31 de outubro de 2015

Quarenta e sete

Eu estava esperando que fosse Miles, mas ele está bem. Ajudando a limpar o desastre, sorrindo enquanto diz:
— E isso é o que se chama atuar Em Viva Firenze! — Ele golpeia seu punho no ar.
— Você está bem? — Dou-lhe uma toalha limpa, me sentindo mal por arrastá-lo a isto, e sabendo que assim que usar esta toalha, a farei desaparecer e aparecer uma nova. ― Você não está bêbado?
— De modo nenhum! Mas o ponto é, você pensou que eu estava.
Encolho os ombros.
— Você estava caminhando se arrastando, perdendo o equilíbrio, todos os sinais estavam presentes.
Enrola a toalha, a ponto de me entregar quando Jude aparece a meu lado e toma seu lugar.
— Serviço de lavanderia? — Ele pergunta, com a sobrancelha levantada.
Mas acabo por sacudir a cabeça e apontar para o cesto de papéis, olhando a Miles ao mesmo tempo enquanto pergunto:
— Então, quem fez isso, quem trouxe a bebida?
— Oh, não. — Sacode a cabeça e levanta as mãos. — Sinto muito decepcioná-la, Ever, mas esta pequena reunião é o que se conhece como uma festa e você não serviu isso, então pergunte para outra pessoa em outro lugar, porque não obterá nada de mim. — Ele aperta os seus lábios e os sela com um zíper imaginário, antes de acrescentar. — Só digo que dê um fim nesta coisa velha. — Aponta para o tapete. — Sério, vou ajudar a enrolar. Tudo o que temos que fazer é mover os móveis de lugar e Sabine não saberá de nada.
Mas acabo sacudindo a cabeça, o vômito que cobre o tapete é a menor de minhas preocupações, gora que Roman não está mais brincando. Tendo consigo Haven em algum encontro misterioso que parece que não se pode romper, e o de não poder reunir-se conosco mais tarde. Era uma referência sobre um feitiço ou algo mais?
Miles se inclina para me abraçar e me dá um apertão, muito duro, quando diz:
— Obrigado pela festa, Ever. E embora eu não saiba o que está acontecendo entre você e Damen, tenho uma coisa que dizer e espero que me escute e leve a sério. Ok? — Ele passa uma mão por sua testa e se afasta.
Encolho os ombros, com a preocupação em minha mente, em algum outro lugar.
— Você merece ser feliz. — Ele assente com a cabeça, seu intenso olhar, fixo no meu. — E se Jude te fizer feliz, então não deve se sentir mal por isso. — Espera, que responda de algum jeito, mas quando não o faço, ele acrescenta. ― Foi uma linda festa, espero que volte a repetir, de acordo? Depois de Florença, estaremos juntos de novo.
Aceno com a cabeça, vendo como ele e seus amigos, caminham para a porta, quando o chamo:
— Ei, Miles, Roman ou Haven mencionaram aonde iriam? — Miles me olha, juntando suas sobrancelhas, quando diz:
— Adivinha.
Eu entorto os olhos enquanto meu estômago se afunda embora não tenho ideia do porquê.
— Recorda o outro dia, quando queríamos fazer uma consulta?
Assento com a cabeça.
— Haven mencionou a Roman e ele organizou uma leitura privada.
— Tarde assim? — Olho meu pulso para confirmar a hora, mas não estou com meu relógio.
Mas Miles só encolhe os ombros e se dirige ao carro, por isso me pergunto se não deveria ver em sua cabeça também. Tente pegar com Roman e Haven e certifique-se que ela está bem. Mas quando eu tento me acostumar com sua energia novamente, eu não vou muito longe. Na verdade, eu não entendo nada. Disposta a voltar a tentar quando Jude se aproxima e diz:
— Realmente precisa se desfazer desse tapete. Cheira horrível.
Aceno com a cabeça, distraída, sem saber o que fazer.
— Sabe que é o que poderia ajudar?
— Grãos de café. — murmuro, recordando como fez minha mamãe uma vez quando Buttercup comeu algo que não servia e adoeceu no quarto de Riley.
— Bom, sim, isso, mas eu estava pensando mais em como fugir do fedor. Sempre funciona para mim.
Eu olho para ele, seu rosto iluminando em um sorriso.
— Sério. — Envolve seu braço no meu e me leva para fora. — Qual é o ponto de todo este problema, todos aproveitaram a festa, a decoração e a comida. Fez todo o possível para que seu amigo se divertisse em sua festa de despedida e você passou a noite inteira no banquinho, vendo, observando, mas não participando?
