11 de outubro de 2015

Capítulo 8 - Detetive Marx

O cara era enorme. E ele tinha asas. Asas enormes. Marx estava feliz por já estar sentado, porque só de olhar para o... O-que-diabos-ele-fosse... Fez seus joelhos parecerem como borracha.
Primeiro, a Vampira/Deusa louca e a cortina preta sangrenta no Mayo. Agora, um gigante alado que se diz Guerreiro da Morte.
Ele estava tendo a droga de um sonho?
Bem, se estava, o sonho continuou seguindo, porque Thanatos conversava com o gigante alado e Marx tinha a maldita certeza de que não iria acordar.
— Vir comigo? Para o centro de Tulsa em plena vista dos...
— O que você vai fazer se filamentos das Trevas de Neferet a atacarem? Eu entendo dessa manifestação das Trevas. Lutei com elas repetidas vezes no Outromundo — a voz poderosa do gigante disparou. — O que os humanos temem mais, a encarnação do mal, ou a presença de um Deus batalhando nas ruas de Tulsa?
— Os seres humanos não acreditam mais que os Deuses andem na Terra — respondeu Thanatos.
— Esse é exatamente o meu ponto! — devolveu o gigante alado. — As ações de Neferet têm fugido à regra. Já passou da hora de os seres humanos usufruírem de suas cabeças da areia e perceberem que este mundo está cheio de magia, mistério e perigo. É também a hora de eu fazer o que fui criado para fazer, ser um guerreiro e lutar contra as Trevas.
A Grande Sacerdotisa inclinou a cabeça levemente em aquiescência ao homem alado. Então ela se virou para Marx.
— detetive, eu gostaria de lhe apresentar o meu Guerreiro juramentado, Kalona. Ele é o meu protetor, assim como Mestre da Espada desta House of Night. Vai nos acompanhar ao Mayo.
Marx hesitou por um momento e então fez a única coisa que podia pensar em fazer. Ele estendeu a mão para o grandalhão.
— É bom conhecê-lo, Kalona.
Kalona segurou seu antebraço na saudação tradicional de vampiro.
— É bom conhecê-lo também, detetive.
— Você não é um vampiro, é? — Marx não podia deixar de perguntar.
O sorriso de Kalona era sarcástico.
— Não. Eu não sou.
Marx olhou para as asas do cara, que agora estavam dobradas em suas costas. As malditas coisas eram tão longas que elas realmente arrastavam no chão.
— O que você é?
O sorriso de Kalona se alargou e pareceu tornar-se genuíno.
— Há uma resposta complicada para isso, que prometo dar-lhe depois de ter lidado com Neferet.
— Eu cobrarei essa promessa — disse Marx, tentando não olhar diretamente nos olhos dele, pois isso o fez sentir sua cabeça ficar tonta e leve, como se ela estivesse cheia de bolas de algodão.
— Você não terá que cobrar, detetive. Aprendi da maneira mais difícil que é melhor que eu mantenha as minhas promessas.
— Então nós estamos todos indo para o Mayo? — perguntou Aphrodite.
— Não. Kalona e eu vamos, bem como Zoey, Stark e seu círculo. Darius, Aurox e Aphrodite, vocês ficarão aqui com Lenobia. Vocês duas convocarão uma assembleia escolar. Chamem todos os professores, guerreiros e o corpo docente. Deem-lhes o básico e nada mais. E coloquem a escola em alerta máximo. Não temos ideia de qual será o próximo movimento de Neferet.
— Você realmente acha que todo mundo deve saber o que está acontecendo? — Stevie Rae perguntou, ecoando o pensamento de Marx.
Zoey falou antes que Thanatos pudesse responder.
— Eu acho que as Trevas odeiam ter luz brilhando sobre ela, então vamos colocar um grande holofote brilhando sobre o que Neferet está fazendo.
— Esta com certeza é uma maneira de descobrir quem quer correr de volta na surdina para Neferet e quem quer se levantar e lutar contra ela com a gente — disse Stark.
— Vocês dois ecoaram exatamente os meus pensamentos — Thanatos falou.
