9 de outubro de 2015

Capítulo 9 - Zoey

— Neferet precisa ser detida — Thanatos foi logo direto ao ponto.
— Finalmente uma boa notícia — Aphrodite disse. — Então, o Conselho Supremo inteiro vai aparecer aqui para declarar que tudo que ela disse naquela coletiva de imprensa ridícula é papo furado, ou Duantia vem sozinha?
— Não vejo a hora de os humanos ouvirem a verdade sobre ela — Stevie Rae falou em seguida, soando tão irritada quanto Aphrodite e sem dar chance a Thanatos para replicar — Estou realmente cansada de ver Neferet sorrindo, seduzindo, iludindo e fazendo todo mundo acreditar que ela é tudo de bom.
— Neferet faz muito mais do que seduzir, iludir e sorrir — Thanatos observou sombriamente. — Ela usa o seu dom concedido pela Deusa para manipular e ferir os outros. Os vampiros são sujeitos aos seus encantos, e os humanos praticamente não têm defesa contra ela.
— O que significa que o Conselho Supremo dos Vampiros precisa tomar uma posição e fazer alguma coisa em relação a ela — afirmei.
— Eu gostaria que fosse assim tão simples — Thanatos respondeu.
Meu estômago se contraiu. Tive uma daquelas intuições, e minhas intuições quase nunca eram boas.
— O que você quer dizer? Por que isso não seria algo simples? — perguntei.
— O Conselho Supremo não vai misturar humanos nos assuntos de vampiros — ela explicou.
— Mas Neferet já fez isso — argumentei.
— Pois é, não adianta fechar a porta do estábulo depois que o gado já fugiu — Stevie Rae concordou.
— Aquela vaca matou a mãe de Zoey — Aphrodite estava balançando a cabeça, incrédula. — Você está dizendo que o Conselho Supremo vai simplesmente ignorar isso e vai deixá-la escapar com um assassinato nas costas e falando merda sobre todos nós?
— E o que vocês querem que o Conselho Supremo faça? Que desmascare Neferet como uma assassina?
— Sim — eu disse, feliz por soar firme e madura, em vez de assustada e com doze anos, que era como eu realmente estava me sentindo com essa coisa toda. — Eu sei que ela é imortal e poderosa, mas ela matou a minha mãe.
— Nós não temos provas disso — Thanatos falou em voz baixa.
— Isso é besteira! — Aphrodite explodiu. — Todos nós vimos!
— Em um ritual de revelação realizado com um feitiço de morte. Nada disso pode ser repetido. A terra foi purificada desse ato de violência por meio dos cinco elementos.
— Ela tomou as Trevas como seu Consorte — Aphrodite alegou. — Ela não está apenas aliada ao mal, ela provavelmente está fazendo as coisas mais indecentes com ele!
— Eca! — Stevie Rae e eu exclamamos juntas.
— Os humanos nunca iriam acreditar em nada disso, mesmo se eles tivessem estado lá.
Nós todas nos voltamos para a voz de Shaylin, que até então estava em pé em silêncio, observando nós quatro com olhos vazios e uma expressão chocada. Mas o seu tom era seguro. É claro, ela parecia nervosa, mas o seu queixo estava levantado de novo e ela apresentava o que eu já estava reconhecendo como a sua cara de teimosa.
— Que diabo você sabe sobre isso e por que você está falando? — Aphrodite vociferou contra ela.
— No mês passado eu era humana. Os humanos não acreditam na magia dos vampiros — Shaylin encarou Aphrodite sem vacilar. — Vocês estão há muito tempo às voltas com essa magia. Vocês perderam totalmente a perspectiva.
— E você perdeu completamente a cabeça — Aphrodite rosnou, inchando como um baiacu.
— Crianças briguentas de novo — Thanatos não levantou a voz, mas as suas palavras atravessaram aquela tensão tipo briga de garotas entre Aphrodite e Shaylin.
