30 de outubro de 2015

Oito

Na manhã seguinte quando me encontro com Damen no estacionamento, todas as minhas preocupações desaparecem. Porque no momento em que ele abre a porta e me ajuda a sair do carro, percebo o quão saudável ele está, como ele é devastadoramente lindo, e quando olho em seus olhos, é claro que toda a estranheza de ontem acabou. E nós estamos mais apaixonados do que nunca.
Na verdade até o final da aula de inglês mal consegui manter suas mãos longe de mim. Constantemente inclinando-se em direção a minha mesa e sussurrando em meu ouvido, para um grande aborrecimento do Sr. Robins, e para desgosto de Stacia e Honor. E agora que estamos no almoço não deixou por nenhum momento de acariciar meu rosto e olhar fixamente meus olhos. Passando só tomar ocasionalmente um gole de sua bebida antes de voltar para onde estava, murmurando palavras doces em meu ouvido.
Normalmente, quando age assim, é em parte por amor, e em parte para diminuir o tom de todos os ruídos e energias – de todos os lugares aleatórios, sons e cores que constantemente me bombardeiam desde que rompi o escudo psíquico que havia feito há alguns meses atrás, um escudo que me exclui de tudo e me faz tão desinformada como eu era antes de morrer e me tornar psíquica, ainda tenho que encontrar a maneira de substituí-lo que me permitirá canalizar as energias que quero enquanto bloqueio as energias que não quero. E desde que Damen nunca lidou com isso, não está certo de como me ensinar.
Mas agora que ele está de volta em minha vida, já não parece tão urgente, porque o simples som de sua voz pode silenciar o mundo, enquanto o toque de sua pele faz meu corpo inteiro formigar, e quando olho em seus olhos, bem, simplesmente digamos que no instante estou vencida por essa quente, e maravilhosa, atração magnética – como se só estivesse ele e eu e tudo mais tivesse deixado de existir. Damen é como meu perfeito escudo psíquico. Minha outra metade.
E mesmo quando não podemos estar juntos, os pensamentos telepáticos e imagens que me envia provavelmente causam esse mesmo efeito tranquilizante.
Mas hoje, todos esses doces recursos não são só para me proteger – eles são principalmente sobre nossos planos futuros. A suíte que ele reservou no Resort Montage. E como ele tem esperado tanto tempo por esta noite.
— Tem alguma ideia do que esperar por algo por quatrocentos anos? — Ele sussurra, seus lábios mordendo a curva de minha orelha.
— Quatrocentos? Pensei que tivesse por volta de seiscentos? — Digo, afastando-me para obter uma melhor visão de se rosto.
— Infelizmente um par de séculos tiveram que passar antes que eu encontrasse você. — Ele sussurra, suas mordidas fazendo caminho desde meu pescoço até minha orelha. — Dois séculos muito solitários, poderia acrescentar.
Eu respiro dificilmente. Conhecendo a solidão a que ele se referia, não significa necessariamente que ele estava só, de fato, pelo contrário, mas ainda assim, não falei, não digo nada. Comprometi-me a deixar tudo pra trás, superando minhas inseguranças e seguindo em frente, justo como prometi que faria.
Recuso-me a pensar em como passou aqueles primeiros 200 anos sem mim. Ou como passou os 400 anos seguintes superando o fato de que havia me perdido. Nem sequer começarei considerar a conta inicial dos 600 anos que ele não tinha estado estudando e praticando as – um – artes sensuais. E absolutamente, e definitivamente, não pensarei em todas as belas, mundanas e experientes mulheres que ele conheceu no lapso desses anos.
Não. Não eu. Recuso-me a chegar ai.
— Te pego as seis? — Ele pergunta, juntando meu cabelo em minha nuca e torcendo em uma longa trança loira. — Podemos ir jantar primeiro.
— Exceto, que realmente não comemos. — Eu recordo.
— Ah, sim. Bem notado. — Ele sorri, soltando meu cabelo para que fluísse novamente ao redor dos meus ombros e caindo abaixo da minha cintura. — Embora eu tenho certeza que podemos encontrar algo mais para ocupar nosso tempo.
