14 de outubro de 2015

Capítulo três

SOB CONDIÇÕES IDEAIS, A CAMINHADA ATÉ A UNION SQUARE DEVERIA DEMORAR cerca de quarenta minutos. Fica a apenas dois quilômetros daqui. Mas estas são de longe condições não-ideais. Sam e eu estamos voltando pelos mesmos quarteirões os quais passamos à tarde lutando contra os mogs. Indo de volta para o local onde a presença mogadoriana é mais forte.
Com sorte, Nove e Cinco ainda não terão se matado quando chegarmos lá. Vamos precisar deles se quisermos ter um pouco de esperança em vencer essa guerra.
De ambos.
Sam e eu seguimos pelas sombras. Alguns bairros ainda têm eletricidade, então os postes das ruas estão acesos, brilhando como se fosse um fim de tarde comum numa cidade grande, como se as ruas não estivessem cheias de carros capotados e rachaduras no pavimento. Nós evitamos esses bairros, pois sabemos que será mais fácil para os mogadorianos nos encontrarem.
Passamos por onde deveria ser Chinatown. Parece que um tornado atingiu aqui. As calçadas estão intransitáveis em um dos lados, um bairro inteiro com prédios que desmoronaram. Há centenas de peixes mortos no meio da rua. Temos que abrir caminho cuidadosamente através dos obstáculos.
No meio do caminho, ainda havia pessoas perto destes bairros. O DPNY estava tentando conseguir uma evacuação organizada, mas a maioria fugia desesperadamente, apenas tentando ficar à frente dos esquadrões mogadorianos que pareciam ter a mesma probabilidade de assassinar as pessoas ou levá-las como prisioneiras. Todos estavam em pânico e em estado de choque frente à sua terrível realidade. Sam e eu recolhemos os retardatários, aqueles que não conseguiram fugir a tempo, ou aqueles grupos que foram separados pelas patrulhas mogadorianas. Havia muito deles. Agora, depois de dez quarteirões, não vimos mais nenhuma alma viva. Talvez a maioria das pessoas na parte baixa de Manhattan tenha conseguido fugir para a Ponte do Brooklyn – isso se os mogs não estiverem atacando lá nesse momento.
De qualquer forma, descobri de que as pessoas que conseguiram sobreviver até o fim do dia são espertas o suficiente para passar a noite escondidas.
Enquanto seguimos para o próximo quarteirão desolado, Sam e eu contornamos cuidadosamente uma ambulância abandonada, onde escuto sussurros vindos de um beco próximo. Coloco minha mão nos braços de Sam e, quando paramos de andar, o barulho cessa. Posso dizer que estávamos sendo observados.
— O que foi? — Sam pergunta, com a voz num tom baixo.
— Há alguém lá.
Sam semicerra os olhos para a escuridão.
— Vamos continuar — ele diz depois de alguns segundos. — Eles não querem nossa ajuda.
É difícil para mim deixar alguém para trás. Mas Sam tem razão – quem quer que esteja lá, está perfeitamente bem escondido, e nós estaríamos colocando-os em um perigo maior se os levássemos conosco.
Cinco minutos depois, nós viramos uma esquina e vemos nossa primeira patrulha mogadoriana da noite.
Os mogs estão no lado oposto do quarteirão, então temos um espaço seguro para observá-los. Há doze soldados, todos carregando canhões. Sobre eles, um Skimmer está zumbindo, varrendo a rua com um holofote de luz preso sob a nave. A patrulha se move metodicamente pelo quarteirão, um grupo de quatro soldados periodicamente se separando dos outros para entrar nos apartamentos escuros dos prédios.
Eu os observo nessa rotina por duas vezes, e em ambas suspiro aliviado quando os soldados retornam sem prisioneiros. O que aconteceria se os mogs encontrassem um humano em algum destes prédios e o arrastasse aos berros pela rua? Eu não poderia deixar isso acontecer, certo? Eu teria que lutar. E o que aconteceria depois que Sam e eu seguíssemos nosso caminho? Eles são predadores. Se os deixarmos vivos, eventualmente encontrarão outra presa.
Enquanto considero isso, Sam me cutuca, apontando para um beco próximo que irá nos ajudar a evitar os mogs.
— Vamos — ele fala quase sem fazer som. — Antes que eles cheguem perto demais.
Fico enraizado no lugar, considerando nossa sorte. Há apenas doze deles, mais a nave. Eu já lutei com grupos maiores antes e ganhei.
