23 de outubro de 2015

Capítulo oito - A disseminação do Quadribol pelo mundo

Europa

No século XIV, o Quadribol já havia se firmado na Irlanda, de que é prova o relato de Zacarias Mumps sobre a partida de 1385: “Um time de bruxos de Cork foi a Lancashire para uma partida e ofendeu sua população ao imprimir uma fragorosa derrota aos heróis locais. Os irlandeses conheciam truques com a goles que ninguém nunca vira em Lancashire, e tiveram que fugir do povoado com medo de serem mortos ao verem os expectadores sacarem as varinhas e saíram em sua perseguição.”
Várias fontes revelam que o Quadribol já havia se espalhado por outras partes da Europa no início do século XV. Por um poema de Ingolfre, o Iâmbico, no início da década de 1400, sabemos que a Noruega foi uma das primeiras a se converter ao Quadribol (teria Olavo, o primo de Goodwin Kneen, introduzido o jogo lá nos primeiros anos do século?):

Ah, a emoção da caça quando corto os ares,
O Pomo à vista, o vento nos cabelos,
Eu quase a alcançá-lo, a plateia grita,
Mas surge um balaço e me atira no chão.

Por volta da mesma época, o bruxo francês Malecrit criou a seguinte fala em sua peça Hélas, Je me suis Transfiguré Les Pieds (Ai de mim, transfigurei meus pés):

Grenouille (RÃ): Hoje não posso ir ao mercado com você, Crapaud (Sapo).
Crapaud (SAPO): Mas, Grenouille (Rã), não posso levar a vaca sozinho.
Grenouille (RÃ): Sabe, Crapaud (Sapo), eu vou ser goleiro agora de manhã. Quem vai impedir a goles de entrar se eu não estiver lá?

O ano de 1473 assistiu à primeiríssima Copa Mundial de Quadribol, embora as nações participantes fossem apenas europeias. A ausência de times de nações mais distantes pode ser debitada ao colapso das corujas que levaras as cartas-convites, à relutância dos convidados em fazer uma viagem tão longa e perigosa ou talvez porque preferissem simplesmente ficar em casa.
A final entre Transilvânia e Flandres entrou para a história como a mais violenta de todos os tempos, e muitas das faltas então registradas jamais haviam sido vistas – por exemplo, transformar um artilheiro em gambá, tentar decapitar o goleiro com uma espada e soltar por baixo das vestes do capitão transilvanio cem vampiros que sugam sangue.
A Copa Mundial desde então tem sido realizada a cada quatros anos, embora no século XVII os times não-europeus tenham entrado na competição. Em 1652 foi criada a Taça Europeia que passou a ser disputada a cada três anos.
Dos muitos e esplêndidos times europeus, talvez o Vratsa Vultures (Abutres de Vratsa), da Bulgária, seja o mais famoso. Sete vezes campeão da Taça Europeia, o Abutres forma, sem dúvida, um dos times mais eletrizantes para o público, pioneiros do gol longo (chutado bem de longe da pequena área) e sempre dispostos a dar a novos jogadores uma chance de fazerem seu nome.
Na França, o Quiberon Quafflepunchers (Furabolas de Quiberon), muitas vezes campeão da Liga, é renomado tanto por seu jogo confiante quanto por suas vestes rosa-choque.
Na Alemanha encontramos o Heidelberg Harriers (Gaviões de Heidelberg), o time que mereceu o comentário antológico do capitão irlandês Darren O'Hare: “Eles são mais ferozes do que dragões e duas vezes mais inteligentes.” Luxemburgo, uma nação sempre forte em Quadribol, nos deu o Bigonville Bombers (Bombardeiros de Bigonville), festejados por suas estratégias ofensivas e por sempre figurarem entre os maiores marcadores de gols. O time português, a Braga Broomfleet (Frota de vassouras de Braga), recentemente alcançou os níveis mais altos do esporte por seu sistema inovador de marcar batedores; e o polonês Grodzisk Goblins (Duendes de Grodzisk) indiscutivelmente nos deu o apanhador mais criativo do mundo, Josef Wronski.


