20 de novembro de 2015

Fanfic: Raven


Sinopse:
Arya é uma sobrevivente. Desde pequena foi criada no lugar mais incomum do qual uma criança poderia crescer: em uma prisão. Tudo por conta de uma distinção especial. Ela é meio humana, meio sadic, e quando Arya ainda era pequena foi capturada pelo regime opressor que se estabeleceu na terra no seculo XXIII. Quando completou dezesseis anos Arya foge de seu único abrigo e encontra um mundo totalmente desconhecido fora do que ela vivia. Mas mesmo com reviravoltas tão grandes, o destino ainda lhe reservava muitas surpresa. Algumas boas, outras devastadoras. Com a ajuda de novas amigas e sadics bons e misteriosos, Arya aprende a passar pelas dificuldades da vida, enquanto a guerra da Resistência contra o Governo se torna cada vez mais voraz a sua volta.

Categorias: aventura, ação, fantasia, história original
Autora: Raquel Barros
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Parte Um: Flores no Gelo

Capitulo Um - Arya

Olho para imensidão azul que se estende abaixo de mim. O vento contra minha face lançava meus cabelos para o meu rosto e a chegada dos guardas da fortaleza de Fell tornando-se cada vez mais audível em sua aproximação me obriga a pensar mais rápido. Tenho que me decidir: A prisão que me abriga há tanto tempo ou as águas geladas do estreito de Vergan do qual, se eu sobreviver, a correnteza me levara para a liberdade.
–Ali! Pare agora, garota.
Ordena um guarda em voz alt. Meu tempo para decidir acabou e meu corpo reage antes que eu perceba e se impulsiona para frente. Maravilha! Eu não sei nadar. Fecho os olhos enquanto espero o impacto com a água fria se consumar. Assim que minha pele é mergulhada e espetada por partículas minúscula das águas gelada do rio que desce das montanhas, a correnteza forte e imponente começa a me arrastar para longe da fortaleza e puxar para baixo. Tento lutar para continuar na superfície, mas é em vão. Uma confusão de bolhas, espumas, algas e do meu cabelo negro me fazem me debater e desesperadamente tentar voltar à superfície. Mas é por pouco tempo já que bato a cabeça fortemente me algum lugar e apago.
–-
Acordo com o céu escuro sobre minha cabeça. As estrelas iam e vinham e minha cabeça doía fortemente. Minhas mãos ainda estão algemadas, minhas roupas encharcadas e pesadas e meu cabelo salgado grudado em meu rosto. Por um nonagésimo de segundo tento lembrar onde estou. Não era a cela com certeza absoluta. O cheiro de água salgada e areia se estendiam e viam de todo o canto. Embaixo de mim tinha areia molhada e branca, e alguns pedregulhos também. Arvores faziam barulho por perto e a água castigava as pedras. Como eu tinha chegado àquela praia. E mais importante, que praia era aquela que não reconheci de nenhum livro que roubei de alguns novatos. Será que se esqueceram dessa parte do estado? Ou aqui é algum canto proibido já que não vejo no horizonte nenhum sinal de sadics vindo. Eu não sei. E não estou ansiosa para descobrir. Levanto tonta, com meus músculos cansados, minha cabeça latejando e meus pulmões cheios d’água a procura de uma arvore bem grande. Por que se tem uma coisa que eu sei é escalar arvores. Fiquei um bom tempo livre para aprender pelo menos isso. Lembro até hoje. Eu, uma garotinha nanica, com os cabelos soltos ao vento, correndo dos meus irmãos mais velhos quando brincávamos de pega-pega e subindo em arvores. Ficava toda arranhava, mas era tão divertido que eu me esquecia dos ferimentos. Eram bons tempos. Não lembro como os tive. Talvez eu fosse pequena de mais e não sabia nada do que era o mundo exterior. Mas mesmo que tivesse uma arvore grande o suficiente para isso eu não poderia escalá-la. Ainda mais por que estou algemada. Achei uma arvore de tronco oco e raízes grandes e torcendo para não ter nenhum animal lá dentro, me aconcheguei cansada e adormeci.
