11 de outubro de 2015

Capítulo 7 - Zoey

Eu mal tinha saído do carro enorme do detetive Marx quando Vovó correu da entrada do prédio da escola e me envolveu em seus braços.
— U-we-tsi-a-ge-ya! É você! Eu sabia, sabia que você estava voltando para casa.
Eu a abracei rapidamente, então entrelacei os meus braços nos dela e a guiei de volta para a House of Night, com o detetive Marx e Stark logo atrás de mim. O sol estava se pondo, mas eu estava hiperconsciente de que ainda podia causar dor a Stark. À medida que corremos para dentro do prédio, sorri para Vovó e disse:
— Eu não matei ninguém! — então lembrei de quem os matou, e o que mais ela tinha feito, e meu sorriso desapareceu do rosto. — Neferet os matou.
— Neferet?
Olhei para além do rosto feliz da Vovó para ver Thanatos, Aphrodite e Darius saindo do escritório da Grande Sacerdotisa.
— Zoey, detetive Marx, por favor, expliquem o que aconteceu — pediu Thanatos.
— Neferet confessou ter matado os dois homens no parque... — detetive Marx começou a explicar, mas eu o interrompi.
— Espere, há muito mais do que isso, e preciso que o meu círculo ouça a história toda — olhei para Thanatos. — Neferet se revelou. Temos que nos apressar.
— Darius, Stark, reúnam o círculo de Zoey. Traga-os para a Câmara do Conselho da escola. Traga Lenobia também. Ela é a Sacerdotisa mais velha nesta sede, podemos usar a sua sabedoria. Vão agora! — ordenou Thanatos.
Stark e Darius se apressaram para longe.
— detetive, deixe-me mostrar o caminho para a nossa Câmara do Conselho. Sylvia, eu agradeceria se emprestasse sua sabedoria para o que quer que estejamos enfrentando agora com Neferet. Será que você se juntaria a nós?
— É claro — Vovó respondeu ironicamente. — Eu sei mais do que um pouco sobre Neferet e sua marca exclusiva do mal.
Vovó me beijou suavemente no rosto e começou a caminhar com Thanatos e o detetive Marx em direção à escada que levava para cima, para a Câmara do Conselho.
Deixando-me sozinha com Aphrodite.
— Eu não estou perguntando se você me quer ou não. Eu estou indo para esta reunião — ela falou antes de começar a seguir os três adultos.
Segurei o seu braço, e ela virou a cabeça para olhar para mim. Eu não sabia dizer se vi mais medo ou raiva em seus olhos, mas de qualquer forma, isso me fez sentir terrível.
— Eu sinto muito — falei simplesmente. — Eu estava errada. Você estava certa o tempo todo. Estava certa em procurar a Shaylin. Estava certa em me vigiar. Tinha razão em esconder a sua visão de mim. Eu deveria ter te escutado, mas não escutei, e não teria ouvido mesmo que você tivesse me contado sobre a sua visão. Eu estava fora de controle. Fui egoísta. Fui estúpida. Me desculpe. Por favor, me perdoe.
Enquanto eu falava, Aphrodite tinha ficado muito quieta. Ela não pôs as mãos nos quadris, zombou ou jogou os cabelos. Ela me ouviu e me olhou com atenção, os olhos brilhando. Ela não disse nada pelo o que pareceu ser uma eternidade, e quando finalmente falou, sua voz não era falsete, ou mal-intencionada, ou sarcástica. Ela estava falando sério. Sua conduta era serena. Ela parecia e soava como a profetisa de uma Deusa.
— Pensei que você fosse minha amiga — ela falou.
— Eu sou.
— Você feriu meus sentimentos.
