31 de outubro de 2015

Dezesseis

No momento em que estaciono, Sabine me liga me dizendo para pedir uma pizza para o jantar porque ela tem que trabalhar até tarde. E ainda quando me sinto tentada de lhe contar de meu novo trabalho, não o faço. Quero dizer, obviamente preciso informar-lhe embora seja para me liberar do que ela tem preparado, mas ainda assim, não há forma de que eu admita ter obtido este trabalho em particular. Ela pensaria que é estranho. Mesmo que eu omita o fato de ser paga por leituras (e acreditem, eu nunca mencionaria isso) ela ainda pensaria que um trabalho em uma loja de livros metafísicos é estranho.
Talvez até tolo. Quem sabe?
Sabine é muito razoável e racional para apoiar esse tipo de coisas, preferindo viver em um mundo lógico e sólido, isso tem todo o sentido, comparado com um mundo que é justamente o contrário.
E enquanto odeio mentir sempre, realmente não vejo nenhuma opção.
Não há uma possibilidade de que ela possa conhecer a verdade sobre mim, e que vou fazer leituras sob o codinome de Avalon.
Simplesmente vou dizer que obtive um trabalho em uma loja local, um lugar normal, como uma livraria comum, ou melhor em um Starbucks. E então, claro, teria que encontrar uma forma de respaldar a história no caso dela cobrar isso.
Estacionei na garagem e me dirigi para a escada, atirando minha bolsa sobre a cama sem olhar sequer, então me dirigindo a meu closet tirei minha camisa. Estava a ponto de desabotoar meus jeans quando Damen diz:
― Não se preocupe comigo, eu estou desfrutando da vista. — Cubro meus peitos com meus braços, meu coração pulsando três vezes mais rápido enquanto Damen assobia suave e docemente sorri.
― Nem sequer o vi. Inclusive não pude te sentir. — disse, recolhendo minha camisa de novo.
― Acho que você estava muito distraída. — Ele sorri, mostrando o espaço a seu lado, seu sorriso aumentando quando ponho minha camisa antes de me unir a ele.
― O que está fazendo aqui? — Pergunto-lhe, embora não me interesse realmente a sua resposta. Simplesmente estou feliz de estar perto de novo.
― Imaginei que já que Sabine está trabalhando até tarde...
― Como você...? — Mas então sacudo minha cabeça e rio. Claro que sabe. Pode ler a mente de todos, incluindo a minha, mas só quando o permito. E inclusive quando usualmente deixo meu escudo baixo, fazendo meus pensamentos acessíveis para que os leia, justo agora não posso fazê-lo. Sinto como se precisasse lhe explicar, lhe dar minha versão da história, antes de que o possa tomar de minha cabeça e tirar suas próprias conclusões.
― E já que você não veio depois da escola. — Ele se inclina para mim, seus olhos procurando os meus.
― Eu queria te dar um pouco de tempo com as gêmeas. — Eu puxo um travesseiro e acaricio a capa. ― Você sabe, para que possam acostumar-se a estar juntos é... ―Encolho os ombros sabendo que ele não acreditaria isso nem por um segundo.
― Oh, nós estamos bastante acostumados a estar juntos — Damen ri. ― Isso lhe asseguro. — Sacode sua cabeça. ― Foi um dia muito ocupado e muito interessante, na falta de uma melhor palavra. Mas sentimos saudades. — Ele sorri, seus olhos em meu cabelo, meu rosto, meus lábios, como o mais suave dos beijos. ― Teria sido melhor se você tivesse lá.
Eu desvio meu olhar, duvidando que algo disso seja remotamente certo. Muito baixinho, com apenas um sussurro lhe digo:
― Aposto que sim.
Ele toca meu queixo, me fazendo olhá-lo, o seu rosto era pura preocupação.
― Ei, o que houve?
Pressiono meus lábios e afasto meu olhar, apertando tanto meu travesseiro, desejando não haver dito nada porque agora tenho que lhe dar uma explicação.
― Eu só não estou... — Sacudo minha cabeça. ― Não tenho certeza de que as gêmeas concordam com você. Elas me culpam por tudo. Não estou dizendo que elas não têm razão, quero dizer...
Mas antes que possa terminar, dou-me conta de que Damen está me tocando. Me tocando de verdade.
Sem luvas, sem abraços telepáticos, só o bom e antigo contato pele a pele ou pelo menos, quase contato.
― Como você...?
Eu olho para ele, seus olhos brilhantes e risonhos quando me apanha olhando encantada sua mão nua, sem luva.
― Você gosta? — Ele sorri, tomando meu braço e levantando-o alto, enquanto ambos olhamos o fino véu de energia, a única coisa separando minha pele da sua, vibrando. ― Estive praticando o dia todo. Nada vai afastar-me de você, Ever.
