14 de outubro de 2015

Capítulo dezoito

HÁ QUANTO TEMPO ESTOU NOCAUTEADA? NÃO PODE FAZER MAIS DE DOIS minutos até eu ser acordada por alfinetadas geladas ao longo da lateral do meu rosto. É Marina, usando seu Legado de cura em mim.
Minha cabeça está em seu colo. Recebo uma estranha sensação em meu cabelo quando o couro cabeludo de lá cresce novamente, o corte que ganhei graças à pedra rapidamente sendo curado.
Marina tem a outra mão sobre minha boca, e acho que é para o caso de eu acordar gritando. Arregalo meus olhos para ela para mostrar-lhe que estou de volta e ela retira sua mão. Seu rosto está coberto com poeira chamuscada vindas do templo recém-explodido. Há lágrimas escorrendo através das bochechas de Marina.
— Ele o destruiu, Seis — ela sussurra. — Ele destruiu tudo.
Eu me sento para avaliar nossa situação. Ainda estamos na extremidade da floresta, escondidos atrás do tronco caído da árvore, agora com um monte de pedaços desalojados de calcário. Há lacunas entre as árvores acima de nós, feitas pelos pedaços destruídos de pedra do Santuário. Por sorte, ninguém mais parece estar ferido, ou Marina já terminou de curá-los.
Marina fica perto de mim enquanto eu me arrasto para frente em direção aos outros. Mark e Adam estão de bruços, lado a lado, exatamente à direita do cachorro caído. Eles estão com seus canhões apontados e usam um bloco de calcário para cobertura. Percebo que há manchas de sangue seco na camisa de Mark e me lembro que ele retirou um pedaço de estilhaço do seu peito logo antes de eu ser nocauteada.
Toco seu braço.
— Você está bem?
Ele lança um olhar de agradecimento à Marina.
— Estou bem. Embora eu realmente não queira criar o hábito de fazer aquilo. E você?
— Idem.
Sarah está à direita de BK, espiando por trás dele. Phiri Dun-Ra foi arrastada para perto dela. Ela não foi atingida por nenhum dos destroços que caíram em nossa área, o que realmente parece injusto. A mogadoriana ainda está inconsciente ou, mais provavelmente, se fingindo de morta. Tenho certeza de conferir suas amarras antes de deslizar para perto de Sarah. Ela me olha – imóvel, com um olhar furtivo. Me lembra muito a expressão de coragem de John, para falar a verdade. Aquela onde ele está se borrando, mas quer continuar a lutar de qualquer jeito.
— O que nós vamos fazer, Seis? — Sarah pergunta.
— Ficar à distância de um braço de mim para o caso de precisarmos ficar invisíveis novamente — eu digo, não apenas para Sarah, mas para todos. — Ainda temos um plano.
Mark bufa com isso, e suas mãos tremem um pouco sobre o cano da arma. O detonador dos nossos explosivos jaz no chão próximo a ele.
— Não há mais Santuário para protegermos — Marina diz desoladamente.
— Nós ainda podemos pegar a Anubis — respondo. — E ainda temos que resgatar Ella.
— Cara, eu não vejo droga nenhuma daqui de trás — Mark adiciona.
Eu me torno invisível para poder espiar por trás da nossa cobertura sem correr o risco de ser vista. Tenho uma visão melhor do campo do que Mark e Adam podem ver lá atrás. A poeira levantada pelo ataque da Anubis ainda está se estabilizando na clareira, entre isso e o pôr-do-sol, a área inteira está embaçada num tom dourado.
Três pequenas nuvens de fumaça escura ondulam pelo ar – vindas dos Skimmers-bombas que foram explodidos quando a Anubis descarregou sua fúria. Entretanto, embora alguns deles estejam virados de ponta cabeça e outros arremessados para longe, ainda vejo vários de nossos Skimmers prontos para serem explodidos.
Então talvez sejamos capazes de salvar uma de nossas armadilhas contra os mogadorianos. Mas o buraco em que nos empenhamos tanto para cavar já era. Ou, mais exatamente, se transformou em um buraco maior ainda.
O terreno onde o Santuário se ergueu por séculos é agora uma cratera fumegante. Tem mais ou menos sessenta metros de profundidade, com pedaços insistentes de pedra ainda enraizados no chão, e apenas agora os pequenos incêndios causados pelo tiro do canhão da Anubis estão desaparecendo na terra chamuscada. Aquele campo de força estava posicionado tão precisamente que algo como isso nunca iria acontecer. Nós conseguimos entrar no Santuário e esse é o resultado.
Destruição total.
A menos que...
Ainda invisível, subo no tronco quebrado para que eu possa ver a cratera de um ângulo melhor. Sarah hesita pelo barulho que faço e aponta seu canhão em minha direção.
— Relaxa, sou eu — sussurro rapidamente. — Estou tentando ter uma visão melhor de alguma coisa.
— O que você vê? — Marina pergunta.
Vejo um brilho azul-dourado emanar bem do centro da cratera. Vejo a superfície das pedras do poço onde nós jogamos nossas heranças, o lugar de onde a Entidade surgiu.