— Eu sei. Eu gostaria de poder dizer que eu não queria, mas não vou mentir para você. Na época, tive a intenção de machucá-la porque eu estava sofrendo muito. Aphrodite, a pedra da vidência fez alguma coisa comigo. Eu não estou usando isso como desculpa para o que eu disse ou fiz. Aquela ainda era eu. Eu ainda estava errada. Só estou tentando te explicar que agora percebo o que aconteceu, ou pelo menos como aconteceu. E te dou a minha palavra de que eu não vou deixar acontecer novamente.
Ela continuou me estudando silenciosamente.
— Eu vou pedir desculpas a Shaylin, também — adicionei.
Aphrodite assentiu.
— Você deveria. Ficou totalmente fora de si.
— Isso não vai acontecer de novo — repeti solenemente. — Eu juro.
— Você quer a pedra de volta?
— Claro que não! — eu disse, dando um pequeno passo até ela. — Eu quero que você mantenha aquilo longe de mim.
— Esse é o meu plano — ela respondeu. — Eu só queria saber qual era a sua.
— Eu realmente não estava blefando dizendo que sinto muito e pedindo que você e Shaylin e, bem, todos os outros, que me perdoassem.
— Bem, isso é figurativo — Aphrodite apontou, soando mais como ela mesma. — Você tende a ser despreparada. E mal vestida. Será que eles não têm chapinha na prisão?
Ela deu ao meu cabelo um olhar avaliador.
— Não. Bom cabelo não é uma prioridade na cadeia.
— Bem, até agora eu só tinha ouvido falar que o sistema prisional do Oklahoma era uma droga. Agora tenho certeza disso.
Isso me fez sorrir.
— Então, você me perdoa?
— Suponho que tenho que fazer isso. Você parece um cocô. Eu odiaria adicionar insulto e injúria à moda ao curto encarceramento pela qual você passou.
Eu ri, entrelaçando o meu braço com o dela.
— Existe alguma coisa que você não possa resumir à moda?
— Não, e seja bem-vinda.
Eu ri de novo e fomos para a escada. Eu me senti leve e feliz, e por alguns momentos deixei Neferet deslizar para fora da minha mente. Concentrei meus pensamentos apenas em uma oração silenciosa à Nyx: Obrigada, Deusa, por me dar uma boa amiga!
— Ei, não pense que você pode começar a me abraçar e essa merdas todas. Eu não sou do tipo que abraça. Vamos apenas considerar isso — ela acenou com a mão livre para seu próprio corpo — uma zona proibida para toque. Darius, é claro, tem acesso ilimitado a essa zona.
— Entendi — eu disse, mas mantive meu braço entrelaçado ao dela enquanto subíamos as escadas. — Eu não pensaria em atravessar a zona de contato.
— Bom — ela respondeu, mas não puxou o braço do meu até que estávamos do lado de fora da sala de conferência. Então ela parou e se virou para mim. Séria de novo, ela disse: — Eu te perdoo, Zoey.
— Obrigada.
Pisquei rapidamente, surpresa com as lágrimas repentinas nos meus olhos.
— Bem, que merda — ela falou e, depois de olhar ao redor para ter certeza de que estávamos sozinhas, ela abriu os braços e me abraçou, sussurrando: — Eu amo você, Z.
Funguei e a abracei de volta.
— Eu também te amo.
O som da porta da escada se abrindo a fez saltar para longe de mim.
— Não chore — ela ordenou com firmeza. — Catarro não vai ajudar com o desastre da moda que você tem em curso.
— Ok.
Eu funguei um pouco mais.
— Zo! Ouvi dizer que soltaram você! Uhuu! — Aurox gritou com júbilo, soando estranha e maravilhosamente como Heath.
Ele correu em minha direção, com a intenção clara de cruzar a minha zona de toque. Dei alguns passos para trás e, em seguida, congelei quando ele se encolheu e cambaleou em um impasse. Eu não sabia que diabos fazer. Quero dizer, nós tínhamos decidido ser amigos. Amigos se abraçam. Mas, novamente, tínhamos decidido ser apenas amigos. Bem, na verdade, eu tinha decidido que seríamos apenas amigos e...
