14 de outubro de 2015

Capítulo vinte e dois

ESTOU ME SENTINDO UM POUCO TONTA, EM GRANDE PARTE PELO FATO DE QUE estou sendo guiada por um longo corredor por Katarina, minha falecida Cêpan. Marina e Adam estão alguns passos atrás de mim. Não tivemos muito para conversar quando “acordamos” em uma biblioteca extravagante. Todos estavam espantados pelo o que acabamos de ver ou pelo choque da terrível batalha da qual fomos transportados. De toda maneira, não demorou muito até que Katarina viesse nos chamar.
Exceto que acredito que os outros não estão vendo Katarina.
Marina se dirigiu à pessoa nos guiando como Adelina e Adam está propositalmente falando baixo, então não posso ouvir o que está dizendo. Ambos estão tendo seus próprios diálogos. É como se estivéssemos juntos; mas cada um em uma sintonia diferente.
A expressão de Adam é de culpa desde que acordamos aqui. Mas agora ele se posicionou um pouco a frete de Marina, ficando mais próximo da pessoa que vejo como Katarina. Marina e eu trocamos um olhar, ambas querendo escutar o que eles estão conversando. Nos aproximamos de Adam.
— Eu fiz a coisa certa? — ele pergunta a quem quer que seja que a Entidade-Ella se mostra para ele.
Não ouço a resposta que ele recebe. O que quer que a Entidade diz a ele, tudo o que Adam faz é sacudir sua cabeça.
— Isso não muda o que eu tentei fazer, Um.
Ah! Eu sei o que ele está perguntando. Adam tentou matar Ella logo antes... ok, antes de ela basicamente se matar. Eu também tenho minha parcela de culpa, já que eu definitivamente não tentei impedi-lo. Eu estava disposta a deixar todo episódio de lado, como algo que aconteceu no calor da batalha. Aparentemente, Adam não consegue fazer isso.
Nem Marina. Ele agarra o cotovelo de Adam, virando-o para poder confrontá-lo. Se tratando de Marina, sei que essa raiva vem se acumulando já por um tempo.
— O que você estava pensando?! — ela pergunta.
Quase acreditei que Marina começaria a irradiar sua aura de gelo. Mas imagino que isso não aconteça aqui neste lugar, dentro da mente de Ella. Mesmo assim, seu olhar mortal conseguiu o efeito desejado.
— Eu sei... — Adam responde com a cabeça baixa. — Eu perdi o controle.
— Você poderia ter matado Ella! — Marina rebate. — Você a teria matado!
— Mas ele não matou... — eu digo, tentando manter a paz.
Ambos me ignoram.
— Eu não espero que você entenda — Adam fala, sua voz suave. — Eu nunca, nunca realmente encontrei Setrákus Ra antes. Mas passei toda a minha vida à sua sombra, sob seu polegar, um prisioneiro de suas palavras. Quando tive a chance de matá-lo, de me libertar... Eu simplesmente não pude evitar.
— Você acha que nós não queremos matá-lo? — Marina pergunta, incrédula. — Ele tem nos caçado durante toda nossa vida. Mas nós sabíamos que Ella teria morrido primeiro, então nós... nós nos controlamos.
— Eu sei — Adam responde, nem mesmo tentando se defender. — E naquele mesmo momento me tornei o que sempre odiei. Eu terei que viver com isso, Marina. Sinto muito, aconteceu.
Marina passa a mão pelo cabelo, não sabendo como responder a isso.
— Eu apenas... eu simplesmente não posso acreditar que ela se foi — Marina fala depois de um momento. Eu não posso acreditar que ela se matou.
— Eu não acho que Ella se foi — digo a Marina, passando as mãos nas paredes azuis no profundo de mármore do corredor que nos rodeia. — Acho que ela tem algo a ver com a nossa situação atual, sabia? Eu vi muitos relâmpagos lóricos saírem do corpo de Ella antes desmaiarmos.
Marina sorri apertado, olhando para mim agora, em vez de para Adam.
— Espero que você tenha razão, Seis.
— O encanto foi quebrado. Eu o testei antes de virmos para cá — falo, lembrando com muita satisfação como me senti ao rachar a cabeça de Setrákus Ra com uma pedra.
Marina aperta a ponte do nariz. É muito para se absorver, passar do combate com Setrákus Ra a vê-lo como um lorieno normal e depois a isso.