Porém, ainda estou cansado da tarde que passamos batalhando sem intervalos, mas teríamos o elemento surpresa do nosso lado. Eu poderia derrubar o Skimmer antes mesmo de eles perceberem que estão sob ataque, e o resto cairia facilmente.
— Nós podemos contra eles.
— John, está maluco? — Sam pergunta, segurando meu ombro. — Não podemos lutar contra cada mogadoriano que está em Nova York.
— Mas podemos lutar contra esses aqui — respondo. — Estou me sentindo melhor agora, e se alguma coisa der errado, posso nos curar depois.
— Presumindo que não iremos, você sabe, levar um tiro na cara e morrer. De batalha em batalha, nos curar logo depois – por quanto tempo acha que pode fazer isso?
— Eu não sei.
— Há muito deles. Temos que escolher nossas batalhas.
— Você está certo — admito de má vontade.
Nós seguimos em direção do beco, pulamos uma cerca de metal e emergimos no quarteirão vizinho, deixando a patrulha mogadoriana com sua caçada.
Logicamente, sei que Sam está certo. Eu não deveria gastar meu tempo com uma dúzia de mogs enquanto há uma guerra maior para ser vencida. Depois de um dia exaustivo, eu deveria estar conservando minhas forças. Sei que tudo isso é verdade. Mesmo assim, não posso evitar me sentir um covarde por evitar as batalhas.
Sam aponta para uma placa que marca a 1st Street com a Segunda Avenida.
— Ruas numeradas. Estamos chegando mais perto.
— Eles estavam lutando perto da 14th Street, mas isso foi há pelo menos uma hora. Pela forma que estava acontecendo, eles podem ter ido para qualquer direção a partir de lá.
— Então vamos manter nossos ouvidos atentos para explosões e xingamentos criativos — Sam sugere.
Nós andamos apenas alguns quarteirões antes de encontrarmos nossa segunda patrulha de mogs da noite. Sam e eu nos escondemos atrás de um caminhão de entregas, carrinhos abandonados com pães assados recentemente. Movo minha cabeça em direção à frente do caminhão, para observar. Mais uma vez, há doze soldados com um Skimmer ajudando-os. Porém, esse grupo se comporta diferentemente do último. A nave está flutuando, estabilizada, com seu holofote direcionado para uma janela estilhaçada de um banco. Todos os mogs do lado de fora têm seus canhões apontados para o prédio. Alguma coisa os assustou.
Reconto as cabeças pálidas que estão olhando para a luz do holofote. Onze. Apenas onze onde definitivamente havia doze. Será que algum deles virou cinzas sem que eu notasse?
— Vamos — Sam diz cautelosamente, provavelmente pensando que estou querendo arrumar briga mais uma vez. — Deveríamos ir enquanto eles estão distraídos.
— Espere um pouco. Algo está acontecendo aqui.
Enquanto os outros dão cobertura, dois mogs seguem em direção ao banco. Eles estão indo devagar, com as armas apontadas, procurando por alguma coisa além da luz do Skimmer.
Quando alcançam o limiar do banco, ambos os mogs têm suas armas arrancadas das mãos e jogadas para longe. O esquadrão inteiro pausa, congelado, frisado por esse acontecimento.
É telecinesia. Alguém acabou de desarmar os mogs com um Legado.
Olho com surpresa para Sam.
— Nove ou Cinco — eu digo. — Eles estão encurralados.
Voltando para a realidade, o resto dos mogs abre fogo sobre a escuridão do banco. Os dois soldados desarmados são erguidos do chão, mais uma vez por telecinesia, e usados como escudo. Eles se desintegram em cinzas na enxurrada de tiros do seu esquadrão. Então uma mesa sai voando de dentro do banco. Dois mogs são atingidos pela mobília, e os outros correm para procurar abrigo. Enquanto isso, o Skimmer é levado para mais perto da rua, suas armas sendo ativadas, ansiosas para um tiro em direção ao interior do banco.
— Eu fico com a nave, você com os soldados — eu digo.
— Então vamos — Sam diz, assentindo. — Só espero que não seja o Cinco encurralado lá.