Algo estava cutucando meu nariz. Era frio e macio como um focinho. Abro os olhos e dou de cara com uma grande, negra e peluda cara de lobo. Não sei se grito ou se bato no lobo. Até por que, fiquei paralisada ao invés de fazer alguma coisa. O lobo de olhos azuis piscou os olhos. Estranho! Lobos piscam? Parece que esse sim. O lobo coloca a enorme cabeça entre as patas. Algo me dizia que se ele quiser-se me devorar já teria feito. Com a boca tão grande e as presas tão afiadas seria muito fácil.
–O que você quer?
Pergunto como uma idiota para o lobo. Ele parece que entendeu o que eu disse e lambeu meu nariz. Não foi uma atitude agradável, mas vou tomar isso como uma atitude amigável. Suspiro pesadamente. Maravilhas! Agora tem um lobo enorme de preto e peludo querendo ser meu amigo. Mas isso é melhor do que se ele quiser-se me transformar em seu lanche da manhã.
–Você quer me fazer o favor de sair da aí? Está atrapalhando minha passagem.
Peço já estranhando minha grande paciência com aquele animal. Ele nem deveria entender o que digo, mas insisto em falar com ele como se fala como gente. E ele me responde como se fosse gente também. Só falta abrir a boca e falar. O lobo continua parado, na dele. Praguejo baixinho. Maldição! Não seria mais fácil ele me liberar e fazer amizade com outro lobo. Por que eu estou de cansada de lugares apertados, poeirentos e pequenos. E eu não nasci para fazer amizades com lobos. A não ser que ele arranje um jeito milagroso de se tornar humano. Mas nesse mundo tudo pode acontecer. Então acho melhor eu para de subestimar a inteligência desse lobo. Depois de um tempo o lobo de olhos azuis sai da minha frente, eu finalmente posso sair daquele lugar. Tenho sorte que se um dia os insetos foram bem pequenininhos, hoje eles são um pouco mais visíveis e preferem cavernas a raízes de arvores velhas e bem grandes. Afinal, já faz um século desde que os sadics de alguma maneira conseguiram jogar um foguete cheio de soro delta que explodiu na atmosfera e cobriu a como um cobertor dourado. Aos poucos, esse soro foi descendo para as nuvens, e quando começou a chover, entrou no solo, infectou a água, os alimentos, os animais e os humanos. Tive sorte de não ser daquela época, por que morria humanos aos montes. Nem todo mundo aceitava bem o soro Delta, então o sistema entrava em colapso e o individuo batia as botas. Digamos que os sadics fizeram a maior limpeza étnica da historia da terra. Uma maldade e tanto. Quando coloco a cabeça para a fora a primeira coisa que vejo é um humano encostado em uma arvore brincando com algum tipo de arma branca. O humano estava de preto e couro dos pés a cabeça e a pele eram de um bronzeado leve. O cabelo era curtos, negros, sedosos e de cachos grandes e o maxilar quadrado. Era um humano que não perdia nada para um sadic. Nunca vi um jovem humano antes. Muito menos um jovem humano com armas brancas. Quando humanos chegam a Fell, eles são levados diretamente para a transformação e viram sadics. Já conheci muitos ex-humanos que viraram sadics. Eles ficavam o tempo de recuperação na prisão. Se nessa ilha tinha um humano o que significa? Esperança, talvez. O humano para e como se ele souber-se que eu estava olhando-o, ele me encara. O jovem tinha olhos cinza azulados intensos e expressáveis. A janela da alma dele era bem aberta. Estava claro que ele não estava feliz com a situação que se encontrava. O humano franze as sobrancelhas para mim e volta a se concentrar em seu treino. Algo me dizia que ele não era exatamente simpático ou amigável. De repente agora eu prefiro o lobo.