— Ele...? Ele poderia estar matando gente agora?
— Não, ele sofreu o mesmo efeito do que quer que Ella tenha feito com a gente, também. Mesmo assim, devemos criar um plano, porque tenho o pressentimento de que uma vez que esta pequena viagem ao passado acabe, estaremos de volta naquela bagunça.
Adam franze a testa, parecendo envergonhado.
— Eu estou mal. Acho que ele quebrou toda a minha cara.
— Eu vou te curar — Marina fala secamente. — Eu estava prestes a fazê-lo de qualquer maneira.
— Bom, bom. E então vocês podem me ajudar a matar Setrákus Ra.
Adam e Marina olham para mim.
— O quê? — pergunto. — Vocês acham que teremos uma chance melhor? As tropas dele fugiram e ele está machucado, são três contra um...
— Não temos nossos Legados — aponta Marina. — Ele os drenou. Eu terei que arrastar Adam para fora da cratera apenas para curá-lo.
Adam balança a cabeça, me estudando. Posso dizer que ele não tem certeza se estou sendo louca ou se ele pensa que é um bom plano. De qualquer maneira, noto a admiração em seu olhar.
— Não será três contra um de imediato, Seis. Será um contra um.
— Eu não me importo. Eu não vou desperdiçar essa chance — lhes digo. Olho ao redor, desejando que eu pudesse descobrir um jeito de sair daqui. — Assim que isto finalmente acabar, eu vou matá-lo.
Marina esquece sua raiva com Adam tempo suficiente para eles trocarem um olhar rápido. Acho que posso soar um pouco louca. Durante essa discussão, nós paramos de andar pelo corredor. Katarina, ou quem ou o que quer que seja que tomou sua forma, percebe nosso atraso e para, pigarreando com impaciência.
— Nós não temos muito tempo — ela diz no mesmo tom severo que costumava usar quando eu realmente a incomodava. — Vamos lá.
Nós começamos a andar novamente. Marina chega perto de mim, se encosta em meu ombro.
— Vamos apenas ter cuidado, tudo bem, Seis? — ela fala baixinho. — O Santuário... talvez Ella... já perdemos muito hoje.
Eu assinto com a cabeça, sem responder. Marina foi quem quis ficar e proteger o Santuário de Setrákus Ra em primeiro lugar. Mas agora que temos uma chance real para matá-lo, ela está ficando com pé atrás.
Eventualmente, o corredor se abre para uma sala abobadada com uma grande mesa circular que cresce diretamente para fora do chão. Katarina fica de lado para nos deixar entrar e quando me viro para olhar para ela, ela desapareceu.
A sala é uma réplica exata da Câmara dos Anciãos da visão que todos nós compartilhamos. A única diferença é o mapa brilhante desenhado no teto. Em vez de Lorien, ele retrata a Terra. Existem pontos brilhantes no mapa em lugares como Nevada, Stonehenge e Índia – as localizações das pedras de loralite. O local está vazio, mas um dos nove lugares ao redor da mesa já está preenchido.
Lexa parece muito desconfortável sentada em uma das cadeiras de espaldar alto. Ela tamborila os dedos sobre a mesa, obviamente, sem saber o que deveria estar fazendo. Ela parece aliviada quando entramos no cômodo.
— Não acho que eu deveria estar aqui — diz Lexa, levantando-se para nos cumprimentar
— Eu sinto o mesmo — Adam responde, olhando para o e enorme símbolo lórico no centro da mesa.
— Eu não sou uma Garde. Nunca sequer vi uma dessas reuniões até essa coisa de visão. Vocês viram também, certo?
Todos acenamos com a cabeça.
— Se você está aqui, é por uma razão — diz Marina.
Lexa olha para mim.
— Eu ouvi as explosões da selva. Como o combate está indo?
Adam toca o rosto, onde Setrákus Ra o acertou, em seguida, vai em direção a um dos lugares vazios. Tento descobrir a melhor maneira de dizer Lexa sobre a nossa situação atual.
— Estamos sobrevivendo — respondo. — Nós empurramos os mogs de volta e acho que nós temos uma chance real de matar Setrákus Ra. Se sairmos daqui.
Lexa acena com a cabeça em aprovação.
— Claro que sim. Mesmo assim, estou mantendo os motores ligados. Em caso de necessidade de fuga.
— Podemos muito bem precisar — Marina diz, me lançando um olhar.