— Oh, pelo amor de Deus, jogue um osso ao touro. Sem você, ele tem se sentido deslocado — Aphrodite balançou a cabeça em desgosto. — E estou usando metáfora. Se eu começar a rimar, vou me jogar de um edifício alto. Chupem as caras um do outro ou o que for logo, e em seguida, levem as suas bundas para a Câmara do Conselho. Infelizmente, não temos tempo para o drama de garotos — ela jogou os cabelos, abriu a porta e se contorceu para dentro.
Aurox e eu olhamos um para o outro.
— Chupar as caras? — perguntou.
Minhas bochechas pareciam estar em chamas.
— Ela quis dizer beijar.
Suas sobrancelhas se ergueram.
— Você gostaria de me beijar?
Felizmente, nada que ele disse depois do “uhuu” soou nem um pouco como Heath. Limpei a garganta.
— Eu não acho que seria uma boa ideia, mas obrigada por perguntar.
— Bem, estou feliz por você estar de volta — ele falou, sorrindo timidamente.
— Eu também — devolvi o sorriso. — E mesmo que seja confuso, estou feliz por você estar de volta também.
Eu queria que fosse um elogio, e talvez até mesmo uma piada interna (não dizem que toda situação ficaria melhor se pudéssemos rir sobre ela?), mas o sorriso hesitante de Aurox instantaneamente desapareceu.
— Você não quer dizer eu. Você quer dizer o Heath. E Heath não sou eu. Desculpe. Darius disse que eu deveria estar nesta reunião.
Movi para o lado e deixei-o abrir a porta. Ele não a segurou para mim, mas a fechou na minha cara, deixando-me sozinha no corredor, me fazendo sentir como um cocô.
Ok, eu disse pra mim mesma, deixaria a minha vida mais fácil se Aurox ficasse chateado comigo, ou pelo menos irritado e desinteressado. Aphrodite estava se provando estar malditamente certa com frequência. Eu não tenho tempo para drama de garotos (embora eu não ache que tenha sido muito triste).
Passei os dedos pelo meu cabelo realmente bagunçado, endireitei os ombros e entrei na Câmara do Conselho da escola.
A sala era grande, mas sempre parecia ser pequena por causa da gigante mesa redonda que a dominava. Tenho certeza de que a ideia era imitar o Rei Arthur (que, é claro, foi consorte da Grande Sacerdotisa Mogan le Fay), então não tinha uma cabeceira real, mas acabava que onde quer que a atual Sacerdotisa da escola sentasse, tornava-se automaticamente a cabeceira da mesa.
Falando da atual Sacerdotisa, fiquei surpresa ao vê-la entrar na sala pela porta dos fundos assim que fechei a porta atrás de mim. Thanatos acenou para Aurox, que assumiu a posição de guarda ficando de pé ao lado daquela porta. Então ela olhou para mim e fez um gesto para o assento vazio entre Vovó e Aphrodite. Thanatos se sentou à esquerda de Vovó, ao lado do detetive Marx. Quando eu me acomodei e tentei não incomodar, Thanatos se inclinou para frente e falou por sobre Vovó:
— É oficialmente bom tê-la em casa, Zoey — disse a Grande Sacerdotisa da Morte.
— Eu não posso expressar como estou feliz de estar aqui e saber que eu não matei ninguém — falei.
— Mas você aprendeu uma valiosa lição com a experiência — apontou Vovó.
— Sim. Neferet tem de ser detida, não importa o quê — Aphrodite falou.
— Bem, sim, ela precisa. Mas acho que a lição sobre a qual a Vovó se refere é sobre quando estiver em dúvida, escolha a bondade.
— Não acho que isso vai nos ajudar muito a lidar com Neferet — Aphrodite murmurou.
— Você pode se surpreender, criança — Vovó falou baixinho, sorrindo sabiamente para ela.
