14 de outubro de 2015

Capítulo onze

ALGUNS MINUTOS DEPOIS DE A AGENTE WALKER ME DIZER QUE TENHO QUARENTA E oito horas para vencer uma guerra, uma dupla de soldados vestidos em uma armadura completa e um cidadão de meia idade estão carregando um tablet chegam à sua barraca. Eles querem entregar algum tipo de mensagem importante relacionada à gravação que o cidadão fez em seu aparelho durante a manhã. Eu não estou prestando muita atenção – meus ouvidos estão zunindo, coração batendo forte. Posso sentir que os recém-chegados estão me olhando, como se eu fosse um híbrido de celebridade e um unicórnio. Isso não ajuda no meu pressentimento de que as paredes da barraca estão se fechando lentamente.
Acho que talvez eu possa estar sob um ataque de pânico.
A Agente Walker dá uma olhada em mim e levanta sua mão, impedindo que os soldados falem qualquer coisa.
— Vamos dar uma volta, cavalheiros — ela diz. — Preciso de ar fresco.
Walker leva os três homens para fora de sua barraca e os segue, parando na saída. Ela olha para mim, fazendo uma careta como se estivesse com dor. Sei que ela provavelmente quer dizer alguma coisa confortante ou encorajadora, e também sei que a Agente Walker simplesmente não faz esse tipo.
— Tire alguns minutos — ela diz gentilmente, e essa provavelmente é a maior empatia que vi por parte dela.
— Eu estou bem — digo bruscamente, embora eu não me sinta bem.
Na maior parte. Estou enraizado no mesmo lugar e lutando para manter minha respiração estável.
— Claro, eu sei disso — ela concorda. — Apenas... eu não sei, você passou por momentos difíceis nas últimas vinte e quatro horas. Tome um ar fresco. Estarei de volta dentro de alguns minutos.
Assim que ela sai, eu imediatamente desmorono na cadeira em frente ao notebook. Eu não deveria estar descansando. Há muita coisa para ser feita. Embora meu corpo não esteja cooperando. Essa sensação não é como a exaustão pela qual eu estava passando ontem – é algo diferente.
Minhas mãos tremem, e posso ouvir meus batimentos cardíacos em meu peito. Eles me lembram do barulho das explosões que ocorreram ontem – dos gritos, dos mortos. Correndo pela minha vida, passando por corpos de pessoas que não fui bom o suficiente para salvar. E ainda há mais para vir.
A menos que eu possa fazer o impossível. Sinto como se eu fosse vomitar. Preciso de algo para focar, alguma coisa para me tirar desse pavor, então ligo o notebook de Walker. Eu sei o que estou esperando encontrar, o que preciso ouvir. Junto com o vídeo que ela me mostrou da ameaça de Setrákus Ra, Walker tem alguns outros arquivos abertos em seu computador. Eu não estou tão surpreso pelo fato de encontrar o vídeo que eu quero lá, já aberto.
LUTE PELA TERRA – APOIE OS LORIENOS.
Aumento o volume e clico no botão “reproduzir”.
Esse é o nosso planeta, porém não estamos sozinhos”.
Daniela estava certa: Sarah realmente parece tentar parecer mais velha e mais profissional do que ela realmente é, como uma âncora ou uma jornalista. Isso me faz sorrir, de qualquer forma. Fecho os olhos e escuto a voz dela. Eu não preciso necessariamente compreender as palavras – embora seja definitivamente bom ouvir a voz de sua namorada descrevendo você como um herói para a raça humana.
Ouvir a voz de Sarah começa a tranquilizar meus nervos, mas também cria um sentimento que estive muito preocupado em sentir durante os últimos dias. Eu imagino nós, de volta a Paradise, inocentes, ficando juntos no meu quarto enquanto Henri fazia compras...
Não tenho certeza de quantas vezes assisti o vídeo antes de Sam entrar na barraca de Walker. Ele pigarreia para chamar minha atenção e segura um celular via satélite em cada mão.
— Missão cumprida — ele diz. Ele inclina sua cabeça para ver a tela do notebook. — O que você está assistindo?
— O... hum... o vídeo que a Sarah fez — respondo, me sentindo envergonhado.
Claro, Sam não sabe que acabei de ver uma dúzia de vezes, que estou ouvindo a voz da minha namorada para tentar sair desse estado emocional. Levanto rapidamente e tento parecer tão firme quanto sou descrito no vídeo.
— É incrível? — Sam pergunta, se aproximando. Ele deixa um dos telefones na mesa, perto de mim.
— É... — eu paro, não tendo certeza sobre o que dizer do vídeo. — É bem sentimental, na verdade. Mas, agora, é uma das melhores coisas do mundo também.
Sam assente e dá um tapinha no meu ombro, entendendo.
— Por que você não liga para ela?
