11 de outubro de 2015

Capítulo 9 - Zoey

— Caramba, o Mayo parece horrível! — eu soltei.
— Como se ele estivesse pingando com a morte — Damien soava tão horrorizado como eu me sentia.
— Não com a morte — disse Thanatos. — A morte é inevitável para todos os mortais. Não é nem boa nem má; é simplesmente parte do grande espiral da vida. O que Neferet tem usado para revestir a construção é feito de dor e medo, sangue e desespero.
Sua voz soava estranha. Vovó, Stark, Shaylin e eu estávamos todos esmagados no banco do meio do Hummer da escola, e Thanatos estava sentada na frente com Marx. Eu tinha notado que quanto mais próximo estávamos de chegar ao Mayo, mais inquieta a Grande Sacerdotisa parecia. Ela estava literalmente se remexendo, o que era superestranho para ela – Thanatos geralmente era calma como uma montanha.
Seu nervosismo óbvio fez meu estômago se apertar como um louco.
— Caos — disse Kalona. Olhei por cima do ombro, onde ele estava sentado com Damien e Shaunee (que estavam superesmagados porque as suas asas tomavam muito espaço) para vê-lo balançando a cabeça em desgosto. — Neferet usou os filamentos das Trevas para criar o caos, e isso a está protegendo.
— Bem, o caos cheira mal — eu disse, franzindo o nariz.
— Fétido e horrível — Damien concordou. — E nós nem sequer temos uma janela aberta.
— Desculpe — disse Marx. — Eu devia tê-los avisado sobre o mau cheiro.
— Não há necessidade de se desculpar, detetive — disse a Vovó. — Não acredito que houvesse qualquer forma de nos preparar para isso.
— Você provavelmente está certa, mas é melhor eu mencionar que não podemos ter certeza se todas as partes dos corpos foram removidas dos arredores — acrescentou Marx. — Então, cuidado onde pisam.
— Partes de corpos? — minha voz chiou.
Marx concordou.
— As criaturas serpentes mataram um monte de gente quando vieram ao longo da borda da varanda e propagaram o negrume para baixo do edifício. Durante toda a noite Neferet, atirou pedaços de pessoas, sem sangue, pela varanda da cobertura.
— Eu posso sentir a magia que ela ligou ao sangue, morte e escuridão — disse Thanatos. — Ela usou as mortes dessas pobres pessoas para fazer uma barreira.
— Neferet lançou o feitiço, mas ela não sujaria as mãos com a limpeza — Kalona disse severamente. — O que significa que ela tem pessoas lá que ainda estão vivas e fazendo tudo o que ela manda.
— Será que realmente importa quem está fazendo a limpeza? Especialmente se Neferet tem mantido todos como reféns? — Shaunee opinou.
— O que realmente importa é que todo mundo se lembre de que se determos Neferet, detemos toda essa loucura — disse Thanatos.
Nós concordamos sombriamente com a cabeça.
Marx nos conduziu através das barricadas da polícia e parou no meio-fio do outro lado da rua do Mayo, na ampla calçada em frente ao prédio ONEOK, onde nos reunimos e especulamos.
— Nós montamos dois postos de comando dentro do ONEOK. Um no terceiro andar tem todo o equipamento audiovisual. Outro no telhado que tem os atiradores — Marx explicou quando nós permanecemos sentados olhando para o prédio revestido em sangue coagulado do outro lado da rua.
— Atiradores não podem matar Neferet — disse Kalona.
— Sim, nós já percebemos isso — Marx respondeu secamente. — Mas eles podem matar pessoas, mesmo as pessoas que estão sob seu feitiço.
— Você não pode atirar naquelas pessoas! Elas são vítimas — disse a Vovó, passando ao meu lado em agitação. — Eles não são responsáveis por suas ações, Neferet é.
— Sim, senhora, eu sei, e não quero atirar em ninguém, mas se Neferet comandar um grupo de seus robôs, ou como quiser chamá-los, para nos atacar ou a qualquer um dos cidadãos de Tulsa, seremos obrigados a detê-los.
— Ela gostaria disso — Thanatos disse enquanto olhava para o edifício. Ela parecia chateada. Pensei que ela parecia mais pálida do que o normal, mas era uma vampira por tipo, centenas de anos. Ela sempre parecia pálida, então eu não podia ter certeza. — Isso daria a ela o poder das suas mortes, bem como a satisfação de ter nos forçado a matar inocentes — Thanatos moveu seu olhar para Kalona. — Nós não podemos permitir isso.
