14 de outubro de 2015

Capítulo treze

ESTAMOS NO LIMITE DO GRAMADO EM FRENTE AO SANTUÁRIO, LADO A LADO, DE costas para o templo. Juntos, olhamos para o horizonte, para o norte. É dessa direção que a nave do Setrákus Ra virá.
Nós temos até o anoitecer.
Nós três somos a última linha de defesa.
O dia ficou ainda mais quente. Pelo menos posso fingir que o suor escorrendo pelas minhas costa é do calor.
Aponto na direção da linha das ávores.
— Os mogs nos fizeram um favor cortando a mata — digo enquanto me esforço para calcular a distância. — Nós veremos a nave chegando a pelo menos a cinco quilômetros de distância.
— Eles também vão nos ver — Adam responde, com uma voz sombria. — Eu não sei, Seis. Isso parece loucura.
Eu estava esperando Adam dizer algo assim. Soube pelo olhar dele quando eu estava no telefone com John e Sam que ele não está com a gente na luta com Setrákus Ra e a sua nave de guerra.
— Setrákus Ra não pode entrar no Santuário — Marina diz, antes que eu possa responder. — Esse é um local lórico. Um lugar sagrado. Ele não pode contaminá-lo. O que quer que ele queira, nós devemos detê-lo.
Olho de relance de Marina para Adam, e encolho os ombros para o mogadoriano.
— Você a ouviu.
Adam nega com a cabeça, frustrado.
— Olhe, entendo que este local é especial para vocês, mas não vale a pena trocar nossas vidas por ele.
— Eu discordo — Marina responde, grossamente. Ela com certeza já se decidiu. De jeito nenhum ela vai deixar o Santuário agora, não depois do que aconteceu aqui.
— Nós fizemos o que tínhamos que fazer aqui — Adam argumenta. — Alguns humanos têm Legados agora. Não há nada que Setrákus Ra possa fazer para mudar isso. Ele está atrasado.
— Nós não temos certeza — respondo, olhando de relance para o Santuário por cima do meu ombro. — Se ele entrar lá, ele poderia... Eu não sei. Reverter o que fizemos, talvez. Ou alguma coisa para machucar a Entidade.
Adam bufa.
— Ele controlou o planeta natal de vocês por pelo menos uma década, e nunca foi capaz de tirar os Legados de vocês. Não permanentemente.
— Porque Lorien estava aqui! — Marina enfatiza. — Ela estava se escondendo aqui e agora ele a achou. Nós não podemos deixá-lo tocar na Entidade. As consequências podem ser catastróficas.
Adam balança as suas mãos.
— Vocês não estão escutando a razão!
Olho para o estacionamento desordenado de naves e Skimmers desativados. Claro que os meus olhos acham o caminho para Phiri Dun-Ra. Ainda amordaçada e amarrada à roda de suporte, ela está se esforçando para sentar direito, provavelmente tentando escutar a nossa conversa. Posso dizer pelo rosto dela, pelas dobras na volta da fita adesiva que ela está sorrindo para mim. Eu me lembro do que ela disse hoje cedo, quando tentava me convencer de que Adam estava trabalhando secretamente para nós capturar.
— Você não acha que podemos ganhar, então está com medo de lutar — digo abruptamente, me arrependendo das palavras segundos depois que elas saem da minha boca.
Adam me olha espantado, então segue o meu olhar até Phiri. Ele deve ter feito a conexão do meu argumento com o discurso dela mais cedo. Ele nega com a cabeça desgostoso, e dá uns passos para longe de mim.
Marina me cutuca, e cochicha.
— Seis...
— Desculpe, Adam — falo rapidamente. — Sério. Isso foi golpe baixo.
— Não, você está certa, Seis — Adam responde secamente, dando de ombros. — Eu sou um covarde porque não quero morrer hoje. Sou um covarde porque, quando era menino, assisti pelo deque de uma das naves de guerra o seu planeta ser dilacerado. Sou um covarde porque acho que nós deveríamos achar um jeito melhor. Um jeito mais esperto de vencer isso.