Desço do tronco e me torno visível novamente. Quero que Marina veja a esperança no meu rosto, porque ela é bem real.
— O poço ainda está lá — eu digo a ela. — Ele não o explodiu, ou quem sabe não conseguiu. A Entidade está bem.
— Sério? — Marina responde, passando suas mãos pelo rosto.
— Sério. Ainda temos um deus extraterrestre para proteger.
— Essa coisa deveria estar nos protegendo — Mark resmunga.
— E se, por acaso, ele não estivesse tentando explodi-lo? — Sarah pergunta. — Se o objetivo dele, afinal, fosse tipo, capturar a Entidade? E se ele tivesse que tirar o templo do caminho para isso?
— Merda — eu digo, porque essa teoria faz muito sentido.
— Eles estão descendo — Adam sibila.
Anubis lentamente se move para baixo. Mesmo com o templo destruído, a nave de guerra massiva ainda é grande demais para pousar na clareira. Mesmo assim, a nave de guerra flutua até ficar bem acima do centro da cratera.
Engrenagens rangem quando duas extensas portas de metal se estendem para fora, com portas duplas se abrindo nos topos. De lá, vários mogadorianos começam a sair da nave. Eles parecem ser os soldados comuns nascidos artificialmente, todos vestidos em uma armadura preta e carregando armas.
Os mogs deixam a nave com uma velocidade eficiente e começam a assegurar a área. Estamos em desvantagem numérica de pelo menos dez para um, e não vai demorar muito até que eles descubram nossa posição ou encontrem as bombas que anexamos aos Skimmers.
—Temos que atacar agora! — sussurro para os outros. Eu me movo e alcanço Adam. — Vamos ficar invisíveis e cercá-los. Vocês detonam as bombas para distraí-los. Marina, ainda há alguma arma que montamos em posição?
Marina estreita os olhos em concentração, então assente.
— Algumas. Eu vou fazê-las funcionar.
Mark deixa de lado seu canhão e pega o detonador, armando os explosivos. Três quartos das luzes não acendem, indicando que nós perdemos essas bombas durante o ataque da Anubis.
— Armadas — Mark diz.
— Lembrem-se, se a coisa ficar feia, corram para a nave de Lexa — eu os recordo.
Adam, saindo de trás do tronco quebrado, estala seus dedos para chamar nossa atenção.
— Lá — ele diz, sombriamente. — Lá estão os dois.
Setrákus Ra entra no campo de visão, no topo da rampa. Ele está tão intimidante quanto eu me lembro – quase quatro metros de altura, pálido, com aquela cicatriz roxa e grossa no pescoço que é visível mesmo a esta distância. Está vestido em algum tipo de armadura mogadoriana extravagante, feita com a mesma liga obsidiana de seus soldados, com exceção de dois acessórios pontudos que ele anexou à armadura na parte dos ombros, que prendem uma longa capa de couro que se arrasta pelo chão enquanto ele caminha. Cada parte dele parece fazer jus ao vilão intergaláctico que é, e ele parece estar saboreando isso.
Ele está de mãos dadas com Ella, seus pequenos dedos entrelaçados gentilmente pelos dedos blindados dele. Marina suspira quando a vê.
Eu não tenho certeza se a reconheceria se ela não estivesse gritando em minha cabeça há apenas alguns minutos. Ela parece menor e mais magra, como se a vida tivesse sido sugada para fora dela. Não, isso não está nada certo. Percebo que ela não parece necessariamente doente.
Ela parece mogadoriana.
Os olhos de Ella estão vazios e sua cabeça pende, fazendo com que seu queixo encoste em seu peito. Ela não parece nem mesmo ciente do que está acontecendo ao seu redor. Seus movimentos são robóticos e atordoados. Ela segue Setrákus Ra através da rampa com total submissão.
Os mogs que estão vasculhando a área param de fazer o que estão fazendo para observar seu ditador e sua herdeira descerem da Anubis, todos eles fazendo uma saudação com a mão no peito.
Setrákus Ra para na metade do caminho. Ele olha para a mata ao redor, procurando por nós.
— Eu sei que vocês estão aí! — Setrákus Ra grita, sua voz se espalhando através da mata. — Estou orgulhoso! Quero que vocês vejam o que vai acontecer agora! — Setrákus Ra berra sobre o ombro, em direção à Anubis. — Abaixem-no!
Em resposta a seu comando, um alçapão se abre na parte de baixo da nave de guerra. Lentamente, uma larga peça telescópica sai da Anubis. É como um cano com escoras de apoio e andaimes construídos em torno dele. As laterais do tubo estão cobertas com circuitos complicados e medidores. Há mais do que apenas tecnologia mogadoriana no dispositivo de Setrákus Ra, que desce lentamente.
Gravado nas laterais metálicas entre todos os componentes eletrônicos, há gravuras estranhas que me fazem lembrar dos símbolos marcados em nossos tornozelos. Porém, não posso ter cem por cento de certeza sobre isso, mas parece que essas gravuras foram feitas em loralite. O que quer que este dispositivo seja, parece ser mais um híbrido lórico-mogadoriano como Setrákus Ra.