— Concordo — Kalona respondeu.
— Bom, chega de reunir e especular. Eu preciso estar lá fora. Preciso entender exatamente com o que estamos lidando.
Thanatos saiu do Hummer, batendo a porta atrás dela e deixando o resto de nós segui-la relutantemente.
Kalona moveu-se rapidamente para o lado dela. Ao longe eu podia ouvir gritos de “Ei, há alguns vampiros!” “foquem a câmera em... alguma coisa está acontecendo na frente do Mayo!”.
O imortal alado vestia um longo casaco preto sobre o peito normalmente nu em uma tentativa, razoavelmente bem-sucedida, de esconder suas asas extremamente grandes. Eu o vi mudar seu corpo, tentando o seu melhor para retrair as suas enormes penas. Lançou à multidão atrás da barricada um olhar irritado antes de buscar o detetive Marx.
— Acredito que seria sábio se você removesse todos os civis desta área da cidade. Ninguém está seguro aqui.
— Sim, tente dizer isso para a mídia. Nós conseguimos encurralá-los ali, mas uma imprensa livre é uma droga com a qual lidar.
Kalona deu de ombros.
— Então eles terão que aprender a lição por si mesmos.
Na mesma nota ameaçadora, ele voltou sua atenção para o Mayo. Thanatos olhava para o prédio, quase como se ele a hipnotizasse. Engoli meu medo e fiquei ao lado dela, grata pela presença forte de Stark.
— Eu deveria ter sabido disso antes — a voz de Thanatos estava tensa. Ela deu alguns passos em direção ao prédio. — Mas eu raramente sou chamada para o local da morte de um ser humano, e nunca para um local de morte humana dessa magnitude — ela se moveu para mais perto do edifício, de pé dentro da calçada circular que dava na entrada da garagem principal. Thanatos levantou as mãos, palmas para fora, e estremeceu. — O terror usado para fazer essa barreira permanece.
— Sacerdotisa, eu a aconselho a não se aproximar do prédio — Kalona disse, movendo-se rapidamente para o lado dela, gentilmente pegando seu cotovelo e tentando guiá-la de volta para a rua.
— Eu tenho que ajudá-los — ela falou, sacudindo a mão dele para longe.
— Ajudá-los? — perguntou Marx.
— Nem todos os mortos seguiram para o outro plano. Seu fim foi muito violento, terrível demais, muito além do domínio de qualquer coisa que essas pobres pessoas jamais teriam imaginado. Sinto espíritos em pânico que estão circulando sem parar, incapazes de encontrar o seu caminho a partir deste reino para o outro.
— Você pode ajudá-los? — Vovó perguntou de dentro do Hummer.
— Sim, acredito que posso.
— Tente fazer isso rapidamente — disse Kalona.
— Devo traçar um círculo? — perguntei.
— Não, Zoey. Você e todos os outros, exceto Kalona, fiquem a salvo lá atrás. Isso é algo que eu devo fazer eu mesma. Nossa Deusa me presenteou com tudo o que preciso — ela fez uma pausa e deu um sorriso apreciativo à Kalona. — Incluindo um poderoso protetor. Devo confiar na força que recebo de Nyx.
— Façam como Thanatos disse, voltem para o Hummer — Stark falou, me puxando para trás com ele.
Marx voltou mais devagar, com os olhos focados em Thanatos.
— Damien! Ei, Damien!
Um jovem homem humano correu de repente.
Damien virou a tempo de ser pego em um abraço gigante.
— Adam! Você não deveria estar aqui, é muito perigoso — Damien o repreendeu.
— Ei, eu sou um jornalista. Estou totalmente acostumado com o perigo — disse ele, sorrindo.
Finalmente, eu o reconheci. Era Adam Paluka, um jornalista da Fox, o cara que nos tinha entrevistado após Neferet dar uma coletiva ridícula. Eu sabia que ele e Damien estavam namorando, e da forma como eles sorriram um para o outro, imaginei que as coisas estivessem indo bem. Minha Deusa! Estive tão envolvida no que estava acontecendo comigo que ainda não tinha pensado em perguntar a Damien como ele estava lidando com namorar alguém, logo após Jack.
