30 de outubro de 2015

Quarenta e cinco

— Oh – meu Deus. Eu totalmente fui reprovada — Rachel gemeu, jogando seu cabelo castanho ondulado por cima do ombro e revirando os olhos. — Quer dizer, eu mal estudei na noite passada. Sério. E então eu fiquei até tarde escrevendo mensagens — Ela olha para mim, os olhos arregalados quando ela balança a cabeça. — De qualquer forma. Tudo que você precisa saber é que a minha vida como nós conhecemos acabou. Portanto, dê uma boa olhada em mim agora, porque assim que as notas forem lançadas e os meus pais saberem, eu vou ser enterrada. O que significa que esta é praticamente a última vez que você vai me ver.
— Por favor. — Reviro os olhos. — Se alguém foi reprovado, ambos sabemos que sou eu. Eu tenho perdido essa classe todo ano! E não é como se eu fosse ser uma cientista ou qualquer coisa. Não é como se eu sempre vá usar as informações. — Eu paro apenas tímida para a sua gaveta, vendo como ela a destrava e joga uma pilha de livros dentro.
— Estou feliz que acabou e que as notas não sairão até a próxima semana. O que significa que é melhor eu viver até quando eu puder. E por falar nisso – a que horas eu deveria dançar esta noite? — Ela pergunta, suas sobrancelhas levantadas altas estão escondidas sob sua franja.
Eu mexo minha cabeça e suspiro, percebendo que eu não lhe disse e ainda sabendo que ela vai ficar louca.
— Sobre isso... — Eu ando ao lado dela quando entramos no estacionamento, dobrando meus longos cabelos loiros atrás da minha orelha quando eu digo, — ligeira mudança de planos. Minha mãe e meu pai estão saindo e eu supostamente tenho que ser babá de Riley.
— E como isso é uma ligeira mudança de planos? — Rachel para muito perto do lote, com os olhos varrendo as linhas de carros, determinada para ver quem está andando com quem.
— Bem, eu pensei que talvez depois que ela dormisse, você poderia vir e — Mas eu paro, não me preocupando em terminar pois esta claro que ela não está escutando. No segundo em que eu mencionei minha irmã, eu a perdi. Rachel é aquela criança rara que nunca fantasiou ter um irmão ou irmã. Partilhar os holofotes só não é uma coisa dela.
— Esqueça isso — diz ela. — Gente pequena tem dedos pegajosos e orelhas grandes, você não pode confiar. Que tal amanhã?
Eu mexo minha cabeça.
— Não posso. É o dia da família. Estamos todos indo até o lago.
— Viu. — Rachel acena. — Esse é exatamente o tipo de coisa que você não tem que lidar quando seus pais se separam. Em nossa casa, o dia da família é quando todos se reúnem para lutar em busca do apoio a criança.
— Você não sabe a sorte que têm — eu disse, lamentando no segundo em que a piada saiu.
Porque não só é uma mentira total, mas alguma coisa me deixa triste e me faz sentir tão culpada que eu desejo que eu pudesse pegar isso de volta.
Mas não é como se Rachel estivesse ouvindo de qualquer maneira. Ela está muito ocupada tentando conseguir a atenção da maravilhosa Shayla Sparks, que é a estudante mais legal caminhando pelos corredores da escola. Freneticamente acenando e parando pouco menos de saltar para cima e para baixo e gritando como um grou pie, na esperança de conseguir a atenção de Shayla enquanto ela caminha até seu Bug VW céu- azul com todos os seus amigos legais. Então ela abaixa sua mão e coça sua orelha fingindo que não está nem um pouco constrangida quando Shayla não a reconhece.
— Confie em mim, esse carro não é tão maravilhoso — digo, verificando o meu relógio e olhando ao redor, pensando apenas onde Brandon esta desde que ele realmente deveria estar aqui agora. — O Miata dirige melhor.
— Desculpe-me? — Rachel espreita em mim, as sobrancelhas unidas em completa descrença. — E desde quando você já dirigiu um?
Eu olho furtivamente, ouvindo as palavras se repetirem na minha cabeça e não tenho ideia do por que eu as disse.
— Hum, eu não. — Eu dou de ombros. — Eu – eu acho que devo ter lido em algum lugar. — Ela me olha, seus olhos se estreitando enquanto trabalham numa maneira olhando para abaixo de minha roupa, pairando em meu suéter preto de gola V e para baixo na minha calça jeans que está se arrastando no chão.
— E onde você conseguiu isso? — Ela agarra meu pulso.
— Por favor. Você viu isso como um milhão de vezes. Eu ganhei no Natal passado — digo, tentando me libertar de suas garras quando Brandon vem em minha direção, pensando em como ele é bonito quando o seu cabelo cai em seus olhos. — Não o relógio boba, isso! — Ela bate na pulseira que está ao lado do relógio, a com a ferradura prata incrustada com pedaços de cristal rosa – a única que não é nem um pouco familiar mas que de alguma forma consegue fazer o meu estômago ficar todo estranho quando eu olho para ela.
— Eu – eu não sei — murmuro, estremecendo quando vejo ela embasbacando sobre mim como se eu estivesse perdendo isso. — Quero dizer, eu acho que a minha tia poderia ter enviado a mim, você sabe, aquela que eu te falei, aquele que vive em Laguna Beach –
