14 de outubro de 2015

Capítulo vinte

ESTOU EM OUTRO LUGAR. UM LUGAR QUE É AO MESMO TEMPO ESTRANHO E familiar para mim. Flutuo pelo ar, capaz de ver toda a cena que acontece ao meu redor, mas incapaz de agir. Posso sentir as centenas de mentes que estão juntas comigo.
Isso é o que Legado quer nos mostrar.
É uma noite quente de verão. Duas luas brancas vívidas pairam no céu escuro sem nuvens, uma no norte e uma no sul. Isso significa que é um momento especial para meu povo. Duas semanas do ano as luas estão desse jeito, e durante essas duas semanas os lorienos celebrariam. É onde estamos. Lorien.
Eu sei disso porque Legado sabe disso. O que não sei é quão distante voltamos no tempo.
Estamos numa praia, a areia tingida de laranja oscilando pela luz de uma dúzia de fogueiras. Há pessoas por toda parte, comendo e sorrindo, bebendo e dançando. Uma banda toca música como nada que eu tenha ouvido na Terra antes. Meu olhar paira em uma jovem garota com uma juba ruiva encaracolado enquanto ela dança no ritmo da música, suas mãos acima da cabeça, sem se importar com o mundo ao redor. Seu vestido reflete a luz e se distorce, pego ocasionalmente pela brisa quente do oceano.
Na praia, um pouco distante da festa, dois garotos adolescentes estão sentados na areia, num intervalo da festa. Um é alto para sua idade, com escuros cabelos curtos e traços fortes. O outro, menor porém mais bonito do que o primeiro, tem cabelo loiro sujo e desgrenhado e um queixo quadrado. O loiro está vestido com uma camisa branca folgada para fora das calças e casual. Seu amigo está vestido mais formalmente, com uma camisa vermelha escura, passada e perfeita, as mangas meticulosamente enroladas para cima.
Ambos, mas o maior em particular, parecem superinteressados na garota que está dançando.
— Você deveria ir lá — o loiro diz, cutucando seu amigo. — Ela gosta de você. Todo mundo sabe.
O garoto de cabelos escuros franze a testa, passando uma mão sobre a areia.
— E daí? Por que eu faria isso?
— Uh, porque você a está olhando dançar? Posso pensar em vários motivos, cara.
— Ela não é Garde. Ela não é como nós. Não seríamos capazes... — o garoto de cabelos escuros balança a cabeça, melancolicamente. — Nossos mundos são muito diferentes.
— Ela não parece se importar por não ser Garde — o garoto loiro retruca. — Ela está se divertindo de qualquer forma. Você é o único que está impedindo isso.
— Por que nós temos Legados enquanto ela não tem? Não parece justo, que alguns devam ficar presos sendo tão... normais — o garoto de cabelos escuros se vira para seu amigo, com um olhar sério em seu rosto. — Você já pensou sobre isso?
Em resposta, o garoto loiro abre a palma de sua mão. Nela, uma pequena bola de fogo ganha vida e rapidamente toma a forma de uma garota dançando.
— Não — ele responde, sorrindo.
O garoto de cabelos escuros se concentra por um momento e então a pequena dançarina de fogo explode, deixando de existir. O garoto loiro ergue as sobrancelhas.
— Pare — ele reclama. — Você sabe que eu odeio quando você faz isso.
O garoto de cabelos escuros sorri se desculpando com seu amigo e traz de volta os Legados dele.
— Legado estúpido — ele diz, balançando a cabeça. — Qual a vantagem de algo que funciona apenas contra outros Gardes?
O garoto loiro gesticula em direção da dançarina.
— Vê? Você é perfeito para Celwe. Ela não tem nenhum Legado, e você tem o mais ridículo deles.
O outro ri e dá um soco levemente no ombro de seu amigo.
— Você sempre diz as coisas certas.
— Isso é verdade — o loiro responde, sorrindo. — Você poderia aprender muito comigo.
Eu não tenho olhos da forma tradicional aqui, mas a visão parecer piscar. Em um segundo, os garotos sentados na praia aparecem na forma dos homens que irão se tornar. O garoto loiro é lindo, atlético, com olhos bonitos – e eu não estou prestando nem um pouco de atenção nele. Ao invés disso, minha atenção se volta à bruta forma que está sentada ao lado dele, mortalmente pálida, com uma cicatriz nojenta em torno do pescoço.
Setrákus Ra.
Essa cena deve ter acontecido centenas de anos atrás. Talvez milhares. É antes de Setrákus Ra ter se juntado aos mogadorianos, antes dele se tornar um monstro.
Um segundo depois, e eles são jovens novamente. O garoto loiro dá um tapinha nas costas do jovem Setrákus Ra enquanto eles continuam a observar a garota que dança. Estou chocada com a normalidade de sua aparência, um garoto jovem sentado numa praia, olhando melancolicamente para a garota que ele gosta.
Onde tudo isso deu errado?
A visão desmancha, juntando-se sem problemas à outra.
Meu avô e seu amigo estão em um grande salão abobado, um mapa de Lorien estampado em loralite brilhante através do teto. Eles não são mais garotos, estão mais para jovens adultos. Quanto anos mais tarde estamos? Podem ser décadas, pela forma que contamos os anos em Lorien. Se fossem humanos, acho que eles estariam com mais ou menos vinte anos, mas quem sabe como isso se traduziria para a idade lórica. Eles estão parados em frente a uma enorme mesa redonda que cresce diretamente do chão, como se fosse feita a partir de uma árvore que ninguém se importou em cortar. Cravada no centro da mesa há o símbolo lórico para “unidade”.