— Você precisa voltar pra atrás da barreira — disse Marx, se aproximando de Adam com um olhar tempestuoso.
Mas então Thanatos começou seu feitiço, desviando toda a nossa atenção para ela.
A Grande Sacerdotisa ergueu as mãos e fechou os olhos. Quando ela falou, sua inquietação foi embora. Suas palavras eram rítmicas, hipnotizantes; sua voz era calma. Ela era forte, sábia e bonita, e eu tinha orgulho de ser uma novata em uma House of Night sob seu comando.

“Espíritos que ainda sofrem aqui, venham a mim
Permitam que minha voz seja uma tábua de salvação
Calma e docemente, minha Deusa os presenteia com tranquilidade.”

Tudo ao redor de Thanatos, o ar começava a brilhar, como se alguém tivesse jogado globos de neve mágicos cheios de brilho flutuantes em sua direção.
— Meu Deus! O que está acontecendo? O que é isso que a vampira fazendo?
Eu estava tão concentrada no feitiço que Thanatos lançava que mal reconheci o ruído de fundo da multidão curiosa. Senti mais do que vi Adam levantar o iPhone e ouvi o toque da câmera do celular, que significava que ele estava gravando. Stark apertou minha mão antes sussurrar:
— Parece que Marx vai chutar todos os repórteres para fora. Verei o que posso fazer para ajudá-lo. Certifique-se de que você, seu círculo e Vovó fiquem perto do Hummer.
Balancei a cabeça e vagamente percebi que Stark estava discutindo com Damien sobre como fazer Adam sair, enquanto Marx começava a caminhar propositadamente em direção à barricada. Mas não desviei os olhos da Grande Sacerdotisa. Eu não podia. Thanatos segurou todo o meu foco.

“Eu sou a sua guia para fugir das dores desse mundo
O seu terror está acabado; o amor ouviu seu apelo.
Calma e docemente, seus espíritos estão livres agora!”

Orbes brilhantes cercavam Thanatos completamente. Quando ela falou a última linha de seu feitiço, abriu os braços e cada uma das coisas que brilhavam correram para ela. Rindo em alegria absoluta, Thanatos, com o rosto iluminado com amor, atirou os braços para cima.
Os orbes brilhantes foram atirados ao céu da noite como os fogos de artifício do quatro de julho, só que em vez deixar uma fumaça nebulosa para trás, as esferas que desapareciam deixaram uma onda de alívio e de felicidade que me fez esquecer o estresse da situação, o horror do sangue, o mau cheiro e a cortina de escuridão que envolvia o Mayo, me esquecer de tudo, exceto o fato de que humano ou vampiro havia uma constante entre nós: amor. Sempre amor.
E então Neferet saiu pelas portas da frente do prédio, estragando totalmente o meu momento de felicidade. Pensei que ela parecia loucamente linda antes, mas eu estava errada. Sua aparência agora fez toda a beleza da Neferet de antes parecer não mais excêntrica do que uma velha senhora criadora de gatos que cheirava vagamente a urina e pelos. Ela usava um vestido verde e curto. Por um segundo, eu estava quase aliviada. Quero dizer, ela não estava nua. Ok, ela não tinha sapatos, mas pensei que não era grande coisa, até que realmente olhei para seus pés. Eles estavam descansando em um ninho de tentáculos negros se contorciam, enrolavam e pulsavam em torno dela, envolvendo em seus tornozelos e panturrilhas, e, na verdade, levantando-a da calçada.
Mas essa não era nem mesmo a coisa mais louca sobre Neferet. Eram seus olhos que mostravam a sua loucura. Algo tinha acontecido com suas pupilas, elas não existiam mais. Seus olhos eram como bolas de gude assustadoras, completamente verde esmeralda.
— O que há de errado com os olhos del... — Adam começou, mas o grito de Neferet o cortou.
— Anciã da Morte, você não tem domínio sobre o meu Templo! — Neferet apontou para Thanatos, e dois dos tentáculos voaram na direção dela.
Kalona se moveu tão rápido que tudo foi desfocado. De repente, ele estava ali, entre Thanatos e as criaturas que atacavam. Ele tirou o casaco e puxou a lança de ébano que estava amarrada em suas costas. Suas asas abriram-se quando ele encontrou com os tentáculos, furando um, e enquanto ele se contorcia numa agonia de morte, ele girou e cortou o outro ao meio.
