18 de outubro de 2015

Cinquenta e sete - Sam aperta o botão de EJETAR

GUNILLA EMPURROU A ponta da lança na jugular de Blitz.
— Não cheguem mais perto — avisou ela. — Traidores e mentirosos, todos vocês. Botaram Midgard e Asgard em perigo, atiçaram os gigantes, criaram caos nos reinos...
— Nós também salvamos você de uma gaiola — acrescentei.
— Depois de me atraírem até aqui!
— Ninguém atraiu você — disparei. — Ninguém pediu que você nos caçasse.
— Gunilla — Samirah largou o machado. — Solte o anão, por favor.
— Urgh — concordou Blitzen.
A capitã das valquírias olhou para Hearthstone.
— Elfo... nem pense nisso. Coloque o saco de runas no chão, senão transformo você em cinzas.
Eu não tinha percebido que Hearthstone estava prestes a fazer alguma coisa. Ele obedeceu à ordem de Gunilla, mas com os olhos em brasas. Hearth parecia querer fazer com a valquíria algo bem pior do que colocá-la em uma rodinha de hamster mágica.
Sam levantou as mãos.
— Não vamos lutar com você. Por favor, solte o anão. Nós sabemos o que a lança de uma valquíria é capaz de fazer.
Eu não sabia, mas tentei parecer o mais dócil e inofensivo possível. Do jeito como estava exausto, não foi difícil.
Gunilla me olhou.
— Onde está a espada, Magnus?
Indiquei a extremidade destruída do corredor.
— Na última vez que a vi, estava tomando banho em uma caneca.
Gunilla pensou no que eu disse. Era o tipo de declaração que só fazia sentido no mundo maluco dos vikings.
— Muito bem.
Ela empurrou Blitzen na minha direção e apontou a lança para a frente, pronta para desferir um golpe. A luz que a arma emanava era tão intensa que parecia estar assando minha pele.
— Vamos voltar para Asgard assim que eu recuperar minha força — disse Gunilla. — Enquanto isso, explique por que vocês perguntaram ao gigante sobre a arma de Thor.
— Ah... — Eu me lembrei de Thor sendo bem específico sobre não contar a ninguém a respeito do martelo desaparecido. — Bem...
— Foi um truque — interrompeu Sam. — Para confundir os gigantes.
Gunilla semicerrou os olhos.
— Um truque perigoso. Se os gigantes acreditassem que Thor perdeu o martelo... as consequências seriam imensuráveis.
— Falando em consequências imensuráveis — interrompi — Surt vai soltar o lobo Fenrir amanhã à noite.
— Hoje à noite — corrigiu Sam.
Meu estômago despencou.
— Hoje não é terça-feira? Freya disse que a lua cheia era na quarta...
— Que tecnicamente começa no pôr do sol de terça — disse Sam. — Hoje é a primeira noite de lua cheia.
— Ah, mas que maravilha. Por que não me disse isso antes?
— Achei que você tivesse entendido.
— Silêncio, os dois! — ordenou Gunilla. — Magnus Chase, você caiu nas mentiras dessa filha de Loki.
— Você quer dizer que a lua cheia não vai ser hoje?
— Não, é hoje. Eu quis dizer... — Gunilla franziu a testa. — Pare de me confundir!
Blitzen choramingou quando ela apontou a lança brilhante na direção dele. Hearthstone se aproximou de mim com os punhos fechados.
Eu levantei as mãos.
— Gunilla, só estou dizendo que, se você não deixar que a gente impeça Surt...
— Eu avisei — disse Gunilla. — Ouvir Samirah só vai apressar o Ragnarök. Sinta-se afortunado por ter sido eu e não as outras valquírias ou seus antigos colegas einherjar quem encontrou vocês. Eles estão ansiosos para matar você, Magnus, e provar lealdade a Valhala. Eu, pelo menos, vou cuidar para que vocês tenham um julgamento adequado antes de os lordes jogarem suas almas em Ginnungagap!
Samirah e eu trocamos olhares. Não tínhamos tempo para sermos capturados e enviados de volta a Valhala. Eu não tinha tempo para ter minha alma jogada em um lugar cujo nome eu nem conseguia pronunciar.
Hearthstone nos salvou. O rosto dele foi tomado pelo medo. Ele apontou para trás de Gunilla como se Geirröd estivesse se levantando dos escombros. Era o truque mais antigo dos nove mundos, mas deu certo.
Gunilla olhou para trás. Sam correu como um raio. Em vez de tentar derrubar a capitã das valquírias, ela apenas encostou no bracelete dourado no braço de Gunilla.