Eu sorrio, já havia dito a Sabine que vou ficar com Haven e esperando que ela não tente me seguir. Ela costumava ser tão boa em acreditar em minhas palavras, mas desde que fui pega bebendo, e fui suspensa, e basicamente deixei de comer. Tem estado tão propensa em continuar me investigando.
— Você tem certeza que está tudo bem com tudo isso? — Pergunta Damen, lendo equivocadamente o olhar sobre meu rosto como de indecisão, quando realmente são só nervos. Eu sorrio e me inclino para beijá-lo, ansiosa por apagar qualquer dúvida persistente (mais minha do que sua), justo quando Miles deixa cair sua bolsa na mesa e diz.
— Oh, Haven, olhe! Estão de volta. Os pombinhos voltaram!
Me afasto, meu rosto ruborizando de vergonha enquanto Haven ri e se senta ao lado dele, seus olhos explorando a mesa enquanto diz:
— Onde está Roman? Alguém o viu?
— Ele estava na sala de aula — Miles dá de ombros, removendo a tampa de seu iogurte e curvando-se para ler seu texto.
E ele estava em história, penso eu, recordando como o ignorei a aula inteira, apesar de seus numerosos esforços para obter minha atenção, e como depois do sinal tocar, fiquei para trás, fingindo procurar algo em minha bolsa, preferindo o peso do olhar penetrante do Sr. Muñoz e seus pensamentos conflitantes sobre minhas boas notas contra minha estranheza inegável do que tratar com Roman.
Haven deu de ombros abriu sua caixa de cupcakes, suspirando quando diz:
— Bem, foi bom enquanto durou.
— Do que você está falando? — Miles olha para cima quando ela aponta diretamente a frente, seus lábios torcidos para o lado, seus olhos completamente abatidos enquanto todos seguiam seu dedo, todo o caminho a onde Roman estava falando e rindo com Stacia, Honor, Craig, e o resto do grupo da lista A.
— Grande coisa — ele dá de ombros, — É só esperar, ele voltará.
— Como você sabe disso? — Disse Haven, sacudindo o pano vermelho de seu cupcake. Seu olhar fixo em Roman.
— Por favor, nos temos visto um milhão de vezes. Cada garoto novo com o mínimo potencial para ser legal tem terminado nessa mesa em algum momento. Só os verdadeiros legais nunca duram muito tempo – porque o verdadeiro legal termina aqui. — Ele ri, dando tapinhas na mesa de fibra de vidro amarelo com a ponta de sua unha rosa choque.
— Não eu — digo, ansiosa por cortar as conversas sobre Roman, sabendo que sou a única que está feliz de ver que ele nos abandonou por uma turma muito mais legal. — Eu comecei aqui desde o primeiro dia. — Recordo a eles.
— Sim, como esquecemos — Miles rio. — Embora me referisse a Damen. Se lembra como nos deixou de lado por algum tempo? Mas finalmente voltou a si e encontrou seu caminho de volta. Igual a Roman.
Olho para baixo, para minha bebida, dando voltas na garrafa com a minha mão. Porque mesmo sabendo que Damen nunca foi sincero em seu breve flerte com Stacia, que só fez para chegar até mim, para ver se eu me importava, as imagens deles dois juntos estando tão próximos sempre queimam em meu cérebro.
— Sim, de fato — disse Damen, apertando minha mão e beijando minha bochecha, sentindo meus pensamentos mesmo quando nem sempre pode lê-los. — Certamente voltei aos meus sentidos.
— Então vê? Assim que, só podemos ter fé que Roman fará também — Miles assente. — E se não fizer, então nunca foi realmente legal para começar, né?
Haven dá de ombros e revira os olhos, chupando seu polegar e balbuciando.
— Tanto faz.
— Por que você se importa tanto? — Miles olha determinadamente, — Pensei que estava com Josh?
— Estou com Josh — disse ela, evitando seu olhar enquanto limpa algumas as inexistentes migalhas em seu colo.
Mas quando olho pra ela e vejo a forma como oscila sua aura e chama uma tonalidade enganosa de verde. Posso dizer que não é verdade. Ela está encantada e isso é tudo o que existe para ela. E se Roman estiver encantado também, então é a adious Josh, olá! Estranho garoto novo.