Eu sei disso porque Legado sabe.
Ao redor da mesa há dez poltronas, todas elas ocupadas com sérios olhares lóricos, com exceção de duas, que estão vazias.
Cadeiras como as de um grande teatro cercam a mesa redonda por toda a circunferência. Está lotado hoje, todas as fileiras em sua capacidade máxima, Gardes apertados de cotovelo a cotovelo. Isso, percebo, é a câmara dos Anciãos. É onde os Anciãos se juntam na presença da Garde para tomar grandes decisões. A cena toda me lembra das reuniões do senado que vi na Terra, com exceção da loralite brilhante. Atualmente, todos os olhares estão sobre o Ancião magro com longos cabelos brancos e olhos gentis. Apesar dos cabelos brancos, ele não parece mais velho que meu avô. Mas o seu jeito projeta uma aura de superioridade.
Ele é Loridas. É um Aeternus, como eu, o que significa que ele pode parecer muito mais jovem do que realmente é. Todo mundo ouve respeitavelmente quando ele começa a falar.
— Estamos reunidos aqui hoje em honra aos nossos caídos — Loridas diz, sua voz se espalhando pela câmara inteira. — Nossa última tentativa de melhorar nossa relação diplomática com os mogadorianos foi rejeitada. Violentamente. Parece que os mogadorianos apenas aceitaram nossa delegação em seu planeta para que pudessem assassiná-los. Durante a batalha, nossos Gardes foram capazes de paralisar suas capacidades interestelares, o que irá mantê-los confinados em seu planeta por algum tempo. Nós ainda acreditamos que há aqueles dentre os mogadorianos que valorizam a paz sobre a guerra, mas a sociedade deles deve chegar a essa conclusão sozinha. Nós, Anciãos, vimos que futuros envolvimentos com Mogadore serão prejudiciais para ambas espécies. Portanto, todo e qualquer contato com Mogadore está proibido até nova ordem.
Loridas pausa por um momento. Ele olha para as duas cadeiras vazias ao redor da mesa e uma expressão muda as linhas de seu rosto.
De repente ele parece muito, muito mais velho.
— Nós perdemos muitos irmãos e irmãs durante esta última batalha, incluindo dois Anciãos — Loridas continua. — Seus nomes, que há muito tempo foram escolhidos para se tornarem Anciãos, eram Zaniff e Banshevus. Eles serviram este conselho com lealdade por muitas décadas, pastoreando nosso povo através dos tempos de guerra e dos tempos de paz. Vamos refletir sobre eles nos próximos dias. Entretanto, as cadeiras de Setrákus Ra e do nosso líder, Pittacus Lore, não devem permanecer vazias. Nós seguimos em frente, como os lorienos sempre fazem, e sabemos que não sofremos apenas perdas em Mogadore. Também fizemos heróis. Deem um passo à frente, vocês dois.
Quando Loridas comanda, meu avô e seu amigo dão um passo à frente, em direção à mesa. O garoto loiro se permite um sorriso e assente para todas as pessoas amontoadas na câmara. Por outro lado, meu avô, alto e magro como será centenas de anos depois, parece dificilmente estar ciente do que está acontecendo. Ele parece assustado.
— As ações rápidas de vocês, com seus Legados fortes e poderosos salvaram muitas vidas em Mogadore — Loridas diz. — Nós, os Anciãos, temos visto há tempo o potencial de vocês e sabemos bem as grandes coisas que realizaram para com o nosso povo. Portanto, é nesse dia que nós oferecemos esses dois lugares vazios e damos boas-vindas a vocês como Anciãos Lóricos, para servirem e protegerem Lorien, seu povo e a paz. Vocês aceitam esses postos sagrados e juram colocar as necessidades de seu povo acima de quaisquer outras?
O homem loiro assente com a cabeça, conhecendo sua parte na cerimônia.
— Eu aceito — ele fala.
Meu avô, perdido em seus pensamentos, não diz nada. Depois de um momento de um estranho silêncio, seu amigo o cutuca.
— Sim — Setrákus Ra diz, assentindo também. — Eu aceito.
Anos depois, o homem loiro corre pelo corredor de uma casa modesta. Cacos de vidro se desmancham em baixo de seus pés. O lugar está uma bagunça. Mesas estão viradas, fotos emolduradas foram derrubados das paredes, vasos de vidros estilhaçados em milhões de pedaços.
— Celwe? — ele grita. — Você está bem?
— Aqui — uma voz trêmula de mulher responde.
Ele corre através da porta dupla de bambu para dentro de um quarto iluminado, a linda praia de antes agora visível pelas janelas abertas. Esse quarto está tão bagunçado quanto o resto da casa. A cama está virada de cabeça para baixo, as prateleiras de livros derrubas e seu conteúdo espalhado, e até mesmo as tábuas de madeira do chão estão desiguais. É como se alguém tivesse tido um ataque de raiva telecinético aqui.
Olhando pela janela está a mulher de cabelos ruivos encaracolados que há muitos anos atrás dançava pela noite na praia. Celwe.
