29 de outubro de 2015

Dezenove

Chegando ao estacionamento da escola no dia seguinte, não vejo Damen. Desço do carro, jogo a mochila nas costas e sigo para a aula, já me preparando para o pior, dizendo a mim mesma para ser forte, para segurar a onda.
Mas, assim que chego à sala, fico completamente imóvel. Olhando feito uma boba para a porta verde, incapaz de abri-la.
Uma vez que meus poderes mediúnicos evaporam sempre que o assunto envolve Damen, só o que consigo ver é o pesadelo que eu mesma fabrico na cabeça. Nele, Damen está debruçado sobre a carteira de Stacia, rindo e flertando, tirando rosas de todos os lugares e de todas as maneiras, e finge que nem me vê quando me arrasto rumo ao fundo da sala: apenas vira o rosto para se concentrar exclusivamente nela.
Não vou aguentar. Sério, não tenho forças para tanto. Porque, embora Stacia seja terrível, cruel e sádica, ela é terrível, cruel e sádica de um jeito direto, sem mistérios. A crueldade dela está lá, escrita na testa para quem quiser ler.
Eu, por outro lado, sou paranoica e arredia, tenho um milhão de segredos que não posso dividir com ninguém, vivo escondida sob um capuz e um par de óculos escuros e levo nos ombros um fardo muito difícil de carregar. Nem de longe sou uma pessoa simples, descomplicada.
Mais uma vez levo a mão à maçaneta, e me repreendo: Isso é ridículo. O que você vai fazer? Abandonar a escola? Você ainda tem um ano e meio pela frente! Portanto, pare de frescura e entre logo nesta sala!
Mas minha mão começa a tremer, recusando-se a colaborar. Estou prestes a fugir daqui quando um garoto surge atrás de mim, limpa a garganta e diz:
— E aí, vai entrar ou não vai? — E acrescenta mentalmente: Louca esquisita! Então respiro fundo e por fim entro na sala. E fico mais arrasada ainda quando vejo que Damen não está lá.
Na hora do almoço chego ao pátio e corro os olhos por todas as mesas à procura de Damen, mas não o encontro em parte alguma. Então sigo para a mesa de sempre e chego lá ao mesmo tempo que Haven.
— Seis dias e ainda nenhum sinal da Evangeline — ela diz. Larga a caixinha do cupcake sobre a mesa e acomoda-se à minha frente.
— Você já perguntou ao pessoal do grupo de anônimos? — interroga Miles, sentando-se a meu lado e abrindo sua garrafa de isotônico.
Haven revira os olhos e diz:
— Num grupo de anônimos todo mundo é anônimo, Miles.
Agora é Miles quem revira os olhos e diz:
— Eu estava me referindo à mentora dela.
— Não é mentora, garoto, é madrinha. Claro que já falei com ela, mas a mulher nada sabe. Drina acha que estou fazendo tempestade em copo d'água, que estou me preocupando à toa.
— Ela ainda está aqui? — Miles a olha com intensidade. Percebendo o tom da pergunta, fico ansiosa pela resposta que está por vir, tanto quanto Miles. Quase tudo que tem a ver com Damen e Drina é terreno minado para Haven.
— Está, Miles, ela agora mora aqui. Por quê? Algum problema? — ela pergunta, desconfiada.
Miles dá de ombros e toma um gole de sua bebida.
— Problema nenhum — responde em seguida. Mas os pensamentos dizem o contrário, e a aura, antes amarela, fica escura e opaca enquanto ele cria coragem para dizer o que realmente quer. — Só que...
— Só que o quê? — Haven encara Miles, os olhos apertados.
— Bem, é que...
Eu o encaro, pensando: Vá, Miles, diga tudo o que está em sua cabeça! Diga que essa tal de Drina não vale nada! É uma garota arrogante que só traz problemas e está levando nossa amiga para o mau caminho! Eu também acho tudo isso. Então, ande, diga: essa Drina é treva!
Miles hesita um pouco, as palavras empacadas na ponta da língua, e eu mal consigo respirar enquanto espero que elas venham à tona. Depois de um tempo, no entanto, ele exala um longo suspiro, balança a cabeça e diz:
— Deixe pra lá.
