigo... — fez uma pausa, seu olhar perdido em séculos atrás. — Você trabalhava como uma serva.
Uma serva?
— Um de seus servos. Eles eram ricos. Tinham muitos.
Eu fiquei para ali, atordoada. Isso não era o que eu estava esperando.
— Você não era como os demais — ele disse, sua voz quase um sussurro. — Era linda.
Extraordinariamente linda. Parecia muito como você é agora. — Ele sorri, pegando uma mecha de meu cabelo e brincando com eles entre seus dedos. — E também como agora, era órfã, havia perdido sua família em um incêndio. E sem dinheiro, sem ninguém para apoiá-la, foi empregada por meus amigos.
Engoli com força, sem saber como me sentir a respeito. Quero dizer, pra que existe a reencarnação se alguém está forçado a viver os mesmos momentos dolorosos tudo de novo?
— E sim, para que você saiba, foi amor a primeira vista. Eu me apaixonei completamente e de forma irreversível por você. No momento em que te vi, soube que minha vida nunca mais seria a mesma.
Ele me olha, seus dedos em minhas têmporas, seu olhar me seduzindo, apresentando o momento em toda a sua intensidade, desenrolando a cena como se eu estivesse lá.
Meu cabelo loiro escondido embaixo de um gorro, meus olhos azuis tímidos e com medo de fazer contato, e com roupas tão deselegantes e dedos tão calejados, minha beleza desperdiçada, facilmente perdida.
Mas Damen me viu. No momento em que entra na sala seus olhos encontraram os meus. Vendo mais além do meu exterior desalinhado através da alma que se recusa a esconder. E ele está tão obscuro, tão notável, tão refinado, tão bonito...
Eu me afasto.
Sabendo que os botões do seu casaco valem mais do que o que eu ganho em um ano. Sabendo sem olhar duas vezes, que está fora do meu alcance...
— Ainda assim, tinha que me mover com cuidado por que...
— Porque já estava casado com Drina! — Sussurro, vendo a cena em minha cabeça e escutando como um dos convidados pergunta por ela, nossos olhos encontrando-se brevemente enquanto Damen disse:
— Drina está na Hungria. Temos tomado caminhos diferentes.  Sabendo que será fonte de escândalos, mas querendo que eu ouvisse mais do que ter cuidado com o que eles vão pensar...
— Ela e eu já estávamos vivendo separados, por isso foi um problema. A razão por que teria que ser cuidadoso era por que fraternizar fora da própria classe era severamente desaprovado na época. E como você era tão inocente, tão vulnerável, de muitas formas, não queria causar-te nenhum problema, especialmente se não se sentia do mesmo jeito.
— Mas eu me sentia do mesmo jeito! — Digo, vendo como passeamos naquela noite, e como toda vez que eu ia a cidade eu arranjava para cruzar com ele.
— Eu temo que eu resolvi segui-la. — Ele olha pra mim, como o rosto contrariado. — Até que finalmente nos encontramos tantas vezes, que começou a confiar em mim. E então...
E então nos encontramos em segredo... Beijos roubados do lado de fora da porta para serventes, um abraço apaixonado em um beco escuro ou dentro de sua carruagem...
— Só agora sei que não foi tão secreto como pensei que fosse...
Ele suspira.
— Drina nunca esteve na Hungria, ela esteve lá o tempo todo. Olhando, planejando, determinada a me ter de volta... Sem importar o custo. — Ele respira fundo, o pesar de quatro séculos exibido em seu rosto. — Queria cuidar de você, Ever. Queria te dar qualquer coisa, e tudo o que seu coração quisesse. Queria te tratar como a princesa que nasceu para ser. E quando finalmente te convenci a fugir comigo, nunca tinha ficado tão feliz, tão vivo. Tínhamos que nos encontrar a meia-noite...
— Mas eu nunca apareci — digo, vendo-o andando, preocupado, aflito, convencido de que eu havia mudado de ideia...