Olho para o outro lado.
— A festa era para Miles, não para mim.
— Ainda assim. — Jude sacode a cabeça, me olhando de uma maneira que envia um fluxo de calma através de mim. — Você está um pouco estressada, e você sabe o que mata o estresse, não? — Olho para ele, já que ele sorri quando diz: — Bolhas.
— Bolhas?
Aponta para a jacuzzi.
— Bolhas. — Seu rosto sério, com seu olhar fixo no meu.
Eu respiro fundo e olho a jacuzzi, quente, acolhedora, e sim, muito borbulhante. Vendo como Jude agarra algumas toalhas e as põe na borda, e pensando que eu não tenho nada que perder, que só poderia ajudar a limpar minha cabeça o suficiente para chegar a um novo plano, dou as costas e tiro meu vestido. É absurdo sentir vergonha quando logo estarei meio nua, mas ainda assim, frente a ele, é muito.
Muito parecida com a garota na pintura.
Ele se dirige para a borda e mergulha um dedo do pé dentro, os olhos vão de largura de tal forma que eu não posso deixar de rir.
― Você tem certeza disto? — Eu envolvo meus braços ao redor de minha cintura, como se tivesse frio, quando na realidade só estou tentando desviar o olhar. Ao ver a forma como sua aura está em faíscas e chamas, como ele me olha fazendo com que minhas bochechas se ruborizem e tenha que desviar o olhar.
— Definitivamente. — Ele assente com a cabeça, com a voz grosa, áspera, vendo quando entro na jacuzzi, fazendo uma careta ao primeiro contato com a água quente e logo pouco a pouco de alivio ao me sentir imersa no calor e nas bolhas, pensando que isto é o mais inteligente que poderia ter feito.
Fecho os olhos e me inclino para trás, afrouxando os músculos, me relaxando, quando Jude diz:
— Há espaço para mais um?
Entorto os olhos, vendo como tira a camisa, a extensão de seu peito com abdominais definidos, dois troncos que penduram sobre seus quadris, fazendo meu caminho de volta através de suas covinhas e todo o caminho até seus olhos, duas piscinas de cor verde água que tenho conhecido através dos anos. Vendo como se move para frente, a ponto de afundar quando se lembra que seu telefone está no bolso e o deixa cair sobre a toalha.
― De quem foi esta ideia? — Ele ri, encolhendo-se contra o vapor e calor quando se senta a meu lado e estira as pernas, seus pés acidentalmente aterrissam nos meus, e os deixa repousar um momento antes de tirá-los. — Sim, isto é vida. — Ele diz, inclinando a cabeça para trás fechando os olhos, e logo me olhando quando acrescenta: — Por favor, me diga que usa isto todo o tempo, que não só o faz porque estou aqui te persuadindo.
― É isso o que está acontecendo? Estou sendo persuadida?
Ele sorri, relaxado, com um sorriso fácil seu iluminando e seus olhos brilhando.
— Parece que você necessita de um pouco de convencimento. Não sei se você percebeu, mas isto pode ser um pouco mais intenso.
Engulo seco, com vontade de olhar para o outro lado, mas não posso sair de seu olhar.
— Não que seja ruim, ser intenso, é…
Seu olhar se aprofunda, chato no meu, atraindo-me mais perto como um peixe em sua linha, seu rosto se aproximando tão perto, eu fecho meus olhos para encontrá-lo. Cansada de lutar, cansada e repetidamente empurrá-lo para longe. Tenho que me assegurar que é só um beijo. Um beijo de Jude. Um beijo de Bastiaan. Com a esperança de que me diga de uma vez por todas, se os medos de Damen não são de alguma maneira reais.
Sinto uma onda de energia me relaxando, me reconfortando, quando sinto seus lábios sobre os meus e uma de suas mãos sobre meu joelho, quando uma chamada telefônica nos tira do transe.
Ele se retira, com a vergonha estampada em seu rosto.
— Devo atender?
— Estou fora de serviço. — Eu encolho os ombros. — Você é psíquico, você me diz.
Ele fica de pé, virando-se para a toalha enquanto o observo, os ombros retos, o V agudo que se forma em sua cintura, me detendo quando dou uma olhada na parte baixa de suas costas. Algo redondo, escuro, apenas visível, mas ainda assim… volta-se, de novo frente a mim, com as sobrancelhas fundidas, passa o telefone para a outra orelha, quando diz:
—Alô? — E, continuando. — Quem?