Salto detrás da caminhonete e corro em direção à ação, acendendo meu Lúmen enquanto sigo. As terminações nervosas de minhas mãos parecem estar fritas. Posso realmente sentir o calor do meu próprio Lúmen, como se eu estivesse passando minha mão sobre a chama de uma vela. A dor é suportável, claramente um efeito colateral pelo esforço excessivo de hoje. Eu aguento firme, rapidamente lançando uma bola de fogo no Skimmer. Meu primeiro ataque explode o holofote, escurecendo a rua. A nave perde o controle assim que descarrega sua arma no banco, com a explosão mais forte criando rachaduras na parede de tijolos do prédio. Com a arma principal distraída, espero ver Nove sair de dentro do banco e se juntar à luta.
Ninguém aparece. Talvez o Garde lá dentro esteja ferido.
Depois de um longo dia lutando entre si e contra os mogs, eles provavelmente estão mais desgastados do que eu.
Ouço um chiado de eletricidade atrás de mim – Sam está usando sua arma – e observo enquanto os dois mogs mais próximos são explodidos em cinzas. Nos vendo chegar por trás, um dos mogs tenta se abaixar atrás de um carro estacionado. Sam o arranca da proteção com sua nova telecinesia e acaba com ele.
Um dos outros mogs grita uma explosão de palavras irritantes em mogadoriano num comunicador. Provavelmente pedindo reforço pelo rádio.
Entregando nossa localização – isso não é bom.
Subo no teto de um SUV estacionado convenientemente abaixo do Skimmer. No meu caminho, arremesso uma bola de fogo no mogadoriano que está com o comunicador. Ele é engolido pelas chamas e logo não é nada mais do que um monte de cinzas envolto em engrenagens derretidas. Mesmo assim, o dano está feito. Eles sabem que estamos aqui. Precisamos sair daqui depressa.
Salto do teto do SUV, criando uma enorme cavidade no metal com minha força. Ao mesmo tempo, acerto o Skimmer com um soco telecinético. Não tenho o poder para derrubar a nave, mas eu a acerto com força suficiente, de modo que um dos lados da nave em forma de pires se inclina para baixo, na minha direção. Subo direto em cima da coisa, dois pilotos mogadorianos me encarando em estado de choque.
Há algumas semanas, teria sido bom ver dois mogs com medo. Eu até teria dito alguma coisa engraçada, pegando emprestado algumas do livro de piadas do Nove antes de matá-los. Mas agora – depois do terror que eles desencadearam em Nova York – não perco o meu fôlego para isso.
Arranco a porta da cabine, soltando-a de suas dobradiças e arremessando-a para a noite. Os mogs tentam se soltar dos cintos em seus assentos, tateando por seus canhões. Antes que eles possam fazer qualquer coisa, libero um exaustor, que solta um fogo branco muito quente. O Skimmer imediatamente começa a ficar fora do controle.
Pulo da nave, caindo com força na calçada abaixo, minhas pernas cansadas mal conseguindo me suportar. O Skimmer se choca contra uma loja do outro lado da rua e explode, fumaça preta ascendendo para fora da janela quebrada da loja.
Sam corre até mim, sua arma apontada para o chão. O resto da área está limpa em relação aos mogs. Por enquanto.
— Derrubamos doze, e tipo, ainda falta uns cem mil — Sam fala secamente.
— Um deles conseguiu se comunicar com os outros. Precisamos ir — digo a Sam, mas enquanto falo, sinto a luz da outra nave acima de nós mais uma vez. A adrenalina da batalha se foi, minha fadiga voltou. Eu tenho que me apoiar nos ombros de Sam por um minuto, para que eu possa me orientar.
— Ninguém saiu do banco — Sam diz. — Não acho que seja Nove lá. A menos que ele esteja ferido, está tudo muito quieto.
— Cinco — eu resmungo, me movendo cautelosamente em direção à entrada explodida do banco. Eu não tenho certeza se posso aguentar uma briga com ele agora. Minha única esperança é que Nove tenha feito um bom trabalho com ele.
— Lá — Sam diz, apontando para a entrada escura.
Alguém está se movimentando ali. Quem quer que seja, parece ter se escondido atrás de um sofá durante a batalha toda.
— Ei, está tudo limpo aqui — eu falo em direção ao banco, rangendo meus dentes enquanto ilumino o interior com meu Lúmen. — Nove? Cinco?
