31 de outubro de 2015

Cinco

Quando chego à mesa do almoço, sento-me ao lado do Damen, aliviada ao encontrar tudo tão normal como qualquer outro dia. A mão enluvada de Damen me aperta o joelho enquanto vasculho rapidamente o campus em busca do Roman, uma vez que ele pensa:
― Ele se foi.
Ele se foi? Fico boquiaberta, esperando que signifique que ele não está nos arredores, ao invés de ter virado pó.
Mas Damen só ri, o suave som reverberante de sua cabeça à minha.
― Não o aniquilei. Eu te garanto isso. Só está ausente, isso é tudo. Partiu faz uns minutos com um cara que eu nunca vi antes.
― Vocês se falaram? Ele te provocou? — Damen sacode a cabeça, seus olhos nos meus enquanto eu adiciono: ― Bem, porque não podemos nos permitir o luxo de ir atrás dele. Ele tem o antídoto, ele o admitiu! O que significa que tudo o que temos que fazer agora é encontrar uma maneira de…
― Ever. — Ele franze o cenho. ― Não é possível que tenha acreditado nele! Isto é o que Roman faz. Mente e manipula todos ao seu redor. Tem que permanecer longe dele… ele te está usando. Não se pode confiar nele.
Sacudo minha cabeça. Desta vez é diferente. Posso sentir. E necessito que Damen também o sinta.
― Ele não está mentindo, sério. Disse que…
Nem sequer termino a ideia antes de que Haven se incline para diante, olhando a ambos os lados entre nós, enquanto diz:
― Bom, isso é tudo. Só que, que diabos está acontecendo aqui? Sério, já basta.
Eu me viro e percebo a sua aura amarela amistosa trocar de forma brusca à dureza deliberada de seu conjunto negro. Sabia que significava que não tem má vontade, que ela está, definitivamente, preocupada conosco.
― Sério, é como… é como seu tivessem algum tipo de forma horripilante de comunicar-se. Como gêmeos ou algo assim. Só que o seu é em silêncio e mais inquietante.
Dou de ombros e abro meu almoço, passando pelos movimentos de desembrulhar o sanduiche que não planejo comer, decidida a ocultar o quanto me alarmou sua pergunta. Golpeei meu joelho contra o do Damen, telepaticamente insistindo-o a intervir e dirigir o assunto, já que não tenho nem ideia do que dizer.
― Não adianta fingir que nada está acontecendo. — Seus olhos se estreitaram pela surpresa. — Estive observando-os por um tempo e já estão começando a me assustar.
― O que está te assustando?
Miles olha para cima, levantando a vista de seu telefone, mas só um momento antes de voltar para as mensagens de texto de novo.
― Esses dois.
Ela aponta com as unhas curtas e pintadas de negro com um pedaço de glacê rosa na ponta.
― Juro-lhe isso, estão mais estranhos cada dia.
Miles concorda com a cabeça, deixando seu telefone enquanto se toma um momento para nos olhar.
― Eu ia mencionar isso antes. Vocês são estranhos. — Ri.
― Oh, e o conjunto do Michael Jackson, a coisa da luva? — Ele sacode a cabeça, franzindo os lábios. ― Acho que não está funcionando para você. Está moda está tão ultrapassada que nem você pode trazer de volta.
Haven franze o cenho, incomodada pela brincadeira de Miles, quando ela estava tentando ser séria.
― Ria à vontade. — diz com o olhar constante e firme. — Mas algo está acontecendo com esses dois. Posso não saber o quê, mas vou descobrir. Vou chegar ao fundo de tudo isto. Você verá.
Estou a ponto de falar quando Damen sacode a cabeça e rola sua bebida vermelha, inclinado para Haven enquanto diz:
― Não perca seu tempo, não existe algo sinistro como pensa. — Sorri com seu olhar fixo nela.
― Estamos praticando a telepatia, só isso. Tentar ler a mente do outro em lugar de falar todo o tempo. Assim deixamos de nos colocar em problemas nas aulas.
Ele ri, fazendo com que eu aperte meu sanduiche com tanta força que um jorro de maionese sai por todos os lados. Boquiaberta porque meu namorado acaba de decidir de maneira arbitrária romper nossa regra número um: Não diga a ninguém o que somos ou o que podemos fazer!
Me acalmo ligeiramente quando Haven põe os olhos em nós e diz:
― Por favor, não sou uma idiota!
― Nunca disse que você é uma. — Damen, sorri. — Gostaria de tentar?
Congelo, meu corpo fica sólido, imóvel, como se eu assistisse a um desastre na estrada. Só que esse desastre em particular sou eu.
― Feche os olhos e pense em um número entre um e dez! Focalize esse número com todas suas forças. Olhe-o em sua mente claramente e, em silêncio, repita o som uma e outra vez. Entendido?
Ela deu de ombros, e junta as sobrancelhas como se estivesse em uma concentração profunda. Apesar de tudo, o que se precisa é uma olhada rápida a sua aura, transformando-se em um verde escuro enganoso e uma breve olhada a seus pensamentos para ver que só está fingindo.