Abraçando a si mesma, ela não se vira quando o homem entra no quarto.
— Eu o conheci bem ali fora — Celwe diz, gesticulando para a praia. — Ele era tão tímido. Sempre no seu próprio mundo. Ainda fico surpresa, algumas vezes, por ele ter tido coragem de se casar comigo.
— O que aconteceu aqui? — ele pergunta enquanto se aproxima devagar.
— Nós tivemos uma discussão, Pittacus.
— Você e Setrákus?
Celwe bufa e se vira para encará-lo. O amigo de infância do meu avô, o homem que deve ter se tornado o próximo Pittacus Lore. Seus olhos estão vermelhos por ter chorado, porém ela parece ilesa.
— Ah, não o chame assim. Esse título não trouxe nada além de problemas.
— É quem ele é agora — Pittacus responde seriamente. — É uma grande honra.
Ela semicerra os olhos.
— Foi difícil o suficiente estar casada com um Garde. Nós costumávamos conversar sobre ter filhos, sabe. Agora, depois dessa viagem à Mogadore, depois de ele ter se tornado um Ancião... eu mal o vejo. Quando consigo, tudo o que ele fala envolve aquele projeto, aquela obsessão dele.
Pittacus inclina a cabeça.
— Que projeto?
Celwe engole seco, talvez percebendo que falou demais. Ela se afasta da janela e vai em direção à cama. Começa a empurrar o estrado de madeira para longe do colchão para que ela possa desvirar a cama, mas invés disso pensar melhor, olhando para Pittacus.
— Me ajuda, por favor?
Pittacus usa sua telecinesia para desvirar a cama, arrumando o colchão ao mesmo tempo. Seu olhar nunca se desviou de Celwe.
— Tão fácil para você — ela murmura enquanto se senta na cama recém-arrumada.
Pittacus se senta próximo à ela.
— No que Setrákus está trabalhando?
Ela respira fundo.
— É uma escavação. Nas montanhas. Eu não deveria... eu não sei exatamente como explicar. O que ele faz lá... ele diz que faz por mim, Pittacus. Como um presente — Celwe diminui o tom de voz. Há lágrimas em seus olhos. — Mas eu não quero.
— Eu não entendi — Pittacus responde.
— Você deveria ver por si mesmo — ela diz. — Não conte... não conte a ele que eu te disse.
— Você está com medo dele? — Pittacus pergunta, sua voz baixa. — Ele te machucou?
— Ele não me machucou. Eu só estou assustada pelo o que ele pode se tornar.
Celwe alcança as mãos de Pittacus e as aperta.
— Apenas faça com que ele venha para casa, Pittacus. Por favor. Faça-o ver a razão e traga meu marido de volta para mim.
— Eu trarei.
Pittacus segue pelo céu, voando através das nuvens. Ele mergulha na direção de uma cadeia de montanhas e, em seguida, dispara para baixo em um abismo profundo, como uma versão maior do Grand Canyon. Enquanto ele desce, paredes em cor de arenito salpicadas de loralite estão por todo lado, e então Pittacus nota um conjunto maquinário complexo e um gerador maciço abaixo dele. Alguém tem cavado profundamente, como se o abismo já não fosse profundo o suficiente.
O olhar de Pittacus muda, como o meu, para a peça do topo da máquina no centro do perímetro da escavação. Vigas retorcidas de aço aumentadas com circuitos piscantes e símbolos de loralite – se parece com uma versão maior e menos refinada do canalizador que Setrákus Ra desembarcou da Anubis.
Então é isso que Legado quis dizer quando disse que Setrákus Ra já tinha tentado coletá-lo antes. Aqui é o início de tudo, séculos atrás.
O início do mergulho do meu avô na loucura.
Quando Pittacus pousa, um jovem lorieno em um avental de laboratório vai até ele para cumprimentá-lo. Sua pele é estranhamente pálida para um lorieno e ele se move de uma maneira análoga a um robô, como se seus membros não estivessem mais em sincronia com seu cérebro. Pittacus parece se surpreender pela aparência do jovem, mas isso não tira seu foco.
— Onde está Setrákus? — ele pergunta.
— Ele está no Libertador — o jovem lorieno responde, apontando para o canalizador. — Ele está esperando sua visita, Ancião Lore?
— Isso não importa — Pittacus responde, e marcha até o então chamado Libertador. O lorieno pálido sai de seu caminho, porém Pittacus hesita. Ele se volta para o jovem. — O que ele tem feito aqui? O que ele fez com você?
— Eu... — o jovem hesita, como se não pudesse falar. Mas então, ele ergue as mãos, se concentra e levita um punhado de rochas com sua telecinesia. Parece um tremendo esforço para ele.
Pittacus inclina a cabeça, surpreso.
— Você é Garde? Por que eu não o conheço?
— Aí é que está — o garoto responde. — Eu não sou Garde. Não sou ninguém.
Durante sua fraca demonstração telecinética, veias escuras começam a pulsar na testa do jovem lorieno. Pittacus nota isso e se aproxima para tocar o rosto do jovem. O jovem recua.
— É... é um trabalho em progresso — o garoto pálido diz. — Eu não tive minha dose hoje.
— Dose — Pittacus sussurra sob sua respiração, mas então anda propositadamente em direção à máquina Libertador.
Ele passa por vários outros assistentes pelo caminho, todos igualmente com a pele pálida e assustadora. Posso sentir a raiva crescendo dentro dele, ou talvez seja minha própria raiva, ou talvez seja ambas.
