14 de outubro de 2015

Capítulo quinze

MARINA E EU NOS FITAMOS, AMBAS CONGELADAS.
Essa é a parte ruim sobre profecias de morte entregues por chat de grupos telepáticos. Não fica claro a quem ela se destina. Ella está falando sobre mim? Marina? Nós duas? Todos aqui?
Droga, não acredito que o futuro está escrito numa pedra. Não acredito em destino. Não vamos fugir agora. Não sem antes tentar executar nosso plano. Depois de um momento de incerteza, vejo uma chama de determinação nos olhos de Marina.
— Não vou fugir — ela diz.
— Nem eu — respondo, já lamentando esses últimos segundos que gastamos paradas. — Vai! Coloque os outros em posição!
Marina corre na direção de Sarah e dos outros. Disparo na direção oposta, atravessando a pista de pouso tentando chegar à Lexa. Ela ouve minha aproximação e se vira no topo da rampa, com uma sobrancelha levantada para mim.
— Ele está adiantado — digo a ela.
— Merda.
— Voe baixo, assim eles não poderão vê-la. Eu não tenho certeza do quão perto eles estão.
PERTO!, Ella grita em meu cérebro. Recuo com a altura da voz.
— Você sabe que tenho algumas armas nessa coisa, certo? — Lexa pergunta, apontando seu dedão para a nave. — Eu posso ajudar a acabar com eles.
— Não. Esse é nosso único plano de fuga. Não podemos arriscar que a nave seja danificada.
— Você que sabe, Seis — Lexa responde. — Vou esconder essa coisa e voltar para cá.
— Não — eu digo, balançando minha cabeça. — Não volte. Não podemos arriscar perder nosso piloto também. Estacione e esconda a nave, e então espere. Se as coisas estiverem ruins aqui, quero que esteja pronta para nos tirar daqui. Talvez precisemos correr.
— Tudo certo — Lexa diz, se mantendo fria. Ela ruma para a selva ao sul, onde as pedras quebradas das construções antigas ainda estão visíveis. —Estarei a um quilômetro e meio, Seis. Em linha reta daqui. Mark tem um rádio conectado ao painel se precisar entrar em contato.
— Entendido.
— Boa sorte — Lexa responde. O que ela realmente quis dizer foi: sobreviva.
Lexa coloca a nave no ar e voa baixo o bastante para as copas das árvores encostem na nave. Assim que ela está fora de visão, olho para o horizonte – ainda sem sinal da Anubis – e então corro na direção da floresta do lado oriental do Santuário. É onde os outros estão reunidos, um bom lugar para se esconder – há uma abundância de densa folhagem e um tronco tombado que podemos usar para nos proteger. Dali, podemos ver a frente do templo e a porta lateral. É o lugar perfeito para ativar nossas armadilhas. Podemos ver também a Anubis chegando quando for a hora, o que deve estar perto agora.
— Ella? — parece estrando dizer seu nome em voz alta, mas não consigo digerir toda essa coisa de conversa-dentro-da-minha-cabeça. Gostaria de saber se Marina ainda está ligada à conversa telepática. — Que diabos? Você disse a John ao nascer do Sol!
Setrákus Ra não parou para reunir reforços. Ele está muito... animado para chegar aqui.
Bem, essas são boas notícias, pelo menos. Setrákus Ra não reabasteceu suas tropas depois de deixar Nova York. Isso significa que não teremos que lidar com tantos. Mesmo assim, estou mais do que um pouco assustada com a primeira notícia de Ella.
— O que você quis dizer antes? Quem vai morrer?
Eu... eu não sei. Foi uma visão. Não muito clara. Mas eu vi sangue. Muito sangue. E eu não valho a pena, Seis! Vocês podem sair agora, escapar e...
Percebo que Ella está escondendo alguma coisa, não está sendo totalmente honesta sobre o que sabe. John me disse que os Legados dela foram amplificados, mas essa clarividência dela não é à prova das falhas.
Não pretendo mudar nosso plano baseado na visão do futuro que ainda podemos ser capazes de mudar.
— Vamos ficar — digo firmemente, esperando que ela possa detectar a determinação em minha mente. — Vamos tirar você dessa nave. Está me ouvindo?
Sim.
— Poderíamos usar sua ajuda. Quão perto você está? O que você está vendo?
Cinco minutos, Seis. Estamos a cinco minutos.
Cinco minutos. Porcaria.
— O que ele está mandando contra nós?
Ele está indo pessoalmente. Cem guerreiros prontos. E eu estarei lá também. Não poderei ajudar você, Seis. Não posso... meu corpo não funciona mais.