Neferet gritou como se pudesse sentir a dor dos tentáculos cortados.
— Ignorem Kalona! Matem Thanatos e depois os outros!
Tudo explodiu.
Gavinhas das Trevas, como veneno expelindo da boca de uma víbora, voaram dos pés de Neferet na tentativa de desviar da barreira de Kalona para chegar a Thanatos e ao resto de nós.
Stark correu de volta para mim, empurrando Vovó e eu para trás dele e gritando para Damien, Adam, Shaunee e Shaylin entrarem no Hummer.
Eu tropecei para trás, com a certeza de que veria Thanatos ser cortada em pedaços pelas criaturas de Neferet, provavelmente apenas alguns segundos antes de eles atacarem Stark e depois devorarem o resto de nós.
Mas nada disso aconteceu. A escuridão não venceu esta batalha, o imortal alado, sim.
Kalona estava em toda parte. Sua lança se movia tão rápido que fez um barulho vibrante no ar.
— Sabre de luz — Damien engasgou — de verdade, e não o faz de conta de Star Wars.
— Leve-os em segurança! — Kalona gritou para Marx.
Marx correu para a Grande Sacerdotisa, e enquanto Kalona usava o seu corpo, as suas asas e sua lança para nos proteger, nós entramos no Hummer.
— Segurem-se, todos. Irei para o meio-fio tirá-lo de lá! — Marx nos disse quando o Hummer rugiu.
— Espere — disse Thanatos. — Ele está vindo para nós. Veja os tentáculos. Sua força se dissipa à medida que se afastam de Neferet.
A Grande Sacerdotisa estava certa. Kalona, machucado e sangrando, ainda lutava contra as criaturas, mas estava fazendo o seu caminho para nós e para longe do Mayo. E as gavinhas não o estavam seguindo.
Quando Kalona atingiu a traseira do Hummer, Neferet levantou os braços e ordenou:
— Retornem para mim, crianças! Vou socorrer vocês!
As criaturas serpentes deslizaram para ela, envolvendo-se em torno de seus braços e pernas. Ela as acariciou, como se quisesse confortá-los, e pouco antes de ela desaparecer dentro do Mayo, seu ardente olhar esmeralda se focou em nós.
— Obrigada pela lição. Da próxima vez eu vou ganhar.


— Não, eu realmente não preciso ir ao seu hospital — Kalona repetiu pela milésima vez para Marx. — Como eu já disse, me traga água ou, melhor ainda, vinho. Eu irei para o telhado do edifício e me curarei.
Nós dirigimos para a parte de trás do edifício ONEOK e entramos pelos fundos para nos juntar à força-tarefa de Tulsa, no terceiro andar. Eu podia ver por que Marx insistia sobre Kalona ir ao hospital, ele era uma confusão sangrenta. Todos na sala observavam enquanto tentavam não olhar para ele. Sério, se ele não fosse imortal, estaria em um saco para cadáveres.
Marx soltou um suspiro e passou os dedos pelo cabelo.
— Tudo bem, eu entendo, eu entendo. Você está bem. Carter! — ele gritou com um policial uniformizado que imediatamente parou de fingir estudar a tela de seu computador e deu ao detetive toda a sua atenção. — Encontre a diretoria do escritório. Haverá bebida lá — Marx olhou para Kalona. — Será que uísque serve? Essas pessoas do ramo corporativo parecem preferir isso.
— Servirá — disse Kalona.
— Pegue para ele — Marx pediu a Carter. — Certo, enquanto Kalona se recupera no telhado, faremos o controle de danos. Paluka, me dê o telefone e saia daqui.
— Você não pode simplesmente pegar o meu telefone! Isso é ilegal!
— É uma prova em uma investigação de homicídio múltiplo em curso. Eu não estou tomando, estou apreendendo-o — disse Marx.
— Um momento, por favor, detetive — Vovó falou.
— Senhora?
Marx e todos os outros olharam para Vovó, perplexos.
Vovó sorriu serenamente.
— Adam, me corrija se eu estiver errada, mas acredito que você está longe de ser o único jornalista que testemunhou o que aconteceu lá fora.
