31 de outubro de 2015

Quarenta e cinco

No momento em que Jude retorna, estou ao lado da piscina, olhando o loiro, bronzeado, fisicamente glorioso e mimado Roman convidando todos a saltarem na piscina e se unirem a ele.
— Não é um fã? — Jude diz, sentando-se ao meu lado e me olhando estreitamente.
Eu franzo o cenho, vendo que a luz da aura de Haven se parece com os fogos de Quatro de Julho. Brilhando mais e mais, quando ela se agarra às suas costas enquanto mergulha, sem ter ideia de que na realidade esta não é sua festa como ela pensa. Eu sou a que o trouxe aqui. Está unido a mim agora.
— Está preocupada por teu amigo, ou é algo mais?
Agito com a pulseira em forma de ferradura de cristal no meu pulso, a que Damen me deu naquele dia na pista, virando-a ao redor e ao redor, enquanto estreito meus olhos. Perguntando o que está demorando tanto. Se a magia realmente funcionou (e eu sei que sim), então por que não tenho o antídoto agora? Por que ele está demorando?
— Então, as gêmeas, estão bem? — Eu lhe digo, desviando meu olhar para longe da piscina e me concentrando em Jude.
Meus olhos se encontram com ele, quando diz:
— Damen pode ter tido razão sobre o livro. É muito forte para elas.
Pressiono os lábios, com a esperança de que Damen não saiba que fui atrás dele e que interferi em seu plano.
— Não se preocupe. — Jude assente com a cabeça, lendo minha expressão. — Seu segredo está a salvo. Eu inclusive não o mencionei.
Suspiro aliviada.
— Viu Damen? — Eu lhe pergunto, sentindo endurecer minha garganta, me apertando o coração. Só o fato de mencionar seu nome faz com que meu interior se desespere, imaginando como deve ter se sentido ao ver o mesmo homem de suas vidas passadas, o mesmo homem a quem abracei na praia, de pé na entrada de sua casa, com Romy e Rayne a seu lado.
— Ele estava fora quando eu cheguei lá, e os gêmeos estavam tão assustados que eu esperei até ele voltar. E que bela casa ele tem.
Apuro os lábios, me perguntando o que ele viu, se as gêmeas fizeram um passeio pela casa, se o quarto especial de Damen está restaurado.
— Eu acredito que ele se surpreendeu ao me encontrar vendo televisão em sua casa, mas uma vez que lhe expliquei, tudo ocorreu bastante bem.
— Bastante? — Eu levantei minha sobrancelha.
Ele encolhe os ombros, me olha, com esse olhar tão fixo, tão aberto, como o abraço de um amante. Me viro e com a voz tremula, instável, digo:
— Então, como você explicou?
Seu fôlego frio em minha bochecha enquanto se inclina e sussurra:
— Eu lhe disse que as encontrei no ônibus e decidi parar e lhes dar uma carona. Não há nada de mal, certo?
Respirei profundamente e me concentrei em Roman, vendo ele levantar Haven sobre seus ombros para que ela pudesse brigar com Miles. Espirrando e brincando, e, na superfície de qualquer maneira, engajar-se em nada além de uma boa diversão limpa - até que Roman se vira, e o tempo parece parar. Se reúne com meus olhos, seu olhar é brilhante, zombador, como se ele soubesse o que eu tinha feito. E antes de que possa piscar ele volta a brincar, o que faz com que eu me pergunte se realmente viu o que eu pensava.
— Não, não há nada de mal. — Eu digo, uma dor terrível invade minhas vísceras, me perguntando o que eu iniciei.

Um comentário:

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Boa leitura, E SEM SPOILER!