18 de outubro de 2015

Quatro - Sério, o cara não sabe dirigir

VOCÊS JÁ OUVIRAM falar dos péssimos motoristas de Boston? Conheçam meu tio Randolph.
O cara ligou a BMW 528i (claro que tinha que ser uma BMW) e disparou pela avenida Commonwealth, ignorando os sinais, buzinando para os outros carros, costurando aleatoriamente de uma pista para a outra.
— Você errou um pedestre — falei. — Quer voltar para atropelá-lo?
Randolph estava distraído demais para responder. Ficava olhando para o céu como se procurasse nuvens de tempestade. E acelerou pelo cruzamento com a Exeter.
— E aí, para onde estamos indo? — perguntei.
— Para a ponte.
Como se isso explicasse tudo. Havia umas vinte pontes em Boston.
Passei a mão pelo banco de couro aquecido. Fazia uns seis meses que eu não andava de carro. A última vez foi no Toyota de uma assistente social. Antes disso, em uma viatura de polícia. Nos dois casos, usei um nome falso. Nos dois casos, consegui fugir, mas, nos últimos dois anos, passei a associar carros a celas. Eu não sabia se minha sorte tinha mudado hoje.
Esperei que Randolph respondesse algumas das perguntinhas irritantes que eu tinha para fazer, como, ah: Quem é meu pai? Quem matou minha mãe? Como você perdeu sua esposa e suas filhas? Você está tendo uma alucinação? Precisava mesmo passar essa colônia com cheiro de cravo? Mas ele estava ocupado demais tumultuando o trânsito.
Enfim, só para jogar conversa fora, perguntei:
— E então, quem está tentando me matar?
Ele virou na Arlington. Contornamos o Public Garden, passamos pela estátua de George Washington montado em seu cavalo, pelas fileiras de postes e cercas-vivas cobertas de neve. Tive vontade de pular do carro, correr para o lago dos cisnes e me esconder no meu saco de dormir.
— Magnus — disse Randolph — meu projeto de vida foi estudar a exploração nórdica na América do Norte.
— Uau, obrigado. Era exatamente o que eu queria saber.
De repente, Randolph lembrou mesmo minha mãe. Ele me lançou aquele olhar por cima dos óculos, a expressão exasperada, como se dissesse: Por favor, garoto, sem sarcasmo. A similaridade fez meu peito doer.
— Tudo bem — falei. — Continue. Exploração nórdica. Você está falando dos vikings.
Randolph fez uma careta.
— Bem... viking quer dizer invasor. É mais uma descrição da função. Nem todos os nórdicos eram vikings. Mas sim, estou falando deles.
— A estátua de Leif Erikson... Isso quer dizer que os vikings, quer dizer, os nórdicos, descobriram Boston? Achei que tivessem sido os peregrinos.
— Eu poderia discursar sobre esse assunto por umas três horas.
— Por favor, não.
— Basta dizer que os nórdicos exploraram a América do Norte e até construíram vilarejos por volta do ano 1000, quase quinhentos anos antes de Cristóvão Colombo. Os acadêmicos concordam quanto a isso.
— Que alívio. Odeio quando acadêmicos discordam.
— Mas ninguém sabe ao certo quão longe ao sul os nórdicos navegaram. Chegaram ao que hoje são os Estados Unidos? Aquela estátua de Leif Erikson... Aquilo foi o projeto pessoal de um sonhador dos anos 1800, um homem chamado Eben Horsford. Ele estava convencido de que Boston era a colônia nórdica perdida de Norumbega, o ponto mais distante de exploração. Ele tinha um instinto, uma intuição, mas nenhuma prova real. A maioria dos historiadores o considerava louco.
Ele olhou para mim com seriedade.
— Deixa eu adivinhar... você não acha que ele era louco. — Me segurei para não dizer: Só um louco para acreditar em outro.
— Aqueles mapas na minha mesa — disse Randolph. — Eles são a prova. Meus colegas chamam de falsificações, mas não são. Apostei minha reputação neles!
E por isso foi demitido de Harvard, pensei.
— Os exploradores nórdicos chegaram muito longe — prosseguiu. — Estavam procurando alguma coisa... e encontraram aqui. Um dos navios afundou nas proximidades. Por anos, achei que o naufrágio havia ocorrido na baía de Massachusetts. Coloquei tudo em jogo para encontrá-lo. Levei meu próprio barco, minha esposa, minhas filhas nas expedições. Na última vez... — A voz dele falhou. — A tempestade veio do nada, o fogo...
Ele não pareceu ansioso para contar o resto, mas captei a ideia geral: meu tio perdeu a família no mar. Ele tinha mesmo apostado tudo naquela teoria maluca sobre vikings em Boston.
Eu me sentia mal pelo sujeito, claro. Mas também não queria ser a próxima perda dele.