A escolha de concentrar-se na cor azul em lugar de um número aleatório como Damen disse. Olho para eles, sabendo que ela está junto com ele, segura de que sua oportunidade de cada dez para conseguir o número correto trabalha muito a seu favor.
Esfregando o queixo, sacode a cabeça e diz:
― Não parece que está recebendo nada. Tem certeza de que está pensando em um número entre o um e o dez?
Ela assente, foca mais ainda em uma formosa cor azul vibrante.
― Então, nossos cabos não estão conectados. — Ele dá de ombros. ― Eu não estou recebendo nenhum número.
― Tente comigo! — Miles abandona seu telefone e se inclina para Damen. Os olhos fechados, os pensamentos dificilmente enfocados antes que Damen ofegue:
― Vai à Florença?
Miles sacode a cabeça.
― Para sua informação era o número três. — Revira os olhos e sorri. ― E, por outro lado, todo mundo sabe que vou a Florença. Boa tentativa.
― Todos menos eu. — Diz Damen, a mandíbula apertada, e com a cara pálida de repente.
― Bom, tenho certeza de que Ever lhe disse isso. Sabe, telepaticamente. — Ri, voltando a seu telefone outra vez.
Aproximo-me de Damen, me perguntando por que está tão incomodado pela viagem de Miles. Quero dizer, sim, ele estava acostumado a viver ali, mas isso foi faz centenas de anos! Aperto sua mão, lhe pedindo que me olhe, mas só observa a Miles com esse mesmo olhar afetado em seu rosto.
― Boa sorte com esse lance de telepatia. — Diz Haven, passando o dedo pela parte superior de seu cupcake que está coberto com morango. ― Mas creio que tenha que tentar um pouco mais que isso. Tudo o que conseguiu demonstrar é que vocês são ainda mais estranhos do que eu pensava. Mas não se preocupe, vou descobrir a verdade. Vou expor seu pequeno e sujo segredo em pouco tempo.
Contenho uma risada nervosa, esperando que ela só esteja brincando. Olho em sua mente só para ver que ela está falando sério.
― Quando vai? — Pergunta Damen, mas só por iniciar uma conversa, pois ele já sabe a resposta na cabeça de Miles.
― Logo, logo. — diz ele, iluminando os olhos. ― Que comece a contagem regressiva! — Damen assente com a cabeça, seu olhar se abranda enquanto diz:
―Vai se encantar. Todo mundo a ama. Florença é formosa, um lugar encantador.
― Já foi lá? — Miles e Haven perguntam ao mesmo tempo.
Damen assente com a cabeça, olhando ao longe.
― Morei lá… faz muito tempo.
Haven olhava entre nós, estreitando os olhos de novo antes de dizer:
― Drina e Roman também viveram lá!
Damen dá de ombros com expressão ambígua, como se a conexão não significasse nada para ele.
― Bom, não te parece que é um pouco estranho? Todos vocês viveram na Itália, no mesmo lugar, e todos acabaram aqui, há poucos meses uns dos outros?
Ela se inclina para ele, abandonando seu cupcake em busca de algumas respostas. Mas Damen está sólido, negando-se a ceder e a fazer nada que possa dar o que falar. Ele só toma um gole de sua bebida vermelha e levanta os ombros de novo, como se não valesse a pena entrar nisso.
― Há algo que eu deva ver enquanto esteja lá? — Pergunta Miles, mais para romper a tensão. ― Algo que não deveria perder?
Damen pestaneja, fingindo pensar, embora a resposta chegue rapidamente.
― Tudo em Florença vale a pena de ser visto. Mas, sem dúvida, tem que ver a Ponte Vecchio, que foi a primeira ponte a cruzar o Rio Arno e a única que ficou em pé depois da guerra. Ah, e deveria visitar a Galeria da Academia, que abriga o David do Michelangelo, entre outras obras importantes, e, talvez, o…
― Definitivamente... — Diz Miles - Assim como a ponte, e o famoso Duomo II, e todos os temas que vêm ao princípio do guia, os dez primeiros, embora esteja mais interessado nos mais pequenos, lugares especiais, fora da rota tão debulhada típica, já sabe, sítios de moda onde vão todos os florentinos. Roman delirava a respeito deste único lugar, não recordo o nome, mas se supõe que na casa há alguns objetos escuros, artefatos, pinturas do Renascimento e coisas que muito poucos conhecem. Tem algo assim? Ou inclusive clubes, lojas esse tipo de coisas?
Damen o olha, seu olhar é tão intenso que me envia um calafrio pelas costas.
― Nada de improviso. — Diz, tratando de suavizar o olhar, mas sua voz o trai. — Embora qualquer lugar seja uma grande casa de arte, mas que não esteja no guia é provavelmente uma falsificação. O mercado de antiguidades se encheu que falsificações. Não deve perder o tempo quando há tantas outras coisas mais interessantes para ver.
Miles encolhe os ombros, aborrecido com a conversa e volta para as mensagens de texto de novo.
― Que seja — murmura, os polegares tocando rapidamente o teclado. ― Não se preocupe, Roman disse que me faria uma lista.