O ar zumbiu como se alguém tivesse ligado um aspirador de pó industrial.
Gunilla deu um berro. Olhou para Sam, confusa.
— O que você...?
A valquíria implodiu. Encolheu até virar um ponto de luz e sumir.
— Sam! — Eu não conseguia acreditar no que tinha acontecido. — Você... você a matou?
— Claro que não! — Sam deu um tapa no meu braço. (Felizmente, eu não implodi.) — Fiz com que ela fosse chamada de volta a Valhala.
— O bracelete? — perguntou Blitzen.
Sam deu um sorriso modesto.
— Eu não sabia se funcionaria. Acho que minhas digitais ainda não foram tiradas do banco de dados das valquírias.
Hearthstone virou a mão. Explique.
— Os braceletes das valquírias têm um dispositivo de emergência — disse Sam. — Se uma valquíria é ferida em batalha e precisa de cuidados imediatos, outra valquíria pode enviá-la de volta para os Salões da Cura apenas tocando no bracelete. Ela é removida na mesma hora, mas é uma magia poderosa. Basta um uso, e o bracelete derrete.
Fiquei olhando para ela.
— Então Gunilla foi mandada para Valhala.
— Foi. Mas não temos muito tempo. Ela vai voltar assim que recuperar as forças. Imagino que com reforços.
— O martelo de Thor — falei. — No depósito.
Corremos até a pequena porta de ferro. Eu gostaria de poder dizer que planejei cuidadosamente o desabamento do teto de modo que a porta não ficasse enterrada em escombros. Na verdade, tive sorte.
O machado de Sam quebrou a tranca com um único golpe. Hearthstone abriu a porta. Dentro havia um armário, vazio exceto por uma haste de ferro do tamanho de um cabo de vassoura apoiada em um canto.
— Ah — disse. — Isso foi meio anticlimático.
Blitz observou a vara de ferro.
— Não sei, garoto. Está vendo as runas entalhadas? Não é Mjölnir, mas esse cajado foi forjado com magia poderosa.
O rosto de Sam se transformou.
— Ah... a arma de Thor. Só não é a arma certa.
Assentindo, Blitzen disse:
— É.
— Algum de vocês pode me explicar do que estão falando? — pedi.
— Garoto, essa é uma das armas alternativas de Thor — explicou Blitz. — O cajado foi presente de uma amiga dele... a giganta Grid.
— Três perguntas. Primeira: Thor tem uma amiga giganta?
— Tem — respondeu Blitz. — Nem todos os gigantes são maus.
— Segunda: todos os nomes de gigantas começam com G?
— Não.
— Última pergunta: Thor faz artes marciais? Tem um nunchaku por aqui também?
— Ei, garoto, não despreze o cajado. Pode não ter sido forjado por anões como o martelo, mas ferro de gigantes é coisa poderosa. Espero que a gente consiga levá-lo para Thor. Tenho certeza de que é pesado e protegido por encantamentos.
— Não precisa se preocupar com isso! — bradou uma voz vinda do alto.
O deus do trovão entrou voando por uma das janelas em uma carruagem puxada por Otis e Marvin. Jacques estava pairando ao lado deles.
Thor pousou na nossa frente em toda a sua glória desgrenhada.
— Bom trabalho, mortais! — Ele sorriu. — Vocês encontraram o cajado. É melhor do que nada!
— E, cara — disse Jacques — só fui tomar um banhinho rápido. Quando vejo, além de você ter deixado a sala, também fez a saída desmoronar. O que uma espada deveria pensar?
Eu engoli um comentário.
— É. Desculpe, Jacques.
Thor esticou o braço na direção do depósito. A vara de ferro voou para a mão dele. O deus executou alguns golpes, investidas e rodopios da haste.
— Sim, vai ajudar muito até eu encontrar minha... ah, outra arma que não está oficialmente desaparecida. Obrigado!
Precisei resistir à vontade de dar um tapa nele.
— Você tem uma carruagem voadora?
— É claro! — Ele riu. — Thor sem sua carruagem voadora seria como um anão sem um paraquedas de emergência!
— Viu? — disse Blitz.
— Você podia ter nos trazido direto para cá — comentei. — Podia ter nos poupado um dia e meio e várias experiências de quase morte. Mas nos deixou subir aquele penhasco, passar por um abismo...
— Eu jamais privaria vocês da oportunidade de provarem seu heroísmo! — esbravejou o deus do trovão.
Blitzen choramingou.
Hearthstone sinalizou: Odeio esse cara.