Eu olho para ele, minha mente acelerando com as possibilidades, tudo o que isto pode significar. Desfrutando da quase sensação de sua pele, separados tão somente por uma fina barreira de pura e vibrante energia, invisível para todo mundo, exceto para nós dois. E enquanto de algum modo reduz a usual sensação de calor e eletricidade, e enquanto nunca poderia comparar-se com a realidade, simplesmente estar com ele é tudo o que posso obter.
Inclino-me para ele, observando o véu expandir-se até que se estira desde nossas cabeças até nossos pés, nos permitindo estar juntos como estávamos acostumados a fazê-lo.
― Muito melhor. — Eu sorrio, minhas mãos acariciando seu rosto, seus braços, seu peito. ― Sem mencionar que é muito menos embaraçoso que a luva de couro negro.
― Embaraçoso? — Ele se afasta e me olha, com uma careta de indignação fingida.
― Ora vamos. — Eu rio. ― Até mesmo você tem que admitir que era total fora de moda. Pensava que Miles ia sofrer um ataque cada vez que a via. — Murmurei, inalando sua fantástica, cálida, almiscarada essência, enquanto enterro minha cara em seu pescoço. — Então como o faz? — Minha pele acariciando sua pele, tendo saudades de provar até a última polegada. ― Como aproveitou a magia de Summerland e a trouxe até aqui?
― Não tem nada que ver com Summerland. — sussurra, seus lábios na curva de minha orelha. ― É somente a magia da energia. Além disso, a estas alturas já deveria saber que quase tudo o que pode fazer lá, posso fazer aqui também.
Olho-o, recordando Ava e as elaboradas joias de ouro e roupas de marca que acostumava materializar e como se incomodava quando estas não sobreviviam a viagem de volta a casa.
Mas antes que o pudesse mencionar, ele diz:
― Embora seja verdade que as coisas manifestadas lá não possam ser transferidas para aqui, se compreender como funciona a magia, se entender de verdade que tudo é feito de energia, então não há razão para que não possa manifestar as mesmas coisas aqui. Como seu Lamborghini, por exemplo.
― Dificilmente o chamaria de meu o Lamborghini. — Eu digo, com minhas bochechas se ruborizando, apesar do fato que há algum tempo ele tinha uma obsessão com carros exóticos. ― No segundo que o fiz, o enviei de volta imediatamente. Quero dizer, não é como se tivesse ficado com ele.
Ele sorri, enterrando sua mão em meu cabelo e enrolando-o entre as pontas de seus dedos.
― Enquanto manifestava coisas para as gêmeas eu o aperfeiçoei.
― Que tipo de coisas? — Pergunto, me movendo para vê-lo melhor, imediatamente distraída pela visão de seus lábios, recordando que tão quentes e sedosos sobre os meus, me perguntando se seu novo escudo de energia nos permitirá experimentar isso de novo.
― Tudo começou com uma TV de tela plana. — Ele sussurra. ― Ou deveria dizer, telas planas, dado que elas terminaram querendo um para o quarto, além de outras duas para o estúdio que as duas compartilham. E não se passou muito para que ficassem enganchadas, elas se sentaram para assistir e não passaram cinco minutos antes que ficassem inundadas de coisas que não poderia viver sem.
Eu pisquei, surpresa de escutar isso, dado que as gêmeas não pareciam estar muito interessadas nas coisas materiais em Summerland, mas talvez porque a maioria das coisas materiais perdiam valor uma vez que aprendia a manifestar o que quisesse. Suponho que perder sua magia as tem feito justo como todos os outros, desejando tudo o que está fora de seu alcance.
― Confie em mim, elas são o sonho de um anunciante. — Ele sorri, sacudindo sua cabeça. ― Caindo justo nesse cobiçado mercado de treze a trinta.
― Exceto pelo fato de que não comprou realmente nenhuma dessas coisas, não foi? Você simplesmente fechou seus olhos e as fez aparecer. Dificilmente é o mesmo que ir à loja e usar seu cartão de crédito. De fato, você sequer tem um cartão de crédito.
Nunca o tinha visto carregar uma carteira, muito menos uma pilha de plástico.
― Não preciso. — Ele ri, seu dedo acariciando a ponta de meu nariz antes de tocar a ponta com seus lábios. ― Mas ainda que eu não tenha saído para comprar todas essas coisas, como você tão generosamente apontou... — sorri ―Isso não faz esses comerciais menos efetivos, o que era realmente meu ponto.
