14 de outubro de 2015

Capítulo sete

QUANDO ELLA FALA, UM CHOQUE PASSA POR MIM. DE REPENTE, POSSO ME MOVER novamente. Salto da mesa de operações e tento empurrar os médicos mogadorianos em torno de Ella. Minhas mãos passam por eles, como se fossem fantasmas. Eles estão congelados no espaço agora, imóveis, como se fossem a reprodução de um vídeo em minha frente. Tenho que me lembrar de que tudo isso está acontecendo em minha cabeça, ou na cabeça de Ella, ou talvez em algum lugar entre elas. Em nossos sonhos.
— Não se preocupe com eles — Ella diz. Ela se senta, passando através da máquina de fluidos atada a seu peito, e então pelos mogs enquanto ela pula da mesa para o chão. — Eu não posso nem mesmo sentir o que estão fazendo comigo.
— Ella... — eu nem sei por onde começar. Me desculpe por deixá-la ser sequestrada em Chicago, desculpe por não tê-la salvo em Nova York...
Ela me abraça, seu pequeno rosto pressionando meu peito. Ao menos isso parece real.
— Está tudo bem, John — ela fala. Sua voz é quase serena, como a de alguém que aceitou seu destino. — Não é culpa sua.
Há a Ella que estou abraçando e uma congelada no tempo, ainda presa à mesa de operações sob as máquinas mogadorianas cercada por inimigos. Não posso deixar de olhar atrás da Ella em meus braços e notar os terríveis resultados de seu aprisionamento pelos mogadorianos.
Ela parece pálida e drenada, uma faixa cinza corre por seus cabelos acobreados. Há veias pretas visíveis sob a pele dela. Um calafrio me percorre e me forço a desviar o olhar, apertando Ella um pouco mais.
O abraço acaba e Ella e olha para mim. Essa versão dela quase se parece com a que me lembro – de olhos arregalados e inocentes – porém há cansaço neles, e um tipo de sabedoria fatigada, e isso não estava ali da última vez que a vi. Não consigo imaginar pelo o que ela vem passando.
— O que eles estão fazendo com você? — pergunto, minha voz sai calma.
— Setrákus Ra chama isso de seu presente — Ella diz, seus lábios se curvam em desgosto. Ela olha sobre seu ombro, vendo a si mesma sendo uma cobaia, e abraça seu corpo. — Não estou certa sobre de onde vem o material que ele está colocando em mim. É a mesma porcaria genética que ele usa para criar os guerreiros nascidos artificialmente. É o mesmo que costumava usar para melhorar alguns humanos – você sabe sobre isso?
Eu assinto, pensando no secretário de defesa Sanderson e a resistência cancerosa que senti em seu corpo quando o curei.
— Ele está fazendo isso com você. Sua própria... — continuo hesitando em dizer essa parte em voz alta. — Sua própria carne e sangue.
Ella concorda tristemente.
— Pela segunda vez.
Me lembro de como Ella parecia durante a batalha nas Nações Unidas.
— Ele fez isso com você antes da grande aparição pública — digo, juntando as peças. — Drogou você, assim você não poderia arruinar o momento dele.
— Aquilo foi uma punição por tentar escapar com Cinco. O presente... faz com que seja difícil pra mim me focar, pelo menos quando estou acordada. Não estou certa de como, mas ele usa isso para me controlar. Isso pode estar relacionado com um dos Legados dele. Tentei descobrir tudo o que ele pode fazer, John, tentei pará-lo, mas...
Os ombros de Ella caem. Coloco minha mão gentilmente na parte de trás do pescoço dela.
— Você fez tudo o que pôde — digo a ela.
Ela bufa.
— Uh-huh.
Dou uma longa olhada na máquina a que Ella está presa, tentando memorizar os detalhes. Talvez se conseguirmos nos contatar novamente com Adam, ele possa dar uma luz sobre como exatamente funciona essa coisa.
— Ele não está controlando você agora — digo, gesticulando em direção à câmara de operações mogadoriana congelada no tempo. — Você está fazendo isso. Você continua lutando contra ele.
— Eu tenho sido capaz de esconder que sou uma telepata — Ella responde, endireitando-se um pouco. — Sempre que ele me fere, eu me escondo em minha mente. Eu pratico. Meus Legados estão ficando mais fortes. Pude sentir vocês lá em baixo de dentro da Anubis. Sou capaz de puxar você para meu, hã... meu sonho? O que quer que seja isso.
— Como em Chicago — penso a respeito, tentando entender isso. — Porém, você precisou me tocar daquela vez.
— Não mais. Acho que estou ficando mais forte.
Dou um aperto no ombro de Ella. Este deveria ser um momento de orgulho, ela se tornando quem ela realmente é, aprendendo a controlar um Legado tão poderoso enquanto tão jovem. Mas nossa situação é muito medonha para qualquer comemoração de verdade.
Olho através da área médica na direção da porta, então de volta para Ella.
— Pode me mostrar as coisas por aqui? — pergunto. — Isso é ao menos possível?
Ella me dirige um sorriso trêmulo.
— Você quer um tour?