— Você foi a que queria ficar e lutar em primeiro lugar, Marina. Agora nós temos que terminar isso.
— Mas você não entende, Seis? O conhecimento é o que precisávamos. Nós sabemos o que Setrákus Ra quer e sabemos como pará-lo. O encanto foi quebrado. Ella destruiu seu aparelho para que ele não possa sugar mais da Entidade. Apenas estar aqui — Marina gesticula, mostrando a sala. — Isto é uma vitória. Adam está ferido, Ella está... não sabemos, e estou convencida de que Sarah, Mark e Bernie Kosar não serão capazes de nos dar cobertura para sempre. Talvez nos retirar seja o mais sábio a fazer. Ella nos disse que deveríamos correr. Correr ou...
— Oh, agora você concorda com ela — devolvo, balançando a cabeça. — Olha, eu não sei o que você aprendeu com essa visão, mas se aprendi uma coisa, é que Pittacus Lore deveria tido a coragem de matar Setrákus Ra quando ele teve a chance.
— Boom. Está vendo, Johnny? Seis concorda comigo!
John e Nove entram na sala a partir de uma passagem lateral. Apesar de tudo, não posso deixar de sorrir quando os vejo. O sorriso vacila rapidamente, porém, quando Cinco marcha atrás deles. Marina fica tensa imediatamente e dá um passo em direção a ele, mas John coloca-se entre eles, arregalando os olhos como se dissesse “agora não é o momento para isso”. Coloco a mão no braço de Marina para mantê-la calma. Para seu crédito, Cinco parece perceber que ele é uma presença muito indesejável. Ele permanece na lateral da sala, evitando o contato visual.
John e Nove correm para nós e todos nos abraçamos. Rapidamente os apresentamos a Lexa, de quem John já tinha ouvido falar através de Sarah.
— Então, vocês estão no meio de um combate com Setrákus Ra e nós estamos prestes a ser engolidos por um mogassauro gigante — Nove comenta, cruzando os braços. — Timing perfeito para essa merda, hein?
— Como está Sarah? — John me pergunta.
— Ela está bem — digo-lhe, deixando de fora a parte em que eu realmente não a vi nos últimos minutos. Não há nenhuma razão para preocupá-lo. Sua namorada pode cuidar de si mesma. — Ela se tornou uma excelente atiradora.
John sorri e parece aliviado.
— E Sam? — pergunto.
John balança a cabeça.
— Eu não sei. Ele tem Legados e eu o vi desmaiar antes de mim. Ele definitivamente foi puxado para o chat telepático de Ella. Eu não tenho certeza de onde ele acabou, no entanto.
— Ele estará aqui em um segundo.
Todos nós reconhecemos a voz. Ella aparece do nada, sentada na mesma cadeira que Loridas ocupou na visão. Seus olhos estão transbordando com energia lórica. Suas mãos descansam sobre a mesa e em sua frente faíscas de energia se propagam por toda parte. O cabelo dela flutua para fora de sua cabeça, como se ela estivesse cercada por eletricidade estática. Todos nós olhamos para ela, em um silêncio e espanto.
— Ella...? — Marina é a primeira a falar. Ela dá um passo em direção a Ella. — Você está bem?
Ella dá um leve sorriso, mesmo sem nunca olhar em nossa direção. Seus olhos mantêm o foco sobre o espaço vazio à sua frente. Seu comportamento me faz lembrar da Entidade. É como se elas compartilhassem o mesmo corpo.
— Eu estou bem — Ella responde. Há uma qualidade musical a sua voz, como se ela não fosse a única pessoa falando, há trechos de outras conversas também. — No entanto, não posso manter isso por muito mais tempo. Temos que começar. Não se assustem com o que vai acontecer a seguir.
— Se assustar com o quê? — John pergunta.
Em resposta, Setrákus Ra aparece na cadeira ao lado de Ella, vestindo a mesma armadura ornamentada de quando atacou o Santuário. Todos nós recuamos. O líder mogadoriano parece não nos notar, no entanto. Ele não pode, por conta de sua cabeça que estar coberta por um capuz preto. Correntes incandescentes feitas de loralite azul estão enrolados em torno de seu peito e ombros, mantendo-o preso à cadeira, apesar se seus esforços para se libertar.
