18 de outubro de 2015

Sessenta e sete - Mais uma vez, por um amigo

— NÓS TEMOS UM barco de Frey! — gritou T.J.
Eu não fazia ideia do que era um barco de Frey. Não vi nenhum barco na praia, mas estava exausto demais para perguntar. Parecia que os extremos de calor e frio que tolerei durante a vida inteira estavam agora se vingando. Minha testa ardia de febre. Meus olhos pareciam ferver. Meu peito era um bloco de gelo.
Saí andando. O chão ficou mais macio. A praia afundou. As ondas se aproximaram. Os músculos dos meus braços gritavam sob o peso da capitã das valquírias.
Comecei a tombar para o lado. Sam segurou meu braço.
— Só mais um pouco, Magnus. Fique comigo.
Chegamos à praia. T.J. pegou um pedaço de tecido que parecia um lenço e jogou no mar. Na mesma hora, o pano se abriu. Em uns dez segundos, um drácar viking de tamanho real oscilava nas ondas com dois remos enormes, um mastro com entalhe de javali e uma vela verde com o logo do Hotel Valhala. Na lateral da proa, em letras brancas, estava escrito: VEÍCULO DE CORTESIA DO HOTEL VALHALA.
— Entrem!
T.J. pulou a bordo primeiro e esticou os braços para pegar Gunilla.
A areia molhada prendia meus pés, mas acabei conseguindo subir pela amurada. Sam cuidou para que todos subissem em segurança. Em seguida, subiu também.
Um zumbido profundo reverberou pela ilha, como um amplificador de baixo no máximo. A Ilha das Urzes afundou debaixo das ondas pretas. A vela da embarcação se armou sozinha. Os remos entraram em ação, e o navio virou para oeste.
Blitzen e Hearthstone desabaram na proa. Começaram a discutir sobre qual dos dois tinha corrido mais riscos idiotas, mas estavam tão cansados que o debate virou uma competição de cutucadas sem entusiasmo, como dois alunos de segundo ano.
Sam ficou de joelhos ao lado de Gunilla. Cruzou os braços da capitã das valquírias sobre o peito e fechou delicadamente os olhos azuis.
— E as outras? — perguntei.
X baixou a cabeça.
Ele havia colocado as duas valquírias perto do leme, mas ficou claro que estavam mortas. Dobrou os braços delas como Sam fez com Gunilla.
— Guerreiras corajosas.
Ele tocou na testa delas com carinho.
— Eu não as conhecia — falei.
— Margaret e Irene. — A voz de Sam falhou. — Elas... elas nunca gostaram muito de mim, mas... eram boas valquírias.
— Magnus — chamou T.J. do meio do navio — precisamos de você.
Ele e Mallory estavam ajoelhados ao lado de Mestiço Gunderson, cuja força berserker falhava agora. O peito era uma colcha de retalhos horrorosa, cheia de cortes e queimaduras. O braço esquerdo estava em um ângulo nada natural. A barba e o cabelo estavam manchados de sangue e com pedacinhos de urze.
— Boa... luta — disse ele, ofegando.
— Não fale, seu idiota! — disse Mallory, chorando. — Como ousa se machucar assim?
Ele deu um sorriso sonolento.
— Desculpe... Mãe.
— Aguente firme — disse T.J. — Podemos levar você de volta a Valhala. E então, se... se alguma coisa acontecer, você pode renascer.
Coloquei a mão no ombro de Mestiço. Senti um dano tão severo que quase me afastei. Era como enfiar a mão em uma tigela cheia de estilhaços de vidro.
— Não temos tempo — falei. — Ele está morrendo.
Mallory engasgou com as lágrimas.
— Você não pode. Não. Mestiço Gunderson, eu odeio tanto você.
Ele tossiu. Os lábios dele ficaram manchados de sangue.
— Também odeio você, Mallory Keen.
— Segurem-no para que fique parado — pedi. — Vou fazer o possível.
— Garoto, pense bem — disse Blitz. — Você já está fraco.
— Tenho que fazer isso.
Projetei meus sentidos e avaliei os ossos quebrados de Mestiço, a hemorragia interna, os órgãos feridos. O medo tomou conta de mim. Era muita coisa, ele estava próximo demais da morte. Eu precisava de ajuda.
— Jacques — chamei.
A espada pairou ao meu lado.
— Chefe?
— Mestiço está morrendo. Vou precisar da sua força para ajudar a curá-lo. Você pode fazer isso?
A espada zumbiu, nervosa.
— Posso. Mas, chefe, assim que você me segurar...
— Eu sei. Vou ficar ainda mais exausto.
— Não foi só amarrar o Lobo — avisou Jacques. — Eu também ajudei com a aura de luz dourada, que, se me permite dizer, foi bem legal. E houve também a Paz de Frey.
— A paz... — Percebi que ele estava falando do choque que desarmou todo mundo, mas não tinha tempo para me preocupar com isso. — Tudo bem. Sim. Temos que agir agora.
Peguei a espada. Minha visão ficou turva. Se já não estivesse sentado, teria caído. Lutei contra a náusea e a tontura e coloquei a espada com a parte achatada no peito de Mestiço.
Uma onda de calor se espalhou por mim. A luz transformou a barba de Mestiço em ouro vermelho. Enviei minhas últimas forças pelas veias dele, consertando os danos, fechando os ferimentos.
Depois disso, me lembro apenas de estar deitado de costas no convés, olhando uma vela verde tremendo ao vento enquanto meus amigos me sacudiam e gritavam meu nome.
Em seguida, estava de pé em uma campina ensolarada na beira de um lago, sob o céu azul. Uma brisa quente bagunçava meu cabelo.
Em algum lugar atrás de mim, uma voz masculina disse:
— Bem-vindo.