Paramos na esquina da Boylston com a Charles.
— Acho que vou descer aqui.
Tentei a maçaneta. A porta estava trancada pelo lado do motorista.
— Magnus, escute. Não foi por acidente que você nasceu em Boston. Seu pai queria que você achasse o que ele perdeu há dois mil anos.
Comecei a mexer os pés, agitado.
— Você acabou de dizer... dois mil anos?
— Aproximadamente.
Pensei em gritar e bater na janela. Será que alguém me ajudaria? Se conseguisse sair do carro, talvez eu encontrasse tio Frederick e Annabeth, supondo que eles fossem menos malucos do que Randolph.
Entramos na rua Charles e seguimos entre o Public Garden e o Common. Randolph podia estar me levando para qualquer lugar: Cambridge, North End ou algum local deserto para se livrar do meu corpo.
Tentei ficar calmo.
— Dois mil anos... bem, é uma expectativa de vida maior do que a de pais normais.
O rosto de Randolph me lembrava o do Homem da Lua dos desenhos antigos em preto e branco: pálido e redondo, com crateras e cicatrizes e um sorriso misterioso que não era muito amigável.
— Magnus, o que você sabe sobre mitologia nórdica?
Isso só melhora, pensei.
— Hã, não muito. Minha mãe tinha um livro ilustrado que lia para mim quando eu era pequeno. E não saíram uns filmes sobre o Thor?
Randolph balançou a cabeça com desprezo.
— Aqueles filmes... ridiculamente imprecisos. Os verdadeiros deuses de Asgard, Thor, Loki, Odin e o resto, são muito mais poderosos, muito mais apavorantes do que qualquer coisa que Hollywood poderia inventar.
— Mas... são mitos. Não são reais.
Randolph olhou para mim como se estivesse com pena.
— Mitos nada mais são do que histórias sobre verdades que esquecemos.
— Olha, acabei de lembrar que tenho um compromisso lá na rua...
— Um milênio atrás, os exploradores nórdicos vieram para esta terra.
Randolph passou pelo bar Cheers na rua Beacon, onde turistas encasacados tiravam fotos na frente do letreiro. Vi um panfleto amassado voando na calçada: havia a palavra DESAPARECIDO e uma foto minha antiga. Um dos turistas pisou nele.
— O capitão desses exploradores — continuou Randolph — era filho do deus Skírnir.
— O filho de um deus. Sério, qualquer lugar por aqui está bom. Posso ir andando.
— Esse homem carregava um item muito especial — disse Randolph —, uma coisa que já pertenceu a seu pai. Quando o navio afundou em uma tempestade, esse objeto se perdeu. Mas você... Você tem a capacidade de encontrá-lo.
Tentei a porta de novo. Ainda trancada.
Sabe qual era a pior parte disso? Quanto mais Randolph falava, menos convencido eu ficava de que ele era louco. A história fluía para a minha mente... tempestades, lobos, deuses, Asgard. As palavras se encaixavam como peças de um quebra-cabeça que nunca tive coragem de completar. Eu estava começando a acreditar no meu tio, e isso me deixava apavorado.
Randolph pegou o acesso para a Storrow Drive. Estacionou em frente a um parquímetro na rua Cambridge. Ao norte, depois dos trilhos elevados da estação Mass General T, ficavam as torres de pedra da ponte Longfellow.
— É para lá que vamos? — perguntei.
Randolph procurou moedas de vinte e cinco centavos no porta-copos.
— Todos esses anos, estava bem mais perto do que eu imaginava. Eu só precisava de você!
— Quanto amor.
— Você está fazendo dezesseis anos hoje. — Os olhos de Randolph dançaram de empolgação. — É o dia perfeito para recuperar sua herança. Mas também é o que seus inimigos estavam esperando. Temos que encontrá-la primeiro.
— Mas...
— Confie em mim só por mais um momento, Magnus. Quando estivermos com a arma...
— Arma? Agora minha herança é uma arma?
— Quando estiver com ela, você estará bem mais seguro. Posso explicar tudo. Posso ajudá-lo a treinar para o que está por vir.
Ele abriu a porta do carro. Antes que pudesse sair, eu segurei seu pulso.
Normalmente, evito tocar as pessoas. Contato físico me deixa apavorado. Mas precisava da total atenção dele.
— Quero uma resposta — exigi. — Uma resposta clara, sem enrolação e sem aulas de história. Você disse que conhece meu pai. Quem ele é?
Randolph colocou a mão na minha, e isso fez meu corpo se contorcer. A palma da mão dele era áspera e calejada demais para um professor de história.
— Pela minha vida, Magnus, juro que esta é a verdade: seu pai é um deus nórdico. Agora, vamos. Só podemos ficar vinte minutos estacionados aqui. Não quero levar uma multa.