— Elas não querem brigar — eu falei em meio ao súbito silêncio. — Nenhuma de nós quer. Mas estamos todas frustradas e esperávamos que você e o Conselho Supremo fossem fazer algo, qualquer coisa, para nos ajudar a combater Neferet.
— Deixem-me mostrar a verdade sobre quem vocês são, e então pode ser que vocês entendam mais sobre essa batalha em que vocês estão insistindo em envolver os humanos — Thanatos estendeu o seu braço direito, com a palma da mão voltada para cima na altura do peito. Ela fez uma concha com a mão, inspirou profundamente e, com a mão esquerda, agitou o ar acima da sua outra mão estendida, dizendo: — Observem o mundo!
A voz dela era poderosa, hipnotizante. Os meus olhos foram atraídos para a palma de sua mão. Sobre ela, um globo do planeta estava se formando. Era incrível, não era como aqueles globos entediantes que os professores de História usavam para juntar pó. Aquele parecia feito de fumaça negra. A água se ondulava e se agitava. Os continentes emergiam, como que esculpidos em ônix.
— Aiminhadeusa! — Stevie Rae exclamou. — É tão lindo!
— É mesmo — Thanatos disse. — E agora observem quem vocês são no mundo! — ela sacudiu os dedos da mão esquerda na direção do globo, como se estivesse salpicando água em cima dele.
Aphrodite, Stevie Rae, Shaylin e eu ofegamos de surpresa. Pequenas faíscas começaram a aparecer, pontuando a massa de terra ônix com minúsculas luzes de diamante.
— Que bonito — comentei.
— São diamantes? Diamantes de verdade? — Aphrodite perguntou, aproximando-se mais.
— Não, jovem Profetisa. São almas. Almas de vampiros. Essas luzes somos nós.
— Mas há tão poucas luzes. Quero dizer, em comparação ao resto do globo, que é todo escuro — Shaylin observou.
Eu franzi a testa e me aproximei mais, juntando-me a Aphrodite. Shaylin estava certa. A terra parecia imensa comparada à pequena quantidade de pontos cintilantes. Fiquei encarando o globo.
Os meus olhos foram atraídos para os agrupamentos de brilho: Veneza, a Ilha de Skye, algum lugar que eu achei ser a Alemanha. Um grupo de luzes na França, alguns borrões no Canadá e vários outros espalhados pelos Estados Unidos – vários, mas mesmo assim não muitos.
— Aqui é a Austrália? — Stevie Rae perguntou.
Dei uma olhada no outro lado do globo, reparando em outros diamantes salpicados.
— Sim — Thanatos confirmou. — E a Nova Zelândia também.
— Ali é o Japão, não é? — Shaylin apontou para outra pequena mancha de brilho.
— Sim, é — Thanatos afirmou.
— Os Estados Unidos não têm tantos diamantes quanto deveria — Aphrodite opinou.
Thanatos não respondeu. Ela encontrou o meu olhar. Eu desviei os olhos, analisando o globo novamente. Devagar, dei toda a volta ao redor dela, desejando que eu tivesse prestado mais atenção às aulas de Geografia – qualquer aula. Quando terminei de dar a volta, encontrei o olhar da Alta Sacerdotisa de novo.
— Não existem muitos de nós — concluí.
— Infelizmente, isso é a mais absoluta verdade — Thanatos concordou. — Nós somos brilhantes, poderosos e espetaculares, mas somos poucos.
— Então, mesmo que nós conseguíssemos fazer com que os humanos nos ouvissem, estaríamos abrindo portas para o nosso mundo que é melhor que fiquem fechadas — Aphrodite falou calmamente, soando madura e sem malícia, como não era próprio dela. — Senão eles podem começar a pensar que as leis deles se aplicam a nós, que nós precisamos deles para nos manterem na linha e isso significa que eles podem começar a apagar as nossas luzes.
— Simples, mas bem colocado — Thanatos juntou as mãos e o globo desapareceu em um sopro de fumaça brilhante.
