14 de outubro de 2015

Capítulo dezessete

CINCO SE ENGASGA QUANDO RESPIRA. UMA BOLHA DE SANGUE É CUSPIDA POR SUA boca. Sua pele, não mais envolta pela camada de ferro, se torna pálida rapidamente. Seu olho remanescente se arregala, e nesse momento, antes que eu veja seu olho revirar para trás, vejo medo ali. Talvez Cinco tenha pensado que queria isso. Mas agora, encarando a morte cara a cara, ele está assustado.
Cinco cai de costas na grama, lutando para manter a respiração em dolorosos suspiros. Dez segundos. Empalado por uma placa de trânsito, essa é a quantidade de tempo que eu diria que Cinco tem de vida.
Ele nos traiu. Ele disse aos mogs onde poderiam nos encontrar, fez a cobertura de Nove ser explodida. Por causa de Cinco, Setrákus Ra foi capaz de raptar Ella, e o pai de Sam quase foi morto. Ele assassinou Oito. Com aquela lâmina em forma de agulha que mesmo agora rasga pedaços do chão enquanto Cinco tem espasmos na grama. Cinco executou um de seu próprio povo. Ele merece isso.
Mas eu não sou como ele. Não posso apenas observá-lo morrer.
— Maldito seja você, Cinco — eu digo, rangendo os dentes enquanto corro em frente e deslizo até ele. Pressiono minhas duas mãos sob o peito dele e uso meu Legado de cura, colocando energia suficiente nele para pelo menos estancar alguns dos sangramentos internos, ganhando tempo para curar os ferimentos mais graves.
Cinco volta um pouco a si, seu olho bom encontra o meu, e acho que peguei o canto da boca dele revirado em um pequeno sorriso. Então, ele desmaia novamente de dor e choque.
Preciso tirar essa estaca para fora dele. Obviamente não li um monte de artigos médicos, mas tenho certeza de que se eu remover a placa, piorarei a situação de Cinco por dentro. No entanto, devo curá-lo ao mesmo tempo que o poste de metal é removido, esperando minimizar o dano. Eu arrasto o corpo mole de Cinco e o sento, apoiando-o em mim. Então aceno para Sam.
— Eu preciso que você use sua telecinesia para retirar o metal dele — digo a Sam rapidamente. — Desse jeito posso me concentrar na cura.
— Eu... — Sam hesita. Ele olha para Cinco, mortalmente ferido, e engole seco. — Melhor não, John.
— O que você quer dizer com isso?
— Quero dizer que não acho que você deva salvá-lo — Sam responde, sua voz mais firme agora. Ele olha sob seus ombros, onde está o corpo inconsciente de Nove. — Nove, hã... acho que Nove estava certo da maneira como ele lidou com isso.
Minha mão está na nunca de Cinco. Posso sentir sua pulsação ficando mais lenta. Eu o estabilizo, mas não vai durar muito. Ele está enfraquecendo. Não tenho certeza se vai funcionar se eu tentar usar minha telecinesia ao mesmo tempo em que uso meu Legado de cura.
— Ele está morrendo, Sam.
— Eu sei.
— Isso já foi longe demais — eu digo. — Nós não vamos matar uns aos outros, não mais. Ajude-me a salvá-lo Sam.
— Não — Sam responde balançando sua cabeça. — Ele é muito... olha, eu não vou impedi-lo. Sei que eu não conseguiria mesmo se tentasse. Mas também não vou ajuda-lo. Eu não vou ajudar a ele.
— Que merda! Eu ajudo — Daniela diz, empurrando Sam e se ajoelhando no chão próximo a mim.
Encaro Sam por mais um segundo. Entendo o motivo de ele se recusar a ajudar, realmente entendo. Tenho certeza que Nove não estaria vibrando com meu auxilio se ele estivesse consciente. Mas mesmo assim, estou desapontado.
Volto minha atenção para Daniela. Ela está encarando o estado de Cinco, como se fosse a coisa mais louca que já viu. Ela estica uma das mãos na direção onde o metal desapareceu no peito de Cinco, mas não consegue se convencer de tocá-lo.
— Por quê? — pergunto para ela. — Você não conhece Cinco e o que ele fez. Por que você...?
