1 de outubro de 2015

Capítulo 7

O salão de jantar dos vampiros não era como uma lanchonete. Era um salão muito legal que ficava diretamente em cima do salão de jantar dos estudantes. Ele, também, tinha uma parede com janelas arqueadas. Mesas de ferro forjado e cadeiras estavam arrumadas na sacada que tinha vista para o jardim abaixo. O resto do salão tinha bom gosto e decorações extremamente caras com uma variedade de mesas de diferentes tamanhos, e até mesmo algumas tendas feitas de madeira vermelha. Não havia bandejas aqui, e nem um Buffet self-service. Guardanapos de pano, porcelana, e cristais estavam colocados elegantemente nas mesas, e compridas, velas brancas queimavam alegremente nos castiçais de cristal. Haviam alguns professores comendo em pequenos grupos silênciosos. Eles acenaram para Neferet respeitosamente e deram rápidos sorrisos de boas vindas para mim antes de voltar para suas refeições.
Eu tentei espiar o que eles estavam comendo sem ser óbvia, mas tudo que vi foi a mesma salada Vietnamita que estávamos comendo no andar de baixo, e alguns bolinhos de primavera que pareciam caros. Não havia sinal de carne crua ou nada que lembrasse sangue (bem, a não ser o vinho tinto). E, é claro, eu nem precisei me incomodar em olhar feito uma idiota. Se eles estivessem tomando sangue eu teria sentido o cheiro. Eu era intimamente familiar com o delicioso cheiro de sangue...
— A noite fria te incomodaria se sentássemos na sacada? — Neferet perguntou.
— Não, acho que não. Eu não sinto o frio como costumava. — Eu dei um belo sorriso para ela, me lembrando que ela era uma intuitiva e que ela provavelmente estava ouvindo “partes” da minha idiota conversa mental.
— Ótimo, eu preciso jantar na sacada em todas as estações. — Ela me levou através das portas para uma mesa que já estava colocada para dois. Uma serva magicamente apareceu – obviamente uma vampira pela sua Marca completa e várias pequenas tatuagens que emolduravam seu rosto em forma de coração, mas ela parecia bem jovem. — Sim, me traga a salada Bun Cha Gio e um pouco do mesmo vinho tinto de ontem a noite. — Ela parou, e então com um sorriso secreto para mim adicionou, — e por favor traga a Zoey um copo de qualquer coca que você tiver, desde que não seja diet.
— Obrigado — eu disse a ela.
— Só tente não beber muito desse negócio. Não é bom para você. — Ela piscou para mim, fazendo de sua repreensão uma pequena piada.
Eu ri para ela, feliz por ela lembrar do que eu gostava, e comecei a me sentir mais relaxada. Essa era Neferet – nossa Alta Sacerdotisa. Ela era minha mentora e minha amiga e no mês que estive aqui ela nunca foi nada a não ser gentil comigo. Sim, ela soava assustadora quando ouvi ela com Aphrodite, mas Neferet era uma Sacerdotisa poderosa, e como Stevie Rae continuava a me lembrar, Aphrodite era uma valentona egoísta que merecia estar com problemas. Diabos! Ela provavelmente estava falando mal de mim.
— Se sentindo melhor? — Neferet perguntou.
Eu olhei nos olhos dela. Ela estava me estudando cuidadosamente.
— Yeah, estou.
— Quando ouvi sobre o adolescente humano desaparecido comecei a me preocupar com você. Esse Chris Ford era seu amigo, não era?
Nada que ela dissesse deveria me surpreender. Neferet era incrivelmente inteligente e tinha sido dotada de dons pela deusa. Além disso ela tinha o sexto sentido que todos os vampiros tinham, e era mais que provável que ela soubesse literalmente de tudo (ou pelo menos tudo importante). Provavelmente foi fácil para ela saber que eu tinha minha própria intuição sobre o desaparecimento de Chris.