— Que diabos? — Nove pergunta, dando um passo em direção à Setrákus Ra.
— Por que ele está aqui? — pergunto à Ella.
— Eu tive que trazer todos que foram tocados por Legado — Ella responde. — Era tudo ou nada.
— Legado...? Você quer dizer...?
— A Entidade — ela responde. — Eu lhe dei um nome. Ela não parece se importar.
Marina ri. Isso me faz sorrir também. Parece que a velha Ella está lá.
— E esse tal Legado vai sair e se apresentar? — Nove pergunta. — Eu quero dizer oi e pedir novos poderes.
— Ela está aqui, Nove — Ella responde, e acho que vejo um canto de sua boca ser curvar em um sorriso. — Está em mim. Nesta sala. Em tudo que nos rodeia.
— Oh, ok — Nove responde.
— Ele pode nos ouvir? — John pergunta, olhando para Setrákus Ra.
— Não, mas ele sabe que algo está acontecendo — diz Ella. — Ele está lutando contra mim. Tentando se libertar. Não sei quanto tempo posso segurá-lo. É melhor fazer o que estamos aqui para fazer.
— Para que estamos aqui? — pergunto.
— Todo mundo, sente-se — Ella fala.
Olho em volta para ver se alguém acha que isso é uma loucura como eu. John e Marina imediatamente puxam para cadeiras e se sentam, com Lexa e Adam rapidamente se juntando a eles. Nove chama minha atenção, dá piscadinha, um sorriso metido e dá de ombros como que dizendo “dane-se”. Ele se senta ao lado de John e eu me espremo entre Marina e Ella. Isso deixa apenas um assento, o próximo a Setrákus Ra. Ninguém estava ansioso para se sentar lá.
A contragosto, Cinco caminha da borda da sala e senta-se ao lado de seu antigo mestre. Parece que ele preferiria estar em qualquer outro lugar agora e evita fazer contato visual com qualquer um de nós.
— Perfeito — Nove zomba.
Enquanto todo mundo se senta, eu me inclino e sussurro para Ella. Não posso manter minha mente fora do confronto iminente com Setrákus Ra.
— Ella, você disse para correr ou morrer — começo, realmente não sei como abordar e esclarecer uma profecia minha amiga cheia de energia e talvez morta. — Isso é... essas ainda são nossas únicas opções? Se eu lutar contra Setrákus Ra qualquer um de nós pode morrer...?
Veias se destacam na testa de Ella.
— Seis, eu não posso. Eu não posso te dizer o que fazer. É tudo... é tudo muito incerto.
— E agora? — John pergunta a Ella, interrompendo nossa conversa.
Ela demora um momento para responder. Há tensão em seu rosto. Ela está muito concentrada em alguma coisa.
— Agora, eu vou trazer os outros.
— Que outros? — John pergunta.
Em resposta, há um de ruído súbito à nossa volta. De repente, parece que estamos no meio de uma festa lotada. Isso porque a galeria circundante a mesa dos Anciãos agora está completamente cheia de pessoas. Eles são todos da nossa idade, alguns talvez mais jovens e, à primeira vista, parecem vir de todo o mundo.
Muitos deles conversam animadamente entre si, alguns se apresentam, outros discutem a visão que acabamos de ver, analisam os detalhes da história Setrákus e Pittacus. Outros sentam sozinhos, parecendo nervosos ou com medo. Um menino bronzeado com cabelo escuro e um colar de contas não para de chorar em suas mãos, mesmo sendo consolado por um par de meninas loiras que parecem pertencer a um comercial de chocolate quente.
A forma como eles estão agindo, é como se tivessem sentados aqui o tempo todo e nós é que fomos transportados para o palco neste instante.
Acho que, pela sua perspectiva, isso é exatamente o que aconteceu.
Sam se senta na primeira fila, e uma menina com olhar ranzinza com uma confusão de tranças está sentada ao lado dele. Ele olha diretamente para mim, sorri e sussurra um cumprimento.
Em seguida, a comoção realmente começa.
— Olhem! — grita uma menina japonesa, e levo um segundo para perceber que ela está apontando para nós.
Um murmúrio percorre a multidão quando todos nos notam sentados ao redor da mesa. No início, todos falam ao mesmo tempo, nos metralhando com perguntas que não posso nem distinguir.
Lentamente, a sala fica quieta.
