14 de outubro de 2015

Capítulo vinte e três

ACONTECE RÁPIDO. DA MESMA FORMA QUE O MUNDO DOS SONHOS PARECIA real, não fez jus ao peso físico de realmente ter um corpo.
Jogada sem rodeios para o lugar aonde eu pertenço, todas as sensações me atingem outra vez. O calor do fogo, a poeira asfixiante, meus músculos doloridos. Meus joelhos se enfraquecem com todo o impacto. Fiquei inconsciente por um tempo, e como resultado, meu corpo ficou mole. Não consigo impedir que eu acabe caindo no chão.
Caio bem em cima de Setrákus Ra enquanto ele cambaleia, também.
O grande bastardo está tão desorientado quanto eu. Ouço um barulho aos meus pés e percebo que Setrákus Ra perdeu a espada do pai do Adam.
Com um giro, empurro-o para longe com toda a força que consigo encontrar. Lanço minhas mãos sobre as placas metálicas sobrepostas de sua armadura.
Vamos lá, Seis. Vamos!
Encontro meu equilíbrio novamente antes de Setrákus Ra. Isso me dá apenas um ou dois segundos de vantagem, mas é tudo o que eu preciso. Dou uma cambalhota para frente, agarro a espada de Adam e a giro em direção à cabeça de Setrákus Ra no momento em que fico em equilibrada sobre meus pés.
No último segundo, Setrákus Ra levanta seu antebraço. A espada se choca contra sua armadura com um grunhido metálico. Sangue escuro espirra para fora quando puxo a lâmina de volta. Espero pelo menos ter rasgado seu braço, mas a armadura é forte demais e eu apenas fiz um corte. Mesmo assim, os olhos de Setrákus Ra se arregalam – acho que ele sabe o quão perto cheguei. Ainda assim, ele força um sorriso, reequilibrando-se, e olha fixamente para mim.
— Muito devagar, garota — ele grunhe. — Agora vamos ver se consegue fazer de fato o que prometeu.
Ranjo meus dentes em resposta e avanço com toda a minha força de vontade. Setrákus Ra desvia facilmente a espada para o lado com um de seus punhos, desta vez, conseguindo evitar a ponta da lâmina, e então me dá um chute no estômago. Imediatamente perco o fôlego e caio de joelhos, depois desmorono no chão. Rolo imediatamente para o lado para desviar de sua pisada, que provavelmente teria enterrado minha cabeça na terra.
A espada me acerta por baixo enquanto rolo, cortando minha coxa. Eu nunca treinei realmente com espadas antes, nunca havia visto a utilidade. Definitivamente eu desejaria ter visto agora. Sem meus Legados, é a única arma que tenho contra Setrákus Ra. Ele definitivamente é mais forte que eu, e também mais rápido. Eu estou começando a achar que deveria ter ouvido Marina.
Falando em Marina, enquanto volto a ficar de pé a alguns metros de Setrákus Ra, olho ao redor para localizá-la. E lá está ela – arrastando o corpo inconsciente de Adam para a lateral da cratera. Enquanto observo, tiros são disparados no chão ao redor dela e ela é obrigada a se esconder atrás de uma pilha de pedras de calcário bem no topo da cratera.
Da direção dos tiros, parece que os mogs conseguiram se reagrupar ao redor da entrada da Anubis. A nave de guerra massiva ainda paira sobre nós, a parte de baixo de metal se transformou agora em nosso céu.
Eu recuo enquanto Setrákus Ra vem em minha direção, desviando de vários socos massivos de seus punhos e da armadura. Quando desvio de seus golpes, ele usa sua telecinesia para lançar pequenos pedaços de detritos em mim. Eu os desvio com minha espada, minhas mãos suando no cabo.
— Onde está sua coragem agora, criança? — ele pergunta. — Por que está fugindo?
Vou deixar ele pensar que estou recuando. Quero dizer, eu estou recuando. Mas não significa que seja tudo o que estou fazendo. Meu real objetivo é levar Setrákus Ra para mais longe possível do lado da cratera onde está Marina. Uma vez que ela fique fora do raio do Legado de Setrákus Ra e consiga curar Adam com sucesso, talvez possamos virar a luta.
Enquanto desvio de mais uma pedra, vejo Marina colocar a cabeça de Adam no colo e pressionar suas mãos no rosto dele. Seus Legados devem estar funcionando! Agora eu só preciso manter a brincadeira de gato-e-rato até...
Uuuf.