Austrália e Nova Zelândia

O Quadribol foi introduzido na Nova Zelândia durante o século XVII, aparentemente por um time de herboristas que esteve em expedição no país, pesquisando plantas e fungos mágicos. Contam que após um dia de trabalho colhendo amostras, esses bruxos e bruxas se descontraíram jogando Quadribol sob o olhar intrigado da comunidade mágica local. O Ministro da Magia da Nova Zelândia certamente gastou muito tempo e dinheiro para impedir que os trouxas se apoderassem da arte maori daquele período, em que se vê claramente retratados bruxos brancos jogando Quadribol (as talhas e pinturas encontram-se atualmente em exibição no Ministério da Magia em Wellington).
Acredita-se que a disseminação do Quadribol na Austrália tenha acontecido durante o século XVIII. Pode-se dizer que a Austrália é um território ideal para o esporte devido às grande extensões desabitadas que existem no interior do país, em que se podem construir campos de Quadribol.
Os times antípodas sempre eletrizaram o publico europeu com a sua velocidade e teatralidade. Entre os melhores contam-se Moutohora Macaws (Araras de Moutohora) na Nova Zelândia com a suas famosas vestes vermelhas, amarelas e azuis e sua mascote, a fênix Faísca. O Thundelarra Thunderers (Trovões de Thundelarra) e o Woollongong Warriors (Guerreiros de Woollongong) têm dominado a Liga Australiana durante quase um século. A inimizade entre ambos é lendária na comunidade mágica australiana de tal modo que uma resposta popular a alguém que se gaba de ser capaz de fazer uma coisa improvável ou diz uma coisa igualmente improvável é: “Tá, e eu vou me oferecer para apitar a próxima partida do Trovões contra os Guerreiros.”


África

A vassoura foi provavelmente introduzida na África pelos bruxos e bruxas europeus que viajavam àquele continente em busca de informações sobre alquimia e astronomia, disciplinas em que bruxos africanos sempre foram particularmente peritos. Embora o Quadribol não seja tão disseminado ali quanto na Europa, o jogo está se tornando cada dia mais popular por todo o continente africano.
A Uganda, especialmente, está emergindo como uma nação onde é grande o interesse pelo Quadribol. Seu clube mais notável, o Patonga Proudsticks (Presunçosos da Patonga), levou o Pegas de Montrose a um empate, em 1986, para o espanto de grande parte do mundo que jogo Quadribol. Seis jogadores do Presunçosos recentemente representarem Uganda na Copa Mundial de Quadribol, o maior numero de pilotos de um único time jamais reunidos em uma equipe nacional. Outros africanos dignos de menção são o Tchamba Charmers (Encantadores de Tchamba), do Togo, mestres do passe invertido; o Gimbi Giant-Slayers (Mata-Gigantes de Gimbi), da Etiópia, um time popularíssimo cuja formação em loop encanta espectadores do mundo inteiro.


