31 de outubro de 2015

Quatro

Enquanto me dirigia para minha classe de história estava me perguntando que seria pior ver Roman ou o Sr. Muñoz? Porque embora não tenha visto nem falado com nenhum deles desde sexta-feira passada quando meu mundo inteiro se veio abaixo não há dúvida de que a situação com eles estava estranha.
Meu último contato com o Muñoz consistiu em minha versão sentimental e não só confessando os meus poderes psíquicos, que é algo que nunca faço, mas também o encorajando a namorar com a minha tia Sabine, que é algo que eu realmente me arrependo. Foi horrível, só não tão horrível quanto os meus últimos momentos com Roman, quando mirei com meu punho contra seu chakra do umbigo, determinada não só a matá-lo como apagá-lo completamente. E eu teria feito exceto pelo fato de que estava totalmente sufocada e ele fugiu. E embora em retrospectiva isso provavelmente aconteceu para meu bem, ainda estou tão furiosa com ele, o que quem diria que não o tentaria outra vez?
Mas a verdade é, que não vou tentar de novo. E não só porque Damen passou toda a aula de inglês me dizendo telepaticamente que a vingança nunca é a resposta, que o carma é o único e verdadeiro sistema de justiça, e muito mais blá, blá, blá, mas principalmente porque não certo.
Apesar do fato de que Roman me enganou e da pior maneira, me deixando absolutamente sem nenhuma razão para confiar nele de novo, não tenho o direito de matá-lo. Isso não resolverá meu problema. Não vai mudar coisa alguma. Mesmo que seja horrível, malvado e tudo.
― Bem, aí está meu macaco atrevido!
Ele desliza a meu lado, com o cabelo loiro todo despenteado, os olhos azuis como o oceano, e os dentes brancos e brilhantes, estirando tranquilamente seu forte braço bronzeado através da porta da sala de aula, cuidando de não aproximar-se muito.
E isso é o bastante. O irritante ronronar de seu sotaque Britânico pouco convincente e sua completa malevolência de olhar-me de lado já me bastam para querer matá-lo de novo. Mas não o farei.
Prometi ao Damen que ele permaneceria a salvo na classe.
― Então me diga Ever, como foi seu fim de semana? Você e Damen desfrutaram de uma boa noitada? Ele foi capaz de sobreviver a você por acaso?
Aperto meus punhos, imaginando como seria se aquele monte de roupa de grife virasse uma pilha em pó, apesar do voto de não-violência que tomei.
― Porque se você não ouviu o meu conselho e levou aquele velho dinossauro para dar um passeio, então suponho que terei que te oferecer meus mais profundos sentimentos. — Ele assente, o olhar fixo sobre o meu, baixando a voz enquanto acrescenta. ― Mas não se preocupe, não estará só por muito tempo. Uma vez que o período de luto apropriado termine, estarei encantando de intervir e encher o vazio que sua extinção deixou.
Concentro-me em minha respiração, mantendo-a lenta e constante enquanto pego o forte, bronzeado e musculoso braço que bloqueia meu caminho, sabendo que tudo o que necessito é um bom golpe de caratê para rompê-lo pela metade.
― Inferno, mesmo que consiga se conter e mantê-lo vivo, basta falar e eu estarei a seu lado.
Ele sorri, me fitando da maneira mais íntima.
― Mas não precisa responder ou comprometer-se ainda. Você tem o tempo que quiser. Porque, Ever, te garanto, diferente do Damen, sou um homem que pode esperar. Além disso, é só questão de tempo antes que venha para mim.
― Só há uma coisa que quero de você. — Estreito meu olhar até que tudo o que está nos rodeando se distorce. ― Que você me deixe em paz! — O calor subindo por minhas bochechas enquanto ele me fita descaradamente.
― Creio que não, querida... — ele ri, me examinando e balançando sua cabeça. ― Confie em mim, você irá me querer de qualquer maneira, mas não se preocupe, esperarei todo o tempo que for necessário. É Damen que me preocupa. E você deveria preocupar-se também. Pelo que vi aqueles últimos seiscentos anos, ele é um homem impaciente. É um pouco materialista. Não espera muito tempo por algo, isso é tudo o que te posso dizer.
Ouço com dificuldade e me esforço por manter a calma, me precavendo para não cair em sua armadilha. Roman tem a destreza de achar minha fraqueza, minha criptônima psicológica por assim dizer, e vive para explorá-la.
― Não me interprete mal, ele sempre foi um guardião das aparências, usou o bracelete negro e parecendo inconsolável no velório, mas confie em mim, Ever, o musgo não tem tempo de aderir-se a seu sapato antes que ele volte para espreita. Procurando afogar suas penas em algo ou deveria dizer em quem quer possa. E embora prefira não acreditar, tome em conta de alguém que esteve ali todo o tempo. Damen não espera por ninguém. E certamente nunca esperou por você.