Abro minha marmita do almoço, passando os movimentos de fingir que ainda estou interessada na comida quando ouço.
— Ei, amigo. A que horas é a estreia?
— A peça é as oito. Por quê? Você vem? — Miles pergunta, seus olhos se iluminam, sua aura brilhando de maneira que é bastante óbvio que ele esperava ele fosse.
— Não perderia por nada — disse Roman, deslizando para o espaço do lado de Haven e golpeando seu ombro buscando agradá-la, de maneira mais sincera, claramente consciente do efeito que provoca e sem medo de explorá-lo.
— Então como era a vida entre a lista A, foi tudo que sonhou que seria? — Pergunta ela em um tom de voz que, se não pudesse ver sua aura, pensaria que ela estava flertando, mas sei que era a sério, porque as auras não mentem.
Roman se aproxima dela, afastando suavemente sua franja de seu rosto. Um gesto tão íntimo que suas bochechas ruborizam de um rosa brilhante.
— O que é isso agora? — Disse ele, seu olhar fixo nela.
— Já sabe, a mesa onde estava sentado. — Ela balbucia, lutando para manter sua compostura sob a magia dele.
— O sistema de castas na hora do almoço. — Disse Miles, rompendo seu encantamento e afastando seu meio-iogurte consumido para o lado. — É o mesmo em cada escola. Cada um se divide em grupos exclusivos projetados para deixar os outros de fora. Eles não podem evitar, só fazem. E essas pessoas que deseja ser? Eles são o topo, que, no sistema de castas da escola, os torna governantes. Diferença das pessoas com quem está sentando agora... — ele aponta para si mesmo. — Que é conhecido como o intocável.
— Burros! — Disse Roman, afastando-se de Haven e abrindo a tampa de sua soda. — Lixo completo. Eu não compro isso.
— Não importa se você compra. Ainda é um fato. — Miles dá de ombros, olhando fixamente até a mesa A porque apesar de como ele continua dizendo que nossa mesa é a mesa verdadeiramente legal. A verdade é, que ele é dolorosamente consciente que aos olhos de opinião do corpo estudantil, não há nada legal por aqui.
— Pode ser sua verdade, mas não é a minha. Não faço por esse método de segregação amigo. Gosto de uma sociedade livre e aberta, vagar ao redor do colégio e explorar todas as minhas opções. — Então, olha para Damen. — E você? O que acha de tudo isso?
Mas Damen só dá de ombros e continua olhando fixamente pra mim. Ele não poderia se importar menos sobre a lista A e a lista B, quem é legal e quem não é. Sou a única razão por ele ter se inscrito nesta escola, e sou a única razão por que ele ficar.
— Bem, é bom ter um sonho — suspira Haven, inspecionando a ponta de suas unhas de novo.
— Mas é ainda melhor quando existe uma remota possibilidade de que se torne realidade.
— Ah, mas é aí onde está equivocada, amor, não é um sonho, para nada. — Roman sorri de certa maneira que faz que sua aura emita um radiante brilho rosa. — Eu vou fazer acontecer. Você verá.
— E daí? Você se imagina como o Che Guevara de Bay View High?! — minha voz contendo um sarcasmo que não me preocupo em ocultar. Embora para ser honesta, estou mais surpreendente pelo uso da palavra imagina do que o tom de minha voz. Quero dizer, desde quando falo assim? Mas quando dou um vislumbre a Roman e vejo sua ampla, impressionante, aura amarelo-laranja. Sei que está afetando também.
— Eu imagino que, sim — ele sorri com seu sorriso frouxo. Seus olhos olhando fixamente os meus tão profundamente. Sentindo-me como se estivesse nua – como se ele visse tudo, soubesse tudo, e não tinha nenhum lugar para esconder. — Simplesmente pense em mim como um revolucionário, porque no final da próxima semana, este sistema de castas da hora do almoço acabará. Vamos romper estas barreiras auto-impostas, colocando todas as mesas juntas, e teremos uma festa!
— Essa é sua previsão? — Estreito meus olhos, tentando desviar toda sua energia intrusa.
