31 de outubro de 2015

Catorze

Depois de um longo dia sem Damen na escola, no segundo em que soou o último sinal, entrei no meu carro e dirigi a sua casa. Mas, em vez de virar à esquerda no sinal, retorno, dizendo a mim mesma que deveria lhe permitir um pouco de espaço. Dar a ele uma oportunidade de conversar com as gêmeas, quando na verdade é que, entre sua idolatria por Damen e o desprezo de Rayne para mim, simplesmente não estou preparada para enfrenta-las de novo.
Dirijo até o centro de Laguna, pensando em me distrair na Mystics e Moonbeams, a livraria metafísica onde Ava trabalhou, pensando que, talvez, Lina, a proprietária da loja, possa me ajudar a encontrar a solução para meus problemas místicos sem divulgar o que estou procurando. O que, considerando o quão desconfiada ela seja, deverá ser considerado um tremendo desafio.
Depois de encontrar o melhor lugar possível para estacionar o carro, um lugar em que a superlotada Laguna está a duas quadras de distância, encho o parquímetro de moedas e caminho para a porta, só para me encontrar com um grande letreiro vermelho que dizia: RETORNO EM DEZ MINUTOS!
Fico parada frente a ele, pressionando meus lábios enquanto olho os arredores, me assegurando de que ninguém está olhando quando, mentalmente, giro o letreiro enquanto retiro o ferrolho. Silencio o sino da porta quando deslizo para o interior do edifício e me dirijo para as prateleiras de livros, saboreando a oportunidade de dar uma olhada por minha conta, livre do exame minucioso de Lina.
As pontas de meus dedos roçam a grande fileira de livros, esperando algum tipo de sinal, um aquecimento repentino, uma coceira, algo que me alerte de que é o correto. Mas, ao não conseguir nada, agarro um no final e fecho os olhos, pressionando minhas mãos contra as capas frontal e posterior, ansiosa de ver o que há dentro.
― Como entrou aqui?
Dou um pulo me chocando contra a prateleira atrás de mim, derrubando uma pilha de CDs que vão ao chão. Envergonho-me pela confusão que há a meus pés, caixas dos CDs pulverizadas por toda parte, algumas delas rachadas, enquanto digo:
― Você me assustou!
Caio de joelhos com o coração acelerado, o rosto ruborizado, me perguntando não só quem é ele, mas também como fez para se aproximar de mim tão silenciosamente quando isso deveria ser impossível. A energia de um mortal sempre o denuncia muito antes de sua presença real. Então é possível que ele… não seja mortal?
Eu o olho rapidamente enquanto ele se ajoelha junto a mim, visualizando sua pele bronzeada, seus braços definidos e os pesados cabelos de cor castanho dourado caídos na metade das costas.
Observo como recolhe as caixas quebradas em suas mãos, procurando algum tipo de sinal que o revele ser um imortal; um rosto muito perfeito, uma tatuagem Ouroboros, mas, quando me apanha olhando, sorri de um modo que não só expõe as mais cativantes covinhas em cada bochecha, mas também um conjunto de dentes o suficientemente torto para provar que não é em nada como eu.
― Está bem? — Pergunta, me olhando com uns olhos tão verdes que logo que mal posso recordar meu nome.
Eu aceno, de pé desajeitadamente e esfregando minhas palmas em meus jeans, me perguntando por que estou tão sem fôlego, nervosa, forçando as palavras de meus lábios quando eu digo:
― Sim, estou… bem.
Inadvertidamente, acrescento uma risada nervosa ao final que é tão alta e tola que me encolho e me viro.
― Eu, hm… estava, somente, olhando a mercadoria. — acrescento, me dando conta de que provavelmente, tenha mais direito a estar aqui que ele.
Olhando sobre meu ombro e o encontro me contemplando de uma maneira que não posso interpretar, respiro fundo e jogo os ombros para trás.
― Acredito que a pergunta correta seria: como você entrou aqui?
Percebo que seus pés estavam descalços e úmidos, as calças curtas de cintura baixa e desvio o olhar antes de poder ver algo mais.
― Sou o dono desse lugar.
Assente, empilhando os CDs caídos, os que não estão quebrados, na prateleira antes de voltar-se para mim.
― Sério? — Viro-me, entreabrindo os olhos quando adiciono: ― Porque acontece que conheço a proprietária e não se parece em nada com ela.
Inclina a cabeça para um lado, entrecerrando os olhos com falsa contemplação e esfregando o queixo enquanto diz:
― Sério? A maioria das pessoas afirma ver uma semelhança. Embora, devo concordar com você, eu mesmo nunca a vi.
