31 de outubro de 2015

Dezoito

― Você não pode fazer isto. — Damen diz, mal tendo aberto a porta ele já sacode sua cabeça.
― Você nem sequer sabe porque estou aqui. — franzo o cenho, abraçando Charm fortemente em meu peito, desejando não ter vindo aqui.
― A gata está morrendo, você quer saber se é certo salvá-la e eu estou te dizendo que não. Não pode fazê-lo. — Ele encolhe os ombros, lendo a situação em minha mente, enquanto deliberadamente a bloqueio para que não possa ver minha visita a Roman.
― Você quer dizer não pode ou não é possível? Como o elixir não vai funcionar em um felino, ou não pode no sentido moral, como não brinque de ser Deus, Ever?
― Por acaso importa? — Ele sai do caminho, dando um passo para o lado e me permitindo entrar.
― É obvio que importa — sussurro, ouvindo o som da TV vindo de cima com mais uma dose diária de reality show para as gêmeas.
Ele se dirige ao escritório, desabando-se no sofá e dando tapinhas no sofá ao lado dele. E mesmo que estando chateada pela maneira como reagiu, sem sequer me dar a oportunidade de explicar-me, ajeito a manta esperando que um olhar de Charm o convença.
― Só acredito que não deveria tirar conclusões. — Eu digo, girando meu corpo para poder enfrentá-lo.
― Não é tão simples como pensa. Não é branco ou preto, é quase tudo cinza — ele inclina-se para mim, um olhar que abranda enquanto move seu dedo polegar de um lado a outro sob o queixo de Charm. ― Sinto muito, Ever. Sério. ―Ele me olha antes de afastar-se. ― Mas mesmo que o elixir funcione... o que, aliás, não tenho certeza de que faria, já que nunca o tentei em um animal antes, mas mesmo que sim
― Sério? — Olho-o fixamente, surpresa por ouvir isso. ― Nunca teve um animal de estimação que não suportasse perder? — Meus olhos pousam sobre ele, medindo-o.
― Não um que não pudesse suportar perder. — Sacode sua cabeça.
Entrecerro meus olhos, sem ter certeza de como me sinto sobre isso.
― Ever, em meu tempo não tínhamos animais de estimação exatamente da mesma maneira. E depois que tomei o elixir, não estava interessado em possuir nada que pudesse me prender.
Aceno, me dando conta da maneira que olha Charm e esperando um espaço para negociar.
― Bem, sem animais de estimação. Entendo. — Eu digo. — Mas entende como alguém pode afeiçoar-se tanto a sua gatinha que não pode dizer adeus?
― Você está me perguntando sobre perdas? — Seu olhar fixo sobre mim. ― Sobre amar, e a dor insuportável que sentimos quando perdemos alguém?
Olho para baixo, me sentindo menor, tola, deveria ter visto que isto aconteceria.
― Há muito mais em jogo que salvar uma gata ou admitir a vida eterna se há tal coisa no reino animal. A verdadeira questão é, como explicaria isso a Haven? O que iria dizer quando ela retornar e encontrar a gata moribunda que deixou sob seu cuidado, milagrosamente curada, talvez até voltando a ser uma gatinha de novo, quem sabe? Como lhe explicaria isso?
Suspiro, eu não tinha pensado nisso. Realmente não tinha considerado que se funcionasse, Charm não simplesmente se curaria, mas sim se transformaria fisicamente.
― Não é sobre isso não funcionar - eu não tenho ideia sobre isso. E não se trata sobre o seu direito de se fazer de Deus. Se eu e você, ambos sabemos que sou a última pessoa que deveria julgar tal coisa. Trata-se mais de proteger nossos segredos. E mesmo eu sabendo que você tem as melhores intenções, no final, ajudar a sua amiga só levantaria suspeitas. Levantar perguntas que não podem ser respondidas simples e logicamente sem revelar muito. Além disso, Haven já está desconfiada de nós. Então, mais do que nunca, é importante para nós mantê-la controlada.
Pressiono meus lábios, engolindo o nó em minha garganta, odiando não ter tantas ferramentas a minha disposição, todas aquelas habilidades mágicas, mas incapaz de usá-las, para ajudar aqueles a quem amo.
― Sinto muito. — Diz ele, sua mão pairando sobre o meu braço, em dúvida se deve fazer contato. ― Mas, por mais triste que pareça, realmente é apenas o curso natural dos acontecimentos. E acredite, os animais aceitam muito melhor estas coisas do que as pessoas.
Me apoio em seu ombro, em seu toque, surpresa por seu poder para me reconfortar que, não importa quão mau estejam as coisas.
― Simplesmente me sinto tão mal por ela, seus pais sempre estão brigando, talvez tenha que mudar-se, isso faz que se questione o significado de tudo. Tipo como eu fiz quando meu mundo desmoronou.
― Ever... — Ele começa, o olhar suave, seus lábios tão pertos que não posso deixar de pensar em pressioná-los contra os meus... o momento se desfaz quando as gêmeas descendo as escadas.