— Bem, ok, então. Mas chamarei Kramisha para me ajudar. Ela sempre sabe quem está disposto a fazer o que quer que seja — Aphrodite disse.
— É sábia a Profetisa que reúne consigo outros presenteados por sua Deusa — disse Thanatos, dando sua aprovação.
— É sábia, também, uma Profetisa que mantém o seu telefone celular por perto. Ligue se tudo explodir, literal ou figurativamente — Aphrodite observou.
— Ligaremos — disse Zoey.
— Nós vamos segui-lo, detetive Marx — Thanatos falou.
Marx inspirou profundamente e desligou totalmente o seu interruptor de sanidade.
— Tudo bem. Vamos lá.


Lynette
— Lynette, eu adoro uma surpresa... — Neferet hesitou antes de continuar, levantando um dedo. — Se a surpresa for agradável. Se não, nada mais é do que uma interrupção irritante. Eu detesto interrupções quase tanto quanto detesto estar irritada — seu olhar deixou Lynette, e ela olhou para o que parecia ser suas pernas nuas. — Falando de irritações, por que vocês estão vagando sem rumo? Estou perfeitamente segura, e vocês têm sido perfeitamente saciados. Vão se divertir em outro lugar e parem de ficar se arrastando para mim. Vão agora, xô!
Neferet estalou seus dedos com desdém antes de voltar sua atenção para Lynette.
Lynette não viu as criaturas serpentes, mas ela podia sentir o toque frio de algo deslizando por ela. Ela reprimiu um estremecimento de repulsa.
— Querida Lynette, onde estávamos? Ah, sim, eu me lembro. Você anunciou que tem planejado uma pequena surpresa para mim. Por favor, continue se explicando.
Lynette encontrou o olhar da Deusa sem vacilar. O pânico que se reuniu em algum lugar sob seu peito estremeceu e recuou, mas ela apertou as rédeas mentais que tinha amarrado e deixou só a alegria do planejamento de um evento espetacular preencher sua mente. O sorriso de Lynette estava cheio de confiança, assim como sua voz.
— Deusa, eu sou muito boa no meu trabalho. Mesmo que eu esteja sob circunstâncias incomuns, com meios limitados, acredito absolutamente que achará minha surpresa agradável.
— Limitado soa tão de mau gosto, tão barato — Neferet franziu a testa. — Eu certamente não gostaria que você sentisse que sua Deusa é miserável.
— Oh, não me sinto assim! — Lynette garantiu-lhe, esperando que não tivesse tropeçado no gatilho louco de Neferet. — Eu me coloco dou um prazo e isso significa limite, porque quero provar o meu valor para você. Mas é claro que isto é apenas uma pequena amostra dos eventos que eu poderia planejar diariamente se eu tivesse mais tempo e dinheiro com o qual trabalhar.
A testa de Neferet alisou novamente.
— Você é uma mulher sábia, Lynette. Mostre-me o que criou para mim. Se me agradar, pode ter certeza de que terá permissão para avançar com meios ilimitados, embora eu não possa prometer que estarei pacientemente atribuindo-lhe muito tempo. Esperei muito para começar o meu reinado. Estou ansiosa para a adoração dos meus suplicantes.
— É bastante compreensível, Deusa — respondeu Lynette. — Eu nunca fico tão preocupada com o tempo quando tenho dinheiro, ao se tratar de planejamento de eventos.
Neferet a estudou.
Lynette se concentrou em negócios. Ela se destacava em seu negócio. Era confiante sobre isso. Empresas não a aterrorizavam ou a repeliam.
Neferet sorriu.
— Você está sendo absolutamente honesta. Sua empresa e a aquisição de dinheiro têm sido a sua principal preocupação. Vá adiante, minha veneradora! Revele minha surpresa.
Lynette fez uma reverência e levou Neferet da suíte da cobertura para o elevador, parando-a no mezanino.
— Por favor, aguarde um momento, Deusa.
Neferet sorriu e fez um gesto de aquiescência. Lynette apertou o botão de espera no elevador e, em seguida, bateu nos fones quase invisíveis, falando rapidamente e silenciosamente.