— Então o que nós vamos fazer? Nós não podemos simplesmente deixar Neferet escapar com todas as coisas horríveis que ela fez. Ela não vai parar em uma coletiva de imprensa, uma comissão na Câmara e uma coluna no jornal. Ela quer morte e destruição. Caramba, ela é Consorte das Trevas! — Stevie Rae disse.
— Nós temos que lutar com as mesmas armas dela — Shaylin sugeriu.
— Ah, que merda. Não vou aguentar mais uma garota que usa metáforas ruins em vez de falar claramente — Aphrodite rebateu.
— O que eu quis dizer é que, se Neferet está envolvendo os humanos, nós também deveríamos fazer isso. Mas nos nossos próprios termos — Shaylin explicou.
Eu vi quando ela movimentou a boca sem som, dizendo “detestável”, mas Aphrodite havia decidido ignorar a novata. De novo. E, felizmente, Aphrodite não estava olhando para ela.
— Shaylin, você despertou o meu interesse, filha. Por que você acompanhou as duas Sacerdotisas e a Profetisa até aqui? — Thanatos perguntou de repente.
Nós, as Sacerdotisas e a Profetisa, ficamos em silêncio.
Pessoalmente, eu queria ver como Shaylin ia lidar com Thanatos. Imaginei que Stevie Rae ficou quieta pelo mesmo motivo. Eu já sabia as razões de Aphrodite, as quais Shaylin tinha resumido bem com a palavra que ela disse sem som: detestável.
A pequena novata vermelha levantou seu queixo e pareceu superobstinada.
— Eu vim com elas porque quero fazer perguntas a você sobre o meu dom. E elas concordaram — Shaylin fez uma pausa, deu uma olhada para Aphrodite e acrescentou: — Bem, duas delas concordaram.
— Qual dom Nyx concedeu a você, novata?
— A Visão Verdadeira — ela olhou nervosamente para Stevie Rae e para mim. — Certo?
— Nós achamos que sim — eu falei.
— É. Pelo menos foi o que a pesquisa de Damien nos disse, e ele está quase sempre certo em relação às coisas que pesquisa — Stevie Rae concordou.
— Ela disse que Neferet tinha cor de olho de peixe morto. Isso me faz pensar que ela pode ter algo mais do que uma simples doença mental — Aphrodite me surpreendeu ao dizer isso.
— Você vê auras? — Thanatos perguntou enquanto analisava Shaylin como se ela estivesse olhando em um microscópio e Shaylin estivesse sob uma lâmina de vidro.
— Eu vejo cores — Shaylin respondeu. — Não sei como chamar o que eu vejo. E-eu era cega até a noite em que fui Marcada. Eu era cega desde os cinco anos. De repente, zap! Ganhei uma lua crescente vermelha no meio da minha testa, minha visão voltou e, junto com ela, as cores. Muitas cores. Por causa delas, eu sei coisas sobre as pessoas. Tipo, eu sabia que Neferet era podre no mesmo instante em que a vi. Apesar de por fora ela ser bonita — ela contou a Thanatos, e eu percebi que ela entrelaçou as mãos com força atrás de si e permaneceu imóvel sob o escrutínio da Alta Sacerdotisa.
— Do mesmo modo, eu sei que Erik Night é basicamente um cara legal, mas é fraco. Ele sempre escolheu o caminho mais fácil. A cor dele é preta, mas não um preto chapado. É um preto profundo e rico, e eu consigo ver pequenos raios de luz dourada relampejando através dele — ela suspirou. — Acho que você é realmente idosa, inteligente e poderosa, mas também tem um temperamento forte, que mantém sob controle. Na maior parte do tempo.
Thanatos curvou os lábios em um sorriso.
— Continue.
Shaylin olhou rapidamente para Stevie Rae e depois de novo para Thanatos.
— As cores de Stevie Rae são como fogos de artifício. Isso me faz pensar que ela é a pessoa mais doce e alegre que eu já conheci.