Cem. Isso é muito. Podemos lidar com eles. Pelo menos se conseguirmos acertar muitos deles quando explodirmos os Skimmers.
— Deve ter alguma coisa que possamos fazer, Ella. Apenas me diga como ajudar você.
Você não pode, a voz dela retorna, triste e resignada. Não se preocupe comigo. Faça o que precisa ser feito.
Adam se junta a mim e corre na direção do limite da floresta onde os outros já estão escondidos. Em vez de ir imediatamente para nosso esconderijo, ele faz um desvio para o Skimmer que usamos para voar até aqui e pega a espada mogadoriana que pertenceu ao seu pai. A espada parece pesada presa às costas de Adam, mas ele acompanha meu ritmo.
— Quase esqueci disso — ele diz, quando me pega olhando para a espada.
— Não existe uma expressão popular sobre trazer uma faca à um tiroteio? — pergunto.
Ele dá de ombros.
— Você nunca sabe quando uma coisa grande e afiada pode ser útil.
Nós deslizamos até o lugar onde nosso grupo está abrigado, atrás de uma árvore caída. Adam se vira e observa o céu, sua boca apertada em uma linha fina, os braços cruzados. Mark está segurando o detonador para as bombas que Adam lhe mostrou como usar mais cedo. Com Mark atuando como nosso especialista em demolições, Marina está livre para focar em atirar a telecinesia nos canhões que escondemos na floresta. Sarah está de pé perto deles, com um canhão numa mão, a outra pressionada na têmpora, pálida e com a testa franzida.
— Eu não aceito isso — Marina diz quando deslizo perto dela. Percebo que ela está tendo uma conversa com Ella também.
— Aceitar o quê? — Mark pergunta, confuso.
Sarah o silencia com um “shh”. Dando outra olhada nela, percebo que Sarah também está conectada ao canal telepático de Ella. Ela sabe que a morte pode estar chegando.
— Nós vamos roubar a nave dele bem debaixo dele. Vamos resgatar você — digo essas coisas alto, com ferro em minha voz, sabendo que Ella pode me ouvir.
Me desculpem. Isso não vai acontecer, Ella diz telepaticamente.
Posso dizer pelo modo que os olhos de Marina se enchem de lágrimas que ela pode ouvir também. Sarah cobre a boca e engole em seco, olhando pra mim interrogativamente.
— Merda — digo.
— Não se atreva a desistir da esperança — Marina praticamente grita para o espaço vazio à sua frente.
— Ella? está me ouvindo?
Ella não responde. Ainda posso senti-la lá, quase como cócegas ao fundo de minha mente. Sei que ela está ouvindo. Só não está nos respondendo mais.
— Não me importo com o que ela diz ou quantos mogs teremos que lutar contra — falo para Marina agora. — Se fizermos alguma coisa hoje, será tirar Ella de perto de Setrákus Ra. Nos apossar dela e levá-la de volta a nave de Lexa.
— Concordo — Marina diz.
— Talvez isso funcione — Sarah completa, parece que o espanto deixou seu rosto, e no lugar surge uma expressão pensativa. Como Marina e eu, ela não está recuando diante da ameaça de morte. — Quero dizer, não tinha alguma coisa com o velho feitiço lórico de vocês que se quebrava quando vocês se juntassem?
— Isso — respondo. E daí?
— Então, talvez a versão bagunçada de Setrákus Ra funcione de forma contrária — Sarah explica. — Talvez seja por isso que ele leva Ella para onde quer que ele vá. Ele tem que mantê-la perto para que isso funcione.
— Faz sentido para mim — Mark fala, dando de ombros. — Não que eu seja, tipo, um especialista nessa porcaria.
Definitivamente isso é uma possibilidade que vale a pena ser testada, especialmente desde que planejamos o resgate de Ella de qualquer forma.
Viro-me para Adam. O plano era nós dois ficarmos invisíveis e entrar na Anubis enquanto os outros criavam uma distração.
— O que você acha? Ir para a nave de guerra ou Ella?
— Vocês que decidem — ele responde.
— Você talvez tenha que estar debaixo do nariz dele para chegar até Ella — Sarah aponta.
— O que quer dizer que ele pode retirar temporariamente sua invisibilidade — Marina continua.
— Droga — digo, minha mente trabalhando. — Tudo bem. Talvez possamos separá-los quando ativarmos nossas armadilhas. Se vermos uma oportunidade, vamos para Ella. Caso contrário, mantemos o plano de tomar a Anubis — aponto para o sul. — Há algumas antigas construções de pedra naquela direção. Se forem para o sul a partir de lá, é onde Lexa escondeu nossa nave. Se as coisas ficarem ruins aqui, se os mogs descobrirem suas posições, quero que vocês três vão para lá.