― Você é parente da Lina? — Olho boquiaberta, esperando que minha voz não soasse com tanto pânico em seus ouvidos como soou nos meus.
― Ela é minha avó. — Ele acena. ― Meu nome é Jude, aliás.
Ele me oferece sua mão, larga, bronzeada, dedos estendidos, esperando a minha. Mas, ainda quando me bate a curiosidade, não aperto sua mão. Apesar de meu interesse em saber por que ele faz eu me sentir tonta e desequilibrada, não posso arriscar a tocá-lo e ter contato com sua energia quando estou psicologicamente perturbada.
Ao invés disso assinto vergonhosamente enquanto murmuro meu nome. Tratando de não retribuir quando me lança um estranho olhar e baixa sua mão novamente.
― Então, agora que descobriu quem sou. — Ele joga a toalha úmida sobre seu ombro, espalhando um jato de areia pela loja. ― Eu volto para minha pergunta original, o que está fazendo aqui?
Eu me viro, fingindo um repentino interesse por um livro sobre a interpretação dos sonhos quando digo:
― Repito a minha resposta original, eu estava olhando a mercadoria, caso tenha esquecido. Certamente, isso é permitido, não? — Viro para ele e encontro seu olhar, aqueles incríveis olhos verdes de mar me recordando um anúncio para uma fuga tropical. Algo neles, tão indefinível e charmoso, ainda assim, estranhamente familiar, embora tenha certeza de que nunca o vi antes.
Ele ri, seus cachos dourados escorregaram para trás expondo no seu rosto uma cicatriz, seu olhar se volta mim enquanto diz:
― Sim, entretanto, em tantos verões que passei aqui, observando os clientes olharem a mercadoria, nunca vi alguém olhar como você.
Seus lábios mexeram para os lados enquanto seus olhos me estudavam. Então, virei com as bochechas esquentando, o coração acelerando-se, tomando um momento para me recompor antes de fita-lo e dizer:
― Nunca viu alguém olhar a capa posterior? É um pouco estranho, não acha?
― Não com os olhos fechados. — Inclina a cabeça para um lado e se concentra no espaço a minha direita.
Engulo a saliva, tremendo, sabendo que preciso mudar de assunto antes de me afundar mais.
― Quem sabe deveria estar mais preocupado em saber como cheguei aqui dentro em invés de o que estou fazendo aqui. — Digo, desejando poder desviar a conversa.
Ele me observa com o olhar profundo.
― Achei que tenha deixado a porta aberta de novo. Ou está dizendo o contrário?
― Não! — Nego com a cabeça, esperando que não se dê conta da maneira em que estão ruborizando minhas bochechas. ― Não, isso é… exatamente o que estou dizendo. Você deixou a porta aberta. — Adiciono, tentando não me inquietar, piscar, pressionar meus lábios ou me delatar de alguma outra maneira. ― Aberta, de fato, o que não é apenas um desperdício de ar condicionado, como é totalmente… — detenho-me, meu estômago voltando-se ao estranho quando vejo o sorriso que está em seus lábios.
― Então, você é uma amiga da Lina, certo? — Ele se dirigiu para a caixa registradora, deixando cair sua toalha sobre o balcão provocando um ruído surdo. ― Nunca escutei seu nome antes.
― Bom, não somos exatamente amigas. — Encolho meus ombros, desejando não expor o meu jeito atrapalhado. ― Quero dizer, a conheci uma vez e ela me ajudou com… espera, por que disse dessa maneira, referente ao passado? Lina está bem?
Ele assente, sentando-se em um banco, agarrando uma caixa roxa da gaveta e folheando um monte de recibos.
― Ela está em um de seus retiros anuais. Ela escolhe um diferente a cada ano, desta vez é no México, tentando determinar se os maias estavam corretos e se o mundo acabará em 2012. Qual é sua opinião?
Ele me olha com seus olhos verdes curiosos, focados nos meus. Mas eu apenas cruzo os braços e encolho os ombros. Nunca escutei antes essa teoria e me pergunto se ela se aplica ao Damen e a mim. E então, será que nos dirigiremos a Shadowland ou seremos obrigados a perambular em uma terra estéril? Os últimos dois sobreviventes responsáveis por repovoar a Terra. Mas aí está a ironia, se nos tocarmos, Damen morre…
Nego com a cabeça, ansiosa para escapar desse filme em particular antes que possa realmente e desordenar minha cabeça. Além disso, estou aqui por uma razão e preciso me concentrar em meu plano.
― Se vocês não são exatamente amigas, então, como você a conhece?
― Eu a conheci através da Ava. — Digo, odiando a sensação desse nome em meus lábios.
Revira os olhos, resmungando algo inteligível e sacudindo a cabeça.