— Não foi até o dia seguinte que soube que você tinha morrido em um acidente, atropelada por uma carroça em seu caminho para encontrar comigo.
E quando me olha, demonstra dor... Uma dor insuportável, consumidora, partidora de alma.
— Nesse momento, nunca me ocorreu que Drina foi a responsável, não tinha ideia até que ela confessou a você. Parecia um acidente, um horrível e infeliz acidente. E suponho que estava muito entorpecido pela dor para suspeitar de algo mais...
— Quantos anos eu tinha? — Pergunto, quase sem poder respirar, sabendo que era jovem, mas querendo os detalhes.
Ele me puxa para mais perto, seus dedos seguindo as linhas de meu rosto enquanto diz:
— Tinha 16, e seu nome era Evaline. — Seus lábios roçavam em minha orelha.
— Evaline — sussurro, sentindo uma conexão imediata com meu antigo eu, órfã jovem, amada por Damen, e morta aos 16... Não tão diferente de meu eu atual.
— Foi só muitos anos mais tarde quando te vi novamente em Nova Inglaterra, depois de ter reencarnado como filha de um puritano... Que comecei a acreditar na felicidade de novo.
— Filha de um puritano? — olho em seus olhos, vendo enquanto me mostra uma garota de cabelos escuros, de pele pálida em um vestido azul escuro. — Minhas vidas foram todas tão chatas? — balanço a cabeça. — E que horrível acidente me levou outra vez?
— Se afogou. — Suspira, e no momento em que ele fala, me cobre com sua dor novamente. — Estava tão devastado que naveguei de volta para Londres, onde vivi por muitos anos. E estava prestes a ir para a Tunísia quando você ressurgiu como uma linda, rica e bastante malcriada, devo dizer... Filha de um latifundiário de Londres.
— Me mostre! — lhe pedi, ansiosa para ver uma vida mais glamorosa, seus dedos seguindo minha sobrancelha enquanto uma linda morena em um lindo vestido verde com um penteado complicado e muitas joias aparecem em minha mente.
Uma rica, mimada, flertes de conveniência... Sua vida uma seria de festas e passeios de compras... Cujos olhos estavam postos em alguém mais... Até que ela conhece Damen...
— E essa vez? — Pergunto, triste de vê-la desaparecer, mas precisando saber como foi.
— Uma queda terrível. — Ele fecha os olhos. — Por isso então, eu estava certo de estar sendo castigado... Com uma vida inteira, mas uma vida sem amor.
Ele pega meu rosto em suas mãos, de forma amorosa, tão reverencial, com um delicioso e vibrante formigamento... Fecho meus olhos e me acomodo mais perto. Concentrando-me em sentir sua pele enquanto nossos corpos se pressionam suavemente, tudo em nossa volta desaparecendo até que ficamos apenas nós... Sem passado, sem futuro, nada mais que esse momento no tempo.
Quero dizer, estou com ele, e ele comigo, e essa é maneira que deve ser eternamente. E mesmo quando essas vidas anteriores possam ser interessantes, seu único propósito era nos trazer a este. E agora que Drina já não está, não há nada que possa ficar em nosso caminho, nada que nos detenha de seguir em frente... Exceto eu. E mesmo quando quero saber tudo o que aconteceu antes, por agora posso esperar. É tempo de superar meus medos e inseguranças, de deixar de encontrar desculpas e finalmente me comprometer a dar o grande salto para frente depois de todos estes anos.
Mas justo quando estou para lhe dizer, ele se afasta tão abruptamente, leva um momento antes que eu corra para chegar ao seu lado.
— O que é isso? — Eu choro, vendo seus dedos pressionando sua testa enquanto luta para respirar. E quando ele se vira para mim, não há reconhecimento. Seu olhar passa por cima de mim. Mas tão logo que percebo, já passou.
