31 de outubro de 2015

Nove

Quando volto para meu quarto, Damen me está esperando sentado na beira de minha cama, embalando uma pequena bolsa de cetim na palma de sua mão enluvada.
― Quanto tempo demorei? — pergunto, me deixando cair ao lado dele enquanto fecho os olhos para ver o relógio na cabeceira marcando a hora.
― O tempo não existe em Summerland. — Recorda-me. ― Mas no plano terrestre, eu diria que foi um bom momento. Aprendeu algo?
Penso nos filmes caseiros que vi, a versão do Riley de “Os Vídeos Mais Divertidos da Família Bloom”, depois nego com a cabeça e me encolho de ombros.
― Nada útil, e você?
Ele sorri, me estendendo a bolsa de seda enquanto diz:
― Abra e verá.
Desato o cordão, deslizo um dedo dentro dela e extraio uma cinta de seda negra com um molho de cristais de cores que se mantêm unidos por finas tiras de ouro. Vendo-o capturar e refletir a luz enquanto o balanço frente a mim, penso que é bonito e um pouco estranho.
― Um amuleto. — Diz ele, me olhando cuidadosamente enquanto pego as pedras individualmente. Cada uma delas com formas, tamanhos e cores diferentes. — Foram estudadas durante anos e dizem que possuem propriedades de cura, amparo, prosperidade e equilíbrio. Embora, particularmente esta, foi criada exclusivamente para você, contém mais do elemento de amparo, dado que é o que necessita.
Olho-o fixamente, me perguntando como isto poderia me ajudar. Depois, lembro que os cristais que tinha empregado para fazer o antídoto o tinham salvado e como poderiam ter funcionado de verdade, se Roman não me tivesse enganado para lhe acrescentar meu sangue à mistura.
― Completamente único, armado e elaborado para seu próprio benefício. Não há outro como este, em nenhuma parte. Sei que não resolve nosso problema, mas, ao menos, ajudará.
Cerro os olhos para observar o maço de pedras, insegura sobre o que dizer. Quando estou a ponto de deslizá-lo sobre minha cabeça e lhe dar uma oportunidade, ele sorri e diz:
― Permita-me.
Recolhe meu cabelo comprido, colocando-o sobre meus ombros, aproxima-se por trás e me assegura o pequeno broche de ouro antes de colocá-lo por debaixo de minha camiseta, onde ninguém possa vê-lo.
― É um segredo? — Pergunto, esperando que os cristais estejam frios e duros contra minha pele e me surpreendendo ao encontrá-los, um pouco mornos e reconfortantes.
Ele toma meu cabelo por cima do ombro, deixando-o cair por debaixo de meu quadril.
― Não, não é um segredo. Embora, provavelmente, não devesse mostrá-lo. Não tenho ideia de até que ponto avançou Roman, assim é melhor não atrair sua atenção para isso.
― Ele sabe coisas sobre os chakras.
Digo, vendo a surpresa em seu olhar e optando por omitir o fato de que, em realidade, ele é o responsável por isso.
Tinha conseguido que revelasse, inconscientemente, todo tipo de segredos enquanto estava sob seu feitiço. Já se sente o suficientemente culpado, assim não há razão por que fazê-lo sentir-se pior.
Poso meus dedos em meu amuleto debaixo de minha camiseta, surpreendida pelo sólido que se sente pelo exterior em comparação com o interior, a parte que jaz sobre minha pele.
― Mas, e você? Por acaso não precisa de proteção também?
Observo enquanto ele balança o seu diante de mim.
― Por que o teu é tão diferente? — Pergunto, entrecerrando os olhos para ver o grupo de pedrinhas cintilantes.
― Não há dois iguais. Assim como não há duas pessoas iguais. Tenho meus próprios problemas para resolver.
― Tem problemas? — Rio, embora me perguntando, seriamente, quais poderiam ser. Ele é bom em tudo o que faz.
Nega com a cabeça e ri, um maravilhoso som que já não escuto muito.
― Acredite, tenho os meus. — Diz, rindo brandamente.
― E está seguro de que estes nos manterão a salvo? — Pressiono-o contra meu peito, me dando conta de que o sentia como uma parte de mim.
― Essa é a ideia — encolhe os ombros, levantando-se da cama e dirigindo-se para a porta enquanto acrescenta: ― Mas, Ever, nos faça um favor e tente não pô-lo a prova, de acordo?