— Kylee, espere dez segundos e depois diga ao quarteto para começar.
— Sim, Lynette — veio a resposta robótica de Kylee.
Lynette olhou para a direita e fez um gesto de “venha aqui”. Judson, o bonito carregador, saiu das sombras. Ele estava vestido impecavelmente em um uniforme recém-passado, e carregava uma bandeja de prata reluzente sobre a qual repousava uma taça de cristal completa com um champanhe rosa borbulhante. Ele se curvou perfeita e mecanicamente para Neferet e disse:
— Posso oferecer-lhe champanhe, Deusa?
— Porque não? Obrigada, Judson.
A música começou no instante em que Neferet tirou a taça da bandeja. Lynette teve o prazer de ver um sorriso se formar nos cantos dos lábios da Deusa.
— Danúbio Azul, de Strauss, uma das minhas valsas favoritas. Ah, Viena era tão adorável e decadente no passado.
— Por gentileza, siga-me, Deusa — Lynette solicitou formalmente, conduzindo Neferet através de todo o mezanino para o local aonde o seu trono temporário havia sido movido, um pouco acima do patamar a partir do qual ela se dirigiu aos seus novos “suplicantes” apenas três horas antes, e onde, agora, o quarteto de cordas do casamento da noite anterior estava, nervosa, mas lindamente, tocando.
Neferet sentou-se graciosamente, olhando para baixo, para o quarteto.
— Eles tocam bem, embora eu preferisse uma orquestra completa.
— Tempo e recursos — Lynette observou com um sorriso torto.
Os lábios da Deusa se contraíram.
— Estou tomando nota sobre isso.
Lynette inclinou a cabeça para Neferet e rapidamente tocou no fone de ouvido novamente.
— Envie-os no início da próxima contagem de seis segundos.
Em seguida, ela prendeu a respiração e esperou que os doze artistas conseguissem manter-se juntos.
As pesadas cortinas de veludo que cercavam o salão abaixo se abriram, e de lados opostos da sala, seis casais se moveram rapidamente para o centro do salão de mármore. As mulheres trajavam vestidos que estavam tão perto do mesmo tom de escarlate quanto Lynette poderia encontrar. Os homens usavam smokings que ela conseguira juntar de tudo o que sobrou do casamento, os que estavam limpos o suficiente e poderiam ser ajustados.
Ajustes! Isso tinha sido apenas uma parte dos problemas deste evento miserável. Fora um trabalho horrível encontrar seis homens e seis mulheres entre o que Lynette já havia silenciosamente chamado de prisioneiros que fossem relativamente atraentes, graciosos e capazes de aprender e executar passos de uma valsa básica. Sim, ela poderia ter usado os funcionários infestados de cobras – eles certamente obedeceriam a todas as suas ordens – desde que ela não tentasse escapar do Mayo. Mas o instinto de Lynette tinha dito que as pessoas já sob seu controle, tomados por passos decorados não impressionariam Neferet.
Não, Lynette acreditava que Neferet queria, precisava da ilusão de ser adorada. Então, ela tinha ameaçado, incomodado e seduzido doze pessoas de aparência decente para trabalhar para ela.
Lynette podia ver que eles estavam nervosos e duas das mulheres tremiam tanto que ela podia ver os braços balançando, mas assim como ela havia instruído, os casais se posicionaram em um grande círculo e conseguiram estar no local ao final do primeiro conjunto de notas. No início do segundo, os doze olharam para Neferet, pararam por três batidas, e depois, como um, cada homem e cada mulher se curvou em uma reverência à Deusa.
Lynette percebeu seus erros. Viu que a mulher chamada Cindi quase caiu, e só a mão rápida de seu parceiro sob seu cotovelo a salvou. Camden, o garoto alto que fora o padrinho no casamento da noite passada – que teve o azar de estar de ressaca para pegar ao voo da madrugada que a noiva e o noivo pegaram para Dallas – fez um arco muito longo. Lynette rangeu os dentes. Se esse garoto de fraternidade mimado se confundisse, ele ficaria mais mal do que ela.