Meu calcanhar se choca contra alguma coisa e eu caio para trás. Minha aterrisagem é amortecida por alguma coisa macia e me leva alguns segundos para perceber que tropecei no corpo de Ella. Ela está pálida, completamente imóvel, e há uma trilha daquela gosma escura coagulada saindo de suas narinas. Ela ainda parece bem morta. Eu não tenho tempo para checar seu pulso. Setrákus Ra está parado bem na minha frente.
Ele, na verdade, para. O corpo de Ella prendeu sua a atenção. Eu não sou boa em ler as expressões daquele rosto enrugado e olhos pretos, mas se eu tivesse que adivinhar o que Setrákus Ra está sentido, seria algum tipo de mistura louca de remorso e desapontamento. Ele se preocupava com sua neta da maneira mais grosseira possível, querendo transformá-la em um monstro assim como ele. Eu quero que isso o devore por dentro para ele saber o quanto falhou.
— Ela odiava tudo sobre você — eu digo, e então levanto a espada e aponto para a virilha de Setrákus Ra.
Setrákus tenta desviar. A lâmina se arrasta sobre a armadura que ele está vestindo, mas então eu tenho sorte. A ponta da espada segue pela lateral, descendo através da armadura, e encontra uma abertura perto da parte de cima da coxa, se encravando lá. Setrákus Ra ruge em dor enquanto eu o talho, aquele sangue escuro e viscoso espirrando de sua perna.
— Sua vadiazinha! — ele grita.
Em resposta, pego um punhado de terra e lanço contra os olhos dele.
Enquanto isso, já estou de pé, me adiantando novamente, procurando por mais aberturas em sua armadura. Essas partes estão sempre perto de suas juntas para permitir sua flexibilidade – seus cotovelos, joelhos, e claro, sua cabeça e seu pescoço cicatrizado. É aonde eu tenho que acertar.
— Isso já foi longe demais! — ele grita, e não acho que ele se refere apenas a esta luta de agora.
Nos caçar durante anos frustrou o velhote, e agora estamos tentando arruinar seu plano de invasão meticulosamente calculado. Ele está perdendo a paciência. Eu posso usar isso. Fazer com que ele lute estupidamente.
Setrákus Ra ruge. No espaço de alguns segundos, ele se transforma de um mamute de três metros de altura para um gigante de cinco que me deixa completamente em desvantagem. A coisa é que, sua armadura cresce proporcionalmente à ele, e isso faz com que aquelas aberturas nas juntas pareçam alvos maiores.
Agora, a única coisa que tenho que evitar é ser pisada até a morte.
Nada demais.
Eu não posso mais correr dele. Ele pode cobrir muito espaço desse tamanho. Eu me viro para encará-lo, enquanto ele se prepara para dar um golpe. Meu plano é conseguir desviar, talvez correr sob suas pernas e cortar a parte de trás de seus joelhos.
Os punhos de Setrákus Ra são do tamanho de blocos de concreto. E eles caem na minha direção. Eu não tenho certeza se vou conseguir desviar.
Eu não preciso. No último segundo, Setrákus Ra recua a mão e a leva em direção ao seu rosto, rugindo de dor. Um leão com uma cabeça de águia, com garras afiadas e asas com penas maravilhosas acaba de levantar voo e atingi-lo. Um hipogrifo. Um hipogrifo acabou de se juntar à mim.
Bernie Kosar. Deus abençoe BK.
Setrákus Ra se vira para encarar o Chimæra, que de fato é quase alguém do mesmo tamanho que ele. Bernie ruge e atinge Setrákus Ra com suas garras. Mesmo sendo forte, Setrákus também é. Ele pega as garras de BK com uma das mãos, e então o empurra para frente, contundindo-o.
Bernie Kosar grita, obviamente de dor. Com um uivo feroz, parecido com o de uma fera como BK, senão mais, Setrákus Ra tenta atingir o pescoço do Chimæra.
Eu não deixo isso acontecer. Com toda minha força, apunhalo a espada na parte de trás dos joelhos de Setrákus Ra. Ela o corta facilmente, e ele ruge de dor, perde a força contra BK e tropeça para frente. A espada é arrancada de minhas mãos. Ele chuta para trás, e embora eu tente desviar, sua bota gigante me atinge. Posso sentir costelas se quebrando como resultado.
— Pegue-o, BK! — grito enquanto caio com força no chão.
Bernie Kosar está prestes a descer as garras sobre ele quando um suspiro agudo chama nossa atenção.
Ella se senta. Ela respira fundo novamente, como se tal ato fosse dolorido. Seus olhos estão quase como antes, com exceção de que ainda há vestígios da energia lórica nos cantos. Aquela gosma preta continua saindo de suas narinas e ela acaba cuspindo um pouco também.