— Bem, ele não era realmente meu amigo. Fomos a algumas das mesmas festas, mas eu não gosto muito de festa, então não o conhecia tão bem.
— Mas algo sobre o desaparecimento dele te chateia.
Eu acenei. — É só um pressentimento que eu tenho. É bobo. Ele provavelmente brigou com seus pais e seu pai o castigou ou algo assim, então ele fugiu. É mais que provável que ele já esteja em casa.
— Se você realmente acreditasse nisso não se sentiria tão preocupada. — Disse Neferet até a serva terminar de nos dar nossas bebidas e a comida antes de continuar. — Humanos acreditaram que vampiros adultos são todos psíquicos. A verdade é que embora muitos de nós tenhamos o dom da predição e da clarividência, a maior parte da nossa gente simplesmente aprendeu a ouvir sua intuição – que é algo que a maior parte dos humanos tem lutado para não fazer. — O tom dela era como o da sala de aula, e ouvi ela ansiosa enquanto jantavamos. — Pense sobre isso, Zoey. Você é uma boa aluna – tenho certeza que você lembra das suas aulas de história o que historicamente aconteceu com humanos, especialmente mulheres humanas, quando elas prestam muito atenção em suas intuição e começam a ouvir “vozes em suas cabeças” ou até mesmo prever o futuro.
— Eles normalmente são associados por ter um pacto com o demônio, ou algo assim, dependendo de que época é. Em suma eles pagam o inferno por isso. — Eu corei porque eu disse a palavra com I na frente de uma professora, mas ela não pareceu se importar, ela apenas acenou em concordancia comigo.
— Sim, exatamente. Eles até atacavam pessoas santas, como Joana D´Arc. Então veja que os humanos aprenderam a silenciar seus instintos. Vampiros, por outro lado, aprenderam a ouvir e ouvir bem a eles. No passado, quando humanos tentavam caçar e destruir nossa raça, foi o que salvou a vida de muitos de nossos antepassados.
Eu tremi, não querendo pensar sobre o quão dura deve ter sido ser um vampiro 100 anos atrás.
— Oh, você não precisa se preocupar, Zoey Passarinha. — Neferet sorriu. Ouvir o apelido de minha vó para mim me fez sorrir também. — O tempo das fogueiras nunca virão de novo. Podemos não ser reverenciados como éramos em tempos antigos, mas nunca mais humanos serão capazes de nos caçar e destruir. — Por um momento os olhos dela brilharam perigosamente. Eu tomei um grande gole da minha coca, não querendo ver seus olhos assustadores. Quando ela continuou, ela voltou ao seu normal – toda a pista de perigo tinha sumido da sua voz e ela era apenas minha mentora e amiga. — Então, tudo o que isso significa é que eu quero me certificar que você ouça seus próprios instintos. Se você tiver um mau pressentimento sobre alguma situação ou alguém, preste atenção. E, é claro, se precisar falar comigo, pode vir a qualquer hora.
— Obrigado, Neferet, isso significa muito.
Ela dispensou meu agradecimento. — Isso é o que significa ser uma mentora e Alta Sacerdotisa – dois papéis que eu completamente espero que você assuma algum dia.
Quando ela falava sobre meu futuro e sobre eu ser uma Alta Sacerdotisa, eu sempre tinha um sentimento engraçado. Era parcialmente esperança e excitação, e parcialmente medo.
— Na verdade, fiquei surpresa por você não ter ido me ver hoje depois que você terminou na biblioteca. Você não decidiu as novas direções das Filhas das Trevas?
— Oh, uh, sim. Eu decidi. — Eu me forcei a não pensar sobre o encontro com Loren, e o meu encontro com Loren do muro... de jeito nenhum eu queria que Neferet e sua intuição pegasse algo sobre... bem... ele.
— Eu sinto sua hesitação, Zoey. Você prefere não dividir o que decidiu comigo?
