1 de outubro de 2015

Capítulo 8

Eu já tinha saído do salão de jantar e estava indo para o dormitório quando eu percebi que não tinha dito para Neferet sobre os fantasmas, mas de jeito nenhum eu iria voltar lá para cima e começar o assunto. A conversa que eu já tive com Neferet me deixou completamente exausta, e apesar do lindo salão de jantar com uma linda vista e cristais e guardanapos de pano, eu estava ansiosa para sair dali. Eu queria voltar para o dormitório e contar a Stevie Rae sobre o que aconteceu com Loren e então fazer nada a não ser vegetar e assistir reprises ruins na TV e tentar esquecer (pelo menos por uma noite) que eu tinha um terrível sentimento sobre o desaparecimento de Chris e que agora eu era muito importante no comando do grupo estudantil mais importante da escola. Tanto faz. Eu só quero ser eu por um tempo. Como eu disse a Neferet, Chris provavelmente já estava a salvo em casa. E tinha muito tempo para todo o resto. Eu suponho que também tenha que trabalhar no Ritual da Lua Cheia... meu primeiro circulo público e um ritual formal. Meu estômago começou a doer. Eu ignorei.
Eu estava na metade do caminho para o dormitório quando lembrei que também tinha uma redação para entregar segunda para a aula de sociologia. Claro, Neferet tinha me liberado da maior parte dos trabalhos dos terceiranistas para que eu pudesse me focar em ler o livro de sociologia mais avançado, mas eu estava tentando muito ser “normal” (O que quer que fosse isso – olá – sou uma adolescente e uma vampira caloura. Como tudo isso pode ser normal?), o que significava que eu me certificava de entregar os trabalhos quando o resto da aula entregava. Então voltei correndo para meu escritório na sala de aula, onde estava meu armário e todos os meus livros. Também era a sala de Neferet, mas eu acabei de deixar ela tomando vinho com vários outros professores no andar de cima. Para variar eu não tinha preocupações sobre ouvir algo horrível.
Como sempre, a porta não estava trancada. Porque ter fechaduras quando você tem a intuição de um vampiro para assustar os abelhudos ao invés disso? A sala estava escura, mas não importava. Eu só fui Marcada há um mês, mas eu já via tão bem com ou sem as luzes. Na verdade, melhor. Luzes muito intensas machucavam meus olhos – luz do sol era quase insuportável.
Eu hesitei enquanto abria meu armário, percebendo que não via o sol a quase um mês. Eu nem pensei sobre isso até agora. Huh. Estranho.
Eu estava considerando as bizarrices da minha vida nova quando notei um pedaço de papel que tinha sido enfiado dentro do meu armário. Ele caiu com a leve brisa que eu criei quando abri minha porta. Minha mão o segurou, e senti uma onda de choque quando percebi o que era.
Poesia.
Ou, mais precisamente, um poema. Era curto e a escrita era muito atraente. Eu li e reli, registrando o que era aquilo. Haiku.

Antiga Rainha desperta
Uma crisálida ainda não formada
Suas asas vão se desdobrar?

Eu deixei meus dedos acariciarem as palavras. Eu sabia quem as tinha escrito. Só havia uma resposta lógica. Meu coração se apertou quando sussurrei o nome dele — Loren...


