18 de outubro de 2015

Cinquenta e seis - Nunca peçam a um anão para correr mais rápido

— CORRA! — GRITEI PARA Blitzen. — Vai, vai, vai!
Blitzen, que ainda estava com o paraquedas pendurado, só conseguiu tropeçar, atordoado.
— Pesado, muito pesado — ofegou ele.
Percorremos apenas uns seis metros e Geirröd gritou:
— COMEÇOU!
Nós quatro nos escondemos atrás da coluna mais próxima na hora que um pedaço de carvão bateu nela, abrindo um buraco na pedra e espalhando cinzas e fagulhas acima da nossa cabeça. A coluna estalou. Rachaduras se estenderam até o teto.
— Mais rápido! — gritou Sam.
Disparamos pelo corredor enquanto Geirröd pegava mais pedaços de carvão e os jogava com precisão impressionante. Se o gigante não estivesse bêbado, estaríamos seriamente encrencados.
A saraivada seguinte ateou fogo ao paraquedas de Blitzen. Sam conseguiu cortar as cordas com o machado, mas perdemos um tempo valioso. Outro pedaço de apocalipse em brasa abriu uma cratera no chão ao nosso lado, chamuscando as asas de Gunilla e o cachecol de Hearthstone. Centelhas voaram nos olhos de Blitzen.
— Estou cego! — exclamou ele.
— Eu oriento você! — gritei. — Esquerda! Esquerda! Sua outra esquerda!
Enquanto isso, do outro lado do aposento, Geirröd estava se divertindo, cantando em jötunnês, cambaleando de braseiro em braseiro, de vez em quando derramando hidromel em si mesmo.
— Vamos lá, pequenos convidados! Não é assim que se brinca. Vocês têm que agarrar o carvão e jogá-lo em mim!
Olhei ao redor desesperado, procurando saídas. Havia outra porta, na parede oposta da sala de jantar, mas era pequena demais para passarmos pelo vão e grande demais para conseguirmos abrir, sem mencionar que estava presa com um tronco de árvore apoiado em suportes de ferro.
Pela primeira vez desde que me tornei einherji, fiquei irritado por minha cura super-rápida não estar sendo rápida o bastante. Se íamos morrer, eu queria pelo menos estar apoiado nas minhas próprias pernas.
Olhei para o teto. Acima da última coluna que Geirröd acertou, rachaduras começaram a se espalhar. A coluna envergou, pronta para se partir. Eu me lembrei da primeira vez que minha mãe me fez montar a barraca de camping sozinho. Os suportes foram um pesadelo. Fazer com que sustentassem a tenda exigia o equilíbrio certo de tensão. Mas fazê-la desabar... era fácil.
— Tive uma ideia — falei. — Blitzen, você vai ter que me carregar mais um pouco, a não ser que Sam...
— Hã, não — respondeu ela.
— Estou bem — disse Blitzen, arfando. — Estou ótimo. Quase consigo enxergar de novo.
— Tudo bem, pessoal! Vamos correr na direção do gigante.
Eu não precisava entender linguagem de sinais para ler a expressão de espanto de Hearth: Você está louco? O cisne me olhou do mesmo jeito.
— Confiem em mim — pedi. — Vai ser divertido.
— Por favor — implorou Sam — não deixe que essas palavras sejam escritas na minha lápide.
Eu gritei para o gigante:
— Ei, Geirröd, você joga como um morador de Fólkvangr!
— O quê? Argh!
Geirröd se virou para pegar outro carvão.
— Direto para ele — falei para os meus amigos. — Agora!
Enquanto o gigante se preparava para jogar, gritei para Blitzen:
— Direita, vá para a direita!
Nos escondemos atrás de outra coluna. O pedaço de carvão atravessou o pilar, espalhando brasas e criando mais rachaduras no teto.
— Agora, para a esquerda — falei para os meus amigos. — Na direção dele até a coluna seguinte.
— O que você... — Sam arregalou os olhos quando entendeu. — Ah, deuses, você é mesmo maluco.
— Você tem uma ideia melhor?
— Infelizmente, não.
Corremos na frente de Geirröd.
— Suas filhas não estão bêbadas! — gritei. — Estão mortas!
— O QUÊ? NÃO!
Outro disparo de carvão foi lançado na nossa direção e acertou a coluna mais próxima com tanta força que ela explodiu em uma pilha de pedras colossais.
O teto cedeu um pouco. As rachaduras aumentaram. Corremos pelo meio da sala, e eu gritei:
— ERROU DE NOVO!
Geirröd uivou de fúria. Ele largou o chifre com a bebida para pegar pedaços de carvão com as duas mãos. Felizmente para nós, a raiva deixou sua mira péssima. Corremos ao redor do gigante, indo de uma coluna para outra enquanto ele espalhava carvão para todo lado, tropeçando em braseiros e quebrando pilares.
Eu insultei a jaqueta de Geirröd, seu corte de cabelo, os sapatos de couro. Finalmente, ele jogou um braseiro inteiro em nossa direção, derrubando o último pilar do lado da sala em que estávamos.
— Recuar! — falei para Blitzen. — Vão! AGORA!
O pobre Blitzen bufou e ofegou. Corremos até a parede mais distante enquanto Geirröd gritava:
— Covardes! Vou matá-los!
Ele poderia ter corrido atrás de nós, mas a mente bêbada do gigante ainda estava concentrada em encontrar projéteis com os quais pudesse nos atacar. Procurou mais carvões ao redor enquanto o teto desabava.
Quando percebeu o que estava acontecendo, era tarde demais. O gigante olhou para cima e gritou enquanto metade do aposento desabava sobre ele, enterrando Geirröd debaixo de mil toneladas de pedra.
Quando me dei conta, eu estava no chão, coberto de pó e detritos, me esforçando para não botar meus pulmões para fora de tanto tossir.
Lentamente, o ar foi ficando mais limpo. A poucos metros, Sam estava sentada de pernas cruzadas, também tossindo e ofegando, parecendo ter sido empanada em farinha.
— Blitzen! — chamei. — Hearth!
Estava tão preocupado com os dois que até me esqueci da perna quebrada. Tentei me levantar e fiquei surpreso ao ver que conseguia. A perna ainda latejava de dor, mas sustentou meu peso.
Blitzen saiu cambaleando de uma nuvem de poeira.
— Aqui — grunhiu ele.
O terno estava destruído. O cabelo e a barba ficaram prematuramente grisalhos com o pó.
Eu o abracei com força.
— Você é o anão mais forte e incrível do mundo!
— Se você diz, garoto. — Ele deu um tapinha no meu braço. — Onde está Hearthstone? Hearth!
Em momentos assim, esquecíamos que gritar o nome de Hearthstone não adiantava nada.
— Ali está ele — disse Sam, tirando um pouco dos escombros de cima do elfo caído. — Acho que está bem.
— Graças a Odin! — Blitzen saiu andando, mas quase caiu.
— Opa. — Eu o apoiei em uma das colunas que restaram. — Descanse por um segundo. Eu já volto.
Corri até Sam e a ajudei a tirar Hearthstone do meio dos destroços.
O cabelo do elfo estava soltando fumaça, mas, fora isso, ele parecia bem. Nós o ajudamos a se levantar. Na mesma hora, ele começou a me repreender em linguagem de sinais: Burrice? Tentando nos matar?
Demorei um instante para perceber que ele não estava segurando o cisne.
— Espere — falei. — Onde está Gunilla?
Atrás de mim, Blitzen soltou um gritinho. Eu me virei e me vi no meio de uma crise com um refém.
— Estou bem aqui! — Gunilla estava novamente na forma humana, atrás de Blitzen, com a ponta da lança cintilante encostada na garganta dele. — E vocês quatro vão voltar para Valhala como meus prisioneiros.

