31 de outubro de 2015

Dezesseis

No momento em que estacionei Sabine liga para o meu celular, me dizendo que me apresse e peça uma pizza para o jantar porque ela tem que trabalhar até tarde. E ainda quando sinto-me tentada de lhe contar de meu novo trabalho, não o faço. Quero dizer, obviamente preciso informar-lhe embora seja para me liberar do que ela tem preparado, mas ainda assim, não há forma de que eu admita ter obtido este trabalho em particular. Ela pensaria que é estranho. Inclusive omitirei tudo o que for referente a receber dinheiro por minhas leituras (e acreditem, eu nunca mencionaria isso) ela ainda pensaria que um trabalho em uma loja de livros metafísicos é estranho.
Ou, melhor inclusive tolo. Quem sabe?
Sabine é muito razoável e racional para apoiar esse tipo de coisas, preferindo viver em um mundo que é lógico e sólido, isso tem todo o sentido, comparado com um mundo que é justamente o contrário.
E enquanto odeio ter que lhe mentir sempre, realmente não vejo nenhuma opção.
Não há uma possibilidade de que ela possa conhecer a verdade sobre mim, e que vou fazer leituras sob o nome código de Avalon.
Simplesmente vou dizer-lhe que obtive um trabalho em uma loja local, um lugar normal, como uma livraria comum, ou melhor em um Starbucks. E então, claro, teria que encontrar uma forma de respaldar a história no caso dela cobrar isso.
Estacionei na garagem e me dirigi para a escada, atirando minha bolsa sobre a cama sem olhar sequer, então me dirigindo a meu closet tirei minha camisa. Estava a ponto de desabotoar meus jeans quando Damen diz:
― Não se preocupe comigo, eu estou desfrutando da vista. — Cubro meus peitos com meus braços, meu coração pulsando três vezes mais rápido enquanto Damen assobia suave e docemente e sorri.
― Nem sequer o havia visto. Inclusive não pude te sentir — disse, recolhendo minha camisa de novo.
― Suponho que estava muito distraída — sorri, mostrando o espaço a seu lado, seu sorriso aumentando quando ponho minha camisa antes de me unir a ele.
― O que está fazendo aqui? — Pergunto-lhe, embora não me interesse realmente a sua resposta. Simplesmente estou feliz de estar perto de novo.
― Imaginei que já que Sabine está trabalhando até tarde...
― Como...? — Mas então sacudo minha cabeça e rio. Claro que sabe. Pode ler a mente de todos, incluindo a minha, mas só quando o permito. E inclusive quando usualmente deixo meu escudo baixo, fazendo meus pensamentos acessíveis para que os leia, justo agora não posso fazê-lo. Sinto como se precisasse lhe explicar, lhe dar minha versão da história, antes de que o possa tomar de minha cabeça e tirar suas próprias conclusões.
― E já que não veio depois da escola — se inclina para mim, seus olhos procurando os meus.
― Queria te dar um pouco de tempo com as gêmeas. — Aproximo um travesseiro de meu estomago e acaricio a capa. ― Já sabe, para que possam acostumar-se a estar juntos é isso. Encolho os ombros sabendo que ele não acreditaria isso nem por um segundo.
― Oh, nós estamos bastante acostumados a estar juntos — Damen ri. ― Isso lhe asseguro. — Sacode sua cabeça. ― Foi um dia muito ocupado e muito interessante, na falta de uma melhor palavra. Mas sentimos saudades — sorri, seus olhos detendo-se sobre meu cabelo, meu rosto, meus lábios, como o mais suave dos beijos. ― Teria sido melhor se tivesse estado lá.
Eu desvio meu olhar, duvidando que algo disso seja remotamente certo. Muito baixinho, com apenas um sussuro lhe digo:
― Estou certa que sim.
Ele toca meu queixo, me fazendo olhá-lo, sua cara mascarada com preocupação quando pergunta:
― Hey, o que se passa?
Pressiono meus lábios e afasto meu olhar, apertando tanto meu travesseiro, desejando não haver dito nada porque agora tenho que lhe dar uma explicação.