Eu me afasto, sabendo que ele espera que eu risse, ou que pelo menos dissesse algo leve em resposta, mas não posso. E ainda que eu odeie decepcioná-lo, sacudo minha cabeça e digo.
― De qualquer forma, deveria ser cuidadoso. — Viro meu corpo para que meu olhar se encontre com o seu. ― Não deveria mimá-las tanto, ou as fazer sentir tão acomodadas, se não logo vão se negar a ir embora.
Ele pisca enquanto me olha, claramente confuso pelo que acabo de dizer, assim me apresso em me explicar.
― O que quero dizer é que precisa lhes recordar que viver contigo é uma solução temporária. Nossa meta principal é cuidar delas enquanto restauram sua magia e as levamos de volta a Summerland, que é o lugar a que pertencem.
Ele vira de barriga para cima e fica olhando o teto. Me fita e diz:
― Quem disse? — Eu contenho minha respiração, meu estômago se aperta ligeiramente. ― Estive pensando, quem diz que elas pertencem a Summerland?
Eu me sobressalto, um argumento tentando sair de meus lábios até que ele levanta seu dedo me detém.
― Ever, perguntar a elas se querem retornarem ou não é o mais indicado a fazer. Não tenho certeza de que devemos tomar essa decisão.
― Mas nós não estamos escolhendo. ― Minha voz treme instável. ― Isso é o que elas querem! Ou pelo menos isso é o que disseram na noite em que as encontrei. Elas estavam furiosas comigo, me culpando por perderem sua magia, por condená-las a ficarem aqui, ou pelo menos Rayne o fazia; Romy bem, Romy é simplesmente Romy. — Encolhi os ombros. ― Mas não é isso? Está dizendo que isso mudou?
Ele fecha seus olhos por um momento, antes de encontrar de novo o meu olhar.
― Eu não tenho certeza se eles ainda sabem o que querem neste momento. — Diz ele. ― Elas estão um pouco aflitas, emocionadas pela possibilidade de estarem aqui, e ao mesmo tempo muito aterrorizadas para sequer saírem à rua. Acredito que deveríamos lhes dar um pouco de tempo e espaço, manter nossas mentes abertas à possibilidade de que elas fiquem um pouco mais do que estava planejado. Além disso, devo-lhes isso, é o mínimo que posso fazer. Não esqueça que elas me ajudaram a te encontrar.
Eu respirei fundo, dividida entre o que é melhor para as gêmeas enquanto me preocupava com o impacto que isso possa ter em Damen e em mim. Quero dizer, elas estiveram aqui por menos de um dia e já estou sentindo saudades dele, o que é uma forma totalmente egoísta de ver as pessoas necessitadas. Mas ainda assim, não acredito que tenha que ser psíquico para saber que com elas duas em volta, requerendo todo tipo de assistência, momentos como este, em que estamos só Damen e eu serão severamente limitados.
― A primeira vez que vocês se encontraram foi em Summerland? — Pergunto, me lembrando de Rayne dizendo algo sobre Damen ajudando-as, não o contrário.
Damen sacode sua cabeça, seus olhos em meus, enquanto diz:
― Não, esta foi a primeira vez que as vejo em muito tempo. De fato, nos conhecemos há muito tempo, desde Salem.
Olho-o, com a boca aberta, me perguntando se ele esteve ali durante os julgamentos, embora ele seja muito rápido para deixar acontecer isso.
― Foi justo antes que o problema começasse, eu estava apenas de passagem. Elas tinham se metido em alguma travessura e não podiam encontrar o caminho de casa, assim, dei-lhes uma carona em minha carruagem e sua tia nunca soube. ― Ele ri.
E eu estou prestes a fazer alguns pequenos comentários, algo sobre ele estragar e mimá-las desde o início, quando ele diz:
― Elas sofreram, viveram uma vida extraordinariamente difícil, perdendo tudo o que amavam numa idade muito precoce, tenho certeza que você entende. Eu sei o que eu faço.
Eu suspiro, me sentindo pequena, egoísta e envergonhada por ter sido lembrada disso. Determinada a soar prática digo:
― Mas quem vai criá-las? — Esperando que minha preocupação pareça estar relacionada a elas e não a mim. — Quero dizer, com toda a sua estranheza absoluta, para não mencionar sua história totalmente bizarra, para onde iriam? Quem poderia cuidar delas?
― Nós vamos nos encarregar delas. — Damen vira para o lado e me faz olhá-lo de novo. ― Você e eu, juntos. Somos os únicos que podem fazê-lo.
Eu suspiro, querendo lhe dar as costas, mas sou atraída pela ternura de seu olhar.
― Eu não tenho certeza de que sejamos bons pais. — Encolho os ombros, minha mão movendo-se sobre seu ombro, me perdendo num cacho de seu cabelo. ― Ou tutores, ou guardiões, ou o que seja. Somos muito jovens! — Acrescento, pensando que é um argumento bom e válido, esperando qualquer reação de sua parte, exceto a risada que obtive.