22 comentários:

  1. Mas que droga. Mal agradecida. Alguém transforma ela em cisne de novo e assa em um espeto? Valeu.

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    1. Chama o thor kkkkkk e eu kkkk. Espetinho de cisne deve ser ótimo!

      Ezequiel

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    2. kkkkkkkkkkkkkkkkk

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    3. Será que tem gosto de frango? Estou com disposição para provar.huahuahua

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    4. *comendo cisne *risada maléfica
      kkkkkkk
      ~coruja

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    5. Hearth deve tá quase desmaiando!

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  2. Adoraria ver Magnus e Percy lado a lado em batalha. Quem tem ideia mais maluca?

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    1. Percy, Annie, Sam, Magnus, Sandie e Carter lutando juntos

      ~coruja

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    2. Quem são Sandie e Carter?

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    3. Acho que por enquanto o Magnas tem que ficar na saga dele!

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  3. Não ensinaram pra Gorila, opa, Gunilla, o significado de "gratidão".
    Alguém aceita carne de cisne no capricho?

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  4. Só eu quero dar um soco nessa "gorila"?

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  5. Ri tanto nesse capitulo q chorei.
    Essa gunilla eh filha do satanás q o Thor assumiu. So pode.

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  6. Ao contrário de Clarisse, esse Gorila não vai tomar jeito!

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  7. Ingrata, louca, mal-humorada, besta, idiota....*meia hora depois
    acabei de xingar a gorila

    ~coruja

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