— Eu não gosto da aparência daquilo — murmuro.
— Nem eu — Sarah responde.
— Nós deveríamos explodi-la — Mark sugere.
— Qualquer que seja a intenção dele com aquele aparelho, nós não podemos permitir — Marina concorda.
— Tudo bem. Então vamos destruir o brinquedo dele, resgatar Ella e então ou pegar a Anubis ou voltar para Lexa — eu digo.
— Você faz com que pareça tão fácil — Adam observa.
Mesmo não podendo nos ver, Setrákus Ra ainda está fazendo seu discurso retórico.
— Por séculos, trabalhei para atrelar o poder de Lorien, para utilizá-lo de maneiras mais eficientes do que da intenção da natureza. Agora, finalmente...
Blá, blá, blá. Rapidamente, meço a distância entre Ella e o Skimmer-bomba ativado mais próximo. Bem longe. Não acho que ela estará dentro do raio da explosão. Enquanto Setrákus Ra continua, olho para os outros.
— Eu já ouvi o suficiente. E quanto a vocês?
Todos assentem. Eles estão prontos.
— Fiquem abaixados — falo, relembrando de como Mark foi atingido facilmente há alguns minutos.
Todos se protegem. É agora.
— Ative — eu digo para Mark.
Com os dedos voando sobre o controle, Mark aperta os botões detonadores.
Como presumido, alguns dos Skimmers que ligamos aos explosivos foram desconectados quando a Anubis bombardeou o Santuário. E também, outros haviam sido explodidos com o impacto. Então não tivemos a explosão gigante que teríamos se todos os nossos Skimmers-bombas tivessem sido explodidos ao mesmo tempo, como planejado ordinariamente.
Mas ainda assim é loucamente eficiente.
Os mogs estão ocupados demais prestando atenção respeitosamente ao último discurso pomposo estúpido de Setrákus Ra para perceber o que está acontecendo. Cinco Skimmers espalhados ao redor da cratera explodem em nuvens brancas de fogo. Posso sentir o calor daqui e tenho que proteger meus olhos. Pelo menos trinta mogs são desintegrados imediatamente, seus corpos completamente engolidos pelas chamas. Mais deles morrem quando as partes dos Skimmers começam a voar para todas as direções. Observo um soldado ser cortado ao meio quando uma parte do para-brisa de uma das naves o atravessa verticalmente e outro sendo esmagado por uma coluna em chamas.
A melhor parte é o pânico. Os mogs não sabem o que os atingiu, então começam a atirar em direção às naves explodidas, incertos de onde a verdadeira ameaça está se escondendo. Pelo menos mais alguns morrem com tiros vindos dos outros soldados. E então Marina e eu usamos nossa telecinesia para ativar alguns dos canhões que escondemos na selva, confundindo os mogs ainda mais.
Uma roda retorcida atinge a rampa bem à frente de Setrákus Ra e Ella.
Talvez tenha sido uma atitude um pouco imprudente explodir aquelas naves – acho que Setrákus Ra teve que parar aquela roda com sua telecinesia para que ela não os acertasse. Porém, é bom saber que ele não quer vê-la machucada tanto quanto nós.
Eu sorrio. Setrákus Ra realmente parece surpreso com o nosso contra-ataque.
Seu discurso arruinado, o líder mogadoriano rapidamente anda até o fim da rampa, arrastando Ella com ele.
— Encontrem-nos! — ele grita enquanto começa a descer pelas bordas inclinadas da cratera, em direção ao poço. — Matem-nos!
— Vamos agora! — grito, não muito alto para não entregar nossa posição graças aos sons explosivos vindos dos Skimmers recém-explodidos, mas o suficiente para que todos os meus aliados ouçam.
Agora é a hora de agir ou morrer.
Agarro a mão de Adam e nos tornamos invisíveis. Eu lidero, nos levando fazendo um arco largo ao redor dos mogs que eventualmente nos levará para perto da cratera e do aparelho de Setrákus Ra. Marina continua com a distração, usando as armas escondidas em diferentes localidades para manter os mogs confusos. Memorizei os locais onde escondemos as armas, então sou capaz de evitar o tiro cruzado. Pelo menos, consigo evitar por mais ou menos vinte metros. Então, o azar me atinge. Um dos mogs, de costas para as explosões dos Skimmers, tropeça em nossa direção, atirando descontroladamente. Mergulho para desviar dos tiros, e Adam também.
Mas fazemos isso em direções opostas.
Simplesmente assim, Adam aparece novamente no mundo visível.
— Merda — ele diz, pegando seu próprio canhão e atingindo o mog mais próximo.
— Ali! — grita um dos outros soldados.
Suficiente para o estilo-guerrilha.
Vendo Adam em perigo, Bernie Kosar é o primeiro a se atirar na batalha.
Em um segundo ele é um tucano, voando inocentemente em direção ao grupo mais próximo de mogs, e em um piscar de olhos ele se transforma em um leão enorme, cortando e abrindo caminho em meio aos inimigos.
