23 de outubro de 2015

Introdução


Os contos de Beedle, o Bardo é uma coletânea de histórias populares para jovens bruxos e bruxas, contadas há séculos à hora de dormir, daí serem o “Caldeirão Saltitante” e a “Fonte da Sorte” tão conhecidas de muitos alunos de Hogwarts quanto “A gata borralheira” e “A bela adormecida” das crianças trouxas (não-mágicas).
As histórias de Beedle se assemelham aos nossos contos de fadas sob muitos aspectos; por exemplo, a virtude é normalmente premiada e o vício castigado. Apresentam, porém, uma diferença evidente. Nos contos de fadas trouxas, é comum a magia estar na raiz dos problemas do herói ou da heroína – a bruxa malvada envenenou a maçã, ou fez a princesa mergulhar em um sono de cem anos, ou transformou o príncipe em uma fera horrenda. Nos Contos de Beedle, o Bardo, ao contrário, encontramos heróis e heroínas que, embora capazes de realizar mágicas, descobrem que lhes é quase tão difícil resolver seus problemas quanto o é para nós, trouxas. As histórias de Beedle ajudaram gerações de pais bruxos a explicar este doloroso fato da vida aos seus filhinhos: a magia tanto causa dificuldades quanto as resolve.
Outra notável diferença entre estas fábulas e suas correspondentes trouxas é que as bruxas de Beedle são muito mais ativas quando se trata de partir em busca da fortuna do que as heroínas dos nossos contos de fadas. Asha, Altheda, Amata e Babbitty, a Coelha, são mulheres que tomam o destino em suas próprias mãos, em vez de tirar um longo cochilo ou esperar que alguém lhes devolva o sapatinho perdido. A exceção à regra – a donzela sem nome de “O coração peludo do mago” – age de modo semelhante ao de uma princesa de conto de fadas, mas o conto não termina com o habitual “e viveram felizes para sempre”.
Beedle, o Bardo viveu no século XV, e grande parte de sua vida permanece envolta em mistério. Sabemos que nasceu em Yorkshire, e a única xilogravura que chegou até nós mostra que ele usava uma barba excepcionalmente luxuriante. Se suas histórias refletem com fidelidade suas opiniões, ele inclusive gostava de trouxas, e os considerava mais ignorantes do que malévolos; desconfiava da magia negra, e acreditava que os piores excessos da bruxidade decorriam de suas características demasiado humanas de crueldade, apatia ou arrogante desperdício dos próprios talentos. Os heróis e heroínas que saem vitoriosos em suas histórias não são os que têm a magia mais poderosa, mas os que demonstram maior bondade, bom-senso e inventividade.
Um bruxo dos tempos modernos que defendeu ideias muito semelhantes foi, naturalmente, o professor Alvo Percival Wulfrico Brian Dumbledore, Ordem de Merlim, Primeira Classe, Diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, Chefe Supremo da Confederação Internacional de Bruxos e Bruxo-Presidente da Suprema Corte dos Bruxos. Apesar das coincidências nos pontos de vista, foi uma surpresa descobrir uma coleção de notas sobre Os contos de Beedle, o Bardo, entre os muitos documentos que Dumbledore legou em testamento aos Arquivos de Hogwarts. Se tais notas foram escritas para seu próprio prazer ou para futura publicação, jamais saberemos; recebemos, contudo, a gentil permissão da professora Minerva McGonagall, hoje diretora de Hogwarts, para incluí-las, com uma novíssima tradução dos contos feita por Hermione Granger. Esperamos que as impressões do professor Dumbledore, que incluem comentários sobre a história bruxa, reminiscências pessoais e informações reveladoras sobre elementos-chave de cada história, possam contribuir para que uma nova geração de leitores bruxos e trouxas aprecie Os contos de Beedle, o Bardo. Todos os que conheceram o professor Dumbledore pessoalmente creem que ele teria tido o máximo prazer em apoiar este projeto, uma vez que os royalties serão doados ao Children's High Level Group, uma organização cujo objetivo é beneficiar crianças que precisam desesperadamente ser ouvidas.
Parece-me justo acrescentar uma pequena observação aos comentários do professor Dumbledore. Até onde foi possível determinar, as notas foram escritas uns dezoito meses antes dos trágicos acontecimentos que se desenrolaram no alto da Torre da Astronomia de Hogwarts. Aqueles que estão familiarizados com a história da guerra bruxa mais recente (todos que leram os sete volumes da vida de Harry Potter, por exemplo) terão percebido que o professor Dumbledore revela um pouco menos do que sabe – ou suspeita –sobre a última história deste livro. A razão de possíveis omissões talvez resida na afirmação que fez Dumbledore, há alguns anos, a respeito da verdade, para o seu aluno mais famoso: “É uma coisa bela e terrível, e portanto deve ser tratada com grande cautela.”
Concordemos ou não com ele, há que desculpá-lo por desejar proteger os futuros leitores das tentações em que ele mesmo caiu e pelas quais pagou um preço terrível.
J. K. Rowling
2008


Observação sobre as notas de rodapé
Tudo indica que o professor Dumbledore escreveu para um público bruxo, por isso incluí aqui e ali a explicação de um termo ou fato sobre os quais os leitores trouxas talvez precisem de esclarecimento.
JKR

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