Estamos testemunhando algo legitimamente corrupto.
O Libertador está ligado. Ele emite o mesmo som agudo de moagem que o canalizador que Setrákus Ra desembarcou da Anubis. Há protuberâncias de loralite despejadas ao redor do perímetro de escavação, como se os assistentes tivessem arrancado essas rochas da terra para chegarem ao que está abaixo dela. Energia lórica é puxada do chão e transferida para dentro de containers de vidro em forma de pílulas enormes. Uma vez nos containers, a energia é processada – é atingida por ondas de alta frequência e misturadas com explosões de gases químicos em temperatura abaixo de zero, até que se solidifique de alguma forma. Então, ela é agitada por um rolete envolto com pontas afiadas antes de passar por uma série de filtros.
O resultado é a gosma preta com que Setrákus Ra é capaz de encher um tubo de ensaio. Ele está no meio desse procedimento quando Pittacus vai até ele.
— Setrákus!
Meu avô olha e sorri. Ele está orgulhoso. Há veias escuras correndo debaixo de sua pele, também, e seu cabelo preto começou a cair. Surpreendentemente, ele está animado por ver Pittacus e deixa de lado seu trabalho torcido para cumprimentá-lo.
— Velho amigo — Setrákus Ra diz, se aproximando com os braços abertos. — Quanto tempo? Se perdi outra reunião do conselho dos Anciãos, diga a Loridas que sinto muito, mas...
Como forma de cumprimento, Pittacus agarra a gola da camisa de Setrákus Ra e o empurra, pressionando-o contra uma das vigas de aço do Libertador. Embora ele seja menor que Setrákus, consegue pegar o homem grande de surpresa.
— O que é isso, Setrákus? O que você fez?
— O que você quer dizer? Me solte, Pittacus.
Pittacus põe as mãos em suas têmporas. Eu realmente desejaria que ele não colocasse. Ele respira fundo, solta Setrákus e dá um passo para trás.
— Você está minando Lorien — Pittacus diz, claramente tentando juntar as peças em sua cabeça olhando para o perímetro de escavação. — Você... o que você fez com essas pessoas?
— Com os voluntários? Eu os ajudei.
Pittacus balança a cabeça.
— Isso é errado, Setrákus. Isso parece... parece que você contaminou nosso mundo.
Setrákus ri.
— Ah, não seja dramático. Isso o assusta apenas porque você não compreende.
— Me explique, então! — Pittacus grita, e uma pequena chama irrompe nos cantos de seus olhos.
— Por onde começar... — Setrákus diz, passando a mão em sua cabeça. — Nós estávamos juntos em Mogadore. Você viu o ódio que os mogs têm por nós. A selvageria. Qual benefício poderia algum dia prover daquele lugar?
— Levará tempo — Pittacus fala. — Um dia, os mogadorianos vão escolher a paz. Loridas acredita nisso, então eu também.
— Mas e se eles não escolherem? Eles não estão colocando em risco apenas o nosso modo de vida, mas sim toda a galáxia. Por que devemos contê-los e esperar uma melhora em sua mentalidade quando podemos simplesmente acelerar sua evolução? E se os mogadorianos que escolhermos, aqueles que virmos como aliados pacíficos – e se pudéssemos dar Legados à eles? Transformá-los em Gardes? Líderes dentre o povo deles, capazes de extinguir a guerra e a periculosidade? Nós poderíamos mudar o destino de uma espécie inteira, Pittacus.
— Não somos deuses — Pittacus responde.
— Quem disse?
Um momento de silêncio se passa. Pittacus dá um passo para trás de seu velho amigo.
— É tudo em que eu pensava desde que retornamos de Mogadore — Setrákus continua. — Não apenas os mogadorianos. Nós também. Todos nós. Os lorienos. Por que existem os Gardes e os Cêpans? Nós temos paz, sim, mas a que preço? Um sistema de linhagem onde nossos líderes decidem dentre os quais foram ou não sortudos o suficiente para ter nascido com Legados? Nós, Anciãos, sentamos ao redor de uma mesa que se lê “unidade” – mas como somos iguais?
— É como Lorien deseja...
Setrákus ri amargamente.
— Natureza, destino, sorte. Somos mais do que esses conceitos imaturos, Pittacus. Nós controlamos Lorien, não ao contrário. Você, eu, todos – nós poderíamos escolher nosso próprio destino, nossos próprios Legados. Minha esposa, ela poderia...
— Celwe ficaria indignada com isso e você sabe — Pittacus diz. — Ela está preocupada com você.
— Você... você falou com ela?
— Sim. E vi a bagunça que você fez em sua casa.
As sobrancelhas de Setrákus Ra se erguem, boquiaberto, quase como se ele tivesse sido atingido por um tapa. Eu meio que espero que ele comece a gritar com Pittacus no tom arrogante que com frequência usava comigo enquanto eu estava abordo da Anubis.
Posso ver a arrogância que conheço bem em sua expressão, mas também algo a mais. Ele não foi longe o suficiente ainda.
Competindo com os delírios de grandeza de meu avô, há uma pequena dose de vergonha.
— Eu... eu perdi o controle — Setrákus Ra fala após um momento.