— Certo, Adam — falo, sentindo um aperto no meu peito pela menção da destruição de Lorien. — Nós te ouvimos.
— Eu posso não ser esperta — Marina diz. — Mas isso é o certo.
Adam fala com um tom ácido:
— No caso, qual de nós vai fazer?
— Fazer o quê? — pergunto.
— Matar Ella — ele responde. — Nós todos ouvimos o que o John disse. Setrákus Ra fez o seu próprio tipo de feitiço lórico. Vocês não podem feri-lo sem machucar Ella. Eu nem conheci a garota e já posso afirmar que eu não vou matá-la. Então me contem, qual de você duas vai matar a sua amiga?
— Ninguém — eu digo, sem olhar em seus olhos. — Nós vamos descobrir um jeito de parar Setrákus Ra sem machucá-la.
Adam olha para o sol, como se tivesse tentando descobrir quanto tempo ainda temos.
— Ótimo. Fantástico. Nossos recursos são naves quebradas e qualquer merda que nós conseguirmos achar na mata. Me conte como vamos parar Setrákus Ra nessa situação, Seis.
— John disse que os reforços estão vindo, o Exército...
— Ele disse que iria tentar — Adam praticamente grita comigo. — Olhe, eu confio em John, mas ele está a milhares de quilômetros daqui. A ajuda está a milhares de quilômetros. Aqui? Só tem a gente. Só nós estamos aqui.
— A ajuda está bem atrás de nós — Marina diz. Sua voz ainda está calma, mas há certa tensão nela. O que Adam vem dizendo a irritou. — O Santuário vai nos dar um meio de lutar.
Adam leva alguns segundos antes de revirar os olhos.
— Um milagre. É isso que vocês duas estão esperando? Um milagre! Entendi que você acordou aquela coisa, e sei que ela deixou você falar... com o seu amigo pela última vez. Mas isso é tudo o que ela vai fazer, está bem? Ela não vai mais nos ajudar. Não acredita em mim? Talvez você pudesse perguntar para alguns lorienos o quanto a Entidade os ajudou durante a invasão mogadoriana. Se eles não estivessem todos mortos.
O ar ao redor de mim fica gelado. Primeiro, é muito bom no calor dessa floresta arrogante, até eu perceber que é Marina fumegando de raiva do seu próprio jeito. Ela dá um passo na direção de Adam, com os punhos cerrados, toda a aura-serena-do-Santuário abandonada.
— Não fale sobre o que você não sabe, seu monstro! — ela grita, apontando seu dedo para ele.
Uma estalactite de gelo se forma na ponta do seu dedo e cai na terra em frente aos pés de Adam. Imediatamente começa a derreter. Adam dá um passo para trás em surpresa, encarando Marina.
— Já chega! — exclamo, parando no meio dos dois. — Isso não está levando a gente a lugar algum.
Da área de pouso, Phiri Dun-Ra faz uma série de barulhos abafados. Percebo que ela está rindo de nós. Eu a ignoro, me viro e levo Marina pelos ombros para longe. A pele dele está gelada quando a toco.
— Mesmo eu amando o ar-condicionado agora, você precisa sair daqui por um minuto — eu digo.
Marina me dá um olhar de descrença, como se não conseguisse acreditar que estou do lado de Adam, contra ela. Balanço a minha cabeça levemente e levanto as sobrancelhas, dizendo que não é por isso. Ela suspira, passa a mão pelos cabelos e caminha em direção ao Santuário.
Eu me viro para observar Adam. Primeiro, ele não me olha de volta. Está ocupado demais fitando a estalactite que Marina criou contra ele, se transformar em água.
— Sorte sua que ela não arrancou seu olho fora — eu brinco.
— Eu sei — ele responde, finalmente olhando para mim. — Seis, olhe, desculpa. Eu não deveria ter trazido Lorien à tona. Aquele não era... não era o meu ponto.
— Pode apostar seu traseiro que não — eu digo, dando um passo na sua direção. — Está tudo bem, você está pirando um pouco. Vou relevar isso. Mas, é, não fale sobre as nossas famílias mortas e sobre o nosso planeta massacrado, ok? Porque sério, eu quis te dar um soco na cara.