― Eu só não estou... — Sacudo minha cabeça. ― Não estou tão segura de que as gêmeas estejam de acordo contigo. Elas me culpam por tudo. E não é como se elas não tivessem a razão, quero dizer...
Mas antes que possa terminar, dou-me conta de que Damen está me tocando. Me tocando de verdade.
Sem luvas, sem abraços telepáticos, só o bom e antigo contato pele a pele ou pelo menos, quase contato.
― Como?
Olho-o, seus olhos brilhantes e risonhos quando me apanha olhando encantada sua mão nua, sem luva.
― Você gosta? — Ele sorri, tomando meu braço e levantando-o alto, enquanto ambos olhamos o magro véu de energia, a única coisa separando minha pele da sua, vibrando de energia. ― Estive praticando o dia todo. Nada vai afastar-me de você, Ever.
Olho-o me acelerando com as possibilidades, tudo o que isto pode significar.
Desfrutando da quase sensação de sua pele, separados tão somente pela mais magra barreira de pura e vibrante energia, invisível para todo mundo, exceto para nós dois. E enquanto de algum modo reduz a usual sensação de calor e eletricidade, e enquanto nunca poderia comparar-se com a realidade, simplesmente estar com ele é tudo o que posso obter.
Inclino-me para ele, observando o véu expandir-se até que se estira desde nossas cabeças até nossos pés, nos permitindo estar juntos como estávamos acostumados a fazê-lo.
― Muito melhor — eu sorrio, minhas mãos acariciando seu rosto, seus braços, seu peito. ― Sem mencionar que é muito menos embaraçoso que a luva de couro negro.
― Embaraçoso? — Ele se afasta e me olha, com uma careta de indignação fingida em sua cara.
― Vamos — rio. ― Inclusive você tem que admitir que era um total desatino de estilo.
- Pensava que Miles ia sofrer um ataque cada vez que a via. — Murmurei, inalando sua fantástica, cálida, almiscarada essência, enquanto enterro minha cara em seu pescoço. — Então como o faz? — Minha pele acariciando sua pele, tendo saudades de provar até a última polegada. ― Como aproveitou a magia de Summerland e a trouxe até aqui?
― Não tem nada que ver com Summerland — sussurra, seus lábios na curva de minha orelha. ― É somente a magia da energia. Além disso, a estas alturas já deveria saber que quase tudo o que pode fazer lá, posso fazer aqui também.
Olho-o, recordando Ava e as elaboradas jóias de ouro e roupas de desenhista que acostumava materializar ali, e como se incomodava quando estas não sobreviviam a viagem de volta a casa.
Mas antes que o pudesse mencionar, ele diz:
― Embora seja verdade que as coisas manifestadas lá não possam ser transferidas para aqui, se compreender como funciona a magia, se de verdade entender como tudo é feito de energia, então não há razão para que não possa manifestar as mesmas coisas aqui. Como seu Lamborghini, por exemplo.
― Dificilmente o chamaria meu Lamborghini — digo, com minhas bochechas ruborizando-se, apesar de que não faz muito tempo ele tinha uma obsessão com os automóveis exóticos. ― Com o segundo que fiz tive suficiente. O enviei de volta imediatamente. Quero dizer, não é como se tivesse ficado com ele.
Ele sorri, enterrando sua mão em meu cabelo e tomando-o entre as pontas de seus dedos.
― Enquanto manifestava coisas com as gêmeas o aperfeiçoei.
― Que tipo de coisas? — Pergunto, me movendo para vê-lo melhor, imediatamente distraída pela visão de seus lábios, recordando que tão quentes e sedosos se sentem sobre os meus, me perguntando se seu novo escudo de energia nos permitirá experimentar isso de novo.
― Tudo começou com uma TV de tela plana — sussurra. ― Ou deveria dizer, telas planas, dado que elas terminaram querendo um para o quarto de cada uma, além disso outras duas para o estúdio que as duas compartilham. E não se passou muito para que ficassem enganchadas, elas se sentaram para ver e não passaram cinco minutos antes que ficassem alagadas com imagens de coisas sem as que não podiam viver.