Lynette olhou para Neferet. Obviamente satisfeita, a Deusa sorriu e acenou com a cabeça regiamente em resposta aos artistas.
Agora é só dançar e tentem não parecer muito estranhos!, Lynette pensou.
Eles dançaram. Todos os doze, na verdade, começaram na mesma nota e moveram-se em torno do salão em um padrão quase circular. Eles estavam longe de serem perfeitos, mas a música era linda, e se alguns dos dançarinos vacilassem, Danúbio Azul permaneceria fiel.
Quando a nota final soou, os seis casais fizeram uma reverência e se inclinaram novamente para Neferet, desta vez segurando suas poses em um quadro congelado que mesmo Lynette teve que admitir, estava realmente muito bonito.
Neferet se levantou e, para grande alívio de Lynette, aplaudiu e riu.
— Muito bem, todos vocês! Isso foi muito bom. Judson, abra as garrafas frescas de champanhe para estes lindos suplicantes.
— Deusa, eles estão esperando que você lhes permita levantar — Lynette sussurrou para Neferet.
— É claro que estão, e obrigada por me lembrar, querida Lynette. Vocês podem se erguer! — Neferet ordenou a eles. — Aproveitem o seu champanhe e a gratidão de sua Deusa pelo seu culto.
Lynette bateu o fone de ouvido.
— Kylee, diga ao quarteto para começar a próxima peça.
Dentro de poucos instantes, a música encheu o salão novamente.
— Valsa das Flores, de O Quebra-Nozes. Duas peças lindas e excelentes escolhas — Neferet comentou.
— Então a minha surpresa foi agradável?
— Foi. O candelabro, as flores, os smokings e os vestidos vermelhos, todos foram cuidadosamente escolhidos. Lynette, você fez um bom início da minha empresa de eventos. Eu aprovo o seu tema, a música requintada, um espaço muito bem decorado e a respeitosa homenagem oferecida para mim.
— Então é seguro eu supor que você gostaria de mais eventos planejados como tal?
— Sim, seria, mas da próxima vez defina o evento em um tema de minha época favorita, os anos de 1920. Essa foi uma década que valeu a pena viver. Que tal Charleston, Lynette?
— Eu tenho acesso à Internet?
— Sim, você tem, bem como a uma conta para muitos eventos do gênero — disse Neferet, sorrindo com ar conhecedor para Lynette.
— Então posso criar um espetáculo de Charleston, assim como seus suplicantes.
— Precisaremos de mais músicos — apontou Neferet.
— Sim, Deusa. Cuidarei disso — disse Lynette, já tomando notas em seu smartphone.
— E fantasias. Precisar de muito mais fantasias.
— Claro, Deusa — Lynette concordou.
— E eu preciso de mais do que apenas dança, apesar de ser um bom começo.
Lynette ergueu os olhos de suas notas para Neferet. A Deusa não estava prestando atenção nela. Acariciava sua taça de champanhe de cristal e observava o salão de baile e os seis casais agrupados em um pequeno círculo, nervosamente aceitando o champanhe que Judson oferecia. Lynette seguiu seu olhar. O garoto mimando da fraternidade estava tragando o que parecia ser a sua segunda taça de champanhe. Neferet devorava-o com os olhos.
— Agrada-me que os meus veneradores sejam tão atraentes — ela comentou.
O bufo sarcástico de Lynette foi automático, mas quando o olhar da Deusa pousou sobre ela, ela ficou instantaneamente arrependida de ter se permitido perder a compostura.
Neferet levantou uma sobrancelha ruiva.
— Ah, eu vejo. Você escolheu os doze com cuidado, porque nem todos os meus suplicantes são tão atraentes, essa é a verdade.
Ela não formulou as palavras como uma pergunta, mas Lynette se sentiu obrigada a responder.
— Sim, essa é a verdade — ela mexeu os ombros, inquieta. — Sinto muito, Deusa. Eu só queria ter certeza de que ficasse feliz com este pequeno primeiro evento.