― Então, você a conhece? — Observo seu rosto, seu pescoço, ombros, peito bronzeado, abrindo caminho até seu umbigo antes de me obrigar a desviar a vista novamente.
― Sim, eu a conheço. — Ele empurra a caixa para o lado e me olha. ― Ela simplesmente desapareceu de um dia para o outro, evaporou, por assim dizer…
Oh, você não sabe nem a metade, eu penso, observando cuidadosamente seu rosto.
―… liguei para casa dela, mas não tive resposta. Eu passei de carro pela casa dela para saber se ela estava bem e as luzes estavam acesas, então, conclui que ela esteve me evitando. — Sacode a cabeça. ― Ela me deixou com um bando de clientes revoltados, exigindo uma consulta com ela. Quem diria que ela era tão irresponsável?
Sim, quem diria? Certamente, não a pessoa que foi o suficientemente idiota para pôr seus mais profundos segredos estendidas mãos…
― Entretanto, eu ainda não encontrei alguém tão bom para substituí-la. E, se me permite dizer, é bastante difícil dar consultas e cuidar da loja. Por isso eu saí agora. — Ele dá de ombros. ― O surfe estava me chamando e eu necessitava de um descanso. Acho que deixei a porta aberta novamente.
Seus olhos se encontram com os meus, brilhantes e profundos. E não posso dizer se ele realmente acredita que deixou a porta aberta ou se suspeita de mim. Mas, quando espio sua mente para ver por mim mesma, sou detida por uma barreira que construiu para proteger os pensamentos de gente como eu. Tudo o que tenho para julgar é a brilhante aura roxa não consegui ver antes, sua cor cintilante acenando para mim.
― E até agora, tudo o que tenho é uma pilha de solicitações de clientes. Mas estou tão desesperado para recuperar meus fins de semanas, que estou preparado para colocar todos os nomes em um pote e escolher um só para dar o caso por encerrado. — Balança a cabeça e mostra as covinhas de novo.
E, embora parte de mim não pudesse acreditar no que estou prestes a fazer, a outra parte, a parte mais prática, me impulsiona a seguir, reconhecendo a oportunidade perfeita está diante de mim.
― Talvez eu possa te ajudar.  — Seguro a respiração enquanto espero sua resposta. Mas quando minha única resposta é uma piscada de pálpebras acompanhadas pelo mais ligeiro ondular de lábios, adiciono: ― Sério, nem sequer tem que me pagar!
Ele estreita os olhos ainda mais, esses assombrosos olhos verdes desaparecendo praticamente da vista.
― O que eu quis dizer é que não tem que me pagar tanto. — Digo, não querendo dar a impressão de que sou uma criatura desesperada que se oferece de graça. ― Posso trabalhar por um pouco mais que um salário mínimo, mas só porque sou tão boa que viverei das gorjetas.
― Você é psíquica? — Cruza os braços e inclina a cabeça para trás, me olhando incrédulo.
Endireito minha postura e tento não me inquietar. Esperando parecer profissional, amadurecida, alguém em quem se pode confiar para ajudá-lo a administrar sua loja.
― Sim. — Concordo incapaz de evitar me expor, já que não estou acostumada a confiar minhas habilidades a ninguém, muito menos a um estranho. ― Eu só meio que sei de coisas... Informações simplesmente me chegam... é difícil de explicar.
Me olha vacilante, a seguir focando apenas a minha direita quando diz:
― O que é exatamente, então?
Eu encolho os ombros, com os dedos brincando com o zíper de meu suéter, movendo-o para cima e para baixo, sem ter nem ideia do que ele se refere.
― É uma clariauditiva, clarividente, clarisensivel, clarigustativa, clariolfativa ou claritangente? Qual é?
― Todas as anteriormente citadas. — Concordo, sem ter ideia do que significam a metade delas, mas no caso que, tenha algo que ver com as habilidades psíquicas, provavelmente posso fazê-lo.
― Mas não é uma médium. — Diz, como se fosse um fato.
― Posso ver espíritos. — Encolho os ombros. ― Mas somente os que estão aqui, não os que cruzaram… — Detenho-me, pretendendo limpar minha garganta, sabendo que é melhor não mencionar a ponte, Summerland nem nada disso. — Não posso ver os que cruzaram ao outro lado. — Encolho os meus ombros, esperando que não continue a me pressionar já que é o mais longe que vou chegar.
Ele estreita os olhos, o olhar vagando na parte superior de minha cabeça loira clara e todo o caminho até meus pés calçados no Nike. Uma olhada que faz tremer todo meu corpo. Ele tenta alcançar uma camiseta de mangas largas escondida sob o mostrador e a coloca por cima de sua cabeça antes de me olhar e dizer:
― Bem, Ever, se quer trabalhar aqui, terá que passar pela entrevista.

