30 de outubro de 2015

Seis

Quando cheguei ao sexto período de Arte fiquei aliviada ao ver que Damen já está ali. Desde que o Sr. Robins nos manteve muito ocupados em Inglês e mal nos falamos no almoço. Espero com impaciência um pouco de tempo a sós com ele. Ou pelo menos tão a sós como pudesse estar em uma turma com outros trinta estudantes.
Mas depois de colocar o meu avental e buscar o meu material do armário, o meu coração afundou quando vejo, mais uma vez, Roman tomar o meu lugar.
— Oh, ei, Ever. — Ele balança a cabeça, colocando sua tela branca em meu cavalete enquanto eu fico ali, segurando meus materiais nos braços e encarando Damen que está tão imerso em sua pintura, e está completamente alheio a mim.
E estou a ponto de dizer a Roman para dar o fora, quando me lembro das palavras de Haven, como ela disse que eu odiava as pessoas novas. E temendo que ela pudesse ter razão, forço um sorriso em meu rosto e coloco minha tela em um cavalete do outro lado de Damen, prometendo a mim mesma, chegar mais cedo amanhã e assim conseguir recuperar meu espaço.
— Então, me digam. O que estamos fazendo aqui, amigos? — Pergunta Roman.
Acomodando um pincel entre os dentes da frente, e olhando de relance entre Damen e eu.
E essa é outra coisa. Normalmente, eu acho sotaques britânicos realmente atraentes, mas com esse cara, são só chiados. Mas isso provavelmente é porque isso é totalmente falso. Quero dizer, é tão óbvio a maneira como ele só escorrega quando quer parecer genial.
Mas no momento em que penso isso, me sinto culpada de novo. Todos nós sabemos que se esforçar muito para parecer genial é apenas outro sinal de insegurança. E quem não se sentiria inseguro em seu primeiro dia na escola?
— Estamos estudando os ismos” —  lhe digo. Determinada a jogar bem, apesar do zunido irritante em meu estômago. — No mês passado chegamos a escolher nossa própria seleção, mas este mês, todos nós estamos fazendo o foto realismo desde que ninguém escolheu desta vez.
Roman me olha, do meu cabelo crescido e visualizando seu caminho até chegar as minhas sandálias havaianas douradas – um lento, vagaroso cruzeiro ao longo do meu corpo que faz meu estômago ir todos os nervos e revirar – e não de um modo bom.
— Correto. Então você faz parecer real então, como uma fotografia — ele disse, seus olhos nos meus.
Encontro seu olhar. Um olhar que ele insiste em sustentar durante vários segundos bastante longos. Mas me nego a me retorcer ou desviar o olhar primeiro. Estou decidida a permanecer no jogo todo o tempo que tiver. E embora possa parecer totalmente ridículo na superfície, algo sobre ele parece obscuro, ameaçador, como algum tipo de desafio.
Ou talvez não.
Porque logo depois que eu penso isso, ele diz.
— Essas escolas americanas são impressionantes! Lá em casa, a encharcada velha Londres... — ele pestanejou. — É sempre a teoria sobre a prática.
E imediatamente estou envergonhada por todos meus pensamentos injustos. Porque aparentemente, ele não é só de Londres, o que significa que seu sotaque é real, mas Damen, cujo os poderes psíquicos são muito mais refinados do que o meu, não demonstra o mínimo alarme. Se em alguma coisa, parece agradar-lhe. O que é ainda pior para mim, porque mostra que praticamente Haven está certa.
Realmente sou ciumenta, e possessiva. E paranoica. E aparentemente eu odeio pessoas novas também.
Assim eu tomo um profundo suspiro e tento de novo. Falando sobre o nó na garganta e o nó no estômago, decidida a soar amistosa, inclusive se isso significa que tenho que fingir a princípio.
— Pode pintar o que quiser. — Eu digo, usando otimista voz amistosa, que na minha antiga vida, antes da minha família inteira morrer em um acidente e Damen me salvar fazendo-me imortal, era certamente a única voz que eu sempre usei. — Só tem que fazê-la parecer real, como uma fotografia. Na verdade, supunha-se que usamos uma fotografia real para mostrar a base de nossa inspiração, e, naturalmente, para fins de classificação também. Você sabe, por isso podemos provar que realizamos o que propusemos fazer.
Eu olhei de relance para Damen, me perguntado se ele está escutando alguma coisa disso e me sentindo irritada já que ele prefere sua pintura em vez de se comunicar comigo.
— E o que ele está pintando? — Roman pergunta, assentindo para a tela de Damen, uma pequena representação dos campos floridos de Summerland. Cada folha de grama, cada gota de água, cada pétala de flor, tão luminoso, tão texturizado, tão tangível, é como estar lá. — Parece o paraíso. — Ele acena.
— Isso é — eu sussurro, tão impressionada com a pintura que respondi muito rápido, sem tempo para pensar sobre o que acabei de dizer. Summerland não é apenas um lugar sagrado – é o nosso lugar secreto. Um dos muitos segredos que prometi guardar.