— É serio Stevie Rae. Se eu te contar, você tem que jurar que não vai dizer nada a ninguém. E quando digo ninguém, me refiro especialmente a Damien e as Gêmeas.
— Dang, Zoey, você pode confiar em mim. Eu disse que juro. O que você quer que eu faça, abra uma veia?
Eu não disse nada.
— Zoey, você pode realmente confiar em mim. Prometo.
Eu estudei o rosto da minha melhor amiga. Eu precisava conversar com alguém – alguém que não é um vampiro. Eu procurei dentro de mim, no núcleo do que Neferet chamava de intuição. Eu me senti certa e confiante em relação a Stevie Rae. Eu me sentia segura.
— Desculpe. Eu sei que posso confiar em você. É só que... eu não sei. — Eu balancei a cabeça, frustrada com minha própria confusão. — Ok, coisas estranhas aconteceram hoje.
— Você quer dizer mais do que a estranheza original que acontece por aqui?
— Yeah. Loren Blake foi para a biblioteca hoje enquanto eu estava lá. Ele foi a primeira pessoa com quem eu falei sobre minha ideia de Conselho de Prefeitos para as Filhas das Trevas.
— Loren Blake? Como o vampiro mais lindo que a gente já viu? É melhor eu sentar. — Stevie Rae caiu na cama.
— É o que eu quero dizer.
— Eu não acredito que você não disse nada sobre isso até agora. Você deve estar morrendo.
— Bem, isso não é tudo. Ele... uh... me tocou. E mais de uma vez. Ok, na verdade eu vi ele mais uma vez hoje. Sozinho. E eu acho que ele me escreveu um poema.
— O que!
— Yeah, a princípio foi perfeitamente inocente e eu não estava imaginando nada demais. Na biblioteca só conversamos sobre as ideias que eu tive sobre as Filhas das Trevas. Eu não achei que significasse algo. Mas, bem, ele tocou minha Marca.
— Qual? — Stevie Rae perguntou. Os olhos dela eram enormes e redondos e ela parecia chocada como se fosse explodir.
— A do meu rosto. Naquela vez.
— Como assim naquela vez!
— Bem, depois que eu terminei de acariciar Persephone eu não estava com pressa para voltar para o dormitório. Então fui dar uma volta perto do muro oeste. Loren estava lá.
— Ohmeumaravilhosodeus. O que aconteceu?
— Eu acho que a gente flertou.
— Você acha!
— Estávamos rindo e sorrindo um para o outro.
— Parece como flerte para mim. Deus, ele é totalmente lindo.
— Nem me fale. Quando ele sorri eu mal consigo respirar. E olha isso – ele recitou um poema para mim — eu disse. — Foi um poema que um homem escreveu sobre sua amante nua por baixo do luar.
— Você tem que estar brincando! — Stevie Rae começou a se arejar com a mão. — Vai logo para a parte interessante.
Eu respirei fundo. — Foi muito confuso. Tudo estava indo muito bem. Como eu disse, estávamos rindo e conversando. Então ele disse que estava ali sozinho porque é assim que ele se inspira para escrever haiku –
— O que é insanamente romântico!
Eu acenei e continuei. — Eu sei. De qualquer forma, eu disse a ele que eu não queria atrapalhar a inspiração e incomodar ele, e ele disse que outra coisa que o inspirava que só a noite. E ele me pediu para ser a inspiração dele.
— Puta merda.
— Exatamente o que eu pensei.
— Naturalmente você disse que ficaria feliz em inspirar ele.
— Naturalmente — eu disse.
— E... — Stevie Rae ficou prontamente ansiosa.
— E ele pediu para ver minha Marca. A dos meus ombros e costas.
— Ele não pediu.
— Ele pediu.
— Cara, eu teria tirado minha camiseta mais rápido do que você pudesse dizer Bubba ama caminhões!
Eu ri. — Bem, eu não tirei minha camiseta, mas deslizei minha jaqueta para baixo. Na verdade, ele me ajudou.
— Você está me dizendo que Loren Blake, Vampiro Poeta Laureate e o homem mais gostoso, te ajudou a tirar sua jaqueta como um cavalheiro?
— Yeah. Bem assim. — Eu demonstrei colocando minha jaqueta até os cotovelos. — E então eu não sei exatamente o que deu em mim, mas de repente eu não estava nervosa e agindo feito idiota. — Eu tirei um lado da minha camiseta para ele. Assim. — Eu coloquei minha camiseta para baixo, expondo minhas costas e ombro e uma boa parte do meu seio (aliviada de novo por estar usando um bom sutiã). — Foi quando ele me tocou. De novo.