— Poderia ser útil saber como a nave é. Para quando viermos aqui e resgatarmos você.
Ella solta uma risada desconsolada, olhando para longe de mim.
Espero que isso não tenha sido ela desistindo da esperança. A probabilidade pode parecer ruim agora, mas não vou deixá-la ser o animal de estimação de Setrákus Ra para sempre. Vou encontrar uma maneira. Antes que eu possa dizer isso, Ella assente.
— Eu posso te mostrar a nave. Estive por toda ela. Se eu tiver visto, estará aqui — Ella diz dando um tapinha em sua têmpora.
Andamos para fora da estação médica e entramos num corredor.
Todas as paredes são de metal inoxidável de um vermelho brilhante, um lugar frio e econômico. Ella me conduz através da Anubis, me mostrando o deque de observação, a sala de controle, o quartel, todos esses lugares completamente vazios. Tento associar cada detalhe na memória, assim posso desenhar um mapa quando acordar.
— Onde estão todos os mogs? — pergunto a ela.
— A maioria deles está na cidade lá em baixo. A Anubis tem apenas uma equipe fantasma agora.
— Bom saber.
Nos fundos da nave, paramos em frente a uma janela de vidro que mostra o interior de outro de laboratório. Dentro, o chão é completamente tomado por um tanque de um líquido preto e viscoso. Há duas passarelas se cruzando sobre o tanque, cada uma equipada com uma variedade de painéis de controle, equipamento de monitoramento, e como se já não fosse esquisito, canhões de uso industrial montados.
Crescendo para fora do líquido numa forma alongada que lembra vagamente um ovo, exceto por ser roxo escuro e com veias negras palpitantes.
Pressiono minha mão no vidro do laboratório e me viro para Ella.
— O que diabos é este lugar?
— Eu não sei — ela responde. — Ele não me deixa entrar aqui, mas...
Ella franze a testa e parece se esforçar um instante. Dentro do laboratório, figuras se manifestam de repente. Meia dúzia de mogs usando máscaras de gás estão nas passarelas, operando silenciosamente as máquinas. De pé entre eles está o próprio Setrákus Ra. Vê-lo ali me faz avançar contra o vidro. Tenho que resistir à tentação de atacá-lo, me lembrando de que isso não é exatamente real.
— Isso é... isso é uma memória? — pergunto a Ella.
— Algo que eu vi, sim — ela responde. — Eu acho... não sei. Isso pode ser importante.
Enquanto assistimos, Setrákus Ra tira os colares lóricos roubados do pescoço. Ele os segura em suas mãos grossas por um momento, considerando as joias de Loralite azul. Ele possui vários deles – três dos Gardes que matou na Terra e o resto provavelmente tirado de Gardes que ele capturou em um ponto ou outro. Ele parece um tanto nostálgico por um momento enquanto observa seus troféus.
Então, os joga dentro do tanque. Quatro pequenas bocas se abrem no ovo e sugam para dentro os colares, sufocando seu brilho.
— O que foi isso? — pergunto a Ella, sentindo-me enjoado, mesmo em sonho. — Quando isso aconteceu? O que ele está fazendo?
O olhar fixo de Setrákus Ra se volta de repente em nossa direção e ele grita alguma coisa. Um segundo depois, ele e o resto dos mogs desaparecem no ar rarefeito.
— Isso foi quando ele me pegou espiando — Ella explica, mordendo o lábio. — Não sei o que ele estava fazendo, John. Me desculpe. Tudo é um pouco... vago.
Continuamos andando. Eventualmente, Ella me leva até a área de lançamento. O lugar é enorme com o teto alto, preenchido com filas e linhas de Skimmers. É daqui que os esquadrões de mogs zarparam para aterrorizar Nova York.
— Eles estão sempre chegando e saindo por aqui — Ella diz, acenando em direção as grandes portas de metal no fim do hangar. — Talvez vocês sejam capazes de entrar por ali, se elas estiverem abertas. Foi por onde Cinco e eu tentamos escapar.
Faço uma nota sobre as portas do hangar. Temos apenas que pensar numa maneira de fazer com que os mogs as abram. Seria muito fácil entrar a bordo se tivéssemos alguém que pudesse voar.
— Sobre Cinco... — digo, hesitando, sem saber o quanto Ella ouviu. — Você sabe o que ele fez?
Ella morde seus lábios, olhando para o chão.
— Ele assassinou Oito.
— Mas ele também tentou ajudar você a escapar — digo, sentindo-a longe. — Ele está...?
— Você está tentando descobrir o quão mal ele é?
— Estou procurando por ele neste momento. Estou tentando entender, se quando encontrá-lo, devo matá-lo.
Ella faz uma careta e se afasta de mim, olhando um ponto do chão que está afundado. Presumo que tenha sido quando ela e Cinco tentaram escapar.
— Ele está confuso — ela diz depois de um momento. — Eu não sei... não sei o que ele irá fazer. Não confie nele, John. Mas não o mate.