Eu pisquei, surpresa de escutar isso, dado que as gêmeas não pareciam estar muito interessadas nas coisas materiais em Summerland, mas talvez porque a maioria das coisas materiais perdiam valor uma vez que aprendia a manifestar algo que quisesse. Suponho que perder sua magia as tem feito justo como todos os outros – desejando tudo o que está fora de seu alcance.
― Confie em mim, elas são o sonho de um publicitário — sorri, sacudindo sua cabeça. ― Caindo justo nesse cobiçado mercado de treze a trinta.
― Exceto pelo fato de que não comprou realmente nenhuma dessas coisas, verdade? Você simplesmente fechou seus olhos e as fez aparecer. Dificilmente é o mesmo que ir à loja e usar seu cartão de crédito. De fato, você sequer tem um cartão de crédito.
Nunca o tinha visto carregar uma carteira, muito menos uma pilha de plástico.
― Não há necessidade — ri, seu dedo acariciando a ponta de meu nariz antes de tocar a ponta com seus lábios. ― Mas ainda que eu não tenha saído para comprar todas essas coisas, como tão generosamente assinalaste... — sorri ―isso não faz esses comerciais menos efetivos, o que era realmente meu ponto.
Eu me afasto, sabendo que espera que eu ria, ou que pelo menos diga algo leve em resposta, mas não posso. E inclusive quando odeio decepcioná-lo, sacudo minha cabeça e digo,
― De qualquer forma, deveria ser cuidadoso. — Viro meu corpo para que meu olhar se encontre com o seu. ― Não deveria mimá-las tanto, ou as fazer sentir tão acomodadas que logo se neguem a ir embora.
Ele pisca enquanto me olha, claramente confundido pelo que acabo de dizer, assim me apresso em me explicar.
― O que quero dizer é que precisa lhes recordar que viver contigo é uma solução temporária. Nossa meta principal é cuidar delas enquanto restauram sua magia e as levamos de volta a Summerland, que é o lugar a que pertencem.
Ele vira de barriga para cima e fica olhando o teto. Vira sua cara para a minha e diz:
― Quem disse? — Eu contenho minha respiração, meu estômago se aperta ligeiramente. ― Estive pensando, quem diz que elas pertencem a Summerland?
Eu me sobressalto, um argumento tratando de sair de meus lábios até que ele levanta seu dedo me detém.
― Ever, perguntar a elas se querem retornarem ou não é o mais indicado a fazer. Não estou certo de que nós sejamos os indicados para decidir isso.
― Mas nós não estamos escolhendo, minha voz treme instável. Isso é o que elas querem! Ou pelo menos isso é o que disseram na noite em que as encontrei. Elas estavam furiosas comigo, me culpando pela perda de sua magia, por condená-las a ficarem aqui, ou pelo menos Rayne o fazia; Romy bem, Romy é simplesmente Romy. — Encolhi os ombros. ― Mas não é isso? Está dizendo que isso mudou?
Ele fecha seus olhos por um momento, antes de encontrar de novo o meu olhar.
― Nem sequer penso que elas saibam o que querem a estas alturas — diz ele. ― Elas estão pouco aflitas, emocionadas pela possibilidade de estarem aqui, e ao mesmo tempo muito aterrorizadas para sequer sairem à rua. Acredito que deveríamos lhes dar um pouco de tempo e espaço e manter nossas mentes abertas à possibilidade de que elas fiquem um pouco mais do que estava planejado. Além disso, devo-lhes isso, é o mínimo que posso fazer. Não esqueça que elas me ajudaram a te encontrar.
Eu traguei fortemente, dividida entre o que é melhor para as gêmeas enquanto me preocupava com o impacto que isso possa ter em Damen e em mim. Quero dizer, elas estiveram aqui por menos de um dia e já estou sentindo saudades, o que é uma forma totalmente egoísta de ver as pessoas necessitadas. Mas ainda assim, não acredito que tenha que ser psíquico para saber que com elas duas em volta, requerendo todo tipo de assistência, momentos como este, em que estamos só Damen e eu serão severamente limitados.
