31 de outubro de 2015

Quarenta e quatro

Miles e Holt chegaram juntos, e quando eles dão uma olhada a nossa decoração, Miles fica totalmente surpreso.
― Nem sequer tenho que ir a Florença agora que trouxe Florença até mim! — Ele me abraça, afastando-se rapidamente quando diz: ― Sinto muito, esqueci-me do muito que odeia ser tocada.
Mas eu simplesmente sacudo minha cabeça e o abraço de novo, me sentindo bastante bem apesar de Romy e Rayne estarem paradas frente a mim, como a grande muralha do pessimismo. Com sobrancelhas levantadas, braços cruzados e lábios retorcidos, enquanto eu realizo uma rápida, mas conscienciosa meditação para amparo e concentração, imaginando fortes raios de luz branca penetrando até meus ossos e fluindo por meu corpo, em um intento de resguardar embora seja um pouco do dano que elas acreditam que causei.
Mas a verdade é, que não vejo o ponto. Depois do inicial sentimento de poder, só depois que o feitiço que vinculei estivesse completo, tudo retornou à normalidade. A única razão pela qual eu passei por sua meditação guiada foi as acalmar. Mas agora estou pensando que só se tratou de um grande mal-entendido, um completo exagero de sua parte.
Quero dizer, sou imortal, dotada de tanta força e poder que elas nem sequer podem imaginar. Assim enquanto para elas pode resultar perigoso realizar um ritual mágico durante a lua escura, seriamente duvido que represente alguma diferença para mim.
E não se passa muito tempo depois que entreguei a Miles e a Holt suas bebidas, para que a campainha soe uma e outra vez, e antes de me dar conta, minha casa está cheia com cada membro do elenco de Hairspray e seus ajudantes.
― Oh, suponho que ele não é a entrevista de Haven. A menos que tenham vindo separados — diz Miles, acenando para Jude quando ele entra no salão rindo com sua risada tranquila e servindo-se de um pouco de sangria, antes de ir-se com Holt e nos deixando a nós dois sozinhos.
― Bonita despedida — Jude assente, olhando ao seu redor. ― Me dá vontade de ir a algum lugar também.
Olho-o, sorrindo vagamente, me perguntando se notou alguma diferença em mim, uma mudança de energia, uma nova sensação de poder.
Mas ele simplesmente sorri, levantando sua taça enquanto diz:
― Paris. — Ele toma um gole e assente. ― Sempre quis ir a Paris, Londres e Amsterdã também. — Ele encolhe os ombros. ― Realmente qualquer grande cidade da Europa serviria para mim.
Eu trago com dificuldade, tratando de não me sobressaltar, me perguntando se de algum modo ele sabe. Se está enterrado em seu subconsciente, tratando de sair à superfície. Quero dizer, por que outra razão me daria toda uma lista dos lugares significativos de nosso passado?
Ele me olha, seus olhos verdes sobre os meus, sustentando o momento por tanto tempo que eu limpo minha garganta e digo:
― Hum. E aqui estava eu pensando que você faria mais o tipo Eco-aventura. Já sabe, Costa Rica, Hawai, Galápagos, procurando a onda perfeita e tudo isso.
Sabendo que a risada no final não escondeu minha repentina explosão nervosa. Estava ao ponto de continuar com algo ainda mais estúpido quando ele olhou sobre meu ombro e disse:
― Entrando.
Viro-me para encontrar Haven, absorvida pela alta, ágil e formosa garota da loja onde ela trabalha de um lado, e Roman do outro lado, enquanto o imortal de hoje do corredor da escola caminha justamente atrás dele.
Três formosos, sem aura e quase sem alma, bandidos imortais que Haven convidou sem permissão para a minha casa.
Eu trago fortemente, esgotando meus olhos quando vejo Roman, com minha mão sobre minha garganta, procurando o amuleto que escolhi deixar de usar, e me recordando a mim mesma que já não preciso dele. Agora estou no comando. Eu os chamei aqui.
― Imagino que tem bastante espaço e comida — Haven sorri. Seu cabelo recentemente pintado do mais escuro dos marrons com umas linhas platinadas à frente, tendo descartado seu usual look emo por um que é ainda mais moderno e ao mesmo tempo vintage – como um vintage pós-apocalíptico se é que isso existe.
E tudo o que eu faço é dar é uma rápida olhada na escura beleza que está a seu lado. Seu cabelo em pontas, suas orelhas cheias de perfurações, o delicado espartilho de laços de seu vestido misturado com o couro negro de suas botas, para saber quem patrocinou sua última mudança de imagem.