— E deixar vocês para trás? — Marina pergunta.
— Estaremos invisíveis, pelo menos — respondo, olhando dela para Sarah. — Apenas fiquem vivos. Isso é o importante agora.
Sarah concorda sombriamente e Marina se afasta, olhando na direção do Santuário. Mesmo depois do aviso de Ella, duvido que ela tenha qualquer intenção de recuar.
Antes que eu possa dizer mais qualquer coisa, Adam segura meu abraço e aponta na direção da pista de pouso.
— Droga! Seis, esquecemos da nossa amiga.
Olho para onde Adam aponta e vejo Phiri Dun-Ra contorcendo-se selvagemente contra a corrente. Na correria de ficar em posição, me esqueci completamente de nossa prisioneira mogadoriana. Mesmo com ela encapuzada, Phiri Dun-Ra deve ter ouvido a comoção e sabe que estamos distraídos. Ela vai enlouquecer em seu estado de aprisionamento, fazendo qualquer coisa para se soltar. Nós a amarramos a um suporte de pneus de forma bem firme, então não acho que ela vá se libertar. Mesmo assim, provavelmente não é uma boa ideia deixá-la ali quando a Anubis aparecer.
— Setrákus Ra vai perceber alguma coisa se vê-la — Adam diz, lendo minha mente.
Mark levanta seu canhão e olha na mira, o cano da arma apontado na direção de Phiri Dun-Ra.
— Querem que eu dê um jeito nela? Acho que consigo fazer o disparo.
Marina coloca a mão no canhão e faz com que ele o abaixe.
— Se quiséssemos executá-la, Mark, não acha que já não teríamos feito isso?
Adam me lança um olhar, como se talvez não fosse uma má ideia finalmente dar a Phiri Dun-Ra nossa misericórdia. Ele tem desejado matá-la o dia todo. E posso entender o porquê.
— Deveria tê-la prendido no poço — Sarah diz com pesar.
— Temos que deixá-la fora de vista — concordo.
Alcanço-a com minha telecinesia e libero Phiri Dun-Ra de sua prisão.
Isso me leva alguns segundos – com Marina atirando com os canhões escondidos, tal tarefa não é fácil a essa distância. Phiri Dun-Ra deve pensar que ela está fazendo isso sozinha. Ela tira o capuz e a mordaça, em seguida fica de pé, tropeçando, surpresa pelas cordas terem se rompido. A nascida naturalmente esfrega os pulsos por um momento, olhando ao redor, e então corre para a floresta do lado oposto ao nosso. Ela está indo na direção de onde escondemos alguns canhões dos mogs.
— Seis? — Marina pergunta, com um tom de aviso em sua voz. — Você sabe o que está fazendo?
Eu sei. Antes que Phiri Dun-Ra possa ir muito longe, uso as cordas que a prendiam e com minha telecinesia e prendo em seus pés. Ela cai feio com o rosto no chão. Então eu a arrasto em nossa direção, poeira e sujeira se elevam no ar quando ela arranha o chão, tentando escapar. Seus gritos de frustração são altos o bastante para assustar alguns pássaros nas árvores mais próximas.
— Precisamos silenciá-la — Adam fala.
— Marina, puxe-a — respondo.
Enquanto Marina assume meu lugar com sua telecinesia, foco nas nuvens vagando no céu do anoitecer. Eu não quero criar uma tempestade propriamente dita – não com a Anubis e Setrákus Ra tão perto. Felizmente, não precisei de uma. Há uma nuvem escura com carga o bastante para gerar um pequeno raio. Mando este arco em Phiri Dun-Ra, acertando-a em cheio. Acho que há uma chance disso matá-la, mas não tenho muito tempo para me preocupar com isso. A mogadoriana espasma quando a eletricidade passa por ela, então para de resistir à telecinesia de Marina. Ela não desintegra, então acho que ainda está viva.
Quando Marina arrasta Phiri Dun-Ra para a linha das árvores, Adam a agarra por baixo dos braços e a puxa o resto do caminho. Ele a empurra para de trás do tronco que estamos nos escondendo e começa a prender novamente seus pulsos e tornozelos.
— Então, vocês fazem prisioneiros agora? — Mark pergunta.
— Ela pode vir a ser útil — respondo, dando de ombros.
— Não podemos continuar arrastando-a por aí — Adam diz assim que termina de apertar os nós.
— Vamos deixá-la aqui. Ela mencionou amar selvas, certo? — digo, com um sorriso no rosto.
Temos coisas maiores para nos preocupar do que o destino de Phiri Dun-Ra.
