23 de outubro de 2015

Capítulo um - A evolução da vassoura voadora

Nenhum feitiço inventado até hoje permite aos bruxos voarem apenas com os recursos de sua forma humana. Os poucos animagos que se transformam em animais alados podem voar, mas são raros. A bruxa ou o bruxo que se ver transformado em um morcego pode levantar voo, mas, possuindo um cérebro de morcego, com certeza vai esquecer aonde queria ir no momento em que deixar o chão. A levitação é uma pratica comum, mas nossos antepassados não se contentaram a planar a um metro e meio do chão. Quiseram mais. Quiseram voar como pássaros, mas sem a inconveniência de ter o corpo coberto por penas.
Hoje, estamos tão habituados à ideia de que todas as casas de bruxos na Grã-Bretanha dispõem no mínimo de uma vassoura que raramente paramos para perguntar qual é a razão disto. Por que a humilde vassoura iria se transformar no único objeto legalmente aceito como meio de transporte bruxo? Por que nós, no Ocidente, não adotamos o tapete voador tão apreciados pelos nossos irmãos orientais? Por que não preferimos produzir barris voadores, poltronas voadoras, banheiras voadoras – por que vassouras?
Bastante perspicazes para compreender que seus vizinhos trouxas procurariam explorar seus poderes, se conhecessem seu alcance, os bruxos e bruxas ficavam quietos em seus cantos antes mesmo de o Estatuto Internacional de Sigilo a Magias entrar em vigor. Se pretendessem guardar um veículo de transporte em casa, teria de ser algo discreto, fácil de esconder. As vassouras eram ideais para isso; não exigiria explicações nem desculpa se fosse encontrado pelos trouxas, era portátil e de baixo custo. No entanto, as primeiras vassouras enfeitiçadas para voar tiveram os seus senões.
Há registros que os bruxos e bruxas europeus já estavam usando vassouras em 962 d.C. Uma iluminura alemã desse período mostra três bruxos desmontando suas vassouras com expressões de mau estar no rosto. Guthrie Lochrin, um bruxo escocês, escreveu em 1107 que teve as “nádegas cravadas de farpas e as hemorroidas inflamadas” depois de um breve voo de vassoura de Montrose a Arbroath.
Uma vassoura medieval exibida no Museu de Quadribol, em Londres, nos dá uma ideia das razões para o mal-estar de Lochrin (ver Fig. A). Um cabo de freixo nodoso e sem verniz, com gravetos de amendoeira amarrados toscamente a uma ponta, não é nem confortável nem aerodinâmico. Os feitiços lançados sobre as vassouras eram igualmente básicos: ela podia se deslocar apenas para frente e a uma dada velocidade; subia; descia e parava.
Naquele tempo, as famílias bruxas confeccionavam as próprias vassouras, por isso havia uma enorme variação na velocidade, no conforto e no manuseio desse meio de transporte de que dispunham. Por volta do século XII, no entanto, os bruxos já haviam aprendido a trocar serviços entre si, a fazer escambo, de modo que um mestre artesão de vassouras podia trocá-las pelas poções que seu vizinho soubesse preparar melhor que ele. Quando as vassouras se tornaram mais confortáveis, os bruxos passaram a voá-las por diversão e não apenas para de transportar do ponto A ao ponto B.

Fig. A

7 comentários:

  1. “nádegas cravadas de farpas e as hemorroidas inflamadas”
    kkkkkkkk hemorroidas inflamadas

    Adoro o blog,sempre quis ler Quadribol através dos séculos,mas não dava para comprar,muito obrigada!

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    1. Oi Flavia, de nada, eu é que agradeço :D

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  2. lol, isso nem parece uma vassoura... parece um galho de árvore seco!

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    1. Originalmente, deveria ser mesmo, os bruxos só adaptaram eahuehauehaueh

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  3. Gosto muito deste blog, me ajudou intelectualmente e financeiramente. Karina, se for possível postar a trilogia de Laurentino Gomes (1808, 1822 e 1889).

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  4. Amei o blog,e obgd por ter me dado a honra de ler Quadribol!

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  5. sobre a primeira frase, e
    o katoamistaika?

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