América do Norte

O Quadribol chegou ao continente norte-americano no inicio do século XVII, embora tenha se firmado lentamente ali em virtude o forte sentimento antibruxo infelizmente importado da Europa ao mesmo tempo que o jogo. A cautela exercida pelos colonizadores bruxos, muitos dos quais esperavam encontrar menos preconceitos no Novo Mundo, contribui para limitar o crescimento do jogo nos primeiros tempos. Ultimamente, no entanto, o Canadá nos deu três dos times de Quadribol mais bem treinados do mundo: o Moose Jaw Meteorites (Meteoritos Queixada-de-Alce), o Haileybury Hammers (Martelos de Haileybury) e o Stonewall Stormers (Tropas de Assalto de Stonewall). O Meteoritos foi ameaçado de dissolução em 1970 por sua insistência em sobrevoar cidades e povoados vizinhos, para comemorar suas vitórias, soltando faíscas das caudas das vassouras. O time hoje em dia restringe essa tradição aos limites do campo no final das partidas e, com isso, seus jogos continuam a ser uma grande atração turística bruxa.
Os Estados Unidos não produzem tantos times de Quadribol de classe mundial quanto outras nações porque o jogo teve como concorrente uma modalidade americana de esporte em vassoura, o Trancabola. Variante do Quadribol, aquele jogo foi inventado no século XVIII pelo bruxo Abraham Pasegood que, ao imigrar para os Estados Unidos, levara com ele uma goles, com a intenção de recrutar um time de Quadribol. Conta a história que a goles de Pasegood inadvertidamente entrou em contato com a ponta da varinha do bruxo dentro do malão, e que quando ele finalmente a retirou da mala e começou a jogá-la para cá e para lá, a bola explodiu em seu rosto. Pasegood que, pelo visto, possuía um inabalável senso de humor, prontamente dispôs-se a recriar o mesmo efeito com uma série de bolas de couro e, em pouco tempo, esqueceu completamente o Quadribol e inventou, com os amigos, um jogo centrado nas qualidades explosivas da goles rebatizada de “bola”.
Em um jogo de Trancabola há onze jogadores de cada lado. Esses passam a bola, ou goles modificada, de jogador para jogador visando a chegar à extremidade do campo e enfiá-la, antes de explodir, no “caldeirão” colocado ali. O jogador que estiver na posse da bola quando ela explodir tem que abandonar o campo. Uma vez que a bola esteja segura no “caldeirão” (uma vasilha pequena contendo uma solução que impede a bola de explodir), o time que marcou o gol ganha um ponto e uma nova bola é trazida para o campo. O Trancabola fez algum sucesso na Europa como esporte minoritário, embora a imensa maioria de bruxos continue fiel ao Quadribol.
Apesar dos encantos rivais do Trancabola, o Quadribol vem ganhando popularidade nos Estados Unidos. Dois times recentemente chegaram ao nível internacional: o Sweetwater All-Stars (Todas as Estrelas de Sweetwater) do estado do Texas que teve uma merecida vitória contra o Furabolas de Quiberom em 1993 ao final de uma emocionante parida de cinco dias; e o Fichburg Finches (Azulões de Fichburg) de Massachusetts que até o momento já venceu o campeonato da Liga Americana sete vezes e cujo apanhador, Máximo Brankovitch Neto foi capitão da equipe norte-americana nas últimas duas copas mundiais.


América do Sul

O Quadribol é jogado em toda a América do Sul, embora o jogo precise competir com o popular Trancabola tal como no continente norte-americano. A Argentina e o Brasil chegaram às quartas de final na Copa Mundial do século passado. Sem dúvida a nação mais talentosa em Quadribol na América do Sul é o Peru que, segundo se comenta, deverá se tornar o primeiro campeão latino-americano nos próximos dez anos. Acredita-se que os bruxos peruanos conheceram o Quadribol por intermédio dos bruxos europeus enviados pela Confederação para monitorar a população de vipertooths (dentes-de-víboras), o dragão nativo do Peru. O Quadribol tornou-se uma verdadeira obsessão para a comunidade bruxa local desde então, e seu mais famoso time o Tarapoto Tree-Skimmers (Rasa-árvores de Tarapoto), recentemente, fez uma excursão pela Europa em que foi muito aplaudido.


Ásia

O Quadribol jamais atingiu grande popularidade no Oriente, pois as vassourar voadoras são uma raridade em países onde o modo de viajar preferencial ainda é o tapete. Os ministérios da magia em países como a Índia, Paquistão, Bangladesh, Irã e Mongólia, todos os quais mantêm um prospero comercio de tapetes voadores, encaram o Quadribol com desconfiança, embora o esporte tenha alguns fãs entre os bruxos e bruxas de rua. A exceção a essa regra geral é o Japão, onde o Quadribol ganhou constante popularidade no século passado. O time japonês mais bem-sucedido, o Toyohashi Tengu, perdeu por pouco uma vitória sobre os Gárgulas de Gorodok da Lituânia, em 1994. O ritual japonês de atear fogo às vassouras em caso de derrota é, no entanto, considerado pelo Comitê de Quadribol da Confederação Internacional dos Bruxos um desperdício de madeira de lei.

2 comentários:

  1. ''O ritual japonês de atear fogo às vassouras em caso de derrota é, no entanto, considerado pelo Comitê de Quadribol da Confederação Internacional dos Bruxos um desperdício de madeira de lei.''
    E que desperdício! ╮(╯▽╰)╭

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  2. curti o trancabola!

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