Um silêncio respeitoso eventualmente cai. Estes são os Gardes humanos. Eu só posso imaginar quão totalmente insana essa coisa toda pode parecer para eles.
Então, percebo que eles estão esperando por nós para explicar a situação.
Olho em volta nossa mesa. Ella ainda está completamente distante e apática. Ao lado dela, Setrákus Ra se debate e luta. Adam e Cinco parecem prestes a se esconder debaixo da mesa. Mesmo Marina está corando e parecendo desconfortável. Ao contrário dos outros, Nove sorri e acena para o maior número de pessoas da multidão que pode.
— E aí? — ele chama.
Algumas pessoas na plateia riem silenciosamente.
Obviamente, um de nós precisa dizer algo mais inteligente do que isso.
John se levanta, sua cadeira raspando alto contra o chão de mármore.
— É o cara do YouTube — ouço alguém sussurrar, e do outro lado da sala, alguém diz: — É o John Smith.
John olha para todos os diferentes rostos, tentando não aparecer encabulado. Vejo Sam piscar para ele com um polegar para cima. John respira profundamente, então hesita. Ele se vira para Ella.
— Todos falam inglês?
— Eu estou traduzindo — Ella responde simplesmente, com os olhos brilhando intensamente.
Eu não sei quando ela aprendeu a fazer isso. Não vou perguntar e, aparentemente, nem John.
— Oi — John fala, erguendo a mão. Algumas pessoas na multidão murmuram saudações de volta. — John Smith é o meu nome. Nós somos o que sobrou de Lorien.
John caminha ao redor da mesa. Ele acaba ao lado de Setrákus Ra.
— Acho que vocês provavelmente viram também, certo? Bem, essa história termina com Setrákus Ra aqui voltando para o nosso planeta, Lorien, e massacrando todos seus habitantes. Todos, exceto nós.
Ele permite a informação seja absorvida antes de continuar.
— Se não tem certeza do que isso tem a ver com você, bem, talvez tenha notado todas as naves espaciais nos jornais? Setrákus Ra está aqui. Ele vai fazer com a Terra o que fez com Lorien. A menos que possamos detê-lo.
John tenta fazer contato visual com o maior número de pessoas na plateia possível. Ele está realmente fazendo essa coisa toda de líder muito bem.
— Eu não quero dizer nós, como hã, apenas meus amigos aqui sentados ao redor da mesa — John continua. — Quero dizer nós, todos nesta sala.
Isso faz com os jovens na plateia comecem a murmurar. O garoto havaiano que estava chorando pelo menos parou de soluçar tempo suficiente para ouvir, mas agora eu vejo seus olhos à procura de uma saída.
— Eu sei que isso parece loucura. Também não parece justo — John continua. — Há alguns dias, vocês estavam levando uma vida normal. Agora, sem aviso, existem alienígenas em seu planeta e vocês podem mover objetos com suas mentes. Certo? Quero dizer... há alguém aqui que não possui telecinesia ainda?
Algumas mãos se levantam, incluindo o menino chorão.
— Oh, uau — diz John. — Então, vocês devem estar muito confusos. Experimentem quando vocês saírem daqui. Apenas, hã... visualizem algo em sua casa se movendo através do ar. Realmente se concentrem nisso. Vai funcionar, eu prometo. Você vai surpreender-se e provavelmente assustar seus pais — John pensa por um momento. — Alguém já desenvolveu quaisquer outros poderes, além de telecinesia? Nós os chamamos de Legados. Alguém mais...?
Um indivíduo em uma das filas do meio se levanta. Ele é robusto de cabelos castanhos e me faz lembrar de um bicho de pelúcia. Quando ele fala, tem um leve sotaque alemão.
— Meu nome é Bertrand — diz ele, nervosamente olhando ao redor. — A minha família e eu, somos apicultores. Ontem, eu notei, hum, as abelhas... elas falaram comigo. Pensei que eu estava ficando louco, mas o enxame vai para onde eu digo para ir, então...
— Que nerd — Nove sussurra para mim. — Apicultor.
John bate palmas.