— Quem vive em Laguna Beach? — Brandon pergunta, deslizando o braço em volta de mim, quando Rachel olha entre nós, revirando os olhos quando ele se inclina para me beijar. Mas alguma coisa sobre a sensação dos seus lábios é tão estranha e inquietante, que eu rapidamente me afasto.
— Meu carro esta aqui — diz Rachel, correndo em direção ao SUV de sua mãe e chamando por cima do ombro dizendo: — Me deixe saber se alguma coisa mudar – você sabe, sobre esta noite?
Brandon olha para mim, me puxando mais apertado contra ele até que eu estou praticamente fundida ao seu peito, o que só faz o meu estômago ficar estranho novamente.
— Se o que mudar? — Ele pergunta, se esquecendo da maneira que eu estou me contorcendo em seus braços, sem saber da minha súbita falta de interesse, que é um alívio total, pois não tenho ideia de como explicar isso.
— Oh, ela quer ir para a festa de Jaden, mas eu estou programando ser babá — digo-lhe, indo em direção ao seu Jipe e jogando minha mochila no chão aos meus pés.
— Quer que eu pare por lá? — Ele sorri. — Você sabe, no caso de você precisar de ajuda?
— Não! — Eu digo, violento demais, rápido demais. Sabendo que eu preciso voltar atrás quando eu vejo o olhar em seu rosto. — Quero dizer, Riley sempre fica de pé até tarde, então isso provavelmente não é uma boa ideia.
Ele me olha, seus olhos passando sobre mim quando ele se senta também, a grande coisa errada não identificada que paira entre nós, fazendo de tudo o que sinto um maldito estranho.
Então ele encolhe os ombros e se volta para a estrada. Escolhendo conduzir o resto do caminho em silêncio. Ou pelo menos eu e ele estávamos em silenciosos. Seu estéreo está gritando a todo vapor. E apesar de que geralmente me dá nos nervos, hoje me alegra. Eu prefiro me centrar na porcaria de música que eu não suporto, do que o fato de que eu não quero beijá-lo.
Eu olho para ele, realmente olho de uma maneira que eu não tenho feito desde que eu me acostumei com nós sendo um casal.
Tomando a franja descendo enquadrando aqueles grandes olhos verdes que se inclinam sempre um pouco para baixo nos cantos fazendo impossível de resistir – exceto por hoje.
Hoje isso vem fácil. E quando eu me lembro como ontem eu estava cobrindo o meu notebook com o seu nome, bem, simplesmente não faz qualquer sentido. Ele se vira, me pegando olhando e sorrindo quando ele pega a minha mão. Entrelaça os seus dedos com os meus e os espreme de uma maneira que faz com que meu estômago comece a enjoar. Mas me obrigo a devolvê-lo, tanto o sorriso e o aperto, sabendo que isso é o esperado, o que uma boa namorada faz. Então eu olho pela janela, diminuindo a náusea quando eu olho para a paisagem que passa, a chuva encharcando as ruas, as árvores e as casas de tábuas de pinho, feliz por estar em breve em casa.
— Então, hoje à noite? — Ele vai em minha direção, silenciando o som quando ele se inclina para mim e me olha da maneira que ele faz.
Mas eu simplesmente pressiono os meus lábios juntos e alcanço a minha mochila, a segurando contra meu peito como um escudo, uma defesa sólida destinada a mantê-lo afastado.
— Eu vou mandar um sms pra você — murmuro, evitando seus olhos quando eu olho pela janela, vendo o meu vizinho e sua filha brincando de pegar no gramado, quando eu chego na maçaneta da porta, desesperada para fugir dele e estar no meu quarto.
E assim que eu abro a porta e coloco uma perna para fora, ele diz:
— Você não está esquecendo de algo? — Eu olho para baixo em minha mochila, sabendo que é tudo o que eu trouxe, mas quando eu olho para ele de novo, eu percebo que ele não está se referindo a isso. E sabendo que há apenas uma maneira de passar por isso sem despertar mais suspeitas dele ou de mim, eu me inclino em direção a ele, fechando os olhos quando eu pressiono os meus lábios contra os seus, encontrando-os objetivamente suaves, flexíveis, mas basicamente neutros, sem nenhuma faísca de costume.
— Eu - Hum, eu vou te ver mais tarde — murmuro, pulando fora do seu Jipe e limpando a boca na minha manga bem antes de eu sequer chegar a porta da frente.
Apressando-me para dentro e indo direto para a toca onde estou bloqueada por um conjunto de baterias de plástico, uma guitarra sem cordas, e um pequeno microfone preto que vai quebrar se Riley e sua amiga não pararem de lutar por ele.
— Nós já concordamos — Riley disse, arrancando o microfone em sua direção. — Eu canto todas as canções de menino, e você canta todas as canções de menina. Qual é o problema?
— O problema — se lamenta sua amiga, puxando-o ainda mais forte. — Não há praticamente nenhuma música feminina. E você sabe disso.
Mas Riley apenas encolhe os ombros.
— Isso não é culpa minha. Pegue o Rock Band, não eu.
— Eu juro, você é tão — Sua amiga para quando ela me vê de pé na porta, sacudindo a cabeça.