— Você perdeu um monte de coisas e perderá mais se não parar com isso — Pittacus responde. — Talvez nosso mundo não seja perfeito. Talvez possamos fazer mais, Setrákus. Mas isso... isso não é a resposta. Você não está ajudando ninguém. Está deixando-os doentes e torturando a mãe natureza do nosso mundo.
Setrákus mexe a cabeça.
— Não. Não estou... isso é progresso, Pittacus. Algumas vezes, o progresso precisa ser doloroso.
A expressão de Pittacus se torna dura. Ele se vira em direção ao Libertador e observa o fluxo constante de energia lórica sendo sugada de graça do núcleo do planeta. Ele toma sua decisão rapidamente. Fogo toma conta de suas mãos e braços.
— Vá para casa e para Celwe, Setrákus. Tente esquecer essa loucura. Eu vou... limpar o que você fez aqui.
Por um momento, Setrákus parece considerar. Torço por ele, de verdade. Eu gostaria que ele percebesse que Pittacus está certo, desse as costas para sua máquina e voltasse para a minha avó.
Mas eu já sei como tudo isso irá acabar.
A expressão de meu avô se torna obscura e as chamas intensas crescentes de Pittacus são de repente extintas.
— Eu não posso permitir que faça isso — ele diz.
A Câmara dos Anciãos está vazia agora, exceto por Pittacus e Loridas. O Garde mais jovem se afunda em sua cadeira alta, com o rosto machucado e os dedos entrelaçados. O Garde mais velho fica do outro lado da mesa, inclinando-se sobre um objeto brilhante, trabalhando no que quer que seja com suas mãos nodosas.
— Eu não concordo com a decisão deles — Pittacus fala.
— Nossa decisão — Loridas o corrige, gentilmente. — Você teve um voto. Todos os outros nove também.
— Execução foi longe demais. Ele não merece isso.
— Ele era seu amigo — Loridas responde. — Mas não é mais aquele homem. Seus experimentos poderiam ter corrompido todas as nossas formas de vida. Eles pervertiam tudo o que é puro em Lorien. Não pode ser permitido a continuar. Ele deve ser removido inteiramente. Apagado de nossa história. Até mesmo o seu assento de Ancião não deve ser preenchido, ele também o danificou. Sua malignidade não pode ser autorizada a formar raízes e se espalhar.
— Eu ouvi tudo isso quando fomos convocados, Loridas.
— Se o entedia, então por que ainda está aqui?
Pittacus expira profundamente. Ele olha para suas mãos.
— Nós crescemos juntos. Você nos nomeou Anciãos juntos. Nós... — sua voz está trêmula e ele para e se acalma. — Eu quero ser aquele que fará.
Loridas prende o olhar com Pittacus. Satisfeito que o jovem homem está sério, ele assente.
— Pensei que gostaria.
Loridas usa seu Aeternus, suas expressões lentamente mudando até que ele pareça bem mais jovem. Pittacus o observa com uma sobrancelha levantada.
— Ele tirou seus Legado na última vez que o viu — Loridas diz. — Conseguiu fazê-lo recuar.
— Não vai acontecer novamente — Pittacus responde, sua voz aumentando.
— Mostre-me.
Pittacus foca em Loridas. Um momento depois, a pele no rosto de Loridas se torna flácida e enrugada, seus fios de cabelo retrocedem drasticamente e seu corpo definha dentro de seu traje cerimonial. Ele parece muito mais velho do que antes e rapidamente percebo que esta é sua verdadeira aparência. De alguma forma, Pittacus acabou de retirar o Legado dele.
— Ótimo — Loridas diz, sua voz ríspida. — Agora devolva ao velho homem sua dignidade.
Com um aceno de mão, Pittacus restaura os Legados de Loridas. O Ancião muda de forma novamente, ainda velho, porém não tão desconsertadamente.
— Quantos Legados você dominou com seu Ximic, Ancião Lore?
Pittacus coça sua nuca, parecendo modesto.
— Com o Dreynen, setenta e quatro. Nunca me incomodei em aprendê-lo antes. Jamais pensei que iria usá-lo.
Dreynen, esse é meu Legado, um dos poucos que compartilho com meu avô, o que nos permite retirar temporariamente os Legados alheios com o toque ou carregando projéteis.
— Impressionante — Loridas responde, voltando sua atenção para os objetos espalhados na mesa a sua frente. — Ximic é o nosso Legado mais raro, Pittacus. A habilidade de copiar e dominar qualquer Legado que observar. Não é um dom que se usa levianamente.
— Meu Cêpan costumava me dar lições sobre isso — Pittacus responde. — Entendi a responsabilidade que vem com o poder. Tento viver minha vida com isso em mente.
— Sim, e nós tivemos sorte que esse Legado tenha escolhido você e não outra pessoa. Imagine, Pittacus, se seu amigo Setrákus encontrasse uma maneira de duplicar esse Legado. Torná-lo dele. Ou dá-lo para quem ele escolher.
Pittacus range os dentes.
— Eu não vou permitir que isso aconteça.
Loridas segura o objeto que esteve trabalhando. Parece uma corda, com exceção de que o material trançado não se parece com nada que já vi na Terra. É grosso e forte, com mais ou menos seis metros de comprimento, com uma ponta enrolada em um laço complexo. A parte do laço da corda foi moldada e endurecida, com uma ponta afiada. Loridas demonstra apertando laço, e quando o faz, a borda letal faz o som do movimento de uma espada.