A porta se abriu, e então Stevie Rae entrou na sala, seguida por Stark, Damien e Shaunee.
— Z! Ohminhadeusa, é tão bom vê-la livre! — Stevie Rae correu para mim e me envolveu em um abraço de urso gigante. — Eu sabia que você não poderia ter matado aqueles caras.
Eu lhe abracei de volta antes de me desembaraçar. Encontrei o seu olhar.
— Eu tenho algo a dizer sobre isso, mas quero esperar até que todo mundo esteja aqui.
— A espera acabou. O bonitão está aqui — Aphrodite falou, sorrindo enquanto Darius entrava na sala com Lenobia e Shaylin.
Darius e Stark tomaram seus lugares de cada lado da porta principal. Stark me deu uma piscadela, e eu estava feliz ao ver que ele não estava tão pálido e que seus olhos tinham perdido o seu olhar cansado. Para ele estar parecendo tão melhor, o sol devia ter se posto, e percebi que Rephaim provavelmente apareceria a qualquer segundo também.
Lenobia se sentou ao lado do detetive Marx, acenando cordialmente para ele. Shaylin escolheu um lugar tão longe quanto podia de mim e não encontrava o meu olhar. Levantei-me e limpei minha garganta.
— Eu sei que uma emergência com Neferet está acontecendo no centro, mas preciso dizer uma coisa antes de começar a lidar com isso, e farei isso rápido. Como vocês sabem, hoje descobri que não matei aqueles dois homens no parque. Mas mesmo que eu não tenha realmente causado as suas mortes, sei que eu poderia ter feito isso. Eu estava fora de controle. Tinha alguma coisa a ver com a pedra da vidência, mas também era eu. Eu estava errada. Aphrodite estava fazendo exatamente o que Nyx esperaria de uma de suas Profetisas, ela avisou Shaylin que havia algo acontecendo comigo, algo ruim — olhei para Shaylin até que ela relutantemente encontrou meu olhar. — Shaylin, já pedi desculpas a Aphrodite, mas eu lhe devo um importante pedido de desculpas, também. Você tinha razão para me seguir. Estava certa em falar com Aphrodite sobre as mudanças que via em minha aura. Eu estava muito, muito errada em empurrá-la e perder o controle do meu temperamento assim, e não estou apenas pedindo que aceite o meu pedido de desculpas. Eu também peço que aceite — parei e olhei ao redor da sala para meus amigos — e todo mundo aqui também, o meu juramento de que vou fazer o que for preciso para ter certeza de que isso nunca aconteça novamente.
— Eu te perdoo — Shaylin falou sem hesitação, embora seu sorriso estivesse hesitante, e ela ainda parecesse assustada. — À propósito, as suas cores estão de volta ao normal agora.
— Obrigada. E, por favor, deixe que eu ou qualquer um aqui saiba se você vir as minhas cores bagunçadas novamente. Eu estava errada quando lhe disse que você deveria manter esse tipo de coisa para si mesma. Não é uma invasão de privacidade. Você está usando um dom concedido por Nyx.
— Zoey, onde está a pedra da vidência agora? — perguntou Thanatos.
— Eu estou com ela — Aphrodite falou antes que eu pudesse responder.
— E eu não a quero de volta — acrescentei.
— Se ela é tão poderosa como todos vocês estão dizendo que é, Zoey pode não ter escolha a não ser pegá-la de volta — disse o detetive Marx. — Porque ela vai precisar de muito poder mágico para lutar contra Neferet.
— detetive, é a sua vez. Explique exatamente o que Neferet fez — pediu Thanatos.
Sentei-me e ouvi com o estômago apertando e um terrível pressentimento de que Marx estava certo.