— Vocês precisam se revezar — digo, dando um olhar designado a Riley olhar, feliz por ser presenteada com um problema que eu possa resolver, apesar de eu não ter sido consultada.
— Emily, você começa a próxima música, e Riley, você começa a próxima depois dessa e assim por diante. Você acha que pode lidar com isso?
Riley revira os olhos quando Emily arrebata o microfone da mão dela.
— A mamãe está por perto? — Peço, ignorando a carranca de Riley, já que estou bastante acostumada até agora.
— Ela está em seu quarto. Se preparando — diz ela, me olhando enquanto ela sussurra para sua amiga, — Está certo. Eu posso cantar ‘Dead on Arrival’, você canta 'Creep'.
Eu passo pelo meu quarto, largo a minha mochila no chão, em seguida, fazendo o meu caminho para o quarto da minha mãe, me inclinando contra o arco que separa o quarto do banheiro e vendo como ela põe a sua maquiagem, lembrando como eu costumava amar estar de volta quando eu era pequena e achava que minha mãe era a mulher mais glamorosa do planeta. Mas quando eu olho para ela agora, quero dizer, olho para ela objetivamente, percebo que ela realmente é uma espécie de glamour, pelo menos em uma espécie de mãe suburbana.
— Como foi a escola? — Pergunta ela, virando a cabeça de um lado para o outro, certificando-se de sua criação está misturada e sem emendas.
— Boa. — Eu dou de ombros. — Tivemos um teste em ciência, que eu provavelmente falhei — eu digo a ela, embora eu realmente não acredite que fui tão ruim assim, mas não sabendo expressar o que eu realmente quero dizer – que tudo parece estranho e incerto, como se estivesse desequilibrado, carente – e esperando qualquer reação que eu ter dela.
Mas ela só suspira e move em frente aos seus olhos, varrendo seu pequeno pincel de maquiagem sobre as pálpebras e entre as dobras quando ela diz:
— Eu tenho certeza que você não falhou. — Ela olha para mim através do espelho. — Tenho certeza que você fez muito bem.
Eu sigo a minha mão sobre uma mancha na parede, pensando que eu deveria sair, ir para o meu quarto e relaxar por um tempo, ouvir boa música, ler um bom livro, nada de levar minha mente para longe de mim.
— Desculpe isso ser de última hora — diz ela, bombeando a varinha de sua máscara dentro e fora de seu tubo. — Eu sei que você provavelmente tinha planos.
Eu me encolho, torcendo meu pulso para frente e para trás, observando a forma como os cristais de cintilação na minha pulseira cintilam e se alargam, brilhando à luz fluorescente e tentando lembrar de onde veio.
— Está tudo bem — digo a ela. — Haverá muitas outras noites de sexta-feira. — Minha mãe me olha furtivamente, o rímel na mão, parando enquanto ela fala:
— Ever? Essa é você? — Ela ri. — Está acontecendo alguma coisa que eu deva saber? Porque isso mal soa com a minha filha.
Eu respiro fundo e levantar os ombros, desejando que eu pudesse lhe dizer que algo está definitivamente acontecendo, algo do que não eu posso dizer o bastante, algo que me faz sentir tão – ao contrário de mim. Mas eu não estou. Quer dizer, eu mal posso explicar isso para mim, muito menos ela. Tudo o que sei é que ontem me senti muito bem e hoje – praticamente o oposto de bem. Algo como – como se eu já não coubesse mais – como eu estivesse dando uma pequena volta em um mundo quadrado.
— Você sabe que eu estou bem com você convidar mais alguns amigos — diz ela, que se desloca para os lábios, revestindo-os com um batom antes de reforçar a cor com um toque de brilho. — Desde que você convide poucos, não mais que três, e contanto que você não ignore a sua irmã.
— Obrigado. — Eu aceno com a cabeça, forçando um sorriso para que ela pense que eu estou bem. — Mas eu estou ansiosa para ter uma noite fora de tudo isso.
Vou para o meu quarto e me jogo na minha cama, totalmente contendo por apenas olhar para o teto, até eu perceber o quão patético isso é e ir para o livro na minha estante de livros noturnos. Imersa na história de um rapaz e uma menina tão entrelaçados, tão perfeitamente feitos um para o outro, o amor transcendendo o tempo. Desejando que eu pudesse ir para dentro dessas páginas e viver lá para sempre, preferindo a sua história do que a minha.
— Ei, Ev. — Meu pai enfia a cabeça no meu quarto. — Eu vim dizer ambos olá e tchau. Nós estamos atrasados, por isso temos de sair logo.
Eu jogo meu livro de lado e corro em direção a ele, abraçando-o tão apertado que ele ri e balança a cabeça.
— É bom saber que você não está muito crescida para abraçar o seu velho homem. — Ele sorri, quando eu me afasto, horrorizada ao descobrir que existem verdadeiras lágrimas nos meus olhos, e me ocupando com alguns livros em uma prateleira até que eu tenha certeza que a ameaça passou. — Certifique-se que você e a sua irmã são protegidas e prontas para sair. Quero estar na estrada amanhã bem cedo.
Eu aceno com a cabeça, perturbada pelo estranho buraco que parece invadir o meu estômago quando ele sai. Imaginando, não pela primeira vez, o que diabos está acontecendo comigo.