— Onde?
— Ele tracejou a minha Marca nas minhas costas e ombro. Ele disse que eu parecia como uma antiga rainha vampira e recitou um poema para mim.
— Puta merda — Stevie Rae disse de novo.
Eu cai na cama a olhando e suspirando, colocando de volta minha camiseta. — Yeah, foi incrível por um tempo. Eu tinha certeza que estávamos conectados. Realmente conectados. Eu acho que a gente quase se beijou. Na verdade, eu sei que ele queria também. E então, do nada, ele mudou. Ele ficou todo educado e formal e me agradeceu por mostrar minha Marca e então eu me afastei.
— Bem, isso não é grande surpresa.
— Com certeza foi para mim. Quero dizer, num segundo ele estava me olhando diretamente nos olhos e enviando enormes sinais que ele me queria e no outro – nada.
— Zoey, você ainda é uma estudante. Ele é um professor. Essa é uma escola de vampiros e um mundo diferente de uma escola normal, mas algumas coisas não mudam. Professores são fora de limites para alunos.
Eu mordi o lábio. — Ele só é um professor por meio turno.
Stevie Rae virou os olhos. — Como se isso importasse.
— Não foi só isso que aconteceu. Eu acabei de encontrar esse poema no meu armário. — Eu entreguei a ela o pedaço de papel com o haiku nele.
Stevie Rae sugou o ar. — Ohminhadeusa. Isso é tão romântico que eu podia morrer. Como? Como ele tocou a Marca em suas costas?
— Jesseh, como você acha? Com seus dedos. Ele tracejou as linhas. — Eu juro que ainda podia sentir o calor daquele toque.
— Ele recitou um poema de amor para você, tocou sua Marca, e então escreveu outro poema para você... — Ela suspirou sonhadora. — É como se vocês fossem Romeu e Julieta com todo esse negócio de amor proibido. — Enquanto se abanava dramaticamente ela parou e sentou direito. — Ah oh, e quanto a Erik?
— Como assim, o que tem o Erik?
— Ele é seu namorado, Zoey.
— Não oficialmente — eu disse timidamente.
— Bem, droga, o que o garoto tem que fazer para tornar “oficial”? Se ajoelhar? Ficou bem óbvio nesse mês que vocês estão saindo.
— Eu sei — eu disse miseravelmente.
— Então você gosta mais do Loren do que do Erik?
— Não! Sim. Oh, diabos, eu não sei. É como se Loren fosse um mundo diferente. E não é como se ele e eu realmente possamos sair, ou algo assim. — Mas eu não tinha certeza sobre o algo assim. Loren e eu poderíamos nos ver secretamente? Eu queria?
Como se pudesse ler meus pensamentos Stevie Rae disse, — Você poderia ver Loren escondida.
— Isso é ridículo. Ele provavelmente nem se sente assim sobre mim. — Mas mesmo quando disse as palavras eu lembrei do calor do corpo dele e o desejo em seus olhos escuros.
— E se ele se sentir, Z? — Stevie Rae me estudou cuidadosamente. — Você sabe, você é diferente do resto de nós. Ninguém foi Marcado como você antes. Ninguém teve uma afinidade pelos cinco elementos. Talvez as mesmas regras não se apliquem a você.
Meu estômago se apertou. Desde que eu cheguei na House of Night eu estive lutando para me encaixar. E eu realmente queria fazer desse lugar meu novo lar – e ter amigos que eu considerasse uma família. Eu não queria ser diferente e não queria jogar por regras diferentes. Eu balancei a cabeça e falei através dos dentes cerrados, — Eu não quero ser assim, Stevie Rae. Eu só quero ser normal.
— Eu sei — Stevie Rae disse suavemente. — Mas você é diferente. Todos sabem disso. Além do mais, você não quer que Loren goste de você?
Eu suspirei. — Eu não estou certa do que eu quero, a não ser que eu não quero que ninguém descubra sobre Loren e eu.
— Meus lábios estão fechados. — Stevie Rae disse, com seu pequeno sotaque Okie, enquanto imitava fechar seus lábios e jogar a chave fora por cima dos ombros. — Ninguém vai conseguir uma palavra de mim — ela murmurou através dos lábios meio fechados.
— Diabos! Isso me lembra, Aphrodite viu Loren me tocar.
— Aquela bruxa te seguiu até o muro! — Stevie Rae disse.
— Não, não, não. Ninguém me viu lá. Aphrodite entrou no Media Center quando ele estava tocando meu rosto.
— Ah, merda.