Me lembro da última vez que Ella me trouxe para um desses sonhos, de volta quando começou a manifestar seus Legados que estavam fora de controle. Foi em Chicago. Naquela ocasião, ela não me trouxe para sua localização. Na verdade, estivemos presos numa visão do futuro, assistindo Setrákus Ra tomar posse em Washington num mundo em que mogadorianos venceram a guerra.
— Não sabemos o que ele faz, então? — pergunto, meus punhos se fecham como reflexo. — Você me mostrou isso. Cinco retornando para Setrákus Ra. Ele trabalha para o inimigo. Ele capturou Seis e Sam...
Me calo, não quero ir mais fundo nessa memória da qual testemunhei a execução de meus amigos. Não quero lembrar da profecia que diz que estamos condenados a perder. Ella balança a cabeça. Ela abre a boca, e de repente percebo que há alguma coisa grande que ela não está me contando.
— Esse futuro não existe mais, John — ela diz depois de uma longa pausa. — Minhas visões... não são como os pesadelos de Setrákus Ra que eu costumava contar a vocês. E não são profecias. Não estamos presos a elas, como Oito pensava. Eles são premonições. Possibilidades.
— Como sabe disso?
Ella pensa por um momento.
— Não tenho certeza. Como você sabe como criar bolas de fogo? Você apenas faz. Isso é instintivo.
Dou um passo na direção dela.
— Então aquela visão de D.C., em que todos estão mortos e você estava...?
— Eu não posso vê-la mais. Alguma coisa no presente mudou o que vai acontecer.
— Se isso é um Legado como o meu Lúmen... — meus olhos se arregalam enquanto considero as possibilidades. — Você pode controlar as visões agora? Pode olhar no futuro quando quiser?
Ella levanta as sobrancelhas, como se não estivesse certa sobre como me descrever o que vê.
— Não posso controlar, exatamente. As visões... elas não são confiáveis. Eu não sei se isso é culpa minha, porque ainda estou aprendendo ou se é porque o futuro é instável. De qualquer forma, tenho gasto muito tempo olhando nele...
Agora sei porque Ella parece tão exausta mesmo em um sonho, porque ela de repente está tão sábia mesmo com sua idade. Ela mencionou antes o quanto tempo gastou se escondendo na segurança de sua mente. Me pergunto quanto desse tempo foi gasto lutando com visões do futuro. Deve ter sido agonizante examinar todas essas possibilidades.
— Pelo o que você esteve procurando? — pergunto a ela.
Ella hesita, evitando meus olhos.
— Eu queria... eu queria ver se tinha um futuro em que eu morro.
— Ella, não — digo, minha voz falha. Cinco me contou sobre o feitiço lórico que Setrákus Ra usou em si mesmo e em Ella, um que os liga, então teremos que matá-la para alcançá-lo. — Vamos pensar num meio de quebrar o feitiço. Deve haver uma fraqueza.
Ella balança a cabeça, não acreditando em mim. Ou talvez ela já saiba que estou errado.
— Não estou me colocando antes do mundo inteiro, John. Eu queria ver um futuro em que Setrákus Ra está morto, não importa as consequências — agora ela olha diretamente, com fogo em seus olhos. — Queria ver um futuro em que alguém tenha estômago para fazer o que precisa ser feito.
Engulo em seco. Não tenho certeza se eu realmente quero saber os detalhes das visões de Ella, mas não consigo parar de me perguntar.
— O que... o que você viu?
— Muitas coisas — Ella diz, se acalmando. Ela adquire um olhar distante enquanto tenta explicar como o futuro é. — As visões começam como possibilidades embaçadas. Existem milhões delas, eu acho. Algumas delas são mais sólidas que outras – essas são as que consigo ver. As que parecem... não sei. Prováveis? Mas mesmo assim não são garantidas. Você se lembra do futuro que vimos em Chicago. Aquilo pareceu real, impossível de fugir, claro como o dia. Isso se foi completamente agora. O futuro mudou muito. E continua mudando.
Minha cabeça dói. Me sinto meio maluco ouvindo Ella. Precisamos de um Cêpan, alguém que pudesse ajudá-la a controlar esses Legados mentais antes que a deixem louca. Ao menos evitamos o futuro que testemunhei. Mas o trocamos pelo quê?
— Ella, você viu sua morte?
Ela hesita, e um nó de medo se forma em meu estômago.
— Sim — ela responde.
Ela treme eu percebo que é por prender um soluço.
Me agacho na frente dela e coloco minhas mãos em seus ombros.
— Não vai acontecer — insisto com a voz o mais firme que consigo. — Vamos mudar o futuro.
— Mas nós vencemos, John.
Ella segura minhas mãos. Lágrimas escorrem livremente por suas bochechas. Então percebo algo, o modo como ela olha para mim, o modo como ela aperta minhas mãos. Ella não está sentindo pena por si. Ela está sentindo pena por mim.
— Isso vai ferir muito você, John — ela diz, sua voz fraquejando. — Você terá que ser forte.
— Sou eu? — não acredito. — Eu sou aquele que...?
Não consigo nem mesmo terminar a pergunta. Afasto minhas mãos de Ella. Eu nunca a machucaria, nem mesmo se isso significasse terminar esta guerra.