— Isso porque você não conheceu Jack — Stevie Rae falou, com um sorriso triste para Shaylin. — Mas, obrigada. Foi muito legal dizer isso sobre mim.
— Eu não tive a intenção de ser legal. Só estou tentando dizer a verdade — os olhos de Shaylin se voltaram para Aphrodite. — Bem, na maioria das vezes estou tentando dizer a verdade.
Aphrodite bufou.
Eu esperei que fosse a minha vez e que ela diria a Thanatos que as minhas cores tinham ficado mais escuras porque eu estava superpreocupada, mas ela não falou nada sobre mim. Ela apenas assentiu levemente com a cabeça, como se tivesse decidido internamente alguma coisa, e então concluiu:
— É por isso que eu estou aqui. Preciso da sua orientação sobre como usar o meu dom e quero saber a verdade sobre ele.
Acho que foi nessa hora que comecei a respeitá-la. Thanatos não era uma Alta Sacerdotisa qualquer. Ela era membro do Conselho Supremo e tinha afinidade com a Morte.
Ok, Thanatos era assustadora. Sem brincadeira. Mesmo assim, ali estava Shaylin, com seus quarenta e poucos quilos, menos de um mês como novata, confrontando Thanatos, sem entregar nada privado sobre mim. Ela nem disse aquelas coisas sobre os pontos de luz trêmula do bem dentro de Aphrodite. Era preciso coragem. Muita coragem.
Olhei para as mãos entrelaçadas com força de Shaylin e reparei que os seus dedos haviam ficado brancos. Eu sabia como ela se sentia. Eu também tive que confrontar uma Alta Sacerdotisa poderosa logo depois de ser Marcada.
Eu me aproximei mais de Shaylin.
— Seja como for que você queria chamar o que Shaylin vê, ela tem um dom. Eu concordo com Damien. Acho que é a Visão Verdadeira.
— Todos nós achamos — Stevie Rae falou.
— Você pode me ajudar? — Shaylin perguntou.
Então Thanatos me surpreendeu. Ela não disse nada. Ela se virou e caminhou até a sua mesa, olhando para baixo, como se a resposta para a pergunta de Shaylin estivesse escrita no grande calendário que ela deixava em cima da escrivaninha. Ela ficou parada daquele jeito, com a cabeça abaixada, pelo que pareceu um tempo ridiculamente longo. Eu tinha decidido entrelaçar minhas mãos atrás do meu corpo para evitar me remexer também, até que a Alta Sacerdotisa finalmente se voltou para nós quatro e nos encarou.
— Shaylin, a resposta que eu tenho para você é a mesma que eu tenho para Zoey, Stevie Rae e Aphrodite.
Escutei Aphrodite murmurar algo sobre não se lembrar de ter feito nenhuma maldita pergunta, mas Thanatos a interrompeu e continuou:
— Cada uma de vocês recebeu um dom incomum concedido pela nossa Deusa, e isso vem a calhar para nós, pois vamos precisar de todos os poderes que a Luz pode nos dar se pretendemos combater as Trevas.
— Você quis dizer derrotar as Trevas, não quis? — Stevie Rae perguntou.
Eu sabia a resposta de Thanatos antes de ela falar.
— As Trevas nunca podem ser realmente derrotadas. Elas só podem ser combatidas e desmascaradas pelo amor, pela Luz e pela verdade — a Alta Sacerdotisa afirmou.
— Perdeu. De novo — Aphrodite disse em voz baixa.
— Vou dar uma tarefa a cada uma para que vocês possam exercitar os seus dons. Profetisa, a primeira é para você — Thanatos se dirigiu a Aphrodite.
Aphrodite deu um suspirou profundo.
— Você recebeu de Nyx o dom de ter visões com alertas sobre fatos horríveis que estão para acontecer. Você teve alguma visão antes da coletiva de imprensa de Neferet?
— Não — Aphrodite pareceu surpresa com a pergunta de Thanatos. — Não tenho nenhuma visão há cerca de uma semana.