— Ah, merda, está certo. E tem mais. Lembra quando perdi a aula de espanhol porque eu queria falar com Neferet? Eu não falei com ela. Eu fui até a sala dela e a porta estava entre aberta, então eu pude escutar o que estava acontecendo lá dentro. Aphrodite estava lá.
— Aquela vadia estava dedurando você!
— Não tenho certeza. Só ouvi um pouco do que estavam dizendo.
— Aposto que você ficou apavorada quando Neferet foi falar com você no salão de jantar para que fosse comer com ela.
— Totalmente — eu concordei.
— Não é de se admirar que você estivesse parecendo tão enjoada. Jeesh, tudo faz sentido agora. — Então os olhos dela ficaram maiores. — Aphrodite te pôs em problemas com Neferet?
— Não. Quando Neferet falou comigo hoje a noite ela disse que as visões de Aphrodite eram falsas porque Nyx retirou o dom dela. Então o que quer que Aphrodite tenha contado a ela, Neferet não acreditou.
— Ótimo. — Stevie Rae parecia querer quebrar Aphrodite ao meio.
— Não, não é bom. A reação de Neferet foi dura. Ela fez Aphrodite chorar. Sério, Stevie Rae, Aphrodite ficou destruída pelo que Neferet disse a ela. Além do mais, Neferet não parecia como si.
— Zoey, eu não acredito que vamos fazer isso de novo. Você tem que parar de sentir pena de Aphrodite.
— Stevie Rae, você não está entendendo. Isso não é sobre Aphrodite, é sobre Neferet. Ela foi cruel. Mesmo que Aphrodite estivesse me dedurando e exagerando no que viu, a resposta de Neferet foi errada. E estou com um mal pressentimento em relação a isso.
— Você está com um mal pressentimento sobre Neferet?
— Sim... não... eu não sei. Apenas não é Neferet. É como uma coisa misturada – tudo vindo ao mesmo tempo. Chris... Loren... Aphrodite... Neferet... alguma coisa está errada, Stevie Rae.”
Ela parecia confusa, e eu percebi que precisava de uma analogia Okie para ela entender. — Sabe como é logo antes de um tornado chegar? Quero dizer, o céu está limpo, mas o vento começa a se acalmar e mudar de direção. Você sabe que algo está vindo, mas nem sempre sabe o quê. É assim que me sinto agora.
— Como se uma tempestade estivesse vindo?
— Sim. Uma enorme.
— Então você quer que eu...?
— Me ajude a cuidar da tempestade.
— Eu posso fazer isso.
— Obrigado.
— Mas primeiro podemos ver filmes? Damien acabou de encomendar Moulin Rouge da Netflix. Ele está trazendo, e as Gêmeas conseguiram por as mãos em batatinhas que não são livres de gordura. — Ela olhou para seu relógio do Elvis. — Eles provavelmente estão lá embiaxo agora e irritados porque tem que esperar por nós.
Eu amo o fato que eu pude descarregar o que parecia como um terremoto com Stevie Rae e em um segundo ela podia ser toda “ohminhadeusa” e no outro falar sobre algo tão simples como batatas e filmes. Ela me fazia sentir normal e adulta e como se tudo não fosse incrivelmente frustrante. Eu sorri para ela. — Moulin Rouge? Não é o que tem McGregor nele?
— Definitivamente. Eu espero que possamos ver a bunda dele.
— Você me convenceu. Vamos. E lembre-se –
— Jeesh! Eu sei, eu sei. Não diga nada sobre nada disso. — Ela parou e juntou as sobrancelhas. — Então me deixe dizer mais uma vez. Loren Blake está a fim de você!
— Terminou?
— Yeah. — Ela riu travessamente.
— Eu espero que alguém tenha me trazido coca.
— Sabe, Z, você é estranha sobre coca.
— Tanto faz, Senhorita Lucky Charms, eu disse, a empurrando pela porta.
— Hey, Lucky Charms são bons para você.
— Verdade? Então, me diga, o que são marshmallows – uma fruta ou um vegetal?
— Ambos. Eles são únicos – como eu.
Eu estava rindo da boba Stevie Rae e me sentindo melhor do que eu tinha me sentido o dia toda quando descemos as escadas e fomos para a sala do dormitório. As Gêmeas e Damien tinham sentado em uma grande TV de tela plana, e eles acenaram para nós. Eu vi que Stevie Rae estava certa, eles estavam com Doritos e os afundando em molho de cebola (parece nojento, mas é bem gostoso). Meu bom pressentimento ficou ainda melhor quando Damien me deu um enorme copo de coca.