Adam concorda.
— Entendido.
— Eu ainda não tenho certeza do que fazer — continuo, abaixando ainda mais a minha voz e chegando mais perto. — Me permita deixar isso bem claro pra você, Adam. Não tenho intenção nenhuma de morrer hoje. Você acha que não sei das nossas desvantagens? Cara, eu não preciso de uma explicação. Mas você não consertou magicamente um daqueles Skimmers enquanto eu não estava olhando, não é?
Ele faz careta para mim.
— Você sabe que não, Seis.
— Então nós estamos presos aqui até os reforços chegarem. E se nós estamos presos aqui, nós vamos lutar. Você entendeu?
— Nós poderíamos fugir — Adam sugere, apontando para a mata. — Não precisamos de um Skimmer para escapar.
— Olhando por esse lado, a mata nunca vai deixar de ser uma opção — admito a ele. — Se a Anubis chegar aqui, e as coisas derem errado, nós fugimos.
— Nós vamos? — Adam pergunta, desviando seu olhar de mim para Marina. — Todos nós?
Viro a minha cabeça para sutilmente olhar Marina. Pelas suas costas, dá para ver que ela ainda está respirando fundo, se acalmando. Ela está encarando o Santuário de novo, como vem fazendo o dia todo. Marina desenvolveu quase como uma devoção religiosa pelo antigo templo. Eu entendo o porquê, a nossa experiência com a Entidade foi bem forte, talvez ainda mais para uma garota que foi criada no meio de um monte de freiras.
Sem mencionar que o garoto que ela amava foi enterrado aqui. O Santuário se tornou um símbolo religioso e um túmulo para ela.
— Eu vou arrastá-la daqui se for preciso — respondo para Adam, falando sério.
Adam parece satisfeito com a resposta. O olhar frenético que ele tinha quando estava nos repreendendo se foi, substituído pelo de mogadoriano calculista. Nunca pensei que ficaria feliz de ver isso no rosto de alguém.
— Posso começar retirando os módulos de ocultação do campo de força para John e tentar arrumar o Skimmer, mas nenhuma dessas coisas vai nos ajudar a defender esse lugar ou a sobreviver a um ataque da Anubis — ele me olha, com as sobrancelhas erguidas. — Então, qual o nosso plano para não morrer?
Ótima pergunta.
Olho em volta. O aspecto de tudo isso ainda é algo que estou pensando. Como nós podemos impedir Setrákus Ra de fazer seja lá o que ele quer com o Santuário? Como podemos atingi-lo sem ferir Ella? De novo, meu olhar volta à Phiri Dun-Ra. Ela não está mais rindo de nós, ao invés disso, está nos observando como um falcão. Penso em suas mãos, ainda amarradas à roda atrás dela, e do jeito que está machucada, no seu estado sujo e coberta de queimaduras sofridas pelo campo de força do Santuário. Os mogs passaram anos aqui, tentando forçar sua entrada no Santuário em favor do seu Adorado Líder. O ruim é que não vimos nenhum fusível ou painel de controle dentro do templo para ligar o campo de força novamente.
— Pelo menos nós sabemos aonde ele está indo — falo em voz alta, ainda pensando. — Se Setrákus Ra quer entrar no Santuário, ele tem que descer da sua nave fodástica. Isso nos dá uma chance.
— Uma chance para fazer o quê? — Adam pergunta.
— Não podemos machucar Setrákus Ra sem ferir Ella, o que significa que não podemos realmente impedi-lo de entrar no Santuário. Mas se ele quer Ella e o Santuário, bem, talvez nós possamos tirar algum proveito disso.
Adam logo se liga.
— Você está pensando...?
— Você mesmo mencionou que sempre quis pilotar uma dessas naves de guerra. O que quer que Setrákus Ra queira do Santuário, ele não vai conseguir levá-lo a lugar nenhum — aponto, sentido um plano tomar forma. — Porque nós vamos resgatar a Ella e roubar sua nave.