–Aspen, não vai falar com a menina?
Pergunta alguém atrás de mim. O humano para, me olha de cima a baixo e volta a manusear a arma de maneira impressionante. . E me ignora completamente. Mas que garoto mais antipático. Agora eu quero ter a companhia do lobo. Mesmo não sabendo falar ele era bem mais simpático.
–Cadê o lobo simpático?
Pergunto carrancuda. Se ele não me deu uma primeira impressão boa não tinha motivos para eu dar uma boa impressão para ele. Até por que, seria gastar energia a toa.
–Está falando do Zayn?
Pergunta o humano Aspen sem olhar para mim.
–Esse é o nome dele?
–É e está atrás de você.
Responde Aspen. Viro com o calcanhar já procurando o lobo negro no horizonte, mas dou de cara com um jovem sadic da minha idade, sorridente e exalando simpatia. Por incrível que pareça ele era loiro. O cabelo tão claro quanto às areias da praia. E o lobo negro, Zayn, que tinha os azuis e era tão big, agora é só um pouquinho mais alto do que eu. Um pouquinho do tipo uns vinte centímetros.
–Oi.
Cumprimenta. Sinceramente, Zayn me parece algum tipo de garoto fofo. E isso era apenas evidenciado pelo suéter marrom e vermelho em estilo tribal, a calça caqui clara, e a touca cinza com orelhas de gatos que era muito fofa.
–Você é loiro?
Pergunto como uma idiota. É claro que ele era loiro, mas eu estava tão impressionada que perguntei umas bobagens daquelas.
–Acho que sou.
–E por que sua pelugem é morena?
–Puxei meu pai.
–Seu pai é um lobo também?
–É.
–E sua mãe?
–Não.
–Você puxou a ela no quesito ser homem?
–Isso por acaso é um interrogatório, por que se for, a estranha a ser interrogada aqui é você
Reclama Aspen impaciente, chegando perto de mim. De perto ele era mais bonito. Corado e cheio de sardas. E era musculoso e bem alto também. Resolvi que não iria falar com ele. Vou ignorá-lo. Ele me ignorou e é isso que vou fazer também.
–Puxou a mãe no quesito humano, sadic. Ah, sei lá como se fala.
–Estou falando com você.
Insisti Aspen. Reviro os olhos e dou de ombros antes de me virar e repetir o que ele disse mais cedo para Zayn ao meu respeito:
–Não há nada para se falar.
–Agora há.
–Vai sonhando. Zayn...
–Oi.
–Pode me responder, por favor?
–Não, meu pai e minha mãe são em forma humana também.
–Que legal! E tem mais de vocês?
–Tem umas três matilhas só nessa ilha.
–Zayn! Pare de falar com essa criatura que apareceu do nada, ela pode ser uma espiã, tentando descobrir nossos maravilhosos segredos.
Esbraveja Aspen com o pobre Zayn. Mas que criaturinha mais desconfiada! E olha que eu nem sei onde estou. Imagina se eu invento de saber? Aspen me levaria presa para algum lugar nesse canto. As algemas ele já tem.
–Eu nem sei onde estou!
Retruco impaciente. Aspen me olha ainda mais desconfiado. Eu vou socar a cara desse humano, talvez faça um buraco no cérebro imprestável dele.
–Vou fingir que acredito.
–Finja! O que você faz ou deixa de fazer não é dá minha conta mesmo.
–O, vocês, por que estão demorando tan... Quem é essa da aí?
Pergunta uma loira descendo as dunas brancas do outro lado da floresta bem rapidamente. Ela era muito branca. Quase ficou desaparecida em meio a tanta areia se não tivesse usando preto. E se não fosse o suficiente o cabelo era branco e curto. Os olhos, a única cor que tinha na criatura é verde mar. Muitos bonitos a propósito.