Respiro fundo, enchendo minha cabeça com palavras, música, equações matemáticas que se estendem muito além de minhas capacidades, algo para afogar as palavras que são como flechas cuidadosamente afiadas e dirigidas a meu coração.
― Sim. O vi com meus próprios olhos!
Sorri enquanto troca de posição em seus luxuosos sapatos londrinos e se apoia na parede.
— Drina viu também. Rompeu seu pobre coração. Embora, diferente de mim e temo, que também que diferente de você, o amor de Drina era incondicional. Disposta a recebe-lo sem importar onde tivesse estado, sem fazer perguntas. Algo que você nunca faria.
― Isso não é verdade! — Gritei, com voz rouca, seca, como se fora a primeira vez que a usasse o dia todo. ― Eu tive o Damen do momento em que nos conhecemos. Eu... — Paro sabendo que não devia ter começado. É inútil participar desta briguinha besta.
― Sinto muito, querida, mas está equivocada. Nunca teve o Damen em absoluto. Um beijo por aqui, um pouco de mãos suadas por lá... — encolhe os ombros, com olhar zombador. — É sério, Ever, você acha que algumas patéticas intenções de chegar aos finalmente realmente podem satisfazer a um ávido, narcisista e prepotente como ele? Por mais ou menos quatrocentos anos?
Engulo com dificuldade, me obrigando a me tranquilizar, mas não consigo quando digo:
― Isso é muito mais do que seja lá o que você teve com Drina.
— Não graças a você. — Ele cospe as palavras, com seu duro olhar fixo em mim. ― Mas, como disse, sou um homem que sabe esperar. Damen não. — Ele sacode sua cabeça. ― É uma pena que esteja tão decidida a se fazer de difícil. Você e eu somos muito mais parecidos do que pensa. Ambos suspirando por alguém que na realidade nunca teremos.
― Eu poderia te matar agora mesmo. — sussurro, com voz instável, as mãos trêmulas, embora tenha prometido ao Damen que não faria isto, inclusive porque que é o melhor. ― Poderia... — aspiro lentamente, sem querer que saiba o que só Damen e eu sabemos, que apontar ao chakra mais fraco de um imortal, uma das sete energias centrais do corpo, é a maneira mais rápida de eliminá-los.
― Poderia o quê? — Ele sorri, sua cara e sua respiração tão perto esfria minha bochecha. ― Me golpear em meu chakra, talvez?
Fico boquiaberta, me perguntando onde pôde ter aprendido isso.
Mas ele só ri, movendo a cabeça enquanto diz:
— Não se esqueça, querida. Damen esteve sob meu feitiço, o que significa que me disse isso tudo, e respondeu a cada pergunta, incluindo algumas sobre você.
Me neguei a reagir, determinada a parecer composta, imperturbável, mas já era muito tarde. Ele me pegou em cheio. E não acredito que ele não saiba.
— Não se preocupe, querida. Não tenho planos de ir atrás de você. Apesar de que é evidente que um golpe rápido no chakra da garganta é tudo o que se necessitaria para te destruir por completo.
Ele sorri, sua língua serpenteia ao redor de seus lábios.
— Estou me divertindo muito te observando contorcer ao tentar algo assim. Além disso, não demorará muito até você se contorcer debaixo de mim. Ou mesmo em cima de mim. As duas maneiras parecem boas para mim. — Ele ri, seus olhos azuis fixos nos meus, me olhando de uma maneira tão íntima e profunda, que meu estômago não podia deixar de revirar. — Deixarei a você os detalhes. Mas não importa o quanto deseje, não vai me matar também. Principalmente porque eu tenho o que quer. O antídoto para o antídoto. Eu te garanto isso. Só terá que encontrar uma forma de ganhar e terá que pagar o preço correto.
Fiquei boquiaberta, com a boca seca, recordando como na sexta-feira passada tinha afirmado a mesma coisa. Estive tão distraída pelo despertar do Damen que tinha esquecido, até agora.
Aperto meus lábios, enquanto encontro o olhar de Damen, minha esperança cresce, pela primeira vez em dias, sabendo que é só questão de tempo até que o antídoto seja meu. Só preciso encontrar uma maneira de obter o dele.
— Oh, olhe isso. — Ele sorri. — Parece que esqueceu tudo sobre nosso encontro com o destino.
Ele levanta o braço e eu começo a me afastar, mas então ele o abaixa tão rápido, rindo enquanto me mantém presa.
— Respire profundamente. — ele sussurra, seus lábios rodeiam a borda de minha orelha, seus dedos se deslizam sobre meu ombro, deixando um ar frio em seu caminho. — Não há necessidade de pânico. Não há necessidade de assustar-se de novo. Estou certo de que poderemos chegar um acordo mútuo, encontrando uma maneira que tudo funcione.
Dou-lhe um olhar, enojada pelo preço que estabeleceu, minhas palavras são lentas e deliberadas, quando digo:
— Nada do que diga ou faça poderia me convencer a me deitar com você! — Justo quando o Sr. Muñoz abre a porta, permitindo que toda a classe o escute.