— Exatamente, Sr. Elfo! — disse Thor. — Foi uma oportunidade de ouro para vocês provarem sua coragem. De nada!
Otis baliu e bateu os cascos.
— Além do mais, o chefe não podia aparecer aqui sem o martelo, principalmente com a filha dele presa na gaiola.
Sam fez uma careta.
— Vocês sabiam?
Thor olhou de cara feia para o bode.
— Otis, precisamos ter outra conversinha sobre você ficar de focinho calado.
— Desculpe. — Otis baixou os chifres. — Pode me matar. Tudo bem.
Marvin deu uma mordiscada nele.
— Cale a boca! Toda vez que você é morto, eu sou morto!
Thor revirou os olhos para o teto.
— “Que tipo de animais você quer puxando sua carruagem, Thor?”, perguntou meu pai. “Bodes”, eu respondi. “Bodes voadores reconsumíveis seriam ótimos.” Eu poderia ter escolhido dragões ou leões, mas nãããão. — Ele olhou para Sam. — Para responder à sua pergunta, sim, eu senti que Gunilla estava aqui. Normalmente sei quando um dos meus filhos está por perto. Concluí que, se vocês pudessem salvá-la, seria um ótimo bônus. Mas também não queria que ela soubesse que meu martelo está desaparecido. Essa informação é meio delicada. Devia se sentir honrada de eu ter contado para você, filha de Loki.
Sam recuou.
— Você sabe disso? Escute, lorde Thor...
— Garota, pare de me chamar de lorde. Sou um deus do povo, não um lorde! E não se preocupe, não vou matar você. Nem todos os filhos de Loki são maus. Até o próprio Loki... — Ele deu um suspiro. — Eu meio que sinto falta dele.
Sam olhou para o deus de soslaio.
— Sente?
— Ah, claro. — Thor coçou a barba ruiva. — Na maior parte do tempo, tenho vontade de matá-lo, como na vez em que ele cortou todo o cabelo da minha esposa ou quando me convenceu a usar um vestido de noiva.
— Convenceu você a fazer o quê? — perguntei.
Ele simplesmente prosseguiu:
— Mas Loki deixava a vida mais interessante. As pessoas ficaram com a ideia de que somos irmãos, o que não é verdade. Ele é irmão de sangue de Odin. Mas entendo como o boato começou. Eu odeio admitir, mas Loki e eu formávamos uma ótima equipe.
— Como Marvin e eu — sugeriu Otis. — Meu terapeuta disse...
— Cale a boca, seu burro! — gritou Marvin.
Thor girou o cajado de ferro.
— De qualquer modo, obrigado. Essa arma vai me ajudar até eu conseguir encontrar o outro objeto. E, por favor, NÃO mencionem isso para ninguém. Nem mesmo para os meus filhos. Principalmente para eles. Senão, vou ter que matar vocês, e talvez eu até me sinta mal por isso.
— Mas o que o senhor vai fazer sem Mjölnir? — perguntou Sam. — Como vai...?
— Ver televisão? — Thor deu de ombros. — Eu sei... o tamanho e a resolução da tela na ponta deste cajado são terríveis, mas vai ter que servir. Quanto a vocês, a ilha de Lyngvi surge das ondas hoje. Vocês têm que correr! Adeus, mortais, e...
— Espere — interrompi. — Precisamos da localização da ilha.
Thor franziu a testa.
— Ah, é verdade. Eu prometi contar isso para vocês. Bem, o que vocês têm que fazer é procurar os irmãos anões no píer Long Wharf, em Boston. Eles vão levar vocês à ilha. O barco deles costuma partir ao pôr do sol.
— Ah, anões. — Blitz assentiu com aprovação. — Então podemos confiar neles?
— Ah, não — respondeu Thor. — Aqueles dois vão tentar matar vocês na primeira oportunidade, mas sabem o caminho para a ilha.
— Lorde Th... quer dizer, Thor — disse Sam. — Você não quer vir conosco? É uma batalha importante, o lorde do fogo, Surt, e o lobo Fenrir. Deve merecer sua atenção.
O olho direito de Thor tremeu.
— É uma proposta boa. De verdade. Eu adoraria ir, mas tenho outro compromisso urgente...
— Game of Thrones — explicou Marvin.
— Cale a boca! — Thor ergueu o cajado acima das nossas cabeças. — Usem bem seu tempo, heróis. Preparem-se para a batalha e estejam no Long Wharf antes do pôr do sol!
A sala começou a girar. Jacques, a espada, voou para minha mão e me inundou de exaustão. Eu me apoiei na coluna mais próxima.
— Thor, para onde você está nos enviando?
O deus do trovão riu.
— Para onde cada um de vocês precisa ir.
Jötunheim desabou ao meu redor como uma barraca caindo na minha cabeça.