— Você não está errada — Adam respondeu.
— Ah, como eu imaginava. O que significa que provavelmente havia várias câmeras filmando por trás da barreira policial, para não mencionar as gravações de telefones celulares aleatórios, muito parecido com o que você fez.
Ouvi Marx suspirar enquanto Adam dizia:
— Certa novamente, minha senhora.
Vovó e Thanatos trocaram um olhar, e em seguida, a Grande Sacerdotisa continuou de onde Vovó tinha parado.
— Senhor Paluka, gostaria de uma entrevista exclusiva com Kalona e eu?
Os olhos de Adam brilharam de excitação, mas por outro lado, ele permaneceu completamente profissional.
— Eu gostaria muito disso, Grande Sacerdotisa.
— Então você terá — Thanatos olhou para Marx. — Às vezes é mais fácil abrir mão do controle e deixar que o destino lide com o que vem a seguir.
— Pelo menos limpe um pouco do sangue dele em primeiro lugar — murmurou Marx. — E me dê um punhado de Tylenol.


Kalona tentou limpar o sangue que escorria do corte sangrento, e dos pequenos, mas profundos, sulcos do tamanho de mordidas que cruzavam e pontilhavam seu corpo. Pensei que ele ainda parecia muito abatido, e ele ainda sangrava um pouco, mas ele agia totalmente normal, forte, silencioso e intimidante. Thanatos o fez colocar o longo casaco. Ela disse que suas asas fizeram uma aparição grande o suficiente no vídeo da batalha que Adam mostraria durante a entrevista. Silenciosamente, eu concordei com ela, mas também pensei que o casaco era uma boa cobertura para a bagunça de feridas debaixo dele. Pela primeira vez consegui manter minha boca fechada e deixar que os outros lidassem com as consequências dos atos de Neferet enquanto eu ficava sentada, fora dos holofotes. Foi um breve momento de relaxamento para mim, eu me enrolei ao lado de Stark enquanto Vovó, Damien, Shaylin, Shaunee, e eu assistíamos o que eu não podia sequer ter imaginado a alguns meses atrás: Kalona sendo entrevistado na TV de Tulsa.
Adam tinha chamado à equipe de iluminação e um cinegrafista. Pensei que eles estavam fazendo um trabalho muito bom em não olhar estúpida e continuamente para Kalona.
Adam explicou a todos que ele carregaria e reproduziria um trecho do combate, e então começaria a entrevista. Ele também explicou que seria ao vivo, como notícias de última hora.
— Cara, estou contente por não sermos nós ali — eu sussurrei.
— Adam está fazendo um excelente trabalho — Damien falou baixinho, olhando sorridente para o jornalista.
— Eu gosto dele — falei.
Damien encontrou meu olhar.
— Você acha que Jack gostaria dele?
Passei por Stark e apertei a mão de Damien.
— Eu sei que sim.
Damien balançou a cabeça e piscou para conter as lágrimas.
— De alguma forma, isso torna mais fácil, apenas um pouco mais fácil, mas sou grato por esse pouco.
Então a nossa atenção estava em Adam, quando a luz vermelha piscante na câmera ficou contínua e nós assistimos as cenas da batalha de Kalona no prompter portátil.
— Aqui é Adam Paluka, ao vivo, com a vampira e o Guerreiro que acabamos de ver nas incríveis imagens feitas momentos atrás em frente ao Hotel Mayo, no centro de Tulsa, quando a Grande Sacerdotisa conhecida como Neferet atacou vários cidadãos inocentes, inclusive a mim — Adam fez uma pausa, em seguida, sorriu calorosamente para Kalona. — Eu não lhe agradeci por salvar minha vida. Obrigado!
Kalona olhou surpreso, quase tímido. Ele acenou com a cabeça uma vez e disse:
— De nada.
— Kalona estava cumprindo seu dever. Ele é o meu Guerreiro Juramentado. Neferet, que já não é reconhecida por nenhuma autoridade vampira como uma Sacerdotisa de Nyx, atacou a mim e a todos aqueles que estavam comigo. Era o dever de Kalona nos proteger — Thanatos explicou.
— Thanatos, é bom falar com você novamente. Muitos dos nossos telespectadores vão reconhecê-la como a nova Grande Sacerdotisa da House of Night de Tulsa. Você poderia explicar o que estava fazendo na frente do Mayo?