— Oh, não! Eu quero dizer, sim. Na verdade, eu fui a sua sala, mas você estava... — eu falei rapidamente, lembrando da cena que ouvi. Os olhos dela pareceram ver dentro da minha alma. Eu engoli com força. — Você estava ocupada com Aphrodite. Então fui embora.”
— Oh, eu vejo. Agora o seu nervosismo ao meu redor faz muito mais sentido. — Neferet suspirou tristemente. — Aphrodite... ela se tornou um problema. É uma pena. Como eu disse em Samhain quando percebi o quão errada ela tinha se tornado, eu me senti parcialmente responsável pelo comportamento dela e sua transformação na criatura negra que ela virou. Eu sabia que ela era egoísta, mesmo quando ela se juntou a escola. Eu deveria ter parado ela mais cedo e ter assumido um pulso firme com ela. — O olhar de Neferet pegou o meu. — O quanto você ouviu hoje?
Um aviso desceu pela minha espinha. — Não muito — eu disse rapidamente. — Aphrodite estava chorando muito. Eu ouvi você dizer a ela para olhar interiormente. Eu sabia que você não queria ser interrompida. — Eu parei, tendo cuidado para não dizer que isso foi tudo que eu ouvi – e tendo cuidado de não mentir. E não desviei os olhos dos olhos afiados dela.
Neferet suspirou de novo e bebeu seu vinho. — Eu normalmente não gosto de falar sobre um calouro para outro, mas esse é um caso único. Você sabe que o dom dado pela deusa para Aphrodite era de ver eventos desastrosos?
Eu acenei, percebendo o verbo no passado que ela usou para mencionar a habilidade de Aphrodite.
— Bem, parece que o comportamento de Aphrodite fez com que Nyx retirasse o dom dela. É algo muito incomum. Uma vez que a deusa toca alguém, ela raramente retira o que ela deu. — Neferet encolheu os ombros tristemente. — Mas quem pode saber a mente da grande deusa da Noite?
— Deve ser horrível para Aphrodite — eu disse, mais pensando alto do que realmente querendo fazer um comentário.
— Eu aprecio sua compaixão, mas não te contei isso para que você sinta pena de Aphrodite. Ao invés disso, eu te digo para manter sua guarda. As visões de Aphrodite não são mais válidas. Ela pode dizer ou fazer coisas que são perturbadoras. Como a líder das Filhas das Trevas, será sua responsabilidade se certificar que ela não perturbe o delicado balanço de harmonia entre nossos calouros. É claro que nós encorajamos vocês a trabalhar seus problemas entre vocês. Vocês são muito mais do que adolescentes humanos, e esperamos mais de vocês, mas sinta-se livre para vir até mim se o comportamento de Aphrodite se tornar muito — ela pausou, como se estivesse considerando a próxima palavra com cuidado — instável.
— Eu vou — eu disse, meu estômago começando a doer de novo.
— Ótimo! Agora, porque você não me conta seus planos para seu reinado como a líder das Filhas das Trevas.
Eu tirei Aphrodite da cabeça e contei meus planos para o Conselho de Prefeitos e as Filhas das Trevas. Neferet ouviu cuidadosamente e estava abertamente impressionada pela minha pesquisa e o que ela chamou de “reorganização lógica.”
— Então, o que você quer de mim é que deixe os professores votar nos dois novos Prefeitos, porque eu concordo com você que você e seus quatro amigos mais que provaram que merecem e já são um excelente Conselho.
— Sim. O conselho quer nominar Erik Night para a primeira das suas vagas abertas.
Neferet acenou com a cabeça. — Erik é uma escolha sábia. Ele é popular com os calouros, e tem um excelente futuro. Quem você tem em mente para a última posição?