— Sarah?
— É. Eu vou ligar para Seis e ver como está a Equipe do Santuário — ele diz, parecendo ansioso. — Descobrir onde eles estão. Talvez eles nem tenham conseguido voltar para Ashwood Estates. Vou atualizá-los sobre o que está acontecendo conosco e iremos combinar um local de encontro. Eu provavelmente deveria ligar para meu pai também. Deixar ele saber que estou vivo.
Percebo que Sam está olhando para mim da mesma maneira que Walker, como se eu de repente estivesse frágil. Assinto e começo a andar, mas Sam põe a mão em meu ombro.
— Sério, cara — ele diz. — Ligue para sua namorada. Ela deve estar morrendo de preocupação.
Deixo Sam me colocar de volta na cadeira.
— Tudo bem. Mas se qualquer coisa aconteceu com Seis e os outros, ou se você não conseguir falar com eles...
— Você será o primeiro a saber — Sam diz enquanto ele segue para a saída. — Eu vou deixar você a sós antes da próxima crise.
Assim que Sam se foi, coloco minhas mãos sobre meus cabelos e as deixo lá, apertando minha cabeça, como se estivesse literalmente tentando juntar as coisas. Depois de um momento de recomposição, alcanço o celular que Sam me trouxe e digito o número que memorizei.
Sarah atende no terceiro toque, sem fôlego e cheia de esperanças.
— John?
— Você não tem ideia do quanto eu precisava ouvir sua voz — eu respondo, olhando para o notebook da Walker e finalmente fechando-o.
Aperto o telefone na minha orelha, fecho meus olhos e imagino Sarah sentada ao meu lado.
— Eu estava tão preocupada, John. Eu vi – nós vimos o que aconteceu em Nova York.
Mordo a parte interna da minha bochecha. A imagem de Sarah que estava em minha mente é substituída por um dos prédios se desmoronando em razão do bombeamento causado pela Anubis.
— Foi... eu não sei o que dizer sobre isso — eu digo. — Eu me sinto com sorte por ter escapado.
Não menciono a culpa que estou sentido, ou como foi difícil para mim continuar. Eu não quero que Sarah saiba isso. Eu quero ser o herói que ela descreveu no vídeo.
Sarah não diz nada por alguns segundos, mas posso ouvi-la respirando, instável e devagar, como se estivesse tentando impedir que as emoções explodam. Quando ela finalmente fala, sua voz é baixa, num sussurro desesperado, vindo de muito longe.
— Foi horrível, John. Todas aquelas pobres pessoas. Eles estão morrendo, o mundo está basicamente acabando, e tudo... tudo em que eu conseguia pensar era no que poderia ter acontecido com você, o motivo pelo qual você não entrava em contato. Eu não – eu não tenho um feitiço no meu tornozelo para me manter atualizada. Eu não sabia se...
Percebo que Sarah está aliviada por ouvir minha voz daquele jeito, aquela forma de quando você está a noites sem dormir por estar preocupado com alguém. Eu me lembro de como me senti quando os mogadorianos a tinham pego, como foi sentir que uma parte de mim estava faltando. Eu também me lembro do quão simples as coisas eram até então – evitar os mogs, salvar Sarah, quando não havia milhões de vidas pesando na balança. É louco pensar que eu considerava aquilo como uma crise.
— Meu telefone foi destruído, por isso não entrei em contato antes. Nós conseguimos chegar ao Brooklyn, onde o exército se estabilizou. Estou bem — eu reasseguro ela, sabendo que de certa forma estou tentando me convencer disso também.
— Eu me senti como um fantasma nesses últimos dias — Sarah sussurra. — Mark e eu, nós passamos muito tempo na Internet, trabalhando em projetos para ajudar, você sabe, conseguir seguidores. E nós finalmente conhecemos GUARD em carne e osso, o que – meu Deus John, tenho tanta coisa para contar. Mas primeiro preciso que você saiba que durante todo esse tempo, sinto como se eu apenas estivesse agindo com emoções. Como se eu estivesse fora do meu corpo. Porque tudo em que pude pensar era em você acabar explodido junto com essas pessoas em Nova York.
Eu deveria perguntar a Sarah sobre a identidade do misterioso hacker com quem ela e Mark estiveram trabalhando. Eu deveria saber os detalhes do que ela e Mark estiveram fazendo. Eu sei que deveria. Com exceção desse momento, onde tudo o que quero pensar é em como senti sua falta.
— Eu sei que parte do motivo pelo qual você foi se encontrar com Mark era porque você não queria ser uma distração — eu digo, tentando parecer mais sério do que desesperado. — Não ser capaz de falar com você, de vê-la, de te tocar – isso talvez tenha sido a maior distração, no final das contas. Você tem ajudado tanto, mas...
