18 de outubro de 2015

Cinquenta e três - Como matar gigantes delicadamente

É BRINCADEIRINHA DESSA vez.
Só pareceu que íamos morrer.
O cavalo deve ter gostado da sensação de queda livre. Eu, não. Segurei o pescoço dele e gritei de terror (o que não foi muito discreto). Enquanto isso, Blitzen se segurava na minha cintura e, atrás dele, Sam de alguma forma ficou no lugar ao mesmo tempo em que segurava Hearthstone, para que ele não caísse no abismo.
A queda pareceu durar horas, mas só deve ter durado um ou dois segundos. Durante esse tempo, pensei em vários nomes mais criativos para Stanley. Finalmente, ele mexeu as oito patas como rodas de locomotiva. Paramos de descer e começamos a subir.
Stanley passou por uma nuvem, ziguezagueou pela encosta de uma montanha e pousou no peitoril de uma janela perto do alto da fortaleza. Eu desmontei com pernas trêmulas e ajudei os outros a carregar Hearthstone.
O parapeito era tão largo que nós quatro e o cavalo podíamos ficar de pé em um canto e parecermos do tamanho de ratinhos. A janela não tinha vidro (provavelmente não existia tanto vidro no mundo), mas Stanley nos deixou atrás de um painel de cortina, e ninguém lá dentro poderia nos ver, mesmo que estivesse procurando ratos na janela.
— Obrigado — falei para o cavalo. — Foi apavorante. Quer dizer, demais.
Stanley relinchou, me deu uma mordidinha delicada e desapareceu em uma explosão de pó. No local onde estava, apareceu a runa ehwaz.
— Ele pareceu gostar de mim — comentei.
Blitzen se sentou ao lado de Hearthstone e concordou:
— É.
Apenas Sam não parecia perturbada. Na verdade, estava eufórica. Os olhos dela brilhavam, e ela não conseguia parar de sorrir. Acho que amava mesmo voar, ainda que fosse um voo de queda livre quase mortal em um cavalo de oito patas.
— É claro que Stanley gostou de você. — Ela pegou a runa. — Os cavalos são um dos animais sagrados de Frey.
— Ah.
Pensei nas minhas experiências com a polícia montada de Boston que patrulhava o Public Garden. Os cavalos sempre pareceram simpáticos, mesmo quando os cavaleiros não eram nada amigáveis. Uma vez, quando um policial montado começou a me interrogar, o cavalo saiu galopando de repente na direção de um galho baixo de árvore.
— Sempre gostei de cavalos — falei.
— Os templos de Frey tinham suas próprias manadas — contou Sam. — Nenhum mortal podia montar neles sem a permissão do deus.
— Ah, eu queria que Stanley tivesse pedido minha permissão antes de ir embora — falei. — Não temos estratégia de fuga, e Hearthstone não parece capaz de fazer feitiços no futuro próximo.
O elfo tinha recuperado a consciência... mais ou menos. Estava encostado em Blitz, rindo em silêncio e fazendo sinais aleatórios como: Borboleta. Pop. Viva. Blitzen botou a mão na barriga e olhou para o nada, como se estivesse pensando em jeitos interessantes de morrer.
Sam e eu nos esgueiramos até a ponta da cortina. Espiamos lá dentro e vimos que estávamos na altura do teto de uma sala imensa como um estádio. Na lareira, havia uma fogueira tão grande quanto um incêndio de baderna urbana. A única saída era uma porta de madeira fechada na parede mais distante. No centro da sala, sentadas a uma mesa de pedra, duas gigantas jantavam, destroçando uma carcaça que me lembrava o animal assado no salão de banquete de Valhala.
As gigantas não pareciam tão altas quanto a morta no rio, apesar de ser difícil ter certeza. Em Jötunheim, as proporções não faziam sentido. Eu parecia estar olhando para pessoas numa casa de espelho de um parque de diversões.
Sam cutucou meu braço.
— Olha.
Ela apontou para uma gaiola pendurada no teto, mais ou menos na nossa altura. Dentro da gaiola, largado em uma cama de palha e com aspecto infeliz, havia um cisne branco.
— É uma valquíria — disse Sam.
— Como você pode ter certeza?
— Eu tenho. Não é só isso... Tenho certeza de que é Gunilla.
Senti um arrepio.
— O que ela estaria fazendo aqui?
— Provavelmente nos procurando. As valquírias são excelentes rastreadoras. Imagino que tenha chegado aqui antes de nós e...
Sam gesticulou como se pegasse alguma coisa no ar.
— E... deixamos que ela fique aí?
— Para os gigantes comerem? Claro que não.
— Ela armou contra você. Fez você ser expulsa das valquírias.
— Mas ainda é minha capitã — disse Sam. — Ela... Bem, ela tem motivos para não confiar em mim. Alguns séculos atrás, houve um filho de Loki que foi parar em Valhala.
— Ele e Gunilla se apaixonaram — adivinhei. — Tive essa impressão quando ela me levou em um passeio pelo hotel.
Sam assentiu.
— O filho de Loki a traiu. Na verdade, ele era espião do meu pai. Partiu o coração dela. Bem... você pode imaginar. De qualquer modo, não vou deixá-la aqui para morrer.
Eu suspirei.
— Tudo bem.
Peguei o pingente. Jacques, a espada, ganhou vida, zumbindo.
— Estava na hora — disse ele. — O que perdi ontem?
— Um monte de escalada — contei. — Agora, estamos olhando para mais duas gigantas. O que você acha de voar pelas narinas delas?
A espada puxou minha mão, e a lâmina espiou pela beirada da cortina.
— Cara, estamos na janela delas. Tecnicamente, atravessamos o limite da casa dos gigantes.
— E daí?
— E daí que você tem que seguir as regras! Matá-las na própria casa sem provocação seria grosseiro!
— Certo — falei. — Nós não queremos matá-las com grosseria.
— Ei, señor, os direitos dos convidados e os direitos dos anfitriões são protocolos mágicos importantes. São eles que impedem que as situações saiam do controle.
Blitzen resmungou no canto.
— A espada tem razão, garoto. E não, não estou de brincadeira. Devemos entrar, reivindicar direitos de convidados e negociar pelo que precisamos. Se os gigantes tentarem nos matar, aí podemos atacar.
Hearthstone soluçou, sorriu e gesticulou: Máquina de lavar.
Sam balançou a cabeça.
— Vocês dois não estão em condição de ir a lugar nenhum. Blitz, fique aqui e tome conta de Hearthstone. Magnus e eu vamos entrar, encontrar o martelo de Thor e libertar Gunilla. Se as coisas derem errado, vai ser responsabilidade de vocês dois darem um jeito de nos salvarem.
— Mas... — Blitzen colocou o punho sobre a boca e sufocou um arroto. — Tudo bem... tá. Como vocês vão chegar lá embaixo?
Sam espiou do parapeito.
— Vamos usar sua corda mágica para descer. Depois, vamos andar até as gigantas e nos apresentar.
— Odiei esse plano — falei. — Vamos lá.