Muito dos mogadorianos ainda estão confusos com a explosão e não perceberam Adam ainda, então Bernie Kosar acaba facilmente com eles.
Ele está mais rápido e mais feroz do que da última vez que o vi lutar, com mais raiva, talvez, e me lembro de que ele quase morreu em Chicago. Sempre que um dos mogs consegue tê-lo na mira, BK se transforma em um animal menor – como um inseto ou um pássaro – fazendo-se ser um alvo impossível. Então, quando ele está em uma posição favorável para matar, Bernie Kosar se transforma de volta na sua forma de predador. As transições são perfeitas, é quase lindo.
Nosso Chimæra de estimação ficou realmente muito bom em matar mogadorianos. E nós também.
Um par de mogs à esquerda consegue se reunir o suficiente para atingir Adam. Eles são rapidamente desintegrados por um tiro vindo de nosso grupo. Esses devem ser Sarah e Mark, e eles não param de atirar mesmo depois desses dois primeiros virarem cinzas. Há muitos soldados na terra deserta do que costumava ser nossa pista de pouso. Tudo agora é um espaço vazio e sem cobertura. Vejo Sarah matar rapidamente dois soldados com sucesso.
Marina sai correndo da floresta em direção a Adam, e então eles se juntam à briga. Alguns dos mogs estão tentando se recompor e se reagrupar, mas outros os veem chegando. Eles se agrupam e miram.
Rapidamente o ar se enche com sons de tiros vindos de todas as direções. A média é de mais ou menos vinte pra um.
Nada mau.
Adam lidera, saltando para frente com grandes passos, cada pisada no chão emanando ondas sísmicas que ondulam sob os pés dos mogadorianos. Quando o chão treme, fica quase impossível para os mogs manterem uma mira certa. Alguns deles acabam se trombando com outros, tiros ziguezagueando em todas as direções. Uma onda sísmica em particular resulta em um barulho alto quando o chão se divide em dois, com meia dúzia de mogs caindo dentro da nova cratera.
Acho que conseguimos nosso buraco, afinal de contas.
Marina está mais devagar, porém igualmente mortal. Ela segue em direção dos mogadorianos com ambas mãos abertas para os lados em forma de concha. Esferas afiadas de gelo se formam em sua mão, e quando eles crescem até o tamanho de uma bola de baseball, Marina os lança com sua telecinesia em direção aos mogs. Gritando e perdendo o equilíbrio graças à uma das ondas sísmicas de Adam, um dos mogs segue na direção de Marina com um punhal.
Ela mal olha para ele enquanto levanta suas mãos em um gesto de pare, congelando-o rapidamente. Ela abre caminho entre os mogs, cortando-os com gelo, seguindo na direção da cratera e de Setrákus Ra.
Do outro lado do campo de batalha, Setrákus Ra conseguiu chegar no fundo da cratera e no poço lórico. Ella está de pé ao lado, indiferente e parecendo um zumbi, sua cabeça pendendo de um lado para o outro. Ela observa enquanto Setrákus Ra manuseia o instrumento sinistro que está atracado à Anubis. Ele posiciona o cilindro para que fique a apenas alguns metros acima do poço.
Então, Setrákus dá alguns passos para trás e levanta suas mãos como um maestro, manuseando telepaticamente os botões complicados e mostradores embutidos nos lados do tubo. Com um zumbido, consigo ouvir daqui que a coisa está começando a ganhar vida. Isso não pode ser bom.
— Nós temos que impedi-lo! — Marina grita.
Eu sei que suas palavras são intencionadas para mim, mas não respondo. Ainda invisível, não quero entregar minha posição. Eu queria poder usar meu Legado do clima e lançar um raio em Setrákus Ra.
Anubis está encobrindo muito o céu. Ao invés disso, eu pego um canhão mogadoriano abandonado.
Ultimamente, passei bastante tempo movendo grupos de pessoas invisíveis através de selvas que quase me esqueci de como é libertador estar sozinha e invisível. Livre e mortal. Deslizo facilmente pelos mogadorianos. É quase como uma dança, com exceção de que eles não sabem que somos parceiros.
Enquanto sigo, levanto meu canhão invisível e puxo o gatilho, atirando de perto, apenas nas cabeças. Tudo isso enquanto me aproximo da cratera e de Setrákus Ra. A única coisa que me expõe é o brilho de luz que o canhão faz, e isso geralmente é rapidamente ocultado pelas explosões de cinzas mogadorianas.
Matei mais de dez mogs em alguns segundos. Paro por um momento e olho para trás, para ter certeza de que Sarah e Mark estão seguros na floresta. Com certeza, eles ainda estão atirando. Bernie Kosar também se mantém assim, impedindo que qualquer mog se aproxime dos humanos. Percebo que BK deve estar sob ordens estritas do John para manter Sarah em segurança. Isso é bom.
Os mogs já estão começando a se dissipar. Alguns, de fato, estão retornando para a Anubis, enquanto outros formaram um grupo ao redor da cratera para proteger o Adorado Líder deles.