A nossa preparação começa praticamente em silêncio, uma tensão ainda no ar entre Marina e Adam. Começamos indo ao equipamento que os mogadorianos deixaram para trás. Há engradados empilhados em uma das tendas maiores, um arsenal variado de armas e ferramentas que os mogs trouxeram aqui só para ser quebrado pelo campo de força do Santuário. Há uma artilharia enorme de canhões, mas o resto parece ter sido feito aqui na Terra. Há pilhas de armas com estampas do Exército dos Estados Unidos, equipamentos de mineração da Austrália e o que Adam me conta ser EMPs experimentais da China. Adam já havia repassado todas essas coisas mais cedo, enquanto procurava por peças espalhadas para consertar o Skimmer, então ele sabe como está organizado.
— Nós queremos explosivos — eu digo a ele. — O que eles tinham?
Cuidadosamente, Adam move algumas coisas antes de abrir uma caixa com substâncias que lembram argila.
— Explosivos plásticos — ele diz. — C-4, eu acho.
— Você sabe como funcionam essas coisas?
— Um pouco — Adam responde, e começa e colocar os objetos ao lado gentilmente. Ao lado do C-4, há também alguns fios e cilindros que presumo serem detonadores. Depois de uma rápida procura, Adam sorri e segura um pequeno bloco de papel. — Há instruções.
— Perfeito — Marina murmura.
— Quantas bombas ao total? — pergunto.
Adam faz uma conta rápida.
— Doze. Mas eu posso dividi-las, torná-las menores se você quiser. Quanto menor a bomba, menor a explosão. Mas nós só temos doze detonadores, então as menores precisariam ser ligadas uma na outra.
Antes de responder Adam, coloco a minha cabeça do lado de fora da tenda e faço uma conta rápida dos Skimmers estacionados na pista de pouso. Dezesseis delas, incluindo o que Adam vem trabalhando e o que a Phiri Dun-Ra está amarrada.
— Nós estaríamos bem com doze — digo a Adam. — Não se exploda, ok?
— Farei o meu melhor.
— Ótimo. Vem, Marina.
Pego um saco de pano vazio da tenda de suprimentos dos mogs antes de ir ao estacionamentos das naves. Marina me segue de perto.
— O que você pretende explodir exatamente, Seis? — ela pergunta.
— Espere aí — falo, me aproximando do Skimmer onde Phiri Dun- Ra está retida.
Ela observa minha aproximação, os olhos cheios de raiva, sem sorrir através da fita adesiva. Acho que ela sabe o que vai acontecer. Ela luta um pouco contra as amarras, mas sem conseguir me impedir de colocar o saco de pano em sua cabeça.
— Cansada de olhar para ela? - Marina pergunta.
— Sim, isso. E não quero que ela veja o que vamos aprontar — levo Marina longe da prisioneira, para outros Skimmeres. — Nós vamos explodir essas naves. Acho que Setrákus Ra não virá sozinho, ele vai trazer mais mogs com ele. Nós não precisamos estar no campo de batalha para mantê-los longe do Santuário, mas podemos com certeza explodi-los quando eles chegarem perto.
Graças a Phiri Dun-Ra, nenhum dos Skimmers está em condições de se mover sozinhos. Um por um, Marina e eu usamos nossa telecinesia para empurrar as naves para as posições certas. Com nós duas trabalhando juntas, o peso não é tão grande, até as rodas começarem a funcionar. Nós colocamos os Skimmers a trinta metros um do outro em um semicírculo na frente da entrada do Santuário. As naves acabam praticamente seguindo a linha do antigo campo de força.
Agora que nós movemos os Skimmeres, há um grande espaço para pouso.
— Vamos torcer para que Setrákus Ra estacione a sua nave idiota no lugar mais óbvio possível — eu digo, apontando com o meu dedo através do ar para a área de pouso na entrada do Santuário. — Há apenas uma maneira de entrar no Santuário, então eles terão que passar pelas naves, que é onde nós vamos esconder as bombas.
— Que vai eliminar pelo menos a primeira leva de mogs — Marina adiciona.
— Sim, e com sorte nós vamos pegá-los de suprresa e confundi-los, procurando por um ataque, então Adam e eu vamos por trás deles e entraremos na Anubis.
Marina faz careta para mim.
— Espera. Onde estou em tudo isso?
Antes que eu possa responder, Adam surge da barraca de armamento dos mogadorianos com uma mochila de pano cheia de explosivos. Ele dá uma olhada no que fizemos até agora e assente com a cabeça, aprovando.
Então, caminha até nós, coloca a mochila no chão e entrega um grande controle remoto.
— Olhe isso -— Adam diz. — Acho que os mogs estavam tentando usar uma sequência de explosivos para tentar tirar o campo de força, talvez pensando que várias explosões em lugares diferentes poderiam acabar com ele.
Ele me entrega o controle remoto. É uma linha com vinte interruptores, cada um com uma luz verde e vermelha correspondendo. Vinte lâmpadas vermelhas estão ligadas. Adam se aproxima de mim, explicando como o aparelho funciona.