— Aí é onde o meu Conselho e eu discordamos. Eu acho que precisamos de alguém mais velho, e eu também acho que essa pessoa deve ser alguém que pertenceu ao circulo próximo de Aphrodite. — Neferet levantou as sobrancelhas surpresa. — Bem, incluir um amigo dela irá reforçar o que eu tenho dito, que eu não vim aqui porque eu tenho sede de poder e armei para roubar o que era de Aphrodite ou nada idiota como isso. Eu só quero fazer a coisa certa. Eu não queria começar algum tipo de guerra boba. Se um dos amigos dela estiver no meu Conselho, então o resto deles podem entender que não é sobre mim passando por cima dela – é sobre algo mais importante que isso.
Neferet considerou pelo que pareceu ser uma eternidade. Finalmente ela disse, — você sabe que até os amigos dela a abandonaram.
— Eu percebi isso hoje no salão de jantar.
— Então qual é a razão de colocar um ex-amigo dela no Conselho?
— Não estou convencida que eles sejam seus ex-amigos. Pessoas agem de forma diferente privadamente do que em público.
— De novo, concordo com você. Eu já fiz o anúncio para a equipe que no domingo as Filhas e Filhos Negros irão fazer um Ritual da Lua Cheia e uma reunião especial. Eu espero que a maior parte dos antigos membros participe – por nenhuma outra razão que a curiosidade sobre os seus poderes.
Eu engoli em seco e acenei. Eu já estava muito ciente que eu era a atração principal do circo de aberrações.
— Domingo é a hora certa para você contar as Filhas das Trevas sobre sua nova visão. Anunciar que tem uma vaga sobrando para o Conselho, e que deve ser preenchida por um sextanista. Você e eu vamos olhar as inscrições e decidir quem se encaixa melhor.
Eu franzi. — Mas não quero que seja apenas nossa escolha. Eu quero que a equipe de professores vote, assim como os estudantes.
— Eles vão — ela disse suavemente. — Então vamos decidir.
Eu queria dizer mais, mas seus olhos verdes ficaram frios; eu não tenho vergonha de admitir que ela me assusta. Então ao invés de discutir com ela (que era totalmente impossível) eu tomei um caminho diferente (como vovó diria).
—Eu também quero que as Filhas das Trevas se envolvam com caridade para a comunidade.
Dessa vez as sobrancelhas de Neferet desapareceram completamente atrás de seu cabelo. — Você diz comunidade como em comunidade humana?
— Sim.
— Você acha que eles vão gostar da sua ajuda? Eles nos evitam. Eles nos detestam. Eles tem medo de nós.
— Talvez seja porque eles não nos conhecem — eu disse. — Talvez se agirmos mais como parte de Tulsa, sejamos tratados como parte de Tulsa.
— Você leu sobre o a sociedade negra de Greenwood em 1920? Aqueles afro-americanos humanos eram parte de Tulsa, e Tulsa os destruiu.
— Não é mais 1920 — eu disse. Era difícil olhar nos olhos dela, mas eu sabia, interiormente, que eu ia fazer a coisa certa. — Neferet, minha intuição está me dizendo que isso é algo que eu devo fazer.
Eu vi a expressão dela se suavizar. — E eu te disse para seguir sua intuição, não foi?
Eu acenei.
— Que caridade você vai escolher se envolver – desde que eles realmente permitam que você se envolva?
— Oh, eu acho que eles vão nos deixar ajudar eles. Eu decidi contatar os Gatos de Rua – a caridade que resgata gatos.
Neferet jogou para trás sua cabeça e riu.

7 comentários:

  1. AÊ!!!
    AMO GATOOS ♥♥♥♥♥

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  2. Vey n confio na Neferet

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    1. Não confiei ela é má.

      ASS:Vicry

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    2. Quando voce ler indomada vc vai ver o por que

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  3. A Neferet já tá soltando seu veneno, ela tem medo que a Aphrodite tenha visões que possam prejudicá-la, então já tá fazendo os outros acreditarem que as visões dela não estão valendo nada. Que cobra.

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