15 comentários:

  1. NÃO ME DIGA QUE ELE MORREU DE NOVO

    ResponderExcluir
  2. Por que os semideuses tem que quase morrer (ou morrer, no caso do Magnus) para encontrar seus pais?
    Porque é meio obvio que o cara ai é o Frey

    ResponderExcluir
  3. Pq ele nao eh tipo o Hermes e o Poseidon q vivem aparecendo. O filho tem q ta morrendo pro pai dar as caras. Desnaturado!

    ResponderExcluir
  4. Magnus Chase, profissional em morrer.
    Para contratar seus serviços ligue: (70) 7070 - 7070 se não conseguir 70 de novo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Esse numero ai é o do Magnus 1.0 o numero da versão atual é 666-666 mais o código de discagem de valhala

      - catarina

      Excluir
    2. Só o Subaru de Re zero morre mais do que ele kkkk

      Excluir
    3. hahahahahahahahahaahahahahahaha... essa foi boa EAL.

      Excluir
  5. Eita Magnus, morre mais que o Jason desmaia e o treinador Hedge grita morram! Kkkkk


    O que foi isso? Frey igualzinho ao Magnus! Que lindo o encontro deles, foi uma das, senão a mais linda cena do livro! O primeiro encontro do Percy com o Poseidon foi: Ñ fiz isso por vc, fiz pela minha mãe. Com o Magnus foi o maior e mais lindo abraço de urso de todos os tempos! ^_^ Talvez pq o Magnus já é mais velho e já aprendeu muito mais com a vida do que o Percy na época. Tio Rick quase me mata do coração!!! Esse foi o melhor começo de série até aqui...

    ResponderExcluir
  6. É O PAI DELE PORRA É O PAI DELE TENHO QUASE CERTEZA!!!!!!! É O FREY!

    ResponderExcluir
  7. Minha língua enrola até para pronunciar Frey, é tipo falar trezentos e trinta e três. Imagina minha frustração sem conseguir pronunciar essas nomes nórdicos. Vou chamar ele de tio F. Ou Sr. F.

    ResponderExcluir
  8. "— Não temos tempo — falei. — Ele está morrendo.
    Mallory engasgou com as lágrimas.
    — Você não pode. Não. Mestiço Gunderson, eu odeio tanto você.
    Ele tossiu. Os lábios dele ficaram manchados de sangue.
    — Também odeio você, Mallory Keen."

    QUE OTP MARAVILHOSO,EU QUASE CHOREI JUNTO

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!