— Isso é incrível, Bertrand. Isto é, foi muito rápido em desenvolver um Legado. Prometo o resto de vocês vai recebê-los também, e não serão todos que vão poder falar com insetos. Nós podemos treiná-los e ensinar como usá-los. Temos pessoas que sabem, pessoas com experiência... — então, John olha em volta da mesa. Acho todos vamos nos tornar Cêpans agora. — De qualquer maneira, há uma razão para vocês receberem esses Legados, especialmente agora. No caso de vocês não terem percebido ainda... é porque vocês supostamente devem nos ajudar a defender a Terra.
Isso realmente fez a multidão falar. Algumas pessoas realmente aplaudem como se tivessem prontos para lutar, mas principalmente murmuraram duvidosos, conversando entre si.
— John... — Ella chama, cerrando os dentes. — Rápido, por favor.
Olho para Setrákus Ra. Suas tentativas de fuga estão cada vez mais brutais.
John levanta ambas as mãos pedindo silêncio.
— Eu não vou mentir e dizer que o que estou dizendo para vocês fazerem não é perigoso. Definitivamente é. Estou pedindo que deixem suas vidas para trás, deixem suas famílias e se juntem a nós em uma luta que começou em uma galáxia inteiramente diferente.
Algo sobre a forma como John diz que tudo isso me faz pensar que ele praticou antes. Percebo que ele olha para a menina sentada ao lado de Sam. Ela sorri de volta.
— Eu, obviamente, não posso obrigá-los a se juntar a nós. Em poucos minutos, vocês vão acordar desse pequeno encontro para onde vocês estavam antes. Aonde é seguro, espero. E talvez aqueles de nós que lutarem, talvez os exércitos do mundo, todos nós... talvez isso seja suficiente. Talvez possamos combater os mogadorianos e salvar a Terra. Mas se falharmos, mesmo se você ficar à margem para esta batalha... eles virão atrás de você. Então, estou pedindo a todos vocês, mesmo que não me conheçam, mesmo que nós tenhamos abalado suas vidas. Ajude-nos a salvar o mundo.
— Claro que sim — Nove diz, batendo palmas para John. — Vocês ouviram, novatos. Deixem de ser covardes e se juntem à essa maldita guerra.
O silêncio respeitoso que tinha sido mantido durante o discurso de John se quebra quando Nove abre a boca, como se de repente estivéssemos em uma conferência de imprensa. Há perguntas gritadas de todas as direções.
— Isso é um mogadoriano na mesa?
— Voltem para a sua galáxia, aberrações!
— Como posso sair quebrando coisas com minha telecinesia?
— Eu quero ir para casa!
— Como podemos pará-los?
— O que há com o seu tapa-olho, mano?
— Aquele cara assustador pode nos ver?
— Por que eles querem nos matar?
E, em seguida, elevando-se acima da cacofonia, um rapaz magro com um corte Mohawk no estilo de algum punk aposentado levanta-se de sua cadeira e pisa com força. Acho que a robustez de suas botas de combate foi trazida para este mundo de sonhos, porque o som é alto o suficiente fazer todos se calarem.
— Vocês todos estão na América, certo, companheiro? — o punk, pergunta a John, falando com um sotaque português forte. — Digamos que eu queira me juntar à luta e dar uma surra nestes babacas. Como vou chegar até você? Caso não tenham notado, não há voos transatlânticos devido a essas malditas naves espaciais de guerra.
John esfrega a parte de trás do seu pescoço, incerto.
— Eu...
As mãos de Ella estão tensas sobre a mesa.
— Eu posso responder a isso — ela fala, sua voz melodiosa e, definitivamente não Ella. É Legado falando através dela.
Acima de nós, pontos de luz no mapa do mundo começa a brilhar. Todo mundo vira a sua atenção para o teto. Lembro-me dos mais brilhantes como os locais das pedras loralite que usamos para nós teleportar, mas há mais luzes, tomando forma em todo o globo.
— Estes são os locais que contém pedras loralite — Ella explica. — Os mais brilhantes existem neste planeta há muito tempo. Os outros só agora estão começando a crescer como meu vínculo com a Terra. Logo, eles virão à tona.
Marina interrompe.
— Nós precisamos... — ela hesita. — Precisávamos de um Legado de teletransporte para usar aquelas pedras antes.