7 comentários:

  1. Quer dizer que ela voltou no tempo! O que será que vai acontecer?!
    Ass: Bina.

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  2. Ainda não acredito que ela fez isso... Eu —Que não tenho nada a haver com a historia— Fico lembrando, do Damen: Dizer: "—Você me deixou"— O tempo todo!
    Tô bem irritada! Eu sei que ela queria salvar os pais... Mas
    Algo tá errado, muito errado! As gêmeas avisou! E sei que Ava já ajudou tanto, e sempre foi uma amiga para a Ever mas... Não consigo confiar completamente nela! Talvez esteja paranoica... Mas acho que a Ever vai fazer diversas burradas!
    Vou me obrigar a terminar esse livro e depois ler uma spoilers para ver o que acontecerá!

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    1. ai Senhor, obrigada, mais alguém que não confia totalmente na Ava, tava achando que eu estava sendo contagiada pela paranoia da Ever, e é claro que vai dar mto errado, pq tipo, a família dela já tinha atravessado a ponte, sla

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  3. Ela mudou totalmente a ordem natural das coisas

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  4. VIU, EU DISSE QUE IA DAR ERRADO!!!!!

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  5. Ollha Ñ Q Eu Sejja Pessimista...Maiis Algo Dentro De Miim Diiz Q Os Pais Da Ever Talvez,Nunca Vão Voltar...(Torcendo Pra Q Isso Seja Só Resultado do Meu Nervozismo...)

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  6. Essas histórias são sempre assim as pessoas dizem que está errado que é perigoso pra não fazer e o que acontece a protagonista vai la e faz e depois se ferra porque não ouviu os conselho das pessoas e ficam se remoendo de como séria tudo diferente se tivesse dado ouvido aos avisos... As vezes isso cansa mas não deixo de ler por nada nesse mundo 😒😒😒😒

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