Não é alguém da Garde que cautelosamente dá um passo em direção ao meu raio de luz. É uma garota. Ela provavelmente tem a nossa idade, é alguns centímetros mais baixa que eu, com um corpo magro de velocista. Seu cabelo está amarrado para trás em tranças. Suas roupas estão desgastadas devido à batalha ou ao caos geral, mas além disso, ela parece ilesa. Pendurada atrás do ombro esquerdo da garota há uma mochila que parece pesada. Ela olha de Sam para mim com olhos castanhos arregalados, eventualmente focando na luz brilhante da palma da minha mão.
— Você é ele — a garota diz, dando um passo à frente. — Você é o garoto da TV.
Agora que a garota está perto o suficiente para vê-la, apago meu Lúmen. Não quero iluminar nossa localização para os reforços mogadorianos que estão a caminho.
— Eu sou John — digo a ela.
— John Smith. É, eu sei — a garota responde, assentindo exageradamente. — Eu sou Daniela. Você realmente acabou com aqueles alienígenas infernais.
— Ahn, obrigado.
— Havia alguém lá dentro com você? — Sam interrompe, esticando seu pescoço para olhá-la. — Um cara com raivoso problemático que tem hábito de tirar a camisa? Um caolho bruto?
Daniela vira sua cabeça para Sam, franzindo as sobrancelhas.
— Não. O quê? Por quê?
— Pensamos ter visto alguém atacar aqueles mogs com telecinesia — explico, olhando para Daniela mais uma vez, sentindo igualmente curiosidade e cuidado. Já fomos enganados por aliados potenciais antes.
— Você quer dizer isso? — Daniela estica sua mão e um dos canhões que antes pertenceu a um dos mogs mortos flutua até ela. Ela o segura e o apoia até o ombro que não está apoiando a mochila. — Uh-huh. Isso é novo para mim.
— Eu não sou o único — Sam diz, olhando para mim com os olhos arregalados.
Minha mente está trabalhando com as possibilidades tão rápido que fico mudo. Posso não ter entendido o motivo, mas Sam desenvolver Legados fez sentido para mim até certo ponto. Ele passou tanto tempo com nós da Garde, fez tanto para nos ajudar – se qualquer humano fosse desenvolver Legados, teria de ser ele. As horas desde que a invasão começou foram tão loucas que realmente não tive tempo para pensar mais sobre isso. Não precisei, na verdade. Sam com Legados pareceu tão lógico.
Quando imaginei outros humanos ao lado de Sam desenvolvendo Legados, eu estava pensando nas pessoas que conhecemos, pessoas que nos ajudaram. Pensei em Sarah, na maior parte do tempo. Definitivamente não em uma garota aleatória. Essa garota, porém, Daniela, ter desenvolvido um Legado significa algo muito maior do que eu imaginei que havia acontecido.
Quem é ela? Por que ela desenvolveu Legados? Há quantos mais iguais a ela por aí?
Enquanto isso, Daniela está olhando para nós com aquele olhar novamente.
— Então, hum, posso perguntar por que você me escolheu?
— Te escolhi?
— É, para me tornar uma mutante — Daniela explica. — Eu não podia fazer essa droga até hoje quando você e os caras pálidos...
— Mogadorianos — corrige Sam.
— Eu não podia mover as coisas com a mente até você e os modagorianos aparecerem — Daniela termina. — O que há, cara? Nenhuma das outras pessoas que vi por aí tinha poderes.
Sam pigarreia e levanta sua mão, mas Daniela o ignora. Ela está no meio de uma encenação agora.
— Eu sou radioativa? O que mais posso fazer? Você tem essas luzes brilhantes que acendem na sua mão. Eu vou ser capaz de fazer isso também? Por que eu? Responda a última primeiro.
— Eu... — coço a minha nuca, oprimido. — Não tenho a menor ideia porque aconteceu com você.
— Oh — Daniela franze a testa, olhando para o chão.
— John, não deveríamos ir?
Assinto quando Sam me lembra do pendente reforço mogadoriano. Já estamos aqui parados e conversando por muito tempo.
Diante de mim – bem na minha frente, no caso – está... o que, exatamente? Novos membros da Garde? Humanos. Não se parece com nada do que já contemplei. Preciso me concentrar e raciocinar sobre o novo status rapidamente, porque se houver mais humanos Gardes por aí, eles vão precisar de ajuda. E com todos os Cêpans mortos...
Bom, assim resta nós. Os lorienos.
Primeiramente, tenho que ter certeza de que Daniela vai ficar conosco. Preciso de tempo para falar com ela, para tentar descobrir o que exatamente desencadeou o seu Legado.
— Não é seguro aqui, você deveria vir conosco — eu digo a ela.