― Damen, Romy não me deixa... — Rayne se detém, de pé ante nós, com seus olhos escuros maiores do que o habitual quando diz. ― Omigod isso é um gato?
Olho para Damen. Desde quando Rayne usa palavras como “Oh-meu-Deus”?
Mas ele só sacode sua cabeça e ri.
― Não se aproxime muito. — Disse olhando entre elas. ― E mantenha sua voz baixa. Esta é uma gata muito doente. Temo que não tenha muito tempo de vida.
― Então por que não a salva? — Rayne pergunta, incitando Romy a concordar, nós três olhando para Damen, nossos olhos ampliando-se e suplicando.
― Porque nós não fazemos coisas assim. — Diz ele, com voz severa e parental. ― Não é assim que se faz.
― Mas salvou Ever e ela não é tão linda. — Diz Rayne, ajoelhando-se diante de meu colo até que seu rosto fique nivelado com o de Charm.
― Rayne. — Damen começa.
Mas ela apenas ri, jogando um olhar entre nós quando diz:
― Só estava brincando. Sabe que estou brincando, não é?
Eu a fito, sabendo que não está, mas não estou disposta a discutir. Começo a levantar-me, querendo devolver Charm antes que Haven retorne, quando Romy se ajoelha frente a mim e coloca sua mão na cabeça de Charm, fechando seus olhos enquanto diz uma série de palavras indecifráveis.
― Sem magia. — avisa Damen. ― Não neste caso.
Mas Romy só suspira e se senta sobre seus calcanhares.
― Não funciona no fim da vida. — diz ela, ainda olhando para Charm. ― Ela se parece com o Jinx nessa idade, não é verdade?
― Que idade? — Rayne ri, empurrando sua irmã enquanto ambas começam a rir.
― Podemos ter estendido sua vida algumas vezes. — diz Romy, suas bochechas rosadas enquanto olha para nós, me incitando a olhar para Damen e pensar: “Viu? ”
Mas ele só sacode sua cabeça de novo e pergunta: “Haven? ”
― Podemos ter um gato? — pergunta Romy. ― Um gatinho negro como este? — Recolhendo sua magia enquanto o olha de uma maneira que é difícil resistir. ― São maravilhosos companheiros e muito bons cuidadores da casa. Que diz? Podemos? Por favor?
― Nos ajudaria a recuperar nossa magia — acrescenta Rayne, assentindo para ele.
Olho Damen, lendo sua expressão e sabendo que seria bom fazê-lo. Qualquer coisa que as gêmeas queiram, elas conseguem. É tão simples como isso.
― Discutiremos sobre isso depois. — Damen diz, tentando um olhar severo, mas o gesto está vazio, todo mundo sabe disso, exceto ele.
Levanto-me do sofá e me dirijo para a porta, precisando levar Charm à casa antes que Haven retorne.
― Está aborrecida comigo? — Damen agarra minha mão e me leva a meu automóvel.
Sacudo minha cabeça e sorrio. É impossível estar zangada com ele, ou pelo menos não por muito tempo.
― Não vou mentir, esperava que estivesse do meu lado. — Encolho os ombros, pondo Charm em seu lugar, antes de me apoiar na porta chegar mais perto dele. ― Mas não significa que não entenda seu ponto de vista. Só queria ajudar Haven, só isso.
― Apenas esteja lá para ela. — Sinto seu escuro olhar sobre mim. ― Isso é tudo o que ela realmente quer de você no final das contas. — Inclina-se para me beijar suas mãos se movendo sobre mim e me aquecendo até o meu âmago. Afastando-me para olhar para mim com aqueles profundos olhos de alma, a rocha para minha pena, meu parceiro eterno, cujas intenções são tão sólidas e boas que não posso somente esperar que ele nunca saiba de minha traição de ter rompido minha promessa de não visitar Roman logo depois de dizer para não fazer.
Ele segura meu rosto em suas mãos e olha em meus olhos. Percebendo minha mudança de humor tão facilmente como se meus olhos fossem dele.
Desvio meu olhar, pensando em Haven, Roman, a gata, e todos os enganos juntos que não posso deixar de fazer. Então esclareço os pensamentos e sacudo minha cabeça, indisposta a visitar aquele lugar quando digo.
― Te vejo amanhã? — Logo terminando as palavras antes que se incline para me beijar de novo, um escorregão de energia pulsando seus lábios e os meus.
Mantendo o momento tanto quanto podemos, nenhum dos dois dispostos a nos separar, até que um coro duplo de “ah! Que nojo! Realmente temos que ver isto? ”  Sai da janela de cima.
― Amanhã. — sorri Damen, me vendo entrar em meu automóvel antes de dirigir-se para dentro.

4 comentários:

  1. mds ele vai tornar ela imortal...esse tal trabalho ta meio estranho

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  2. kkkkkkkk, isso foi engraçado! Amo essas duas gemias!
    Ass: Bina.

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  3. Ever e Damem, Sendo Pais? Por Essa Eu não esperava!!

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