12 comentários:

  1. Vai demorar muito para eles poderem volta a se tocar? Serio! Acho que vou acabar começando a ler uma spoilers!

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    1. Nem precisa ler sppoilers, apenas leia o encarte de cada livro com sua sinopse e terá uma ideia

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    2. Nossa! Anônimo por qual motivo tantas grosserias? Por quê não ser gentil?

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  2. Karina pq eles estão falando assim tenho a imprenssão de que estão falando diferente nesse livro "foi-se" ??? eu sei o Damen fala coisas antigas , mas a Ever e O Miles tambem estão falando assim é impressão minha?

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    1. É que foi traduzido por fãs... portugueses, talvez? Ou Google tradutor mesmo, então não tá muito bom... precisa de outra revisão :x

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    2. Eu consigo ler normal , a proposito estou ja no ultimo cap desse livro, e amei, só que estranhei a linguagem , obg por me responder , amo seu blog !!!!

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  3. já praticamente todos os livro aqui do blog amo todos mais espero ansiosamente as novas postagens porque tá puxado ler essa serie desculpe-me os que são fã da serie é que é muita enrolação pro meu gosto mais como disse já li todos os outros então é o que tem pra hj

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  4. Karina,eu li a trilogia 50 tons nesse blog e gostaria de saber pq nao tem tbm outras como "o inferno de Gabriel" "Cross Fire" "Toda Sua" nem aqui nem na estante 2 do blog ? obg

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    1. Está nos futuros projetos do blog 2.

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  5. Nada que venha do Roman pode ser bom!

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  6. porque meu noivo acaba de decidir de maneira arbitrária romper nossa regra número um

    Eles estão noivos? Não deles terem noivado 😕😕😕

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  7. Eles ficaram noivos no livro 2 Lua Azul
    Foi antes de Damen ficar doente ou sob os controles de Roman

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Comentários de volta!
Passamos algumas horas sem essa opção, mas estamos à ativa novamente :)

Boa leitura! E SEM SPOILER!