― Eu sou Missa. — A garota sorri. Sua voz traindo-a com um quase imperceptível acento que é irreconhecível para mim. Sua mão procurando a minha enquanto me preparo para o frio, a familiar descarga de água gelada percorrendo minhas veias confirmando minhas suspeitas, embora falhando em me indicar se ela é um dos órfãos, ou foi recentemente transformada.
― E é obvio, você conhece Roman. — Haven sorri, levantando sua mão para que eu a possa ver entrelaçada com a dele.
Mas me recuso a reagir. Me recuso a lhe deixar ver algo. Simplesmente aceno e sorrio, como se não me incomodasse nem um pouco.
Porque não o faz.
É só questão de tempo, até que Roman me entregue a cura e aceite minha oferta. Essa é a única razão pela qual está aqui.
― Oh, e este é Rafe. — Ela assente, assinalando com seu dedo ao glorioso bandido que está atrás dela.
O mesmo grupo de bandidos dos quais as gêmeas estavam falando, exceto Marco, que tem um Jaguar e parece não estar por aqui. E inclusive quando não tenho ideia do que possam estar fazendo aqui, quais poderiam ser suas razões, se eles forem amigos de Roman, as gêmeas têm todo o direito de estarem preocupadas.
Haven se dirige à multidão, desesperada em apresentar Missa e Rafe aos seus amigos, enquanto Roman fica atrás, sorrindo-me.
― Quase me havia esquecido quão boa pode ser quando se esforça um pouco — ele sorri.
Seu olhar percorrendo meu vestido turquesa, detendo-se no profundo V do pescoço, a expansão de pele descoberta onde deveria estar meu amuleto.
― Imagino qual deve ser a razão — ele assente, sinalizando para Jude. ― Já que sabemos que não se deve a mim, e Damen parece não estar por perto estes dias, não é verdade? Que houve Ever? Renunciou ao seu objetivo?
Eu estabilizei meu olhar, observando o cabelo desalinhado, sua bermuda de desenhista, sandálias de couro, e camisa de mangas largas, nada nele parece remotamente diferente, e ainda assim, ambos sabemos que o é. Esse brilho em seus olhos, seu olhar lascivo, seu intento de me envergonhar. Trata-se de uma imagem, um pouco de fanfarrona, tratando de parecer forte antes de entregar seus bens.
― Então está servindo álcool? — Aponta para a vasilha de ponche. ― Ou cada um se serve? — Diz olhando a bebida de uma forma que me põe no limite.
― Não acredito que você goste disso — encolho ombros, meu olhar no seu quando acrescento, ― Quer prová-lo? É bom para os nervos, isso lhe garanto.
Jude entorta os olhos, atraído pelo borbulhante líquido que Roman sacode diante dele. E eu estou justamente a ponto de intervir, quando Romy e Rayne descem correndo pela escada, odiando o momento em que seus olhos se encontram com os de Roman, sabendo que eu sou a responsável por ele estar aqui.
― Bem, não são as gêmeas da escola católica? — Roman sorri. Suas bochechas estiradas enquanto as observa. ― Adoro o novo look! Especialmente o seu, pequena deusa punk. — Ele assente para Rayne, fazendo-a retroceder enquanto observa seu curto vestido, meias de malha e seus sapatos Mary Jane de couro negro.
― Retornem para cima — lhes digo, desejando mantê-las tão longe de Roman quanto possível.
― E você?
Estou a ponto de dizer que estarei com elas em um minuto, quando Jude se interpõe, tomando meu braço e dizendo:
— Quer que eu as leve em casa?
E mesmo não gostando da ideia de que ele vá à casa de Damen, certa de que ele vai gostar menos ainda, realmente não há nada que eu possa fazer. Enquanto Roman estiver em minha casa, eu estou obrigada a permanecer aqui também.
Eu os acompanho à porta, Rayne puxa a manga de meu vestido, me nivelando a sua altura quando diz:
― Não sei o que foi que fez, mas algo mau está cozinhando.
Olho-a, a ponto de refutá-lo, de lhe dizer que não se trata de nada mau, que tudo está controlado, mas ela simplesmente sacode sua cabeça e acrescenta:
― As mudanças se aproximam. Grandes mudanças. E desta vez, será melhor que escolha bem.

3 comentários:

  1. Tô começando a duvidar que ela saiba fazer uma escolha certa! To com vontade de saltar para o ultimo livro...

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  2. Essa Haven é uma "maria vai com as outras" qualquer um influencia ela..aff e agr tenho quase certeza de vai dar M. nessa festa por causa dela e "seus amigos"

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  3. As vezes da vontade de parar de ler essa série só por causa das burrices da ever... Mas a curiosidade é maior😠😠

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