–Eu sei lá! O Zayn a achou escondida como uma cobra dentro das raízes da big arvore.
Responde Aspen me olhando novamente, bem rapidamente dessa vez. Ele estava por acaso insinuando que eu seja uma falsa? Ou uma farsa? Por que se tiver esse cara não perde por esperar.
–Ela veio da onde?
Pergunta a recém chegada, me encarando com aqueles olhos verdes mar, cheios de desconfiança e curiosidade.
–Eu não sei e não quero saber.
–Você não é minha boca, Aspen, então fica caladinho no seu canto, está bem?
–A boca é minha e eu falo quando quero e pra quem eu quero.
–Mas não para mim.
Aviso irritada. Quando eu for precisar de uma boca extra para falar comigo eu pedia. E não seria Aspen.
–Continuem assim! Vocês vão acabar como meus pais, casados, e cheios de filhos.
Comenta a garota, sorrindo e levantando as sobrancelhas de surpresa.
–Nem morto.
–Nem se isso fosse o resgate para eu voltar para aquela maldita prisão!
–Que prisão?
Pergunta Zayn, franzindo a testa.
–A de Fell, do outro lado.
–E como você saiu da ilha a alguns milhares de Km daqui e chegou viva? Melhor, como saiu da maior e mais impenetrável fortaleza dos sadics?
Interroga a menina desconfiada. Pelo jeito povo dessa ilha tem muitas pulgas atrás das orelhas. Eles desconfiam até do vento.
–Eu não consigo lembrar.
Sussurro, respondendo para mim mesma. A ultima coisa que me lembro da minha fuga foi esta em pé, na beira, as alturas, prestes a pular. Isso só fez a desconfiança deles aumentarem em proporções inacreditáveis.
–Talvez eles tenham te soltado e colocado você em uma câmera escondida e minúscula para nos espionar.
Conclui a garota, coçando o queixo, e me examinando. Eu não sei o que foi que eu fiz para merecer uma situação dessas. Ah! Já lembrei: Fugi do único lugar que eu conhecia. Zayn suspira e se exaspera:
–Pronto! Agora, os dois estão paranóicos.
–Não estamos paranóicos Zayn, você que é ingênuo.
Discorda Aspen calmamente. Esse foi também o único momento em que ele demonstrou calma. Por que nos outros, estava estressado, ou irritado, ou então desconfiado.
–Eu que sou ingênuo? Só estou dando um pouco da minha confiança para essa garota, por que eu vi alguém parecido no álbum de fotos antigas da minha mãe.
Suspira Zayn, bagunçando seus cabelos loiríssimos com as mãos.
–Você ver cada coisa Zayn.
Diz Aspen revirando os olhos e começando a caminhar para dentro da floresta.
–Mas, por via das duvidas, a estranha vem conosco.
Decide a garota, me puxando pelas algemas. Maldição! Nunca mais deixo colocarem algemas em na vida. Elas estavam machucando meus pulsos. Aspen que já estava um pouco mais na frente para, e começa a chutar pedras por pura indignação. Acho que ele queria era me empurrar para a árvore em que me acharam. Eu não teria problema nenhum com isso.
–Eu tenho nome e espera que está me machucando!
Reclamo, sentindo dor nos pulsos. Agora eu tinha arranhões e marquinhas avermelhadas nos pulsos.
–Tem? Qual é?
Pergunta a garota parando e arrumando as algemas.
–Droga! Eu não lembro.
–Ok, então, Droga! Eu não lembro. E seu nome é legal.
–Esse não é meu nome.
–Eu sei.
–E por que você repetiu o que eu disse?
–Você não tem um nome criatura! Veio de Fell e, quem vem de lá nunca tem um nome.
–Fui capturada com cinco anos, eu sei que eu tenho um nome!