— Todos os detonadores têm controles automáticos — ele mostra, puxando um interruptor para a esquerda. A pequena luz acima do interruptor muda de vermelho para verde. — Acabei de armar uma bomba.
Olho de relance para a mochila de pano nos meus pés, cheia de explosivos, e então olho de volta para o controle. Há um pequeno pino de metal que você precisa contornar para fazê-lo chegar ao seu terceiro nível, provavelmente para evitar que o dedo de alguém escorregue. Ainda assim, estou um pouco nervosa sobre essa demonstração.
— Hã, entendido...
— Segurança primeiro — Adam coloca o pino de volta na posição original, a luz vermelha voltando a acender. — Se você tivesse colocado o botão todo para cima, os detonadores pegariam o sinal e a bomba detonaria.
Concordo com a cabeça, então entrego o controle para Marina.
— Você entendeu tudo?
— Sim, mas... — ela enruga a testa ao receber o controle.
— Você perguntou onde estaria em tudo isso — eu digo. — Você vai se esconder na mata, controlando a defesa do Santuário.
Marina pensa por um momento, sorrindo um pouco.
— Isso será um prazer.
Adam segue em direção às naves, colocando uma caixa pequena em cada Skimmer. Os mogadorianos podem notá-las, claro, mas não antes que seja tarde demais.
Enquanto isso, Marina e eu manobramos os últimos dois Skimmers, depois dos que já estão prontos para explodir. Estes nós posicionamos do outro lado do Santuário, os dois na borda da mata.
— Nós podemos criar uma linha de fogo cruzado aqui — digo, abrindo a cabine do piloto de um dos Skimmers. — Se sua telecinesia for forte o sufuciente para controlar...
— Terá que ser — Marina responde.
Adam vem até nós e liga o sistema de armas de um dos Skimmers e explica para Marina quais botões ela teria que pressionar para disparar os canhões. Marina passa um bom tempo estudando os controles, memorizando-os, guardando a imagem deles em sua mente. Então, caminha devagar para longe de nós e dos Skimmeres, entrando na floresta, indo longe o suficiente das explosões, mas perto suficiente para ter uma visão clara da batalha. Será desse esconderijo que ela vai defender o Santuário.
Marina se concentra. Ela lança uma mão ao ar na direção do Skimmer.
— Ugh — ela diz depois de um momento, enrugando o seu nariz. — Eu não sei, Seis. É muito difícil usar a minha telecinesia em algo que não posso ver.
Nós tentamos uma técnica diferente. Adam e eu andamos pela borda da floresta, colocando canhões mogadorianos em arbustos e árvores. Nós os camuflamos com galhos e folhas, o suficiente para que os mogs não notem, mas não muito escondidos para que Marina consiga vê-los. Do seu esconderijo, ela testa cada um deles, apertando o gatilho com telecinesia, e atirando na clareira na frente do Santuário.
— Bom — eu digo. — Você nem precisa acertar ninguém, Marina. Só precisa fazê-los pensar que o ataque está vindo de todos os lados.
Agora que terminamos, há dois Skimmers no caminho: o que nós usamos para vir para cá, que Adam vem tentando consertar, e aquele que Phiri Dun-Ra está amarrada. Estou satisfeita com o nosso resultado até aqui.
Eu me sinto bem de estar fazendo alguma coisa, pelo menos.
— Isso é bom, Seis — Marina diz, com os braços cruzados, olhando para as naves dos mogs paradas como guardas na porta do Santuário. — Perfeito se Setrákus Ra mandar os seus soldados. Mas o que faremos se ele estiver na linha de frente? Machucá-lo significa machucar Ella. Nós não podemos ariscar.
— Você está certa — respondo. — Nós teremos que encontrar uma maneira de pelo menos atrasá-lo.
Começo a ir na direção ao Santuário e finjo que não noto quando Adam passa por trás de mim, tocando gentilmente o cotovelo de Marina. Com a minha audição aprimorada, é praticamente impossível não escutar nada.
— Me desculpe por antes — Adam diz baixinho. — Eu estava transtornado.
— Está tudo bem — Marina responde com gentileza. — Eu não deveria ter te chamado de monstro. Mas saiu. Eu não pensei aquilo.
Adam da uma risada, se precavendo.
— Não, você sabe, eu venho me perguntando por muitos anos se... se essa não é uma boa palavra para nós.
Marina faz um barulho, como se fosse dizer algo a mais, mas Adam a interrompe.
— Está certo, desculpe de novo, por tudo. Eu sei o que é perder alguém que você gosta. Eu não deveria... Não vou ser tão estúpido sobre querer deixar esse lugar de novo. Entendi porque ele é tão importante. O que significa.
— Obrigada, Adam.
Eu me viro, fingindo que não escutei a conversa inteira deles. Nós estamos em frente ao que costumava ser a porta escondida do Santuário. É uma porta estreita de pedra que leva a uma escada por um caminho longo à uma câmara abaixo do templo.