Roman olha pra mim, as sobrancelhas levantadas.
— Então é um lugar real?
Mas antes que eu possa responder, Damen balança a cabeça e diz:
— Ela gostaria. Mas eu o inventei, só existe na minha cabeça. — Então ele me lança um olhar, transmitindo por telepatia a mensagem de – cuidado.
— Assim como você cumpre a tarefa, então? Se não tem uma foto para provar que existe. — Pergunta Roman, mas Damen só dá de ombros e volta a pintar.
Mas como Roman continua olhando para Damen e eu, seus olhos claramente desaprovando e questionando, sei que não posso deixar assim. Então olho pra ele e digo:
— Damen não é bom em seguir regras. Prefere fazer por si mesmo. — Recordando todas as vezes que ele me convenceu de faltar a escola, apostar nas corridas, e coisas piores.
E quando Roman assente e se vira para sua tela, e Damen me envia um ramalhete telepático de tulipas vermelhas, sei que funcionou – nosso segredo está a salvo e tudo está bem. Então, eu mergulho meu pincel em algumas tintas e voltar ao trabalho. Ansiosa para o sino tocar para que possamos voltar para minha casa, e vamos começar a verdadeira lição.
Depois da aula, nós arrumamos nossas coisas e seguimos para o estacionamento. E apesar da minha tentativa de ser gentil com o cara novo, não posso deixar de sorrir quando vejo que ele está estacionado claramente do outro lado.
— Te vejo amanhã — eu chamo, aliviada por colocar alguma distância entre nós. Porque apesar da paixão cega imediata de todos por eles, eu simplesmente não sinto isso, não importa o quanto eu tente.
Abro meu carro e atiro minha bolsa no chão, começando a deslizar no meu banco quando digo a Damen:
— Miles tem ensaio e estou indo direto para casa. Quer me seguir?
Eu viro, surpreendida ao encontrá-lo parado diante de mim, balançando sempre tão ligeiramente de um lado para o outro com um olhar tenso em seu rosto.
— Você está bem? — eu levanto minha mão para o seu rosto, sensação de calor ou umidade, algum sinal de desconforto, embora eu realmente não esperava encontrar nenhum. E quando Damen balança a cabeça e olha pra mim, por uma fração de segundos todas as cores foram drenadas imediatamente. Mas logo desapareceu tão rápido como apareceu.
— Desculpe, eu só – minha cabeça parece um pouco estranha. — Ele disse, beliscando a ponte do seu nariz e fechando seus olhos.
— Mas eu pensei que você nunca ficasse doente, que não ficássemos doentes. — Eu digo, incapaz de esconder o meu alarme enquanto alcanço minha bolsa. Pensando que um gole do suco imortal poderia fazê-lo se sentir melhor já que ele precisa muito mais do que eu. E mesmo não estamos exatamente certos do por que. Damen supõem que está bebendo por seis séculos pode ter causado uma espécie de dependência, precisando consumir mais e mais a cada ano que passa. O que provavelmente significa que vou acabar precisando também de mais. E mesmo que pareça ser um caminho longo, eu só espero que ele me mostre como fazê-lo para que assim eu tenha que aborrecê-lo por recarregá-los todo o tempo.
Mas antes que eu possa chegar ao suco. Ela alcança sua própria garrafa e toma um longo sorvo voraz, puxando-me para ele e pressionando os lábios no meu rosto, quando ele diz:
— Eu estou bem. De verdade. Corra para casa.

11 comentários:

  1. Fernanda Boaventura8 de novembro de 2015 19:38

    isso é estranho...

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  2. Ñ gosto desse cara -.-

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  3. N entendo pq damen n liga pra ela e manda ela correr pra casa! Msm pq ele n se alterou nem um pouco com o recem chegado msm vendo que ele estava claramente enteressado nela!

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  4. O q ta acontecendo com o Boy magia? Se ele morrer eu mato ele ;-;

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  5. ninguem notou as havaianas kkkkk

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    1. Sim eu .. kkkkk eu fiquei , Oi ? Eu li isso direito ? O-k-a-y né kkkk
      Leticia x

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  6. Vou parecer paranoica também se disser que acho que esse mal estar de Damen tem alguma coisa a ver com esse Roman?

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    1. Então sommos duas paranoicas Valentina. Tammbém acho que está relacionado.

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  7. realmente ele me intriga sera q ele tem msm alguma coisa a ver com o mal estar de damen....

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  8. quando comecei a ler achei q talvez esse Roman poderia ser a reencarnaçao de Drina

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