Pittacus observa.
— Um pouco antigo, não acha?
— Já faz séculos e você é jovem, mas é assim que punimos a traição. Algumas vezes, os meios antigos são os melhores. É feito a partir da árvore Voron, uma planta quase tão rara quanto você. Os ferimentos causados pela Voron não podem ser curados por Legados — Loridas gesticula para Pittacus. — Venha. Deixe-me pegar seu Dreynen emprestado.
Pittacus dá a volta na mesa e põe suas mãos nos ombros de Loridas. Eu não consigo ver o que acontece, mas posso perceber – Legado pode perceber – que Pittacus usa um Legado de transferência igual ao de Nove, permitindo com que Loridas use seu Dreynen. Loridas se concentra no laço. Ele começa a emitir um fulgor carmesim fraco, exatamente como quando eu carrego um objeto com meu Legado.
— Você terá isso carregado com Dreynen agora, para o caso de ele retirar seus Legados antes que você possa retirar os dele — Loridas explica, balançando cautelosamente a ponta afiada do laço. — Encoste isso nele e...
— Eu sei como funciona — Pittacus interrompe.
— Será rápido, Pittacus.
Pittacus pega a corda de Loridas, tomando cuidado para não tocar no laço carregado. Ele aperta a corda com firmeza, sua expressão determinada.
— Eu sei o que devo fazer, Loridas.
E nós – aqueles que estão assistindo do futuro – sabemos que ele ferrou com tudo.
Setrákus rasteja através do chão do cânion, com manchas de sujeira e cinzas, seu rosto e cabeça cobertos de pequenos cortes. Ao fundo, um grupo de Gardes comanda o lançamento de todos os tipos de elementos diferentes no Libertador. A máquina cospe nuvens enormes de fumaça preta quando começa a desmoronar. Os corpos de seus assistentes estão amontoados no chão. Entretanto, eles não foram mortos pela Garde. Não, alguma coisa sinistra e escura vaza pelos poros deles até na morte.
— Não fui eu quem enlouqueci... — Setrákus diz, cuspindo sangue na terra enquanto se arrasta para longe do seu perímetro de escavação. Ele não olha para trás quando sua máquina explode, embora uma expressão parecida com dor física se espalhe através de seu rosto. — O resto de vocês, todos vocês – vocês que estão errados. Vocês não compreendem o progresso.
Pittacus segue logo atrás de Setrákus. O laço balança em suas mãos. Seu queixo forte está estabilizado e determinado, mas seus olhos estão brilhantes.
— Por favor, Setrákus. Pare de falar.
Setrákus sabe que ele não pode escapar, então para de rastejar.
Ele rola e fica de costas para o chão, e olha para cima, na direção de Pittacus.
— Como eu posso estar errado, Pittacus? — Setrákus pergunta, sem fôlego. — A própria Lorien me deu o poder de dominar outros Gardes, de retirar temporariamente os Legados deles. Esse é a forma do planeta dizer que me quer no controle.
Pittacus balança a cabeça e para em frente a seu amigo.
— Ouça a si mesmo. Primeiro você rebaixa a forma com que Lorien distribui aleatoriamente os Legados, e agora prega que seus Legados são o destino. Eu não sei qual pensamento acho mais perturbador.
— Nós poderíamos reinar juntos, Pittacus — Setrákus implora. — Por favor. Você é como um irmão para mim!
Pittacus engole em seco. Com sua telecinesia, ele laça a corda ao redor do pescoço de Setrákus. Ele se abaixa em direção ao seu amigo Ancião, sua mão sobre espesso nó da corda que vai apertar o laço.
— Você foi longe demais — Pittacus diz. — Sinto muito, Setrákus. Mas o que você fez...
Pittacus começa a apertar o laço. Ele deveria fazer isso rapidamente, mas não pode acelerar, não ainda. A parte afiada encosta no pescoço de Setrákus. Meu avô engasga em dor, porém ainda não reagiu. De repente há um olhar de sabedoria nele, de renúncia. Setrákus se inclina para trás. A ponta afiada perfura ainda mais sua pele. Ele olha para o céu.
— Haverá duas luas hoje à noite — ele diz. — Elas dançarão na praia como costumávamos fazer, Pittacus.
Sangue escurece o chão abaixo de meu avô. Ele começa a chorar, então fecha os olhos para esconder as lágrimas.
Pittacus não consegue continuar. Ele retira o laço do pescoço de Setrákus, o joga para o lado e se levanta. Entretanto, ele não olha nos olhos de Setrákus. Ao invés disso, segue na direção do Libertador e da área de pesquisa de Setrákus, observando o lugar inteiro enquanto ele é queimado. Ele acredita com seu coração que isso significa o fim.
Ele ainda vê seu velho amigo ali, jazendo no chão. Não conhece o monstro no qual ele irá se tornar.
O Libertador é extenso. Ninguém nota quando Pittacus usa sua telecinesia para arrastar um dos corpos dos assistentes mortos de Setrákus em direção à eles. Enquanto Setrákus observa, com os olhos arregalados, Pittacus usa seu Lúmen para queimar o corpo até que ele fique chamuscado e irreconhecível. Quando termina, Pittacus desvia o olhar.
— Você está morto — Pittacus diz. — Saia daqui. Nunca retorne. Talvez algum dia, você encontre uma forma de restaurar o dano que causou, aqui e dentro de você. Até esse dia chegar... adeus, Setrákus.