Olho para Haven, que crispa o rosto numa expressão de fúria, a aura expandindo-se em labaredas igualmente furiosas, prenunciando a explosão que virá daqui a três, dois, um...
— Sinto muito, Miles, mas, agora que você começou, vá até o fim. Se tem algo a dizer, desembuche logo e fale. — Ela encara Miles, não se lembrando sequer do cupcake que tirou da caixa, tamborilando os dedos na mesa enquanto espera por uma resposta. Percebendo que ela não vem, continua: — Qual é, Miles? E você também, Ever. Só porque fica muda aí, isso em nada diminui sua culpa.
Miles arregala os olhos para mim, perplexo, as sobrancelhas arqueadas. Sei que devo me pronunciar, fazer um escândalo qualquer perguntando exatamente do que sou culpada.
Mas, na verdade, já sei a resposta. Sou culpada por não gostar de Drina. Por não confiar nela. Por perceber algo estranho, até mesmo sinistro, na garota. E pela total incapacidade de disfarçar minhas desconfianças.
Haven balança a cabeça e revira os olhos, tão irritada que praticamente cospe as palavras ao dizer:
— Vocês dois nem a conhecem! Que direito têm de fazer algum julgamento? Fiquem sabendo que gosto da Drina. Faz pouco tempo que a gente se conhece, mas ela tem se mostrado uma amiga muito melhor do que vocês!
— Não é verdade! — berra Miles, os olhos faiscando. — Mas que maluq...
— Sinto muito, mas é verdade. Vocês dois apenas me toleram, suportam minha companhia, mas não me entendem do jeito que a Drina entende. Ela e eu gostamos das mesmas coisas, temos os mesmos interesses. Drina não quer me transformar em outra pessoa, como vocês no fundo querem fazer. Ela me aceita do jeito que sou.
— Ah, é? Então, foi por isso que ela mudou seu look inteiro, porque aceita você do jeito que é?
Haven fecha os olhos e conta até dez para não avançar em Miles. Depois, olha para ele, levanta-se, recolhe seus pertences e diz:
— Miles, me deixe. E você também, Ever.
— Ah, senhoras e senhores, acompanhem a mais dramática saída! — zomba Miles. — Caramba, você está brincando, né? Perguntei se a garota ainda estava aqui, só isso! E você solta os cachorros pra cima de mim! Ficou doida, mulher? Sente aí, vá! Relaxe.
Haven balança a cabeça e se apoia na mesa, deixando à mostra a tatuagem no pulso, já pronta, mas ainda vermelha e inflamada.
— Como é mesmo que isso chama? — pergunto, olhando para a cobra que morde o próprio rabo. Sei que se trata de um símbolo qualquer, uma espécie de criatura mítica, mas não me lembro do nome.
— Uróboro — responde Haven. E quando esfrega o dedo na tatuagem, juro que vejo a tal cobra espichar a língua em minha direção.
— O que isso significa?
— É um símbolo antigo da alquimia — diz Miles. — Representa a vida eterna, a criação a partir da destruição, a vida a partir da morte, a imortalidade, algo assim.
Haven e eu ficamos boquiabertas, mas ele simplesmente dá de ombros e diz:
— O que foi? Sou um cara informado, ora.
Novamente reparando na tatuagem, digo:
— Parece que está inflamada. Você devia dar uma olhada nisso.
Mas logo percebo que falei besteira, pois Haven baixa a manga da blusa com um gesto brusco e, com a aura flamejante, diz:
— Não tem nada de errado com a minha tattoo, ela está perfeita. Eu estou bem. Aliás, desculpem-me por tocar no assunto, mas não pude deixar de reparar que nenhum de vocês dois está preocupado com Damen, que, por sinal, faz dias que não dá as caras nesta escola! Que história é essa?
Miles baixa os olhos para o celular, eu faço cara de paisagem. Haven não deixa de ter razão. E a observamos balançar a cabeça, pegar seu cupcake e sair a passos firmes.
— Você pode me explicar o que acabou de acontecer aqui? — pergunta Miles, vendo Haven ziguezaguear apressada pelo labirinto de mesas, rumo a lugar nenhum.
Mas nem me importo com isso. Só consigo ter um pensamento: a cobra no pulso de minha amiga, virando a cabeça para me encarar com olhos vidrados.