— Não vamos azarar nossa chance de sobrevivência por fazer muitos planos - Mark diz.
Antes que qualquer um possa responder, a selva ao nosso redor se torna estranhamente calma. Estava tão acostumada com o incessante som dos pássaros que é absolutamente chocante quando ele some. Até mesmo o som dos insetos se reduz até desaparecer. Através da clareira que os mogs fizeram ao redor do Santuário, ao norte, uma revoada inteira de pássaros voa das árvores e se dispersa.
Anubis está aqui.
Estendo minhas mãos e braços.
— Segurem — digo a todos. — Vou nos manter invisíveis até estarmos prontos para atacar.
Marina segura uma de minhas mãos e Sarah a outra. Mark, com o detonador pronto, segura meu ombro. Adam é o último. Ele me dá um aceno de cabeça, provavelmente se lembrando de quando eu disse a ele como é estranho foi ficar de mãos dadas com um mogadoriano. Até que tudo isso acabe, nós dois estaremos ligados. Aceno de volta, por cima do ombro, e ele se aperta ao lado de Marina, suas mãos em meu braço. Apenas Bernie Kosar não se aproxima de mim. Em vez disso, nosso Chimæra se transforma num tucano e voa para uma árvore próxima.
É um pouco engraçado, nós cinco amontoados dessa forma. É quase como se estivéssemos posando para uma foto.
Deixo-nos invisíveis no exato momento em que a Anubis plana em nosso campo de visão. A nave de guerra é ainda maior do que imaginei. Toda ela é feita de placas de metal cinzento sobrepostas que chegam parecer uma báscula. Tem o formato daquele inseto egípcio – escaravelho – exceto pelas toneladas de armas, o maciço canhão que se projeta de frente da nave particularmente na direção dos meus olhos.
— Deus — Sarah sussurra.
— Puta merda — Mark diz, um pouco alto.
Sua mão aperta meu ombro.
Enquanto a Anubis se arrasta pesadamente para cada vez mais perto, a clareira inteira e o Santuário são tragados por sua sombra.
— Com calma agora — digo, tentando não surtar. — Fiquem quietos e por perto. Eles não podem nos ver.
A nave enorme para, e então fica pairando sobre o acampamento dos mogs. Mesmo considerando a larga faixa de floresta que os mogs desmataram, a nave de guerra ainda é tão grande que não há espaço para ela aterrissar.
Adam deve ter percebido que a Anubis pairando sobre o campo de batalha meio que ferrou com nossos planos.
— Teremos que encontrar um jeito de subir até lá.
— Se ele aterrissar alguma tropa, nós podemos acabar com eles e voar com um dos Skimmers deles até lá em cima — respondo. É exatamente a tática que John e os militares ausentes dos EUA querem usar contra as naves de guerra dos mogs, então quem melhor do que nós para sermos as cobaias?
— O que ele está fazendo? — Sarah pergunta. — Pelo que eles estão esperando?
Ella parou de transmitir telepaticamente para nós há alguns minutos, e agora me pergunto se é apenas minha imaginação que eu possa sentir sua presença ao fundo de minha mente. Se ela ainda está lá, se ela pode me ouvir, poderíamos definitivamente usar sua ajuda.
— Ella? — pergunto, me sentindo estúpida dizendo seu nome alto dessa forma. — Pode me ouvir? O que está acontecendo aí em cima?
Não obtenho resposta.
— Marina? Sarah? Ela está...?
— Nada, Seis — Sarah responde, uma voz sem corpo falando sobre outra.
— Acho que ela se foi — Marina continua.
Mas então acontece. Um sussurro ao fundo de minha mente. A voz de Ella, desamparada e sem esperança.
Vocês deveriam ter fugido.
No ar sobre nós, um zumbido começa a emanar da Anubis. É notável porque ao contrário, a nave é incrivelmente silenciosa. Começa devagar, mas aumenta rapidamente. Logo depois, meus dentes estão vibrando devido ao ruído. Eu observo o casco inferior da nave, esperando ver soldados de Setrákus Ra descendo em Skimmers, mas o céu está claro.
— Que diabos é aquilo? — pergunto, com esperança de que Adam vá me responder.
— Está... está se energizando — Adam explica.
Sua voz está trêmula e eu sinto sua mão afrouxar em meu braço, como se estivesse atordoado e se esqueceu de que precisa segurar em mim para se manter invisível.
— Energizando o quê? — pergunto.
— A arma principal — ele responde. — O canhão.