— Isto é muito compreensível, querida Lynette. Na verdade, aprecio seus esforços, e como aprecio todos os meus assuntos, também aprecio as coisas, e as pessoas que são atenciosas ao que sinto — Neferet se inclinou para frente em seu trono e falou com Lynette com uma voz conspiradora. — Você poderia acrescentar isto aos seus deveres como minha planejadora de eventos.
— Estou disposta a atendê-la de qualquer maneira que precise, Deusa — Lynette tentou entender o seu significado. — Mas especificamente a qual dever quis dizer com isso?
— Fazer com que meus suplicantes sempre pareçam o mais atraente possível, é claro. Sim, tenho a certeza de que você terá um talento para reformas.
— Reformas — Lynette repetiu a palavra, sentindo-se totalmente sobrecarregada com imagens instantâneas de alguns dos nada atraentes, hóspedes de Neferet que passaram por sua memória.
A mulher de cinquenta e poucos anos que precisava perder cinquenta e poucos quilos... A pré-adolescente ruiva magricela cujo rosto já estava manchado de tanta acne... O empresário que era careca e tinha uma barriga protuberante e um queixo triplo que parecia ter vida própria...
O riso zombeteiro de Neferet terminou a apresentação de slides em sua mente.
— Pare de se preocupar, querida Lynette. Nós duas vamos abater o rebanho. Afinal de contas, eu posso controlar tudo o que eles comem, tudo o que fazem. Você não concorda que a dieta e o exercício são muito importantes?
Lynette acenou com a cabeça e tentou manter sua mente completamente focada no olhar esmeralda de Neferet.
— Então, além de colocar alguns deles em uma dieta e ter a certeza de que eles passem um tempo no ginásio do meu Templo, estou confiante de que você possa dar dicas de cabelo, maquiagem e roupas. Correto?
— Sim, Deusa — ela confirmou automaticamente.
— Excelente. Estou feliz que tenha trazido isto para a minha atenção. É importante meus adoradores sempre aparentar o melhor estado. Eles são, de alguma maneira, pequenos reflexos de mim mesma — como se isso tivesse resolvido o assunto, o olhar de Neferet moveu-se de volta para o grupo abaixo delas, parando predatoriamente em Camden. — Você fez uma excelente escolha com aquele, Lynette. Ele é alto, jovem e loiro. É assim que prefiro os meus homens. Qual o nome dele?
— Camden — respondeu Lynette. — Ele foi o padrinho no casamento que me trouxe para o Mayo, o melhor.
— O padrinho? Mesmo? — os olhos esmeralda de Neferet brilhavam com uma intensidade perigosa, e Lynette estava grata que o reluzir não estivesse focado nela. — Talvez eu sujeite esse título a um teste para ver se Camden é, de fato, o melhor homem daqui.
Lynette reprimiu um estremecimento de medo.
— Gostaria que eu o enviasse a você?
— Não, querida Lynette. Posso evocar Camden, o melhor homem, com facilidade. Talvez ele goste de visitar a varanda do meu apartamento na cobertura — seu olhar de joias se voltou para Lynette e ela viu o brilho feroz endurecido neles. — Minha equipe tem se livrado dos desagradáveis restos mortais, não?
Merda! Eu estava ocupada demais focando nesse evento para me preocupar em ter certeza de que todos os restos do povo foram jogados para fora da varanda.
A mente de Lynette se remexia e ela soltou um suspiro quando encontrou a resposta.
— Deusa, acredito que Kylee estava encarregada de ver a sua varanda.
— Aquela menina — Neferet murmurou, tomando um gole de champanhe. — Ela é boa em algumas coisas, mas precisa de tanta supervisão. Você poderia usar o seu útil aparelho de ouvido lembrá-la do meu comando?
— Claro, Deusa — disse Lynette.
— E enquanto supervisiona Kylee, acredito que devo me misturar com os meus adorados e atraentes suplicantes. Pode imaginar quão honrado o padrinho Camden ficaria se eu permitisse que ele me conduzisse em uma dança?