23 comentários:

  1. Ok queimei a língua ele assiste Game of Throneskkk

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    1. Linguagem de aunais elfica de preferência hehe.

      ezequiel

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    2. tem que ser a dos esfos, lembre-se disso

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    3. também !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! me ensina Magnus

      ~coruja

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  3. Kkkk Game of Thrones essa é muito boa

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  4. Tio rick ta fazendo propaganda sutil de As crônicas de gelo e fogo?!

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    1. Rick Riordan faz propaganda de tudo possível nos livros dele, já percebeu? Séries, refrigerante, suco, biscoito, lojas, mercados...

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    2. ta faltando McDonalds isso ele faz propaganda toda hora

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    3. tio Rick poderia fazer marqueti

      ~coruja

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  5. Game of Thrones nss Thor se vc ta atrasado "Vc n sabe de nd Thor"

    Entendedores entenderão

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  6. Os draugr são tipo os Outros kkkk

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  7. Se o tio Rick fosse patrocinado por tudo que ele já colocou nos livros, o cara seria mais rico que o Bill Gates kkkkkkkkk ^^

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    1. Tio Rick e suas propagandas

      ~coruja

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  8. O Loki fez o Thor se vestir de noiva. Q visao dos infernos kklkkkkk

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    1. O Loki fez o Thor se vestir de noiva em um "mito" nortico

      ~coruja

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    2. Ele se vestiu de noiva pra recuperar o martelo, e Loki se vestiu de dama de honra, acho que a noiva que foi pedida em troca do martelo era Freya. :V

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  10. quando o otis fala meu teapeuta disse soçembro de malhaçao do joão..

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  11. Gente do céu Game of Thrones é mais importante que impedir o Ragnarok, esse Thor... definitivamente tem as prioridades corretas. hahahahahahahaha

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