Pittacus leva o corpo queimado com ele e deixa Setrákus lá no chão. Ele fica perfeitamente parado, deixando o sangue escorrer do ferimento circular causado pela ponta afiada da corda em seu pescoço pálido. Eventualmente, ele limpa as lágrimas dos olhos.
Então, Setrákus sorri.
Nós nos demoramos no cânion enquanto os anos passam. As cinzas da batalha foram sopradas para longe, as marcas do fogo desaparecendo com a luz do sol. Os restos da máquina de Setrákus Ra erodiram, engolidas pela poeira vermelha e pelo vento que sopra através das montanhas.
Todo ano, quando há duas luas no céu, Pittacus Lore retorna para cá. Olha para os destroços do Libertador e considera o que fez.
O que ele quase fez. Ou o que não fez.
Quantos anos se passaram assim? É difícil dizer. Pittacus nunca envelhece graças a seu Aeternus.
E então, um dia, enquanto Pittacus estava parado no mesmo lugar onde deveria ter matado meu avô, uma nave horrível em forma de inseto corta o pôr-do-sol no céu e voa em sua direção. Parece com uma versão mais antiga dos Skimmers mogadorianos que vi tantas vezes. Enquanto a nave pousa em sua frente, Pittacus acende chamas em uma das mãos, enquanto a outra está envolta em uma bola de gelo afiada.
A porta da nave se abre e Celwe aparece. Ao contrário de Pittacus, ela envelheceu. Seu antigo cabelo encaracolado agora está grisalho, seu rosto enrugado.
Pittacus arregala os olhos quando a vê.
— Olá, Pittacus — ela diz, colocando para trás os fios de cabelo. — Você não envelheceu um dia.
— Celwe — Pittacus respira, sem palavras. Ele a pega em seus braços, ela retribui o abraço que dura por um longo momento. Eventualmente, Pittacus fala. — Eu nunca pensei que a veria de novo. Quando Setrákus Ra... quando ele... eu não esperava que você fosse para o exílio com ele, Celwe.
— Eu fui criada da forma antiga – nós, lorienos, amamos para sempre — Celwe responde, sem frieza.
Pittacus levanta ceticamente uma sobrancelha, porém não diz nada. Ao invés disso, ele olha para trás de Celwe, em direção ao modelo obsoleto de Skimmer.
— Essa nave. Ela é...?
— Mogadoriana — Celwe completa simplesmente.
— É lá que ele tem se escondido durante todos esses anos? Onde vocês tem vivido?
Celwe assente.
— Que lugar melhor do que um onde os Gardes estão proibidos de ir?
Pittacus balança a cabeça.
— Ele deveria voltar. Já faz décadas. Os Anciãos o apagaram da história, seu nome foi esquecido por todos, com exceção de nós. Eu realmente acredito que depois de todos esses anos, os crimes dele podem ser perdoados.
— Mas os crimes dele nunca pararam, Pittacus.
E então ele nota. As veias negras no pescoço de Celwe. Pittacus dá um passo para trás, sua expressão enrijecendo.
— Por que você retornou agora, Celwe?
Em resposta, Celwe se volta para o Skimmer.
— Venha até aqui — ela chama e, um momento depois, uma tímida garota, com não mais de três anos, desce pela entrada da nave. Ela tem os cabelos encaracolados de Celwe e as feições de Setrákus Ra, e então de repente eu me lembro da carta de Crayton. Setrákus Ra pode me chamar de neta, mas na verdade eu sou sua bisneta. Não há como negar agora – não apenas porque Legado sabe, mas porque eu me reconheço nela – essa criança que vai crescer e dar à luz a Raylan, meu pai.
— Essa é Parrwyn — Celwe diz. — Minha filha.
Pittacus encara a criança.
— Ela é linda, Celwe. Mas... — ele olha para o rosto velho em sua frente. — Me desculpe, mas como isso é possível?
— Sei que estou velha para ser mãe — Celwe responde, com um olhar distante. — A fertilidade é a especialidade de Setrákus Ra agora. Fertilidade e genética, para ajudar a elevar os mogadorianos. Eles o chamam de Adorado Líder — ela ri disso, balançando a cabeça. — Mesmo assim, ele não queria ver sua filha crescer no meio deles. Então aqui estamos.
Parrwyn dá um passo apreensivo, escondendo-se atrás das pernas de sua mãe. Pittacus Lore se agacha, gesticula suas mãos sobre as pedras sem vida do Canyon e faz com que uma única flor azul floresça do arenito. Ele a pega e entrega para Parrwyn. A garota sorri.
— Eu cuidarei da sua proteção aqui — Pittacus diz para Celwe, sem olhar para ela, mas para a filha. — Você pode viver uma vida normal. Mantê-la salvo. Não conte a ela sobre... sobre ele.
Celwe assente.
— Ele vai voltar um dia, Pittacus. Você sabe disso, certo? Com exceção de que não será como você imagina. Ele não virá procurando perdão.
Pittacus toca sua garganta, passando uma mão no local onde a cicatriz de Setrákus Ra está.
— Eu estarei pronto para ele — Pittacus diz.
Ele não estava.
A visão acaba e a escuridão retorna. Há explosões da energia lórica ao meu redor. Mais uma vez, estou flutuando no espaço aconchegante que é o Legado.
— O que agora? — pergunto. — Por que você nos mostrou isso?
Para que vocês soubessem, a voz responde gentilmente. E sabendo, agora conhecerão.
— Quem nós conheceremos?
Todos.