— Eu também sinto sua falta — Sarah responde, e posso dizer que quando ela fala, ela tenta encontrar um motivo, ser sorte como foi quando eu a deixei na rodoviária de Baltimore. — Nós fizemos a escolha certa, John. É melhor assim.
— Foi uma escolha estúpida — respondo.
— John...
— Eu não sei porque deixei você me convencer a isso — continuo. — Nós nunca devíamos ter nos separado. Depois de tudo o que aconteceu em Nova York, tudo o que tive que ver...
Eu fico sem fôlego por um momento enquanto me lembro das explosões, da destruição, dos feridos e dos mortos. Percebo que estou tremendo novamente, e definitivamente não é de cansaço. Sinto como se eu tivesse atingido meu limite, como se tivesse mais brutalidade em meu cérebro do que ele pode suportar. Tento focar em Sarah e em conseguir falar, tentando não parecer desesperado.
— Eu preciso de você do meu lado, Sarah — consigo terminar. — Sinto que estas são as últimas batalhas que teremos que enfrentar até o fim de nossas vidas. Depois de Nova York, eu... eu vi o quão rapidamente a vida pode nos ser tirada. Eu não quero que estejamos separados se algo acontecer, se esse for o fim.
Sarah expira fundo. Quando ela fala, sua voz é firme.
— Esse não é o fim, John.
Percebo como eu devo ter parecido para ela. Fraco e com medo, não como o super-herói alienígena que ela descreveu no vídeo. Estou envergonhado pela forma como agi. Sozinho pela primeira vez desde Nova York, sem conflitos constantes para me distrair, com as coisas finalmente calmas para que eu possa pensar – o resultado sou eu desmoronando ao telefone com minha namorada. Estivemos em más situações antes, lutamos algumas batalhas brutais e vimos amigos morrerem. Mas, até agora, eu nunca me senti sem esperança.
Quando fico em silêncio por alguns minutos, Sarah continua, sua voz num tom gentil.
— Eu não posso imaginar o que foi para você estar em Nova York durante... aquilo. Eu não posso imaginar pelo o que você está passando...
— Foi minha culpa o que aconteceu — eu digo a ela em voz baixa, olhando para saída da barraca caso alguém lá fora possa ouvir. — Eu poderia ter matado Setrákus Ra nas Nações Unidas. Tive tempo para me preparar para essa invasão. E eu falhei.
— Ah, John. Você não pode se culpar pelo que ocorreu em Nova York — Sarah responde, com um tom de voz insistente. — Você não é responsável pelos assassinatos brutais daquele alienígena psicopata, tá bom? Você estava tentando impedi-lo.
— Mas não impedi.
— É, mas nenhuma outra pessoa o impediu também. Então ou todos nós somos culpados, ou talvez a culpa seja do mogadoriano cruel e podemos deixar assim. Se culpar não vai trazer ninguém de volta, John. Mas você pode vingá-los. Você pode impedir Setrákus Ra de repetir o que ele fez.
Eu rio amargamente.
— É isso. Eu não sei como impedi-lo.
— Encontraremos algum jeito — Sarah responde, e ela certamente quase me convence. — Vamos fazer isso juntos. Todos nós.
Esfrego as mãos em meu rosto, tentando me estabilizar.
Sarah está me dizendo exatamente o que eu precisava ouvir. Como sempre, eu sei que ela está certa, pelo menos logicamente. Mas isso não retira a culpa que sinto em minhas entranhas, ou talvez faz o futuro parecer menos sobrecarregado.
— Eles olham para mim como se eu fosse um herói — eu digo, zombando. — Ando por este acampamento de soldados, de sobreviventes, e todos me olham como se eu fosse algum tipo de super-homem. Eles não sabem...
— Acho que o vídeo realmente funcionou — Sarah diz, tentando melhorar meu humor. — Eles olham para você dessa forma porque você é um herói, John.
Balanço minha cabeça.
— Eles não sabem que não tenho ideia do que estou fazendo. Eu não sei como lutar numa batalha nessa escala. Nove está desaparecido. Ella foi raptada e está basicamente sendo torturada, e não sei porque Seis e os outros estão demorando tanto para voltar do Santuário, mas quando eles voltarem, talvez teremos que regressar para lá de qualquer jeito, porque é para lá que Setrákus Ra está indo. Enquanto isso, há vinte e cinco naves sobre vinte e cinco cidades diferentes. Eu não sei como lidar com isso, Sarah.
— Bem — Sarah responde, sua voz calma, como se eu não tivesse acabado de jogar uma pilha de problemas sobre ela. — É uma boa coisa você ter amigos. Agora vamos tratar uma coisa de cada vez. Deixe-me lhe contar sobre GUARD.

