14 de outubro de 2015

Capítulo oito

ACORDO COM AS COSTAS DURAS ESTALANDO NO BANCO DE PLÁSTICO, MINHAS pernas balançando na extremidade. Sei que estou de volta ao meu corpo, não mais no mundo dos sonhos de Ella por causa das intensas dores que passam por todos os meus músculos. Estou deitado de lado, encarando as costas de bancos amarelos e laranjas do metrô. Eu nunca estive em um desses vagões, mas vi filmes e programas de TV o bastante para reconhecê-los imediatamente. Na parede acima de minha cabeça há um pôster dizendo: “SE VOCÊ VIR ALGUMA COISA, DIGA ALGUMA COISA”.
Com um gemido, me apoio em um cotovelo. Sam está deitado a dois bancos de mim com a cabeça apoiada na janela, roncando baixo. Do lado de fora da janela, posso ver apenas a escuridão. Esse trem está parado em algum lugar do subterrâneo, dentro de um túnel. Os passageiros devem ter abandonado mais cedo durante o ataque. O vagão está morto, parado e sem energia, os painéis que controlam as luzes completamente escuros.
E ainda assim, há luz vindo de algum lugar.
Me sento e olho ao redor, e imediatamente percebo celulares espalhados pelo corredor do vagão. Com os aplicativos de iluminação ligados, os telefones funcionam como velas carregadas por bateria. No banco à minha frente, acordada e observando, Daniela está sentada.
Seus pés estão apoiados na bolsa que ela trouxe do banco, então presumo que esteja cheia de dinheiro roubado.
— Você está vivo — ela diz, mantendo sua voz baixa para não acordar Sam.
Faço o mesmo, ainda que com seu ronco ele poderia passar por outro bombardeio da Anubis sem acordar.
— Por quanto tempo eu dormi? — pergunto.
— Já é de manhã de acordo com os celulares — Daniela responde. — Umas seis horas, acho.
Já é de manhã. Balanço a cabeça. Uma noite inteira perdida. Não pudemos encontrar Nove e Cinco, e quem sabe por qual parte de Nova York eles andaram lutando até agora. Para tornar as coisas piores, eu sei para onde Setrákus Ra e a Anubis estão indo – diretamente para a última localização conhecida do resto da Garde. Por causa da perda de contato com Ella no último instante, não tenho certeza do que fazer com a informação, mesmo se eu conseguisse contato com Seis e os outros.
Eles deveriam estar se preparando para voltar para o Santuário? Ou Ella queria que eu os mantivesse o mais longe possível?
Preciso me mover, fazer algo produtivo. Mas meu corpo ainda não está cem por cento e Sam está apagado.
— Ainda estamos no metrô? — pergunto a Daniela, já sabendo a resposta, mas querendo ter controle sobre a situação antes de fazer qualquer decisão.
— Sim. Obviamente. Nós arrastamos você até aqui quando desmaiou.
— Quando desmaiei — repito com uma careta. — Desmaiei de cansaço.
— Não foi só você. De qualquer forma, estávamos todos exaustos depois daquele túnel — Daniela continua, talvez sentindo meu aborrecimento. — Eu caí no sono logo que chegamos aqui.
Daniela dá uma olhadela em Sam, um sorriso abatido em seu rosto.
— Seu amigo Sam ia ficar de guarda, mas acho que não deu muito certo. Não foi um bom negócio. Não quando ninguém está procurando por nós aqui em baixo.
— Ainda não, pelo menos — respondo, pensando nos mogadorianos na superfície e desejando saber como a ocupação de Nova York está progredindo.
Um dos telefones pisca. Daniela se agacha sobre ele, apertando alguns botões, mas a bateria acaba.
— Pessoas dormiram na frente da loja por essas coisas — ela diz, segurando o celular descarregado para que eu o inspecione. — Mas tudo foi por água abaixo, no final das contas... várias pessoas largam tudo e correm. O que isso faz você pensar da humanidade, menino alienígena?
— Que elas têm melhores prioridades — respondo, dando novamente uma olhada para a bolsa cheia de dinheiro.
— Pois é. Eu acho — Daniela diz, então arremessa o celular para a extremidade oposta do vagão, onde ele bate no chão e quebra em vários pedaços. Mesmo com o som do celular sendo despedaçado, Sam continua dormindo. — Isso é surpreendentemente bom — Daniela me diz, sorrindo em minha direção. — Você deveria tentar.
— Onde conseguiu todos esses telefones? — pergunto a Daniela, observando-a de perto enquanto ela se senta.