Paro o carro diante de casa e encontro Damen à minha espera, recostado no BMW.
Sorrindo, ele vem a meu encontro, abre minha porta e diz:
— E aí, como foi a aula?
Pego minhas coisas e desço sem dizer nada.
— Ah, ainda está brava comigo — ele diz enquanto me segue até a entrada de casa. Embora não encoste um dedo em mim, sinto o calor que emana de seu corpo.
— Não estou brava — resmungo, abrindo a porta e jogando minha mochila no chão.
— Ainda bem. Porque fiz reserva para dois num lugar aí e, como você não está brava comigo, suponho que vá aceitar meu convite.
Olho para ele, examinando os jeans escuros, as botas e um suéter preto e molinho, que só pode ser de cashmere, e imagino qual será a surpresa da vez.
Ele retira meus óculos e fones de ouvido e os joga no aparador do hall.
— Confie em mim, você não vai precisar de toda essa defesa — diz. Depois baixa meu capuz, passa o braço por minha cintura e me conduz porta afora, rumo ao BMW.
— Pra onde está me levando? — pergunto e me esborracho no banco do passageiro, completamente sem postura, sempre ansiosa para ceder às extravagâncias dele. — Tenho um monte de deveres da escola a fazer...
Ele acomoda-se na direção e diz:
— Relaxe, você pode estudar depois, prometo.
— Depois, quando? — Olho furtivamente para ele e me pergunto se um dia ainda vou me acostumar a tanta beleza, ao calor desse olhar, a essa lábia com a qual sempre consegue o que quer.
Damen sorri e dá partida no carro sem nem girar a chave na ignição.
— Antes das badaladas de meia-noite, prometo — responde. — Agora aperte o cinto, porque vamos decolar.
Damen pisa fundo, muito fundo, quando dirige. Portanto, quando entramos no estacionamento e deixamos o carro com o manobrista, fico com a impressão de que chegamos ali em cinco minutos.
— Que lugar é este? — pergunto, admirando os prédios verdes e a placa em que se lê ENTRADA LESTE. — Entrada para o quê?
— Acho que sua resposta vem vindo ali. — Damen ri, envolvendo-me com os braços enquanto quatro puros-sangues suados passam por nós, puxados por seus cavalariços, seguidos de um jóquei de jaqueta verde e rosa, calças de montaria brancas e um par de botas pretas sujas de lama.
— Um hipódromo? — digo espantada. Assim como no outro dia, quando fomos para a Disney, eu jamais poderia imaginar que seria trazida para um lugar destes.
— Não é um hipódromo qualquer. É o hipódromo de Santa Anita, um dos melhores do mundo. — Ele acena positivamente com a cabeça. — Agora vamos, porque temos reserva para as 15h15 no FrontRunner.
— No quê? — pergunto, estática.
— Relaxe, é só um restaurante. — Damen ri. — Ande, venha, não quero perder as apostas.
— Hmm, por acaso isso não é ilegal? — digo, mesmo sabendo que estou parecendo uma estraga-prazeres. Mas Damen é tão inconsequente, tão impulsivo e tão... despreocupado com a lei.
— Comer é ilegal? — Ele ri, mas vejo que já está ficando um tanto impaciente.
— Não, estou falando de apostar, jogar, que seja, você sabe.
Ele ri e balança a cabeça.
— Isto aqui é um turfe, Ever. Um lugar de corridas de cavalo, não é uma rinha de galos. Agora venha. — Ele aperta minha mão e me puxa para um elevador.
— Mas não é preciso ter vinte e um anos?
— Dezoito — ele resmunga e aperta o botão do quinto andar.
— Então. Tenho dezesseis e meio.
Damen balança a cabeça e inclina-se para me dar um beijo.
— Regras existem para serem quebradas. Caso contrário, a vida seria muito chata. Pronto, chegamos.
Atravessamos um corredor e alcançamos um amplo salão decorado com diferentes tonalidades de verde. Damen para de frente para o pódio e cumprimenta o maître como se estivesse diante de um amigo que não vê há muito tempo.
— Ah, Sr. Auguste, que prazer em vê-lo! Sua mesa já está pronta, venha comigo.
Damen toma minha mão e me conduz pelo salão, repleto de casais, aposentados, homens solitários, grupos de mulheres, pais com seus filhos... nenhuma mesa livre senão a nossa, que fica bem na altura da linha de chegada, com uma linda vista para a pista e para as colinas verdes do horizonte.
— Tony virá imediatamente para atendê-los. Posso trazer seu champagne?
Damen olha para mim e faz que não com a cabeça. Ligeiramente corado, diz:
— Hoje, não.