— Vocês demoraram — ele disse, dando espaço para podermos sentar ao lado dele no sofá. As Gêmeas, naturalmente, estavam sentadas em duas cadeiras idênticas que colocaram perto do sofá.
— Desculpe — Stevie Rae disse, e então acrescentou com um sorriso para Erin, — Eu tive um movimento do estômago.
— Excelente uso das descrições apropriadas, Stevie Rae — Erin disse, parecendo satisfeita.
— Ugh, coloque o filme — Damien disse.
— Espera, eu tenho o controle — Erin disse.
— Espere! — Eu peguei dela antes dela apertar play. O volume estava no mudo, mas eu podia ver que a Chera Kimiko do canal Fox 23. O rosto dela parecia triste e sério enquanto ela falava diretamente para a câmera. Embaixo da tela corria a as palavras “corpo de adolescente encontrado.” — Aumente o volume. — Shaunee tirou a TV do mudo.
— Repetindo nossa estória principal dessa manhã: o corpo do jogador de futebol da Union, Chris Ford, foi descoberto por dois caiaquistas na tarde de sexta. O corpo esbarrou nas rochas e nos bancos de areia usadas na barragem da área da Rua Vinte e Um no Rio de Arkansas para criar a nova correnteza para recreação. Fontes nos informaram que o adolescente morreu devido a perda de sangue associado com múltiplas lacerações, e que ele pode ter sido espancado por um grande animal. Vamos ter mais informações depois que o exame do legista for liberado.
Meu estômago, que finalmente tinha começado a se acalmar, se apertou. Eu senti meu corpo ficar frio. Mas a má noticia não acabou. Os lindos olhos marrons de Chera olharam seriamente para a câmera enquanto ela continuou.
— No salto desse trágico evento notícias reportam que outro jogador da Union está desaparecido. — A tela mostrou a foto de um cara fofo da Union usando o tradicional uniforme vermelho e branco. — Brad Higeons foi visto pela última vez depois da escola na sexta na Starbucks na Utica Square onde ele estava postando fotos de Chris. Brad não apenas era colega de Chris, ele também era seu primo.
— Ohminhadeusa! O time de futebol da Union está caindo feito mosca — Stevie Rae disse. Ela olhou para mim e vi os olhos dela se alargarem. — Zoey, você está bem? Você não parece muito bem.
— Eu também o conhecia.
— Isso é estranho — Damien disse.
— Os dois sempre festejavam juntos. Todos os conheciam porque eles eram primos, embora Chris seja negro e Brad branco.
— Faz perfeito sentido para mim — Shaunee disse.
— Pra mim também, Gêmea — Erin disse.
Eu mal podia ouvir eles pelo zumbido em meus ouvidos. — Eu... eu preciso ir dar uma volta.
— Eu vou com você — Stevie Rae disse.
— Não, você fica aqui e assiste o filme. Eu só – eu só preciso de ar.
— Tem certeza?
— Absoluta. Eu não demoro. Eu volto em tempo de ver a bunda de Ewan. — Embora eu quase pudesse sentir o olhar preocupado que Stevie Rae estava me dando (e ouvir as Gêmeas discutirem com Damien se eles realmente iriam ver a bunda de Ewan), eu sai apressada do dormitório para a fria noite de novembro.
Cegamente, me afastei do prédio principal da escola, instintivamente indo para a direção oposta de onde pudesse me encontrar com pessoas. Eu me forcei a continuar me mexendo e respirando. O que diabos tem de errado comigo? Meu peito está apertado e meu estômago está tão enjoado que eu tive que engolir com força para não vomitar. O zumbido nos meus ouvidos parecem ter melhorado, mas não houve alivio da ansiedade que tinha se apoderado de mim como um pacote. Tudo dentro de mim gritava, algo não está certo!
Algo não está certo! Algo não está certo!
Enquanto andei gradualmente notei que a noite, que estava limpa, com um céu cheio de estrelas ajudando a quase lua cheia a iluminar a grossa escuridão, de repente se encheu de nuvens. A suave brisa legal tinha virado fria, fazendo as folhas secas tremerem ao meu redor, misturando o cheiro de terra e vento com a escuridão... de alguma forma isso me acalmou e o tumulto de pensamentos desconexos e a ansiedade diminuíram o suficiente para mim poder pensar.
Eu fui para os estábulos. Lenobia disse que eu podia escovar Persephone quando eu precisasse pensar e ficar sozinha. Eu definitivamente preciso disso, e ter uma direção para ir – e um destino – era uma pequena coisa boa no meio do caos interno.