― Essa foi a primeira vez que vocês se encontraram? Em Summerland? — Pergunto, recordando como Rayne dizia algo perto de Damen.
Damen sacode sua cabeça, seus olhos em meus, enquanto diz:
― Não, esta foi a primeira vez que as vejo em muito tempo. De fato nos conhecemos faz muito, desde Salem.
Olho-o, com a boca aberta, me perguntando se ele esteve ali durante os julgamentos, embora ele seja muito rápido para deixar acontecer isso.
― Foi justo depois que o problema começasse, eu estava tão só, estava passeando por aí. Elas tinham se metido em alguma travessura e não podiam encontrar o caminho de casa, assim, dei-lhes uma carona em minha carruagem, ri.
Eu estou a ponto de fazer algum comentário odioso, algo perto de “as mimando e sendo permissivo desde o começo”, quando ele diz:
― Elas sofreram, viveram uma vida extraordinariamente difícil, perdendo tudo o que amavam em uma idade muito precoce, certamente você há de entender? Sei o que eu faço.
Eu suspiro, me sentindo pequena e egoísta e envergonhada por ter sido lembrada disso. Determinada a soar prática digo:
― Mas quem vai criá-las? — Esperando que minha preocupação pareça estar relacionada com elas e não comigo. — Quero dizer, com toda sua raridade, sem mencionar sua história totalmente bizarra, aonde poderiam ir? Quem poderia ajudá-las?
― Nós vamos nos encarregar delas — Damen vira para o lado e me faz olhá-lo de novo. ― Você e eu, juntos. Somos os únicos que podem fazê-lo.
Eu suspiro, querendo lhe dar as costas, mas atraída pela ternura de seu olhar.
― Eu só não estou certa de que nós sejamos bons pais. — Encolho os ombros, minha mão movendo-se sobre seu ombro, me perdendo em um cacho de seu cabelo.
― Que modelo vamos seguir, ou guardiões, ou o que seja. Somos muito jovens! — acrescento, pensando que é um argumento bom e válido, e esperando qualquer reação de sua parte, exceto a risada que obtive.
― Muito jovem? — Sacode sua cabeça. ― Fale por si mesma! Eu estive por aqui durante um tempo, o suficiente para qualificar como possível guardião para as gêmeas. Além disso, quão difícil pode ser?
Eu fecho meus olhos e sacudo minha cabeça, recordando meus inúteis intentos de guiar Riley tanto em forma humana como fantasmal, e como falhei miseravlemente. E para ser honesta, não estou certa de querer fazê-lo de novo.
― Não tem ideia do que está fazendo — lhe digo. ― Não pode nem imaginar como é criar duas garotas de treze anos. É como domar gatos, totalmente impossível.
― Ever, diz ele, sua voz baixa, convincente, determinada a me tranquilizar e a afastar minhas preocupações. ― Eu sei o que realmente está te incomodando, mas acredite, posso fazê-lo. São só cinco anos mais até que elas completem dezoito e sejam independentes, e então terão a liberdade de fazer ou que quiserem. O que são cinco anos quando temos toda a eternidade?
Mas eu sacudo minha cabeça de novo, me negando a ser convencida.
― E se elas não quiserem ser independentes? — Digo. ― Acredite em mim, há muitos meninos que ficam em casa bastante tempo depois disso.
― Sim, mas a diferença é que não as deixaremos — sorri, seus olhos virtualmente me rogando para me alegrar e sorrir também. ― Vamos ensiná-las toda a magia que necessitam para ganhar sua independência e seguir por sua conta. Então as enviaremos para longe lhes desejando o melhor e iremos juntos para algum lugar, só você e eu.
E a forma como sorri, a forma como me olha nos olhos e acaricia meu cabelo para afastá-lo de meu rosto, impossibilita-me de permaneçer zangada. Pra que desperdiçar mais tempo neste tema quando meu corpo está tão perto do dele.
― Cinco anos não são nada, quando já se vive por seiscentos — diz ele, seus lábios na minha bochecha, meu pescoço, minha orelha.