Daniela me corta com um encolher de ombros.
— Porque você pediu. Vamos fazer isso ou não?
— Vamos sim — concordo, ajeitando minhas mãos nos dois lados da ferida de Cinco. — Empurre. Gentilmente. Vou curá-lo enquanto isso.
Daniela estreita os olhos para o pedaço de metal, suas mãos pairando a alguns centímetros do peito de Cinco. Eu me pergunto se ela tem controle sobre isso. Se ela exercer muita força telecinética, poderia acabar arrancando o poste de metal para fora de Cinco e eu não sei se conseguiria curar suas entranhas machucadas rápido o suficiente.
Nós temos que ir devagar e constantemente, ou arriscamos que Cinco sangre até a morte.
Devagar, Daniela começa a empurrar o metal. A respiração de Cinco acelera quando ela faz o processo, e ele começa a se torcer, no entanto seus olhos permanecem fechados. Ela mantém o foco e tem um controle melhor do que imaginei. Pressiono minhas mãos no peito de Cinco, uma de cada lado do ferimento, e deixo minha energia de cura fluir dentro dele.
— Que nojo, que nojo, que nojo — Daniela murmura enquanto respira.
Continuo enviando minha energia para dentro de Cinco, sentindo suas lesões sendo emendadas, mas também sentindo meu Legado sendo contrariado pelo metal ainda dentro de seu corpo. Isso até eu ouvir um baque molhado no chão e perceber que Daniela conseguiu empurrar o poste para fora dele. Assim que isso acontece, eu amplifico meu poder, curando seu pulmão e sua coluna.
Quando acabo, Cinco respira mais facilmente. Ele ainda está inconsciente, e pela primeira vez que posso me lembrar, ele parece quase sereno.
Graças a mim ele vai sobreviver. Agora que o momento passou, eu não tenho certeza de como me sinto sobre isso.
— Droga cara — Daniela diz. — Nós devíamos ser cirurgiões ou algo assim.
— Espero que a gente não se arrependa disso — Sam diz em voz baixa.
— A gente não vai se arrepender — eu digo, olhando para Sam. — Eu fiz isso. Ele é minha responsabilidade agora.
Com isso em mente, e considerando que ele ainda está desmaiado, rapidamente retiro a braçadeira com a lâmina do antebraço de Cinco e a lanço na grama aos pés de Sam. Ele pega e cuidadosamente examina o mecanismo, e então aperta o botão para retrair a lâmina. Ele enfia a arma no bolso de trás de seu jeans.
Eu me lembro que mesmo sem sua lâmina, Cinco não está totalmente desarmado. Abro suas duas mãos procurando pela bola de borracha e pela esfera de metal que ele carrega para acionar seu Externa. Ele não as está segurando, então começo a revistá-lo. Quando elas não aparecem em seus bolsos, sei que só há um lugar onde elas possam estar.
Encolhendo-me, retiro a gaze amarela que cobre o olho ruim de Cinco. Encravadas na cavidade vazia estão a esfera brilhante e sua parceira de borracha. Não parece confortável ter essas duas coisas dentro da sua cabeça. Essa é a vida que eu salvei – um cara que vê perder um olho como uma oportunidade para mais um armazenamento eficiente. Uso minha telecinesia para colher as duas esferas da cavidade do olho de Cinco e colocá-las na grama. Ele geme, mas não acorda.
— Isso é desagradável — Daniela diz.
— Não brinca — respondo. Olho para a Agente Walker. Ela tem observado toda a cena em silêncio. Sei que ela provavelmente está do lado do Sam e pensa que eu deveria ter deixado Cinco morrer. É por isso que sei que fiz a coisa certa. — Me traga alguma coisa para eu amarrá-lo — peço para Walker.
Tendo acabado de me ver retirar os tesouros da cavidade do olho de Cinco, demora um momento para Walker reagir à minha solicitação. Ela leva a mão para trás dela, destrava suas algemas e as joga para mim. Eu as pego e imediatamente lanço-as de volta.