― E quanto a Roman? — Pergunto, assimilando sua larga e magra silhueta enquanto se apóia contra o marco da porta. ― Não crê que deveríamos ter algo assim como um plano? Encontrar uma forma de apanhá-lo para que nos entregue o que precisamos e terminar com tudo isto?
Damen me observa, seu olhar se cruza com o meu.
― Não há nenhum plano, Ever. Submeter-nos ao Roman é lhe dar, exatamente, o que ele deseja. É melhor que encontremos uma solução por nós mesmos, sem confiar nele.
― Mas como? Tudo o que tentamos até agora foi um fracasso total. — Nego com a cabeça. ― E, por que devemos correr de um lado para outro, procurando respostas, quando Roman já admitiu que ele tem o antídoto? Disse-me que tudo o que tenho que fazer é pagar o preço correto e ele se encarregará do resto. Tão difícil é?
― E você está disposta a pagar esse preço? — Pergunta Damen, com voz firme e profunda enquanto seus olhos escuros percorremos meus. Afasto meu olhar, com minhas bochechas esquentando-se até chegar aos cem graus centígrados.
― É obvio que não! Ou, pelo menos, o preço que você acha! — Trago os joelhos para meu peito e envolvo meus braços a seu redor. ― Só que… nego com a cabeça, frustrada por não ter nada com o que defender minha causa. ― Só que…
― Ever, é isto exatamente o que Roman quer. — Sua mandíbula torna-se tensa, suas feições ficam duras antes de topar-se com meu olhar e suavizar-se novamente. ― Ele quer nos dividir, fazer com que duvidemos um do outro, nos separar. Além disso, também deseja que vamos atrás dele e comecemos uma espécie de guerra. Não tem motivos para acreditarmos, ele mentirá, manipulará, e, não se equivoque, é um jogo muito perigoso o que está jogando. E, embora te prometo fazer tudo o que esteja a meu alcance para te proteger, tem que me ajudar com isto também. Tem que prometer que se manterá afastada dele, que ignorará todos seus insultos e não cairá em sua armadilha. Encontrarei uma solução, descobrirei algo. Mas, por favor, venha a mim para obter respostas, não ao Roman. Sim?
Pressiono meus lábios e olho para o outro lado, me perguntando por que deveria prometer alguma dessas coisas quando a decisão está justo aí para ser tomada.
Além disso, fui eu quem causou tudo isto, Assim deveria ser eu quem nos devia tirar disto. Volto meu olhar para o seu, com uma ideia que está começando a formar-se em minha cabeça, uma que possivelmente funcione.
― Então, estamos de acordo quanto ao Roman? — Ele inclina sua cabeça e me encara, disposto a ficar até que eu aceite.
Aceno levemente, mas só o suficiente para convencê-lo. Então ele desce as escadas tão rapidamente que não posso distinguir sua figura. A única pista de que ele esteve aqui são as pedras contra meu peito e uma tulipa vermelha que me deixou sobre a cama.

9 comentários:

  1. Amo essa historia das tulipas vermelhas! Tem uma musica da evanescence Bring me to life, que eu acho que combina com o casal Damever!

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    1. Eu também! comecei ler na realidade por elas... E acho que devia ter tulipa em todas as capas...

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    2. Conheço a música, mas não acho que pareça com eles dois não.

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  2. A Ever e muito teimosa q saco ela vai acabar complicando as coisas tudo de novo , vai ficar de papo com o Roman e ser enganada

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    1. Também acho, geralmente todas as mocinhas dos livros são burras e colocam tudo a perder.

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  3. Sempre q ela faz o a acha certo da em merd@ ...sera q ela nao entende ? Mds !!

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  4. A Ever é muito burra ! Meu Deus !! Pelo Anjo !

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  5. sim ela que da uma de inteligentona USHAUHSAHU e se da mal. e so piora as coisas. ooooh garota q nao acerta uma KKKK

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  6. Ela devia ouvir o Damen. Se tentar fazer alguma coisa sozinha ela só vai piorar tudo! A Ever é mestra em fazer besteira!

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