Posso vê-lo. O buraco negro do cano do canhão começa a brilhar quando a energia começa a se acumular ali. O zumbido se torna mais alto conforme o canhão é preenchido de pura energia, como os pequenos canhões mogadorianos se carregando. Em segundos, o Santuário e a floresta ao redor dele estão banhados por uma luz azulada. Sinto vontade de cobrir meus olhos, mas Marina e Sarah estão segurando minhas mãos com força.
— Isso é mau — Mark diz. — Muito mau.
— Adam? — Grito para que ele me ouça devido ao som de carregamento da arma. — Quão poderosa é aquela coisa?
Como um grupo, todos nós recuamos. Eu mal consigo saber onde cada um está para manter a invisibilidade.
— Precisamos nos mover — Adam responde, o temor sumiu de sua voz, substituído pelo terror. — Precisamos recuar!
Todos recuam, deixando apenas Phiri Dun-Ra escondida atrás do tronco caído. Marina resiste ao meu puxão. Ela não está se movendo.
— Marina! — grito. — Vamos!
— Falamos que não iríamos fugir! — ela grita de volta.
— Mas...!
O zumbido atinge uma intensidade enorme e a energia absorvida na nave é descarregada com um som ensurdecedor. Um sólido arco de eletricidade do tamanho de dez mil raios cortando o ar desce na direção do Santuário, acertando-o, as pedras antigas brilhando em um vermelho quente. O tiro do canhão atravessa o templo do topo à base, como se não fosse nada. Eu tenho apenas um momento para perceber o Santuário, ainda de pé, mas partido ao meio. Posso ver luz através da parede que antes era sólida.
Um segundo depois, a energia condensada do canhão se expande para fora em uma onda de luz ofuscante.
O Santuário explode.
— NÃO! — Marina grita.
Nós estragamos tudo. Setrákus Ra não veio até aqui para entrar no Santuário. Ele veio para destruí-lo.
Não tenho tempo para pensar no que isso significa ou no que acontece depois. Adam me puxa para trás e vamos cambaleando para a selva, no momento em que o templo começa a ruir ao nosso redor. Perco o punho de Marina e ela se torna visível novamente. A mão de Mark solta meus ombros e ele reaparece também. Apenas Sarah e Adam ainda se seguram em mim.
Marina, na verdade, corre para frente como se fosse capaz de lutar contra a nave.
— Pare! — grito. — Marina! Pare!
Mark reage rapidamente, seus reflexos de jogador ressurgindo naturalmente. Ele se joga contra ela, envolve seus braços ao redor da cintura de Marina e a derruba.
— Saia de cima de mim! — Marina grita para Mark.
Ela o empurra para longe, impressões digitais congeladas se formam em seu peito.
Então, mais alguma coisa explode. Um dos Skimmers que armamos com C-4. Deve ter sido atingido diretamente por uma parte do Santuário e disparado a bomba. Estilhaços voam ao nosso redor, pedaços de metal retorcido chiam quando rasgam as folhas das árvores.
Mark perde a respiração e tropeça. Há um pedaço irregular de vidro do painel do Skimmer sobressaindo de seu peito.
— Mark! — Sarah grita, se soltando de mim e correndo na direção dele.
Marina vê o ferimento de Mark e suspira. Ela se volta para o Santuário e cai de joelhos ao lado dele, arrancando o pedaço de vidro e imediatamente começando a curá-lo.
Ramos de árvores se quebram acima da minha cabeça e eu olho para cima a tempo de ver um pedaço do tamanho de um taco de baseball de calcário cair em minha direção. Em reflexo, uso minha telecinesia para pegá-lo e jogá-lo para o lado.
Não consigo parar o próximo.
Me acerta no topo da cabeça. Antes de eu perceber o que aconteceu, alguma coisa pegajosa e quente cobre um lado do meu rosto. Adam me segura em seus braços enquanto caio de joelhos. Estamos ambos visíveis agora. Devo ter perdido minha concentração. Tento por força em minhas pernas, para focar na minha invisibilidade, mas não consigo fazer nenhuma das duas coisas. Minha cabeça gira e eu sinto gosto de sangue.
— Me ajuda! — Adam grita para Marina. — Seis está ferida!
Tento me manter consciente, mas é difícil. O mundo está ficando escuro, como se tudo o que tivéssemos lutado se acabasse em chamas.
Ella nos avisou de que poderia haver morte. Me sentindo quase desconectada do meu corpo, eu me pergunto se é a hora.
Enquanto perco a consciência, ouço a voz de Ella em minha cabeça.
Me desculpem, ela diz.