A Grande Sacerdotisa respirou fundo e depois falou devagar e claramente, como se quisesse ter certeza de que todos a entendiam.
— Agora você vai entender o que nós tínhamos apenas suspeitado até agora, de que Neferet está completamente louca e tem sido desonesta. Ela admitiu ter cometido assassinatos. Ela matou o prefeito de Tulsa. Matou dois homens em Woodward Park. A partir daí, seguiu para assassinar inocentes na Igreja da Avenida Boston, domingo de manhã, e depois para o Mayo Hotel, onde criou um para si. As mortes causadas por ela no Mayo lhe permitiram criar um escudo protetor sobre o edifício. Fui atraída para lá por causa da minha afinidade dada pela Deusa, que é a de ajudar as almas que passam deste mundo para o outro.
— Aquelas luzes brilhantes! Eram almas?
Thanatos assentiu.
— Eram, de fato. Elas estavam presas neste reino por causa da maneira violenta como morreram. Eu simplesmente ajudei-as a fazer a passagem.
— Uau, isso é incrível!
O sorriso de Thanatos era deslumbrante.
— O ciclo da vida é, de fato, incrível.
— Sim, com certeza é. Espere, Thanatos. Isso significa que aquelas almas que ajudou eram humanas.
— Sim — ela confirmou serenamente.
— Mas você é uma vampira.
O sorriso da Sacerdotisa se alargou.
— Pensei que nós já tivéssemos discutido isso.
— Sim — Adam passou a mão pelo cabelo perfeito. — Mas uma de sua espécie a atacou porque você estava ajudando as almas humanas.
— Adam, eu vivi por mais de 500 anos, e nesse tempo, aprendi que a humanidade é definida por escolhas, e não pela genética. Simplesmente, os seres humanos e os vampiros têm mais semelhanças do que diferenças.
— Obviamente Neferet não pensa o mesmo — Adam observou.
— Neferet é louca. Seus pensamentos são erráticos e perigosos.
— O que eram aquelas coisas que ela enviou contra nós? — perguntou Adam.
— O mal que tomou forma tangível. Eles seguem os comandos do Neferet, contanto que ela faça sacrifícios para mantê-los fiéis a ela — Thanatos voltou seu olhar diretamente para a câmera. — Eu não posso enfatizar quão imperativo é que não importa o que Neferet ameace, nenhum ser humano deve chegar perto do Mayo. Neferet recebe energia da morte. Fiquem longe do Mayo, e sua fonte de energia vai, eventualmente, acabar.
Adam fez uma pausa, olhou chocado, e então olhou para fora da câmera.
— Detetive Marx, o senhor concorda com o pedido do Thanatos em relação ao Mayo?
cameraman virou-se para um irritado detetive Marx. Imperturbável, ele respondeu sem hesitar:
— Eu concordo. O Departamento de Polícia de Tulsa montou bloqueios em torno do Mayo. Ninguém, nem mesmo a polícia ou militares, é permitido perto do prédio.
— É verdade que Neferet tem reféns dentro do Mayo? — perguntou Adam.
— Sim, mas neste momento não sabemos nomes ou números — disse Marx. — Entendo que as pessoas estarão sentindo a falta de seus entes queridos. O Departamento de Polícia de Tulsa abriu uma linha de 0800 para consultas e chamadas de pessoas desaparecidas. O público deve resolver as suas questões através dessa linha.
— A qual a Fox 23 passará na parte inferior da tela — disse Adam.
— Obrigado — falou Marx, embora não parecesse particularmente grato.
— Detetive Marx, devo perguntar, se você não permitirá que ninguém fique perto do Mayo, como Neferet será detida?
— Ela será detida por mim, e por esses vampiros e novatos que lutam ao meu lado. Neferet é de nossa espécie, e é a nossa espécie que deve derrotá-la — disse Kalona.
Todos nós, incluindo o operador de câmara, focamos no imortal alado.
— Kalona, você não é um vampiro, certo? — Adam perguntou.
— Correto.
— Então o que você é?
Ele nem sequer hesitou, falou como se estivesse falando sobre o que jantou na noite anterior.