— Então — falo, com as mãos nos quadris. — Como nós atrasamos o mogadoriano mais poderoso do universo sem machucá-lo, enquanto ao mesmo tempo, nós roubamos a sua nave embaixo do seu nariz?
Adam levanta a sua mão.
— Tenho uma pergunta.
Eu posso vê-lo pensando.
— Manda.
— Todo esse plano é baseado em uma chance: Setrákus sair pela porta da nave, Setrákus mandando tropas de soldados, Marina distraindo-os com algumas bombas e armas fantasmas — abro a minha boca para responder, com medo de ele pirar de novo, mas Adam continua falando. — É a nossa melhor opção. Eu concordo com você. Mas, supondo que funcione, supondo que nós consigamos roubar a Anubis enquanto Setrákus Ra fica aqui embaixo. E então o quê? O que nós faremos a seguir? Ainda não poderemos matá-lo.
— Mas ele não vai poder nos matar também — respondo. Mesmo sabendo que não é a estratégia brilhante que Adam estava esperando, honestamente não pensei tão à frente. Estou mais focada na nossa sobrevivência.
— Talvez nós possamos negociar — Marina sugere. — Ella ou o Santuário...
— Tirando a parte que ele fervorosamente iria querer o oposto, ele não tem honra — Adam diz. — Não vai haver nenhuma negociação.
— Isso é um beco sem saída — eu digo. — E é melhor que perder, certo?
Adam considera as minhas palavras, cavando um buraco com o seu calcanhar.
— Está certo — Adam concorda. — Então eu sugiro que cavemos um buraco.
— Um buraco?
— Uma cova — Adam continua. — Na frente da porta. Uma bem grande. Então, nós cobrimos e deixamos Setrákus Ra cair dentro.
Empurro o meu dedo do pé no chão. Graças à sombra do Santuário e as plantas crescendo perto, a terra está fofa e úmida, não como na pista de pouso de terra batida e bem dura. Com todos os nossos Legados, o estoque de armas dos mogs, um monte de C-4, e nós estamos falando de cavar um buraco.
— Bem, ele é exatamente o tipo de idiota que não olha por onde anda, especialmente se estiver ostentando a vontade de entrar no Santuário.
— Essa é a ideia — Adam responde.
— E quando ele estiver lá embaixo, eu cubro o topo com gelo do meu esconderijo — Marina diz, entrando na ideia. — Isso pelo menos poderia atrasá-lo.
— É, pelo menos seria hilário vê-lo cair em um buraco — acrescento, otimista.
— Terá que ser um buraco enorme — Adam diz, coçando o queixo, pensativo. — Ele pode mudar de tamanho.
— O bom é que temos Legados para ajudar a cavar — respondo. — Mesmo que nos dê apenas alguns minutos, pode ser o suficiente para que possamos entrar a bordo da Anubis.
— Mais uma coisa, e você pode não gostar da ideia — Adam fala para Marina, antes de gesticular para a porta do Santuário. — Mas talvez nós poderíamos derrubá-la. Seria mais um obstáculo no caminho de Setrákus Ra.
É uma boa ideia, mas olho para Marina antes de dizer alguma coisa. Ela pensa sobre isso por um momento e então dá de ombros.
— São só pedras — ela diz. — O importante é proteger o que está dentro.
— Devo pegar mais C-4? — Adam pergunta.
— Acho que dou conta — respondo, já chamando o meu Legado e fazendo uma pequena tempestade. O ar fica pesado enquanto junto algumas nuvens escuras acima da nossa cabeça, um pequeno tamborilar de chuva caindo delas. Com um movimento descendente da minha mão, quatro raios de luz cortam para baixo em um ângulo que a Mãe Natureza não poderia esperar duplicar. O arco em volta da porta do Santuário explode em calcário decrépito, desmoronando, fechando a passagem com a explosão.
Dou um passo à frente e dou uma olhada no meu trabalho. A porta de entrada está agora cheia de rochas, com algumas paredes do interior que com certeza caíram também. Isso não manterá nenhum exército de mogs longe para sempre, e Setrákus Ra com certeza será capaz de tirar as pedras do caminho com a sua telecinesia. Ainda assim, é melhor do que nada.
Enquanto isso, com um olhar pensativo no rosto, Marina mede a distância dos arredores da entrada do Santuário com passos, contando-os. Quando ela acaba de andar um quadrado quase perfeito na frente da entrada, Marina olha para mim.
— Mais ou menos nove metros de cada lado, né? — ela me pergunta. — Para a cova.
— Acho que vai ser o suficiente.
— Deixe-me tentar uma coisa — Marina diz, e então começa a se concentrar.
Ela caminha no lugar onde vai ser o buraco, com as mãos para o alto. Uma parede de gelo começa a se formar, embora a beirada não faça contato com o chão.
— Me ajude a segurá-lo no lugar, por favor? — Marina pede, me olhando por cima do ombro.