— Whoa! — Roman sorri, levantando as mãos em sinal de rendição enquanto recua para o fundo da sala. — Quem disse isso, amiga? —Ele joga a cabeça para trás e ri, o que permite que sua horripilante tatuagem ouroboros pisque a vista. — Quero dizer, não quero te decepcionar, querida, mas eu procuro uma aventura, e… uma virgem seria a última coisa que eu buscaria!
Caminhei para minha mesa, com minhas bochechas coradas e meu olhar fixo no chão. Passo os próximos quarenta minutos observando como meus colegas de classe explodem em histeria cada vez que Roman dirige um asqueroso som para mim, apesar das numerosas tentativas do Sr. Muñoz de calá-los.
E no momento em que o sinal soa, eu corro para a porta. Desesperada para chegar a Damen antes que Roman o faça, convencida de que Roman fará se enfurecer e reagir, e nenhuma dessas coisas pode acontecer, agora que Roman tem a chave.
Mas justo quando ia girar a maçaneta escuto alguém dizer:
― Ever? Tem um minuto?
Detenho-me, meus companheiros se acumulam atrás de mim, desejosos de chegar ao corredor, onde possam seguir Roman e se afastarem de mim um pouco mais. Sua risada zombadora chega até mim enquanto me dirijo ao Sr. Muñoz para ver o que quer.
— Eu o fiz. — Disse sorridente, com postura rígida, e sua voz ansiosa, mas ainda mais ansioso para que eu soubesse.
Eu troco minha incômoda postura, movendo minha mochila de um ombro ao outro, desejando que tivesse tomado o tempo para aprender a remota visibilidade para poder manter um olho nas mesas do almoço e me assegurar que Damen se apegue ao plano.
— Aproximei-me dela. Tal como me disse. — Ele assente.
Eu rolo os olhos, voltando minha atenção a ele, meu estomago embrulha enquanto começo a compreender.
— A mulher da Starbucks? Sabine? A vi esta manhã. Inclusive falamos por um momento. — e ele encolhe os ombros, com o olhar à deriva, evidentemente, ainda está muito emocionado pelo evento.
Ponho-me de pé ante ele, sem fôlego, sabendo que tenho que deter isto, fazendo o que seja necessário, antes de que saia de controle.
— E tem razão. Ela é realmente agradável. De fato, provavelmente não lhe deveria dizer isso, mas vamos jantar esta sexta-feira à noite.
Aceno, em transe, as palavras passam por cima de mim, enquanto lhe dou uma olhada em sua energia e a vejo desenvolver-se em sua cabeça.
Sabine de pé na fila, ocupando-se de suas próprias coisas, até que o Sr. Muñoz se aproxima dela e sorrir, isso é uma vergonhosa paquera!
Salvo que não há vergonha no absoluto. Ao menos não por parte de Sabine. Tampouco é o caso do Sr. Muñoz. Não, a vergonha é toda minha. Estes dois não poderiam ser mais felizes.
Isto não pode acontecer. Por muitas razões, este jantar não pode acontecer.
Uma delas é que Sabine não é só minha tia, mas também minha tutora, minha guardiã, minha única parente viva no mundo inteiro! E outra razão, possivelmente inclusive mais urgente, é o fato de que, graças a minha patética e sentimental, debilidade na sexta-feira passada, Muñoz se inteirou de que sou psíquica, enquanto que Sabine não sabe!
Tomei grandes medidas para manter isto em segredo, e não há maneira em que vá ser exposta por meu apaixonado professor de história. Mas justo quando estou a ponto de lhe dizer que absolutamente, sob nenhuma circunstância, pode levar a minha tia para jantar e/ou divulgar qualquer informação que poderia ter confessado acidentalmente durante um momento de debilidade e quando estava segura de que nunca voltaria a vê-lo, ele se esclarece e diz:
― Agora deve ir e conseguir algo para almoçar antes de que seja muito tarde. Não era minha intenção te atrasar tanto, eu só pensei…
— Oh, não, tudo bem. — Digo. — Eu só…
Mas ele não me deixa terminar. Virtualmente me empurra fora da porta enquanto se despede, dizendo:
— Vamos. Vá procurar seus amigos. Só pensei que deveria te dizer obrigado, isso é tudo.

7 comentários:

  1. Respostas
    1. Ever fala dos outros mas, é uma tremenda egoísta. A tia merece ser feliz.

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  2. Ela é muito tonta,gentchiiiii!!

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  3. Por que que a Ever é quem diz se Sabine pode sair com o sr. Muñoz ou não?? Além de idiota é egoísta também.

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    1. Enganas-te!
      Foi a ever que encorajou o prof. a ir falar com a sua tia.

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  4. Ela pode deixar d ser imortal segue a vida normal dps q morrer e voltar ela fica cum o omi demora um pouco mas funciona

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  5. Lá vem a burra sendo egoísta de novo.
    Coitado do Damen se ficar com essa menina, eu tenho pena dele.
    Coitado.

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