Eu me aproximo mais, sabendo que ele tem razão, apesar do fato de que minha perspectiva é um pouco diferente da dele. Sem ter vivido mais de duas décadas em qualquer de minhas reencarnações, cinco anos como babá parece toda uma eternidade.
Ele me puxa para si, seus braços me abraçando fortemente, me tranquilizando em uma forma que desejaria que pudesse durar para sempre.
― Tudo bem — sussurra. ― Terminamos com isto?
Eu concordo, pressionando fortemente meu corpo contra o seu, sem necessitar de palavras. A única coisa que preciso agora, a única coisa que poderia me fazer sentir melhor, é o tranquilizador toque de seus lábios.
Viro meu corpo até que esteja cobrindo o seu, me conformando com a sensação de seu duro peito, o vale de seu dorso, o vulto perto de seus quadris. Corações pulsando em perfeitas cadências, vagamente conscientes do magro véu de energia pulsando entre nós descendo minha boca até a sua, pressionando e exigindo e nos entrelaçando juntos, semanas de necessidade fluindo à superfície, até que tudo o que quero fazer é fundir meu corpo com o seu.
Ele geme, produzindo som animal saindo das profundezas do seu ser, suas mãos ao redor de minha cintura, me aproximando ainda mais, até que não fica nada entre nós exceto dois pares de roupas que precisam sair de nosso caminho.
Eu me debato enquanto ele se apressa em me tirar a camisa, ambos nos encontrando em entrecortados suspiros enquanto nossos dedos se apressam, tão rápido como podem, incapazes de completar suas tarefas o suficientemente rápido para satisfazer nossos desejos.
E justamente quando eu desaboto meu jeans e começo a deslizá-los para baixo que dou-me conta que nos aproximamos tanto que o véu de energia foi afastado.
― Damen! — Grito, olhando como ele se levanta da cama, seu fôlego saindo tão rápido e pesado que suas palavras estão entrecortadas ao final.
― Ever, eu — sacode sua cabeça ― eu sinto muito, eu pensei que fosse seguro, eu não me dei conta.
Eu procuro minha camisa e me cubro com ela, bochechas ruborizadas, sabendo que ele tem razão, não podemos nos arriscar, não podemos nos deixar levar assim.
― Eu sinto também. Creio que eu o afastei. — Deixo cair minha cabeça, permitindo que meu cabelo cubra meu rosto, me sentindo pequena insignificante, certa de que a culpa foi minha.
O colchão se afunda enquanto ele retorna para o meu lado, o véu completamente restaurado enquanto ele levanta meu queixo e me faz encará-lo de novo.
― Não, eu sou o culpado, perdi a concentração, estava tão concentrado em ti que não pude mantê-lo.
― Está bem, de verdade — digo eu.
― Não, não está. Eu sou mais velho que você. Deveria ter mais controle — sacode sua cabeça e fica olhando a parede, seus olhos esgotando-se de repente enquanto vira para mim e diz:
― Ever, como saberemos que isto é verdade?
Eu pisco, sem compreender a que se refere.
― Que tipo de prova temos? Como sabemos que Roman não está nos enganando, divertindo-se às nossas custas.
Eu suspiro profundamente e dou de ombros, me dando conta de que não tenho nenhuma prova. Meus olhos se encontram com os seus enquanto revivo a cena desse dia, tudo até o final, quando eu acrescentei meu sangue à mistura e fiz Damen bebê-la, me dando conta de que a única prova que tenho é a extrema falta de confiança na palavra de Roman.
― Quem sabe se isso é realmente legítimo? Seus olhos se abrem enquanto uma ideia começa a formar-se. ― Roman é um mentiroso, não temos nenhuma razão para acreditar nele.
― Sim, mas não é como se nós pudéssemos prová-lo. Quero dizer, e se não se tratar de um grande jogo e se for real? Nós não podemos nos arriscar, não é verdade?