— Então o quanto você é boa, Profetisa? — as palavras dela foram duras e frias. Thanatos soou quase cruel.
O rosto de Aphrodite ficou realmente pálido e logo depois ficou rosa.
— Quem é você para me questionar? Você não é Nyx. Eu não respondo a você. Eu respondo a ela!
— Exatamente! — a expressão de Thanatos se relaxou. — Então responda a ela. Ouça-a. Observe os seus sinais. As suas visões se tornaram cada vez mais difíceis e dolorosas, não é?
Aphrodite assentiu com um movimento tenso e rápido.
— Talvez porque a nossa Deusa queira que você exercite o seu dom de outros modos. Você fez isso recentemente, diante do Conselho Supremo. Lembra?
— É claro que eu lembro. Foi como eu soube que as almas de Kalona e de Zoey tinham saído de seus corpos.
— Mas você não precisou de uma visão que dissesse isso a você.
— Não.
— Já cheguei ao ponto que queria — Thanatos afirmou. Então ela se virou para Stevie Rae. — Você é a Alta Sacerdotisa mais jovem que já conheci na vida, e eu já vivi bastante. Você é a primeira Alta Sacerdotisa dos vampiros vermelhos na história do nosso povo. Você tem uma afinidade poderosa com a terra.
— Siiiiim... — Stevie Rae prolongou a palavra, como que esperando pelo golpe final de Thanatos.
— A sua tarefa é praticar liderança. Você acata as decisões de Zoey com muita frequência. Você é uma Alta Sacerdotisa. Extraia força da terra e comece a agir como uma Alta Sacerdotisa — Thanatos não deu chance para Stevie Rae responder. O seu olhar penetrante e sombrio se voltou para Shaylin. — Se você tem a Visão Verdadeira, o seu dom é tão bom quanto você for. Não o desperdice com trivialidades e mesquinharias.
— É por isso que eu estou aqui — Shaylin falou rapidamente. — Quero aprender a usar o meu dom do jeito certo.
— Isso, jovem novata, é algo que você precisa desenvolver e ensinar a si mesma. A sua tarefa é analisar aqueles ao seu redor. Leve os resultados até a sua Alta Sacerdotisa. Stevie Rae vai usar os poderes do elemento dela, assim como o seu crescente poder de liderança, para guiar você.
— Mas eu não sei... — Stevie Rae começou, mas Thanatos a cortou.
— E você nunca saberá. Nada. Nada importante de fato. A menos que você assuma a responsabilidade de ser uma Alta Sacerdotisa. Aprenda a confiar em si mesma, para que os outros possam se sentir seguros em confiar em você.
Stevie Rae fechou a sua boca e assentiu, parecendo que ela tinha doze anos, exatamente o oposto de uma Alta Sacerdotisa. Mas eu não tive tempo de dizer nada para ela porque finalmente Thanatos voltou suas baterias contra mim.
— Use a sua pedra da vidência.
— Ahn?
— Ela a intimida — Thanatos continuou como se eu não tivesse dito nada. — A verdade é que o mundo deve mesmo intimidar você, todas vocês, neste momento. Mas o medo não é razão para fugir às suas responsabilidades. Está em suas mãos uma peça de magia antiga que responde a você. Use-a.
— Como? Para quê? — falei sem pensar.
— Uma pedra da vidência, um dom da Visão Verdadeira, uma Profetisa, uma Alta Sacerdotisa: todas essas coisas poderosas são inúteis a menos que todas vocês comecem a responder essas questões a si mesmas. Você disse que vocês não são crianças birrentas? Provem. Podem ir agora — ela virou as costas para nós e deu passos firmes em direção à sua mesa.
Minhas amigas e eu obviamente tivemos o mesmo impulso ao mesmo tempo. Como se fôssemos uma só, começamos a andar apressadas a caminho da porta de saída.
— Eu vou acender a pira de Dragon Lankford à meia-noite. Estejam presentes à cerimônia. Logo depois, preciso de vocês e do resto do seu círculo no lobby da escola. Eu convoquei a minha própria coletiva de imprensa.