Houve um longo e nauseante silêncio depois que o detetive Marx descreveu, em terríveis detalhes, a chacina de Neferet na igreja e depois os acontecimentos no Mayo.
— Eu senti a morte — Thanatos disse, balançando a cabeça tristemente. — Sabia que era algum tipo de tragédia humana em massa ocorrendo muito perto de Tulsa. Assisti as notícias, esperando ouvir que um pequeno avião tivesse caído, ou que talvez houvera um desses trágicos tiroteios em escolares novamente. Eu não esperava por isso. Realmente não esperava que Neferet fosse responsável por tudo isso.
— Temos sido incapazes de prever seu comportamento, mas podemos ser capazes de aprender alguma coisa sobre o que esperar dela no futuro, refazendo os crimes de Neferet — disse vovó. — Ela matou o prefeito, e essa morte a alimentou, tanto quanto as mortes no Woodward Park — Vovó fez uma pausa e sorriu tristemente para Aphrodite. — Sinto muito falar sobre a morte de seu pai de tal forma clínica, filha.
— Entendo. Eu quero que você faça isso — Aphrodite disse com sinceridade. — Se a morte do meu pai nos ajudar a descobrir como derrotar Neferet, então, pelo menos, vou poder dizer que ele morreu por alguma razão.
Vovó assentiu e continuou.
— Ela deve ter se escondido no parque até que Zoey teve sua desavença com os dois homens.
— Eu estava sentada naquele banco perto da gruta quando eles começaram a mexer comigo — falei, tentando juntar as peças. — Neferet poderia estar escondida na gruta.
— Eu vou mandar alguns policiais verificarem o local — o detetive Marx falou prontamente, tomando notas em seu pequeno bloco preto.
— As mortes dos dois homens no parque devem ter dado a Neferet o poder de chegar à Igreja da Avenida Boston — continuou Vovó.
— E lá ela encontrou uma fonte de energia muito maior — acrescentou Lenobia. — Devemos lembrar que o poder é sempre o mais importante para Neferet.
— Ela usa o poder para controlar aquelas criaturas que parecem com serpentes, que mataram as pessoas no telhado do Mayo e criado o... Eu não sei como chamar aquilo — Marx hesitou, pensando. — É uma pele protetora, ou uma barreira. Mas seja o que for, é preenchido com poder.
— Essas criaturas serpentes são feitas de Trevas. Pense nelas como maus pensamentos odiosos e horríveis que tomaram forma física — expliquei para o detetive Marx. — Elas fazem o que ela quer que façam, porque ela faz sacrifícios. Garanto a você que Neferet não bebeu de todas aquelas pessoas na igreja. Ela as sacrificou para essas criaturas, para que continuassem fazendo o que ela quer.
— Uma Tsi Sgili precisa de muito mais do que o sangue para obter poder — Vovó apontou.
—Tsi Sgili, Rainha Tsi Sgili — disse Marx — era assim que Neferet chamava a si mesma quando se nomeou uma Deusa.
— Tsi Sgili é um nome antigo que meu povo deu para as bruxas que optaram pelas Trevas ao invés da Luz. Elas viviam isoladas, evitadas por todos —Vovó estremeceu. — Nossas lendas dizem que elas se alimentam de almas.
— De morte — Thanatos corrigiu. — Eu deveria ter entendido antes. Neferet se alimenta da energia que é liberada do espírito de uma pessoa no instante da sua morte.
— Oh Deusa! — Lenobia parecia horrorizada, e apertou a mão contra o peito. — Eu conheci Neferet por mais de um século. Ela estava sempre por perto quando um novato rejeitava a Transformação. Pensamos, inclusive as Sacerdotisas, que o dom de cura de Neferet confortava os jovens em sua passagem.
— Ela não os confortava. Ela os usava — eu disse.
— Neferet tinha algo a ver sobre a gente morrer e reviver — Stevie Rae falou. — Eu não me lembro, talvez porque não queira me fazer lembrar. Eu não sei — ela estremeceu. — Mas sei que senti como se algo dentro de mim estivesse sendo dilacerado — seu olhar encontrou Stark, o único vampiro vermelho na sala. — Do que você se lembra?
— Dor. Escuridão. Terror. Raiva — suas palavras foram cortantes, embora sua voz tenha se mantido baixa e nós nos esforçássemos para ouvi-lo. — E quando voltei, eu não era mais eu. Não até Zoey dizer que acreditava e confiava em mim.