— Não mais. Não agora que eu acordei — Legado entoa via Ella. — A loralite está em sintonia com os seus Legados. Quando vocês estiverem perto, sentirão a sua força. Tudo o que vocês precisam fazer é tocar uma delas e imaginar a localização de outra pedra. A loralite fará o resto.
— Aquilo é Stonehenge? — um britânico pergunta, focando os olhos no mapa. — Tudo bem então. Isso é possível fazer.
— Uh, acho que uma delas fica na Somália — diz alguém.
— Haverá mais mudanças em seu ambiente — Ella continua, mas para de repente, sacudindo violentamente. Suas mãos estão apertando a mesa e realmente derretendo a madeira, faíscas silvando dela. Quando ela fala novamente, é com sua própria voz, não com a de Legado.
— Ele está se soltando! — Ella grita.
As correntes incandescentes segurando Setrákus Ra à sua cadeira se partem. Os elos quebrados voam para o outro lado da mesa que passem através de nós sem causar danos. Ella deve ter perdido seu poder telepático sobre Setrákus Ra. Ele não está mais isolado do resto de nós. Em um movimento fluido, o ex-líder Ancião e atual dos mogadorianos se levanta, sua cadeira tomba atrás dele, e lança fora seu capuz. Pessoas na galeria começam gritar e a se levantar de suas poltronas, mesmo que não tenham para onde fugir.
Primeiro, Setrákus Ra põe a mão no ombro de Ella. A luz em seus olhos aumenta, mas ela não se move. Mantendo seu foco. Sem obter uma reação de sua neta, ele se vira para olhar para o Garde mais próximo. No caso, Cinco. Setrákus Ra sorri.
— Olá garoto. Gostaria de ser o primeiro a ajoelhar perante mim?
Cinco recua em terror, afastando-se da mesa. Os Gardes estão se levantando agora. Eu estou pronta para atacar, mas, ao meu lado, Nove não parece muito preocupado.
— Ele não pode fazer nada aqui — Nove diz me diz. — Descobri isso quando tentei chutar o traseiro do Cinco.
Setrákus Ra muda o foco de seu olhar para os Gardes humanos na plateia. Eu sei o que ele está fazendo.
Ele está memorizando rostos.
— Ele pode fazer alguma coisa — eu digo. — Não deixe que ele os veja, Ella! Tire-nos daqui!
— Eu não sei o que disseram a vocês! — Setrákus Ra fala para a plateia. — Eu lhes asseguro, é tolice. Se vocês viram o que vi, então sabem como o lorieno tentou me assassinar pelo crime de curiosidade. Venham! Jurem fidelidade ao seu Adorado Líder e eu lhes mostrarei como realmente aproveitar seus poderes.
Ninguém na multidão corre para jurar fidelidade ao mogadoriano psicótico, mas muitos deles parecem justificadamente aterrorizados.
— Estou liberando vocês — diz Ella. — Vai acontecer rapidamente. Estejam prontos.
E, em seguida, a luz em seus olhos escurece. Ela cai. Espero que não seja a última vez que eu possa falar com ela.
— Seis... — é John. Ele está em pé ao meu lado. — Nós estaremos em contato em breve. Traga todos de volta em segurança.
Então ele e Nove somem de repente da existência.
O mapa no teto começa a sumir. A sala começa a ficar escura. A visão está terminando.
Muitos dos novos Gardes já desapareceram, retornando ao mundo real. Sam e que a menina ao lado dele já se foram. Restam alguns do lado esquerdo da galeria ainda, e Setrákus Ra foca neles.
— Eu vi os seus rostos! — Setrákus Ra grita para os seres humanos, ignorando totalmente o resto de nós. — Eu vou caçá-los! Vou matar vocês! Eu irei...
Bem, não vou deixar isso continuar.
Eu pulo em cima da mesa, e fico frente a frente com Setrákus Ra. Ele para seu discurso, seus olhos negros e vazios olhando diretamente nos meus.
Eu salto de pé.
— Ei, filho da puta  eu digo. — Quando nós acordamos, eu vou te matar.
— Veremos — Setrákus Ra responde.
Sinto que começa a acontecer. Meu corpo aqui torna-se transparente. Os detalhes do salão se tornam nebulosos. Posso sentir o cheiro da fumaça dos incêndios ao redor do Santuário, posso sentir a poeira na minha pele. Eu preciso me mover rapidamente. Estou forçando meus músculos a funcionarem assim possível.
— Vamos!  Grito. — VAMOS LÁ!
É hora de acabar com isso.