Os estábulos eram logo a frente, estendendo-se em forma grande e baixa, e minha respiração começou a vir mais fácil quando eu ouvi o som. A princípio eu não soube o que era. Era muito abafado – muito estranho. Então achei que pudesse ser Nala. Era bem dela me seguir e reclamar para mim em sua estranha voz de velhinha, até que eu parasse e a pegasse. Eu olhei ao redor e chamei “gatinha-gatinha” suavemente.
O som ficou mais distinto, mas eu percebi que não era um gato. Um movimento perto do celeiro pegou meus olhos, e eu vi uma forma que estava sentada no banco perto da porta da frente. Só havia uma luz ali, e era do lado da porta. O banco era logo ali fora na ponta do alcance da luz amarela.
Eu me movi de novo, e notei que a forma deveria ser uma pessoa... ou um calouro... ou um vampiro. Estava sentada, mais meio arqueada, quase dobrada em si. O som começou de novo. Quanto cheguei mais perto pude ver que era um estranho choro – como se alguém estivesse sentado ali com dor.
Naturalmente, eu quis correr para a direção oposta, mas eu não podia. Não seria certo. Além do mais, eu senti – o conhecimento interior que me disse que não podia ir embora. Que o que quer que estivesse acontecendo no banco era algo que eu tinha que encarar.
Eu respirei fundo e me aproximei do banco.
— Uh, você está bem?
— Não! — A palavra era um assustador e explosivo som sussurrado.
— Posso – posso te ajudar? — Eu perguntei, tentando ver nas sombras quem era que estava sentada ali. Eu pensei ver um cabelo colorido claro, e talvez algumas mãos cobrindo o rosto...
— A água! A água é tão fria e profunda. Não consigo sair... não consigo sair.
Ela tirou as mãos do rosto e então olhou para mim, mas eu já sabia quem ela era. Eu reconheci sua voz. E eu também reconhecia o que estava acontecendo com ela. Eu me forcei a me aproximar com calma. Ela me encarou. O rosto dela estava coberto de lágrimas.
— Anda, Aphrodite. Você está tendo uma visão. Precisamos ir ver Neferet.
— Não! — Ela disse. — Não! Não me leve a ela. Ela não vai me ouvir. Ela – ela não acredita mais em mim.
Eu lembrei o que Neferet disse mais cedo sobre Nyx ter retirado os dons de Aphrodite. Porque eu deveria me meter com ela? Quem sabia o que estava acontecendo com Aphrodite? Ela provavelmente estava fazendo algum patético plano para chamar atenção, e eu não tinha tempo para essa merda.
— Ótimo. Vamos dizer que eu também não acredito em você — eu disse a ela. — Fique aqui e tenha suas visões ou o que for. Eu tenho outras coisas para me preocupar. — Eu virei para ir ao estábulo, e as mãos dela se contorceram, e ela agarrou meu pulso.
— Você tem que ficar! — Ela disse através dos dentes cerrados. Obviamente, ela estava tendo dificuldades para falar. — Você tem que ouvir a visão!
— Não, eu não tenho. — Eu tirei os dedos dela do meu pulso. — O que quer que esteja acontecendo, é sobre você – não eu. Lide você com isso. — Dessa vez quando virei me afastei mais rapidamente.
Mas não rápida o bastante. As próximas palavras dela pareceram me cortar ao meio.
— Você tem que me ouvir. Senão sua avó vai morrer.

4 comentários:

  1. Jujuba_Ninja!♥3♥28 de junho de 2016 21:26

    OHMINHADEUSA!!!!!!!! A Sylvia não pode morrer

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    1. NÃO MESMO! ESCUTA ELA, ZOEY! ELA É GENTE BOA!
      É A NEFERET Q QUER TE MANIPULAR!

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  2. A Zoe está muito lerda pra captar as coisas. Será que ela não percebeu que os boys da Union que estão sumindo, são os que ela tinha anotado no papel pra Neferet no livro 1?

    E pelo jeito é capaz dela não acreditar na Aphrodite por causa do aviso da Neferet, porr* se a Sylvia morrer, eu não respondo por mim.

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  3. A avo dela n pode morrer! É a unica da familia da Zoey que n a acha um monstro!!

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