— Pois bem. As apostas começam em cinco minutos.
— Champagne? — sussurro, arqueando as sobrancelhas.
Mas Damen simplesmente dá de ombros e abre o programa dos páreos.
— Que tal o Spanish Fly? — Ele olha para mim e, sorrindo, emenda: — Estou falando do cavalo, não do afrodisíaco.
Mas estou ocupada demais para responder, observando o cenário à minha volta, procurando assimilar todos os detalhes. O restaurante não só é enorme, como também está completamente lotado bem no meio da semana. Aliás, no meio da tarde! E essas pessoas todas apostando? Será que não trabalham? Tenho a impressão de que vim parar num mundo novo de cuja existência eu nem sequer suspeitava. Fico pensando se é aqui que Damen passa todo o seu tempo livre.
— Então, o que você diz? Quer apostar? — Ele olha rapidamente para mim antes de fazer algumas anotações.
— Apostar? — Faço que não com a cabeça. — Eu não saberia nem por onde começar.
— Bem, eu poderia explicar tudo: as estatísticas, os prognósticos, a genealogia dos animais... Mas como não temos muito tempo, por que você não dá uma olhada rápida neste programa e diz apenas o que sente, os nomes que chamam sua atenção. Sempre deu certo comigo.
Com o programa nas mãos, corro os olhos pelos nomes e levo um susto quando três deles praticamente saltam à minha frente numa ordem específica:
— Que tal Spanish Fly em primeiro lugar, Acapulco Lucy em segundo e Son of Buddha em terceiro? — digo, sem fazer a menor ideia de como cheguei a essas escolhas, mas bastante confiante nelas.
— Lucy em segundo, Buddha em terceiro... — ele murmura, anotando tudo no boleto de apostas. — E quanto você quer apostar? O mínimo é de dois dólares, mas você pode ir bem mais alto que isso, claro.
— Dois dólares está ótimo — digo, subitamente insegura, nem um pouco disposta a fazer um rombo em minhas finanças só por causa de um palpite.
— Tem certeza? — pergunta Damen, parecendo decepcionado.
— Tenho. — Concordo com a cabeça.
— Bem, acho que você fez boas escolhas, então vou apostar cinco. Cinco, não, dez.
— Não faça isso! — digo. — Quer dizer, nem sei por que escolhi esses nomes!
— Pois vamos descobrir daqui a pouco — ele retruca e levanta-se da mesa. Pego minha carteira, mas Damen não me deixa pagar. —Você me reembolsa depois, quando receber sua parte do rateio. Agora preciso ir ao guichê. Peça o que quiser quando o garçom aparecer.
— E você, vai querer o quê? — pergunto, mas Damen sai tão rápido que nem mesmo me ouve.
Quando ele volta, os cavalos já estão todos perfilados na linha de saída. Em poucos segundos é dada a largada, e eles irrompem de seus respectivos boxes, inicialmente formando um grande borrão escuro na pista, mas se distanciando uns dos outros logo depois da primeira curva, disparados rumo à linha de chegada. Imediatamente fico de pé quando vejo que meus três escolhidos estão tomando a dianteira e quase tenho uma síncope quando eles cruzam a chegada exatamente na ordem em que apostei.
— Caramba, a gente ganhou! A gente ganhou! — exclamo, sorrindo enquanto Damen se inclina para me dar um beijinho de comemoração. — É sempre tão divertido assim? — digo e observo Spanish Fly trotar para a área de premiação e receber as guirlandas de flores com as quais será fotografado.
— Quase sempre. — Damen faz que sim com a cabeça. — Mas nada supera a primeira vez que a gente ganha, essa é sempre a melhor.
— Bem, no meu caso, nem deve ser tanto dinheiro assim — digo, já arrependida de não ter confiado em minha intuição e arriscado alguns trocados a mais.
— Já que só apostou dois dólares, deve ter ganhado algum valor em torno de oito...
— Oito dólares? Só isso? — Aperto os olhos, um tanto desapontada.
— Oitocentos, Ever — completa Damen, rindo. — Para ser mais exato, 880 dólares e 60 centavos. Você acertou a trifeta, isto é, os três primeiros lugares na ordem correta.
— Tudo isso só com dois dólares? — pergunto, agora entendendo por que ele tem uma mesa cativa neste lugar.
Damen faz que sim com a cabeça.
— E você, ganhou quanto? — pergunto. — Apostou dois dólares também?
— Não. — Ele sorri. — Na verdade, perdi. Feio. Sou ganancioso, apostei na quadrifeta. Quer dizer, acrescentei outro cavalo além dos três que você sugeriu, mas ele ficou para trás. Mas não se preocupe, na próxima eu me recupero.