― Muito jovem? — Sacode sua cabeça. ― Fale por si mesma! Eu estive por aqui durante um tempo, o suficiente para qualificar como possível guardião para as gêmeas. Além disso, quão difícil pode ser?
Eu fecho meus olhos e sacudo minha cabeça, recordando minhas inúteis tentativas de guiar Riley tanto em forma humana como fantasma, e como falhei miseravelmente. E para ser honesta, não tenho certeza de querer fazê-lo de novo.
― Você não tem ideia do que está se metendo. — Eu lhe digo. ― Não pode nem imaginar como é criar duas garotas de treze anos. É como domar gatos, totalmente impossível.
― Ever ― diz ele, sua voz baixa, convincente, determinada a me tranquilizar e a afastar minhas preocupações. ― Eu sei o que realmente está te incomodando, mas acredite, posso fazê-lo. São apenas mais cinco anos até que elas completem dezoito e sejam independentes, e então terão a liberdade de fazer ou que quiserem. O que são cinco anos quando temos toda a eternidade?
Mas eu sacudo minha cabeça de novo, me negando a ser convencida.
― E se elas não quiserem ser independentes? — Digo. ― Acredite em mim, há muitos jovens que ficam em casa bastante tempo depois disso.
― Sim, mas a diferença é que não deixaremos isso acontecer. — Ele sorri, seus olhos praticamente me rogando para me alegrar e sorrir também. ― Vamos ensiná-las toda a magia que necessitam para ganhar sua independência e seguir por conta própria. Então as enviaremos para longe lhes desejando o melhor e iremos juntos para algum lugar, só você e eu.
E a forma como sorri, a forma como me olha nos olhos e acaricia meu cabelo para afastá-lo de meu rosto, me impossibilita de continuar zangada. Pra que desperdiçar mais tempo neste tema quando meu corpo está tão perto do dele.
― Cinco anos não são nada, quando já se vive por seiscentos. — diz ele, seus lábios na minha bochecha, meu pescoço, minha orelha.
Eu me aproximo mais, sabendo que ele tem razão, apesar do fato de que minha perspectiva é um pouco diferente da dele. Sem ter vivido mais de duas décadas em qualquer de minhas reencarnações, cinco anos como babá parece toda uma eternidade.
Ele me puxa para um abraço forte, me tranquilizando em uma forma que desejaria que pudesse durar para sempre.
― Tudo bem? — Ele sussurra. ― Terminamos com isto?
Eu concordo, pressionando fortemente meu corpo contra o seu, sem necessitar de palavras. A única coisa que preciso agora, a única coisa que poderia me fazer sentir melhor, é o tranquilizador toque de seus lábios.
Viro meu corpo até que esteja cobrindo o seu, conforme a curva de seu peito, o volume de seus quadris. Corações pulsando em perfeitas sincronia, vagamente conscientes do fino véu de energia pulsando entre nós enquanto eu coloco minha boca na sua, pressionando, exigindo e nos entrelaçando juntos, semanas de necessidade fluindo à superfície, até que tudo o que quero fazer é fundir meu corpo com o seu.
Ele geme, produzindo um som profundo, suas mãos ao redor de minha cintura, me aproximando ainda mais, até que não fica nada entre nós exceto nossas roupas que precisam sair de nosso caminho.
Eu me debato enquanto ele se apressa em me tirar a camisa, nossa respiração que se encontram em gargalhadas curtas e irregulares, nossos dedos correm incapazes de completar suas tarefas rápido o suficientemente para satisfazer nossos desejos.
Justamente quando eu desabotoei meu jeans e começo a deslizá-los para baixo que me dou conta que nos aproximamos tanto que o véu de energia não existia mais.
― Damen! — Eu grito, olhando como ele pula da cama, seu fôlego saindo tão rápido e pesado que suas palavras estão entrecortadas ao final.
― Ever, eu... — Ele sacode sua cabeça. ― Eu sinto muito, eu pensei que fosse seguro, eu não percebi.
Eu procuro minha camisa e me cubro com ela, bochechas ruborizadas, sabendo que ele tem razão, não podemos nos arriscar, não podemos nos deixar levar assim.
― Eu sinto também. Creio que eu o afastei. — Abaixo a minha cabeça, permitindo que meu cabelo cubra meu rosto, me sentindo pequena insignificante, certa de que a culpa foi minha.
O colchão se afunda enquanto ele retorna para o meu lado, o véu completamente restaurado enquanto ele levanta meu queixo e me faz encará-lo de novo.