— Você sabe que é uma ideia terrível, certo? Ele se transforma em qualquer coisa que toque, Walker. Consiga-me uma corda ou algo assim.
— Eu sou uma agente do FBI, John. Não carrego cordas por aí.
— Verifique o barco — eu digo, balançando minha cabeça.
Irritada por eu estar dando ordens a ela em frente dos outros agentes, Walker manda o Agente Murray checar se há alguma corda na lancha da guarda-costeira.
— Você é sensível, Johnny.
Eu me viro para ver Nove recuperando a consciência. Ele está se levantando, com seu antebraço apoiado em seus joelhos, a cabeça curvada um pouco como se ainda a estivesse incomodando. Ele olha de mim para Cinco e de volta, balançando sua cabeça.
— Você sabe o quão difícil foi enfiar esse poste nele? — Nove suspira.
Eu caminho e me agacho na frente dele.
— Você está bravo?
Nove dá de ombros, parecendo estranhamente zen.
— Tanto faz, cara. Eu mato ele de novo depois.
— Eu realmente preferiria que você não fizesse isso.
Nove revira seus olhos.
— Claro, claro. Tudo bem, cara. Entendi que você é contra a pena de morte e toda essa bosta. Pelo menos ele implorou para você salvar a vida dele? Eu teria gostado de ver isso.
— Ele não implorou — eu digo a Nove.
— Na verdade, acho que ele queria morrer.
— Doente — Nove responde.
— Eu não quis dar a ele o que ele queria.
— Uh-huh. Sei que normalmente nós perdemos quando os caras maus consegue o que querem, John. Mas, mano, acho que essa tinha sido uma vitória.
— Eu discordo.
Nove revira seus olhos, então olha em direção de Cinco.
— Nós nunca poderemos confiar nele. Você sabe disso, certo?
— Eu sei.
— E se chegar a esse ponto, não vou hesitar em fazer de novo. Você não vai conseguir me impedir.
— Você ainda vai estar com uma concussão — observo com um sorriso, desviando o mau-humor. Gesticulo para seu peito e seus braços, ainda cobertos de arranhões e queimaduras, e sua mão quebrada. — Você quer que eu termine de curar isso?
Nove assente.
— A menos que você só trabalhe com assassinos agora — ele responde.
Enquanto curo Nove, Daniela se aproxima e se apresenta. Ela recebe aquele sorriso usual do grande idiota. Nós o atualizamos rapidamente com tudo que aconteceu enquanto ele estava brigando do outro lado da cidade com Cinco. Quando termino, Nove se vira para olhar para a água à para a cidade em chamas e além dela.
— Nós devíamos ter feito mais — ele diz em voz baixa, balançando seus braços e suas pernas, esticando seus músculos. — Nós devíamos ter pego ele quando tivemos a chance.
— Eu sei —respondo. — Isso é tudo em que tenho pensado.
— Nós teremos mais chances — Nove diz, e então bate suas mãos e se vira para a Agente Walker. — Então, você vai nos levar para o México ou o que, senhora?
Walker levanta uma sobrancelha para Nove. Então, Agente Murray retorna, com os braços cheios de cordas grossas que deve ter pego no barco. Ele passa a corda para as minhas mãos e eu amarro o ainda inconsciente Cinco, prendendo seus pulsos e seus tornozelos o mais forte possível. Vislumbro suas cicatrizes. Tão parecida com as minhas, nos identificando como parte do mesmo povo extinto. Como Cinco chegou a este ponto? E o que aconteceu depois?
— O que nós vamos fazer com ele? — Sam pergunta, lendo minha mente.
— Prisão — respondo. Apenas percebendo que é isso que eu quero no momento que eu digo. — Só porque salvei a vida dele, não significa que não haverá justiça. Nós precisamos de uma sala almofadada para ele, onde ele não possa tocar nada remotamente duro.
— Isso pode ser arranjado — Walker diz.
Ela faz essa oferta rapidamente. Isso me faz pensar se ela e o governo já prepararam lugares como esse para nós, prisões capazes de nos segurar, nos impedindo de usar nossos Legados. Talvez isso fosse algo em que o ProMog estivesse trabalhando.