34 comentários:

  1. Magnus não é nem de longe lerdo, Rick ta aprendendo

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    1. super
      kkkkkkkkkkkkkkk

      ~coruja

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    2. Nunca gostei do Percy! Sempre gostei mais dos outros personagens!

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    3. Magnus não pode ser lerdo. Bom, não tão lerdo como o Percy. Ele morava nas ruas, teve que aprender a se esperta né?

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    4. Bem, às vezes Percy é lerdo de propósito...pelo menos ele não vomitava após uma surra ou gritava de medo de altura...Percy começou a jornada cedo, enquanto Maguns, com desseseis anos ele morre... não os culpo por sofrer e ser divertidos ao mesmo tempo..

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  2. Vou aprender a cavalgar. <3

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  3. Isso só pro Magnus parecer ainda mais com o Percy

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    1. só eu acho que a semelhança é entre Fenir e Poseidon ?

      ~coruja

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    2. Os dois não são parecidos cara, viaja n!

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    3. né, dá raiva desse povo comparando personagem, fala sério

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  4. mais um que gosta de cavalos (imaginem um encontro dele com o percy....)

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  5. Seria clichê se ele colocasse um personagem como Percy, ninguem supera Percy e ele não é lerdo, ele sabe agir e pensar bem nas horas cruciais, o resto é detalhe.
    Cavalos são figuras importantes
    Aqui, só eu acho essa relação entre Hearth e Blitz um pouco suspeita.... Quer dizer, depois do final de Nico
    Ainda nã superei aquela conversa surreal dele com Percy

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  6. Ele e o percy são tão parecidos... Tirando q ele n é tão lerdo
    -Tayná

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  7. Os cavalos são um dos animais sagrados de Frey
    Tipo,imagino Magnus encontrando Percy,daí o Magnus diz 'Cavalos gostam de mim,os cavalos são um dos animais sagrados de Frey' 'Meu Pai é o Pai dos cavalos,posso falar com eles' dai o Magnus 'E eu posso falar com minha espada' kakakaka

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  8. Hearthstone soluçou, sorriu e gesticulou: Máquina de lavar.

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  9. Thor ruivo, Thor ruivo #PartiuProcessarAMarvelPorBloquearMinhaImaginação

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    1. #PartiuProcessarAMarvelPorBloquearMinhaImaginação

      ~coruja

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  10. SÓ eu suspeito um pouco do Blitzen e o Hearthstone ?

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    1. como assim? é duro ter benção do tiu Popo...

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    2. eu tb suspeitava um pouco

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  11. Por que eu acho que amir e esse filho de Loki que traiu a Gunilla? pq... eu senti um clima de luke quando vi aquele cara tem alguma coisa errada nele

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    1. clima de Luke KKKKKKKKKKK
      e agora do triste pobre Luke :'(

      ~coruja

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    2. comassim cara, tu ta comparando um mortal com um cara qe viveu a umas centenas de anos atrás, isso não faz sentido nenhum

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  12. só eu agora acho o Magnus MUITO ENGRAÇADO com essas seções ironoa ?

    ~coruja

    p.s. e esses titulo... engraçados d+

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  13. Eu acho q a diferença entre Magnus e Percy é q Percy é mais ironico nas batalhas e mais masculo

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    1. Quando li seu comentário, logo lembrei do Magnus Bane. Aí vc disse que Percy é mais másculo que Magnus, e pensei: "Mas isso é óbvio!" kkkkkkk

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  14. ''é brincadeira dessa vez''...qual foi a sua reação?

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    1. Eu fiquei dividida entre soltar a respiração e dps quebrar o celular ou quebrar o aparelho primeiro e Depois soltar a respiração.

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  15. "— É claro que Stanley gostou de você. — Ela pegou a runa. — Os cavalos são um dos animais sagrados de Frey." Poseidon... Dnv.

    Tudo bem aí eles chegam lá e... "ei, gigantes, eu sou Magnus seu inimigo moral, como vão?"

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  16. "O elfo tinha recuperado a consciência... mais ou menos. Estava encostado em Blitz, rindo em silêncio e fazendo sinais aleatórios como: Borboleta. Pop. Viva. Blitzen botou a mão na barriga e olhou para o nada, como se estivesse pensando em jeitos interessantes de morrer."
    "Hearthstone soluçou, sorriu e gesticulou: Máquina de lavar."

    Hearth ta super drogado cara,meu deus KKKKKKKKK

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