Felizmente, a pergunta de Neferet era retórica, e em vez de se concentrar em Lynette por uma resposta, a Deusa virou as costas para ela e, tomando um gole de champanhe, caminhou em direção à grande escadaria dupla que levava ao salão de baile.
Lynette observou que Neferet estava deslizando. É porque ela enviou as criaturas serpentes para brincar, Lynette pensou. De alguma forma, elas devem levá-la, ou canalizar o poder para levantá-la, ou algo igualmente insano.
Ela balançou a cabeça, como se estivesse limpando teias de aranha. Não podia dar ao luxo de pensar demais. Não podia fazer nada, exceto sobreviver.
Lynette apertou o fone.
— Kylee, Neferet vai inspecionar sua varanda. Em breve. Ela deixou você responsável por tudo estar limpo.
— Eu entendo e obedeço — veio a resposta robótica de Kylee.
Lynette suspirou profundamente. Ela deu alguns passos vacilantes para trás e encostou-se em um dos pilares de mármore, sem fazer nada por um momento, exceto respirar.
Passara pelo primeiro teste de Neferet. Ela ainda estava viva, e não estava possuída por alguma coisa que deslizava. Mas se quisesse permanecer desse jeito, não podia se dar ao luxo de relaxar. Haveria tempo para relaxar depois que ela passasse por isso. E Lynette passaria, sempre conseguiu superar o que a vida tramava para ela.
Para começar, Lynette tinha uma lista do que fazer.
Ela tinha que verificar cada pessoa no prédio. Elas precisavam ser categorizadas como atraentes e aceitáveis, ou que necessitariam de cuidados. Abaixo da categoria “Necessidade de cuidados” ela categorizaria como acima do peso, prejudicado pela moda, ou simplesmente feio. As duas primeiras subcategorias poderiam ser melhoradas, talvez. A terceira, bem, os feios simplesmente teriam que aprender algumas habilidades que os mantivessem nos bastidores.
— Espero que eles possam cozinhar ou costurar...
Lynette estava murmurava para si mesma enquanto digitava sua lista no smartphone quando ouviu um grito vindo do salão de baile. E agora? O que mais Neferet poderia estar fazendo?
Sua mente estava pesada com medo e exaustão, mas ela fez seus pés a levalem até o parapeito do mezanino.
Neferet estava de pé ao lado de Camden. Ele estava olhando para o decote do vestido de veludo curto da Deusa. As outras onze pessoas encaravam as cobras deslizantes que se enrolavam nos tornozelos nus de Neferet.
— Oh, fiquem quietos — Neferet virou-se para a garota que tinha gritado. — Você precisa se acostumar com os meus filhos. Eles nunca estão longe de mim, assim como vocês, meus fiéis suplicantes, nunca estão longe do meu alcance.
— E-eu sinto m-muito, Deusa. E-eles se parecem com cobras. Eu t-tenho medo de cobras — a menina gaguejou.
— Eles não são cobras. São muito mais perigosos. E não estou pedindo que supere o seu medo deles. Estou ordenando que não o expresse — Neferet desviou o olhar para baixo, para as criaturas serpentes que se contorciam com o que parecia emoção em torno de seus pés. — O que é isso, meus queridos?
— Deusa, o detetive voltou — Judson chamou de frente do hall de entrada. — Ele trouxe mais pessoas com ele.
— Isso não significa nada. Ele pode trazer todo um arsenal da Guarda Nacional de Oklahoma. Eles não podem penetrar minha cortina de proteção.
— Ele não trouxe um exército, Deusa. Trouxe uma vampira que está fazendo o ar ao seu redor brilhar enquanto um homem grande que parece ter asas escondidas sob o casaco anda por perto.
— Por que você esperou até agora para me dizer isso? — Neferet gritou. — Crianças! Venham comigo!
Erguida pelo ninho totalmente visível das deslizantes víboras, a Deusa deslizou para as portas da frente.
Lynette sentiu seu corpo congelar. Ela desceu de seus saltos chiques para que pudesse correr tranquilamente pelo comprimento do mezanino, indo para as grandes janelas que davam para a frente do prédio, tentando não pensar em nada, mas principalmente tentando não ter esperança.

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