Setrákus Ra arranca a espada da parte de trás de seu joelho como se fosse um espinho. A espada parece comicamente pequena em sua mão gigante. Ele a arremessa em direção à Bernie, redirecionando com sua telecinesia. BK consegue desviar da espada no último segundo, mas a espada ainda assim consegue fazer um corte nele. Ele está ferido e sua poderosa forma de hipogrifo começa a se reverter para sua forma normal.
Bernie Kosar balança sua cabeça para frente e para trás, rugindo, lutando para manter sua forma e continuar na luta.
— Minha neta! — Setrákus Ra berra, sua voz parecendo um trovão graças à sua forma gigante. Ele segue em direção à Ella. Ele realmente parece aliviado. — Estou indo até você.
Em resposta, Ella vomita mais da gosma preta. Ela está sem condição de agir. Entretanto, o que quer que seja a porcaria que Setrákus Ra injetou nela, com certeza parece que seu corpo está rejeitando-a agora.
Eu não posso deixá-lo tomar posse dela novamente.
— Bernie Kosar! — eu grito. — Tire-a daqui!
O Chimæra ferido me olha com seus olhos de águia, mas não hesita. Ele chega até Ella bem antes de Setrákus Ra, gentilmente a pega com suas garras e então voa em direção à floresta.
— Não! — Setrákus Ra grita. — Ela é minha!
Setrákus Ra não para. Ele lança sua telecinesia contra Bernie Kosar, conseguindo diminuir a velocidade do Chimæra. Setrákus quase a captura quando uma estalactite do tamanho de um martelo voa para baixo da borda da cratera, atingindo a lateral do rosto de Setrákus Ra e arrancando um pedaço da sua orelha.
Marina. Ela está de pé na bora da cratera, já desenvolvendo outro projétil de estalactite para lançar contra Setrákus Ra. Ao seu lado, Adam se levanta. Ele pisa no chão com força e uma onda de energia sísmica desce pela cratera, trazendo consigo pedaços de detritos e partes das naves explodidas. Se eu já não estivesse no chão, a onda sísmica teria me derrubado. Setrákus Ra, que já tem as pernas machucadas, cai com força no chão. Talvez seja apenas minha imaginação, mas acho que ele grita quando ele atinge o chão. Nós acabamos com a concentração dele o suficiente que ele está lutando para manter todos os seus Legados. Tento usar minha telecinesia para lançar alguns detritos contra ele, mas eu ainda estou perto demais.
Tiros de canhões saem da Anubis tendo como alvos Marina e Adam, mas é respondida por tiros de Mark e Sarah enquanto ambos correm pela borda da cratera. Entre os tiros deles e as rochas partidas do Santuário, nós, na verdade, inadvertidamente conseguimos tirar toda a atenção de Setrákus Ra e a pouca força que lhe restava.
Com um vislumbre, vejo que Mark está sangrando graças a um corte em sua testa e Sarah tem marcas bem feias de tiros em uma das mãos. Fora isso, eles parecem bem.
Eles parecem melhor, de fato, do que Setrákus Ra. Ele está com o rosto machucado, faltando um pedaço da orelha, e com as pernas feridas. Ele luta para ficar de joelhos.
Nós o pegamos. Nós realmente o pegamos.
Marina lança outra estalactite em direção à Setrákus Ra. Ele levanta um dos punhos e a estilhaça no ar.
— Eu não vou morrer nas mãos de crianças — ele murmura.
Mas sabe de uma coisa? Ele não soa com tanta certeza.
Demasiado machucada e tonta, eu me forço a ficar de pé novamente para correr na direção oposta do lado da cratera onde Marina e Adam estão. Se nós ficarmos separados, então não há como Setrákus Ra conseguir manter todos dentro do raio do seu Legado de cancelamento.
Nós podemos bombardeá-lo à distância.
Mark e Sarah me veem se aproximando, embora eles ainda estejam trocando tiros com os mogs. Eles pararam de correr pela borda da cratera a mais ou menos metade da distância entre minha posição e da Marina e Adam. Vejo que eles trocam algumas palavras, e então Sarah se vira na minha direção e Mark segue para os outros.
— Você parece precisar de uma mãozinha! — Sarah fala, dando alguns passos para dentro da cratera para me ajudar a subir o resto.
— Obrigada. Você está bem?
— Aguentando — ela responde.
Posso dizer que ela está tentando não olhar para os ferimentos em suas mãos.