Eu ainda não sei o que fazer com ela. Ela é uma humana com Legados, nós nem ao menos temos uma palavra para descrevê-la. Mas ela parece pensar que toda a situação é apenas uma grande piada. Não posso dizer se ela está desequilibrada como Cinco ou se escondendo atrás de um massivo mecanismo de defesa. Ela mencionou antes que os mogs mataram seu padrasto e que sua mãe está desaparecida. Eu sei como é isso – perder pessoas, não saber o que está havendo com quem amamos.
Eu poderia dizer isso a ela, exceto que não acho que Daniela seja do tipo que se abre facilmente. Gostaria que Seis estivesse aqui. Tenho a sensação de que elas se dariam bem.
— Eu acordei primeiro — ela diz, gesticulando para o trem. — Passei por todos os vagões. As pessoas largaram um monte de porcaria para trás.
— De volta ao banco, alguém por acaso retirou todo o dinheiro que ficou para trás também? — pergunto, apontando com meu queixo para a bolsa.
— Oh, sim, isso — Daniela diz, olhando para o lado com se fingindo culpada, mas sendo incapaz de manter o sorriso no rosto. — Estava me perguntando se você tinha notado.
— Eu notei.
— A coisa é mais pesada do que você pensa — ela diz, cutucando a bolsa com o tênis.
Esfrego a mão no rosto, tentando entender como eu deveria abordar isso. Não é como se eu nunca tivesse roubado antes. Sempre fiz isso em caso de necessidade, mas nunca fiz isso justo no meio de uma invasão em escala total.
— Estranho você ter tempo de roubar um banco enquanto deveria estar procurando sua mãe.
— Primeiro de tudo, eu não roubei isso. Quero dizer, tecnicamente não. Havia uns caras se escondendo dos mogs no banco. Eles estavam roubando. Acabei dando cobertura lá. Eles explodiram, e então vocês apareceram. Pensei, para que desperdiçar uma bela bolsa com esta?
Eu a censuro, balançando a cabeça. Não faço ideia se o que Daniela está me contando é verdade. Não estou certo se sequer importa como ela conseguiu o dinheiro. Estou mais preocupado em descobrir se esta nova Garde é alguém que podemos confiar. Alguém que pode nos apoiar.
— Segundo — ela continua, inclinando-se em minha direção — minha mãe iria ficar irritada se descobrisse que desperdicei uma oportunidade como essa.
Ela tenta manter sua voz calma, mas um tremor a abala quando ela menciona a mãe. Talvez essa atitude seja apenas fachada, uma maneira de lidar com o fato de seu mundo ter virado de cabeça para baixo nas últimas vinte quatro horas. Eu entendo isso. Minha expressão deve parecer compreensiva, penso, ou talvez ela apenas percebeu sua voz falhando, porque Daniela aumenta a voz, mais efervescente do que antes. Me ocorre que da mesma forma que estou tentando entendê-la, ela está tentando me entender.
— Terceiro, eu não assinei nada para ganhar esses superpoderes que você nem sabe porque eu tenho. E tenho a maldita certeza de que não me alistei para lutar na sua guerra alienígena. Nem minha família.
— Você acha que tem uma folha de alistamento passando por aí? — pergunto rispidamente, tentando e falhando em evitar que meu temperamento se inflame. — Ninguém pediu por isso. Os lorienos, meu povo, nós não pedimos para que os mogs destruíssem nosso planeta natal. Isso aconteceu de qualquer forma.
Daniela levanta suas mãos defensivamente.
— Tudo bem, então você sabe como é isso. Tudo o que estou dizendo é que você não deveria estar julgando como escolho usufruir da minha invasão alienígena. Droga, é uma loucura.
— Eu era muito jovem para revidar quando atacaram Lorien — digo a ela. — Mas você...
— Ah droga, lá vem. O discurso de recrutamento — Daniela começa a fazer uma interpretação, sua voz se torna aguda de repente, suas palavras anunciadas teatralmente. — Olhe pela sua janela — ela recita. — Os mogadorianos estão aqui. A Garde vai combatê-los. Você vai lutar pela Terra?
Balanço minha cabeça, confuso.
— O que é isso?
— É do seu vídeo, cara. Toda aquela coisa de apoio à Garde. Eles passaram isso nas notícias.
Balanço a cabeça.
— Eu nem sei sobre o que você está falando.
Daniela estuda meu rosto por um momento, e finalmente parece satisfeita com minha perplexidade.
— Huh. Realmente não. Acho que você provavelmente não andou vendo muita TV. Eu? Eu estava assistindo quando as primeiras naves começaram a aparecer. É como se de repente estivéssemos vivenciando todos aqueles filmes de invasões alienígenas. Foi bem legal até que, bem...