16 comentários:

  1. — Eu fui criada da forma antigo – nós, lorienos, amamos para sempre — Celwe responde, sem frieza.

    Não seria antiga?

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  2. Então Henri não exagerou quando disse que loreanos amam uma pessoa pra sempre.

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  3. Uau. Haja imaginação para 74 legados

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  4. Isso explica MUITA coisa. E com certeza o John é Pittacus. Não só pelo Lúmen (que não é tão raro assim), mas pelo Ximic. Sempre suspeitei que o John tivesse algum legado oculto que lhe permitisse desenvolver exatamente o legado que precisasse para uma situação (como quando aprendeu a curar quando Sarah foi ferida) ou que pudesse, de alguma forma, copiar os legados. Ele é o único que tem legados repetidos: falar com os animais, como Nove; e cura, como a Marina. E ele desenvolveu o legado de cura algumas horas depois de ver a Marina usando. Me pergunto se Henri sabia...
    Setrákus não está tão errado assim. O que ele quer é igualdade, e não uma sociedade onde alguns mais sortudos tem poderes e ganham o direito de governar. Mas o método dele não é certo.

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    1. mas tem um erro, 4 já tinha aprendido o legado de falar com animais antes q conheceu 9

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    2. Pois é... e boa parte dos Legados também se desenvolve nas horas de necessidade, Quatro não saberia que podia curar até tentar, até querer realmente

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  5. Concordo com vc, Guilherme.
    Adna.

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  6. Os fins nao justificam os meios q Sekratus usou..

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  7. Concordo com você Guilher . E O 4 teve piedade do 5, igual Pittacus teve do Setrakus..

    ~Fiume

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  8. Não são os mais sortudos que governam. No primeiro livro é citado que a Garde defende o planeta, enquanto aqueles que não tem legado o governam.

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  9. torcendo pro quatro matar o Sekratus

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  10. Deuses! Setenta e quatro legados?! Eu só contei 22 da Garde.

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  11. Uau! Que tanto de legado! E foi somente os que ele APRENDEU a usar. Deve ter outro monte de legado.

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  12. E eu aqui inocentemente pensando que o maior vacilão dessa saga é o Cinco... PORRA PITTACUS!!! Arregando assim tu enfraquece a amizade cara! E nem me venham com a desculpa de que ele não podia advinhar, ele dominava 74 legados, certamente tinha o legado das visões do futuro e certamente viu que ia dar merda deixar Setrákus vivo, na certa ele ficou na esperança de que ele ia se desculpar com Lórien. Por isso depois que ele viu que foi burrice deixar Setrákus vivo, ele os anciões trataram logo de bolar um plano caso a merda fedesse demais. Resumindo: A merda fedeu, um planeta inteiro foi dizimado, um monte de gente foi morta cruelmente, os gardes tiveram uma vida sofrida pra caramba na Terra, e tudo porque Pittacus Lore arregou.

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