21 comentários:

  1. Ei, filho da puta - eu digo. — Quando nós acordamos, eu vou te matar você.EU TE AMO NUMERO SEIS

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  2. Ei Karina ”Quando nós acordarmos eu vou 'te matar voce'
    Nao seria, 'eu vou matar voce' ou 'eu vou te matar
    Ahuah

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  3. "Um menino bronzeado com cabelo escuro e um colar de contas não para de chorar em suas mãos, mesmo sendo consolado por um par de meninas loiras que parecem pertencer a um comercial de chocolate quente."

    Meu primeiro pensamento: Perseus Jackson, o que vc tá fazendo ai?! o-O
    Ashuashuahs

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    1. Na hora eu pensei a mesma coisa, mas depois eu me dei conta q ele tava com duas meninas, e Annabeth n deixaria outra menina fazer isso

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    2. Eu também, só faltou falar dos olhos verde mar

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    3. Vai ver a Rachel tava por perto o a piper... Agr elas são bffs

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    4. Eu pensei a mesma coisa kkk Como não lembrar das outras sagas?!

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    5. Pensei que tinha sido só eu! Como é bom encontrar semideuses em todo lugar...pelo menos aqui no blog, pq no meu mundo real ta escasso. Só não parece ele pelo fato de chorar como uma criancinha.

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  4. O garoto punk que falou era brasileiro, que legal!!!

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    1. Acho que ele não é brasileiro, é português!

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    2. Corte sutaque português ... Os brasileiros não falam português ????

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    3. Aí seria sotaque brasileiro, não é?

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  5. Ihuuu! mata mesmo Seis, você consegue!

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  6. Opa..
    #PartiuDescobrirEssaPedraNoBrasil

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  7. Vou escavar o Brasil já volto ou não talvez eu esteja na Somália.

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  8. "Eu estava disposta deixar todo episódio de lado"
    Não seria "disposta a deixar"??

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  9. Meu irmão, que viagem é essa? Sdds Oito no meio disso tudo </3

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  10. — Ella, você disse para correr ou morrer — começo, realmente não sei como abordar e esclarecer uma profecia minha amiga cheia de energia e talvez morta. — Isso é... essas ainda são nossas únicas opções? Se eu lutar Setrákus Ra qualquer um de nós pode morrer...?
    Não seria: "Se eu lutar contra Setrákus Ra"?

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  11. '— Então, vocês estão no meio de um combate com Setrákus Ra e nós estamos prestes a ser engolidos por um mogassauro gigante — Nove comenta, cruzando os braços. — Timing perfeito para essa merda, hein?'
    Nooooove! Coisa linda!!!
    Seis, sua diva, maravilhosa!!!

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