Daniela olha em volta, para a destruição que nos rodeia.
— Será seguro onde quer que você esteja indo?
— Não. Óbvio que não.
— O que John quer dizer é que esse bairro em particular vai estar cheio de mogadorianos a qualquer minuto — Sam explica.
Ele começa a se afastar do banco, tentando ser um exemplo. Daniela não o segue, então eu também não.
— Seu companheiro está nervoso — Daniela observa.
— Meu nome é Sam.
— Você é um cara nervoso, Sam — Daniela responde, com uma mão na cintura. Ela começou a me olhar novamente, dos pés à cabeça. — Se mais daqueles alienígenas aparecerem, por que você não simplesmente explode o traseiro deles?
— Eu... — eu me vejo reciclando a lógica do escolha-sua-batalha que me fez arrepiar todo quando Sam a usou comigo. — Há muito deles para continuarmos lutando. Você pode não perceber e nem sentir agora porque acabou de começar a usá-los, mas nosso Legados não têm uma fonte ilimitada. Você pode abusar, ficar cansada, e então não seremos bons para ninguém.
— Conselho bom — Daniela diz. Ela continua enraizada no lugar. — Que pena que você não pôde responder nenhuma das minhas perguntas.
— Olhe, eu não sei o motivo pelo qual você desenvolveu Legados, mas é um acontecimento incrível. Uma coisa boa. Talvez seja seu destino. Você pode nos ajudar a vencer esta guerra.
Daniela bufa.
— Sério cara? Eu não estou lutando em guerra alguma, John Smith de Marte. Estou tentando sobreviver aqui fora. Isso é a América, mano. O Exército vai cuidar do traseiro pálido desses alienígenas. Eles vão cuidar de tudo e pronto.
Balanço minha cabeça em descrença. Realmente não há tempo para explicar para Daniela tudo o que ela precisa saber sobre os mogadorianos – sobre a tecnologia superior deles, suas infiltrações no governo da Terra, sua fonte inesgotável de soldados nascidos artificialmente e monstros. Nunca tive que explicar essas coisas para os outros membros da Garde. Nós sempre soubemos disso, fomos criados entendendo nossa missão na Terra. Mas Daniela e os outros novos membros da Garde que podem estar andando desorientadamente por aí... e se eles não estiverem prontos para lutar? Ou não quiserem?
Uma explosão sacode o chão abaixo de nós. Ela emana de alguns quarteirões de distância, mas ainda assim é poderosa o suficiente para disparar o alarme dos carros e ranger meus dentes. Uma cortina fina de fumaça mais escura que o céu noturno aparece em nosso campo de visão do norte. Parece que um prédio acabou de desmoronar.
— Falando sério — Sam diz. — Alguma coisa está vindo em nossa direção.
Outra explosão, mais perto, confirma as suspeitas de Sam. Eu me viro desesperadamente para Daniela.
— Podemos ajudar uns aos outros. Temos que fazer isso, ou não sobreviveremos — eu digo, pensando não apenas em nós três, mas nos outros humanos e lorienos. — Estamos procurando nosso amigo. Assim que o encontrarmos, vamos sair de Manhattan. Ouvimos que o governo estabeleceu uma zona segura perto da Ponte do Brooklyn. Seguiremos para lá e...
Daniela acaba com meu plano, parando na minha frente. Seu tom de voz aumentou, e eu sinto sua telecinesia contra meu peito, como se fosse seu dedo indicador.
— Meu padrasto foi torrado por uma daquelas escórias pálidas e agora estou procurando pela minha mãe, garoto extraterrestre. Ela trabalhava aqui perto. Você está dizendo que eu deveria largar tudo e me juntar ao seu exército de duas pessoas, correr pela minha cidade que serviu de cenário e foi explodida? Você está dizendo que o amigo que está procurando é mais importante do que minha mãe?
Mais uma explosão. Só que ainda mais perto. Eu não tenho ideia do que dizer para Daniela. Que sim, salvar a Terra é mais importante do que salvar a mãe dela? É esse o meu discurso de recrutamento? Eu teria ouvido isso se alguém me dissesse com relação a Henri ou Sarah?
— Ah meu Deus — Sam diz, desesperado. — Podemos pelo menos concordar em correr na mesma direção?
E é então que o reforço mogadoriano chega. Não é apenas um esquadrão de Skimmers ou soldados que vieram nos matar.
É Anubis.