— Tem que haver outro jeito. Use seu Legado e encontre um futuro melhor para nós.
Ella balança a cabeça.
— Você não entende...
Num piscar de olhos, Ella está mudada. Se parece com a garota presa na mesa de cirurgia, uma gosma preta rasteja por baixo de sua pele. Ela se esforça para se concentrar em mim. O hangar a nossa volta se torna enevoado e começa a se esvair.
— Ella? O que está acontecendo?
— A Anubis está se movendo para fora do alcance — ela explica, estreitando seus olhos, tentando fortalecer nossa conexão telepática. — Eu vou perder você. Rápido! Há mais uma coisa que você tem que ver!
Ella agarra minha mão e então estamos correndo na direção da entrada do hangar. Damos um passo na direção dele e...
Sujeira se esmaga debaixo dos meus pés. Raios de sol quentes batem em minha nuca, o ar pesado e úmido. É desorientador ser teletransportado de repente do ambiente estéril da Anubis para o calor da selva, o verde vívido por todos os lados, pássaros tropicas gorjeando.
Estou de pé no que parece ser uma pista de pouso feita no meio da selva. Latarias pretas e blindadas de vários Skimmers mogadorianos refletem o brilhante sol da tarde.
Meus olhos são atraídos para a pirâmide de pedra a apenas alguns metros da pista de aterrissagem, todos os equipamentos dos mogs parecem posicionados a uma distância segura da estrutura antiga. Reconheço instintivamente o templo, mesmo nunca tendo o visto antes. Talvez seja minha imaginação, mas é como se alguma coisa enterrada por séculos na arquitetura maia estivesse me chamando. Me sinto seguro aqui.
— Este é o Santuário — digo, minha voz sai calma e reverente.
— É — Ella confirma, e percebo que ela também está admirando o templo.
— Seis, Marina e Adam... — pauso, percebendo que Ella nunca encontrou nosso aliado mogadoriano. — Adam é...
— Eu sei quem ele é — Ella diz, seu tom não parece surpreso. — Nos encontraremos em breve.
— Ok, bem, eles estavam bem aqui — continuo, olhando em volta à procura de sinais de nossos amigos. — Eles provavelmente estão voltando agora. Você vai me mostrar o que eles fizeram para dar Legados aos humanos?
— Isso não é o passado ou o presente, John. Estamos no futuro. Um que posso ver bem, bem claramente.
Eu devia ter sabido, pois o sol está no céu. Me viro para encarar Ella, sentindo que ela não me trouxe aqui para me dar boas notícias.
— Por que está me mostrando isso?
— Por causa daquilo.
Ella aponta para o céu a norte do Santuário. Ali, como uma nuvem de tempestade atravessando o céu que outrora era azul e sem nuvens, está a Anubis, flutuando lentamente em direção ao templo. Minhas pernas se amolecem, reflexos para correr se escondem depois de sobreviver por pouco ao bombardeio em Nova York. Me forço a ficar e assistir a aproximação da nave de guerra.
— Quando? — pergunto a Ella. — Quando isso vai acontecer?
Antes que Ella possa responder, sua forma se contorce, se tornando novamente pálida e com as veias negras. O cenário pisca, a selva de súbito se transforma na sala de operações da Anubis e também o que parece ser o interior de um vagão de metrô – todos os três lugares existindo simultaneamente, como três fotografias transparentes uma sobreposta a outra. Por um segundo, é impossível me focar em qualquer detalhe particular, misturando tudo até o ponto que me sinto fora da realidade. Mas então Ella solta um grito, de frustração ou dor, ou talvez ambos, e a floresta e o Santuário solidificam novamente.
— Você está se distanciando — digo, assistindo círculos negros se formarem ao redor de seus olhos. — Estamos muito longe um do outro.
— Não se preocupe comigo — ela responde apressadamente. — Não importa. Aqui é para onde estamos indo agora, John. A Anubis está indo para o Santuário neste exato momento.
— Então Setrákus Ra estará lá...
— Ele chegará ao pôr do sol — Ella diz. — Ele parou em West Virginia para reunir reforços depois de deixar tantos soldados para trás em Nova York, e depois...
Ella acena na direção da Anubis. Está perto agora, a longa sombra da nave de guerra caindo sobre às pedras do Santuário.
— O que ele quer?
— Ele quer o que está lá dentro! — Ella grita. E mesmo assim, mesmo com a voz mais alta, ela começa a soar distante. — Acho que é o que ele sempre quis! Eles abriram as portas do Santuário! Ele não está mais protegido!
— O que...?
Ela me corta, agarrando meu braço.
— John, ouça! Seis, e os outros, você tem que alertá-los! Diga a eles...
As mãos de Ella me atravessam. Eu vejo tudo novamente – o Santuário e a Anubis, Ella se contorcendo na mesa de operações, o vagão do metrô escurecido – e então todas as cores se misturam, nada sólido para me segurar. Ella grita alguma coisa para mim, mas ela está muito longe. As palavras não me alcançam.
Então, escuridão.