Não estou muito certa no que isso vai dar, mas ajudo. Usando a minha telecinesia, seguro o gelo crescente de Marina. Noto que o gelo começa a ficar mais grosso em cima e estreito em baixo, letalmente afiado nas bordas, quase como uma guilhotina. Ela anda exatamente nos mesmos lugares que andou segundos atrás, desta vez regenerando o gelo enquanto percorre. Depois de alguns minutos, Marina criou um cubo de gelo oco, que mede grosseiramente nove por nove metros. O gelo flutua acima do chão, pingando água, e Marina continua usando o seu Legado para impedi-lo de derreter.
— O que acontece agora? — Adam pergunta, observando tudo.
— Nós o erguemos — Marina diz, se referindo a nós duas. — E então o empurramos para baixo com toda a força que conseguirmos reunir. Pronta, Seis?
Faço como ela instruiu, usando a minha telecinesia para levitar a escultura de gelo de Marina, a mais ou menos seis metros do chão.
— Pronta? — ela pergunta, me olhando. — Agora!
Juntas, nós jogamos o gelo no chão. Há um baque quando as beiradas afiadas entram no chão, seguido pelo som de vidro quebrando e com o gelo logo se espalhando. Apesar de tudo, o gelo não entrou muito no chão além de mais ou menos um metro. Marina parece feliz com o resultado.
— Ok, ok! Espere um segundo.
Ela corre ao redor da caixa de gelo. Há quatro paredes incorporadas ao chão, e ela começa a reforçar o gelo, espessando-o e deixando-o mais forte quando o toca. Quando as rachaduras no gelo são seladas e os pedaços quebrados preenchidos, Marina se ajoelha em um dos cantos e coloca as suas mãos sobre o gelo, o mais próximo do chão quanto consegue.
— Ok, eu não tenho certeza se essa parte vai realmente funcionar — ela diz. — Lá vai.
Marina fecha os seus olhos e se concentra. Adam e eu trocamos um olhar, ambos bem confusos. Ainda assim, ficamos quietos pelo que o parece ser mais que cinco minutos, assistindo Marina usar o seu Legado.
Quero colocar a minha testa no gelo, mas acho que isso pode estragar o que quer que seja que ela esteja fazendo.
— Acho que consegui — Marina diz finalmente, levantando e alongando o pescoço. — Seis, vamos levantar o gelo de novo.
— Agora você o quer fora do chão? — pergunto.
Marina concorda animada.
— Rápido! Antes que derreta demais.
Então, nós nos concentramos no cubo de novo. Ele parece mais pesado que antes, e enquanto nós o erguemos, eu percebo porque. Marina uniu o gelo embaixo do chão, conectando as quatro paredes em um cubo.
Quando nós o levantamos, ele vem com um som de rasgo e trituração, com restos da raízes da grama junto. O cubo de gelo flutua com a nossa telecinesia e, dentro, há mais de um metro de terra presa.
— Gentilmente agora — Marina diz, enquanto nós transportamos o gelo e a terra para fora do caminho. — Eu reforcei bastante o gelo, mas ainda pode quebrar.
— Brilhante — Adam diz, sorrindo para o monte flutuante. — Nós não teremos que cobrir o topo com, tipo, grandes galhos e ramos. Depois que escavarmos, poderemos colocar o cubo de volta no topo. Vai parecer normal quando Setrákus Ra passar por ele, mas você deve ser capaz de derrubá-lo com a sua telecinesia de longe.
Marina concorda.
— Era nisso que eu estava pensando.
Baixamos o gelo com cuidado no chão com um baque suave. Sem Marina constantemente o aumentando com o seu Legado, o gelo começa a derreter. As bordas da nossa cova ficam um pouco enlameadas, mas seca rapidamente, considerando o calor.
Adam vai um pouco à frente e se ajoelha em frente à cova no chão.
— Minha vez — ele diz.
Ele coloca as suas mãos na terra e um segundo depois já posso sentir as vibrações fluindo dele. As ondas sísmicas são focadas principalmente a sua frente, mas seu controle não é muito preciso. Por um momento, fico um pouco enjoada graças às ondas do solo embaixo dos meus pés, mas logo me recomponho. O chão na frente de Adam começa a se soltar e as camadas do solo começam a se quebrar em pedaços consideráveis.
Adam olha por cima do ombro para mim.
— Como está?
Uso a minha telecinesia para levantar uma quantidade considerável de terra e pedras para cima da cova, e em seguida, os jogo na selva. Será mais fácil cavar agora que Adam está quebrando as camadas de terra, mas ainda vai ser um saco. Aceno com a cabeça para ele.
— É um bom começo — eu digo a ele.
Ele se levanta.
— Eu vou procurar por... uma pá.
Adam mal pode terminar o seu pensamento, quando de repente seus olhos se prendem no céu atrás de nós. Eu me viro, ouvindo um som mecânico.
Não. Não pode ser. É cedo demais. Nós não estamos prontos.
— Seis? — Marina pergunta. — O que é aquilo?
É uma nave. Prata e elegante, sem os ângulos estranhos e armas como nas outras naves mogadorianas. Não é nada parecido com qualquer coisa que eu já tenha visto, mas também é estranhamente familiar.
A nave está vindo rápido, e bem na nossa direção.