— Arranje isso depois de descobrir como nos levar até o México — digo para ela. — Nós não vamos mais esperar, Walker.
— O que isso significa?
— Isso significa que se o presidente ou os generais ou quem diabos estiver no comando lá não nos colocar em um jato nos próximos dez minutos, nós vamos simplesmente pegar um.
Walker bufa para isso.
— Vocês não sabem pilotar um jato.
— Aposto que alguém vai se voluntariar quando eu começar a esmurrar caras — Nove diz, dando um passo à frente para cobrir minha jogada.
Agente Murray retira o rádio de seu cinto e oferece para Walker.
— Apenas faça a ligação, Karen — ele suspira.
Walker dá um olhar gelado para Murray e pega seu próprio telefone via satélite e caminha alguns passos para longe de nós. Apesar de nossa história, estou convencido de que Walker realmente quer nos ajudar. É o resto do governo que não está convencido que de nós somos uma boa aposta para vencer esta guerra. Ela está fazendo tudo o que pode com relação a isso. Porém, nossa janela para ser de alguma ajuda para Seis, Sarah e os outros está ficando cada vez mais fechada. Não posso mais ficar aqui esperando que essas pessoas nos ajudem com a nossa luta.
Nós vamos salvá-los, eles queiram ou não. Isso é tudo.
— Vocês não vão realmente atacar o exército agora, vão? — Daniela pergunta, mantendo sua voz baixa para que os agentes não possam ouvir.
— Droga, eu mal consigo me levantar — Nove responde em voz baixa.
— Ainda assim, nós precisamos chegar lá — Sam diz, e eu sei que ele está pensando em Seis tanto quanto estou pensando em Sarah. — Se ela não nos ajudar, o que nós vamos fazer?
Nove olha para mim.
— Você realmente vai continuar com isso, não vai?
— Sim. Se eles não nos ajudarem, nós os obrigaremos.
Daniela assobia pelos dentes.
— Isso é intenso, cara.
Olho para Walker. Ela está mantendo sua voz baixa, mas está fazendo vários gestos empáticos com as mãos.
— Ela sabe o que está em jogo. Walker vai proceder com isso.
Enquanto digo isso, pego meu telefone via satélite. Eu deveria ligar para Sarah e Seis, ver onde elas estão e garantir que elas não vão tentar lidar com Setrákus Ra sozinhas.
Antes que eu aperte o botão de discar, há um som estranho e alto vindo da água. Nós todos viramos em direção bem a tempo de ver um grande cilindro voar para fora do rio. O cilindro voa alto no ar, jatos de água sendo atirados enquanto gira em direção das docas próximas. A coisa é grande – grande o suficiente que, quando aterrissa, com um rangido de metal amassando, tijolos explodem com o impacto. Vejo o capitão de nossa lancha mergulhando na água para evitar os destroços voando.
Este é o submarino que nós vimos no porto mais cedo.
— O quê... como isso é possível? — Sam exclama.
Alguma coisa jogou o submarino para fora da água.
Nós corremos em direção às docas para buscar por sobreviventes, no entanto, não parece nada bom. A metade de trás do submarino está amassada como uma lata de alumínio esmagada e há trincheiras irregulares arranhadas no lado dos painéis. Nós podemos ver através das paredes enquanto nos aproximamos – ele definitivamente está inundado. Fios soltos dos sistemas elétricos fritos cospem faíscas quando nos aproximamos.
— Cuidado — eu digo. — Não se aproximem muito.
— O que diabos poderia ter feito isso? — Nove pergunta, suas mãos abraçadas em seus joelhos enquanto ele respira.
Como que em resposta, o capitão do nosso barco grita. Em um minuto ele está de pé na água, esperando que lhe digamos que está tudo limpo, e no próximo há uma sombra negra crescendo abaixo dele. Ele é sugado sob as ondas com um grito agudo e engolido inteiramente pela besta que sobe lentamente das profundezas do rio Hudson.