― Não, eu sou o culpado, perdi a concentração, estava tão concentrado em você que não pude mantê-lo.
― Está tudo bem, sério. —Eu digo.
― Não, não está. Eu sou mais velho que você. Deveria ter mais controle. — Ele sacode a cabeça e fica olhando a parede, a mandíbula apertada, o olhar longe, os olhos se estreitando de repente quando ele se vira para mim e diz:
― Ever, como saberemos que isto é verdade?
Eu pisco, sem ter ideia do que ele quer dizer.
― Que tipo de prova temos? Como sabemos que Roman não está nos enganando, divertindo-se às nossas custas.
Eu suspiro profundamente e dou de ombros, me dando conta de que não tenho nenhuma prova. Meus olhos se encontram com os seus enquanto revivo a cena desse dia, tudo até o final, quando eu acrescentei meu sangue à mistura e fiz Damen bebê-la, me dando conta de que a única prova que tenho é a palavra de Roman extremamente inconfiável.
― Quem sabe se isso é realmente legítimo? ― Seus olhos se abrem enquanto uma ideia começa a formar-se. ― Roman é um mentiroso, não temos nenhuma razão para acreditar nele.
― Sim, mas não é como se nós pudéssemos prová-lo. Quero dizer, e se não for um grande jogo e se for real? Nós não podemos nos arriscar, não é verdade?
Damen sorri, levantando-se da cama e dirigindo-se para minha mesa onde fecha os olhos e manifesta uma vela grossa, branca em um elaborado suporte de ouro, uma adaga de prata, com sua a lâmina afiada e lisa, seu cabo decorado com cristais e ouro e um espelho emoldurado de ouro, ele se põe ao lado dessas coisas, fazendo sinal para que eu me junte a ele enquanto diz:
― Normalmente diria as damas primeiro, mas neste caso…
Estica sua mão sobre o vidro e levanta a adaga, colocando a ponta contra sua palma e rasgando a curva de sua linha da vida, vendo seu sangue fluir para o espelho, agrupando-se, coagulando-se, antes de fechar seus olhos e acender a vela. A ferida já havia cicatrizar quando ele passa a adaga pelo fogo, limpando-a, desinfetando-a, antes de me pedir que faça o mesmo.
Eu me inclino para ele, respiro fundo enquanto corto rapidamente minha pele, a princípio, estremeci com a dor aguda, então observando fascinada, o sangue saindo de minha palma para o espelho onde lentamente se aproxima do seu sangue.
Ficamos juntos, nossos corpos paralisados, observando como as duas gotas rubis se unem, misturando-se e se convertendo em um perfeito exemplo de nossa afinidade genética, unindo-se, justo o que Roman nos advertiu que não fizéssemos.
Esperamos que algo aconteça, algum tipo de castigo catastrófico pelo que temos feito, mas não houve nada, nenhuma reação.
― Bom, maldito seja — diz Damen, seus olhos encontrando-se com os meus. ― Está tudo bem! Perfeitamente...
Suas palavras são interrompidas pela súbita faísca e explosão de nosso sangue que começa a ferver, conduzindo tanto calor que uma enorme nuvem de fumaça se levanta do espelho e enche o ar, rangendo e borbulhando até que o sangue se evapora completamente. Deixando para trás somente uma fina camada de pó em um espelho queimado.
Exatamente o que aconteceria a Damen se nosso DNA se misturasse. Ficamos sem palavras, inseguros de que dizer. Mas as palavras já não eram necessárias, o significado estava claro. Roman não estava jogando. Sua advertência era real. Damen e eu nunca poderíamos estar juntos.
A menos que eu pagasse seu preço.
― Bem. — Damen assente, lutando para parecer calmo embora seu rosto esteja claramente afetado. ― Suponho que Roman não seja tão mentiroso como eu pensava, pelo menos neste caso.
― O que também significa que ele tem o antídoto e tudo o que temos que fazer agora é...
Mas não posso terminar de falar antes que Damen me detenha.
― Ever por favor, nem sequer mencione isso. Simplesmente me faça um favor e mantenha-se afastada de Roman. Ele é perigoso e instável e não quero você perto dele, está bem? Só isso.
Então sacode sua cabeça e passa os dedos por seu cabelo, sem querer que eu veja quão afetado está realmente e dirige-se à porta enquanto diz:
― Somente me dê um pouco de tempo para resolver as coisas. Pensarei em uma solução.
Ele me olha, tão abalado que está determinado a manter distância. Manifesta uma única tulipa vermelha em minha mão cicatrizada em lugar de um beijo, antes de dirigir-se para a escada e à porta de minha casa.