As palavras dela nos atingiram e nos fizeram parar como se fossem um muro invisível. Nós nos viramos e olhamos embasbacadas para ela. Eu engoli em seco o nó na minha garganta e falei:
— Mas você disse que nós não podemos confrontar Neferet na comunidade dos humanos. Então, sobre o que vai ser a nossa coletiva de imprensa?
— Nós vamos continuar de boa vontade aquilo que Neferet começou apenas para gerar caos e conflitos. Ela abriu esta escola para empregados humanos. Nós vamos anunciar na coletiva que, apesar de estarmos tristes por Neferet ter saído do seu emprego na nossa escola, estamos felizes em abrir inscrições para mais ocupações para a comunidade na House of Night. Nós vamos sorrir. Seremos afetuosos e abertos. James Stark estará presente com seu jeito agradável, atraente e inofensivo.
— Você vai fazer com que Neferet pareça nada mais do que uma empregada descontente? Brilhante! — Aphrodite comentou.
— E normal — eu observei.
— Algo que os humanos vão entender completamente — Shaylin disse.
— Ei, se vocês realmente querem parecer normais como os humanos, nós precisamos fazer algo tipo um feira de empregos aberta ao público — Stevie Rae sugeriu e todas nos voltamos para ela.
— Continue. Qual é a sua ideia, Alta Sacerdotisa? — Thanatos perguntou.
— Bem, a minha escola de ensino médio costumava ter uma feira de empregos para os formandos no fim do ano. Era como qualquer festa aberta ao público, com ponche ruim, salgadinhos e tudo mais. Mas empresas de Tulsa, de Oklahoma City e até de Dallas apareciam e recebiam inscrições e marcavam entrevistas com os formandos enquanto o resto dos estudantes só ficava por ali, desejando que chegasse a sua vez — Stevie Rae sorriu timidamente e encolheu os ombros. — Acho que pensei nisso porque a minha vez não chegou, já que eu fui Marcada e tal.
— De fato, é uma ideia interessante — Thanatos me chocou ao dizer isso. — Nós vamos mencionar a nossa disposição de abrir a escola para uma feira de empregos — ela pronunciou essas palavras como se elas fossem de uma língua estrangeira — durante a coletiva de imprensa mais tarde.
— Se você realmente quer uma festa aberta ao público aqui na escola, precisamos ter um bocado de gente aqui. Que tal nós convidarmos os Gatos de Rua e fazermos um evento para levantar fundos para a adoção de gatos? Isso seria algo que Tulsa apoiaria — Stevie Rae acrescentou.
— E isso seria normal — Aphrodite falou. — Eventos beneficentes são coisas normais e atraem as pessoas com muita grana, e isso é uma coisa boa.
— Bem pensado — Thanatos concordou.
— Minha avó pode ajudar a coordenar isso com os Gatos de Rua. Ela e a irmã Mary Angela, a freira diretora dos Gatos de Rua, são amigas — eu sugeri.
Thanatos assentiu.
— Então eu vou ligar para Sylvia e perguntar se ela poderia coordenar o que nós chamaremos de uma noite aberta ao público com uma feira de empregos para Tulsa. A presença de sua avó, além das freiras, vai dar uma sensação de normalidade e de tranquilidade.
— Minha mãe pode assar uma tonelada de cookies de chocolate e vir também — Stevie Rae ofereceu.
— Então a convide. Eu tenho fé em vocês, assim como Nyx tem. Não nos desapontem. E agora vocês podem ir mesmo.
Nós saímos da sala de Thanatos falando sobre a coletiva de imprensa e o evento aberto ao público, e comentando como era bom termos um plano. Foi só mais tarde que me dei conta de que eu não havia dito nem uma única palavra sobre o caso Aurox/Heath...

Um comentário:

  1. O interesante é que isso acontece logo quando aurox fica preso na house of night , isso é conhicidencia de mais pra mim

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