30 comentários:

  1. Também n . Muito chata

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  2. eu diria que tudo que ela disse é muito pertinente. quer dizer... o que você faria se estivesse na mesma situação que ela. é normal uma pessoa se preocupar mais com sua própria mãe, que lutar uma guerra sem saber porque, afinal ela é só ma uma humana comum que de repente pode mover coisas com a mente. Ela é ignorante quando o assunto são mogadorianos.

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    1. concordo com o Lucas Magalhães.

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    2. Mesmo assim ela eh muito inacessível e arrogante. Entendo a parte da mãe mas o John tá fazendo de tudo pra ajudar e ela nem liga. Uma cidade caindo extraterrestres no poder e ela que tem a capacidade de ajudar fica nesse blablabla.

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    3. Eu ficaria em panico como ela fazendo mil perguntas e enlouquecendo o jonh tbm mas no final acho que ela fará a diferença como Garde

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    4. Com certeza ela ter motivos para questionar , mas deveria ter agradecido no minimo , ou pelo menos ouvir eles que já possuem experiência no assunto.

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    5. Concordo, Lucas Magalhães, a ignorancia e o egoísmo humano é extremamente aceitável, não é?

      Ah, faça-me um favor! É por isso que a raça humana (na hiestória e na vida real, em termos diferente é óbvio) está se deteriorando... e vai continuar...

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  3. No final do quarto parágrafo essa frase: "Temos abrir caminho cuidadosamente através dos obstáculos." Provavelmente é ou devia ser "Tentamos" ou devia ser "temos que". Não sei qual delas mas deve precisar ser corrigido :* (vou voltar a ler)

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  4. Porra que mina chata, tava até legal no prólogo mas agora é um porre viu

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  5. Tomara que ela fique com o Nove... é marrenta igual a ele

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    1. Exato, acho-os parecidos demais, não acho que combinariam

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    2. Não faz sentido ela ficar com 9 só porque é uma garota marrenta, imagina só dois marrentos juntos, as coisas irião pelos arres literalmente.

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    3. Acho q depois do acontecimento do final ela vai ficar com o John.

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    4. Credo, o Nove não merece uma garota tão chata!!
      Ele é bom demais pra ela

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  6. Mano no meio de uma invasão alienígena a mina quer discutir com o cara que tá tentando salvar ela num sei se e burrice ou ecesso de lerdeza cara.

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  7. Eu tenho mt raiva desse povo que dá uma de estúpido. To falando de John e Daniela. "Opa, estamos em perigo, tem um monte de gnt vindo nos matar, mas vamos ficar aqui conversando ao invés de sair para nos esconder e continuar a conversa dps." Só faltava levarem um banquinho, sentarem e irem tomar chá...
    Mas enfim, eu sei q qq pessoa se preocuparia mais com a família, mas Daniela também está com essa pose de que alguém vai resolver seus problemas e que tudo ficará bem mesmo ela não ajudando em nada.... Não tive uma boa primeira impressão...

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    1. Ela ta mais preocupada em ter as respostas pra suas perguntas do que fugir. Eles ficaram lá pra ajudar ela e ela recompensa eles com uma conversa desnecessária e muito tempo perdido! Que menina chata! Se quer procurar a sua mãe, que vá sozinha então, não fique ai enrolando e atrasando eles!

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  8. Querida Daniela. Pq e q vc n falou logo da sua mãe no lugar de ficar fazendo pergunta criatura? Ia ter poupado um tempo precioso

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  9. É anubis... ok vlw vou ali fugir de medo e ja volto

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  10. oi?? Anúbis? já to imaginando a expressão do Setrakus Ra de ''Olha só quem eu encontrei'' Caraaaaa eu to desesperada aqui já... 😨😱😱😱

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  11. Essa Daniela é muito chata, acho que os legados foram dados para pessoas aleatórias mesmo, pq essa menina não tem nada de especial

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  12. Nossa q guria nojenta, se o John me chamasse pra ir cm ele obviamente eu iria

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  13. Eu gostei da Daniela não acho ela chata, não é como se ela fosse um leitor ou uma vidente pra saber tudo que os mogadorianos fizeram e são capazes, ela acredita no seu pais e poxa ela só quer achar a mãe dela muitas pessoas estariam fazendo o mesmo que ela.

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    1. Ok Anônimo, mas ela sabe que estão em guerra, e nesse momento todo tempo é valioso. Se ela quer procurar a mãe dela, ela que vá sozinha e rápido, não fique atrasando os outros!

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  14. Jhon smith de marte...na hora pensei em jhon carter

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  15. Nossa se eu tivesse no lugar da Daniela eu infartava de tanata emoção.

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  16. achei a Daniela impertinente,beleza! Salvar a mãe,descobrir sua "mutação". Agora por que raios não fugirem e se abrigarem e depois todas as perguntas do mundo. Rapaz! Se acontecer um apocalipse zumbi, ou invasão alien e eu ganhar legados ops! Eu colo junto com a marvel kkkkkkkkk

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Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!