Tenho uma visão muito melhor da nossa situação daqui de cima. A quantidade de mogs que ainda está mantendo posição em frente à Anubis é supreendentemente pequena. Os outros devem ter matado muitos deles enquanto eu lutava com Setrákus Ra. Mesmo enquanto observo, Mark transforma um deles em cinzas com um tiro certeiro. Há apenas alguns sobrando.
Setrákus Ra não tem mais reforços.
Mesmo assim, ele não vai ceder facilmente. O lorde mogadoriano, ainda em seu tamanho gigante, segue pela cratera em direção à posição de Marina e Adam. Com suas pernas feridas, ele tem que usar as mãos para conseguir subir. Espertos, os outros não o deixam se aproximar. Adam continua mandando ondas sísmicas consecutivas que fazem com que Setrákus Ra cambaleie para trás. Enquanto isso, Marina se alterna entre congelar o chão abaixo dele e lançar pedaços de estalactites.
Setrákus Ra consegue absorver a maioria deles com sua armadura, mas não é o suficiente. Ele não está mais falando bobeiras. Invés disso, o líder mogadoriano parece estar desesperado.
— Você me dá cobertura? —peço à Sarah.
— Claro que sim.
Eu assinto e grito através da cratera para Marina e Adam.
— Agora! Joguem tudo o que tiverem contra ele!
Percebo o chão tremer enquanto Adam continua a criar terremotos e Marina dobra a quantidade de estalactites que está lançando. Sarah e Mark continuam a atirar nos mogs que estão perto da Anubis, matando alguns e mantendo outros à distância. Eu levanto, me concentrando no clima acima, e começo a conjurar a maior tempestade que consigo criar. A atmosfera ao nosso redor fica pesada e úmida enquanto puxo as nuvens para baixo, mesmo com elas estando acima da Anubis. Logo, logo, a nave estará envolta de um nevoeiro espesso.
— Uou! — ouço Sarah dizer.
Não é todo dia que você vê nuvens de tempestades se juntando tão perto do chão.
Antes que eu possa continuar, ouço um som metálico estridente.
Setrákus Ra desistiu de tentar subir até a borda da cratera para alcançar Marina e Adam. Ele estava superconfiante e sedento por sangue antes. Agora, ele está sendo esperto. Com sua telecinesia, ele rasga o que sobrou de sua máquina. A peça massiva flutua no ar por um segundo antes de ele lançá-la contra os outros.
— Cuidado! — Mark berra.
Ele e Adam se jogam para um lado, Marina para o outro. O duto se esbarra contra o chão entre eles. Nenhum deles é atingido, mas sem nenhum deles atingindo-o com Legados, Setrákus Ra consegue começar a escalar a cratera, seus passos enormes diminuindo a distância com mais rapidez.
É minha vez de mantê-lo aqui embaixo.
Viro minhas mãos no ar, conduzindo o clima. Aumento a velocidade, do vento, que leva consigo detritos e rochas. Meu rosto é atingido por pequenas pedras e meus olhos são inundados por areia. Eu continuo.
Estou criando um tornado, bem acima de Setrákus Ra.
— Morra, seu filho da...!
Minhas costas explodem em dor. Um tiro, bem no meio delas. Caio para frente, com minhas mãos apoiadas nos joelhos, quase caindo para dentro da cratera. Minha concentração é tirada de mim, o vento imediatamente começando a se dissipar.
— Seis! — Sarah geme.
Ela me segura pela cintura e juntas nós rolamos para trás de uma pilha de pedras, quase sendo atingidas por mais tiros.
Os tiros não vieram da Anubis, entretanto. Vieram da floresta.
— Proteger o Adorado Líder! — berra Phiri Dun-Ra enquanto ela entra no campo de visão, atirando. Ela lidera um pequeno contingente de soldados mogadorianos. Eles devem ter se escondido dentro da floresta, encontrado e libertado a nascida naturalmente e seguiram para nossa direção. Vendo reforços, os mogs perto da Anubis se reagrupam. De repente, somos pegas no meio de um tiroteio. Sarah tenta atirar de volta, mas a tempestade de tiros é muito intensa. Ela se abaixa próxima à mim.
— Seis, o que faremos?
Espio bem a tempo de ver Setrákus Ra alcançar o topo da cratera.
Ele está com a espada de Adam novamente, usando-a como uma bengala. Marina está bem à sua frente.
— Marina! Saia daí! — eu grito.
Ela não pode me ouvir. Eu vejo a próxima cena em minha mente.
Marina joga suas mãos para frente, esperando que pedaços de estalactites voam em direção à Setrákus Ra. Nada acontece. Seus Legados foram cancelados temporariamente. Setrákus Ra levanta suas mãos no ar, e embora ela lute, Marina é levantada do chão. Ele a tem com sua telecinesia.