Substituído pelo amor ao que já me acostumei, enquanto ele esfrega os olhos e balança a cabeça, olhando-me quando diz:
— Não me sentia assim desde que... — ela para e olha para o nada. — Bem, talvez nunca. — Mas quando vê a preocupação em meu rosto, ele acrescenta, — Mas estou bem, de verdade. — E quando me recuso a soltá-lo, ele sorri e diz, — Ei, que tal uma viagem a Summerland?
— Sério? — Digo, com os olhos iluminados.
A primeira vez que visitei esse lugar maravilhoso, essa dimensão mágica entre as dimensões... Já estava morta. E eu estava tão fascinada por sua beleza que estava relutante em deixá-la. Na segunda vez que visitei foi com Damen. E desde que me mostrou todas as suas gloriosas possibilidades, estou querendo voltar. Mas só pode ir Summerland quem se torna espiritualmente avançado (ou aqueles que já estão mortos), não posso entrar sozinha.
— Por que não? — Ele dá de ombros.
— Bem, e as minhas aulas? — Digo, tratando de simular estar interessada em estudar e aprender novos truques, quando na verdade, preferiria ir a Summerland onde todo posso sem esforço e é instantâneo. — Sem mencionar que não está se sentindo bem. — Pressiono seu braço novamente, notando como o calor e o formigamento ainda não voltaram inteiramente.
— Existem lições para aprender em Summerland também. — Sorri. — E se me trazer meu suco, me sentirei o suficiente bem para fazer o portal.
— Talvez eu possa ajudar? — Digo, olhando o suor em sua testa.
— Não... Só tenho que... Quase tenho. Só me dê um segundo — murmura, fixando a mandíbula, determinado em fazer isso.
Então eu espero. Para dizer a verdade, deixo que segundos se tornem minutos, e nada.
— Não entendo — protesta. — Isso não me acontece desde... Desde que aprendi a fazê-lo pela primeira vez.
— Talvez seja porque não se sente bem. — Olho enquanto ele toma outro gole, seguido de outro, e mais outro. E quando fecha os olhos e tenta novamente, obtém o mesmo resultado que antes.
— Posso tentar?
— Esqueça. Você não sabe como fazer — disse, sua voz enjoada, enquanto tento não tomar de forma pessoal, sabendo que tem mais a ver com sua frustração consigo mesmo do que comigo.
— Sei que não sei como fazer, mas pensei que talvez você pudesse me ensinar e então eu...
Mas antes de terminar, ele se levanta da cama, afastando-se de mim.
— É um processo, Ever. Levou-me anos aprender a chegar lá. Não pode pular para o final do livro sem ler a parte do meio. — Balança a cabeça e se apoia em minha mesa, seu corpo rígido e tenso, seus olhos desviando meu olhar.
— E quando foi a última vez que você leu um livro sem saber de antemão o princípio, meio e fim? — Sorrio.
Me olha, seu rosto cheio de durezas e ângulos, mas só um momento antes de suspirar e aproximar-se de mim, pegando minha mão enquanto diz:
— Quer tentar?
Confirmo. Ele me olha de cima a baixo, claramente duvidando de que funcione, mas querendo me agradar mais que tudo.
— Tudo bem então, fique cômoda, mas não cruze as pernas. Corta o Chi.
— Chi?
— Uma palavra elegante para energia. — Sorri. — A menos que queira se sentar na posição de lótus, isso está perfeitamente bem.
Tiro as sandálias e pressiono as solas contra o carpete no chão, colocando-me tão confortável e relaxada quanto minha excitação permitir.
— Geralmente requer uma longa série de meditações, mas para fazê-lo rápido, e como já está bastante avançada, vamos ir direto ao ponto, está bem?
— Quero que feche os olhos e imagine um véu brilhante de luz dourada ao seu redor — ele disse, entrelaçando seus dedos com os meus.
Então eu faço, imaginando a réplica exata de como cheguei lá pela primeira vez, a vez que Damen o colocou em meu caminho para me salvar de Drina. E está tão lindo, tão brilhante, e tão luminoso, meu coração se enche de alegria enquanto eu levanto minha mão até ele, querendo mergulhar na luz radiante, querendo voltar a esse lugar místico. E justo quando meus dedos fazem contato e estão a ponto de mergulhar, se encolhe e desaparece de minha vista e estou de novo em meu quarto.