22 comentários:

  1. Respostas
    1. Não é o reforço! é a nave de Setrakus Rá

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    2. Mano é a guarda com o mark e a sahra

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  2. Marina é uma besta por chamar Adam de monstro, ele é muito melhor do q o cretino do cinco e do setrakus ra, q são lorienos, e eles já estão enchendo com essa moralidade, mata logo ela imbecil de piri sei la o q, onde já se viu vencer uma guerra sem matar os inimigos? Com certeza mais tarde essa mulher vai aparecer de novo, talvez até matar um deles, ai a própria imbecil da Marina vai dizer "pq não a matei antes?". Eu digo, pq é uma idiota!!! Aff

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    1. A questão não é não matar ela, é não matar ninguém a sangue frio como os mogs fazem. Caso contrario eles estariam se tornado tão mostro quanto os inimigos que combatem.

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    2. Sei la, acho que deviam matar, porque vai acontecer o que ele falou mesmo, e eu vou ficar puta pra c@#%#@

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    3. Marina tbm é chata ( única parte que gostei de Marina foi quando ela arrancou o olho de cinco).

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    4. Então a pessoa escreve "puta" e não escreve "caralho"
      Isso me lembrou do Percy não querer matar o Ethan e depois ele quase matou a Annabeth

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  3. Será que é o John ou Setrakus Rá? #OMG =O

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  4. Quando Adam disse para fazer um buraco para o Setrakus-Ra cair, achei que fosse uma piada...

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  5. Kaa. Olha isso "Isso não manterá nenhum exército de mogs longe para sempre e Setrákus Ra vai com certeza será (Essa parte, ta errada, sem concordância) capaz de tirar as pedras do caminho com a sua telecinise.

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  6. Ninguém pensou que tentar enfiar uma faca no coração da Ella pode matar Ra? Foi a primeira coisa que me ocorreu qnd soube do laço deles...

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    1. E matar sua amiga ??? Sua IRMÃ ???? sua raça ???? Desculpe gíseli's mas essa possibilidade não sera não pode ser nem COGITADA imagine esecultada. !!!!!

      ( Desculpe a brutesa mas é verdade !!! VC mataria sua irmã d sangue frio ??? Porque é isso q Ella é para eles pô !!!!)

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    2. O destino de um planeta inteiro de um lado, a sua irma no outro lado.. Um pouco egoísta..

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    3. Querida eles não estão batendo no Setrakus Ra para evitar a morte de Ella acha mesmo q eles vão matar a ela!?

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  7. la vem o guard com a sarah e o mark kkkkk.....

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  8. Eu pensei isso tambem gisele.. mas acho q nenhum da guarde gostaria de matar a Ella.. A nao ser q ela mesma se mate.. Eo q eu acho q ela pretende.. a nao ser q a ligacao entre eles seja diferente.. Para proteger someter o Sekratus e a Ella se machucaria de td jeito assim nao teria jeito de mata-lo a nao ser q a guarde ache um furo no feitico...

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  9. MT loko
    Tô amando a série, mais eu, nunca gostei da Marina, principalmente depois que o oito morreu, ela se tornou arrogante .. Sobre a Phiri Dun-Ra, eu acho melhor matá-la lo governo pois vai acabar dando merda. Ela vai concerteza prejudicar eles de alguma forma.

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  10. Setrakus Ra, Phiri Dun-Ra... Sera que ha alguma parentesco com o RA ... Tipo um sobrenome...

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  11. Se todo machucado de Setrakus for para Ella ,então ,logicamente ,todo machucado de Ella iria para Setrakus ,não?;-;

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    1. Seria assim, se Setrákus fosse justo. Mas ele fez o feitiço de forma a se proteger, usando a própria bisneta como escudo.

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  12. Que tipo de vilão intergalático cai em um buraco, a menos que seja um buraco negro?! Mas seria muito engraçado. Kkkkk. Como matar Setrákus sem matar Ella? Alguém encomenda uma espada com Fogo Celestial, pra ontem!

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