Insisto. Quando fico convicta de alguma coisa, custa a tirar da minha mente que aquilo não é o que pensei. E se tem algo que tenho certeza é que eu tenho um nome. Afinal de contas, até meus cinco anos eu vivia de boa com meus pais. E é claro que eles deram-me um nome. Esquecido pelo tempo em que eu fui chamada de detento 079654.
–Que não sejam números sortidos?Duvido!
–Você duvida até do vento, Aspen.
Comenta a garota, me segurando pelo braço. Ela era exatamente do mesmo tamanho que eu. Só que mais malhada, saudável e alimentada. E consequentemente mais forte.
–Não totalmente.
Discorda Aspen parando para nós acompanhar. Ele ficou bem do meu lado. Acho que adquirir alguma aspenfobia,porque de repente eu fiquei nervosa. Só de ter ele do meu lado, tão perto que eu poderia sentir o calor emanar dele, meu coração foi a mil.
–Aspen precisa de provas concretas para tudo. Ele é um pouco perfeccionista.
Informa Zayn de maneira desnecessária. De todas as pessoas do mundo a que eu não queria conhecer Aspen ficava no topo da lista.
–Posso dizer que não sou interessada em saber nada do Aspen.
–Aleluia!Você a primeira.
Louva a garota. Como isso me é estranho, pergunto:
–De que gente?
–Não fale gente novamente, por que não temos intimidade.
–Ainda.
–Como é lobinho negro de fios loiros?
–Eu te conheço, Zoey, você faz amizade com qualquer uma que não se interesse pelo Aspen de vez.
–Conhece uma ova, Zayn!
–Tem certeza?!
–Absoluta, lobinho.
–Lobinho?Ele é um lobo bem grande.
–E Zayn, conseguiu um puxa saco.
–Não, senhor, eu estou dizendo que ele é grande sim.
Discordo de Aspen, apenas repetindo o que eu disse antes. O Zayn é realmente bem grande e disso eu tenho certeza.
–Ele é o menor da matilha.
Avisa Zoey.
–Eu sou o mais novo!
–Eu também e nem é por isso que sou a menor das minhas irmãs.
–Tem lobo maior do que você?
Pergunto entrando em estado de nervosismos espetacular. Esse povo quer me levar para um lugar onde tem lobos gigantes? Vamos parar com isso que já está feio e medonho. Decididamente não quero ir para esse lugar! Zayn até pode ser simpático e tudo mais, mas e se algum parente dele não for com minha cara e inventa de me devorar? Aí o bicho literalmente pega! Eu não nasci para morrer devorada por lobos gigantes.
–Tem.
–Para onde vamos?
–É!
–Quer saber de uma?Eu fico aqui e vocês vão.
Opino, parando bruscamente. Zoey me lança um olhar assassino. Aquela menina de repente se tornou bastante perigosa. Quer dizer, com aquele corte em estilo Joãozinho, e o punhal bem guardado dentro de uma das luvas de couro, ela já parecia perigosa. Mas de repente, parecia que ela realmente iria usar aquela arma em mim.
–Vai sonhando.
Retruca Zoey me puxando pelo braço. Algo me dizia que essa caminhada será longa, longa, longa.
Como parece que eu tenho azar de sobra, a Zoey me arrastou pelo meio da floresta sem nenhum dó nem piedade. A todo o momento eu batia alguma parte do corpo em alguma arvore, ou me arranchava em algum arbusto. Parecia que ela estava me castigando enquanto podia para depois me pedir desculpas. Mas até quando eu fico livre, sou obrigada a seguir dois adolescentes brutos. Zayn era simpático pelo menos. Ele de vez em quando ia à frente de Zoey e abria passagem entre arbustos, o que fazia Aspen suspirar peadamente. Era claro que a Zoey era apenas descuidada depois de um tempo. E eu torcia para ninguém dá a minha posse para o Aspen por que era capaz de ele deixar que desse de cara com alguma arvore e nem ligar-se. A criatura era fria e insensível.