Setrákus Ra não parece estar tão preocupado com isso. Ele está completamente focado enquanto opera aquela máquina.
Enquanto luto pelo meu caminho até a cratera, o tubo começa a emitir um chiado. Posso sentir a atmosfera ao nosso redor mudar – pedras aleatórias começam a levitar do chão, e sinto rapidamente a força da gravidade me puxando na direção da cratera. Completamente ligado, o aparelho de Setrákus Ra está começando a sugar tudo nos arredores.
Vejo Ella, ainda parada indiferente na cratera, telepaticamente em silêncio, seu cabelo sendo puxado na direção do cilindro. O próprio poço começa a tremer, seus tijolos sendo levitados e içados em direção da máquina de sucção antes de serem repelidos por um campo de força que provavelmente é similar ao que protege a Anubis. O aparelho de Setrákus Ra não está interessado nos detritos do chão; ele está os filtrando, criando um mini tornado de sujeira e pedra.
E então acontece. Com um grito ululante como centenas de chaleiras de chá explodindo, a luz azul cobalto da energia lórica explode do chão e é sugada pelo cilindro. Toda a área é iluminada pelo brilho azul que até faz com que alguns dos mogs olhem com dúvida ao redor. Não é natural a forma com que a energia ondula ao sair do chão, primeiramente de forma selvagem e incontrolável, mas rapidamente é pega e canalizada pelo o que percebo ser um oleoduto, que transfere a energia lórica para dentro da Anubis. Achei o brilho da Entidade confortante e sereno lá no Santuário, mas agora – o ar estala com a eletricidade, as luzes irritam meus olhos e o barulho...
É como se a própria energia estivesse gritando. Ela está sofrendo.
— Sim! Sim! — Setrákus Ra grita de alegria, como um cientista louco, suas mãos erguidas em direção do seu aparelho de sucção.
Marina enlouquece. Ela perde a noção do cuidado quando se joga na direção da cratera. Duas estalactites grossas e afiadas se manifestam sobre suas mãos como duas espadas, e ela as usa para empalar três mogadorianos que estavam em seu caminho, dançando entre aqueles que estavam protegendo a cratera. Então, ela desliza para dentro do buraco, na direção de Setrákus Ra e Ella. Ela vai querer matá-lo sozinha.
Eu fiz isso uma vez – não deu muito certo.
Corro para alcançá-la. Há outros mogs ao redor da borda da cratera ao lado daqueles que Marina acabou de desintegrar e todos eles a tem como alvo. Ela está distraída, se tornando um alvo fácil. Mas para mim, ainda invisível, são os mogs que se tornaram alvos fáceis.
Corro atrás deles em um arco ao redor da borda da cratera, desintegrando cada um deles o mais rápido que posso. Antes que eu possa matá-lo, um deles consegue desviar do tiro que acaba acertando uma das pernas de Marina. Acho que ela nem percebeu.
De fato, Marina nem percebe Setrákus Ra. Ou não se importa. Ela ataca o oleoduto diretamente, bombardeando-o com bolas pontiagudas de gelo. Enquanto essas são engolidas pelo minitornado de detritos ou refletidas pelo campo de força da máquina, Marina segue em frente. Ela vai acabar quebrando a coisa com as próprias mãos se for preciso.
Setrákus Ra a agarra pelo pescoço. Ele se move mais rápido do que qualquer criatura do tamanho dele tem direito. Enquanto corro para dentro da cratera, ainda invisível, Setrákus Ra levanta Marina pelo pescoço, fazendo com que seus pés fiquem fora do chão. Ela tenta chutá-lo, mas ele a mantém numa distância segura.
— Olá, garotinha — Setrákus Ra diz, seu tom de voz feliz e vitorioso. — Veio assistir ao espetáculo?
Marina cerra os punhos. Ela obviamente não pode respirar. Eu não sei se vou conseguir chegar a tempo.
Detrás dele, uma onda de rochas e sujeira acerta Setrákus Ra nas panturrilhas. Ele está surpreso e acaba soltando Marina enquanto cai para frente e instintivamente se apoia com as mãos. Marina consegue rolar para longe enquanto as pernas de Setrákus Ra são enterradas por uma rocha. Ella balança para frente, como se suas próprias pernas tivessem sido atingidas, mas ela não chora e sua expressão vazia não muda.
Foi Adam quem fez o salvamento, derrapando pelo caminho em direção à cratera do lado oposto ao meu. Há marcas de tiros em seus ombros e um longo corte na lateral do seu rosto onde algum mog o cortou com um punhal, mas ele ainda parece pronto para lutar.
Acabo chegando no fundo da cratera próximo à Ella. É quando acontece – pop – bem assim, e estou visível novamente, não por minha escolha. Setrákus Ra deve estar usando sua habilidade de cancelar Legados temporariamente. Marina está de joelhos a alguns metros dele, segurando sua garganta e tossindo. Enquanto isso, o líder mogadoriano está tendo um péssimo momento enquanto tenta se desalojar da pedra.
Pelo menos Adam conseguiu enterrá-lo até os joelhos antes de nossos Legados serem anulados.