Nós todos damos um passo para trás, um depois outro. Dois dos agentes correm na direção oposta, horrorizados pelo tamanho da criatura diante de nós. A água flui para fora da pele do monstro, que é translúcida a ponto de podermos ver o sangue preto sendo bombeado entre suas veias fortemente marcadas. Ele não tem pelos, não tem pescoço e é corcunda. Presas curvadas se projetam a partir de sua mandíbula inferior e torna impossível para a coisa fechar completamente a boca. Um fluxo constante de baba amarelada é derramado. Brânquias do tamanho de hélices de helicóptero têm espasmos enquanto o monstro tem o seu primeiro sopro de ar. Ele está de quatro, as patas traseiras inclinadas, as dianteiras mais parecendo braços grossos de gorila, e é quase tão alto quanto a Estátua da Liberdade.
A atitude de garota durona deixa Daniela rapidamente. Ela grita e Nove tem que tapar sua boca com a suas mãos. Eu não a culpo. O monstro é terrível, e lutei com muitas criaturas dos mogadorianas antes.
— Droga — Sam sussurra. — É uma droga de tarrasque.
Minha cabeça se vira para Sam, desacreditando.
— Você já viu um desses antes?
— Não, eu... eu... — ele gagueja. — É um monstro de um jogo.
— Nerd — Nove murmura.
Daniela tira as mãos de Nove de sua boca, recompondo-se o suficiente para me encarar.
— Você não me disse que eles tinham uma... uma droga de mogassauro!!
Deve ter sido isso que Setrákus Ra jogou na água quando a Anubis foi embora nessa manhã. Um último presente para a dizimada cidade de Nova York. Um lembrete para a presença militar de quem realmente está no comando. Acendo meu Lúmen em minhas mãos. Terei que gerar muito fogo se quiser fazer alguma marca nessa besta.
— Eu sei que você consegue ver essa coisa! — Walker grita em seu telefone, provavelmente estourando o tímpano daquele que estava tendo uma conversa silenciosa com ela minutos atrás. — Suporte aéreo! Tragam-me a porcaria de um suporte aéreo!
O mogassauro inclina sua cara plana em direção do céu. As membranas viscosas que considero serem narinas começam a se contorcer. Então ele abre seus olhos, cada um branco e leitoso, dispostos em um padrão de diamante na testa ampla da besta. É difícil distinguir a esta distância, mas eu poderia jurar que vi um vislumbre de azul cobalto dentro deles. No centro de cada olho, onde a pupila estaria, posso definitivamente ver uma onda de energia azulada queimando na criatura.
A cor, a energia. Isso me lembra dos pingentes. Poderia isso ser resultado do que Setrákus Ra fazia quando eu o avistei dentro da Anubis? Mas o que isso significa? Além de ser tão grande quanto um prédio, o que esse monstro pode fazer que os outros que enfrentamos não? Os pingentes roubados estão dando mais energia para ele de alguma forma? Ou estão fazendo algo totalmente diferente?
Ainda de pé ao largo da costa, o mogassauro balança sua cabeça e olha diretamente para nós.
— Merda — Nove diz, dando um passo para trás. — Ele está vindo na nossa direção?
— Agora! — Walker grita no telefone, recuando também. — É uma porcaria de um gigante!
— Acho que ele pode nos sentir — eu digo. — Penso que Setrákus Ra deixou isto aqui para nos caçar.
— Tudo bem — Daniela responde. — Eu tenho que ir.
Como em resposta, o mogassauro solta um rugido em nossa direção, pulverizando névoa do rio com seu hálito de peixe podre em cima de nós.
Então, ele levanta um dos braços dianteiros para fora da lama do rio e o deixa cair nas docas. Vigas de madeira explodem em estilhaços e as passarelas de concreto se afundam, dois dos barcos são empurrados debaixo d'água como brinquedos.
Está vindo para cá.