12 comentários:

  1. Retiro que eu disse, agora eu odeio o Roman!
    Ass: Bina.

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  2. Tinha esperança que Roman estivesse mentindo....
    P.S. Só eu quero que eles adotem as gêmeas?

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  3. Sou a unica q acha q as gemeas conhecem a Ever de outras vidas ea Romy nao gosta dela pq ja sabe q ela so faz cagada desde sempre ? Kkkk se elas estao em summerland ha 300 anos,pode ter conhecido a Ever nas outras vidas...cheguei a pensar q elas fossem filhas deles dois,mas lembrei q eles nunca chegaram a transar,entao descartei a possibilidade..

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  4. Sou muito iludida ,pensei que iria dar certo :(

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  5. a autora da saga foi muito inteligente, afinal fez todo esse drama para que pudesse vender todos os livros...seis livros onde ela expõe esse drama e mesmo deixando todos os leitores com raiva por conta da enrolação, deixam-nos tão curiosos a ponto de ler toda a saga só pra saber oq vai acontecer...rsrs

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  6. Só eu q tenho a breve impressão de q a Rayne tem uma quedinha pelo Damen?

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  7. prestei mais antenção quando Ever viu o pasado das gemeas e viu que os olhos da tia delas pareciam familiares , acho que tem mai coisa envolvida nessa historia

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  8. FUI MUITO TROUXA KKKKK
    (esses k são lagrimas) Eu pensei q ia dar certo

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  9. ELES TEM QUE ACHAR A CURA L O G O

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  10. AAAIIII que ódio do Romam, Kara, que idiota que ele é, sério não se contenta em fazer tanto mal assim, e esse Jude, porque ele tinha que se meter na historia tomara que ele ajude ao invés de atrapalhar mais ainda, Só oque faltava, é que Jude se apaixone pela Ever, se a Ever pensar em ficar com ele, vou considerar este livro como o pior livro do mundo, já e super ruin esse sufoco de saber que entre aa Ever e o Damem não pode haver nada a não ser que o Damem mantenha aquele tal véu lá, hai aparece esse problema, HAAAA por favor... Tem que conseguir a cura meu Deusu

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  11. Até que fim ela assumiu que é egoista.

    Eu ja estava ficando sem esperança.
    Qual é a menina só pensa nela.

    Quem sabe ela se torne mais inteligente? 😆😆😆

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Comentários de volta!
Passamos algumas horas sem essa opção, mas estamos à ativa novamente :)

Boa leitura! E SEM SPOILER!