Mas ele só sorri sem a menor pista de estar ofendido. Um sorriso que, superficialmente, é tão quente, atrativo, e que envolvem a todos – ninguém adivinhava as mensagens abaixo – calafrio, o toque de malicia, a ameaça oculta dirigida somente para mim.
— Acreditarei quando ver. — Disse Haven, limpando as migalhas vermelhas de seus lábios.
— Ver para crer. — Disse Roman, seus olhos diretamente nos meus.
— Então, qual é sua opinião de tudo isso? — Pergunto, justo depois de o sinal tocar e Roman, Haven e Miles se dirigirem para a aula enquanto Damen e eu ficamos para trás.
— De tudo o quê? — Ele pergunta, obrigando-me a uma parada.
— De Roman. E de todas suas baboseiras da revolução na mesa na hora do almoço — Eu digo a ele, desesperadamente por alguma validação de que não sou ciumenta, possessiva, ou louca – que Roman é realmente um manipulador – e que isso não tem nada a ver comigo.
Mas Damen só dá de ombros.
— Se não se importa, preferiria não me centrar em Roman justo agora. Estou muito mais interessado em você.
Ele me puxa até ele, me dando um longo e profundo beijo – que me deixa sem fôlego. E mesmo quando estamos parados no meio do corredor, é como se tudo ao redor já não existisse. Como se o mundo inteiro tivesse reduzido a este único momento. E quando me separo, estou tão diferente, tão quente, e tão ofegante, que mal posso falar.
— Vamos chegar atrasados — finalmente me afasto. Pegando sua mão e puxando ele até a classe.
Mas ele é mais forte que eu. Então ele simplesmente fica parado.
— Estava pensando... O que acha de escaparmos? — ele sussurra, seus lábios em meu pescoço, em minha bochecha, e depois em minha orelha. — Você sabe, simplesmente escapar pelo resto do dia – já que existe tantos outros, lugares melhores onde podemos estar.
Eu olho fixamente pra ele, quase influenciada por seu magnetismo, mas balanço a cabeça e me afasto. Quero dizer, entendo que ele terminou a escola já faz vários séculos e agora encontra tudo um pouco entediante. E mesmo achando na maior parte entediante também, desde ter conhecimento imediato de todas as coisas que eles tentam ensinar e que realmente faz parecer bastante inútil, é porem uma das poucas coisas em minha vida que se sente de alguma maneira normal. E depois do acidente, quando compreendi que nunca seria normal de novo, bem, faz com que valorize isso muito mais.
— Pensei que você disse que deveríamos manter uma fachada normal a todo custo — lhe disse, puxando ele quando de má vontade fica para trás. — Será que não assistir as aulas e fingir interesse é parte dessa fachada?
— Mas que poderia ser mais normal do que dois adolescentes hormonais abandonando a escola e saindo para um final de semana adiantado? — Ele sorri, o calor de seus lindos olhos escuros quase me atraindo.
Mas nego com a cabeça de novo e me mantenho firme, agarro seu braço ainda mais forte enquanto o arrasto até a aula.

8 comentários:

  1. Entao,safadesas a parte porque ate agora eles não fizeram nada.
    Parece que os escritores gostam de ficar no frio,se fosse de verdade eles ja teriam feito issso a muito tempo

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  2. Haven, te amamos, mas você é um pouquinho volúvel. Quer dizer, ela se apaixona por todo cara bonito que entra nessa escola! E sempre acaba se dando mal...

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  3. gente, acho que o roman vai fazer a cabeça do damen ,acho que ele é ugual a eles too nas duvidas !!!??

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    1. Se o Roman fosse igual a eles ele teria aura?

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    2. Não se roman fosse imortal nn teria áurea como Erika e demen

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  4. Roman deve ser imortal, ou qualquer outra coisa relacionada a isso. Não sei, ele é estranho e meio assustador. ACHO que ele deve saber manipular a aura... tem sentido.

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