— Ah Deus — Sarah diz. — Ah não.
Setrákus Ra a joga no chão com força. A levanta. A joga no chão com força mais uma vez. Eu observo enquanto o corpo de Marina é usado como marionete. Cada vez, ele a levanta a mais ou menos dez metros de altura, e então a choca contra o chão com muita força. De novo e de novo.
É Mark quem a salva. Ele desvia do maquinário estraçalhado e atira contra Setrákus Ra, atingindo-o na lateral do rosto, aumentando o buraco onde, antigamente, a orelha costumava estar. O mogadoriano berra de dor, e então devolve o tiro lançando o corpo de Marina em direção à Mark.
Eles colidam e ambos caem com força no chão. Mark ainda está se movendo, entretanto. Ele envolve Marina em seus braços e tenta levantá-la.
Mesmo a essa distância, ela parece quebrada.
Não senti nenhuma nova cicatriz se formar em meu tornozelo. Não ainda. Ela está viva.
Adam corre em direção à Mark e, juntos, eles levantam o corpo de Marina. Desviando dos tiros, eles conseguem recuar para dentro da floresta.
Phiri Dun-Ra e os outros mogs alcançaram Setrákus Ra. Eles o cercam por todos os lados, embora ele esteja recusando a ajuda, violentamente esmagando o crânio de um mogadoriano que foi ousado demais ao tocá-lo. Eles o escoltam pela rampa. Ele quase está dentro da Anubis.
— Droga, não — eu sussurro, me forçando a ficar de pé a pesar da dor dilacerante nas minhas costas.
— Seis! — Sarah me agarra. — Pare! Acabou!
Eu não aceito isso. Estávamos tão perto. Droga. Ele não pode fugir dessa maneira.
Eu ainda posso matá-lo. Ainda podemos ganhar.
Eu me levanto e jogo minhas mãos para cima, fazendo com que o ar ganhe velocidade novamente. Pedaços do Santuário, metais retorcidos dos Skimmers explodidos, pedaços pontudos de vidro – tudo isso está aglomerado, girando dentro de um funil mortal. Phiri e seus mogs atiram em mim. Sinto um tiro atingir minha coxa, outro, o ombro. Mas isso não me para.
— Isso é suicídio! — Sarah grita para mim. Ela está do meu lado, devolvendo os tiros.
— Afaste-se! — eu digo. — Corra para a floresta.
— Eu não vou te abandonar! — ela responde, mais uma vez tentando me agarrar. Eu a empurro.
Setrákus Ra chega no topo da rampa. Eu grito e empurro em direção a ele toda a minha força, combinando meu Legado climático com uma explosão selvagem telecinética, jogando tudo que foi aglomerado pela minha ventania em Setrákus Ra.
Dois dos mogs sobreviventes se tornam cinzas imediatamente, esmagados pelo meu bombardeio de detritos. Phiri Dun-Ra recua, protegendo o rosto. Mas, na porta de entrada para a Anubis, Setrákus Ra continua parado. Ele se vira para mim, pedras e estilhaços sendo refletidos por sua armadura, e empurra de volta. Sua própria explosão telecinética contra a minha.
Objetos voam em todas as direções. Pelo canto do meu olho, vejo o canhão de Sarah ser arrancado de suas mãos. O para brisa de um Skimmer desalojado corta o chão ao meu lado como uma lâmina de guilhotina. Sou atingida – de novo e de novo – por coisas que eu não posso nem identificar. Ainda assim, continuo parada, meus pés afundando na terra. Eu continuo empurrando.
Então acontece.
Um poste de metal com um símbolo de loralite cravado nele, um pedaço da máquina destroçada de Setrákus Ra, voa através do ar. O fim é nítido. Serrilhado.
Acerta diretamente o peito de Setrákus Ra. Eu o observo tombar, tropeçar para trás com o impacto. Eu posso ouvir Phiri Dun-Ra gritar.
A força de sua telecinesia desaparece. Eu o sinto enfraquecer.
Eu consegui.
Lágrimas escorrem pelo meu rosto.
Eu consegui.
Phiri Dun-Ra e os outros arrastam Setrákus Ra para dentro da Anubis.
A porta se abaixa com força atrás deles. A rampa se retrai.
Eu caio de joelhos. Ele está morto. Ele tem que estar morto. Tem que ter valido a pena.
Sarah envolve seus braços em mim.
— Levante, Seis — ela diz, sua voz está tensa. Ela tosse, perde o fôlego. Ela está ferida. Ambas estamos. — Temos que ir!
Coloco minha mão na cabeça de Sarah e nos torno invisíveis. Assim, não preciso ver o sangue.
Muito sangue. Sangue demais.
Espero que tenha valido a pena.

