31 de outubro de 2015

Quarenta e um

Originalmente a festa seria no sábado, mas com Miles partindo na próxima semana, e com tanto que fazer mudamos para quinta-feira, o último dia de aula.
E apesar de o conhecer bem, embora seja plenamente consciente de que Damen é um homem de palavra, ainda fico decepcionada quando entro na aula de Inglês e ele não está ali.
Olho Stacia, entrecerrando seus olhos, seus lábios sorrindo, estendendo seu pé quando eu tento ir para frente, enquanto Honor se senta a seu lado, seguindo o jogo apesar de que, logo que pode encontra meus olhos no segredo que compartilhamos.
E enquanto tomo meu lugar e olho ao redor da sala, uma coisa está clara: cada um tem um casal, um amigo, alguém com quem falar. Todo mundo exceto eu. Depois de ter passado a maior parte do ano com alguém que se nega a manifestar-se, em seu assento junto ao meu, o qual esta infelizmente vazio.
Como um grande bloco de gelo onde o sol estava acostumado a estar.
Assim quando o Sr. Robins choraminga interminavelmente de coisas que na realidade a ninguém importa, incluído ele, distraio-me baixando meu escudo e apontando minha quântica ligeiramente em todos meus companheiros de classe, enchendo a habitação com uma cacofonia de cor e som, recordando como estava acostumado a ser minha vida antes de Damen quando eu estava constantemente afligida.
Sintonizo com o Sr. Robins que espera com ânsias o momento em que o último sinal soe para poder desfrutar de um comprido e agradável verão livre de nós. Depois Craig que está planejando romper com Honor no final do dia para poder tirar o máximo proveito dos próximos três meses. E outra vez a Stacia que não tem lembranças de seu breve tempo com o Damen, embora ela definitivamente ainda o queira. Depois de ter descoberto recentemente que ele surfa, ela está planejando passar o verão usando sua coleção de biquínis, determinada a começar o último ano em seus braços. E inclusive embora me incomode ver isso, obrigo-me a encolher os ombros e passar a Honor, surpresa ao ver sua agenda cheia e que não tem nada que ver com a Stacia ou Craig e sim com tudo a ver com seu crescente interesse na arte.
Defino meu enfoque, desconectando todos a fim de vê-la melhor, curiosa em saber o que está impulsionando este repentino interesse na magia, supondo que é algum inofensivo amor por Jude, e surpresa ao ver que não é nada disso. Está cansada de ser a sombra dos refletores, a B que segue a A. Cansada da vida em segundo lugar, e está planejando o dia em que se troquem as posições.
Ela olha por cima do ombro e diretamente, entrecerra os olhos como se ela soubesse o que vejo e me desafia a detê-la. Ainda aferrando o olhar quando Stacia dá uma cotovelada em seu braço, me olha, e articula a palavra fenomenal.
Faço rodar meus olhos, começando a me voltar quando ela balança seu cabelo sobre seu ombro e se inclina para mim, olhou-me quando diz:
— Então, o que aconteceu com Damen? Seu feitiço deixou de funcionar? Terá descoberto que é uma bruxa?
Movo minha cabeça e me reclino em meu assento, as pernas cruzadas, as mãos cruzadas sobre minha mesa, projetando uma imagem de calma absoluta enquanto lhe disparo um olhar tão grande e profundo que ela não pode deixar de retorcer-se. Convencida de que sou a única bruxa na habitação, sem ter ideia de que sua subordinada tem seu próprio golpe de magia previsto.
Sacudindo meu olhar para Honor, sentindo seu desafio, uma força recentemente evocada que ela nunca exibiu antes. Nossos olhares obstinados, dilatando-se, até que finalmente olho para o outro lado, me dizendo que não é da minha conta. Não tenho o direito de interferir na amizade delas, não tenho o direito de me intrometer.
Deixo fora toda a cor e o som enquanto olho para baixo de minha mesa. Rabisco um campo de tulipas vermelhas em meu caderno, tendo visto mais do que o suficiente por um dia.
Quando chego à aula de história, Roman está ali, vadiando precisamente fora da porta enquanto fala com um tipo que nunca vi antes. Os dois se detêm no momento em que me aproximo, voltando-se para mim para conseguir uma boa olhada.
Chego à porta justo quando Roman a bloqueia, sorrindo quando minha mão roça acidentalmente em seu quadril, e ri até mais quando me estremeço e me retiro. Seus olhos azuis profundos se encontram com os meus quando diz:
— Vocês dois já se conheceram? — Ele aponta para seu amigo com a cabeça.
Reviro meus olhos, querendo apenas chegar à classe e terminar de uma vez, deixando logo este miserável penúltimo ano atrás de mim e plenamente preparada para tirá-lo de meu caminho se tiver que fazê-lo.
Estala sua língua dentro de sua bochecha quando diz:
— Tão antipática. Sério, Ever, suas maneiras são carentes. Mas está longe de mim forçá-los. Outro dia talvez.
Ele cabeceia para seu amigo, incitando-o a ir-se, e estou a ponto de entrar na classe quando vislumbro algo: a falta de uma aura, a perfeição física e estou estou certa de que é o suficiente para encontrar uma tatuagem Ouroboros para confirmá-lo.
— O que está fazendo? — Eu digo, meu olhar transposto ao de Roman, me perguntando se seu amigo é um dos orfãos perdidos, ou alguma alma desafortunada que ele recentemente transformou.
Vejo o sorriso que alarga suas bochechas quando ele diz:
— Tudo é parte do enigma, Ever, que vai poder resolver muito em breve. Mas por agora, por que não só se dirige para dentro e repassa sobre sua história. Confie em mim — ri, abrindo a porta e agitando sua mão para que entre. — Não há necessidade de apressar-se. Seu tempo chegará logo.

3 comentários:

  1. Está ficando cada vez mais sinistro e confuso.

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  2. Quanto mais tento descobrir o q o Roman tá planejando mais confusa fico

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