21 comentários:

  1. Eles foram muito burros. Não deram ouvidos a alguem que podia ver o futuro! BEM FEITO!

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    1. Como disse 6 o futuro que Ella ver não está definido são possibilidades.

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    2. É uma ótima história. O Lance de Legados e tudo mais é muito bom. Todavia é uma pena que seja desperdiçada com personagens tão imaturos. ELES PODEM ESTAR FAZENDO QUALQUER COISA - MENOS LUTANDO 》GUERRA. É SÉRIO MSM QUE O AUTOR FICOU UNS TRÊS CAPITULOS FALANDO ( E CAVANDO ) UM BURACO?
      O autor tinha toda uma história pra desenvolver e acabou em uma infantilidade absurda. Não cabe aqui nem falar de cada personagem... Enquanto a Terra estava sendo invadida o Nove estava em sua briga com o Cinco.

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  2. Sério, custava nada ela dizer " ele vai atirar, ele não vai descer" affeee

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    1. As previsões futuristicas de ella são possibilidades que ela nao enxerga por completo. Ou seja, ela vê parte do que pode acontecer se você realizar uma certa ação.


      Ezequiel

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  3. que merda foi essa ???????
    um buraco ???
    acho que eles ñ tinham entendido ainda o qual maldita anubis era poderosa.
    anubis 2 garde 0

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  4. Respostas
    1. Foi a Ella... "me desculpem" pelo o que vai acontecer, por não ter conseguido avisar, por ter sido levada por Setrákus... por tudo o que ela acha que é culpada

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  5. Eu não entendi!! A 6 realmente morreu?!?!

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    1. Descobriremos nos próximos capítulos! :o

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  6. Sinto um ódio enorme em ler certas coisas, tipo a Marina sendo extremamente idiota em correr pro Santuário ou eles quererem combater uma nave de guerra sozinhos. Sinceramente o autor ridiculariza o leitor com uma situação dessa, ninguém em sã consciencia faria isso, é decepcionante ver uma historia tão boa com personagens tão imaturos em relação a magnitude dos fatos

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  7. Acho que nem a palavra aflição consegue me definir agoraaa, pq a ella não avisou? Sacanagen to brava hahahaha

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  8. Marina = Sensacionalismo barato, que compromete a equipe..

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  9. Se a Seis morreu, eu parei aqui!
    Muita raiva desse autor. ' ¿ '
    ~

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  10. Peraí que eu pensei em algo que não tem absolutamente nada a ver com o capítulo, e prefiro me focar nisso do que nas mortes. Henri disse que os deuses egípcios eram lorienos ou filhos deles, não lembro. Anubis é o nome da nave mogadoriana em forma de escaravelho. Se ambas as raças visitam a Terra a tanto tempo, tenho a nauseante sensação de que nessa versão, os deuses egípcios descendem dos mogs. Isso é meio tristes para quem se acostumou a pensar em Anúbis na versão de Sadie Kane e amar gatos como Bastet. Todo trabalho pra cavar o buraco e o Feioso Ra trolou eles, nem sabe brincar, afs!!

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  11. Marina 😈 menina mais burra.. To ficando com raiva dela já. Idiota!!

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  12. Karina, eu amo este blog e os livros que tu postas!! Muito obrigada por criares este blog, salvaste a minha via!!

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    1. Obrgada, Márcia! Espero que leia muitos mais livror por aqui, e se divirta bastante!

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