Aproveito a oportunidade para agarrar Ella pelos ombros. Bem de perto, ela está mais distante do que eu esperava. Suas bochechas estão ocas, seu rosto magro, e há teias de veias escuras correndo por baixo de sua pele. Seu olhar é distante e ela não reage quando eu a chacoalho. O brilho da energia lórica – ainda sendo sugada pelo oleoduto – está refletida em seus olhos. Ela está olhando fixamente para lá.
— Ella! Vamos! Vamos tirar você daqui!
Não há reação visível, mas sua voz finalmente retorna à minha cabeça.
Seis. É lindo, não é?
Ela está perdida. Droga – terei que arrastá-la daqui como havíamos planejado.
— Seis! — Marina grita, sua voz rouca. — Temos que desligar aquela coisa!
Eu olho para a máquina, e então para a Anubis. Não há o que dizer sobre o que Setrákus Ra fará com a energia lórica que ele está capturando, mas obviamente não pode ser nada bom. Eu me pergunto se ele será capaz de cancelar nossos legados permanentemente se sugar energia o suficiente da Entidade.
— Você sabe como pará-la? — pergunto para Ella, novamente recebendo nada de seu rosto inexpressivo.
Essa resposta demora um momento. Sim.
— Como?! Nos diga como!
Ela não responde.
Com um bufo de indignação, Setrákus Ra puxa uma das pernas para fora da prisão de pedra. Assim que ele o faz, Adam o alcança. Privado de seu legado assim como nós, o jovem mogadoriano agarra a espada de seu pai. A espada é grande demais para ele e suas mãos tremem quando ele a segura. Mesmo assim, ele põe a ponta da espada no pescoço de Setrákus Ra.
— Pare — Adam comanda. — Seu tempo acabou, velhote. Desligue sua máquina ou eu vou matá-lo.
A expressão de Setrákus Ra não muda, mesmo tendo uma espada apontada contra aquela cicatriz roxa dele. Ele ri.
— Adamus Sutekh — ele exclama. — Eu estava esperando uma chance para nos conhecermos.
— Feche a matraca — Adam alerta. — Faça o que mandei.
— Desligar a máquina? — Setrákus Ra sorri. Ele consegue ficar em pé. Adam tem que se esticar para manter a espada pressionada contra o pescoço dele. — Mas é a minha maior realização. Eu alcancei a própria Lorien e agora ela está sob meu comando. Não mais teremos que acolher a arbitrariedade do destino. Nós podemos forjar nossos próprios Legados. Você, dentre todas as pessoas, deveria apreciar isso.
— Pare de tagarelar.
— Você não deveria me ameaçar, garotinho. Deveria estar me agradecendo — Setrákus Ra continua, limpando a poeira de suas pernas. — Esse Legado que você usou com tanta precisão foi-lhe dado graças aos resultados da minha pesquisa, entende? A máquina que o Dr. Anu plugou em você foi alimentada com loralite pura, o que havia sobrado daquelas que eu minei de Lorien há tanto tempo. Com o corpo de uma Garde que carregava a faísca necessária de Lorien, bem... a transferência se tornou possível. Você é o resultado glorioso da minha pesquisa, Adamus Sutekh. Do meu controle sobre Lorien. E hoje, você pode me ajudar a pavimentar um caminho para outros iguais a você.
— Não — Adam diz, sua voz quase inaudível sobre o rugir da energia sendo sugada para dentro da Anubis.
— Não o quê? — Setrákus Ra pergunta. — O que você achou, garoto? Que seus Legados vieram de outro lugar? Que essa mente oca da natureza havia lhe escolhido? Foi ciência, Adamus. Ciência, eu e seu pai. Nós o escolhemos.
— Meu pai está morto! — Adam grita, pressionando com mais força a espada contra o pescoço de Setrákus Ra.
Perto de mim, Ella tosse. Uma bolha de sangue surge em sua garganta.
— Adam, tenha cuidado! — eu grito, dando um passo na direção dele.
Marina está de pé também, olhando incerta do oleoduto para os dois mogadorianos. Eles nos ignoram.
— Hmm — Setrákus Ra responde. — Eu não havia ouvido...
— Eu o matei — Adam continua, gritando. — Com essa espada! Da mesma forma que vou matar você!
Por um momento, Setrákus Ra parece ter sido genuinamente pego de surpresa. Então, ele levanta uma das mãos e arranca a espada da mão de Adam.
— Você sabe o que vai acontecer se tentar — Setrákus Ra diz, e em demonstração, aperta com força a espada. Eu viro e vejo o corpo de Ella se inclinar de dor enquanto um longo corte se abre através de sua palma, sangue respingando na terra. Ela dá alguns passos para frente, em direção ao poço, se segurando.
— Eu não me importo. Durante toda minha vida, fui treinado para matá-los — Adam diz dentre os dentes.
— E você nunca pôde fazê-lo, não é? — Setrákus retruca, rindo do blefe de Adam. — Eu li os relatórios de seu pai, garoto. Conheço tudo sobre você.