10 comentários:

  1. Affff não importa se o terceiro do triangulo é legal ou não... A Ever tem que ficar com o Damen!

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  2. Já não fui com a cara desse tal de Jude... algo me diz que ele tem alguma ligação com o Roman. Damen forever ;)
    Ass:Rosana

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  3. Acho que tem Roman metido aí ! O Jude è legal ,mas sou TeamDamon

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  4. Esse carinha chegou pra abalar, hein!!

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  5. Não gostei disso,que palhaçada é essa de ficar atraída por outro.#TeamDamenForever❤

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  6. Eu gosto do Damen.

    Só não gosto dele com a Ever eu acho que ele merece alguém melhor.

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  7. Gostei do Jude e gosto do Damen, como proceder?????!!

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  8. Pensando aqui... Será que o Jude não é o Roman melhorado😍 ou transformado para abalar o casal?
    Ou pode ser um dos órfãos também. Ele está bloqueando a Eve e nenhum mortal conseguiria isso.
    Ah! Miiiissteeeeeriiioooo

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  9. Acho sim que ela tem direito de ter interesses ..afinal quem foi que disse mesmo que a pos ela morrer sempre se entregava aos prazeresmundanos?? Ah sim.damen

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Passamos algumas horas sem essa opção, mas estamos à ativa novamente :)

Boa leitura! E SEM SPOILER!