Dito e feito. Quando fomos ao guichê depois do oitavo e último páreo, embolsei um total de 1.645 dólares e 80 centavos, enquanto Damen embolsou muito mais, já que acertou os cinco primeiros cavalos na ordem exata em que eles chegaram. E como foi o único a se arriscar nessa modalidade, o primeiro em muitos dias, ganhou 536 mil dólares e 41 centavos — com uma aposta de apenas dez dólares.
— Então, gostou do programa? — ele pergunta, seu braço me envolvendo para me conduzir à saída.
— Agora entendo por que você anda tão sumido das aulas. Afinal, não tem nem comparação, né? — Começo a rir, talvez por conta da adrenalina em função de minhas vitórias. Acho que enfim encontrei uma utilidade rentável para meus poderes mediúnicos.
— Venha comigo, quero comprar um presentinho para você com a grana que acabei de ganhar. — Damen me leva para a gift shop do hipódromo.
— Não precisa, por favor...
Mas ele aperta minha mão e sussurra em meu ouvido:
— Faço questão. Além do mais, estou podendo, não estou? Só tem uma condição.
Olho para ele.
— Qual?
— Nada de moletons com capuz, O.K.? — ele diz, rindo. — Qualquer coisa, menos moletom.
Depois de muitas risadas e de sugestões como um boné de jóquei, um cavalo em miniatura, uma ferradura de bronze para pendurar em meu quarto, acabamos decidindo por uma pulseira de prata com cristaizinhos. Mas só depois de me assegurar de que eram cristais mesmo, e não diamantes, pois aí já seria demais, apesar de todo o dinheiro que ele acabara de faturar.
— Agora, aconteça o que acontecer, você nunca vai se esquecer desse dia — ele diz, e coloca a pulseira em meu braço enquanto esperamos pelo carro.
— Como eu poderia me esquecer de um dia desses? — pergunto, olhando fixamente para meu pulso, depois para ele.
Entramos no carro, e só então percebo certa melancolia no olhar de Damen, uma tristeza tão comovente que essa, sim, merece ser esquecida.
A viagem de volta me parece ainda mais rápida que a de ida e, chegando em casa, tenho uma súbita vontade de que esse dia nunca termine.
— Olhe só para isso — diz Damen, apontando para o relógio. — Bem antes da meia-noite, como prometido. — E quando ele se inclina para me beijar, retribuo com tanto entusiasmo que por pouco não arrasto o garoto para o banco do carona.
— Posso entrar? — ele sussurra, tentando-me com beijos que começam na orelha, descem pelo pescoço e chegam à clavícula.
Solto-me daquele abraço e faço que não com a cabeça, perplexa comigo mesma.
Sabine está em casa e preciso estudar, mas não é só isso. Já é hora de me impor um pouco. Não posso continuar cedendo tão facilmente às vontades dele.
— A gente se vê na escola amanhã — digo ao sair do carro, antes que ele me faça mudar de ideia. — Lembra, Bay View? Aquele lugar que você costumava frequentar?
Damen desvia o olhar e solta um suspiro.
— Não vai dizer que pretende sumir... de novo? — pergunto.
— Essa história de escola é tão maçante, não sei como você consegue.
— Como eu consigo? — Olhando de relance para fora, vejo que Sabine nos espia pela janela. Assim que ela se afasta, volto o rosto para Damen e digo: — Bem, faço apenas do modo como você também costumava fazer: levanto da cama, troco de roupa e vou. E às vezes basta prestar um pouquinho de atenção na aula que a gente acaba aprendendo algo. — Assim que digo isso, percebo que acabei de mentir. Porque, na verdade, não aprendi nada durante quase um ano naquela escola. Quer dizer, é difícil aprender alguma coisa quando a gente meio que sabe tudo. Embora isso não seja algo que a gente tenha em comum.
— Tem de haver um jeito melhor — ele resmunga, uma expressão de súplica no olhar.
— Bem, só pra seu governo: matar aulas, ou abandonar a escola, não é o jeito melhor pra nada. Não se você quiser entrar para uma universidade e fazer algo da vida. — Outra mentira. Bastam mais dois ou três dias como este no turfe para que Damen, ou qualquer outra pessoa, possa viver bem. Muito mais que bem.
— Tudo bem — ele diz, rindo. —Vamos fazer do seu jeito. Pelo menos por enquanto. A gente se vê amanhã.
Ainda estou a meio caminho da porta de casa quando ele pisa fundo no acelerador e sai em disparada rua afora.