Daniela balança a mão, abrangendo não apenas nossa situação, de nos esconder no subterrâneo, mas a destruição na cidade inteira quem ambos presenciamos. Percebo que suas mãos tremem um pouco. Ela rapidamente disfarça isso, dobrando seus braços com força sobre o peito.
— Sam e eu ajudamos um grupo de pessoas a sair de Manhattan ontem — digo a ela. — Me perguntei como muitos deles sabiam meu nome, mas estava caótico demais para descobrir. Isso estava nas notícias? Eles me mostraram lutando nas Nações Unidas?
Daniela confirma.
— Eles mostraram um pouco disso. Exceto quando um cara parecendo o George Clooney deformado se transformou em um monstro alienígena, aí as pessoas realmente começaram a surtar e todas as câmeras a tremer. Você estava bombando nas notícias antes disso.
Inclino minha cabeça, sem entender nada.
— O que você quer dizer?
— Tinha aquilo, tipo, um vídeo no YouTube. Foi postado num estúpido site de conspiração primeiro...
— Espere... por acaso era Eles Estão Entre Nós?
Daniela dá de ombros.
Nerds Estão Entre Nós, eu não tenho certeza. Começava com uma imagem da Terra que eles com certeza tiraram do Google e uma garota narrando tipo: “Este é o nosso planeta, mas não estamos sozinhos na galáxia, blá-blá-blá”. Ela estava tentando fazer parecer como todos aqueles documentários profissionais sobre a natureza ou alguma coisa assim, mas posso dizer que ela é da nossa idade. Por que você está fazendo essa cara estúpida?
Enquanto Daniela falava, não pude evitar que um sorriso idiota surgisse em meu rosto.
Tentei manter minha expressão neutra enquanto me inclino para frente.
— O que mais aconteceu?
— Então, eles mostraram algumas fotos dos mogadorianos e disseram que eles vieram para escravizar a humanidade. Esses alienígenas pálidos pareciam com pessoas com maquiagem de monstros ou qualquer coisa do tipo. Ninguém teria levado aquela porcaria a sério se, você sabe, não houvesse toneladas de OVNIs ameaçando a cidade. E então ela começou a falar de você. Tinha um vídeo de você pulando para fora de uma casa em chamas que não parecia possível, e depois tinha cenas de você curando o rosto queimado de um agente do FBI e... bem, estava meio trêmulo, mas os efeitos especiais foram muito bem feitos se fosse falso.
— O que... o que ela fala sobre mim?
Daniela sorri, olhando pra mim.
— Ela disse que seu nome é John Smith. Que você é um Garde. Que você foi enviado para nosso planeta para lutar contra esses alienígenas. E que agora você precisa de nossa ajuda.
Isso era sobre o que Daniela estava falando antes. Sua péssima interpretação deve se referir a Sarah. Encosto as costas no banco, pensando sobre o vídeo que Sarah e Mark fizeram, a contribuição deles nos bastidores. Mesmo que ela esteja zombando, o vídeo parece ter causado uma impressão em Daniela. Ela o decorou. Droga, os sobreviventes que trouxemos pela rua com certeza viram o vídeo. Eles confiaram em mim. Estavam prontos para ficar e lutar. Mas era tarde demais para isso?
Faço uma careta involuntariamente, pensando alto.
— Passei minha vida inteira me escondendo dos mogadorianos que estavam nos caçando na Terra. Ficando mais forte. Treinando. A guerra estava sendo lutada em segredo. Estávamos começando a reunir aliados, além de estar conseguindo descobrir as coisas. Me pergunto, se tivéssemos ido a público antes, quantas vidas teríamos salvo se Nova York estivesse pronta para um ataque como este?
— Nah — Daniela diz, descartando essa ideia com um aceno de mão. — Ninguém teria acreditado nesta porcaria há uma semana. Não sem a CNN gritando sobre naves espaciais sobrevoando Nova York. Quero dizer, você precisava de toda a luta na NU para que pudessem acreditar. Caso contrário, as pessoas do noticiário estariam debatendo se isso era uma farsa, ou uma publicidade para a divulgação de algum filme ou coisa do tipo. Eu vi uma mulher na TV dizendo que você era um anjo. Bem engraçado.
Rio secamente, não estando muito com vontade.
— É. Hilário.