Lanço uma bola de fogo no mogassauro. Rapidamente, percebo que é pequena demais para fazer qualquer dano. A bola de fogo chia e deixa uma marca de queimadura na pele do monstro, mas ele nem percebe.
— Corram! — eu grito. — Espalhem-se! Usem a estátua como cobertura.
Nove, Daniela, Walker e Murray, todos correm de volta na direção da grama e da estátua. Mas Sam fica parado no lugar, mesmo quando o mogassauro dá outro passo estrondoso em nossa direção.
— Sam! Vamos lá! — eu grito, agarrando-o pelo braço.
— John? Você sente isso?
Fico olhando para Sam. Seus olhos estão diferentes, preenchidos com uma crepitante energia. Eles parecem quase como duas TVs fora de sintonia, exceto que a luz dos olhos de Sam é brilhantemente azul.
— Sam? Que diab...?
Antes que eu consiga terminar minha pergunta, Sam tem espasmos e desmaia. Dou um jeito de pegá-lo, e tento arrastá-lo para trás.
Daniela e Nove veem isso acontecer e param no meio do caminho.
— Johnny, o que há de errado com ele? — Nove grita.
— Pegue-o e corra! — Daniela adiciona.
Bum! Outra explosão atrás de nós. O mogassauro tirou todos seus membros para fora da água, praticamente esmagando a doca inteira abaixo dele. O submarino está preso como um espinho na palma da sua pata da frente, e a besta é temporariamente distraída, se balançando para soltá-lo. Eu não sei o há de errado com Sam, mas não acho que o animal gigantesco atrás de nós seja a causa. Sua aflição é algo totalmente diferente.
— Ele desmaiou! — grito para nove. — Ele...
Sou cortado quando Daniela e Nove começam a ter espasmos, seus olhos se enchendo com a mesma luz azul. Eles caem no chão ao mesmo tempo, em colapso, um em cima do outro.
— Não!
Então acontece comigo.
Um tentáculo de uma vívida luz azul sobe do chão na minha frente.
Por alguma razão, não estou com medo. É quase como se eu reconhecesse esta estranha formação de energia. Posso sentir que ela corre por dentro da terra, e também posso sentir que, se a Agente Walker ou o mogassauro ou alguém sem Legados olhar para onde estou olhando agora, eles não veriam nada, além do espaço vazio. Isto é só para mim.
Essa é minha conexão. Minha conexão com Lorien.
Mais rápido do que meus olhos podem acompanhar, o tentáculo de luz se atrela à minha testa. Agora, tenho certeza que meus olhos estão mostrando energia elétrica azul como os outros fizeram antes de desmaiar.
Sinto isso acontecer. Eu estou deixando meu corpo.
Eu reconheço essa sensação. É exatamente igual quando Ella me coloca em suas visões.
— Ella? — chamo, no entanto tenho certeza de que essas palavras não saíram de minha boca. Tenho certeza de que meu corpo ainda está nas docas, não tão longe do maior monstro que já vi em toda minha vida.
Oi John, Ella responde dentro de minha cabeça. Quando ela responde, posso ouvi-la dizer outras palavras também, como se ela estivesse mantendo cem conversas ao mesmo tempo.
Eu não penso em perguntar como isso aconteceu. Era para Ella estar a milhares de quilômetros de distância com Setrákus Ra ou, esperançosamente, no processo de ser resgatada por Seis. Ela não é assim tão poderosa. Seus poderes não funcionam desta maneira. Mas eu não penso em nada disso. Estou mais focado em meu corpo físico, sem mencionar Nove, Sam e Daniela. Qualquer coisa que Ella esteja fazendo conosco, ela não poderia ter escolhido um momento pior.
— O que diabos está acontecendo? Você vai acabar nos matando!
A qualquer momento, espero escutar a trituração dos meus ossos quando o mogassauro pisar em mim. Isso não acontece. Em vez disso, formas começam a se formar na frente dos meus olhos obscuros, formas indistintas, como um projetor de filme que está fora de foco.
Não se preocupe, diz Ella, e novamente há aquele eco de outras vozes. Só vai levar um segundo.