Ainda segurando a espada em uma as mãos, Setrákus Ra se aproxima de Adam, ficando mais alto que o jovem mogadoriano. O corpo todo de Adam treme, mas não sei se de medo ou raiva. Eu me aproximo deles, embora não saiba o que fazer. Atrás de mim, ouço Ella arrastando os pés. Em seu estado de transe, ela tropeçou até o poço lórico e o pilar de energia.
— Ella! — eu sussurro. — Fique parada!
— Eu nunca quis matar para você porque nunca acreditei nas suas paranoias! — Adam resmunga. — Mas se fazer isso significa acabar com você — os olhos de Adam seguem em direção à Ella. Então percebo – seu olhar está confirmando. Ele não está blefando, não mais. — Eu posso viver com isso — ele diz, friamente. — Posso viver com isso se você morrer também.
Tudo acontece muito rápido. Adam empurra a lâmina contra a mão de Setrákus Ra, a borda não causando danos na palma, e a ponta apontada para o pescoço. Setrákus Ra parece surpreso, mas ele reage rápido – ele é rápido, mais do que Adam esperava. Setrákus Ra se abaixa para a esquerda, a lâmina deslizando em seu pescoço, porém sem fazer dano algum. Pelo menos não nele.
Viro minha cabeça para ver um corte se formar na lateral do pescoço de Ella. Sangue começa a escorrer pelos seus ombros, mas ela não expressa reação. De fato, ela nem parece ter percebido. Ela está totalmente focada na energia corrente, seus pequenos pés na ponta dos dedos.
Antes que Adam possa estabilizar a espada para dar outro golpe, Setrákus Ra esmurra seu punho no rosto dele. Ele está vestindo luvas de metal e posso ouvir os ossos do rosto de Adam quebrarem com o impacto. Ele derruba a espada e cambaleia para trás. Setrákus está prestes a atingi-lo novamente quando Marina entra na briga e o tira do caminho.
Quando ambos estão no chão, tenho a chance de dar um passo à frente e me por entre eles e Setrákus Ra. Enquanto me aproximo, Setrákus pega a espada de Adam, girando-a em um arco lento ao seu lado.
Ele sorri para mim.
— Olá, Seis — ele diz, e corta o ar à sua frente com a espada. — Está pronta para que isso tudo acabe?
Eu não respondo. Conversar apenas dá vantagem à ele, deixando-o entrar em nosso psicológico. Ao invés disso, grito sobre meu ombro para Marina.
— Recue! — eu digo. — Vá longe o suficiente para poder curá-lo.
Pelo canto do olho, posso ver Marina arrastando Adam. Ele está inconsciente, e não tenho nem certeza se Marina quer curá-lo depois do que ele acabou de dizer. Ela definitivamente não quer me deixar para trás, ou recuar enquanto a máquina de Setrákus Ra ainda está sugando a energia.
— Vá! Eu cuido disso! — insisto, olhando para Setrákus Ra, me movimentando. Eu apenas tenho que atrasá-lo, ficar viva até... até o quê? Até quando vamos continuar com isso?
Ella estava certa. Ficar aqui significa morte.
O sorriso de Setrákus Ra não desaparece. Ele sabe que estamos encurralados. Ele investe contra mim, atacando com a espada. Dou um pulo para trás e sinto a ponta da espada passar bem em frente ao meu abdômen. O chão pedregoso abaixo de mim treme e eu quase perco o equilíbrio.
Atrás de mim, Marina conseguiu arrastar Adam até onde a cratera começa a subir. Ela para lá e começa a gritar.
— Ella! Que diabos...?
Ambos, Setrákus Ra e eu, nos viramos em direção ao poço, onde Ella subiu na borda. Ela está a apenas alguns centímetros da onda de energia lórica. Seu cabelo voa em todas as direções, quase como uma auréola. Faíscas elétricas aparecem ao redor dela, e o sangue escuro de suas veias se torna uma sombra roxa na luz azul vivida. A pele de seu rosto e de suas mãos começam a ondular como se ela estivesse em um túnel de vento, e pequenos detritos a atingem. Ela ignora tudo isso.
Imediatamente, Setrákus Ra se esquece de mim. Ele dá um largo passo em direção à Ella.
— Desça daí! — ele grita. — O que você...?
Ella se vira em nossa direção, seus olhos em Setrákus Ra. Eles não estão mais dispersos. Por um breve momento, posso ver a velha Ella ali. A garotinha tímida que conheci na Espanha e que se tornou uma lutadora corajosa. Sua voz é baixa, porém de alguma forma amplificada pela energia que flui atrás dela.
— Você não vai vencer, avô — ela diz. — Adeus.
E então Ella cai para trás dentro da energia lórica.