20 comentários:

  1. Fernanda Boaventura2 de novembro de 2015 15:18

    Fiquei com mal pressentimento... Só que passou... acho que não é nada...
    P.S. Para mi ele também ler mentes.

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  2. Realmente eu me apaixonei pelo Damen!
    Ass: Bina.

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  3. Esse garoto sabe mas dq aparenta , bom Ever se cuidar

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  4. Pra mim ele é igual à ela e ele sabe que ela é assim.

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  5. Damen esconde muitas coisas, eu pressinto isso... Só não sei se eh vdd, mas sla, ele eh meio esquisito e aparenta saber mttttt coisa... E ver tá moscano pro meu gosto. ..
    PS: Haven pirou de vez, e eu não gosto da Drina (vaga desalmada)

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  6. Pra mim ele e um vampiro..pq toda hora ele ta bebericando aquela garrafinha com um liquido vermelho misterioso...teve um cap q ela falou que ele era um modelo em ny quando ele tinha 14 e agora com 17 ele n mudo em nada....ou ele e um vampiro ou fez uma macumba poderoza pra n envelhecer nunca...vai saber...kk

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    1. Se ele é vampiro eu n sei mais se ele fez uma macumba eu quero saber q maxica foi essa 15 Anos pra 17 e n mudo nada eu QUEROO <3 AMNDO O LIVRO

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    2. Para mim ele é um vampiro ou um feiticeiro que lê mentes

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  7. To com medooooo! UM MAL PRESSENTIMENTO HORRIVEL#

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  8. claro q é um vampiro, tenho uma vntade de dizer uma coisa...talvez no proximo capitulo eu fale...
    A-MAN-DO-O-LI-VRO kk love

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    1. Angel,filha dos Ventos10 de março de 2016 22:19

      Eu não acho q ele seja um vampiro, eu acho q ele é um mago,implavel,hihihi

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  9. O Damen tem mts segredos...

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  10. Acho que ele é um vampiro... sempre está com uma bebida vermelha? kkkkkk pra mim ele é um vampiro

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  11. Ele me confundi , uma hr acho q ele é vampiro outra hr acho q ele é igual a ela , ai deus

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  12. Não se ele é vampiro, porque, bem, vampiros bebem sangue, e o garçom perguntou se ele queria Champanhe de novo.

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  13. Não se ele é vampiro, porque, bem, vampiros bebem sangue, e o garçom perguntou se ele queria Champanhe de novo.

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  14. esse livro é bem confuso, e as vezes tenho vontade de tacar o meu not no chão, de tanta raiva


    LomsDoDrew

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  15. Eu tenho e GRANDE impressão de que ele sabe sobre ela, que ele é um vampiro e que não quer se apaixonar mas ta se apaixonando lalala ♥

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Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!