Depois de algum tempo eu não me agüentava mais em pé. Eu despencava de um lado para outro de fraqueza mesmo. A Zoey que era tão baixa e pequena quanto eu e acabava despencando comigo.
–O que deu em você?
–Pergunta ela depois de cair em um arbusto comigo. Suspiro pesadamente. Sou uma criatura anêmica, desidratada ,com sede e com fome. E cansada. Nem conseguir respirar direito consigo, quanto mais.
–Sou incapaz de continuar a ir onde vocês estão indo.
–Por quê?
–Olhe para mim, eu pareço bem alimentada?
Pergunto para Aspen que cruza os braços antes de dar uma boa olhada para mm. Digamos que foi desconfortável. Até por que sou uma pessoa praticamente esquelética. Não que na prisão na dê comida para os presos, é que eu trocava muito de cela com outros internos para evitar lembranças desagradáveis. E o pagamento era comida. Então eu dava pelo menos oitenta por cento da minha comida e trocava de cela toda a noite.
–Não, você não parece bem alimentada.
Conclui ele por fim.
–Alguém vai ter que carregar ela e como vocês são homens, a missão fica a par de um dos dois.
Avisa Zoey jogando a responsabilidade para os garotos. Um olha para o outro como quem vai competir para saber quem foge primeiro. Mas eles não fazem isso. Zayn abre os braços, e algo estrala então ele faz cara de pesar para mim e avisa:
–Quebrei a costela na semana passada, lembram? Aspen está com você.
–Você é não é pesada não é?
Pergunta Aspen olhando para mim como quem olha para uma sopa de couve e é obrigado a comê-la.
–Por que a pergunta?
–Esta em um caminho muito longe da base, e se você for pesada, não vou agüentar muito.
–Pareço pesada?
–As aparências enganam.
Responde ele, me jogando facilmente sobre os ombros. Aspen tinha um cheiro agradável, diferente de mim. Como em Fell só tomamos banho duas vezes por semana, não tenho um cheiro tão agradável.
–Isso vai demorar muito?
Pergunto já tonta de tanto balanço. Tive a impressão de que iria colocar toda a aquela água guardada dentro de mim para fora a qualquer momento. Aspen suspira cansado e responde:
–Espero sinceramente que não.
–Já estamos pertos, guris, apenas seja paciente.
Avisa Zoey calmamente. Zayn me examina por uns instantes um pouco preocupado e avisa:
–Essa menina esta ficando mais pálida ainda.
–Como vocês conseguem saber a diferença entre um sadic pálido e normal? Vocês são tão brancos.
–Pela cor dos lábios. Sadics normais tem lábios avermelhados, quando ficam pálidos seus lábios ficam arroxeados ou esbranquiçados.
Responde Zayn pacientemente.
–Bizarro!
–Você, né? Mesmo mais bronzeado do que nós é tão frágil, qualquer solzinho a mais e tem uma insolação.
Responde Zoey impaciente.
–Poupe-me.
–Vou fazer isso mesmo.
–Que bom.
Responde Aspen. Depois tudo começa a ficar escuro como um túnel. Zoey coloca algumas plantas em cima da luz e tudo fica escuro totalmente. De longe, eu posso ouvir barulhos diferentes. Pessoas andando, conversando, rindo. Outras dando ordens, gritando, atirando. Era algo estranho de se ouvir. O som da vida. Algo que eu nunca tive na Fortaleza de Fell. Até por que, uma das regras de lá era fazer silencio. E eles conseguiam nos fazer ficar quietos. A cada passo que Aspen dava, os barulhos ficavam mais perto. Aspen para e me coloca no chão suavemente.
–Agora, você pode continuar andando.
–Obrigada por ter me carregado, Aspen.
–Disponha.
–Vou lembrar.
Respondo enquanto tiram alguns galhos da nossa frente. Depois a ultima coisa que vejo é a luz.
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