51 comentários:

  1. Agora ta ficando bom, mas quero relembrar que não existem semideuses Nórdicos então espero uma boa explicação

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    1. Essa e a pergunta que vale um milhão

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    2. Eu li uma vez que existem sim filhos de asgardianos com midgardianos, mas que eles são bem raros porque os deuses, na maioria, desprezam os humanos.
      ''\( '-' )/''

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    3. Em algumas versões do mito, Thor é um semideus.

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  2. Ta, muito legal e emocionante, o pai dele é um deus nórdico, de boa, mas agora, QUAL deus nórdico? Até onde eu sei há mais de um, tipo...

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  3. "Randolph balançou a cabeça com desprezo.
    — Aqueles filmes... ridiculamente imprecisos. Os verdadeiros deuses de Asgard, Thor, Loki, Odin e o resto, são muito mais poderosos, muito mais apavorantes do que qualquer coisa que Hollywood poderia inventar."
    Olha a indireta pra MARVEL aí gente! KKKKKKKKKK

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  4. Gente, q violenssa
    — Você errou um pedestre — falei. — Quer voltar para atropelá-lo?
    me lembrou uma tirinha do wesley

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    1. adoraria que fosse ele

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    2. ele já tinha falado do filme do Thor e quem assistiu Thor 2,uma hora o Loki fala ''errou uma coluna'',quando o Thor roubou uma nave ET e pilota feito um louco Tio Rick pegou a ideia de lá

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    3. Tenho certeza absoluta que o tio Rick pegou uma pá de referência de lá, o Loki tem um sarcasmo bem parecido

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  6. SUSPENSE

    perguntas não respondidas, mais perguntas sendo feitas, um quebra-cabeça para ser montado
    clássico do tio Rick

    #partiu próximo capítulo

    ~coruja

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  7. Agora estou começando a gostar um pouco... ;)

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  8. Multa O que é isso primeiro ele fala que o menino está marcado para morrer e agora que ele é um semi deus nórdico qual é o sen tido de uma multa não é

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  9. Emocionante!!!!!!
    Como eu amo o Tio Rick <3 <3

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  10. talvez eu encontrasse tio Frederick e Annabeth, supondo que eles fossem menos malucos do que Randolph.
    Tenho certeza que são tão loucos quanto ele se não forem mais

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    1. Imagino eles falando sobre os gregos, depois romanos e ainda egípcios, então agr mitologia nórdica... devem estar MUITO doidos...

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  11. Gente! Como assim semideuses nórdicos não existem??? Já leram mitologia nórdica? Eu já. E saibam q tem uma mitologia q fala sobre um semideus filho de Odin, acho q o nome dele era Sigmurd

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  12. Entre tempestade ou fogo o mundo ira acabar lembra alguma coisa ?? Putz.. Esse capitulo foi confuso.. Sera q serei obrigada a pesquisar kda caracteristica dos deuses nordicos mesmo.. Tio Rick e dumal com esse negocio de suspense..Huuum os lobos mataram a Mae dele porem tem uma foto deles no final de cada capitulo.. Sera ??

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    1. Na verdade é "entre tempestade e fogo o mundo sera acabado ". Hellooooooo,!!!!
      Isso é a profecia dos sete grego-romana !!
      Pela capa de Merlin q confusão !!! Q mistura !!! Pelo jeito as coisas vão ficar mais lokas e divertidas agora !!!!

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    2. "Entre tempestade ou fogo o mundo ira acabar" é da versão original da profecia dos Sete

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  13. 'Não quero levar uma multa.' Desesperado......e muquirana?!

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  14. ele odeia contato físico,isso sugere que o pai dele pode ser um deus nórdico da morte,como o Nico? Deuses,é muita coisa! qualé,Tio Rick,dá um tempo!

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  15. — Mitos nada mais são do que histórias sobre verdades que esquecemos.
    Socorro amei,copiei colei usei como status em todas as minhas redes sociais e usei como legenda em umas 300 fotos,tio Rick simplesmente Perfect.