— E eu não voltei realmente a ser eu mesma, não até que Aphrodite acreditou e confiou em mim — Stevie Rae completou.
Aphrodite bufou.
— Não é exatamente assim como eu lembro. O que me lembro é que você tentou me devorar e então tirou a minha marca.
— Porque você deixou. Porque você sacrificou sua humanidade por mim — disse Stevie Rae.
— A parte de devorar não foi legal — Aphrodite murmurou.
— O amor é mais forte que o ódio. Essa é a única coisa absoluta no universo. O amor pode conquistar a escuridão — disse vovó. — Nós simplesmente precisamos descobrir como o amor pode debandar Neferet.
Ouvi um monte de suspiros ecoando os meus.
— Ok, eu sou totalmente a favor de o amor vencer tudo — disse o detetive Marx — mas temos que lidar com o que está acontecendo com essas criaturas serpentes também.
— Neferet as alimenta — falei, sentindo a verdade das minhas palavras enquanto eu as pronunciava. — Ela lhes dá o que querem, sacrifícios de sangue fresco, e elas a obedecem. Se conseguirmos chegar a Neferet, torná-la mais fraca, ou pelo menos, contê-la e impedi-la de matar mais pessoas, ela não será capaz de alimentá-las, e elas vão deixá-la.
— Eu concordo, mas acho que há mais do que isso, Zoey. Os filamentos das Trevas estão mudando, evoluindo juntamente com Neferet — Thanatos lembrou. — Eu nunca, nos mais de cinco séculos em que tenho sido uma vampira, ouvi falar de alguém criando o tipo de barreira que o detetive Marx descreveu — ela virou-se para Marx. — E você disse que ela parece inflexível, que realmente dirigiu aquelas balas de volta para oficiais específicos?
— Não há dúvida sobre isso. Eu estava lá. Vi de perto e de uma maneira muito pessoal. Os primeiros tiros disparados, todos atingiram o oficial que havia ofendido Neferet, mas apenas em lugares de seu corpo que o colete de Kevlar não protegia. Os próximos tiros feriram vários outros policiais, mas matou o chefe de polícia, o homem responsável por dar a ordem para invadir o prédio — disse Marx.
— Lenobia, você já ouviu falar de tal coisa? — perguntou Thanatos.
— Nunca.
— Devemos chamar a cavalaria — Marx apontou. — O Conselho Supremo dos Vampiros deve ser envolvido. Talvez possam nos ajudar a descobrir como parar Neferet.
— O Conselho Supremo tem se recusado a nos ajudar — Thanatos respondeu. — Nós somos a cavalaria — ela se levantou. — Então, detetive Marx, vamos para o Mayo e veremos exatamente o que estamos enfrentando.
A porta dos fundos da Sala do Conselho se abriu, e Kalona, de peito nu, com olhos de âmbar piscando com raiva, dirigiu-se para Thanatos.
— É hora de chamar a cavalaria completa. Eu sou o Guerreiro da Morte, então onde você for, eu vou. Os seres humanos e as consequências que se danem.
Suas asas negras se abriram e pareciam envolver toda a sala.
O queixo do detetive Marx caiu. Literalmente.
— Puta merda — Aphrodite sussurrou.
— Idem — eu disse, me perguntando o que diabos iria acontecer.

7 comentários:

  1. Só eu que pensei que Kalona tinha que chamar os filhos dele?????

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    1. PUTZ IA SER BEM LEGAL SE OS CORVOS ESCARNECEDORES ENTRASSEM NA BRIGA E ALCANÇASSEM O PERDÃO DE NIX !!!

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    2. Faço das palavra de Afridit as minhas. Realmente seria de mais se todos se tornassem humanos,essa sum seria a cavalaria, se bem que são pássaros né...

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  2. Seria Demais! Os corvos se transformando em humanos , Kalona conquistando perdao de Nyx! Consumindo esse livro loool

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  3. eu ja fiquei imaginando o Kaloma entrando na sala com o peito nu ...oh meu Deus.

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  4. Quando aurox passou pela porta e depois batel ela na cara de zoey, foi praticamente a verdade batendo na minha cara

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