Percebo que Daniela está tentando me confortar à sua maneira. Nunca vou saber o que teria acontecido se tivéssemos gastado os últimos meses tentando tornar pública nossa guerra com os mogadorianos. Havia humanos de cargos importantes envolvidos com o ProMog e isso faria com que qualquer tentativa de expô-los se tornasse extremamente difícil, se não impossível. Eu sei de tudo isso, logicamente. E ainda assim não posso deixar de sentir que a colossal perda de vidas foi culpa minha. Eu devia ter feito mais.
— Quantos anos você tem mesmo? — Daniela pergunta.
— Dezesseis — digo a ela.
— Ah — Daniela assente, como se ela já soubesse disso. — Você é como a garota que narrou no vídeo. Você tem toda essa sabedoria por trás da idade, isso é verdade. E parece que já passou por muita coisa. Mas dando uma olhada mais de perto... — ela se perde, estalando sua língua enquanto pensa. — Você deveria estar terminando o ensino médio. Não salvando o mundo.
Não posso deixar o que aconteceu em Nova York me enterrar sob a culpa. Eu tenho que ter certeza de que nada desse tipo vai acontecer novamente. Preciso encontrar meus amigos e descobrir como matar Setrákus Ra, de uma vez por todas.
Ergo meus ombros e sorrio para Daniela, dando de ombros com indiferença.
— Alguém precisava fazê-lo.
Daniela devolve o sorriso por um segundo, então surpreende a si mesma e desvia o olhar. Por um segundo, ali, pensei que ela talvez tivesse se voluntariado para se juntar a luta. Não posso obrigá-la a ficar conosco depois de sairmos do metrô. Apenas tenho que acreditar que ela, e os outros humanos lá fora, desenvolveram Legados por algum motivo.
— Precisamos nos mover — digo.
Balanço os ombros de Sam e ele bufa quando acorda. Seus olhos ficam turvos por um momento, se ajustando lentamente a luz azulada do vagão de metrô.
— Então aquilo não foi um pesadelo — ele suspira, levantando lentamente e estalando as costas. Seu olhar vai em direção a Daniela. — Você resolveu passar um tempo conosco, hã?
Daniela encolhe os ombros, como se a pergunta a tivesse envergonhado.
— Você mencionou ter tirado algumas pessoas de Nova York... — ela diz para mim.
— Isso. O exército protegeu a Ponte do Brooklyn. Eles estavam evacuando as pessoas por lá. Pelo menos, estavam até ontem à noite.
— Eu gostaria de ir lá — Daniela responde, se colocando de pé. Ela endireita sua blusa coberta de poeira e sangue seco. — Talvez ver se minha mãe chegou até lá.
— Tudo bem — digo. Não quero obrigá-la a se unir a nós. Se isso acontecer, ela é quem deve fazer essa decisão. Isso não significa que não devemos passar um tempo juntos por enquanto. — Nós devemos seguir nessa direção também.
Sam esfrega os olhos, ainda umedecendo sua boca.
— Você acha que Nove e Cinco batalharam todo o caminho até o ponto de evacuação?
— Duvido — respondo. — Mas Nove já é grandinho, pode se virar sozinho por mais algum tempo. As prioridades mudaram. Eu realmente preciso entrar em contato com Seis. Se ainda existir telefones funcionando, acho que estarão no ponto de evacuação — viro-me para Daniela. — Pode nos mostrar o caminho para fora daqui?
Daniela assente.
— Só tem um jeito de ir já que os caminhos para a superfície desabaram. Seguimos os trilhos até algumas estações, e então devemos chegar próximo à ponte.
— Espere. Como as prioridades mudaram enquanto eu estava dormindo? — Sam pergunta.
Conto a Sam como Ella me alcançou telepaticamente de sua prisão na Anubis, explicando que Setrákus Ra está indo para o Santuário. Daniela ouve, seus olhos bem abertos e focados em mim, sua boca ligeiramente aberta. Quando termino de descrever minha jornada dos sonhos, sobre profecias e locais lóricos ameaçados, ela balança a cabeça em total mistificação.
— Minha vida ficou tão estranha — ela diz, andando na direção da saída do vagão.
— Ei — Sam a chama de volta. — Você se esqueceu da bolsa!
Daniela olha por cima dos ombros. Então, ela olha pra mim. Não sei se ela quer permissão ou se está me desafiando a pará-la. Quando não falo nada, ela se vira e levanta a bolsa pesada com um grunhido
— Use sua telecinesia — digo casualmente. — É bom para praticar.
Daniela olha para mim por um momento, depois concorda e sorri. Ela se concentra e flutua a bolsa a sua frente.
— O que tem aí? — Sam pergunta.
— Meus fundos para faculdade — ela responde.
Sam olha para mim. Eu apenas dou de ombros.