Damen sorri, levantando-se da cama e dirigindo-se para minha mesa onde fecha os olhos e manifesta uma vela grossa, branca em um elaborado estojo de ouro, uma afiada adaga de prata, com sua ponta aguda e suave, seu cabo decorado com cristais e ouro e um espelho com um marco de ouro que descarrega a seu lado, assinalando que me ama enquanto diz:
― Normalmente diria as damas primeiro, mas neste caso…
Estica sua mão sobre o vidro e levanta a adaga, colocando a ponta contra sua palma e riscando a curva de sua linha da vida, vendo seu sangue fluir para o espelho, agrupando-se, coagulando-se, antes de fechar seus olhos e acender a vela. A ferida já está aberta no momento em que o passa a adaga pelo fogo, limpando-a, desencardindo-a, antes de me pedir que faça o mesmo.
Eu me inclino para ele, olhando-o profundamente enquanto corto rapidamente minha pele, a princípio, fazendo uma careta com a aguda espetada de dor, então observando fascinada, como o sangue sai de minha palma para o espelho onde lentamente se aproxima do seu sangue.
Ficamos juntos, nossos corpos paralisados, observando como as duas gotas rubis se unem, misturando-se e se convertendo em um perfeito exemplo de nossa afinidade genética, unindo-se, justo o que Roman nos advertiu que não fizéssemos.
Esperando que algo aconteça, algum tipo de castigo catastrófico pelo que temos feito, mas obtendo nada, nenhuma reação.
― Bom, maldito seja — diz Damen, seus olhos encontrando-se com os meus. ― Está bem!
Perfeitamente suas palavras se detêm pela repentina faísca e explosão de nosso sangue que começa a ferver, conduzindo tanto calor que uma enorme nuvem de fumaça se levanta do espelho e enche o ar, rangendo e borbulhando até que o sangue se evapora completamente. Deixando para trás somente uma fina camada de pó em um espelho queimado.
Exatamente o que aconteceria a Damen se nosso DNA se misturasse. Ficamos sem palavras, inseguros de que dizer. Mas as palavras já não eram necessárias, o significado estava claro. Roman não estava jogando. Sua advertência era real. Damen e eu nunca poderíamos estar juntos.
A menos que eu pagasse seu preço.
― Bem — Damen assente, lutando para parecer calmo embora sua cara esteja claramente afetada. ― Suponho que Roman não seja tão mentiroso como eu pensava, pelo menos neste caso.
― O que também significa que ele tem o antídoto e tudo o que temos que fazer agora é...
Mas não posso terminar de falar antes que Damen me detenha.
― Ever por favor, nem sequer mencione isso. Simplesmente me faça um favor e mantenha-se afastada de Roman. Ele é perigoso e instável e não quero você perto dele, está bem? Só isso.
Então sacode sua cabeça e passa os dedos por seu cabelo, sem querer que eu veja quão afetado está realmente e dirige-se à porta enquanto diz:
― Somente me dê um pouco de tempo para resolver as coisas. Pensarei em uma solução.
Ele me olha, tão sacudido pelos eventos que está determinado a manter distância. Manifesta uma única tulipa vermelha em minha mão cicatrizada em lugar de um beijo, antes de dirigir-se para a escada e à porta de minha casa.

7 comentários:

  1. Retiro que eu disse, agora eu odeio o Roman!
    Ass: Bina.

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  2. Tinha esperança que Roman estivesse mentindo....
    P.S. Só eu quero que eles adotem as gêmeas?

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  3. Sou a unica q acha q as gemeas conhecem a Ever de outras vidas ea Romy nao gosta dela pq ja sabe q ela so faz cagada desde sempre ? Kkkk se elas estao em summerland ha 300 anos,pode ter conhecido a Ever nas outras vidas...cheguei a pensar q elas fossem filhas deles dois,mas lembrei q eles nunca chegaram a transar,entao descartei a possibilidade..

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  4. Sou muito iludida ,pensei que iria dar certo :(

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  5. a autora da saga foi muito inteligente, afinal fez todo esse drama para que pudesse vender todos os livros...seis livros onde ela expõe esse drama e mesmo deixando todos os leitores com raiva por conta da enrolação, deixam-nos tão curiosos a ponto de ler toda a saga só pra saber oq vai acontecer...rsrs

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  6. Só eu q tenho a breve impressão de q a Rayne tem uma quedinha pelo Damen?

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