Setrákus Ra grita e corre para frente, mas ele está atrasado. Há quase um flash de luz que nos cega. O corpo de Ella, basicamente uma silhueta do meu ponto de vista, flutua no meio do ar, pega entre o poço lórico e a máquina de Setrákus Ra. Por um momento, seu corpo se contorce, arqueando dolorosamente. Então, uma nova onda energia surge do poço, o que é demais para a máquina de Setrákus Ra suportar. Os circuitos nas laterais explodem em chuvas de faíscas e a loralite derrete em um mar de explosões brancas e quentes. Enquanto isso, o corpo de Ella parece desintegrar – ainda posso vê-lo lá, pego pela energia, mas também posso ver através dele, como se cada partícula do corpo dela tivesse se separado.
Um momento depois, o corpo de Ella é cuspido para fora da energia.
Ela é jogada como uma boneca de pano para a lateral da cratera. Então, o brilho da energia lórica se dissipa e se retrai para baixo da terra, enquanto o oleoduto de Setrákus Ra emana um craque metálico e desmorona, com pedaços retorcidos de metal enterrando o poço lórico.
Setrákus Ra encara sua máquina destruída em descrença. É a primeira vez que vejo o velho bastardo totalmente perdido.
Marina se move imediatamente. Ela deixa o corpo de Adam para trás e mergulha em direção à Ella. Seus Legados ainda não estão funcionando, então quando Marina pressiona suas mãos contra o corpo de Ella, sei que nada vai acontecer. É tarde demais, de qualquer forma.
Eu não preciso ver as lágrimas escorrendo através do rosto da Marina para compreender. Ella está morta.
Setrákus Ra encara o corpo da neta, uma expressão desolada em seu rosto. Enquanto ele faz isso, pego a maior rocha que consigo encontrar.
E então a jogo, atingindo a parte de trás da cabeça de Setrákus Ra.
Um corte se abre. Ele sangra. O feitiço mogadoriano foi quebrado.
Meu ataque o traz de volta à realidade. Ele ruge, se vira para me encarar e levanta sua enorme espada sobre sua cabeça.
Ele está prestes a descê-la em minha direção quando seus olhos – normalmente cavidades pretas e vazias – se enchem com o brilho azul da energia lórica. A espada cai de suas mãos e Setrákus Ra, o líder dos mogadorianos, assassino do meu povo, destruidor de mundos – desmaia aos meus pés.
Estou paralisada. Eu me viro para procurar por Marina, mas encontro-a desmaiada também. Que diabos está acontecendo?
Ella. O brilho da energia Lórica emana dela. Está sendo cuspido de seus olhos, boca, orelhas – de todos os lados, da mesma forma quando a Entidade reanimou o corpo de Oito.
A partir de um de seus dedos, um raio de energia Lórica é lançado em minha direção. Me acerta bem no meio da testa. Eu caio de joelhos, me sentindo inconsciente. Eu olho para Ella... ou que quer que ela seja agora.
Há outras explosões de energia saindo de seu corpo, como se fossem estrelas cadentes, saindo da cratera e indo... para onde? Eu não sei. Eu não sei o que está acontecendo com ela, com a Entidade ou com ambas.
Só sei que é minha chance.
— Não agora! — eu grito, lutando contra o sono gentil que a energia lórica está tentando me forçar a aceitar. — Ella! Lorien! Parem! — eu digo. — Eu... eu posso matá-lo!
Mas então eu desmaio. Sou arrastada para o mesmo sono artificial para o qual foram Setrákus Ra e Marina.
O que eu vejo a seguir, o que todos nós vemos, é onde tudo começou.

12 comentários:

  1. Oh cara de sorte logo agora que ele ia morrer.

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  2. Ah pelo amor de Deus! O tempo q ela levou olhando para Ella depois q setrakus desmaiou seria suficiente para pegar a espada de Adam e cortar a cabeça desse cretino!!!

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  3. Com assim m " onde tudo começou "?

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    1. Onde essa guerra de lorienos x mogadorianos começou, provavelmente

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  4. O Planeta Lorien... Sera que 4, sam e os outros vão tar nesse sonho ?
    ~Fiume

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  5. Mas gente, se o feitiço é, qualquer dano feito nele vai para ella, pq qq dano feito na ella nao vai para ele?

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    1. Pq Setrákus não queria ser tratado de igual para igual, Ella deveria protegê-lo com a vida, mas o inverso não aconteceria. Ela pode morrer por ele, ele não pode morrer por ela

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  6. Que capítulo foda..Di imortales..."Onde tudo começou"..

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  7. Caramba!!! Minha cabeça tá dando muita volta...Se nesse livro o bagulho já tá louco, imagina o próximo.
    Partiu próximo capítulo ->

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  8. Nesse capítulo fiquei um pouco surpresa com a Marina matando mogs quase como uma guerreira. A dor realmente a transformou, mas acho que ela ainda não superou toda a raiva, o que a torna imprudente. Hora do flashback!! Sei que eles não sabem que o feitiço foi quebrado, mas enquanto todos com Legados estão inconscientes, alguém escondido na selva poderia atirar na cabeça dele!! Senti saudades do BK. Se os humanos ganharam legados, pq os animais não viram Chimera? Fiquei um pouco surpresa em Adam considerar matar Ella, mas ele é muito lógico e até ela sabia que esse poderia ser o único jeito, e aceitou.

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