19 comentários:

  1. seis não por favor, meu coração esta doendo

    ResponderExcluir
  2. Claro, em todo livro ou filme os 'heróis" tem q ser retardados e deixar um dos vilões vivos por "ética" para q ele retorne e os mate, claro, sempre assim, por isso q os mocinhos merecem morrrer mesmo, pq estupidez tem limite...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Né! É sempre assim... mas fazer o que, os mocinhos são bons, se mudasse isso, não seriam mais eles mesmos

      Excluir
  3. Seis!! Não se atreva a morrer, você não passou todos esses livros sendo fodástica, pra morrer agora!!! Eu proíbo, se você morrer eu te mato!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Concordo com vc Léria, se Seis morre eu também mato ela.

      Excluir
  4. Se a Seis morrer, eu entro nesse livro e mato todo mundo, e depois mato o autor do livro tbm
    -Tayná

    ResponderExcluir
  5. Ai tá vendo?Elas não mataram a mog e ela voltou e causou isso.Se elas não quisessem matar a phiri era só deixar o Adam fazer seria muinto mais fácil e ele adoraria.

    ResponderExcluir
  6. Aí ta vendo eles não mataram a mog e ela voltou e causou isso. Seria muinto mais fácil e o Adam ia adorar fazer isso.

    ResponderExcluir
  7. Adorando cada capítulo,só q o esforço da seis pra mim foi inútil,q vai mataro adoravel líder e o John na batalha final pois foi Pittacus q p deixou viver,sei John tem os msm legado nada mais justo

    ResponderExcluir
  8. surtando com esse cap. :o

    ResponderExcluir
  9. Se seis morre eu vou no mundo inferios busca-la so para mata-la de novo aafff..

    ResponderExcluir
  10. Mano, eu falei que deixar Phiri Dun-Ra viva ia dar merda.... E outra, SEIS NÃO PODE MORRER!!

    ResponderExcluir
  11. Aí meus deuses.Pq não matam todos os vilões,TODOS mandem eles pro Tártaro sem dó nem piedade,mas não eles deixam a merda dos filhos de uma górgona vivos pq?pq? Ao mesmo tempo espertos e muitos retardados ou tudo possivel que se assimile a estupidez

    ResponderExcluir
  12. Falei que era pra materem a mog dos infernos, não me ouviram, ta vendo agora?
    😠
    Seis, você é fodástica , simples

    ResponderExcluir
  13. Compartilhando minha demência: "Um hipogrifo" , eu tava aqui em casa gritando "vai Harry mata todo mundo.. 'Avada kedrava' neles " (e sim , talvez eu seja uma fa analfabeta😂)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tipo, pensei a mesma coisa! Vai lá Bicuço (não lembro como escreve)!! Marina adora espólios de guerra, arranca orelha, olho! Eles deviam ter matado aquela mog vadia enquanto podiam!!!

      Excluir
  14. Bondade tem limite!!! A uma linha tênue entre BONDADE e BURRICE. Bem feito, não consigo nem ficar com dó.
    PS: NÃO morra Seis.

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!