18 comentários:

  1. Pobre ella tão pequena e com um destino tão grande.

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  2. A serie não faria sentido se outra pessoa mate Rá.

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    1. concordo cara, todos os personagens participam bastante do livro, mas o quatro é tipo o personagem principal msm

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  3. O correto seria Ella matar o avó não é..?? Já que eles estão ligados..
    Mas tipo, só acho..

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  4. Me sinto um ser humano horrível por querer que a Ella se mate, mas poxa é o mais lógico a se fazer!

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    1. Na verdade o mais logico a si fazer é Ella matar o avo pq só ela pode machuca lo sem si ferir .

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  5. "O futuro e subjetivo.. quer dizer ele sempre pode mudar.." Crepusculo ♥ ♥

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    1. Isso aeeeeee 😀😀 concordo com você Melissa Mota.

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    2. Isso aeeeeee .. concordo plenamente com vc Melissa Mota. 😀😀😀

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  6. calma gente o futuro pode mudar n é certo que ella morra

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  7. ué Luke matou chronos Cade seu God agora ?

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  8. Coitada da Ella mesmo cm tão pouco idade, da pra perceber que mesmo presa ela está sofrendo mais do q os outros

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  9. essas "previsões" são mais como dados estatisticos, Ella ta levando muito a sério. Probabilidades foram feitas para serem quebradas!!

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  10. Personagem fofa chamada Ella fazendo previsões/profecias?! Este ser humano acéfalo aqui demorou um tempo para notar a familiaridade.

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