— Não posso acreditar! Estava tão perto — me dirijo para Damen. — Ele estava bem ali na minha frente! Você viu?
— Você esteve incrivelmente perto — ele diz. Mesmo quando seus olhos são ternos, seu sorriso é forçado.
— E se eu tentar de novo? E se fizermos juntos dessa vez? — Digo, minha esperança desaparecendo no momento em que ele balança a cabeça e se vira.
— Ever, estávamos fazendo juntos — murmura, limpando sua testa e evitando seu olhar. — Temo que eu não seja um bom professor.
— Isso é ridículo. Você é um ótimo professor, só está tendo um mal dia, isso é tudo. — Mas quando olho pra ele, está claro que ele não está conformado. Então mudo de tática, fazendo me culpada quando digo, — é minha culpa. Sou uma estudante ruim. Sou preguiçosa, desleixada, e passo a maior parte do tempo tentando distraí-lo das aulas para poder nos beijar. — Aperto sua mão. — Mas não vou mais fazer. E estou a ponto de me colocar séria. Então me dê mais uma oportunidade, você verá.
Ele me olha, duvidando que funcione, mas não querendo me decepcionar, pega minha mão e tenta de novo, os dois com os olhos fechados, imaginando o portal de luz glorioso. E justo quando está tomando forma, Sabine atravessa a porta da frente e começa a subir as escadas, nos pegando com a guarda tão baixa, que nos afastamos tomando lados opostos do quarto.
— Damen, me pareceu que era seu carro na entrada.
Ela tira o casaco e cobre a extensão da porta até minha mesa em um par de passos. A energia exaustiva de seu trabalho ainda está nela quando levanta a mão e se concentra na garrafa que faz equilíbrio no joelho dele.
— Então foi você quem fez Ever viciada nisso. — Ela nos olha, seus olhos entrecerrados, lábios pressionados, como se tivesse toda a evidência de que precisava.
Olho para Damen de relance, pânico subindo por minha garganta, perguntando-me como fará para explicar isso. Mas ele ri enquanto diz:
— Culpado! A maioria das pessoas não gosta, mas por alguma razão, Ever parece gostar. — E logo sorri de forma que soa ser persuasiva, se não encantadora, e se me perguntassem diria ambas.
Mas Sabine continua com o olhar fixo nele, completamente indiferente.
— Isso é tudo o que parece importante pra ela ultimamente. Compro sacolas e sacolas de comida, mas ela se recusa a comer.
— Isso não é verdade! — Digo, irritada porque ela está começando com isso novamente, especialmente na frente de Damen. Mas quando vejo a mancha de café em sua camisa, minha irritação se torna indignação. — Como aconteceu isso? — Aponto para a mancha como se fosse uma marca de desonra, sabendo que devo fazer o possível para que ela não volte a esse lugar.
Ela abaixa a vista para sua blusa, seus dedos tocando-a enquanto para pra pensar, então balança a cabeça e dá de ombros quando diz:
— Me choquei com alguém. — E a maneira como ela disse, tão casual, sem importância, é óbvio que não ficou tão impressionada com o encontro como o Muñoz pareceu estar.
— Então, nós ainda vamos jantar no sábado? — Pergunta.
Respiro com esforço, telepaticamente advertindo a Damen que só confirme e sorria mesmo quando não tem a menor ideia do que ela esteja falando, já que eu nem sequer mencionei.
— Fiz reservas para as 20h00min.
Mantenho a respiração, vendo como ele confirma e sorri justo como eu pedi. Indo ainda mais longe quando diz:
— Não perderia isso.
Ele cumprimenta Sabine e se dirige a porta, seus dedos entrelaçados nos meus, enviando um calor maravilhoso para meu corpo.
— Perdão pela cena — digo, olhando-o. — Suponho que esperava que ela estivesse ocupada e esquecesse esse assunto.