— Eu sou Kalona, irmão imortal de Erebus. Uma vez, quando a Terra era mais jovem, eu era Guerreiro e companheiro da Deusa Nyx, mas escolhi mal e por causa disso caí do lado da minha Deusa do Outromundo para este reino.
Houve um longo e ofegante silêncio, e depois Adam perguntou:
— O que você está fazendo aqui?
Os ombros largos de Kalona endireitaram-se e ele olhou diretamente para a câmera.
— Estou tentando reparar os meus erros do passado e ganhar o perdão de Nyx.
— Bem — Adam engoliu audivelmente — parece-me que está fazendo um bom trabalho de reparação. Você salvou a sua Grande Sacerdotisa, um grupo de vampiros e novatos, um detetive e a mim. Se conseguir deter Neferet, começarei a chamá-lo de Superman.
Os lábios carnudos de Kalona se ergueram em um meio sorriso.
— Se você vir Nyx, eu gostaria que dissesse isso a ela.
— Considere feito — disse Adam. Então ele se virou para Thanatos. — Existe alguma coisa que gostaria de acrescentar, Grande Sacerdotisa? Alguma forma de o público poder ajudar?
— Há. Eles podem orar e enviar pensamentos positivos e energia para nós. A House of Night fará o seu melhor para proteger o povo de Tulsa, mas apreciaríamos a intervenção divina.
— Orar? Para que Deus ou Deusa?
— Para qualquer um ou ambos, é claro. Gosto de acreditar que orações não são amarradas à semântica.
Adam sorriu.
— Eu gostaria de acreditar nisso também — ele se virou para a câmera. — Vamos todos rezar por um fim à insanidade de Neferet e da violência que eclodiu em Tulsa por causa disso. E isto é o que há de mais recente sobre o impasse no Mayo. Aqui é Adam Paluka lembrando a você para ficar atento na Fox 23 para todas as notícias de última hora.
— O irmão de Erebus. Isso não é interessante? — Vovó comentou quando Adam apertou a mão de Thanatos e agradeceu Kalona pela entrevista.
— Você sabia que ele era irmão de Erebus? — Damien sussurrou para mim.
— Bem, hã, sim. Ele mencionou há alguns dias.
— Mas temos estado ocupados desde então — disse Stark.
Damien esfregou a testa.
— Eu me lembro vagamente de uma antologia antiga de poesias vampíricas fazendo algumas menções ao Filho da Lua e Guerreiro da Noite, juntamente com as descrições habituais de Erebus como Filho do Sol e consorte de Nyx. Inicialmente, pensei que fossem apenas nomes diferentes para Erebus, mas em retrospecto, faz mais sentido que eles estivessem falando de dois imortais diferentes.
— Isso torna os séculos de raiva de Kalona mais compreensíveis — Vovó observou.
— Sim, ter passado de Guerreiro e companheiro de Nyx a alguém que nem sequer tem entrada permitida no Outromundo deve realmente tê-lo ferido — disse Damien, observando Kalona com grandes olhos tristes.
— Ele estuprou e assassinou pessoas. Quem sabe o que ele fez no Outromundo antes de cair? Não me sinto muito triste por ele — Stark opinou.
— Todo mundo merece uma segunda chance, Tsi-ta-ga-as-ha-ya — Vovó disse, usando Galo, o apelido Cherokee que ela tinha dado a ele. — Eu me lembro que não há muito tempo, foi-lhe dada uma segunda chance.
Stark olhou para seus pés.
Eu respirei fundo e disse:
— E a mim também.
Vovó levantou as sobrancelhas em uma pergunta.
— Hoje me foi dada uma segunda chance — expliquei. Olhei de Vovó para os meus amigos, um de cada vez, e, finalmente, o meu olhar encontrou o de Stark. — Somos uma equipe inteira de pessoas que necessitaram de uma segunda chance. Estou feliz por Kalona conseguir a sua conosco.
Vovó tocou meu braço.
— Algum dia você deve lhe dizer isso, u-we-tsi-a-ge-ya. Acho que você vai se surpreender com a diferença que suas palavras podem fazer.

Um comentário:

  1. — Bem — Adam engoliu audivelmente — parece-me que está fazendo um bom trabalho de reparação. Você salvou a sua Grande Sacerdotisa, um grupo de vampiros e novatos, um detetive e a mim. Se conseguir deter Neferet, começarei a chamá-lo de Superman.

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