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    1. Pensei que só eu tinha amado essa frase *-*

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  16. Pelo jeito que o Magnus e descrito eu falaria que ele e filho do Thor kkkk.

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  17. Eu acho que o pai do Magnus é o Thor mas...
    "só um louco para acreditar em outro " né Anônimo

    ~coruja

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  18. — Você errou um pedestre — falei. — Quer voltar para atropelá-lo?
    Melhor fala/frase do MUNDO!

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  19. — Todos esses anos, estava bem mais perto do que eu imaginava. Eu só precisava de você!
    — Quanto amor.
    Amei!kkkkkkkkkkkkk

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  20. Tio Rick gostou mesmo do modelo percy de herói. Depois que o cabeça de algas fez tanto sucesso ele resolveu que so escreveria coisas mitológicas, com algum perspnagem com personalidade igual ao percy e se fechar bem uns personagens gregos famosos pra dar uma ajuda na divulgação. Só espero que seja melhor que HPO (amo o Percy demais pra aceitar uma serie onde ele nao seja o mais importante e tenha seus feitos desmerecidos)
    Gostei de saber que agora poderia ler sobre magnus chase, mas aconteça o que for (pra mim) os gregos sempre serão os mais legais

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    1. Concordo com você. O Percy é demais e os gregos arrasam!
      #AmoPJO

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    2. Tb concordo com vc. Os gregos pra mim foram tipo, o povo mais ininteligente da Antiguidade apesar de tudo. Eles tinha Atenas, Esparta, estátuas perfeitas, construções magníficas... E ainda assim uma necessidade imensa de explicar as coisas da natureza, a necessidade de uma força maior pra comandar tudo; e acima de qualquer coisa, uma imaginação impressionantemente fértil. Cara, a mitologia grega pra mim é a mais complexa de todas, com tantos deuses, tantos animais híbridos, tantos seres poderosos, tantas versões de explicar coisas simples que simplesmente deixam de boca aberta. O que tanta gente considera baboseira, eu considero genialidade, é incrível como a 3.000 anos atrás esse povo criou essa cultura tão excêntrica e que resiste até hj. Já amava mitologia grega bem antes de PJO e vou amar sempre ^_^


      Mas Giza S, como é isso? HPO? É tipo Harry Potter do Olimpo? Kkkkk não brincadeira @_@ ~_•

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    3. Não,chega de Percy, já tem uns 8 livros com Percy, eu quero Nico, Jason, Reyna, Annabeth, Carter, Zia, Sadie Walt, Magnus ou qualquer outro mas chega de Percy ele não é o mais importante.

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    4. To com você Allan

      Já teve muita coisa com o Percy
      E o jeito que as pessoas falam do Percy, como se ele devese estar em todos os livros do tio Rick, me irrita muito

      Tem gente muito melhor que o Percy(Magnus, Leo e Sadie são exemplos disso)

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  21. Percy fugindo do Minotauro. Sadie e Carter fugindo. Até Jason (nessa parte ele não desmaia), Piper e Leo fogem para o Acampamento. Tio Rick adora uma fuga para começar bem a história. Magnus<3 Meu sonho atual, ler uma história com ele, Percy, Sadie e Leo. E tenho que parar de ler o nome dele e pensar no sobrenome Bane.

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  22. amo os gregos mais meus bárbaros e grossos ignorantes nórdicos são meus favoritos, ninguém supera os vikings

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  23. Grega falando,gosto dos egípcios e tal ,os monstros não eram o que eu estava acostumada mas vamos manter a mente aberta ....lobos?acho q eu li sobre isso em algum lugar ....uma ideia se formando ...talvez ela vire godzilla destruindo Tóquio

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  24. Meio óbvio que a herança é a espada do verão.
    Mas porque a mãe de Magnus não o queria com o tio?
    e o lobo da capa? Parte da herança, presente do tio ou do pai?
    A arvore da capa deve aparecer no final do livro.

    Sem spoiler, pura dedução.
    ass: o poeta diário.
    (filho de Atena, seguidor de hécate.)

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  25. Tio rick sempre trolando mzs
    #Partiuproximocap

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  26. Cara, daria pra fazer crossover do universo do tio Rick com o universo Shadowhunter, já que os dois são meio "todas as lendas são reais"

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  27. "
    — Todos esses anos, estava bem mais perto do que eu imaginava. Eu só precisava de você!
    — Quanto amor." EU RI IGUAL UMA CONDENADA DISSO,SOCORRO

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  28. O que custa falar qual o deus é pai dele hein?Preciso dar aquela pesquisadinha básica no google.
    -Lisa

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