Ele sorri sacudindo a cabeça, mas é muito tarde. Eu já vi.
A inconfundível silhueta de uma serpente mordendo a cauda.
O Ouroboros.
O símbolo mítico reclamado pela tribo dos imortais de Roman, uma pequena tatuagem no lado direito das costas de Jude.
Procuro meu amuleto, com dedos torpes, mas encontro minha pele somente. Pergunto-me se isto está de algum jeito conectado com o fato de que o feitiço ter dado errado, se Roman organizou tudo isto.
― Ever? Sim, ela está aqui. — Ele me olha, fazendo uma careta, quando acrescenta, — OK…
Me olha com o braço estendido, tentando me passar o telefone.
Mas eu simplesmente o ignoro, saindo do jacuzzi tão rápido que ele balança a cabeça e pisca. Agarro meu vestido e ponho dele por cima de minha cabeça, sentindo quando ele me detém, e suas mãos se agarram a minha pele. Pergunto-me que demônios está fazendo.
— É para você. — Ele diz, saindo da jacuzzi e tentando me dar de novo.
— Quem é? — Eu pergunto, voz apenas um sussurro. Mentalmente recito a lista dos sete chacras e suas debilidades correspondentes, tentando determinar o seu.
— É Ava. Ela diz que precisa falar com você. Você está bem? — Ele aperta os olhos, cabeça inclinada para o lado, preocupação nublando seu rosto.
Eu dou um passo atrás, sem ter certeza do que está acontecendo, mas sabendo que é muito longe de ser boa coisa. Dirijo-me diretamente a sua aura, tentando entrar em sua mente, mas não vejo nada, graças ao escudo que ele construiu.
― Como ela conseguiu seu número? — Eu lhe exijo, com o olhar fixo nele.
— Ela estava acostumada a trabalhar para mim, lembra? — Ele encolhe os ombros, com as mãos no ar. — Ever, sério, o que está acontecendo?
Eu olho para ele, coração acelerado, minhas mãos estão tremendo, assegurando a mim mesma que posso controlar isto.
— Deixa o telefone aí.
— O que?
— Coloque-o para baixo. Bem aí. — Aponto para uma poltrona, meu olhar nunca deixando o dele. — Agora se afaste, não se aproxime.
Ele me lança um olhar, mas não diz nada. Caminho até a jacuzzi pegou o telefone ainda segurando seu olhar.
— Ever? — A voz entrecortada, urgente, e sem dúvida pertence a Ava. — Ever, preciso que escute, não há tempo para explicações. — Eu fico parada, entorpecida, chocada, ainda olhando para Jude enquanto ela diz: — Algo aconteceu, Haven está com problemas, apenas respira. Vamos perdê-la a se não vier ver Roman, agora mesmo.
Eu balanço a cabeça, tentando encontrar sentido no que ela diz.
— Do que está falando? O que está acontecendo?
— Só necessito que chegue aqui agora, depressa, antes que seja muito tarde!
— Chama o 911! — Grito, ao escutar um som surdo, uma luta, e depois a suave voz de Roman.
— Não haverá nada disso, querida. — Ele ronrona. — Agora seja uma boa jogadora e venha aqui rápido. Sua amiga queria ver uma adivinha, e agora, infelizmente, seu futuro não está tão brilhante. Ela está pendurada por um fio, Ever. Um fio, eu lhe digo. Então faça a coisa certa e venha. Parece que é hora de você resolver o enigma.
Deixo cair o telefone e me dirijo para a porta, com Jude atrás, pedindo explicações. E quando ele comete o erro de agarrar meu ombro. Volto-me e o golpeio tão forte que ele voa pelo pátio e se choca com as cadeiras.
Volta-se para mim, entre as cadeiras e móveis, atirados por toda parte, quando viro sobre meu ombro e lhe digo:
— Pegue suas coisas e suma daqui. Não quero te ver quando voltar.
Passo através da porta e começo a correr, esperando que possa chegar até Haven, antes que seja muito tarde.

5 comentários:

  1. Tipo, eu desconfiava que ele fosse imortal, mas... Não como o Romen!

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  2. Eu acho que isso é uma enrascada pra prenderem e ver, mds.

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  3. eu acho q ever ta vendo coisas, por causa f feitiço ... sei la

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  4. AÇÃO. ..🚨⚠⏳

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  5. toda vez essa amiga dela se mete em uma enrascada menina idota affs

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Boa leitura, E SEM SPOILER!