28 comentários:

  1. Que capítulo meloso ��

    ResponderExcluir
  2. PODIA SER MELHOR!!
    Realmente muito meloso e chato quase durmir com esse capitulo!!!


    ResponderExcluir
  3. Ohh vei todo mundo precisa de apoio, e amor e o sentimento mais forte que existe que nos faz seguir em frente das coisas da vida. E foi meio meloso mas não é tão ruim assim

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acho importante ter esse capitulo, Quatro esta esgotado e todos sabemos que a melhor coisa para nos colocar para cima é ouvir a voz de alguém amado. Shippo Quatro e Sarah. Mesmo muito meloso é um relacionamento sincero, mutuo, só vai fazer bem a ele, e consequentemente a toda a garde.

      Excluir
  4. Só eu que acho esse casal o mais chato da série? Tipo, ela não tem culpa nenhuma, mas ele ferra todo mundo por causa disso. Cara, eles já foram capturados nos outros livros porque ele só pensa nela. Isso pode ser romântico e tals mas também ultrapassa os limites da idiotice.

    ResponderExcluir
  5. Só eu que acho esse casal o mais chato da série? Tipo, ela não tem culpa nenhuma, mas ele ferra todo mundo por causa disso. Cara, eles já foram capturados nos outros livros porque ele só pensa nela. Isso pode ser romântico e tals mas também ultrapassa os limites da idiotice.

    ResponderExcluir
  6. Não menciono a culpa que estou sentido, ou como foi difícil "para mim continuar."
    Não seria "para eu continuar"?
    Amando o livro...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não, aqui seria "mim" mesmo, pq esse termo seria o objeto da frase, não o sujeito. Tipo "Não menciono a culpa que estou sentido, ou como continuar foi difícil para mim." Acho que está certo :P

      Excluir
    2. Tá errado porque "mim" não pode conjugar verbo nunca. Se fosse da forma como a Karina comentou aí sim estaria certo. Mas não importa porque deu pra entender... Próximo capitulo!

      Excluir
    3. Então, foi o que eu disse... o mim é objeto, não sujeito, ele não está conjugando verbo. É apenas um caso de inversão na frase

      Excluir
    4. Puxa q aula de português !!!!

      Excluir
    5. ISTO MESMO KA............. ENSINE O PORTUGUES CORRETO ................KKKKKKKKKKKKKKKKK

      Excluir
  7. Pela Mord kkkkk Esse negocio de objeto do sujeito,do substatinvo.. Me dei mal na prova pq nunca aprendi isso kkkk

    ResponderExcluir
  8. Gostei desse capítulo, apesar de ser um capitulo lento e sem ação, mostra que nosso herói também passa por dificuldades, que nem sempre o cara vai aguentar tudo, isso aprofunda a presonalidade, nos aproxima dele, e ajuda a incrementar a história

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Concordo com você vaanks... As pessoas esquecem que nem sempre é só vitória e estamos 100 % bem. Toda vitória tem luta e dificuldades, senão seria muito fácil rs.

      Excluir
  9. Eu prefiro que a Sarah morra, dês q descobri a existência da Seis, desejo a morte de Sarah. #SeiseQuatroEver

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Você tem certeza que leu os todos os livros da coleção

      Excluir
  10. Voce tem certeza que leu os outros livros

    ResponderExcluir
  11. Nossa, pq o autor insiste nesse casal chato? Sério, Sarah e Quatro é muito sem-emoção...O Oito e a Mariana que eram mais legais ele destruiu:( palhaçada..#aindanãosupereiamortedoOito

    ResponderExcluir
  12. — Sarah responde, e posso dizer que quando ela fala, ela tenta encontrar um motivo, ser ""sorte"" como foi

    Acho que seria "Forte"

    ResponderExcluir
  13. Affê, coisa mais chata o John é um guerreiro lorieno, ja a Sarah é uma simples terraquea, ela é muito sem graça pra ele, o John precisa de alguem forte como ele #SóAcho

    ResponderExcluir
  14. Uma das coisas que eu admiro muito nessa série e que é tudo muito real mesmo sendo fictício. Ex: a vida é cheia de detalhes, dias e bondas, altos e baixos e principalmente todos tem uma história, não é só herói, bilhão e vítima. São pessoas.

    ResponderExcluir
  15. John e Sarah <3 amo esse casal <3

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!