22 comentários:

  1. — Aposto que alguém vai se voluntariar quando eu começar a esmurrar caras — Nove diz, dando um passo à frente para cobrir minha jogada.

    Ri dms disso kkkkkkkkkkkkk

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    1. O nove sendo o nove kkkkkk

      ezequiel

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  2. Fala serio que que é isso rapa???!!!

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  3. Cara como eu tava com saudades do Nove kkkk

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  4. Nove que bom que você voltou estava fazendo falta.

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  5. Gostei do cap.,e do cinco ser salvo,espero q ele realmente se arrependa,lute ao lado dos outros Gardes e dps leve uma surra de Nove para pagar pelo q fez :v kkk

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  6. Não culpo o Cinco (totalmente) pela morte do 8, alis ele era meu preferido. Nove tem tanta culpa quanto o 5. E nao consigo gostar do nove. Foi essa arrogância dele que ajudou na morte do 8.

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    1. Acho que a sua logica está errada. Só porque o 9 gozou o 5, isso não é de maneira nenhuma justificação para a reacção do 5.. Na verdade o 8 morreu porque tentou parar o 5 ou proteger o 9, se não fosse o 8 a morrer era o 9, o responsável é totalmente o 5 porque atacou com a intenção de matar.

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    2. Não culpo nenhum dos gardes, afinal setrakus rá não criou cinco por piedade. Fazia parte de seus planos assim como Ella não é sua netinha do coração. Se for preciso matá-la ele o fara! Ele é o verdadeiro vilão minha gente. Esse briga entre gardes é tudo uma manipulação piscologica de setrakus

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  7. Nove seu lindo! tava com saudades!
    Cara que saga emocionante! OMG!

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  8. Ella esta no corpo do Monstro Ou Ella eo monstro??

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    1. Como assim? Esse monstro imenso que eles estão enfrentando? Ele não é Ella, nem está no corpo dela. Ella só está se comunicando com Quatro

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  9. Só eu acho q o monstro tem tipo a Ella nele ????

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  10. Aeee nove esta de volta que SAUDADESSSSS,💖💖💖👏👏👏

    Jeniffer Lima

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  11. Cara, queria muito um capitulo narrando a luta do 9 com o 5... Deve ter sido espetacular ><

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  12. NOVE WE MISS YOU, CARA! Ele é tipo um Sasuke versão sem-sharingan e alienígena! Melhor personagem ever <3 Nove esmurrando caras até alguém se voluntariar aheuhehe Nove sendo Nove, né? Mano, deve ter sido amazing a parte do nove colocando o poste no cinco :'D
    podia ter um capítulo narrando só isso. mas, né, *-----* GOD, Ella, o que cê tá fazendo, miga?

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  13. Simplesmente AMO o Nove.
    Sim, tenho pena do Cinco.
    Não, não tenho a mínima ideia do que vai acontecer.

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Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!