Ele pressiona seus lábios contra meu rosto, então entra em seu carro.
— Ela se preocupa com você. Quer ter certeza de que sou suficientemente bom, sincero, e que não vou magoá-la. Acredite, já passamos por isso. E mesmo chegando perto uma ou duas vezes, não me lembro de falhar na inspeção. — Sorri.
— Ah, sim, o pai puritano rigoroso — digo, imaginando que é o estereótipo de pai super-protetor.
— Você ficaria surpresa. — Damen riu. — O latifundiário era muito mais super-protetor. E ainda assim, eu consegui passar no exame.
— Talvez um dia me mostre seu passado — digo. — Você sabe, como era sua vida antes de nos conhecermos. Sua casa, seus pais, como se converteu... — minha voz desaparece, vendo a dor passar por seus olhos e sabendo que ainda não está preparado para discuti-lo. Sempre se afasta, se recusa a compartilhar, o que só me deixa mais curiosa a respeito.
— Nada disso importa — disse, soltando minha mão e ajeitando o espelho, tudo para evitar meu olhar. — O que importa é o agora.
— Sim, mas Damen... — Começo, tentando explicar-lhe que não é por curiosidade, mas quero me aproximar dele, um vínculo, desejando que confie a mim todos os seus segredos antigos. Mas quando olho pra ele novamente, me dou conta que não devo pressionar. Além do mais, talvez seja hora de estender um pouco de confiança também.
— Estava pensando... — digo, meus dedos brincando com o botão da minha camisa.
Ele me olha, sua mão na marcha, pronto pra dar a ré.
— Por que você não vai em frente e faz aquela reserva?
Eu confirmo, meu lábios pressionados, meu olhar focado no seu.
— Você sabe, para o Montage ou o Ritz? — Eu adiciono. Prendendo a respiração quando seus belos olhos escuros focam em meu rosto.
— Você tem certeza?
Eu confirmo. Me conhecendo. Nós estivemos esperando por esse momento há centenas de anos, então por que esperar mais tempo?
— Mais do que certa — digo, meus olhos encontrando com os seus.
Ele sorri, iluminando seu rosto pela primeira vez durante o dia. E eu estou aliviada ao vê-lo olhando normalmente depois do comportamento estranho de antes, o seu distanciamento na escola, a sua incapacidade para fazer aparecer o portal, não se sentindo bem – tudo isso é tão diferente do Damen que eu conheço.
Ele sempre foi tão forte, sexy, bonito, e invencível – imune a momentos de fraqueza e dias ruins. E vendo-o vulnerável como agora, me deixou mais agitada do que eu gostaria de admitir.
— Considere feito. — Ele diz, enchendo meus braços com dezenas de tulipas vermelhas antes de partir.

8 comentários:

  1. Não to gostando ele fica pressionando ela , poxa eu sei ele conhece ela por mais de 1 século mas caramba , ela tem que ter o tempo dela.e fica com esse mimi ..........

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  2. Concordo jess E ele n se tocou de que ela é virgem desda Primeira vida? Aff isso n é amor é obssessão!!! Ass:lia

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  3. Tbm acho, poxa a menina nunca fez isso, e ainda fica chateando ela, ela se sente responsaveu, ;-; to tisti

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  4. Esse negócio dele não contar o passado é chato... poxa, tudo bem que pode ferir ele ou ela, mas a Ever está se esforçando para fazer o "desejo" dele e ele nem conta o passado para ela...
    -Camila

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  5. Nao sei vocês, mas ele me lembra o Grey ( cinquenta tons de cinza) ele deixa as perguntas dela no ar, sem respostas... E estou começando a ficar preocupada com o Damen :/

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  6. Tô com receio de que o Damen possa ter sido sabotado, envenenado, algo assim. Se vocês repararem bem ele está assim desde que aquele Roman (sei lá qual o nome dele) apareceu.
    PS: Esse é o MEU palpite.

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