Quando Daniela alcança o fim do vagão, ela levita a bolsa para o lado e abre a porta de metal com um barulho estridente. Ela dá um passo para o corredor que liga o próximo vagão. Sam e eu a seguimos alguns passos atrás.
— Uou, uou — Daniela diz, suas palavras não são direcionadas para nós.
Sua bolsa dispara de volta para o vagão que estávamos, Sam e eu pulamos para fora do caminho. Daniela desliza a bolsa para debaixo do banco com telecinesia, como se estivesse tentando escondê-la. Um segundo depois, ela volta alguns passos pela porta, suas mãos levantadas em rendição. Imediatamente meus músculos tensionam.
Pensei que estivéssemos salvos aqui em baixo nos túneis. Mas não estamos sozinhos. Um cano de metralhadora com uma lanterna acoplada está apontada a alguns centímetros do rosto de Daniela. Uma forma escura, coberta de equipamentos e armadura, está entrando com cuidado em nosso vagão, levando Daniela a recuar. Tarde demais, percebo feixes de lanterna no vagão seguinte – cerca de dúzias deles, talvez mais. Um segundo feixe atinge meus olhos, e um segundo homem está armado entrando em nosso vagão. Sem pensar nisso, ativo meu Lúmen, fogo deslizando através de meus punhos.
— Espere — Sam avisa. — Não são mogs.
Ouço um clique de armas engatilhadas, provavelmente em resposta a minha bola de fogo. O corredor do vagão é estreito, Daniela está no caminho e a luz em meu rosto faz com que seja difícil enxergar.
Definitivamente não são condições ideais. Eu provavelmente seria capaz de desarmá-los com minha telecinesia, mas não quero arriscar criar uma explosão automática assim tão perto. Melhor esperar e ver o que vai acontecer.
Deixo meu Lúmen se apagar, e no mesmo momento o soldado da frente abaixa a luz da lanterna de sua arma para o chão. Ele está usando um capacete, farda e óculos de visão noturna.
Apesar disso, posso te dizer que ele é apenas alguns anos mais velho que eu.
— Você é ele — o soldado diz, com um leve temor em sua voz. — John Smith.
Ainda não estou acostumado com essa coisa de ser reconhecido, então levo um momento para responder.
— Isso mesmo.
O soldado pega o walkie-talkie em seu cinto e fala nele.
— Nós o pegamos — ele diz, sem tirar os olhos de mim.
Daniela vem em direção a Sam e a mim, olhando para nós e para os soldados, dos quais estão entrando mais em nosso vagão, ventilando o lugar, vasculhando tudo.
— Amigos seus?
— Não tenho certeza — respondo calmamente.
— Às vezes o governo gosta da gente, outras nem tanto — Sam explica.
— Ótimo — Daniela responde. — Por um segundo, achei que eles estivessem aqui para me prender.
O walkie-talkie do soldado ganha vida, uma familiar voz de mulher ecoa pelo vagão.
— Peça a eles com educação, mas os traga aqui — a mulher comanda.
O soldado pigarreia desconfortavelmente, olhando para nós.
— Por favor venha conosco — ele diz. — A Agente Walker gostaria de dar uma palavrinha.

13 comentários:

  1. Um pequeno erro
    "Sua bolsa dispara de volta para o vagão que estávamos, Sam e eu pulamos para for a ( fora) do caminho. Daniela desliza a bolsa para debaixo do banco com telecinesia, como se estivesse tentando escondê-la. Um segundo depois, ela volta alguns passos pela porta, suas mãos levantadas em rendição. Imediatamente meus músculos tensionam."

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  2. Daniela levanta suas "mães" defensivamente. karina corrige la

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    1. saco gente............ a ka ja nos faz um favor enorme postando livros legais e voces ficam... corrige isto , corrige aquilo..........como um professor de portugues chato.......... leiam o livro e deixem os pequenos errinhos de lado .......... o gente chaty.......

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  3. " O soldado pega o walkie-talkie em seu "sinto" e fala nele.
    - Nós o pegamos - ele diz, sem tirar os olhos de mim. "
    Coreção aqui Karina!

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  4. Aaafff.. Essa Agente nao devia ter morrido ja..

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  5. "Quero dizer, você precisava de toda a luta na "NU" para que pudessem acreditar."
    Correção aqui!

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